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julho 19, 2006
Às vezes tem que ser...um poema
Hesito sempre quando me apetece deixar aqui um poema. É assim, sei logo que tenho menos um leitor... desde a minha pré-história no Troll que ando a tentar convencer o meu colega de Blog a gostar um bocadinho de poesia sem ser musicada...a pré-história de Troll já foi quase há um ano e ainda não consegui...(sou um desastre na arte de convencer).
Mas, de vez em quando, não resisto. Normalmente não é por razão nenhuma. Hoje nem é por o Troll estar quietito porque o Daniel está farto de trabalhar...é porque tem que ser. E quando tem que ser não é um poema. È o poema. Hoje tinha/tem que ser este.
Procuro-te, de Eugénio de Andrade.

Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.
Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.
Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.
Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.
Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.
Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre - procuro-te.
Publicado por Isabel Faria às julho 19, 2006 06:27 PM
Comentários
Eu juro que tenho tentado mas acho q ue não vai lá. Nunca consigo atingir a profundidade das coisas.
Sorry
Publicado por: Daniel Arruda às julho 19, 2006 08:03 PM
Não foste tu que me puseste ea escrever sobre futebol???!!! Atão e ia lá agora desistir. Achas que eu consigo entender a profundidade de um fora de jogo ou de uma daquelas coisas com nomes esquesitíssimos que me tens ensinado??? Claro que não, amigo. I keep trying!!!
E já publicaste aqui um poema um dia...tá bem que eu vou á frente ne arte de posts sobre livres e penalties...mas apesar de reconhecer a minha incapacidade de convencer...sou teimosa com'às portas!!!! porque carga de água é que as podbres portas hão-de ser teomosas...olha sei lá...mau feitio meu).
Publicado por: isabel faria às julho 19, 2006 08:21 PM
Boa forma de partir para férias com um lindo poema do Eugénio de Andrade.
Para que as Fontes sejam Mil, deixo-te um pequeno poema de David Mourão-Ferreira.
LEGENDA
Nada garante que tu existas
Não acredito que tu existas
Só necessito que tu existas
Publicado por: josé palmeiro às julho 19, 2006 11:12 PM
Lindo, José. Também sabe bem ir para férias com esse poema do David Mourão-Ferreira.
Serão Mil!!!!!
Publicado por: isabel faria às julho 20, 2006 12:05 AM