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setembro 03, 2006
Posso ir à Marcha ou quê?????
Já ontem no Público a notícia sobre a Marcha pelo Emprego trazia esta frase:
Os 200 participantes, quase todos de sapatos de ténis ou sandálias, bonés e bandeiras, eram na sua maioria oriundos da classe média urbana sendo poucos os operários ou mesmo cidadãos desempregados que nela participaram. Já ontem tinha ficado com a mesma dúvida quando li a notícia do PÚblico. O jornalista perguntou a ocupação aos participantes? Qual a sua origem? Ou nota-se pela cara? Um operário tem caracteristicas fisicas diferentes de um "oriuno da classe média"? E o "oriundo da classe média urbana" distingue-se como do "oriundo da classe média" não urbana? Pela cor do cabelo? Pelo boné? Pelas sandálias? Quando eu lá estiver na próxima semana, sou oriunda de quê? Os meus pais nasceram numa pequena vila de provincia. O meu pai sempre foi carpinteiro e a minha mãe empregada numa padaria. Vivem da reforma deles. Segundo o conceito marxista não serei, de facto, proletária, mas vivo do meu trabalho desde os 18 anos e apesar de também ter nascido nessa pequena vila do Ribatejo rural, vivo em Lisboa, serei digna representante dessa classe média urbana? Alguém me diz, faxavor se posso participar na Marcha?
Ontem, nos habituais comentários às notícias do Pùblico, alguém dizia que era preciso ter lata para fazer uma Marcha pelo Emprego quando somos todos uma cambada de intelectuais, da classe média, filhos de pais ricos, que nunca trabalhámos na vida. O que encaixa, portanto, perfeitamente em mim...
O que eu sei é que fiz bem em ir fazer madeixas louras a semana passada...ainda baralhava os pobres jornalistas e comentadores das notícias do Público, com aquele ar mal encarado e desleixado...na volta é isso...um operário não usa madeixas. Afinal se a gente pensar bem chega lá. Desta safei-me. Posso andar uns Kms que os jornalistas não ficam baralhados, tadinhos. Assim o calcanhar esquerdo não me pregue uma partida...a propósito, esta deve ser outra diferença...os calcanhares dos operários e dos desempregados devem ser diferentes dos nossos...o meu calcanhar esquerdo é um legitimo representante da "classe média urbana". Arma-se em menino da mamã quando ando uns Kms a pé...ou não? os oriundos da "classe média ubana" não deviam andar todos em ginásios? Já tou a ficar baralhada outra vez...alguém me diz, do JN ou do Público, se posso ou não ir à Marcha...please !!!!
Publicado por Isabel Faria às setembro 3, 2006 12:26 PM
Comentários
A noticia era da Lusa, o JN e o Publico, limitaram-se a copiá-la.
É lógico que há jornalistas, e tarefeiros, e infelizmente a classe não prima por ser objectiva.
Não está em causa, existirem 500.000 desempregados, que o desemprego aumentou desde que o Socrates chegou ao governo, que a prioridade ao emprego, não é uma preocupação do governo PS, que o Bloco com esta acção pretenda chamar a atenção para uma realidade, que muitas vezes não merece duas linhas na imprensa.
O que interessa é dizer que uns quantos burgueses urbanos, bem na vida, resolveram dar um passeio a pé pelo País a falarem do desemprego, mas que desempregados nem vê-los.
Assim se faz BOM JORNALISMO em Portugal.....
Publicado por: a.pacheco às setembro 3, 2006 02:54 PM
São os estereotipos a brilhar em todo o seu explendor. A Marcha é uma iniciativa do Bloco. E o Bloco é formado por esses intelectuais, a tal famosa "esquerda festiva", filhos dessa dita média [ ou quiçá alta ] burguesia...
A propósito, o pai do Cunhal era quê? Ah, pois...Já me tinha esquecido.
Publicado por: Emiéle às setembro 3, 2006 03:43 PM
Não sei que diga, ou melhor, escreva.
Vou à marcha e pronto!
Quem sou eu? Isso interessa a alguém, quando estamos infestados por essa "direita socrática", que dia a dia nos faz mais pobres e sem qualquer ponta de dignidade, para encarar o nosso semelhante, porque não temos emprego, não temos dinheiro para viver, morar e decidir. Estamos tornados em rebanho obediente. Não, isso não. Marchemos então!
Publicado por: José Palmeiro às setembro 3, 2006 05:05 PM
Essa coisa do catálogo é um problema.
Eu sou filho de rurais analfabetos, andei a cavar até aos vinte anos, sou licenciado, professor, aposentado , vivo da minha reforma, O filho desempregado às minhas costas, sou o quê?
Burro de carga!?
Publicado por: João Norte às setembro 3, 2006 05:11 PM
Tens razão, A.pacheco , era uma notícia da Lusa, que ambos reproduziam O que aliás é sintomático do interesse que a iniciativa desperta na nossa C. Social. Lembrei-me da campanha do Sá Fernandes...fizemos a campanha toda apenas com o jornalista da Lusa...mas conseguimos que a imagem passasse, apesar de tudo...e hoje, por mais que tentem não conseguem calar completamente o trabalho que ele faz... e, sobretudo, os incómodos que ele lhes dá.
Pois é Émiéle, comparando a minha origem com a do Álvaro Cunhal...a intectual orinuda da burguesia urbana sou eu...ah e claro que convém realçar que o Jerónimo de Sousa é um operário, por exemplo. Coisa de que nenhum de nós se pode gabar...há quantos anos foi???
José, eu sei que esta ideia, que as etiquetas não interessam nada...mas "vendem". Ontem nquele tal comentário ao senhor que dizia que eramos todpos uns burgueses filhos de pais ricos...escrevi que uma mentira mil vezes repetida não deixa de ser mentira...mas para quem a ouve, quem a ouve acriticamente, não deixará? A campanha que a C. Social tem feito contra o Bloco passa por estes esteriotipos. Alimenta-se deles.
Pois João, na volta há burros de carga com madeixas...e então eu também sou um e posso ir á Marcha!!! :)))
Publicado por: isabel faria às setembro 3, 2006 09:16 PM
Isabel e o é que interessa a nossa origem....
O importante são as ideias , convicções e empenho, que pomos na sua defesa.
Antes do 25 de Abril em todas as fábricas havia BUFOS delatores ao serviço da Pide, qual era a sua origem OPERÁRIOS.
Dizia-se que quase todos os engraxadores de rua recebiam dinheiro para puxarem conversa, e depois denunciarem, quem incauto falasse demais, qual a sua origem LUPEM ou até origens rurais muito pobres.
Conheci e felizmente ainda são vivos membros da alta burguesia, alguns até com pretenções aristocraticas, que sempre mantiveram uma postura de oposição á ditadura, e alguns tiveram grandes dissabores com isso, mas nunca vergaram.
Quero dizer com isto que o que me interresa, é o cidadão ou a cidadã e a sua firmeza na luta , e não se a origem é daqui ou dali.
O HOMEM é o seu precurso, e não a sua origem....
Publicado por: a.pacheco às setembro 3, 2006 09:33 PM
Isabel e o é que interessa a nossa origem....
O importante são as ideias , convicções e empenho, que pomos na sua defesa.
Antes do 25 de Abril em todas as fábricas havia BUFOS delatores ao serviço da Pide, qual era a sua origem OPERÁRIOS.
Dizia-se que quase todos os engraxadores de rua recebiam dinheiro para puxarem conversa, e depois denunciarem, quem incauto falasse demais, qual a sua origem LUPEM ou até origens rurais muito pobres.
Conheci e felizmente ainda são vivos membros da alta burguesia, alguns até com pretenções aristocraticas, que sempre mantiveram uma postura de oposição á ditadura, e alguns tiveram grandes dissabores com isso, mas nunca vergaram.
Quero dizer com isto que o que me interresa, é o cidadão ou a cidadã e a sua firmeza na luta , e não se a origem é daqui ou dali.
O HOMEM é o seu precurso, e não a sua origem....
Publicado por: a.pacheco às setembro 3, 2006 09:33 PM
Isabel e o é que interessa a nossa origem....
O importante são as ideias , convicções e empenho, que pomos na sua defesa.
Antes do 25 de Abril em todas as fábricas havia BUFOS delatores ao serviço da Pide, qual era a sua origem OPERÁRIOS.
Dizia-se que quase todos os engraxadores de rua recebiam dinheiro para puxarem conversa, e depois denunciarem, quem incauto falasse demais, qual a sua origem LUPEM ou até origens rurais muito pobres.
Conheci e felizmente ainda são vivos membros da alta burguesia, alguns até com pretenções aristocraticas, que sempre mantiveram uma postura de oposição á ditadura, e alguns tiveram grandes dissabores com isso, mas nunca vergaram.
Quero dizer com isto que o que me interresa, é o cidadão ou a cidadã e a sua firmeza na luta , e não se a origem é daqui ou dali.
O HOMEM é o seu precurso, e não a sua origem....
Publicado por: a.pacheco às setembro 3, 2006 09:36 PM
A.Pacheco, a mim não me interessa minimamente a nossa origem. Fiz o post baseada numa notícia em que o preconceito da origem e do estatuto serve para esconder o importante. A inciativa do Bloco. O drama do desemprego. A politica de trabalho e social do Governo Sócrates.
Falei na origem do Àlvaro Cunhal em resposta à Émiéle, porque este preconceito, ou melhor esta provocação, é usual no PCP. A história da esquerda caviar, do champanhe, já a ouvi centenas de vezes, em pessoas do PC ou lá de perto...
Para mim, o Álvaro Cunhal merece o mesmo respeito vindo de onde vem ou se fosse filho de um pedreiro e operário metalúrgico. E as mesmas criticas...
Sei que sou quem sou porque tive as origens que tive. Mas estas têm sobretudo a ver com histórias, com afectos, com aprendizagens, com percursos, com pessoas que fui encontrando...
E concordo inteiramente contigo...poderia, apesar desses ensinamentos, ter-me tornado qualquer coisa que envergonhasse esse percurso e aquilo que me transmitiram...felizmente, creio, que assim não foi. E fico feliz com isso.
Publicado por: isabel faria às setembro 3, 2006 11:09 PM
olha precisava dexe video sera k mo podes mandar pro mail????
bgdao!!!
Publicado por: rrr às dezembro 3, 2006 10:14 PM