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agosto 11, 2006
Tudo em nome de um fetiche
Agora que já consigo escrever umas coisas maiores, porque já posso usar as duas mãos, vou partilhar com vocês as peripécias de um domingo à noite nos Centros de Saúde do Seixal.
Por volta da hora do jantar as dores no cotovelo aumentaram e eu achei que por uma dor de cotovelo não era necessário ir entupir o já de si caótico SNS. As mezinhas e os tratamentos do costume, os normais nestas alturas, Gelo, pomadas e repouso haveriam de fazer o seu caminho normal até a dor estar debelada. Mas quando chegou a hora de deitar já não havia posição para estar. Nem de braço ao peito, nem esticado, pois cada movimento doía, e não era pouco. Dado que cá em casa sou o único com carta de condução telefonei a um amigo (os amigos tb servem para isto não é?) para me levar ao centro de saúde da minha área de residência, o centro do Miratejo, a fim de saber o que se passava. Assim fizemos. Chegados lá batemos com o nariz na porta. Sem sucesso procurámos o horário da coisa até que uma vizinha ao ver-nos ali ás voltas nos disse que aos sábados, domingos e feriados aquele centro estava fechado. Decidimos ir ao CS da Amora, um edifício novo, de dois andares inflizmente sub aproveitado. Tão sub aproveitado que também se encontrava fechado. Seguimos para o CS do Seixal. O da sede do concelho, que sendo aquele que serve menor número de utentes, pois é a freguesia mais pequena do concelho, é o designado para estar sempre de serviço. Ficámos a saber que o sempre não inclui domingos à noite. Já não fomos a Fernão Ferro pois felizmente encontrámos no Seixal umas pessoas que já tinham vindo de lá e que nos informaram que estava fechado.
Sobrava o Hospital de Almada, o tal que está a trabalhar acima das suas capacidades. Fomos para lá já cientes que uma longa espera nos aguardava. Afinal se não há centros de saúde para fazer uma triagem é normal que tudo vá ali parar, tenha ou não necessidade de ser atendido num hospital.
Pergunto-me eu. Tanto se tem falado no hospital do Seixal para desbloquear o Hospital Garcia da Orta em Almada (HGO) e ainda ninguém se lembrou de fazer aquilo que eu enquanto candidato defendi em toda a campanha autárquica, ou seja, de dotar os centros de saúde de meios efectivos para que as pessoas possam ser tratadas ali, sem terem de recorrer aos hospitais, deixando estes única e exclusivamente para aquilo que não pode nem deve ser tratado nos CS.
É que eu fui apenas um dos que foi entupir o HGO sem necessidade nenhuma. Eu só precisava de um diagonóstico e da medicação correspondente que me poderia ter sido dada, se eles tivessem abertos num CS. Mas não, fui ao HGO fazer com que uma pessoa, que estava com os dois braços e uma perna partidos demorasse mais um pouco a ser atendida porque na Traumatologia só havia um médico que achou que me deveria atender 1º salvando-me assim mais 1 hora de seca enquanto ele fazia os gessos à senhora.
Ninguém duvida que quantos mais hospitais melhor. Melhor será o atendimento, mas se no futuro haverá médicos para um hospital, porque não usá-los agora nos CS dando às pessoas uma assistência de proximidade e que ao mesmo tempo libertava o HGO de pessoas como eu, que, na realidade, só foram entupir pois o seu caso não era, de todo, para umas urgências de um hospital.
Já sei que vai haver quem use isto no futuro para dizer que sou contra um hospital no Seixal. Dessas mentiras já estou habituado, mas não me consigo calar quando em nome de um fetiche se criam condições para que as pessoas sejam mal atendidas só para justificar aquilo que há anos se promete.
O responsável tem um nome e chama-se Alfredo Monteiro, presidente da Camara do Seixal, que é capaz de organizar cordões humanos para o seu fetiche mas que não sabe ou não quer, dar um passo para que os CS do Seixal funcionem como deveriam.
Publicado por Daniel Arruda às agosto 11, 2006 05:49 PM
Comentários
Sabes daniel, corremos sempre riscos quando ousamos chamar os bois pelos nomes. Claro que um dia te mandarão este post á cara...mas não me parece que te devas importar. Para a população do Seixal, seria muito mais útil ter os SAPs a funcionar do que esperar por um hospital novo. Até porque o teu cotovelo (e os outros todos) precisavam do SAP a funcionar era agora...e este estado de coisas mantém-se.Há anos.
Há alguns anos, morei uns meses em Miratejo. Fui medir a tensão numa farmácia que há na rua principal do Laranjeiro...estava a 18,5 - 15...o homem quase teve um ataque e enviou-me para o Garcia da Orta...não sai daqui se não se comprometer a ir...senão chamo a ambulância. Fui.
Quando estava a ser atendida, lembro-me de dizer ao médico que o Sr. da farmácia não me deixou ir ao SAP...e o médico do Hospital respondeu "qual Sap??? A esta hora???ao fds???".
O fetiche do teu Presidente (creio que ainda era o anterior...claro que era...) pode ter barbas...mas o problema do acesso aos cuidados básicos de saúde em caso de urgência, também já têm barbas no concelho.
Possivelmenet o meu caso seria de hospital...mas se não fosse, então como agora, restava-me contar para as estatísticas que provam ao teu Presidente a necessidade de um Hospital no Seixal...como tu, ficaste a contar...
Publicado por: isabel faria às agosto 12, 2006 10:47 AM
Isabel, é isso qu quis dizer. Em vez de se resolverem problemas usam-se pessoas para servir objectivos ou fetiches de alguns.
Publicado por: Daniel Arruda às agosto 12, 2006 12:15 PM