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maio 24, 2006

Violência doméstica

violencia_domestica2.jpg

Há uns tempo deixei aqui um post sobre a violência doméstica. Na altura, causou polémica ter usado uma foto da Guernica para o ilustrar.
A Amnistia Internacional publicou hoje um relatório sobre a violência doméstica em Portugal. No ano passado morerram 33 pessoas vitimas de violência doméstica. Quase 3 mulheres por mês, morreram vítimas de maus tratos de familiares próximos.
Há milhares de pessoas que morrem vitimas de guerras. Milhares vitimas de repressão. O mesmo relatório da AI fala do conflito na provincia de Dafur no Sudão, que já matou milhares de pessoas e obriga milhões a abandonar as suas casas e as suas terras.
E reconheço a minha incapacidade de não me apetecer voltar a colocar a mesma foto a ilustrar um post sobre 33 mulheres que morreram em Portugal, vitimas da violência dos homens que amaram, que amam. Com quem fizeram as suas vidas. Muitas vezes, pais dos seus filhos. Mortes que, normalmente, culminam anos de violência diária, de ofensas, de agressões, de marcas que ficarão para sempre .
Nunca serei capaz de contabilizar a violência pelo número de mortes. Para mim, cada vida, uma vida, vale uma vida. A vida. E a ideia de se morrer, de se sofrer às mãos de quem se ama e em quem se confia, seja mulher ou seja criança lembrar-me-á sempre a imagem da Guernica. Multiplicada por 33 em 2005, as que não se puderam queixar ou por 18.133, as que ainda foram a tempo e tiveram coragem para o fazer. Só o não voltar a ilustrar um post com a mesma foto me leva a escolher, hoje, uma outra. De duas mãos que se acreditaram dadas para percorrer caminhos e que , às vezes, acabam assim. Ou acabam.

Publicado por Isabel Faria às maio 24, 2006 11:24 AM

Comentários

E a violencia que não origina mortes físicas, mas que mata a pessoa que há dentro de cada um. As vidas que são destruídas assim.

Nada há que justifique esta barbárie.

Publicado por: Daniel Arruda às maio 24, 2006 01:21 PM

É horrível toda a situação e os seus presupostos. Como e porquê se vive com uma pessoa que não se respeita (já nem falo que não se ame...)Como acontece que a vítima quase "colabore", na medida em que não toma medidas defensivas e preventivas. Como é que a sociedade tem fechados os olhos tanto tempo. Como é que se joga com 'a vergonha' que a vítima sente. E como é que há quem, no fundo, considere isso natural...?!!!!!

Publicado por: Emiéle às maio 24, 2006 07:26 PM

É horrível toda a situação e os seus presupostos. Como e porquê se vive com uma pessoa que não se respeita (já nem falo que não se ame...)Como acontece que a vítima quase "colabore", na medida em que não toma medidas defensivas e preventivas. Como é que a sociedade tem fechados os olhos tanto tempo. Como é que se joga com 'a vergonha' que a vítima sente. E como é que há quem, no fundo, considere isso natural...?!!!!!

Publicado por: Emiéle às maio 24, 2006 07:28 PM

O silêncio é o refúgio para a vergonha, para o medo...
O silêncio de quem sofre na pele, o silêncio de quem vê e quem ouve...como é que era aquela máxima muito antiga??? Entre marido e mulher não metas a colher...às vezes é demasiado tarde.

Publicado por: isabel faria às maio 24, 2006 10:33 PM

São precisas campanhas para acabar com essas frases como a da "colher", que às vezes são assassinas. No Brasil as mensagens passam através das novelas. Nós temos o mesmo fenómeno de loucura pelas novelas e pelos jogadores de futebol, porque não aproveitar isso de forma positiva?

Lembro-me (por alto, porque não tenho cá o livro) de uma entrevista com a Maria Teresa Horta, feita pelo Viriato Teles, em que ela dizia que nalgumas aldeias em Portugal, nos anos 70) os homens diziam que já não podiam bater nas mulheres da mesma maneira que antes. Elas tinham aprendido na novela que era errado e que podiam fazer queixa à polícia. Ora, se resultou numa determinada aldeia e pelo menos durante algum tempo......


E a não assistência a pessoa em perigo, não é um crime? Porque não se criminalizam as pessoas que sabem, às vezes durante anos, e não fazem nada? Enquanto desculparmos também este crime, porque é cultural, porque não sabiam o que fazer, por medo do que se podia dizer socialmente, etc... nada feito. Podem ser elementos atenuantes, mas não eliminam o crime em si.

Publicado por: Helena Romao [TypeKey Profile Page] às maio 25, 2006 12:00 AM