« Crónica dos últimos dias, antes de ti - 10º dia | Entrada | Ainda as escolhas de Scolari »
maio 25, 2006
Timor
Não sabia bem o que escrever sobre este tema porque as razões não me são claras. Uma guerra de poder? Um conflito económico? Um ajuste de contas antigo?
O que é certo é que Timor está à beira da Guerra Civil e espanta-me a forma como desde o início da tensão este problema tem estado a ser gerido. Parece-me evidente que ninguém está com pre-disposição para o diálogo. O governo que está às turras com a presidência. Os revoltosos que cada vez mais são uma amalgama de interesses mas cuja motivação principal ainda não está conhecida, embora eu aposte em interesses ocultos de uma série de empresas petrolíferas que gostariam de ter interesses em Timor numa altura de instabilidade no Médio Oriente e já agora na Venezuela (embora esta seja diferente). A Igreja normalmente tão expedita a apaziguar os ânimos desta vez nada faz, talvez melindrada com alguma perca de regalias que o governo de Alkatiri a brindou há uns tempos atrás.
Com isto tudo é complicado fazer um juízo concreto das coisas que se estão a passar mas estou certo que a comunidade internacional deve saber muito sobre isto, sobre os bastidores da coisa, pelo menos a julgar pelas declarações do presidente da Ass. Geral da ONU, do envio ultra rápido das forças Australianas e da ausência de uma explicação que seja do nosso Minístro dos Negócios Estrangeiros no Parlamento. Pelos vistos todos sabem muito bem o que se passa e já o deveriam saber antes de isto estalar de vez.
Acho que como cidadãos de um Mundo em que as armas falam cada vez mais alto que os esforços de paz nos devemos todos interrogar sobre este caso que se não é sui geniris para lá caminha
Publicado por Daniel Arruda às maio 25, 2006 10:57 PM
Comentários
Ainda bem que escreveste sobre o tema, Daniel.
Confesso que já lhe tentei pegar uma quantidade de vezes e não sabia como...desde sempre que houve muitas coisas em Timor que tornam impossível analisar duma forma "linear" o que lá se passa...
Talvez só tenha uma certeza, a diplomacia costuma ser melhor conselheira que as armas...mas também não sei se serve de muito esta certeza...
Publicado por: isabel faria às maio 26, 2006 10:15 AM
Os laços que nos ligam ao povo de Timor-Leste , fazem-mos ficar francamente preocupados com as noticias que nos chegam desse país.
Mas não devemos esquecer, que na realidade não sabemos as causas profundas desse mau estar.
Por isso toda a cautela é pouca, e todas as decisões voluntaristas, podem revelar-se negativas.
Qual o papel da Australia, no desenrolar deste conflito?
Qual o papel da Igreja Católica, poderosa no país?
Qual o papel do interesses ligados ao petroleo?
Porquê este aparente afastamento entre o Presidente Xanana Gusmão e o Primeiro-Ministro Mari Alkatiri.
Porque acusam alguns dos militares desmobilizados, que só o foram, por razões étnicas.
E por fim que papel pode desempenhar uma força militarizada como a GNR num conflito militar.
Em suma dúvidas sem resposta.
Quatro anos após a independência, voltamos de novo á situação de 1975?...
Publicado por: a.pacheco às maio 26, 2006 11:31 AM
Pacheco por isso o meu post é cauteloso. Levanto questões e não dou respostas. Concordo com aquilo que escreves mas espanta-me a atitude da comunidade internacional.
Publicado por: Daniel Arruda às maio 26, 2006 11:50 AM