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julho 24, 2006
Tiraram o banco....
Adiava há quase vinte anos. Sempre receei encontrar uma das duas Zambujeiras. A de 1983 e ter saudades de nós. Ou a de 1987 e sentir a falta do Zé.
Durante posts e posts em que fui falando do Zé nunca lhe dei nome. A maioria das vezes usei a terceira pessoa do singular e não me dei nome a mim. Sabia que se voltasse a ver a casa azul de onde se espreitava o mar, lhe daria nome. E a mim. Na Zambujeira temos que ter nome. Não te zangues nem faças essa cara de mau. Não há como não temos nome na Zambujeira.
Não tive, especialmente, saudades nossas. Nem senti a falta do Zé. Saudades nossas tenho algumas vezes, pelo que não fomos capazes de viver. Do Zé, tenho sempre. Pelo que ele desistiu de viver. Mas sentir a falta não. Já não. Deixei de sentir a falta quando senti que estavas bem.
Tiraram o nosso banco da Praça. Melhor assim. Nunca chegámos a concluir se em 87 já não chegava ao Cabo Carvoeiro. O amor. Em 83 sabiamos que sim...qual Cabo Sardão...qual Cabo Espichel...pelo menos ao Cabo Carvoeiro e voltava...não faziamos ideia quantas vezes voltava. Mas era enorme.
De tudo o que queria só não tirei uma foto à casa da risca azul...prefiro-a naquela em que estás à porta do Dyane. Em 83.
Na casa da risca azul, quero-te lá.
Ao voltar, quando o telemovel tocou, tive a certeza que tinha estado na Zambujeira em 2006. Não senti a nossa falta. Saudades tuas, Zé, tenho sempre. Aprendi a viver com elas. Não faço ideia se ainda chegava ao Cabo Carvoeiro em 87. É bem provável que não. Sei que não devias ter desistido...não, antes de viveres. E de encontrares outros amores que chegassem aos Cabos todos e voltassem não sei quantas vezes. E te voltassem a dar vontade de não desistir. Mas quem sou eu para saber isso, não é??? para não aceitar que tivesses partido...não eras tu que me dizias que gostavas de mim porque eu nunca impunha nada...nunca...e o que isso, às vezes, custava...mas amava-te demais para ousar pensar em impôr-te o que quer que fosse. Quando se ama nunca se impõe...nunca. Creio que mostrei (mostro) isso outras vezes...só sei ser assim...
Ainda bem que tiraram o banco...e que o telemóvel tocou na viagem para cá. Gosto de estar viva. Tenho pena que tu não estejas. Mas sei que, ali, estivemos. E, sei lá, ia jurar que te vi o sorriso...E nem penses que dói ver o teu sorriso. Nunca, Zé. O que doía era quando desistias de sorrir e me fazias chorar por desistires...quando sorrias nunca doía...mesmo quando sabia que eu não cabia no teu sorriso. E soube tantas vezes que não cabia no teu sorriso.
A cascata está lá...vi-a ao longe...é, continuo uma medricas do caraças...e alturas então, nem vê-las...piorou com a idade. E também a cascata só tem piada para se tomar banho depois de se fazer amor na praia. Um dia quem sabe...por agora fica a nossa cascata. Já que nos tiraram o banco...um dia quem sabe...o amor tem destas coisas Zé, às vezes, sem mesmo a gente saber como, volta a chegar aos Cabos todos...quantas vezes te pedi para não esqueceres isso nunca...de vez em quando não me ouvias...olha no que deu...a cascata está lá e tu não podes fazer amor na praia...não podes??? Sei lá...desculpa a prvoíce. Quem sou eu para saber o que tu podes ou não podes fazer. Na praia onde estás agora.
Publicado por Isabel Faria às julho 24, 2006 06:46 PM