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agosto 10, 2006

Burgueses, homens e agiotas

Por:Manuel Carvalho

O Diário Económico divulgou ontem, dia 9, a lista das 20 maiores empresas portuguesas no Brasil.
Do turismo às telecomunicações, da energia à construção civil, passando pela banca, as 20 maiores são todas lideradas por homens.
Pergunta-se: a burguesia não tem mulheres? Claro que sim. Mas às mulheres reserva o papel de gestora de uma loja de esquina. Não há mulheres com valor na burguesia? Há, a burguesia masculina é que não lhe reconhece esse valor. Na política, como nas empresas, às mulheres é reservado o papel secundário. O valor que a sociedade patriarcal mais reporta às mulheres é o que se espelha na Caras e a Lux. Mulheres bonitas, adornos de homens...
Eis porque eles não querem quotas e paridade, porque isso significaria assumir a partilha do poder e assumir que existem dois géneros humanos que devem ser tratados com paridade.
A burguesia continua a transpor para os nossos dias o sistema patriarcal e conservador que a tem caracterizado. O que espanta é ver gente de esquerda alinhar no conservadorismo.
Outros dados revelam os contínuos aumentos de lucros da banca. Enquanto nos sobrecarregam com juros e taxas, enquanto pagam percentualmente menos impostos do que eu, os agiotas vão-se abotoando na inversa proporção do aumento da pobreza popular.

Aqui estamos no fundo da Europa, no capitalismo conservador com a burguesia a que já nos habituámos.

Publicado por Troll Urbano às agosto 10, 2006 03:14 PM

Comentários

O que me espanta mais é que muitas mulheres estejam contentes com esse estatuto de, desculpem a expressão, objecto.

Publicado por: Daniel Arruda às agosto 10, 2006 03:51 PM

Manuel, essa gente de esquerda de que falas, no que diz respeito aos direitos da mulher sempre foi mais papista que o Papa. Tirando a história do salário igual para trabalho igual, o resto sempre foi uma tristeza. Aliás, basta ver o tradicional papel das militantes do PCP na clendestinidade...tirando raras e honrosas excepções. Ou o número de deputadas...ou de Presidentes de Câmara...ou...ou...
Quanto á nossa burguesia...nunca brilhou pela inteligência. Sempre tivemso uma burguesia tacanha, fechada, retrógrada, provinciana. As revistas cor de rosa são apenas um rosto dessa falta de brilho...gente que ninguém conhece a não ser...das revistas cor de rosa...
Uma burguesia assim tacanha p+oderia reservar outro papel ás mulheres? ter outras mulheres? Não me parece...destoava...

Daniel, não me espanta, sabes. Afinal, entre os frequentadores habituais dess Mundo , quantos homens não aceitam também pacificamente esse papel???
As mulheres têm ainda a "seu favor" a tradição...os homens acaba por ser pior...de novos ricos passaram a novos objectos...balofos, fúteis, vazios.

Publicado por: isabel faria às agosto 10, 2006 11:35 PM