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agosto 16, 2006
As caricas e o ciclismo
Por:Manuel Carvalho

Quando era miúdo um dos meus passatempos favoritos era jogar à carica.
A carica era, e é, a tampa da garrafa de cerveja ou do sumo. Recortava um papel redondo, pintava-o da cor do clube e escrevia nela o nome do ciclista favorito. Depois, com a mão, fazia uma estrada na terra. Um risco era a partida, outro a chegada.
A carica era impulsinada pelo dedo médio que agia numa espécie de mola com o polegar.
Era um jogo porreiro, talvez por ganhar muitas vezes. Os perdedores queriam desforra noutros jogos, como o pião. Mas aí perdia-se a habilidade toda. Cada vez que lançava o pião tocava a sirene de alerta de perigo e todos fugiam de pé de mim. Nunca se sabia bem o que ia acontecer ao pião. Fartos de correr perigo, os meus amigos desistiram de jogar ao pião comigo. E eu fiquei todo satisfeito.
No ciclismo, Joaquim Agostinho era o meu ídolo. Primeiro era sportinguista e depois ganhava que se fartava.
O ciclismo era um desporto muito popular. Já depois, em jovem, fazendo parte de um grupo da cidade, participei na organização durante alguns anos de uma prova de ciclismo, o grande prémio 1º de Maio, destinado a juniores. Aquilo dava trabalho mas também gozo. Era preciso recolher apoios financeiros, taças, arranjar voluntários, carros de apoio…
Quando esse grupo de jovens acabou, acabaram as provas de ciclismo. Tiveram o seu tempo, como as caricas.
O ciclismo perdeu apoio popular, talvez o profissionalismo e o domínio mercantil sobre a modalidade lhe tenham feito perder aquela “magia” que tinha. Talvez.
De qualquer modo, parabéns a David Blanco vencedor da Volta a Portugal.
Publicado por Troll Urbano às agosto 16, 2006 09:56 AM
Comentários
Esta foi das melhores voltas que eu vi. Tacticamente e competitivamente. Teve uma boa organização com excepção da chegada de uma etapa. O percurso foi bem escolhido, equilibrado bom para roladores, trepadores e contra relogistas e no fim o vencedor só poderia ser o mais completo de todos.
David Blanco foi o melhor. Confesso que gostava de ter visto um corredor da LA liberty ganhar pois foi a equipa que durante a volta mais lutou mas assim a vitória tb não ficou mal entregue.
Publicado por: Daniel Arruda às agosto 16, 2006 10:38 AM
Estas reflexões sobre, como encarar o desporto, despertam-me omaior interesse.
A chegada do "profissionalismo", relegou para segundo plano,todo o amor que muitos dedicavam às várias modalidades por que se interessavam.Era uma lufa lufa, constante,no promover, apoiar e levar a bom termo, sempre com um forte instinto SOCIAL, esses prémios, concursos, encontros, o que lhes queiramos chamar. E as caricas? Bom essas eram as verdadeiras ganhadoras. Como é bom termos essas lembranças.
Publicado por: josé palmeiro às agosto 16, 2006 11:30 AM