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agosto 04, 2006
A mulher de César
Há mais de uma semana que a Procuradoria de Justiça publicou um relatório sobre o condomínio da Infante Santos, em que dadas as irregularidades verificadas, dizia que os trabalhos deveriam parar.
Depois disso, numa sessão da Câmara, ficaram sem resposta as perguntas colocadas pela oposição. Ninguém sabia se a obra tinha alvará, ninguém sabia se a permuta de terrenos, pelo facto de a obra ocupar terrenos municipais, se tinha efectuado, se tinha sido autorizada. Ninguém sabia onde andavam os mais de 600.000€ que o construtor devia aos lisboetas.
Na passada Quarta Feira, Sá Fernandes em entrevista a Mário Crespo na SIC Notícias, reafirnmava que anda há meses a fazer as mesmas perguntas ao Executivo e que nunca tinha obtido respostas. Entretanto, confirmava que a obra não tem, de facto, alvará, que o dinheiro devido á Câmara nunca foi pago, para além das outras coisas mais “corriqueiras”: que viola claramente o PDM.
Mário Crespo apresentou, na altura, umas fotos da obra em que se vê uma varanda de um dos edifícios calmamente inclinada sobre o...Aqueduto das Águas Livres.
Para além da responsabilidade dos vários executivos municipais (como Sá Fernandes lembrou esta é uma obra que vem desde o tempo de João Soares), há uma clara desresponsabilização do IPPAR. Entre desleixes, interesses, negócios mais ou menos obscuros, incompetências, a obra lá vai continuando...com as respectivas varandas.
Pela primeira vez não concordei com Sá Fernandes quando ele frisou que considerava Carmona Rodrigues uma pessoa séria e honesta e que não era essa seriedade e honestidade que estava em causa.. Possivelmente penso o mesmo...mas a questão é mais grave: quando se ocupam cargos públicos, ainda por cima para os quais se foi eleito e nos quais se lida com o dineheiro e os interesses dos cidadãos, tornamo-nos todos Mulheres de César. Não nos basta sermos sérios. Temos que o parecer. A incúria com que se desbarata dinheiros publicos, não os recebendo nem exigindo, a injustiça com se tratam cidadãos que necessitam de fazer uma marquise no quintal ou construtores que pretendem fazer condomínios de luxo em Lisboa, se não não mostra desosnetidade, mostra um total alheamento do interesse público. E aí, quando se é eleito para um cargo público, quando se faz campanha eleitoral comprometendo-nos a zelar por esse interesse e não se cumpre...pode ser-se pessolamente honesto, sério, o que se quiser acreditar, mas está-se a cometer um acto de desosnestidade política que tem que ser denunciado como tal.
Como Sá Fernandes salientava na entrevista o seu papel como vereador e já que os lisboetas apenas o elegeram como vereador é, antes de mais, denunciar as situações. Para que nas próximas autárquicas ninguém possa dizer, eu não sabia.
Mas o papel de quem tem nas mãos os destinos do Munícipio é o de ser por isso responsabilizado. Politicamente. Mas também pessoalmente.
À pergunta se via a cor partidária nesta questão, Sá Fernandes respondeu que via a cor do dinheiro. A côr do dinheiro tem que ser denunciada. E mais uma vez me vem à memória a mulher do dito...
Publicado por Isabel Faria às agosto 4, 2006 10:05 AM
Comentários
Cada vez acho mais que Sá Fernandes, ao contrário de tudo o que foi dito antes das eleições foi uma aposta ganha. Ele não é um eleito do Bloco. É um eleito por Lisboa e é isso que os eleitos devem ser. Pelos locais e não pelos partidos.
Mais. Sá Fernandes fala claro. Fala de maneira que toda a gente percebe porque não se refugia atrás do "politiquês" costumeiro em que se fala de meias verdades e não de mentiras, em que se fala de conflito de interesses e não de corrupção e onde toda a gente parece que tem medo de denunciar o próximo porque também tem telhados de vidro.
Eu, ao contrário de ti que lidas com ele há mais tempo que eu, tinha algumas preocupações iniciais e agora estou profundamente rendido ao caracter do homem.
Publicado por: Daniel Arruda às agosto 4, 2006 10:28 AM
Eu nem queria acreditar no que via: um prédio sobre o aqueduto!... mas está lá.
Publicado por: João Norte às agosto 4, 2006 11:25 AM
Eu nem queria acreditar no que via: um prédio sobre o aqueduto!... mas está lá.
Publicado por: João Norte às agosto 4, 2006 11:25 AM
Gosto de acertar...e de facto, acho que com o José Sá Fernandes acertei. Desde o primeiro dia em que fomos comer umas iscas que não tive dúvidas que era o candidadto ideal...porque seria o eleito ideal.
Só continua com um problema...é o de obrigar as mulheres a calar...lembro-me da incapacidade de meter a zézinha na ordem quando foi do último frente a frente da campanha e na apresentação do plano verde para Lisboa, há duas ou três semanas, em que uma senhora fez uma intervenção maior do que a dele...toda a gente tentava calar a sra. ele tinha um ar cada vez mais desesperado...e nada...a única coisa que temos mesmo que lhe ensinar é a esquecer o cavalheirismo...de vez em quando. :))))
Publicado por: isabel faria às agosto 4, 2006 11:27 AM
João, pois está...
Para além de teres visto um pédio...mas supostamente serem 3 prédios...o que implica umas centenas de milhares de euros a menos para o erário público.
Publicado por: isabel faria às agosto 4, 2006 11:52 AM
Tu que és e eu que fui, dá-nos uma noção dos poderes que essa gente, sem escrupulos, exerce e determina.
Haja quem como o José Sá Fernandes, para o denunciar, desta forma aberta e sem possibilidades de retorquir. Os autarcas, como os deputados, são ou deveriam ser, sempre, do povo que os elegeu e não dos partidos, mas isso é outra discussão.
Publicado por: josé palmeiro às agosto 4, 2006 08:41 PM