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agosto 17, 2006

Os cartoons

holocausto.jpg

Como aqui há uns meses me insurgi contra as reacções violentas aos cartoons de Maomé, e à pressão que os movimentos radicais muçulmanos tentaram fazer sobre o Governo Dinamarquês para que os proibisse e punisse os seus responsáveis, acharei hoje rídicula qualquer reacção aos que estão desde ontem expostos em Teerão e que pretendem "questionar" o Holocausto.
Como, aqui há uns meses, realcei o mau gosto dos primeiros e entendi a afronta que poderiam significar para os Muçulmanos, continuo hoje a realçar o mau gosto dos que por aí circulam e a entender a afronta que representam.
Não sou moralista. Mas não aceito que se reescreva a história a nosso gosto e conforme as nossas conveniências do momento. Não é por Israel ser hoje um Estado agressor, violento, qua impõe a guerra e ocupa um País, que deixo de nutrir um profundo respeito e pesar por todos os judeus que Hitler perseguiu e matou. E pelos comunistas. E pelos homossexuais. E um profundo repúdio por todas as tentativas, venham elas de onde vierem, de "branquear" crimes. Sejam eles feitos sobre quem for.
Se me viessem dizer, em nome de que conveniência politica fosse, que o Tarrafal e Caxias e o Aljube e a António Maria Cardosos não existiram. Se me viessem mostrar cartoons com os anti-fascistas mortos em Portugal, contestando a veracidade ou as razões da sua morte, claro que respeitaria a liberdade de quem professasse essas ideias, de quem fizese esses bonecos, mas manifestaria o meu total repúdio pela afronta. De mim, não esperem dois pesos e duas medidas. E já agora, de mim, não esperem que me esqueça que no Irão não se aceitaram os cartoons de Maomé. A difrerença entre a Liberdade e a falta dela, é que nós temos a obrigação de aceitar a publicação e a distribuição de bonecos de mau gosto. Mesmo que nos toquem em lugares que nos são caros, como a história da luta contra a barbárie e pela liberdade, por exemplo. Mas também temos a obrigação de não calar que o reescrever da história do Holocauto, é repugnante. É absurdo. É, no fundo, porque pretende calar e apagar crimes, profundamente desumano.
Acho rídicula qualquer reacção aos cartoons, agora publicados. Acho repugnante que se "brinque" com a vida humana. Coíbo-me de dizer que, para uma ateia como eu, muito mais repugnante do que com qualquer Deus. Mas sei que este juízo de valor, não tenho o direito de fazer.
Mas também não dou a ninguém o direito que, por mim, o faça.

Publicado por Isabel Faria às agosto 17, 2006 01:41 PM

Comentários

Eu tenho uma ideia um pouco diferente, mas já a tivemos aquando das caricaturas sobre Maomé. Na altura fiz um post com a capa do Independente que dizia "Somos todos Dinmarqueses" porque acho que as caricaturas são isso mesmo, caricaturas. Foram impressas num jornal e quem gostava comprava o jornal e quem não gostava não comprava. Alguns muçulmanos querem agora repetir a gracinha parodiando com o holocausto, não sei se o objectivo é dizer que o Holocausto não existiu, se tal for deve-se combater a mensagem e não o objecto que numa liberdade livre é sagrado.

Façam muitos cartoons e censuren-se todos. Ponha-se as diversas religiões a combater as outras. Censure-se músicas e telediscos porue são ofensivos a A, B ou C. Faça-se movimentos anti filme só porque a mensagem não é a que se quer. Em suma. Crie-se as condiçoes para fazer a guerra que tantos querem. Por mim este assunto é simples. A lierdade sobrepoe-se a isso tudo. Quando gosto admiro, quando não gosto, ignoro e quando me ofendo respondo no plano das ideias para refutar as mensagens. Mas fazer disso uma questão civilizacional como alguns querem jamais.

Já viste que os fanatícos de todos os lados, Religiosos do Islão, Judaismo ou cristianismo, Fanaticos da política, os ideologos do neo conservadorismo e também alguns (felizmente poucos) socialistas e comunistas têm conseguido os seus objectivos de manter o mundo em constante guerrilha, que quando não é física é verbal mas a tensão essa, está sempre presente e é isso que interesa aos senhores do mundo aos que querem a Guerra infinita.

Publicado por: Daniel Arruda às agosto 17, 2006 02:43 PM

O que é um cartoon de mau gosto....

O que é a censura....

Eu acho que os cartoons do Holocausto como aqueles sobre o Maomé podem não ser de bom gosto, ou até defensáveis, mas daí a pedir que sejam banidos....

Quando o Antonio pôs um perservativo no nariz do Papa polaco, eu dei uma gargalhada, alguns católicos portugueses e não só pediram a cabeça do cartoonista, a intolerancia o desejo de censurar aquilo com que não se concorda parece, que está em todos os paises sejam eles ditaduras ou democracias.

Para mim o cartoonista deve ter plena liberdade de criação, o resto faz parte da liberdade de critica de cada um de nòs.

Não é por alguns terem querido brincar com uma coisa tão terrivel como o Holocausto, e já agora a matança de ciganos de que ninguem fala, que ele não existiu, e que deve ser lembrado até para se perceber a enormidade de que o ser humano é capaz para com o seu semelhante.

Agora volto a dizer , no em que se relembra o DITADOR MARCELO , censura NÃO...

Publicado por: a.pacheco às agosto 17, 2006 03:16 PM

Daniel, só entendo que haja divergências, se entender que fui...mal entendida.
Talvez a questão esteja na expressão "afronta". Afronta no dicionário significa: "injúria, insulto, ultraje, ofensa que se lança em rosto a alguém."
Claro que entendo que as afrontas, os insultos
( é um insulto á nossa memória colectiva contestar o Holocausto ou branqueá-lo), não se combatem com pedras, com bombas, com tiros, com perseguições, com prisões. Nem com proibições. Mas combatem-se com ideias. Como deixei bem claro (ou pelo menos pensava que tinha deixado), acho ridicula e perigosa qualquer tentativa totalitária de proibir o que quer que seja, Filmes. Cartoons. Jornais. Livros. Mas sei que no Irão, por exemplo, se proibem filmes, cartoons, livros, jornais. E não acho que o devamos calar. Nem à tentativa (e já te disse que não fora o Bush e usaria sem qualquer pejo o adjectivo) nazi de reescrever a história do nazismo.
Claro que os fanáticos de todas as cores adoram a guera. Vivem dela. Alimentam-se dela. E se concordo contigo que o problema não está nos meios usados, está na mensagem, acho que se deve usar todos os meios para denunciar as mensagens que transmitem esse fanatismo que alimenta e se alimenta da guera infinita. O de Bush, de Telavi, do Irão, Ou do PNR ou outro anormal qualquer que saia para a rua a diser que o Tarrafal nunca existiu.

Publicado por: isabel faria às agosto 17, 2006 03:17 PM

A.Pacheco, continuo a dizer que vocês não leram o meu post. Nunca falei em censurar o que quer que seja.
Repito:
"...acharei hoje rídicula qualquer reacção aos que estão desde ontem expostos em Teerão e que pretendem "questionar" o Holocausto".
"Se me viessem mostrar cartoons com os anti-fascistas mortos em Portugal, contestando a veracidade ou as razões da sua morte, claro que respeitaria a liberdade de quem professasse essas ideias, de quem fizese esses bonecos, mas manifestaria o meu total repúdio pela afronta."
"...é que nós temos a obrigação de aceitar a publicação e a distribuição de bonecos de mau gosto."
"Acho rídicula qualquer reacção aos cartoons, agora publicados"

Quanto á noção de mau-gosto:
"Acho repugnante que se "brinque" com a vida humana. Coíbo-me de dizer que, para uma ateia como eu, muito mais repugnante do que com qualquer Deus. Mas sei que este juízo de valor, não tenho o direito de fazer.
Mas também não dou a ninguém o direito que, por mim, o faça."

Claro que é minha. Subjectiva. mas dou-me o direito de a ter.

Publicado por: isabel faria às agosto 17, 2006 03:33 PM

Isabel, por acaso hoje também escrevi sobre isto e numa linha muito semelhante à tua. Chamei ao meu post “choque de conceitos” porque considerei que era isso que estava em causa. Deixa-me fazer copy/past: «Para mim os conceitos que são ridicularizados são diferentes. Num caso atacou-se uma figura sagrada para muita gente, noutro nega-se e ridiculariza-se um facto histórico» É essa a grande diferença. É que foram dois pesos e duas medidas diferentes. Para ripostarem na mesma linguagem deveriam desenhar o Jeovah na retrete, ou a dançar o rock, qualquer coisa que fosse uma profunda falta de respeito para com a religião judaica. Esse seria o “olho por olho”. Esta não, esta é uma resposta nazi.
Não gosto do nazismo, ponto final. Assim como critico muito severamente quando os israelitas se portam como nazis, como tem acontecido.

Publicado por: Emiéle às agosto 17, 2006 06:49 PM

Émièle, ao menos que tu me compreendas...tava a ver que tinha sido tão pouco clara que tuda a gente lia o que eu não escrevi.:)))

Publicado por: isabel faria às agosto 18, 2006 11:00 AM