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julho 18, 2006

Médio Oriente

Israel continua a fazer ouvidos de mercador aos apelos de moderação e continua a matar civis no Libano. Numa resposta desproporcionada ao Hezbollah, o Primeiro Ministro israelita promete intensificar os ataques. Contra todas as “infra-estruturas” terroristas, disse. Claro que, para Israel, há sempre o azar de haver civis à volta destas infra-estruturas…
Entretanto, do lado israelita, em Haifa, ontem morreram 24 israelitas mortos pelos mísseis do Hezbollah. Lá mais em baixo, alguém, daquelas pessoas que teimam em ver o Mundo a preto e branco, discordava da minha afirmação de que Israel não quer a paz. Enquanto o povo judeu não for capaz de obrigar os seus dirigentes a procurar o caminho da paz em vez do recurso sistemático à guerra, à agressão e à repressão, Israel, para mim, continuará a não querer a paz. Era bom se se pudesse ver um País só pelo seu povo. Ou pelos movimentos que lá dentro se batem contra os seus dirigentes. Mas um País é, sobretudo, a politica dos seus dirigentes. É a opção deles pela Guerra ou pela Paz, é a recusa ou a disponibilidade em negociar, é a muleta do imperialismo americano ou a vontade de andar com os seus próprios pés. Enquanto o povo judeu não tomar nas suas mãos o destino das suas vidas, Israel é um País que não quer a Paz.
O mesmo é, para mim, claro do outro lado da barricada. Enquanto o povo do Irão, enquanto o povo da Síria, enquanto os sauditas não tiverem forças e vontades para viver em Liberdade e em justiça, os seus países serão sempre, apenas, inimigos de Israel. Não serão nunca para mim, aliados ou representantes dos seus povos nem da sua vontade. O fundamentalismo e o terrorismo não passam a ser aceitáveis quando deixam de ser de um Estado e passam a ser de outro Estado. Ou quando deixam de ser de Estado e passam a ser de grupo. A resposta de Israel ao rapto de soldados israelitas é desproporcionada. Mas seguramente que o movimento libanês sabia que assim seria. Israel é perito em aproveitar pretextos. Aos anos que a Guerra dura, todos o sabem.
A guerra não é solução. Nem é caminho, aqui. Porque se o fosse já deveria ter levado a algum lugar, aos anos que se percorre. Mas a guerra só terá fim quando os povos de todo o Mundo, a começar pelos dos países em guerra se levantarem contra ela. A diplomacia parece mais uma vez não funcionar. Israel não aceita o envio de mais forças para a UNIFIL. E o próprio Conselho de Segurança da ONU não chega a acordo quanto a essa necessidade. Nem, sequer, quanto a um comunicado. Aceitar que, se a diplomacia falha, a resposta está na força dos mísseis ou das bombas, no rapto de soldados ou nos assassinatos selectivos, pode servir a Israel, à Síria, ao Irão, aos EUA, não serve ao povo israelita, iraniano, sírio. Não serve a causa palestiniana. Nem serve ao Mundo.

Publicado por Isabel Faria às julho 18, 2006 12:48 PM

Comentários

Numa guerra nunca há um só lado. Há sempre dois. Espero que neste caso ambos se entendam. A bem do mundo.

Só uma ressalva. Nós europeus temos uma tarefa que é não nos calarmos e levarmos os nossos governos a agir. É a nossa obrigação.

Publicado por: Daniel Arruda às julho 18, 2006 01:14 PM

Isabel já falei muito sobre este conflito....

Corrigo-te não existe povo judeu, como não existe povo católico, povo indu,ou povo igreja maná....

Falas em 28 civis israelitas mortos em Haifa, eu só ouvi falar em 8...

Mas não é isso que importa fosse um ou mil para mim teria a mesma importância, porque terão de ser os civis a pagarem o custo desta luta de fanáticos.

Recordo-te que o exercito de Israel utilizou bombas de fósforo contra civis libaneses em fuga...

Recordo-te que um navio com refugiados que ontem tentou sair do Libano , onde estavam portugueses, teve de zarpar mais cedo, deixando cerca de 300 civis para traz pois temeu um ataque da marinha de Israel....

Recordo-te que o exercito de Israel já matou para cima de 200 civis, entre eles 7 canadianos e 4 brasileiros.

Recordo-te que o exercito de Israel já fala em atacar a Siria e o Irão.

Poder-te-ia recordar muitas outras coisas, só que cheguei a um ponto, que apesar de sempre ter defendido o direito á existência de um Estado de Israel ao lado de um Estado da Palestina, começo a pensar se a própria existência do Estado de Israel ,não é um perigo para a humanidade.

Esta gente ainda nos vai conduzir a uma terceira guerra mundial....


Publicado por: a.pacheco às julho 18, 2006 02:09 PM

Daniel, foi o que tentei fazer se bem que , reconheço, com alguma façat de clareza. Paciência. Nem sempre consegumos ser claros.

A.Pacheco, não me lembro onde encontei os 28 mortos em Haifa. Creio que no JN. Mas tens razão, cada vida é uma vida e vale por si. Seja 1, 8 ou 28, são civos que nada têm a ver com a guerra que se perpetua em nome de interesses que não são os seus.
Não tentei de maneira nenhuma desculpabilizar Israel. Aliás, fiz este post para reiterar uma afirmação minha de ontem, qua alguém contestou, de que Israel não quer a Paz.
Se foi uma ideia de desculapilização que passou, acho mesmo que não consegui transmitir o que penso. Lamento. mas nada a fazer. De qualquer forma continua a pensar que a Paz no Médio Oriente passa por dois Estados independendentes e que respeitem o direito do outro existir. Israel e Pelestina. Apesar da opção clara de Israel pela agressão e pela guerra, não considero que haja outra solução.
Quanto ao povo judeu, claro que tens razão.É daquelas coisas que saem, sem percerbermos bem como. Um erro histórico e semantico. Ficam as minhas desculpas.

Publicado por: isabel faria às julho 18, 2006 07:10 PM