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junho 21, 2006

Não são coincidencias meus senhores

Há coisas levadas da breca. Coincidencias certamente.
Numa altura de convulsão para a Indústria automóvel nacional, com o eminente fecho da fábrica da GM na Azambuja, aparecem em todos os orgãos de comunicação social notícias "novas" sobre a produção em Portugal, mais concretamente na Autoeuropa, do novo desportivo da marca alemã. Até se dá destaque ao facto de já se saber o nome. Como se isso fosse novidade. Mas o factor comum a todas as notícias é a exaltação qeu se faz ao ministro Manuel Pinho na condução do processo negocial na VW. Coincidência ou não este artigo surge numa altura em que Manuel Pinho mais uma vez demonstra a sua incapacidade no dossier GM. E digo mais uma vez porque no caso da VW a intervenção do ministro não passa de uma mentira. Os grandes e únicos responsáveis pela negociação na Autoeuropa foram os trabalhadores. O ministro quando abriu a boca fez asneira.
Mas há mais pontos comuns das notícias. O enaltecer da atitude dos trabalhadores da VW com o claro intuito de no caso da GM pôr a culpa em cima dos trabalhadores da GM. A velha técnica de dividir para reinar. Não vou repetir a minha opinião sobre a posição de algumas ORT's da GM mas isso não retira em nada à questão fundamental. A GM vai saír de Portugal porque quer e não porque não tem condições ou porque os trabalhadores não colaboram. O problema não está na mão de obra. Está na falta de vontade de se resolver o problema. Está na vontade de se deslocalizar para países do centro da Europa onde quase não há custos logisticos, onde a legislação laboral é mais permissiva ao capitalismo selvagem e onde os benefícios fiscais são maiores.

Estas revelações encomendadas por alguém á nossa imprensa não são coincidencias. São manobras claras que querem virar a opinião pública contra os trabalhadores e limpar assim a imagem de um ministro claramente incompetente. É claro para todos que o Governo neste momento domina os media. A ideia de uma imprensa livre em Portugal é cada vez mais uma miragem. Sócrates aprendeu que o melhor a fazer era ter um governo repartido entre S.Bento e as redacções dos jornais. Soube na altura certa seduzir as pessoas certas para fazerem a propaganda do regime.

Mas que é vergonhoso é. Um país livre e democrático como Portugal cada vez mais aferrolhado, aregimentado, preso aos e pelos orgãos de comunicação social. Será que já não há jornalistas críticos? Não há jornalistas livres em Portugal?
Estamos no limiar da Vergonha Total.

Publicado por Daniel Arruda às junho 21, 2006 09:17 AM

Comentários

Gosto de quando escrevees assim, Daniel. Claro. Sem lugares para dúvidas. Chamando os bois pelos nomes. Carlificando responsabilidades. Bom post. Subscrevo-o totalmente. Inclusivé a parte do limiar...com uma alteração. Que decorre do tempo que já apssou...desde que o escreveste, seguramente que já demos mais um passo. Parece um caminho imparável.

Publicado por: isabel faria às junho 21, 2006 12:47 PM

Cheira a conspiração :)

Publicado por: Conspirador às junho 21, 2006 01:40 PM