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agosto 24, 2006
Ainda Setúbal
Voltar ao tema tem a ver com o facto de eu pensar que o que se passa não se resume a uma mudança de nomes. Empacotada de que forma for. O que o PCP está a fazer em Setúbal, é uma questão de visão do papel do eleitor, do papel do candidato, do papel do autarca, do papel da Democracia, portanto. Melhor, não do papel, é da concepção que se tem de Democracia.
Conhecendo a Lai Eleitoral, não é dificil concordar que o PCP tem legitimidade para substituir os seus primeiros candidatos, pelo 3º e pelo 4º.
Como Sampaio teve quando nomeou Santana Lopes, após o abandono de Durão Barroso.
Não é, então, de legalidade que se trata. Como não era, então, de legalidade que se tratava.
As eleições autárquicas pela proximidade que o Poder Local tem com o eleitor, são, todos o sabemos, e para o bem e para o mal, eleições com enorme carácter e influência pessoal. O PCP soube-o, neste caso quando foi buscar Carlos de Sousa, apesar de não ser, seguramente, o candidato nem o Presidente de Câmara que queria ter em Setúbal. Numas eleições autárquicas, todos o sabemos, mais do que num programa, vota-se na pessoa em quem se confia para melhorar as condições de vida da sua terra. Sabendo isso, a Lei, permite candidaturas independentes. Sabendo isso, os caciques locais proliferam por esse país.
Se outra prova fosse necessária, da importãncia de quem se propõe executar o programa tem, bastaria ver os resultados das Legislativas de Fevereiro e das Autárquicas de Outubro, em Setúbal.
Em Fevereiro o PCP teve 9.733 (16.33%) votos no concelho de Setúbal. Nas Autárquicas, 19666 (40%). Partindo do principio que o PCP não acredita que cresceu para o dobro em 8 meses, o PCP sabe que grande parte desses votos foram votos de confiança dados ao candidato a Presidente.
E sabe, portanto, que está a fazer batota, quando finge ignorar isso.
Repito o que já escrevi muitas vezes. O voto não pertence ao eleito. Mas também não pertence ao Partido pelo qual foi eleito. E a única forma democrática de julgar alguém que se elege, é eleitoralmente. O que o PCP está
a fazer é sobrepôr-se aos eleitores. Como a Democracia que conhcemos, a única afinal, que mal ou bem vai funcionando, se baseia em eleições e nos seus resultados, em eleitos e nas contas que têm que prestar ao seu eleitorado, o PCP está a desvirtuar a Democracia. E está a fazê-lo de uma forma cobarde, como ontem se escrevia aqui num comentário. Deteurpando, fingindo, fazendo jogos baixos, permitindo "fugas de informação" (num partido como o PCP, imaginar que Carlos Sousa soube pela comunicação social da intenção do Partido, antes de saber pelo próprio Partido se deveu a uma fuga de informação, chega a ser cómico).
Se o PCP está tão seguro que a população de Setúbal votou num programa e que a melhor pessoa para o executar será a pessoa agora indicada para o subsituir ou qualquer outra que o Partido entenda, então porque tem medo de eleições?
Não era para ouvir os eleitores que o PCP, como toda a Esquerda, se insurgiu contra a nomeação de Santana?
Ou para o PCP manter o Poder é mais importante do que ser coerente? Ou para o PCP, o Poder, à semlhança do que se passa nos lugares em que se aliou à Direita, a fim de o manter, se sobrepõe à ética? E á vergonha?
Publicado por Isabel Faria às agosto 24, 2006 07:24 PM
Comentários
Faz o que eu digo naõ faças o que eu faço. A valer a posição que aqui está escrita, que legitimidade tem o BE para substituir o Fernando Rosas como deputado em Setubal... Ou o João Teixeira Lopes no Porto... Pois é o BE ataca, mas também substitui os seus eleitos a seu belo prazer, se olharmos para os seuas actuais deputados concluimos que cerca de 50% não foram directamente eleitos pelo povo por isso as substituições do BE também representam uma "sobreposição à vontade dos eleitores"
Publicado por: Paulo Silva às agosto 24, 2006 09:03 PM
Paulo, está deliberadamente. ou não. a deturpar alguns factos.E o meu post.
No meu post falei na importãncia nas eleições autárquicas das pessoas em quem se vota.
Se nas Legislativas se vota num programa e num Partido, nas Autárquicas, de certeza que concorda comigo,a pessoa em quem se vota, porque se conhece, porque nos inspira confiança, porque fez um bom papel noutro mandato, porque nos está, enfim, próxima, tem uma importãncia fundamental. Não vale a pena usar a táctica da avestruz, todos sabemos que assim é.
O Bloco sempre afirmou que faz a rotatividade dos seus eleitos na AR. Sempre o fez. Nunca escondeu que o continuaria a fazer. Não enganou, portanto, nenhum eleitor quando usou a rotatividade nesta legislatura. Já a tinha usado antes. E o eleitorado tinha caucionado essa opção ao votar e ampliar a votação no Bloco.
Para além disso, há uma diferença fundamental. Nenhum dos Deputados do Bloco que se afastaram (e não é verdade o que diz dos 50%- neste momento se a memória não me atraiçoa só João Teixeira Lopes está a ser substituído por João Semedo,e o BE não tem dois deputados na AR, foi afastado pelo Bloco. Os dois deputados que se afastaram nesta legislatura fizeram-no por razões pessoais que o Bloco, como é lógico, aceitou e respeitou.
Mas, quando daqui a uns tempos o BE usar a tal rotatividade que sempre anunciou, não estará a fazer mais do que cumprir os seus compromissos eleitorais. Que passavam, sempre passaram, por aí.
sabes que nestas coisas, ás vezes o senso comum ajuda. Experimente a perguntar em muitos lugares, em quem votou para a Câmara. E ouça atentamente as respostas. Veja quantas delas passam pelo nome do cabeça de lista...e quantas falam no nome do Partido. Use a mesma táctica para as legislativas. Pergunte em quem votou...e compare as respostas.
Publicado por: isabel faria às agosto 24, 2006 09:28 PM
Isabel, eu continuo a pensar que não devemos embarcar em soluções faceis.
É claro que o Jeronimo ao falar em renovar está a usar argumentos idiotas, as eleições foram há menos de um ano, a numero dois da Camara passa a numero um, não percebo onde está a renovação, e porque não se pensou nisso há um ano.
Tambem e neste caso, se calhar o de Almada é diferente, a votação do Carlos Sousa candidato do PCP, e a votação do Carlos Sousa por exemplo candidato pelo PS, não seria a mesma, o eleitorado do PCP de Setubal faz a diferença, o nome de Carlos Sousa se calhar não tanto.
Agora sr Paulo Silva, a questão das substituições de eleitos para cargos publicos, tem de ser vista a luz do debate politico.
Carlos Sousa foi objectivamente SANEADO pelo PCP, não vale a pena esconder o óbvio, a saìda de Teixeira Lopes, por troca com João Semedo, e a saida de Fernando Rosas por troca com Antonio Chora, não teve lugar por divergências, ou por qualquer saneamento mais ou menos encapotado, se quer a minha opinião, eu não encaro a rotatividade como algo muito positivo, agora encaro perfeitamente que um deputado ao ver que não pode cabalmente desempenhar a sua função peça para ser substituido, isso tem sido a norma em todos os partidos, inclusive o PCP.
Podesse este caso da saida de Carlos Sousa , levar a um debate sereno, sobre os limites das interferencias partidárias, nos orgãos autarquicos, e qual deve ser realmente o papel dos eleitos, se respondem perante o eleitorado ou perante a sua direcção partidária.
Mas ao mesmo tempo e ontem já o lembrei, não esquecer quem o PS e sobretudo o PSD tem na manga para conquistar a Camara de Setubal.
E ser de esquerda para mim é saber que Fernando Negrão é um oportunista que nada de bom pode trazer á população de Setubal.
Se as eleições antecipadas forem para a frente, o BLOCO como força de esquerda consequente e responsavel, deve fazer todo o possivel por defender uma candidatura de esquerda o mais abranjente possivel , que seja credivel aos nde vitoriosa.
Lembrem-se do mau exemplo de Grandola, em que um Carlos Beato foi eleito com votos de Esquerda, e depois de forma, IGNOBIL , utilizou essa confiança para apoiar o candidato da direita e da extrema-direita Cavaco Silva.
Lembro que ser de esquerda, é tambem não dar o flanco á direita.
Publicado por: a.pacheco às agosto 24, 2006 10:01 PM
Isabel não sei quem está a deturpar... Tanto nas autárquicas como nas legislativas vota-se em Partidos. Se as pessoas em Setubal quando votaram nas autárquicas na CDU tiveram em consideração o trabalho desenvolvido por esta força politica no mandato anterior. Acredito que algumas votaram na CDU por causa do Carlos Sousa, assim, como nas legislativas, muita gente votou no BE por causa do Fernando Rosas, e passando ano e meio o Fernando Rosas bateu com a porta e foi-se embora, renunciando ao mandato. Esta renuncia foi a seguir às presidenciais, em que o Rosas esteve equidistante, não me lembro de ter aparecido na campanha do Louça, mas lembro-me dele ter estado na primeira fila na apresentação pública da candidatura do Soares, pelo que é legitimo pensar que a sua saída teve outros contornos para além daqueles que foram tornados públicos. Face à renúncia do Rosas, nem questiona a legitimidade do Chora em substitui-lo. Do mesmo modo face à renuncia do CArlos Sousa, ninguém pode questionar a legitimidade da sua substituição pelos membros seguintes da lista.
Publicado por: Paulo Silva às agosto 24, 2006 10:40 PM
A.Pacheco, só uma nota: não é o nº2 da lista, esse também foi saneado, é a núemro 3 de lista.
Todos sabemos o que o PSD pretende fazer em Setúbal. E todos sabemos quem é o Fernando Negrão. Só que também todos temos a obrigação de deixar claro que a nossa ideia de reponsabilização, de relações entre eleitos e entre eleitores, de Democracia, não é esta. A minha não é. A do PCP, pelos vistos, é. Ter medo de chamar os bois pelos nomes porque isso pode favorecer a Direita, parece-me uma atitude defensiva e medrosa. A Esquerda não tem que ter medo de se apresentar como Esquerda em Setúbal. Nem de denunciar Negões e Cª. Mas também não deve escamotear que estas actuações não são de Esquerda.
Não tenho tanto a certeza do que dizes em relação ao eleitorado do PCP de Setúbal e à influência do partido hoje no Concelho (estou a falar no Concelho). Basta comparar os resultados para não ter essa certeza. E não esquecer que o PS já deteve a Câmara. E será que ao optar por Carlos Sousa, o PCP confia tanto nessa força do PCP em Setúbal...
Paulo, não vale a pena estar a bater no molhado...até porque você está a partir de um pressuposto errado. O Fernando Rosas está na AR. Não renunciou a nenhum mandato.Após o afastamento que pediu ao Bloco para desenvolver um trabalho que entendeu dever desenvolver e ter sido substituído pelo Chora, voltou ao seu lugar. Não renunciou ao seu lugar, logo ninguém o pressionou para renunciar. Pediu para ser momentaneamente substituído e foi-o. Voltou agora. E lá está. Como poderei questionar a legitimidade do Chora? Ele ocupava o 3º lugar na lista, o 2º lugar estava ocupado pela segunda da lista, logo ele ocupou o lugar do primeiro. Não se foi buscar o 4º ou o 5º...como aconteceu agora em Setubal. e volto a dizer, você não quer ver a diferença fundamental entre umas eleições autárquicas e as legislativas. Venha-me dizer que em Lisboa, por exemplo, foi o PSD que ganhou e não o Carrilho que perdeu e acredite, que acho que está errado. E só para dar um exemplo...aqui á mão.
Para que fique claro: se o Bloco usar de novo a rotatividade que se propõe, pode ser criticável, pode não se concordar com o método,mas não se está a enganar ninguém. Elegemos deputados dizendo que o fariamos. O PCP não elegeu Carlos Sousa, dizendo que o substituiria daí a um ano. A verdade continua a fazer a diferença. Em politica, também.
Publicado por: isabel faria às agosto 24, 2006 11:24 PM
Paulo Silva, já vi que debates serenos é coisa que não se consegue por essas bandas....
O Fernando Rosas, alíás como o Carvalho da Silva e o José Saramago(estes dois destacados militantes do PCP) estiveram na apresentação da candidatura de Soares.
Rosas disse depois que esteve a titulo individual, por respeito pelo DR. Mario Soares, mas que o seu candidato era Francisco Louçã, alíás, e ao contrario do que diz Rosas até participou em acções de campanha....
Por isso não bateu com portas, até tenho o Rosas por pessoa educada para andar a bater com portas.
Agora vamos à questão do Carlos Sousa, como já disse , não sei se o Carlos Sousa terá um peso determinante, a Isabel ao citar determinados numeros diz que sim, agora o que não se pode ignorar, é que é ridiculo falar em renovação quando as elleições foram há menos de um ano.
Se o PCP estava descontente com a actuação do seu militante , dizia-o publicamente e retirava-lhe a confiança politica, e assim os cidadãos de Setubal sabiam o porquê das coisas, assim saneamentos encapotados, não são formas correctas de se defenderem PRINCIPIOS, mas talvez principios já não existam para as bandas da direcção actual do PCP.
Volto a dizer alternativa de ESQUERDA é precisa para Setubal, abrangente e ganhadora....
Publicado por: a.pacheco às agosto 25, 2006 09:19 AM
Isabel, se dúvidas havia, elas ficaram, com a sucessão dos comentários, perfeitamente dissipadas. Não, não vale a pena, essa gente, nem com explicações vai. Só se vêem a eles, e quando algo ou alguém, começa a pensar pela sua própria cabeça, e não pela cabeça do "Cemitério Central", o caminho é o do Carlos Sousa, bom rapaz, mas incapaz! Se, atitudes destas não são uma vergonha, o que é uma vergonha?
Publicado por: José Palmeiro às agosto 25, 2006 09:41 AM
O PCP também nunca escondeu, sobre os detentores de cargos políticos conquistados pelos candidatos que apoia, que detém a prerrogativa de os substituir. Provavelmente não todos, mas a maioria de quem vota PC, sabe disso. Já aconteceu antes. Apenas nunca numa câmara mediática ou pelo meio de um caso mediático.
Publicado por: António Rufino às agosto 25, 2006 02:22 PM
O PCP também nunca escondeu, sobre os detentores de cargos políticos conquistados pelos candidatos que apoia, que detém a prerrogativa de os substituir. Provavelmente não todos, mas a maioria de quem vota PC, sabe disso. Já aconteceu antes. Apenas nunca numa câmara mediática ou pelo meio de um caso mediático.
Por isso, ao votar PC, também cauciona essa prerrogativa, tal como quem vota BE nas legislaticas sabe que os deputados estão sujeitos à tal regra de rotatividade.
Publicado por: António Rufino às agosto 25, 2006 02:25 PM
Paulo SIlva, só uma correcção. O Rosas não bateu com a porta. O Rosas pediu uma licença de 3 meses porque s etinha de ausentar do país e acabado esse periodo é deputado de novo. Aliás, ele está no parlamento todos os dias, se o quiser visitar.
Publicado por: Daniel Arruda às agosto 25, 2006 06:54 PM
António, deixa-me ser clara. A Rotatividade é um método de trabalho que o Bloco usa e que abertamente dá a conhecer nas suas campanhas eleitorais. Como disse ali atrás, pode-se discordar, mas é um método...como diz o dicionário: "modo ordenado de proceder; processo".
Isto é, os eleitores sabem que estão a votar no Bloco, que o primeiro da lista ocupa o seu lugar de deputado, depois o segundo e por aí fora. Ordenadamente, como diz o dicionário.
Dizes que o todos sabem que o PCP tem a prerrogativa de substuir os seus eleitos. Como deves ver não tem rigorosamente nada a ver.
Mas concordo. Se os eleitores do PCP votam num partido sabendo que o partido terá, recorrendo de novo ao dicionárioo: a regalia; a apanágio; o
privilégio, de poder subsituir os seu eleitos, é lá com eles...para mim, no entanto, de um lado está um método de trabalho, que segue uma ordem previamente anunciada, logo, não é arbitrário, e do outro está ...usando o tal dicionário, um previlégio. Que, quanto a mim, só deve caber aos eleitores.
Publicado por: isabel faria às agosto 25, 2006 07:35 PM
´Mas claro que se trata sempre duma questão de Poder...
Claro que o Poder subverte qualquer Ideologia...
Corrompe os mais puros ideais Sócio-Filosóficos.
E em útima análise, a luta ideológica é uma luta pelo Poder..
Decepcionante?
Muito.
Exemplos práticos?
As alianças das autarquias de Sesimbra, Grândola, Palmela com o B.E.S.( Pelicano),por ex.
Em Palmela desde a privatização e encerramento duma Estrada Pública, até ao loteamento de parte
da Reserva Ecológica Nacional,tudo foi permitido.
Demissão de Carlos Sousa...Polémica?
Claro que não.
Apenas mais uma jogada de antecipação...
Nesta infindável e medíocre luta pelo Poder.
Publicado por: mafalda às outubro 16, 2006 05:54 PM