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setembro 07, 2006

Parque da cidade

O texto a seguir foi publicado no Notícias do Seixal. Diz pouco a a quem não é de Corroios, mas se calhar a temática dos receneaamentos e das promessa não cumpridas são comuns a muita gente, por isso não perdem nada em dar uma espreitadela.

As festas de Corroios já acabaram. Este ano não houve direito a 3 dias extra de Feira. Compreende-se. Não é ano de eleições. Mas quem como eu passou os 10 dias nas festas recorda muitas coisas. Especialmente as conversas que se foram tendo. Guardo uma delas com especial atenção, pois o tema foi algo que o tempo apagou.
Em 1995, quando comprei casa em Corroios, havia um “outdoor”, no sítio onde é agora o parque de estacionamento da Fertagus, que mostrava aquilo que iria ser o “Parque da Cidade”. Um espaço com circuito de manutenção, ringue de futsal, courts de ténis, árvores, bancos de jardim, um complexo de piscinas com três tanques para adultos e dois para crianças e até um heliporto em cima das piscinas. Confesso que já quase me tinha esquecido do dito “outdoor” apesar de ele ter sido, na altura, um dos responsáveis por acreditar na qualidade de vida que se iria ter naqueles bairros novos de Sta Marta e Quinta do Marialva. Pelos vistos não fui só eu pois, a meio da conversa, já éramos várias pessoas que discutíamos este tema e fazíamos as comparações com o que hoje existe. A começar pela própria denominação que se pode e deve dar ao espaço. Falar hoje num parque da cidade é, no mínimo, abusivo. A denominação correcta é a de recinto das feiras pois é para isso que o espaço serve oficialmente. O circuito de manutenção prometido não existe, embora o espaço seja usado por algumas pessoas para fazer a sua corridinha. O ringue de futsal continua igual ao que estava há 11 anos atrás, bem como os courts de ténis, ou, por outras palavras, não existem. Mantém-se ao fundo um campo de futebol arcaico, com duas balizas, piso irregular e muita erva daninha onde um qualquer jogo de futebol se torna uma lotaria no que a pés torcidos e pernas partidas diz respeito. Árvores, bancos e sombras são coisas que não existem naquele espaço, apesar de me parecerem fundamentais numa coisa que alguém em 1995 chamou de parque. Sobram as piscinas. Pelo menos estão feitas, sem heliporto, é certo, (afinal parece que vai ser construído na Ponta dos Corvos, pelo menos era o que constava do programa do PS e como o número dois da lista até é vereador com pelouro espera-se que cumpra alguma parte do seu programa, por muito disparatada que seja) mas será que as piscinas são aquilo que nos prometeram? Já lá fui várias vezes e não consigo encontrar os três tanques para adultos e mais dois para crianças. Aliás, e só a talho de foice sobre o tema piscinas, as piscinas de Corroios estão sub-dimensionadas desde a sua inauguração. Podemos achar que mais vale isto que nada mas é sabido por todos que custa tanto dinheiro fazer uma obra mal feita como bem feita. Qual a razão, então, porque não se faz bem à primeira? No entanto, existe um palco grande, que não estava em nenhum projecto ou promessa, e um morro que rodeia todo o palco que também não me lembro de ter visto em lado nenhum...
Depois da conversa e quando cheguei a casa resolvi ir ver a propaganda eleitoral (e não só, guardo muitos recortes dos boletins municipais) da altura e ver o que se prometia então. E sabem o que era? O actual recinto da Feira iria ser um pulmão para Corroios. Um espaço de lazer para todo o ano e para toda a família.
Detesto conjugar os verbos no passado. A vida é feita de futuro, mas mais me custa quando se conjugam mentiras no e do passado fazendo de conta que tudo o que se disse já não vale de nada. Que não há necessidade de se prestar contas. Corroios e, especialmente, Sta Marta e a Quinta do Marialva são locais de obra adiada. É a escola que é adiada, já se falou que seria 1,2 que seria C+S, que seria 1,2,3. É uma campanha de recenseamento séria e honesta (alguém acredita que morem ali menos de 3.000 eleitores? É esse o número oficial) que é adiada, que permitisse às pessoas que pudessem começar a contar e que com isso se pudesse reivindicar uma nova Farmácia, uma extensão do posto de saúde, um posto de GNR e um sem número de coisas que estão dependentes da quantidade de pessoas inscritas nos cadernos eleitorais.

Não podia deixar de deixar aqui uma nota final sobre as festas de Corroios. Os fogos de artifício são sempre bonitos, mas, infelizmente, não nos dão de comer. Os fogos de artifício também são, normalmente, caros. Numa altura em que o Presidente da Junta tem alertado, em sede de Assembleia de Freguesia, para algumas supostas dificuldades de tesouraria da Junta parece-me um abuso que se gaste dinheiro numa coisa que sendo bonito à vista não acrescenta valor à qualidade de vida da população. Esperarei para ver as contas das Festas. Aí terei, teremos todos, uma melhor percepção.

Publicado por Daniel Arruda às setembro 7, 2006 12:46 PM