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agosto 13, 2006

O meu Sábado

Ontem fiz folga do Troll. Mas não se pode dizer que tenha sido um dia muito gratificante…isto é, gratificante foi, porque estive com pessoas de quem gosto muito, almocei bem, jantei bem e depressa e fui ao cinema…bem. O pior foram os pormenores.
Ao almoço com uma amiga (e prima, mas acho que a gente só se lembra disso quando falamos das semelhanças dos ascendentes…), apanhámos um susto do caraças, porque ao meio da conversa em vez de discutirmos o Bloco e a CDU (é o único defeito dela…) ou de falarmos de algo estimulante, como homens, por exemplo, assunto ao qual temos dedicado algumas (muitas) conversas ao longo dos anos, demos por nós a falar das brincadeiras, das manias, das ternurinhas do …Bono e do Romeu. Os nossos gatos. Horas a fio…
Depois de um jantar mais ou menos rápido, porque me atrasei quase uma hora e em que nem deu para conversar com um amigo com quem não falava, assim, ao vivo e a cores, há alguns meses (malditos telemóveis!!!), fui ao King ver os Amantes Regulares. Não gostei. Um filme francês sobre um grupo de jovens estudantes, aspirantes a poetas e a pintores, durante Maio de 68 e no ano de 1969, na ressaca. Soube-me a pouco. O preto e branco dá uma intensidade às imagens que creio não tem correspondência no desenrolar da história. Um filme sobre os vinte anos. E sobre fins. O fim do sonho da Revolução, o fim do primeiro amor. O fim da infância. Tinha tudo para dar um filme muito bonito, mas senti que lhe falta algo…as cenas mais fortes são as cenas de fugas, o ópio está sempre presente, mas as outras, as que falam de vida, acabam por pecar pelo imobilismo e pelo silêncio. Talvez tenha uma ideia errada, que o tempo se encarregou de fantasiar, mas aos vinte anos, acho que os sentimentos têm todos mais cor, do que a que por ali passa. Fica uma ou duas frases giras. Como a de que “O proletariado não quer a Revolução, mas que fazer? Temos que a fazer “malgré” o proletariado”, ou “Os Sindicatos têm mais medo da Revolução que os patrões. Só querem conseguir melhores salários…como se dinheiro tivesse algo a ver com felicidade”, ou uma dissertação engraçadíssima e completamente “Soissantehuitard” sobre as semelhanças entre o Maoísmo e os religiões e fica uns olhares profundos, mas que transmitem uma desesperança que acaba por ser dolorosa.
Ok, não saí convencida
Depois do cinema mais um assustador pormenor. Não nos apeteceu ir beber um copo, como tínhamos combinado (Daniel, ainda não foi ontem que fui ver a Lua ao Agito). Viemos, aqui a casa, beber…uma água. E tal como ao almoço não tínhamos falado de homens o que me parece uma falta de gosto assustadora ou um sintoma de senilidade constrangedor, na “água” passei uma hora e tal a tentar explicar ao meu amigo como funcionam …as mulheres. Pelo ar desesperado e perdido como ele saiu cá de casa, não me parece que tenha conseguido explicar o que quer que seja.
À despedida disse-me, deixa lá, é mesmo melhor voltar a pensar nas aulas e nos putos, nos meus e nos da escola e esquecer que esses seres repelentes existem…os seres repelentes, sou eu e a parte da Humanidade com as mesmas características, note-se. Ficou prometido que nunca mais dou água a alguém que anda a tentar esquecer um ser repelente. Acho que faz uma mistura explosiva. Deve ter a ver com isso a história de não poderem entrar líquidos nos aviôes...

Publicado por Isabel Faria às agosto 13, 2006 11:55 AM

Comentários

Li o que escreveste, logo de manhã, mas não soube como lhe pegar para comentar. Voltei agora e continuo na mesma. Será que vala a pena? A água nunca se nega, mas assim? Bom, não sei mesmo nada, dessas coisas, seres repelentes? Como? Osgas?

Publicado por: josé palmeiro às agosto 13, 2006 10:18 PM

Olha José, pelo pó com que o meu amigo ontem estava a um ser...repelente...acho que as considera pior que osgas.
Ainda lhe vim com a treta de que eu também sou mulher e até lhe dou águinha fresca e tudo, mes não me parece que tenha sido convincente. Aliás quando o lmebrei que também era mulher, acho que ele até perdeu a sede...isto das relações entre homens e mulheres tem muito que se lhe diga, José...e do fim delas, então...

Publicado por: isabel faria às agosto 13, 2006 10:26 PM