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junho 19, 2006
Havemos de ouvir o Gracias a la vida!!!

Hoje apetecia-me estar com ele e fazê-lo ouvir a Violeta Parra a cantar o Gacias a la vida.
Queria falar-lhe de quando descobrimos a sardanisca presa na fechadura da porta e eu gritei tanto que as vizinhas pensavam que tinha acontecido alguma coisa; queria falar-lhe de quando me fazia as cruzinhas para a campa do Nero ou do hamster que esqueci o nome, ele que nunca foi a uma missa; queria falar-lhe das pedrinhas enroladas na prata; naquela vez em que me deu uma palmada porque eu não queria lavar as mãos, não estão sujas nada, e a água tornava-se preta; queria recordar-lhe quando nunca queria perguntar nada a um polícia em Paris e passávamos 10 vezes pelo mesmo lugar à procura do mesmo lugar, só que outro; queria falar-lhe da festa que vivemos juntos e falava-lhe de flores vermelhas...queria dar-lhe a ouvir a Violeta Parra e que ele voltasse a ter vontade de me fazer dançar nos seus joelhos. Não queria sentir-lhe a voz triste, ou perdida, ou desencantada, ou amargurada. E sinto. Este fim-de-semana vou levar-lhe a Violeta Parra...pode não ter força para me abanar nos joelhos, até posso lavar as mãos antes de comer, continuarei a fugir da sardanisca se ela decidir ficar de novo presa e pedir-lhe-ei que não desista.
Há alturas em que escrever me tira o medo. De quando em vez fico com medo. Como hoje.
Publicado por Isabel Faria às junho 19, 2006 11:51 PM
Comentários
Acho que já falámos sobre isto e até escrevi uma posta para explicar. Volto a dizer. Não deixes nunca nada por dizer. Mesmo que pareça cedo. Nunca é cedo. Há coisas em que apenas há tarde.
Mas vais ver que tudo vai ficar bom. É apenas passageiro.
Publicado por: Daniel Arruda às junho 20, 2006 10:51 AM
Nesse tempo ele tinha força por ti. É agora a hora de teres força por ele. É complicado porque é inverter um pouco o que consideramos a "ordem natural", eles é que nos deviam proteger, não é? Mas deves encaminhá-lo para alguém competente que o possa orientar profissionalmente. A pessoa deprimida começa sempre por negar que o esteja, é dos livros. Mas para além de um profissional o papel de quem o rodeia também é fundamental na ajuda possível.
Publicado por: Emiéle às junho 20, 2006 11:00 AM
Daniel, eu sei que já.E sei que tenho deixado algumas por dizer.
Tambem quero que seja. Mas há uma tristeza que eu não estou a ser capaz de vencer...vamos ver este fim-de-semana. Obrigado. Vou lembrar-me das tuas palavras quando estivermos os dois a ver o Tejo.
Émièle, é complicado...e o meu pai sempre foi tão forte...a tua mãe anda sempre doente...para que será tantos comprimidos???...creio que o convenci a ir ao médico. A ver vamos.
Publicado por: isabel faria às junho 20, 2006 12:01 PM
Experimenta antes com a Mercedes Soza e em vez do "Gracias a la vida" escuta o "Todo cambia"
Publicado por: franco às junho 22, 2006 12:25 PM