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julho 10, 2006
O País continua...

Depois de mais de um mês de intervalo, o País de todos os Verões aí está de novo. Ontem, mal chegou o primeiro calor, voltaram os incêndios. Seis bombeiros morreram em Famalicão. O Verão parece que vai ser de novo quente e de novo se vão repetir os mesmos gestos, as mesmas palavras sem sentido, as mesmas imagens em que a beleza se alia duma forma avassaladora à tragédia…Portugal vai voltar a arder. Não de emoção, nem de verde e vermelho. Vai voltar a arder de desleixo, de incapacidade, de impotência, de adiamento constante. A arder do preto das cinzas. Nos meses que aí vêm o hino vai ser substituído pelo som das sirenes dos bombeiros. E as pessoas que saírem à rua, continuarão à espera dum S. Scolari ou dum S. Figo, que as faça esquecer, que já o ano passado assim foi. E que assim continuará para o próximo. Com um pequeno intervalo em 2008. Para o Europeu.
Publicado por Isabel Faria às julho 10, 2006 03:30 PM
Comentários
Isabel, como não hei-de concordar?
Aliás, ontem deixei a minha indignação expressa no "estounasesta", pois já me enjoava tanta bajulação, às coisas fúteis da vida.
Publicado por: José Palmeiro às julho 10, 2006 04:41 PM
Olá Isabel!
Este é um assunto que me toca de perto! A minha aldeia é contornada por pinhais e eucaliptais. No ano passado ardeu tudo, incluindo casas, numa delas explodiu uma garrafa de gás. Por muito que na televisão pareça arrepiante, acreditem que não é nada comparado com o que se vive na hora. É tentar ser mais forte que o nosso próprio medo, é quebrar todas as barreiras que o corpo coloca, é querer enfrentar o fogo, é querer enfrentar tudo, é querer lutar, é querer ser o que não acreditavamos, e fazer o que achavamos impossivel,... isto tudo para lutar por bens materiais. Ao nosso lado combatem homens, que dão a vida por outras vidas, que dão a vida pelo que não é deles,..., e ontem seis homens deram a vida por algo,... custou ver o fogo à minha volta, custou ver as coisas no outro dia, custou ver tudo cinzento, custa ver hoje os montes sem uma árvore, mas custa mais ver alguém a morrer a combater um incêndio, disto tudo o que me mais custa é ouvir que um bombeiro morreu...
No incêndio da minha terra ardeu-me cabelo, não senti, pois o calor era muito, nem cheirei, porque o fumo confundia-me os cheiros, apenas senti a mão de um desses homens que me apagou a fagulha que caira no cabelo, que me ajudou.
Uma vida por outra vida, é o lema de quem é Bombeiro, mas não tem que ser assim...
Publicado por: Rita às julho 10, 2006 07:40 PM