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julho 24, 2006
Os amigos e os hospitais
Por: Manuel Carvalho
Venho de um hospital, tenho um familiar cuja saúde está em fase de degradação prolongada e irreversível. Das frequentes vezes que necessitou do serviço público de saúde este correspondeu bem. Tem sido graças a esse sistema público de saúde que a pessoa se tem aguentado com a qualidade possível à situação clínica.
Outros familiares e conhecidos tiveram problemas sérios de saúde mas, do que conheço, são positivos os exemplos que tenho para apresentar.
Por todas estas situações conheço vários hospitais, mais hospitais do que centros de saúde. É, essencialmente, sobre os hospitais e sobre o serviço que actualmente prestam que me debruço.
Quase todos os profissionais com quem tenho contactado têm mostrado uma atitude positiva e responsável.
As situações mais negativas que encontrei prendem-se com os momentos de dar as refeições aos doentes, muitos comem refeições já frias, e com a falta de animação que lhes ajude a passar o tempo.
As virtudes que ainda se mantêm no serviço público de saúde têm salvado vidas e diminuído sofrimentos. Mas estas virtudes têm diminuído perante o plano neoliberal. Os direitos dos trabalhadores têm estado sob ataque condição fundamental para atacar o próprio serviço público.
Por isso, é com gosto que vejo nos placards de corredores de algumas enfermarias cartas de utentes e de familiares que agradecem o apoio dado nos momentos da doença.
Os cidadãos até nem têm que agradecer é um direito deles, mas é bom ler que os cidadãos têm como amigos aqueles trabalhadores da saúde. É no hospital e na prisão que se conhecem os amigos.
Sabemos, que há muitos anos, os fazedores de opinião conservadores têm injectado doses constantes de ódio ao serviço público e aos seus trabalhadores. Sabemos porquê: são defensores da sua privatização. São defensores do primado do negócio do lucro de alguns à custa de muitos.
Em muitos países, nos EUA por exemplo, quando se entra num hospital perguntam-lhe logo pelo cartão do seguro. É isso que querem em Portugal.
Esse é o antagonismo que está em luta acesa e permanente. O serviço ou o lucro!
Publicado por Troll Urbano às julho 24, 2006 08:30 PM
Comentários
MAnuel, só posso subscrever este texto. As vezes em que eu recorri aos serviços do hospital por mim ou meu filho só por uma vez tive razões de queixa.
Mas quanto ás cartas, eu próprio escrevi uma aos funcionários do Hospital Pulido Valente pelo excelente serviço que prestaram quando o meu pai esteve internado e mesmo sabendo que já nada podiam fazer tudo tentaram para minorar sofrimentos e dar dignidade aos dias e horas que faltavam.
Publicado por: Daniel Arruda às julho 24, 2006 11:02 PM