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junho 19, 2006

Unidade e Unicidade

UNIDADE
do Lat. unitate
s. f.,
grandeza tomada por uso ou por convenção para servir de termo de comparação entre grandezas da mesma espécie;
o número um;
a base da numeração;
qualidade do que é uno;
objecto único;
união;
mónada (na filosofia de Leibniz);
coordenação das partes de um todo (trabalho literário ou artístico, etc. );
uniformidade, conformidade de sentimentos, de opiniões, etc. ;
acção colectiva tendente a um fim único;
corpo de soldados destinados a manobrar juntos;
cada navio na marinha de guerra;

fig.,
profissão da mesma fé e obediência aos mesmos chefes.

UNICIDADE
s. f.,
qualidade de único.

Estas definições vêm num dicionário on-line e servem para explicar o paradoxo que grassa no movimento sindical português. Toda a gente apregoa a unidade mas como ficou óbvio, e para pegar apenas no exemplo mais recente do SPGL, o que se quer mesmo é a unicidade. Este defeito de formação não é de hoje, tem 3 décadas mas pelos vistos ninguém quer saber.

Ainda a semana que passou deu na RTP2 um documentário sobre Álvaro Cunhal, sobre a sua vida, obra e com muitas passagens e imagens de discursos, entrevistas do próprio. O espantoso é que é o mesmo discurso usado actualmente pelas mais diversas pessoas com responsabilidade no movimento sindical. Nos anos 70 não raras as vezes se ouviu defender a central sindical única que seria controlada pelo PCP. Unidade de pensamento? Não!!!!!!!! unicidade. Unidade dos trabalhadores no respeito pelas diferenças??? Não !!!!!!! Unicidade em torno das bandeiras de alguns.
Leiam as definições de unidade e unicidade e vejam o que se aplica á CGTP. Vejam as atitudes nas recentes eleições do SPGL e vejam em que espírito se enquadra. As eleições perdem-se e ganham-se. A comissão eleitoral não deu provimento ás queixas. A impugnação não parece fazer efeito pelo que se ameaça convocar plenário escolares que se sobreponham a um acto eleitoral livre e democrático.

Isto não é um apelo á unidade. É uma exercício para se chegar á Unicidade.

E vocês ainda me perguntam porque sou crítico?

Publicado por Daniel Arruda às junho 19, 2006 10:14 AM

Comentários

(…) “A lista A ganho, ninguém impugnou, as eleições para o SPGL. Vitória limpa e sem espinhas. De 4 direcções regionais ganhou 3.
Não percebo qual o tema. (…)
Publicado por: Daniel Arruda às junho 11, 2006 11:11 PM


Ganhar nas urnas, perder na secretaria
(…) Entregues pelos CTT (77), recebidos em mão (366)
A nossa lista, que já havia questionado aspectos processuais relativos ao voto por correspondência, verificou, no acto de apuramento dos resultados, graves irregularidades em diversas situações de recolha desses votos (…).
Outra gravíssima irregularidade verificou-se nas operações precedentes do escrutínio, quando a própria Comissão Eleitoral deliberou, com a oposição da Lista B, validar 108 votos por correspondência acompanhados de documentos sem assinatura.
Tenciona a Lista B interpor recurso (…)

Leia o resto aqui:

http://spglb.no.sapo.pt/principal.htm

Publicado por: Margarida às junho 19, 2006 10:12 PM

Queridos leitores do Troll. Já repararam que nem um argumento a refutar a questão da Unidade v Unicidade?
Quem cala consente.

Publicado por: Daniel Arruda às junho 20, 2006 07:48 AM

É lamentável constatar que quando os professores e educadores comunistas, entre outros, quiseram avançar para as eleições sindicais em concertação com os elementos da lista A, discutindo os príncipios e as estratégias sindicais a adoptar não tenham havido nenhum Daniel a mencionar o assunto, que quando os elementos da lista A, depois de terem dito cobras e lagartos uns dos outros, tenham concertado entre si lugares sem discutirem uma vírgula da política sindical não tenha havido um sussurro de Arruda.
E agora Daniel Arruda acha que o que faz prova de que a lista B deseja a unicidade e não a unidade é o facto de ter contestado os resultados das eleições? Não saberá ele que a própria lista C é favorável à repetição da votação por correspondência? Não saberá ele que contestar um processo em que foi bem evidente a sua irregularidade e manipulação não tem nada a ver com unicidade? ou será que para ele a unidade passa por excluir comunistas?

Publicado por: Irene Sá às junho 22, 2006 02:08 AM

É lamentável constatar que quando os professores e educadores comunistas, entre outros, quiseram avançar para as eleições sindicais em concertação com os elementos da lista A, discutindo os príncipios e as estratégias sindicais a adoptar não tenham havido nenhum Daniel a mencionar o assunto, que quando os elementos da lista A, depois de terem dito cobras e lagartos uns dos outros, tenham concertado entre si lugares sem discutirem uma vírgula da política sindical não tenha havido um sussurro de Arruda.
E agora Daniel Arruda acha que o que faz prova de que a lista B deseja a unicidade e não a unidade é o facto de ter contestado os resultados das eleições? Não saberá ele que a própria lista C é favorável à repetição da votação por correspondência? Não saberá ele que contestar um processo em que foi bem evidente a sua irregularidade e manipulação não tem nada a ver com unicidade? ou será que para ele a unidade passa por excluir comunistas?

Publicado por: Irene Sá às junho 22, 2006 02:13 AM

É lamentável constatar que quando os professores e educadores comunistas, entre outros, quiseram avançar para as eleições sindicais em concertação com os elementos da lista A, discutindo os príncipios e as estratégias sindicais a adoptar não tenham havido nenhum Daniel a mencionar o assunto, que quando os elementos da lista A, depois de terem dito cobras e lagartos uns dos outros, tenham concertado entre si lugares sem discutirem uma vírgula da política sindical não tenha havido um sussurro de Arruda.
E agora Daniel Arruda acha que o que faz prova de que a lista B deseja a unicidade e não a unidade é o facto de ter contestado os resultados das eleições? Não saberá ele que a própria lista C é favorável à repetição da votação por correspondência? Não saberá ele que contestar um processo em que foi bem evidente a sua irregularidade e manipulação não tem nada a ver com unicidade? ou será que para ele a unidade passa por excluir comunistas?

Publicado por: Irene Sá às junho 22, 2006 02:15 AM

Cara Irene Sá, eu adoro discutir mas tenho alguma dificuldade em lidar com pessoas mentirosas.
Deve saber tão bem como eu que quem apareceu pouco antes das eleições a quebrar as negociações para uma lista única foi a lista B e que logo nessa altura apareceu com uma lista completa, já feita, o que indica que estiveram a manobrar na sombra.
Quanto a discutir uma política sindical só o posso compreender por essa política finalmente ser discutida no sindicato e não na Soeiro Pereira Gomes como tem sido normal até hoje.
Aliás não percebo o porque de tanta celeuma. Na lista A havia pessoas do PCP, do BE, do PS o que garantia desde logo a pluralidade de opiniões. Mas isso é mau. O que se quer é uma lista de unicidade do PCP. Penso que prestaram um favor ao auto desmascararem-se.

Quanto á prova da Unicidade há várias basta ver todo o processo. Mas o mais flagrante parecem-me os comunicados na campanha em que a lista B se apresentava como a da renovação quando na realidade tinha tantos membros da anterior direcção como a A ou então todo este processo de mau perder que tem pautado o periodo pós eleitoral. Numa época em que se devia combater as más ideias da ministra há quem ache mais importante consumir as forças numa guerra partidária da qual os sindicatos deveriam estar arredados. O Inimigo não está no governo. Está á Esquerda. Grande ideia de classe essa.

Publicado por: Daniel Arruda às junho 22, 2006 09:10 AM

Irene Sá certamente é militante do PCP, e entende necessário defender as DIRECTIVAS do seu partido, nada a opôr, é sempre de louvar os militantes dedicados.

A minha dúvida é se estaremos a falar das eleições para o SPGL, e do processo que conduziu ao aparecimento da Lista B constituida por muitos REFORMADOS, APOSENTADOS, e outros militantes e simpatizantes do PCP e SÒ.

É que me parece ,e com todo o respeito, que ou está a mentir ou foi mal informada.

Publicado por: a.pacheco às junho 23, 2006 08:38 AM

O que eu disse em relação ao processo de elaboração das listas sindicais é absolutamente verdade. E posso prová-lo. Já Daniel Arruda não pode fazer o mesmo. E não pode não por ter estado ausente do processo (o que também é certo), mas porque, simplesmente, aquilo que diz é falso. Se Arruda quisesse saber o que na realidade tem acontecido ao SPGL teria que investigar, pelo menos, o último ano da vida deste sindicato; teria concluído que a direcção cessante (em particular alguns dos seus membros)tudo fez para impor uma revisão de estatutos que apontava para a descaracterização do sindicato enquanto organização com base nos locais de trabalho , isto é; nas escolas. De facto, hoje o papel dos delegados sindicais (o grande elo de ligação entre as escolas e o sindicato) está reduzido a quase nada. E a este propósito, é curioso que refira a questão do inimigo estar na esquerda ou no governo. É que, quando foi apresentada uma moção à Assembleia Geral de Sócios do SPGL para que adiassem o processo de revisão de estatutos porque o prioritário para o sindicato deveria ser a resposta às políticas de direita, a resposta da esquerda que Arruda concebe foi que isso era o argumento do costume para adiar as reformas necessárias. Com alguma pesquisa, Arruda teria percebido que não existiu nenhum esforço de discussão alargada e de consenso na revisão deste documento que é, nada mais, do que o documento matriz da própria organização, teria verificado como a direcção sindical teve de aprovar a proposta de revisão de estatutos horas antes do prazo final da sua entrega (tal foi a segregação de informação), e teria constatado que uma parte da mesma direcção votou contra ou absteve-se em relação a essa proposta. Arruda teria percebido que, para além de não ter procurado encontrar acções de resposta conjunta às medidas do governo contra os trabalhadores da administração pública com outros sindicatos (enfraquecendo assim a unidade sindical), O SPGL, através da sua direcção, deitou a perder o resultado da grande greve dos professores de 18 de Novembro de 2005. Arruda teria observado que foi redigido um manifesto sindical subscrito por cerca de quatro centenas de sócios que procurava apontar um conjunto de princípios para fortalecer o sindicato e a resposta de classe dos professores e educadores. Os subscritores desse manifesto sempre estiveram abertos à discussão e à concertação com outras opiniões internas. Responderam afirmativamente ao convite para debater com essas correntes o futuro do sindicato. Acontece que as comadres, que antes estavam de costas voltadas, depois de terem feito as contas, terão concluído que separadamente não poderiam constituir listas, e resolveram distribuir entre si os tachos e as panelinhas e muito caridosamente terão deixado umas sobras para os chatos dos subscritores do referido manifesto, que insistiam em discutir, antes de todo o resto, estratégias e orientações político-sindicais. Arruda, com um pouco mais de seriedade, teria verificado que nem todos têm a concepção de que a unidade sindical no SPGL é o que ditam alguns dirigentes instalados, e que, por esta razão, os subscritores do abaixo-assinado, depois de terem sido informados (pelos próprios) de que já estavam definitivamente decididos os nomes que encimariam a lista de continuidade(que seria depois designada por A), em assembleia aberta, analisaram e concluiram que tinham sido empurrados para a constituição de uma lista alternativa (que seria designada por B).

Por outro lado, Arruda e Pacheco deveriam ter cuidado em afirmar que os comunistas manipulam os sindicatos. Se fossem tão rigorosos como dizem ser indicariam situações concretas em que os comunistas nas direcções sindicais tenham aprovado e aplicado medidas ultrapassando, ignorando ou gorando os órgãos e as regras de funcionamento desses sindicatos. O facto de os comunistas se organizarem e concertarem as suas posições não significa que que não respeitem as regras de funcionamento das organizações que integram, bem pelo contrário, se estão nelas é porque precisamente reconhecem verdadeiramente a unidade. Não seria difícil também constatar que os comunistas reconhecem e valorizam o papel de muitas organizações em que participam em minoria, ou que até não participam de todo. A unidade em qualquer agremiação não é determinada por quem a compõe mas pelo seu modo de funcionamento. O que se verificou no funcionamento do SPGL é que já não estava a funcionar em unidade. Daniel Arruda quando fala em mau perder, referindo-se à contestação do processo eleitoral, não esclarece em que ponto é que a lista B não tem razão. Considerará, por exemplo, legítimo o uso abusivo do voto por correspondência (que deveria servir apenas para professores aposentados e desempregados)? achará normal que a comissão eleitoral só tenha tido acesso aos votos por correspondência cerca de 24 horas depois do prazo de recepção? Pacheco também com muita facilidade constataria que a lista B tem muitos professores jovens, dar-se-ia conta que a sua afirmação é, no mínimo, ridícula: Se fossem tantos aposentados como quer dar ideia estaria a afirmar também que a lista A não tinha capacidade nenhuma de mobilização, pois assim os reformados da lista B, fora das escolas conquistariam tantos votos como os em efectividade da lista A (a diferença, mesmo com os votos sob protesto, foi de 127 votos num universo de 8048).

O que parece a Pacheco está errado; eu não minto nem estou mal informada.

Publicado por: Irene Sá às junho 23, 2006 08:45 PM

Lamento ver que alguns camaradas têm mau perder. Relembremos todo o processo que a Irene refere. A revisão dos estatutos foi um compromisso eleitoral assumido pela Direcção cessante composta por membros das duas listas. Ao contrário do que pretendem demonstrar o acto eleitoral para a revisão dos estatutos foi bastante participado e a proposta da Direcção ganhou com uma grande diferença de votos. É através desta revisão que a próxima Direcção será representada pelas duas listas, factor que considero importante para a unidade dos professores e do sindicato. Não consigo perceber como é possivel que dirigentes sindicais e camaradas comunistas possam unir esforços contra a sua própria direcção, quando durante os seus mandatos não assumiram a diferença que pretendem demonstrar, mais ainda, quando se faz referência aos delegados sindicais é lamentável a dificuldade que temos encontrado em eleger comissões sindicais nas suas próprias escolas. Sou militante do PCP, tendo sido delegada sindical durante muitos anos fui nos ultimos 6 dirigente no sindicato e sinto neste momento uma triteza muito grande na divisão que alguns camaradas provocaram. Como fiz parte da comissão eleitoral posso referir que todas as decisões foram consensuais. Todas as listas estiveram presentes nas secções de trabalho, e existem actas com todas as situações rejistadas, não existim do até ao dia da contagem dos votos qualquer protesto entregue pelos representantes da lista B.
Estamos com um final de ano muito difícil é importante que se reunam esforços na luta.
Pela escola e com os professores unidos na luta.

Saudações sindicais
Branca Gaspar

Publicado por: Branca Gaspar às junho 24, 2006 02:12 PM

1- Outros compromissos eleitorais foram assumidos sem que a direcção tenha tido a mesma avidez em implementar.

2- O cumprimento desse "compromisso" sacrificou o trabalho político-sindical e a necessária resposta à política do governo.

3- A revisão de estatutos só teve uma participação mais acentuada pelo facto de ter sido apresentada uma proposta que contrariava a implementação do direito de tendência.

4- A proposta apresentada pela direcção obteve menos de metade dos votos (46,6%), e não teve a aprovação de 10% dos sócios. E os votos em branco foram 16,8% (675)!

O debate em tornos das propostas apresenadas resumiu-se a algumas reuniões nas regiões em que o somatórios dos participantes não terá ultrapassado os 50 sócios.

Volto ainda a referir que não foi consensual a aprovação da proposta na direcção e que a esmagadora maioria dos dirigentes estiveram ausentes do debate.

5- Não é verdade que seja graças aos novos estatutos que as duas listas estejam representadas na direcção. Os anteriores estatutos já contemplavam a possibilidade de uma lista ganhar em alguns órgãos e perder noutros.

6- A Lista B foi composta de muitos professores. A maior parte não fazia parte dos anteriores corpos gerentes.

Por outro lado, se alguns dos anteriores dirigentes integraram agora a Lista B só revela que afinal não estavam tão bem integrados quanto isso.

Também não é verdade que a diferença não se tenha revelado. A título de exemplo cito a questão da participação na Confederação de Quadros, a Revisão dos Estatutos, a Adesão à CGTP, os processos de luta com a administração pública.

Sublinho também novamenteque entendo que a Lista A não é uma plataforma de professores e educadores guiados por princípios e ideias, mas um conjunto que se formou por distribuição de panelinhas. A este propósito refira-se o cinismo com que Óscar Soares aplaudiu longamente Paulo Sucena pela sua eleição depois de ter dito o pior possível acerca do ex-presidente do sindicato em diversas ocasiões.

7- Quanto à dificuldade de eleição de delegados sindicais é um facto. Mas a dificuldade não anula a necessidade. E a permanente ligação às escolas como tarefa principal do sindicato não se assegura pela liquidação dos delegados e das suas competências.

8- Mais uma vez refiro que a divisão não nasceu das eleições. Ela já existia e foi promovida pela prepotência, autoritarismo e falta de entendimento democrático de alguns dirigentes.

9- É mentira que as decisões da Comissao Eleitoral tenham sido consensuais. Para além disto, a Comissão Eleitoral, com consenso ou sem ele não pode ultrapassar o regulamento eleitoral: a aceitação de votos por correspondência sem assinatura é um exemplo disso (para que serve estabelecer essa regra se depois é ignorada?)

10- Posso referir ainda que o regulamento eleitoral foi aprovado graças a votos por correspondência e que depois foi alterado! Como é possível alterar um documento aprovado por correspondência?

Nesse sentido, como seria possível protestar um documento alterado sem que os sócios conhecessem as alterações?

É sempre pelos professores e educadores, pela escola e pela educação que lutamos.

Publicado por: Irene Sá às junho 28, 2006 02:41 PM