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agosto 12, 2006
Quem liga primeiro, então???

Ontem á noite vi um programa da SIC Mulher, Eles por Elas. Este e o Elas por Eles, são dois programas levinhos para ver a um serão em que apeteça ficar em casa. Por uma coincidência engraçada, tinha estado a falar no programa e no tema de ontem, com um amigo, horas antes.
O tema era quem dava o primeiro passo. Quem é que deve ser o primeiro a “ligar”.
Como nestas coisas de relações entre sexos, o cliché pode dar um jeito do caraças, mas não passa disso…e como tenho fama de vir para aqui contar a vida, estive a fazer um esforço de memória para ver se encaixava no dito – uma mulher nunca deve ser a primeira a ligar (esta do ligar, é assim, tipo muleta…deve poder ser enviar um Email ou dizer baza aí, tomar um café, no caso de se trabalhar na secretária ao lado, por exemplo…), e não encaixo. O que me parece mal. Muito mal, mesmo. Mas não encaixo por ter a certeza que fui sempre a primeira a ligar. Nada disso. O problema é outro. Nas relações que me interessaram, naquelas em que ao clic se seguiu uns momentos (uns dias ou uns anos) bem passados, não faço ideia quem foi o primeiro a ligar…a sério. Não chego lá. Nem sei se houve norma…o que se passou a seguir ao telefonema, ao Email ou a baza lá tomar um café, encarregou-se de tornar esse pormenor tão insignificante que não chego lá…nas outras, naquelas que não valeram nada…acho que foram sempre eles que ligaram primeiro e eu que disse tou nem aí…e não foi nada para me armar em difícil ou coisa que o valha. Tou nem aí, porque sem clic, química ou outro nome qualquer não dou primeiro, nem segundo nem 36º passo…e se nalguns (muito poucos) casos, acabei por beber o tal café, penso que foi sempre um café com data certa para acabar …e que ambos o sabiamos.
Como dizia ontem a Alice Vieira no tal programa, o primeiro passo dá-se quando se acha que vale a pena dar. E dá-o aquele que estiver primeiro convicto disso. Ou que tiver o telefone mais à mão…a história de que as mulheres que ligam são mulheres “fáceis” e que os homens não gostam disso e que as que não ligam são difíceis e que os homens “adoram”, só funciona se não houver…química. E funciona para os dois lados. Também nós se não sentimos a força da tal quimica, achamos a "facilidade" deles uma chatice e se sentimos a dita achamos a "facilidade" deles uma benção dos céus. Porque, quando há clic, quimica, atracção, interese, chamem-lhe o que quiserem, fácil ou difícil, não há tempo nem disponibilidade para pensar nisso.
Claro que há o tal medo da rejeição, de que ontem alguém falava. Mas esse medo acompanha-nos em todos os estádios da relação. Aprendemos, com o tempo, que nem sempre os timings coincidem. Que, às vezes, a paixão, o amor, o clic, acaba primeiro num que no outro e que isso dói…mas se isso fosse motivo para nos tolher os passos ( e as palavras) então não fazíamos o primeiro, nem o 100º…ficávamos quietinhos no nosso canto, com medo de nos magoarmos e sem ousar …telefonar. Nem amar.
Como a memória me atraiçoa, só posso dizer que se fui eu que dei o primeiro passo, e mesmo que isso me meta num saco qualquer, estou-me bem borrifando. Os momentos que passei, passo, valem bem qualquer tipo de “etiqueta”.
Se foram os homens, que me permitiram esses momentos, a dá-lo, obrigadinho. O que vos fiquei a dever em prazer e em momentos, horas ou anos…justifica plenamente que tenham tido o telefone à mão antes de mim.
Que me lembre houve uma vez, já a relação ia em muitos momentos, em que fiquei afincadamente à espera que o outro ligasse…a relação terminou pouco tempo depois, apesar dele ter ligado.
Que me lembre, houve algumas vezes em que homens me ligaram e levaram tampa, mas tenho a certeza que eles entenderam desde a primeira vez, que iriam levar tampa…na volta eram persistentes, achavam que eu valia o esforço ou tinham um certa dose de masoquismo.
Ah e já me aconteceu levar tampas…não no primeiro mas num dos outros…porra, se custa. Mas a gente resiste. Aliás, eu acho mesmo que a gente, muito antes da tampa ser vísivel e audível, já a (pres)sente há que tempos…fingimos é que não vimos. Deve ser as alturas, as de pré-tampa, em que assobiamos mais para o lado…a não ser que seja mesmo uma relação muito importante, daquelas que não se quer perder nem morta. Mas aí, meus amigos, quero lá saber se sou a primeira, a segunda ou a única…a luta é a minha profissão.
Dou-me ao luxo de pensar que todos as vezes em que insisti, foi porque o outro merecia que eu insistisse. Creio que é a melhor homenagem que posso fazer aos homens da minha vida. E à minha capacidade em os escolher.
Publicado por Isabel Faria às agosto 12, 2006 11:44 AM
Comentários
Tb vi esse programa, ontem deveria ser uma repetição, mas 1º dizer que é dos programas que eu gosto de ver quer o elas sobre eles como o eles sobre elas, porque não têm a pretensão de serem moralistas. São 4 pessoas que estão em amena cavaqueira a dar a sua opinião.
Quanto ao tema, pois bem. A minha máxima sempre foi nunca ligar para ninguém. Eu dava o meu número e se houvesse interesse do outro lado logo haveria de telefonar. Mas confesso que ao longo da vida e em determinadas situações fui eu a dar o 1º passo. Acho que não há uma capa 5 sobre isso.
Publicado por: Daniel Arruda às agosto 12, 2006 12:13 PM
Há coisas que acontecem, porque têm que acontecer. Está em nós aceitá-las e acolhê-las, como boas ou más, é relativo, e retirar o maior proveito da situação, no ponto de vista, de que isso nos engrandece e nos traz alguma felicidade e bem estar, ainda que momentânea. A vida é constituída de acasos, façamos com que sejam felizes. Quanto a quem liga primeiro? É secundário!
Publicado por: josé palmeiro às agosto 12, 2006 07:09 PM
Identifico-me tanto com tudo o que dizes Zabelinha...
Julgo que é mesmo assim, o significado do acto (ligar ou não ligar, receber ou não receber a chamada) pode diferir de acordo com a intensidade com que o desejámos (ou não) E isto dá para os dois lados, como é óbvio. ;-)*
Publicado por: Mar às agosto 12, 2006 10:52 PM
Daniel, a vida encarrega-se, de facto, de tornar as nossa máximas um cadito ...minimas.
Não há chapa cinco em nada que diga respeito ao comportamento do ser humano...talvez apanas o medo da morte...mas não era um post assim tão profundo (nem tão mórbido!!!).
Como escrevi já dei seguramente o primeiro passo muitas vezes...e como escrevi tenho a certeza que as pessoas (os homens) para quem o dei o mereceram. E não me arrependo.
José, e isso mesmo que acho. E não só é secundário como disso não reza a (nossa) história. A nossa história falará no acso dos encontros e da forma como os acolhemos, encarregar-se-á de nos fazer esquecer o pormenor da ordem e do papel de cada um.
Mar, ainda bem :)))
Claro que funciona para os dois lados. Já me econteceu não atender chamadas (a verdade é sempre a verdade :)))...) e já me aconteceu ter a certeza que não me "atendem chamadas" e isto ultrapassa em muito um telefonema. A todos nós já deve ter acontecido.
Creio que o crescimento (a maturidade) nos ensina a deixar de perder tempo com causas perdidas...mas a lutar como o caraças pelas que valem a pena...seja no 1º ou no 325º telefonema (ena tantos...não hão-de os operadores telefónicos ter grnades lucros :)))...).
Publicado por: isabel faria às agosto 13, 2006 12:24 PM
apesar de es5ta duscussão ter tido lugar há meses, estou nste momento a passar um bocado "doloroso" exactamente porque complequei o fácil, praticamente garanti que não iria falar mais com a pessoa em questão (de entidade profissionalmente ligada a minha) e agora, depois de perceber que errei e que fechei uma porta que ele abriu por inexperiência nesta história de "engate" vejo-me na árdua missão de contacta-lo. Será que ele me vai ouvir?
Decidi por para trás das costas os moralismos com que me entranharam durante trinta anos e concretizar que nem sempre dar nega é charmoso. Ás vezes é simplesmente grosseiro.
Uma coisa é certa: tenhamos todos consciência que se nós não dermos o primeiro passo, alguém vai dar. Porque, na vida há um mar de primeiros passos. Não somos fúteis ou fáceis por da-los. Somos simplesmente mais corajosos e mais conscientes do que a vida é. Cheia de surpresas. e nós para irmos ao encontro das boas, é certo que também encontraremos as más, que apenas servem para enaltecer as boas!
Publicado por: Ana Freitas às novembro 17, 2006 01:28 PM