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julho 29, 2006

Lamego

Lamego é de facto uma cidade espantosa. Não me canso de cá vir, de a visitar, de entrar em suas igrejas, de ir ao castelo ou apenas de passear nas suas ruas. Gosto de comer as bolas, de bacalhau, presunto ou de outra coisa qualquer. Mas mesmo fora da cidade eu sinto-me bem. A percorrer as estradas que serpenteiam entre as vinhas, a subir aos miradouros e ficar por ali, apenas a desfrutar daquilo que a natureza nos deu e que o homem soube preservar.
Adoro descer para o Douro e ficar ali á beira rio, numa qualquer esplanada da Régua ou numa das praias fluviais, a ouvir as histórias que o rio tem para contar e se elas são muitas. Histórias de vidas mas também de sofrimentos que hoje são apenas sussurrados sempre que um rabelo desce o rio já sem cumprir a sua função inicial.

Mas a história da região é mais que coisas materiais. Eu não sou religioso mas as crenças aqui fascinam-me. Pela forma como são exercidas e vividas. As procissões têm alma e sentimento. As pessoas vivem a espiritualidade, para o bem e para o mal. As que cá vivem e as que visitam Lamego nas suas perigrinações dos caminhos de Santiago. É esse sentimento que dá ccoesão. Desengane-se por isso que a coesão social e territorial é uma coisa política. Para mim essa ideia é do mais errado que existe. Ao passearmos por Braga, Lamego Chaves, Vila Real, Caminha encontramos o mesmo sentimento que encontramos a passear por Santiago de Compostela ou Pontevedra. Encontramos pessoas iguais, estilos de vida iguais, e essas coisas fazem-nos pensar sobre as questões de território.
Tenho um amigo galego que me diz repetidas vezes que a Galiza deveria ser independente mas se não o fosse que teria de pertencer a Portugal. Não concordo com ele. Poderia ser independente mas deveria-se ponderar o facto de Minho e Trás os Montes poderem fazer parte desta grande comunidade pois as afinidades são enormes e elas sentem-se. Não se trata aqui de uma separação ou desmembramento do nosso país mas se quisermos pensar na Iberia como uma zona de regiões não podemos esquartejar uma coisa que históricamente e culturalmente é una.
Atenção, não estou aqui a propor nenhum tipo de novo estado, estou apenas a constatar um facto que se calhar num qualquer futuro terá de ser equacionado. Estou a constatar realidades culturais, arquitetónicas e de vivencia das pessoas. Como disse mais acima "Desengane-se por isso que a coesão social e territorial é uma coisa política" estou a falar de sociedades de ligações culturais e de hábitos.

Lamego é disso um exemplo. Quem já passeou por Santiago sente-se em casa em Lamego. Eu sinto-me em casa.

Publicado por Daniel Arruda às julho 29, 2006 10:45 AM

Comentários

Convenceste-me, Daniel. Um destes dias tenho que conhecer o Douro fora do Porto...e passar por Lamego.

Publicado por: isabel faria às julho 30, 2006 07:43 PM

Lamego... é uma seca!!!!! Como pode alguem gostar de Lamego????
Comparar Lamego com Santiago de Compostela???? Não bebes mais nada este verão. Estás com uma grande moca. Só pode....

Publicado por: Fino às julho 31, 2006 04:30 PM

Fino, não sei porque não se pode comparar. Se compareares a quantidade de bares que há em lamego e em Santiago então sim, podes dizer que é uma seca mas a posta não era sobre bares era sobre cultura e história.

Publicado por: Daniel Arruda às agosto 1, 2006 08:54 AM

deixem la so quem conheçe lamego é que pode falar sobre es
ta cidade fantástica, que em cada canto se vê história e cultura.

Publicado por: master às novembro 18, 2006 01:19 PM

deixem la so quem conheçe lamego é que pode falar sobre es
ta cidade fantástica, que em cada canto se vê história e cultura. Realmente é uma cidade fantástica. VISITEM-NA

Publicado por: master às novembro 18, 2006 01:24 PM