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julho 23, 2006

Sei lá se é esteriótipo...

carrot-man-and-woman.jpg

Este Sábado, o Daniel Oliveira escrevia, no Expresso, um artigo com o título Homens-objecto.
E falava sobre os estereótipos que continuam a distinguir o sexo, o prazer e os afectos no masculino e no feminino. Como pontos prévios gostaria de dizer: 1º, que este post seria muito mais fácil se tivesse mantido o anonimato, 2º que já não me sinto com idade para este post ser muito mais fácil se tivesse mantido o anonimato, .3º Que este post só é possível porque o vento não me deixa ler as partes chatas do Expresso.

Não me preocupa nada essa história de nos distinguirmos ou não na hora do prazer. Já fiz sexo, já fiz sexo apaixonada . Não posso garantir que todas as vezes que estive com alguém (já) estava apaixonada. Creio, sinceramente, que não. Aliás, eu sou das pessoas que acreditam que a paixão precisa de intimidade para florir. Pode haver atracção, pode haver curiosidade, mas quando se descobre o prazer, fazendo sexo com alguém com quem nunca se esteve, não houve tempo para a intimidade. A paixão, não está, portanto, ainda ali. Não se conhece o sabor de alguém na primeira vez que se “dorme” com alguém. E não há paixão sem sabor.
Ao longo da minha vida quase sempre me apaixonei pelas pessoas com quem tive sexo.. Quase sempre.
Não tenho nenhum problema em assumir o Quase. Tenho a certeza que o quase me deixou um sabor estranho na boca (ou na alma?). Possivelmente, nas poucas vezes que me aconteceu, saía sempre com as palavras do Sérgio cortadas a meio: “Hoje soube-me a pouco”...pelo caminho, na intimidade que não criei, ficou sempre a faltar o resto do verso... “portanto, hoje soube-me a tanto”.
Não sei se esse sabor fica ou não fica nos homens. Nem faço ideia se fica nas outras mulheres. Em mim ficou. Mas sei que isso não tem nada a ver com prazer. O sabor que a seguir ficou não impediu nem condicionou o prazer de enquanto durou. Apenas me confirmou que não o voltaria a procurar. Porque lhe faltava algo...e não me estimula por aí além ter um prazer a que falte algo...

Pelo contrário, nas vezes em que a primeira vez foi o início da paixão, acabaram por surgir sempre as palavras do Sérgio. Todas. Mesmo que ainda soubesse que faltava tudo, mesmo que ainda não conhecesse o cheiro, nem o sabor. Mesmo que não soubesse se iria haver outra vez...nos momentos a seguir, naqueles em que se está vazio de quase tudo, sabia-me, já ali, sempre, a tanto...e, aí, era a pele que o dizia. A pele e o cheiro. Já que o olhar, às vezes, se esconde de cansaço. No toque duma mão, enquanto se redescobrem as forças, está ou não a certeza se a intimidade é possível. E a paixão provável.
Aos poucos, cada vez que num qualquer lugar surgia a oportunidade de criar a intimidade / alimentar a paixão, então, a certeza de que prazer se tem quando se está disponível para ele, mas que sabe bem melhor quando se começa a conhecer a borbulhita, a ruga ou a covinha onde podemos descansar a boca e o coração, a forma como o outro respira ou a maneira como se dá, surge como um facto e não como um preconceito.
Não sei se acontece o mesmo aos homens. Nem às outras mulheres. Sei que prazer pode nada ter a ver com afecto...mas que se juntarmos as duas coisas temos aquela mistura explosiva que faz o Mundo andar...e nos faz ter um gozo do caraças em estar vivo..
Das vezes em que o afecto não veio...à posteriori, sou capaz de me lembrar dos orgasmos. Nunca mais lembrei a pele. E não. Aí, que seja estereotipo ou o raio que o parta, mas prazer a sério a gente tem que se recordar dele com pele.
Não me faz nenhuma confusão imaginar-me a fazer sexo. E a ter prazer com ele. Um orgasmo é sempre um orgasmo. Mas que um orgasmo com olhar e com pele e com palavras é um orgasmo de que a gente nunca vai esquecer, disso também aprendi a não ter dúvidas.
Não sei se se passa o mesmo com os homens...sei que a gente sente...posso garantir que soube sempre distinguir quando um homem com quem estive esteve comigo ou esteve com...uma mulher. Acho que as mulheres sabem sempre. E os homens também. Às vezes, podemos fazer de conta que não...mas é só por comodismo, por medo, por desistência, por hábito...mas saber, sabemos. Porque se sente. E senão se sente logo enquanto se faz sexo, sente-se a seguir, no toque da mão...fazer amor e fazer sexo não é a mesma coisa. E todos o sabemos. Antes de começar, enquanto dura, mas, atrever-me-ia a dizer, sobretudo, quando termina.
É assim como a masturbação. Por necessidade ou por desejo...a gente sente que não tem nada a ver...apesar de cumprir a sua missão.

Acabei de reler isto e não faço a mínima ideia se há alguma lógica naquilo que escrevi. Nem faço a mínima ideia se há alguma lógica em o ter escrito.
Nem sei se ficou claro o que verdadeiramente penso do assunto e que eventualmente pode servir de estudo para quem quer que seja...(LOL). Para que conste e ajude, então, os tais estudiosos. Sou mulher. Não me faz nenhuma confusão sexo sem paixão. Mas prefiro ter as duas coisas. Juntas. Porque ao sexo sem paixão falta a intimidade. Não me parece nada de errado nisso. Pode-se viver sem ela, creio. Apenas eu preciso de intimidade para me sentir inteira. De cada vez que a vivo sei que terei mais desejo dela na próxima vez.. De cada vez que tive um orgasmo sem ela...tive um orgasmo. Faz-me imensa confusão paixão sem prazer, sem sexo. Acho que não é paixão. Pode ser uma quantidade de sentimentos, cada um mais louvável que o outro, mas paixão, não. Talvez por incapacidade (nunca se é muito bom a falar do que não se conhece muito bem, né?) também vi que não me referi às relações de vidas. Em que as “dores de cabeça”, as dúvidas, os filhos, o trabalho condicionam não só o desejo como a forma de o viver.
Pelo que me recordo das que mais se assemelharam a isso, recordo que sempre tratei as dores de cabeça (sem ou com aspas) com analgésicos (sem ou com aspas) e as dúvidas com palavras. E que não tive oportunidade de notar muito essas diferenças de que falam os entendidos.
Também não falei do momento de “despaixão”. Aquele em que no lugar da paixão não se criou nada...e em que se fica frente ao outro como se de um estranho se tratasse. Aqui não sei como é com os homens. Nem com as outras mulheres. Comigo sei que é definitivo. Se sei que posso desejar antes de me envolver emocionalamente com alguém, ou, eventualmente, sem que isso nunca venha a acontecer, o meu desejo nunca resistiu ao processo de “desapaixonamento” (esta coisa existe?).
A memória de quando o toque da mão enchia os momentos a seguir ao amor, se o toque da mão falta, torna completamente impossível a disponibilidade para os momentos antes. Os da entrega. Deve ser das poucas coisas em que fundamentalista. O meu desejo é fundamentalista. Não resiste a comparações com ele próprio. Normalmente, nunca lhes sobrevive. E isto nada tem a ver com a duração das relações. Nem com a sua “normalidade”. Quando a paixão acabou em relações estáveis ou nas menos estáveis, o outro foi sempre o primeiro a saber. A maioria das vezes antes que eu tivesse encontrado o jantar certo para a conversa necessária....e nunca demoro muito tempo a escolher o restaurante..

Publicado por Isabel Faria às julho 23, 2006 11:08 AM

Comentários

O Verão tem destas coisas.
A água, o sal, o sol, fazem-nos soltar, e tu, como me vou apercebendo, és suficientemente liberta para assumires as situações.
Os homens, como as mulheres, uns terão a tua qualidade, outros não.
Gostei de te saber assim, é prova de maturidade.
Boas férias!

Publicado por: josé palmeiro às julho 23, 2006 12:07 PM

Sim senhor as férias estão a fazer bem.

Também nunc apercebi esa história de que para haver sexo tem de haver amor. Então onde fica o verdadeiro instinto carnal do sexo pelo sexo??

Publicado por: Daniel Arruda às julho 23, 2006 12:08 PM

Esqueci-me de referir a fotografia, se foi feita no mercado de Milfontes, não tenho dúvidas, o Alentejo é o máximo.

Publicado por: josé palmeiro às julho 23, 2006 12:10 PM

Tchiiii que grande post!
Não há como as férias para te fazerem escrever, Isabel. Volto atrás com o que disse ali em baixo, e acho agora que os patrões do Troll até te deviam pagar umas férias todo o ano para terem uma produção assim…
Pois é. Aquelas cenourinhas são mesmo parecidas, a mesma cor, a mesma rama e algumas diferenças na constituição, mas creio bem que sabem ao mesmo. Também imagino (eu que sou mulher) que não pode ser assim tão diferente com os homens. Por educação e cultura, estão mais habituados do que nós a “fazer sexo”, mas acredito que prefiram “fazer amor”. A plenitude é diferente, o que depois resta também é diferente. Porque o amor é qualquer coisa de muito forte e amplo, sobretudo SENTE-SE e quando se sente também se pode “fazer”, o verbo consegue caber aqui sem dificuldade. Porque no Amor cabe quase tudo.
E prontos! Claro que o sexo em si também é bom. E faz falta ao nosso equilíbrio. Por isso se inventou a masturbação, né? Mas é um parente pobre…

Publicado por: Emiéle às julho 23, 2006 12:22 PM

Este é um texto 'de gaja' nada a fazer...de uma sensibilidade atribuida quase exclusivamente às mulheres, embora eu não duvide que há homens capazes de percepcionar a questão da mesma forma, atenção!
Para dizer que subscrevi, na íntegra: ;-)

Publicado por: Mar às julho 23, 2006 01:33 PM

Obrigado José. Não sei se é das férias de mar e do calor...mas acredito que é da distância. Acho que há coisas que saem doutra forma quando se está longe. Não por vergonha ou por qualquer falso pudor. Apenas porque para falarmos de nós, às vezes é necessário aproveitar os momentos em que não somos ...habitualmente nós.
Quanto á fruta...sim. é alentejana :)))

Daniel, não foi bem isso que eu disse. Aliás,para ser mázinha diria que isso cheira um cadito a esteriótipozito...a minha questão, para poder assegurar que as diferenças não existem, de facto, e que, quando existem, são essencialmente culturais é se concordas (se os homens concordam ou não) que há sexo - sexo, que há sexo com paixão (retraio-me sempre a utilizar amor) e que no primeiro tens orgasmos...quantas vezes óptimos orgasmos, mas que no segundo tens...no segundo tens... o resto. E que o resto nos faz uma falta do caraças para nos sentirmos vivos.
Esta era a questão para vocês responderem...o desafio.

Émiéle,estou a tentar convencê-los disso. Qurem posts grandes??? Então pagam-me!!!! Para estar sempre de férias.
Como disse ao Daniel e como escrevi não me faz nenhuma confusão sexo "puro e duro" (gosto da frase). Um orgasmo é sempre um orgasmo...mas que a gente fica muito melhor com a mão a seguir e, sobretudo, com a certeza que é aquela mão que quer ter a seguir...ah, disso nem a minha provecta idade me dá dúvidas...

Mar, tinha saudades tuas, porra. Eu que sou uma preguiçosa para sair de "casa", sou uma egoísta e sabe-me um bem do caraças receber-vos na "minha".
È...aqui acho que é bem capaz de haver diferenças. Na forma como escrevemos as coisas...possivelmente muito mais do que na forma como as sentimos.
Ainda bem que subscreves...:)))
(olha sabes que estou quase ao pé de ti???)

Publicado por: isabel faria às julho 23, 2006 02:33 PM

Gomo diria o João pEdro Gomes na sua última peça "coçar onde é preciso":

Para os homens sexo é sexo, para as mulheres sexo é ...

Publicado por: Daniel Arruda às julho 24, 2006 12:19 AM

...sexo.
Paixão é...paixão...e tudo junto é uma festa do caraças...vai por mim que sou mais velha e mais experiente, Dani!!!! :))))

Publicado por: isabel faria às julho 24, 2006 06:41 PM