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maio 28, 2006
Vinte e oitos de Maio

Chegou a casa depois de um dia de trabalho e de duas horas de viagem. As janelas abertas e a casa sem luz, não auguravam nada de bom. Meteu, a medo, a chave na fechadura. Entrou devagarinho. Na escuridão, que invadia toda a casa, não o encontrou. Ao lado da cama, caído, tinha dado mais um passo no caminho que escolhera. Acabou o dia sozinha, na sala de espera, fria, do hospital. Voltou. No outro dia, ela voltaria, a medo, a meter a chave na fechadura.
Faltavam dois dias, para nasceres, meu amor. Apenas faltavam dois dias para te ter comigo. Nada nos iria separar. O pesadelo ficara, definitivamente, escondido naquele recanto da memória, onde só se pode ir, quando se está cheio de força e de vontade de viver. Agora até podia lá ir, tinha a certeza que voltaria intacta. Sentir o bater do teu coração, era a certeza de ter sobrevivido. Sentir os teus pontapés era a certeza que tinha feito a escolha certa.
Faltavam dois dias para te ter comigo. Valia a pena ter sobrevivido. E escolhido. Nunca mais estaria sozinha, nem teria medo do que iria encontrar atrás da porta.
Havia mais dois parágrafos no Post que há um ano escrevi. Deles apenas me apetecia repetir que são bons os amigos...Do resto dos parágrafos, o tempo, o dia de ontem a montar um quarto com o João Pedro, em que ele teve que fazer quase tudo e só ao fim, memso, mesmo, ao finzinho é que me disse "Vá lá, vá lá...mesmo assim ainda ajudaste muito...és tão azelha a fazer coisas com as mãos..." e o beijito quase a cair para o lado de sono e de cansaço, à meia noite em ponto, a memória duma noite no Bairro Alto, ao som, talvez de Jazz, talvez de música brasileira, quem consegue recordar a música se tem uma mão para recordar, do resto dos parágrafos, dizia, não ficou mais nem dor, nem mágoa. Até a memória quase que não sobreviveu.
Do primeiro parágrafo deste post também não ficou mágoa...apenas a certeza de que sem ele hoje não seria eu, e a alegria de lhe ter (creio que, mais ou menos inteira) sobrevivido.
Ao longo do ano que passou tive tantas vezes esta certeza....nos olhares que troquei, nos bairros que percorri para eleger Sá Fernandes, nas lutas em que acreditei e nos sonhos que sonhei. Na tua pele.
Há anos em que fazer balanços custa...não custa este balanço.
PS: Apenas uma nota final, em resposta ao post do Daniel: Têm que ser mais de quarenta e menos de cinquenta, amigo. Até agora eu e a vida andamos de contas certas...ninguém deve nada a ninguém...se fossem só quarenta alguém estava em divida...se já fossem cinquenta, iden, iden...Um obrigado a todos os que lá deixaram os parabéns, à Emièle pelo post no Pópulo e a ti também amigão, que apesar de um bocadinho antipático, te lembraste dos parabéns e de mandar o bolo pelo irmão do Bono...E olhem, porra que já estou farta de escrever, vim aqui à pressa, que tenho que continuar a montar móveis...Até logo!!!! Confesso que me faltava esta: passar um dia de aniversário a montar móveis...que mais me irá acontecer???
Publicado por Isabel Faria às maio 28, 2006 05:30 PM
Comentários
e eu a pensar que já o João Pedro já tinha nascido ontem... Fui enganado, pela leitura apressada. Dizias tu no post de ontem, " chegou ao fim o último domingo, Joãozito" pois é! Só que eu li "chegou ao fim o último dia, Joãozito". A minhas desculpas, afinal só nasceu três dias depois. Deixa ver se sei fazer contas... Nasceu, em 30 de Maio. Acertei? Nas minhas contas acertei (mentira, nem pensei nisso) mas o meu primeiro filho nasceu no dia do meu aniversário. Um bom dia de aniversário, Isabel... (montar móveis n devia estar no programa. Eu fui à praia e almoçar fora (só para fazer um pouco de inveja e agora acabei de acordar de uma soneca retemperadora) ;)
Publicado por: Fernando às maio 28, 2006 06:41 PM
Passaste dias bem negros na tua vida, Isabel. Esse do primeiro parágrafo é tão terrível que me custa imaginar. E no teu dia de anos...
Mas tens o segundo parágrafo para trazer a luz. Como dizes, desde que ele nasceu não voltas a estar só. Não se pode. Ele não deixa.
:)
Publicado por: Emiéle às maio 28, 2006 06:51 PM
Vinte e oito de Maio: aqui em França é dia da Mãe! Ou "La Fête des Mères" como eles dizem.
Publicado por: Helena Romao
às maio 28, 2006 07:37 PM
Fernando, isso mesmo a 30...foi por pouco que não calhou no meu dia de anos, sim. Mas foi cesariana, com data e hora marcada, dado o problama da tensão e de o João Pedro ter decidido manter-se sentadito até ao fim...nunca lhe apeteceu meter-se de cabeça para baixo...é um cadito teimoso...sei lá se sai á mãe. Não, não sou teimosa, sou mais persistente. E ele também. O não dar a volta foi mesmo distração...:)))e tive que esperar por vaga na sala de operações.
Èmiéle, foram tempo mauzitos, sim. Mas ainda hoje me custa sobretudo não ter conseguido que ele ainda hoje me pudesse ligar a dizer, Parabéns pinguim. (È uam história longa...mas sempre fui o seu pinguim. )
Helena, aqui em Portugal há uns anos também se comemorava o Dia da Mãe no último Domingo de Maio (este ano teria calhado a 28...), mas depois decidiram alterar para o 1º Domingo de Maio. Nunca entenedi porquê, mas assim perdi a oportunidade de o meu dia de aniversário ser algo de mais bonito do que a recordação daquele fatídico dia de 1926...
Publicado por: isabel faria às maio 28, 2006 09:52 PM
PARABÉNS! Uffa! Quase que não chegava a tempo!
(Nota muito pessoal: Pinguim é, também uma longa história, o nome da minha namorada! ;p)
Publicado por: Farpas às maio 28, 2006 10:50 PM
Obrigado, farpas, Chegaste a tempo...ok, mesmo se fosse depois da meia-noite eu desculpava-te por causa do calor e assim...
(Giro essa coincidência...apesar de muitos momentos complicados...gostei de ser pinguim. Tenho a certza que a tua namorada também deve adorar...são tão bonitos todos de gavatinha!!)
Publicado por: isabel faria às maio 28, 2006 11:16 PM
Já viste Isabel em que raio de dia foste nascer.
No 28 de Maio, já é preciso ter galo....
Publicado por: a.pacheco às maio 29, 2006 12:09 PM
A.Pacheco, dantes havia pessoas que se registavam num dia diferente, tipo, atrasavam-se e depois para não pagar multa, escolhiam uma data nova...já vim um cadito depois dessa época (apesar do Daniel insistir nos sessenta e tais...) e nem com esse truque me pude safei!!
Publicado por: isabel faria às maio 29, 2006 02:20 PM