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agosto 17, 2006
Tarde de mais???
Não contesto a liberdade do jornalista que fez este texto com este título: Marcelo chegou tarde de mais (Isto é um ponto prévio para não haver confusões).
Como se, apenas, de tempo ou de falta dele se tivesse tratado. Esta tentativa constante de branquear e de distorcer a história, de que este título e este texto é, apenas, um inocente exemplo entre as que por aí proliream, não me parece que não se deva denunciar. A chamada Primavera marcelista não encontrou uma solução para a Guera Colonial e continuou-se a morrer em nome da Pátria. Não pôs fim à censura. E a PIDE continuou a matar:
" 1968, Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;
1969, Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;
1972, José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na "fuga-libertação" de Alcoentre, em Junho de 1975;
1973, Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão".
Quando ali em baixo falava em afronta era isto que queria significar. Na história que eu conheci e vivi, nos últimos anos do Regime continuou-se a morrer e a matar. Continuou a haver censura e a haver perseguições por delito de opinião. Continuou a haver fome e continuou a sair-se do País para poder sobreviver.
Façam-me um boneco a dizer que o Marcelo era um santo, cheio de boa vontade, com uma argolinha na cabeça, pobrezinho que só não fez mais porque não o deixaram, e esperem sentados que eu não venha para qui chamar uma porrada de nomes a quem o fizer. Mentiroso, por exemplo. Para ficar com um meiguinho, dado o adiantado da hora.
Publicado por Isabel Faria às agosto 17, 2006 05:10 PM
Comentários
Tentei, em vão, colocar aqui o meu comentário, omde corroborava inteiramente com as tuas palavras. É duma indignidade total o branqueamento que se faz do estado novo, e se o Marcelo chegou tarde, eu concordo, deveria ter chegado quarenta anos antes, já não tinhamos que aturar o outro, pois tinha caído, mais cedo da cadeira, e consequentemente o 25 de ABRIL, teria sido, muito antes, evitando o sofrimento de tantas e tantas gentes, iguais a nós por dentro e por fora, como diz o Zé Mário.
Publicado por: josé palmeiro às agosto 17, 2006 08:22 PM
Sim, agora está na moda chamar Liberdade a tudo e mais alguma coisa. Não há liberdade de matar, não há liberdade de colaborar em assassinatos.
O que eu quero dizer é que há uma grande distância entre Liberdade de Expressão e branqueamento - mentir pura e simplesmente, enganando a população e apagando ou tirando importância (e por isso mesmo, colaborando a posteriori) a crimes cometidos.
Publicado por: Helena Romao
às agosto 17, 2006 09:55 PM
Sim, agora está na moda chamar Liberdade a tudo e mais alguma coisa. Não há liberdade de matar, não há liberdade de colaborar em assassinatos.
O que eu quero dizer é que há uma grande distância entre Liberdade de Expressão e branqueamento - mentir pura e simplesmente, enganando a população e apagando ou tirando importância (e por isso mesmo, colaborando a posteriori) a crimes cometidos.
Publicado por: Helena Romao
às agosto 17, 2006 09:57 PM
Mais grave do que o branquemento, é a prova que em Portugal não existe uma direita consequentemente democratica.
Cai o verniz, e surgem-nos os saudosos do autoritarismo marcelista.
Mete nojo a forma como certos Blogues, jornais e televisões tentaram hoje branquear esse periodo.
O espirito pidesco, o espirito de bufo, o espirito de censor, está muito vivo em largos sectores da direita portuguesa, que se adaptou por forças das circunstâncias, á democracia, mas na sua genese, e no seu pensamento aflora a cada palavra o saudosismo da ditadura.
Esse espirito revanchista e intolerante da direita portuguesa, esteve á vista de quem o quis ver, na forma como defenderam a agressão de Israel ao Libano, e na forma pusilânime como foram tratados todos aqueles que denunciaram os crimes de Israel.
A Democracia é um bem demasiado precioso e muito fragil, é por isso é obrigação de todos os democratas de todos os homens e mulheres de esquerda, DENUNCIAR POR TODAS AS FORMAS, esta visão branquedora do chamado Estado Novo.....
Publicado por: a.pacheco às agosto 17, 2006 11:23 PM
A esta hora A.Pacheco, está a filha de marcelo caetano na RTP 1 a dizer que o pai nunca foi intimo de salazar e que abominava a guerra colonial...e que...confesso nestas coisas sou muito intolerante. So vi a apresentação. O ar de cavaqueira com que se fala num periodo de repressão, dá-me volta oa estomago.
Publicado por: isabel faria às agosto 17, 2006 11:30 PM
helena segundo a Constituição Portuguesa parece-me que nem há liberdade de divulgar ideiais fascistas. Ou estarei enganada?
Publicado por: isabel faria às agosto 17, 2006 11:38 PM
Não, não estás. Tens razão, Isabel. Nem me tinha lembrado da CRP, confesso!
Publicado por: Helena Romao
às agosto 18, 2006 05:12 AM