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junho 10, 2006
Que seja dele!!!

Dantes, lembro-me que era o Dia de Camões. Parecia-me bem. Afinal os Lusíadas, o olho, e o resto todo davam muito bem para um dia inteirinho.
Depois, não faço ideia quando, juntaram-lhe Portugal e mais as Comunidades e pareceu-me que o dia começava a ter um bocado a mania das grandezas, mais olhos que barriga. Pelo meio, ainda houve quem metesse a raça nisto, mas aí nunca percebi se se falava de siameses ou de caniches, daqueles de lacinho.
Pelo meio os Presidentes da República aproveitam sempre para distribuir medalhas e por ir dar uma volta a uma cidade qualquer. Desde há uns anos para cá, meia dúzia de atrasados mentais, ressabiados e com a mania que gostam de dar tiros e de serem puros decidiram vir gritar, para a rua, umas palavras de ordem tão atrasadas, ressabiadas e energúmenas como eles. Apesar de perigosos (basta não esquecer a telenovela da passada semana) e de passearem com T shirts com a cara do Marcelo Caetano, continuam a poder andar para aí a fazer as sua “traquinices” impávida e impunemente.
Quanto a nós, resta-nos gozar o Feriado que, este ano, se armou em traidor e calhou a um Sábado, dar um passeizeco ate à praia, fazer umas compras, ver mais dez horas de Mundial…e já agora ler um poema do Camões. Afinal, acho que ele nunca cedeu a propriedade do Dia ao caniche dos tó-tós.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Publicado por Isabel Faria às junho 10, 2006 11:11 AM