setembro 16, 2006
FIM
Ponto prévio:
Este post é o último na Weblog.
Não vale a pena fazer muitos considerandos...falar em incompetência, tentar entender termos técnicos, acabar por nos questionarmos sobre o porquê do "essencialmente nós". Basta dizer que nos cansámos. Definitivamente.
Há uma semana com a ajuda preciosa do Fernando tinhamos encontrado um cantinho no campo e pegado nos tarecos...só que...
...só que chegámos à conclusão que somos muito tesos para manter uma casa de campo...havia que encontrar uma casa na cidade que substituisse esta. Para onde se pudesse levar o sofá do buraco, a mão de lavar as costas...tudo. Uma casa nova. Nossa. Feita à nossa maneira.
Porque percebemos muito pouco de canalizações, de alicerces e de instalações eléctricas tivemos que recorrer a uma nova ajuda. E concluimos que esta casa de cidade poderia ser mais á nossa medida, se fosse localizada neste condomínio (que vergonha...isro é muita mau, não???). Com o apoio do Farpas (esta do apoio é piada...foi ele que fez TUDO!!!!), decidimos optar pela Blogspot. E lá estamos. A partir das 0 horas de amanhã, estaremos definitivamente AQUI. Podem mudar os vossos links, podem esquecer a casa de campo...apenas não podem deixar de nos dar o prazer da vossa companhia.
O Troll vai continuar. Sem stresses de meter comentários, de fazer posts e... bonito...achamos que aquele Troll é o legitimo herdeiro deste que tanto gozo nos tem dado fazer...(antes das desgraças dos últimos tempos, está bem de ver...).
A apresentação da nova casa continua ...na nova casa. Daqui a nada, ao romper do dia 17 de Setembro. Até lá. E até já.
Publicado por Isabel Faria às 11:26 PM | Comentários (2)
Palavras de Papa...
Segundo o Papa, um imperador bizantino do século XIV terá firmado que Maomé trouxe ao mundo coisas "más e desumanas, como o direito a defender pela espada a fé que ele persegue".
Bento XVI, que se deve ter esquecido que era Papa, o representente máximo duma religião, seu embaixador, a sua voz, pronunciou-se, usando palavras de alguém, sobre uma outra religião. Em Setembro de 2006.
A estrema direita europeia e americana agradecem, reconhecidas. Os fundamentalistas islãmicos, também.
Publicado por Isabel Faria às 11:59 AM | Comentários (2)
Se...
Tudo parece indicar que o Referendo para a despenalização da IVG terá lugar em Janeiro.
Ontem foram entregues mais de 40000 assinaturas, requerendo a alteração da Lei, sem recorrer ao Referendo. Todos sabem a minha posição sobre isso. Assinei a Petição, claro. Seria o cenário ideal...se...
...se não tivesse havido um anterior Referendo...
...se a Direita nunca mais voltasse a ter maioria absoluta na Assembleia da República...
...se a Direita portuguesa, que um dia poderá voitar a ter maioria absoluta no Parlamento, não fosse um Direita revanchista, vingativa, conservadora e inculta...
...se o PS, apesar destes aspectos, tivesse vontade politica de avançar...
...se...
...se...
Há forças politicas que têm enorme dificuldade em saber que o parvo do Se, tem uma força do caraças na vida das pessoas e das sociedades...
Publicado por Isabel Faria às 11:30 AM | Comentários (2)
setembro 15, 2006
Vou tentar...

Tenho um amigo, um grande amigo, que um dia perdeu as duas pernas, num acidente de carro. Desde aí vive (e viver é viver, mesmo) com a ajuda de uma cadeira de rodas.
Lembro-me dos primeiros tempos e das primeiras angústias. Da sensação de vazio que transmitia.Das lágrimas. De o ouvir dizer que não valia a pena continuar. Que não vale a pena viver se não se pode correr, jogar á bola ou, simplesmente, descansar os pés depois de uma jornada longa e dura.
O tempo passou. O meu amigo faz hoje tudo o que faria se um acidente de carro, ali, na ida para a Figueira não lhe tivesse levado as pernas. Encontrou um amor, casou, tem um filho lindo…só não joga à bola nem corre. Nem descansa os pés.
Quando falamos nisso, diz que é feliz. Que se habituou a viver sem aquela parte de si. Se habituou e é feliz. Mas que lhe sente a falta. Todos os dias lhe sente a falta. Tantos anos depois, diz que tem umas saudades enormes do que perdeu. O que me valeu na altura, diz, foi encontrar, cada dia, uma nova coisa que era possível fazer sem elas. Mas, dias houve, noites, sobretudo, em que pensei que sem partes de nós, não vale a pena viver, acrescenta.
Esta manhã, acordei a pensar no meu amigo. A tentar encontrar nas palavras dele a força para continuar. Diferente não significa necessariamente pior, ou nada. Mas, é preciso aprender a fazer, cada dia uma coisa nova, sem aquilo que se perdeu…
Neste momento o Troll é um desafio. O meu amigo é um mestre a jogar xadrez. Esta manhã ao chegar aqui, tive uma vontade enorme de desistir. Ou, pelo menos, dizer que precisava de um tempo. O meu amigo diz que só conseguiu sobreviver porque se agarrou ás memórias das corridas que fez e dos jogos de futebol que jogou…não quero desistir. Mesmo sem uma parte, não quero desistir.
Se conseguir aguentar o Troll, se conseguir voltar a correr, sei que “as pernas” não contam (contavam) assim tanto. Se não conseguir…logo se verá.
Há outros motivos para tentar continuar aqui. O Troll tem aqui muito de mim. Corridas e jogos de bola. As melhores dos últimos tempos. Neste momento, em que a memória teima em ser selectiva, apesar do que issso dói, as melhores, tout court. E o meu amigo diz que a memória é importante…para nos habituarmos a viver com o que perdemos (ou será que ele diz sem o que perdemos?).
Finalmente o Trol é, para mim, e neste momento com as falta de assiduidade dos nossos colegas, uma corrida minha e do Daniel Arruda. Mesmo com a falta que as pernas me fazem, não gostaria de deixar o Daniel a correr sozinho. Nunca faço isso aos meus amigos. Possivelmente vou um bocado coxa e ele vai ter que puxar por mim…mas espero que ele tenha paciência e o faça…
Vou tentar continuar. Voltar ao normal. Mas seguramente vou ter saudades. Daquelas alturas em que as pernas me levavam sempre ao Mar.
Publicado por Isabel Faria às 12:15 PM | Comentários (7)
setembro 08, 2006
Só incomoda. Que chato!!!
Na Quarta Feira, Bush, reconheceu a existência de prisões da CIA, fora dos Estados Unidos, onde são usados .métodos especiais nos interrogatórios
Ontem, Luís Amado, pressionado, reconheceu a passagem por Lisboa de aviões da CIA. Alguns deles para Guantamano. Os outros...na véspera Bush tinha confirmado prisões da CIA fora dos EUA, onde se usam "metodos especiais" para obrigar supostos envolvidos em actos de terrorismo a falar.
Às vezes, Bush devia estar calado...só incomoda.
Publicado por Isabel Faria às 11:16 AM | Comentários (8)
setembro 07, 2006
As contas das empresas municipalizadas de Lisboa

Ontem na reunião da Câmara Municipal de Lisboa, a actual vereação informou que os administradores da EPUL e empresas associadas já tinham devolvido 12 400€, cada, do montante que tinham recebido em 2004 e 2005, como prémios de "produtividade".
Segundo o relatório de contas apresentado pela EPUL e pelas empresas associadas, nestes dois anos foram pagos como prémios de produtividade 180.741,23 €. Destes terão, então, sido devolvidos 62 mil euros (12.400 euros multiplicados pelos 5 administradores da EPUL). Faltam devolver, portanto, quase 120.000€..
Ninguém soube, na reunião de Câmara explicar onde anda o dinehiro em falta. E quando volta...
Claro que muito menos alguém soube explicar, como é que esse dinheiro foi recebido. Por decisão governamental em 2004 e 2005, nenhum administrador de empresas públicas (ah, ontem na televisão Gabriela Seara, interrogava-se se uma empresa municipalizada é uma empresa pública...parece que ainda não chegaram a nenhuma conclusão...) poderia ter recebido prémios de produtividade. Para além do facto de somenos importãncia que estes administradores não apresentaram resultados que os justificassem e nem os corpos sociais das empresas ou a tutela os aprovou.
Segundo parece, há outras empresas municipais em que ainda se deve estar na fase de descobrir se são públicas ou não...e que, entretanto, pagaram prémios de produtividade aos seus administradores. Só que a estas e outras questões, a Câmara de Lisboa continua sem responder...
Sá Fernandes, vai solicitar ao Tribunal de Contas que actue com urgência. Os municipes, que poderão ter visto os seus cofres defraudados em centenas de milhares de Euros, aguardam...
Publicado por Isabel Faria às 02:08 PM
De volta?
Em contacto do Departamento Técnico do AEIOU, foi-me ontem assegurado que os problemas principais do Troll deverão estar ultrapassados.
Tal como lá fora, há uma quantidade de coisas que nunca levamos para a casa de férias mas que, aos poucos, descobrimos que nos fazem falta...ou é o micro-ondas, ou a mão de lavar as costas...
Para além disso, nunca conseguimos arranjar um sofá onde encaixemos tão bem e dê para dormir uma soneca igual ao da casa a sério. Aquilo já tem mesmo o buraco feito ao nosso tamanho...
Daí...
A gerência desta casa decidiu:
Dar uma nova oportunidade ao Sofá que já tem o buraco...
Deixar aqui ao lado ficar um link directo para a casa de campo...sempre que descobrirmos que não podemos entrar nesta, basta clicarem e lá estaremos à vossa espera...
Que não iremos aguentar uma nova situação como a que se viveu nestes dias...se tal voltar a acontecer não mudaremos para a casa de campo, vendemos esta e a casa de campo será, definitivamente, a casa. Para lá levaremos o sofá e havemos de conseguir passar sem mão para lavar as costas...
Pedir-vos que sempre que tenham dficuladades em comentar ou em aceder ao Troll nos avisem por Email. É um favor que muito agradecemos. Sobretudo nos próximos dias em que talvez venhamos aqui menos vezes ( a militancia assim o obriga...), pode acontecer que não se dê logo pelos problemas, no caso de voltarem...a gente agardece-vos, emprestando o micro-ondas, em caso de necessidade.
Obragado. A todos. Toca a postar. E a comentar.
Publicado por Isabel Faria às 11:48 AM | Comentários (2)
setembro 05, 2006
Estamos de abalada
Ok. Não sei se vai ser definitivo ou não. Não sei se vamos ficar por ali ou não. Sei que aqui não podemos nem devemos continuar.
Esta manhã foi-me dito pelos serviços técnicos da AEIOU que teriamos notícias até ao final do dia...ok, o dia já terminou.
Ontem tinhamos decidido que dariamos atá ao final do dia. Cumprimos.
Se os problemas se resolverem, quem sabe???
Afinal aquela é uma casa de campo...onde falta muita coisa...
Se os problemas não se resolverem podemos continuar a ter onde dormir...
Aguardamos a vossa visita. O campo é muita giro mas tem mais piada com gente à volta...e passarinhos e assim...
Esta é a morada nova
Até já!!!!
Publicado por Isabel Faria às 10:05 PM | Comentários (1)
setembro 04, 2006
Teremos mesmo que mudar de casa???
Não faço ideia se este post vai entrar. Daí ser pequeno e apenas para que fique o essencial...
Depois de uma semana de problemas na Weblog, o Troll voltou a ser o único em que os problemas se mantêm. Não entendemos. Dezenas de vezes demos conta deste facto, o de nunca estarmos sem qualquer problema, nos últimos meses e dezenas de vezes nos foi dito que seriam solucionados.
Esta tarde, fui contactada por telefone pelo Departamento Técnico da AEIOU. Foi-me prometida uma solução (ou ,pelo menos, uma explicação) para o dia de amanhã. Prometi que esperariamos.
Entretanto, e com a ajuda de um amigo, estamos a tentar montar outra casa...tipo casa de campo ou assim...
Disse esta tarde à pessoa que me contactou e mantenho. Sinto-me aqui em casa. Mas para isso preciso de poder entrar nela. Quando quiser. Como quiser. E abri-la aos meus amigos. Sei que esta opinião é também a do meu "principal" ( e único contactável...) parceiro aqui da assoalhada...vamos esperar até amanhã, ao fim do dia. Depois, com cadeiras de plástico, mesas a fingir, fogareiros de dois bicos...ou apenas de saco cama, mudaremos para a casa nova. De lágrimazita ao canto do olho, mas com o consolo de que a eutanásia às vezes é um dever.
Obrigado pela paciência. desculpem o resto. Se não aqui, contaremos convosco na casa de campo.
Vamos tentar que fique bonita...e que redescubramos o prazer de nela estar.
Publicado por Isabel Faria às 09:24 PM | Comentários (10)
Não sei se sentem...

Não sei se sentem medo. Se sentem dor. Se se sentem inseguras. Se se sentem livres.Se sentem saudades. Se se sentem perdidas. Ou confiantes. Se sentem alegria. Ou loucura. Se se sentem inteiras. Se sentem que lhes falta o ar. E que o Mar lhes traz o ar. Não sei se precisam de palavras. Se sabem que podem passar sem elas. Não sei se as palavras lhes enchem dias. E tapam até o Sol abrasador como se de árvore frondosa se tratasse.
Não sei que sentem. nem se sentem.
Eu só me sinto assim, coral, estrela do mar, rocha, peixe, dentro de ti. E sinto-me o resto, o que não sei se elas se sentem. Insegura, alegre, perdida, forte, livre, com medo, pássaro, confiante, louca, criança, inteira, pequenina, mulher...
Publicado por Isabel Faria às 12:05 AM | Comentários (3)
setembro 03, 2006
Posso ir à Marcha ou quê?????
Já ontem no Público a notícia sobre a Marcha pelo Emprego trazia esta frase:
Os 200 participantes, quase todos de sapatos de ténis ou sandálias, bonés e bandeiras, eram na sua maioria oriundos da classe média urbana sendo poucos os operários ou mesmo cidadãos desempregados que nela participaram. Já ontem tinha ficado com a mesma dúvida quando li a notícia do PÚblico. O jornalista perguntou a ocupação aos participantes? Qual a sua origem? Ou nota-se pela cara? Um operário tem caracteristicas fisicas diferentes de um "oriuno da classe média"? E o "oriundo da classe média urbana" distingue-se como do "oriundo da classe média" não urbana? Pela cor do cabelo? Pelo boné? Pelas sandálias? Quando eu lá estiver na próxima semana, sou oriunda de quê? Os meus pais nasceram numa pequena vila de provincia. O meu pai sempre foi carpinteiro e a minha mãe empregada numa padaria. Vivem da reforma deles. Segundo o conceito marxista não serei, de facto, proletária, mas vivo do meu trabalho desde os 18 anos e apesar de também ter nascido nessa pequena vila do Ribatejo rural, vivo em Lisboa, serei digna representante dessa classe média urbana? Alguém me diz, faxavor se posso participar na Marcha?
Ontem, nos habituais comentários às notícias do Pùblico, alguém dizia que era preciso ter lata para fazer uma Marcha pelo Emprego quando somos todos uma cambada de intelectuais, da classe média, filhos de pais ricos, que nunca trabalhámos na vida. O que encaixa, portanto, perfeitamente em mim...
O que eu sei é que fiz bem em ir fazer madeixas louras a semana passada...ainda baralhava os pobres jornalistas e comentadores das notícias do Público, com aquele ar mal encarado e desleixado...na volta é isso...um operário não usa madeixas. Afinal se a gente pensar bem chega lá. Desta safei-me. Posso andar uns Kms que os jornalistas não ficam baralhados, tadinhos. Assim o calcanhar esquerdo não me pregue uma partida...a propósito, esta deve ser outra diferença...os calcanhares dos operários e dos desempregados devem ser diferentes dos nossos...o meu calcanhar esquerdo é um legitimo representante da "classe média urbana". Arma-se em menino da mamã quando ando uns Kms a pé...ou não? os oriundos da "classe média ubana" não deviam andar todos em ginásios? Já tou a ficar baralhada outra vez...alguém me diz, do JN ou do Público, se posso ou não ir à Marcha...please !!!!
Publicado por Isabel Faria às 12:26 PM | Comentários (10)
E as outras vidas?
Claro que uma vida humana é única. A sua perda é sempre uma perda ireparável. Para os seus familiares, para os seus amigos será sempre a perda mais dolorosa.
Mas quando Tony Blair fala assim da morte de 14 militares ingleses na queda de um avião, é do mais puro desrespeito pela vida humana que se trata. Tony Blair é um dos responsáveis pela perda de milhares de vidas humanas no Iraque, numa guerra de mentira e de ocupação. É um dos principais responsáveis pelas perdas povocadas pelas forças ocupantes e pelas resultantes da guerra civil que a ocupação provocou.
Morreram 14 militares na queda de um avião. Cada um de nós lamenta a sua morte. Os seus familiares e amigos choram-na. A diferença é que nós temos o direito de a lamentar. E Tony Blair, não. Porque não lamenta as outras que causa, porque é da sua responsabilidade a presença destes militares no Iraque, porque é hipócrita e porque é desumano.
Publicado por Isabel Faria às 12:08 PM
setembro 02, 2006
SMS 2
Isabel
Podias colocar um post a dizer que não vou estar a ver os passarinhos , mas vou estar fora até à noite?
Obrigado.
Isabel
Já tá. Não quero que me falte nada, mesmo que não tenha passarinhos pra ver.
Publicado por Isabel Faria às 12:28 PM | Comentários (1)
SMS 1
Isabel
Esqueci-me de deixar uma posta a dizer que vou estar fora até Segunda-Feira. No campo, a ver os passarinhos. Podias escrever isso por mim?
Obrigado
Daniel
Tá feito. Não quero que te falte nada. Bom fim-de-semana. Trata bem os passarinhos.
Publicado por Isabel Faria às 12:17 PM | Comentários (1)
setembro 01, 2006
Marcha pelo Emprego

Começa hoje. Não vou poder estar desde o ínício. Mas tenho a certeza que vai ser aquilo que se propõe. Dias de luta, de festa, de empenho e de resistência (também para os nossos pobres pezinhos!!!).
A gente vai levar isto a bom porto!!!!!
Publicado por Isabel Faria às 10:44 AM | Comentários (1)
agosto 31, 2006
Saudades

Tenho saudades de quando me sentavas ao teu colo e me lias o Barranco de Cegos. E a tua voz me levava ao futuro.
Tenho saudades de quando ralhavas comigo por eu comer a massa toda das bolachas de manteiga e, ainda por cima, em vez de redondas, saírem quadradas ou aos bicos. E, mesmo tortas, serem as melhores bolachas de todos os tempos.
Tenho saudades do cheiro a arroz de forno e a frango corado na casa da avó.
Tenho saudades de procurar amendoins mal encarados no bolso do casaco do avô e achar que era os melhores amendoins do mundo.
Tenho saudades de ver as ervas brancas da geada da manhã. E de comer as bolas de Berlim das latas verdes e azuis da Nazaré.
Tenho saudades quando uma chuva enorme de estrelas te trouxe para mim. Tenho saudades de quando fui perdendo as saudades de ti.
Tenho saudades de te sentir cá dentro…e dos pontapés e das noites em que a barriga não cabia na cama.
Tenho saudades do teu sorriso. E da tua voz. E da bola com que andavas metros inteiros. Até das cólicas que não me deixavam dormir, noites e noites.
Tenho saudades de olhar o espelho e não descobrir estas pregas parvas e embirrantes. E as riscas.
Tenho saudades de me lembrar de que cor era o meu cabelo, antes de concluir que não curto branco.
Tenho saudades de quando te toquei na mão, naquela noite no Bairro Alto e me puseste a mão sobre o ombro, à saída. Não tenho saudades das saudades que tinha de sentir uma mão no ombro.
Tenho saudades das noites inteiras sem dormir enquanto durou a viagem de finalistas do 5º ano.
Tenho saudades de não me esquecer dos aniversários e de não passar a vida à procura dos papéis que de certezinha mesmo ontem tinham ficado naquele lugar.
Tenho saudades de me sentar ao fresco no próximo Verão, no portal da casa da terra. E de me falares do chato do meu pai.
Tenho saudades de me sentar ao fresco, no próximo Verão, no portal da casa da terra. E de me falares da chata da minha mãe.
Tenho saudades de te ver chegar a casa, da janela, quando vens da escola. E de te ver sair quando partes. E de, quem sabe, teres mesmo que vender umas sandocas para ajudar a pagar a estadia no Porto, que o curso de Astronomia teima em ficar-se pelas margens do Douro.
Tenho saudades de olhar o espelho e ver mais umas tantas preguitas (se não for assim, itas, acaba, mesmo, por meter psicanalista…) e decidir pela enésima vez que é desta que vou para o ginásio.
Tenho saudades de voltar a sentir a tua mão na minha pele. E a minha na tua. E a tua boca. E o teu cheiro.
Ok, por enquanto as do futuro ainda contrabalançam. Bora aí esquecer as pregas (consegui!!! sem itas!!!).
Tinha saudades de escrever...
Publicado por Isabel Faria às 11:10 PM | Comentários (3)
Será???????

Não me apetece fazer um post. Até porque ainda nem acredito que vá entrar...E depois tinha que ser um post de ressaca e muita, muita neura...e algum (sou uma comedidazinha) mau feitio...gosto de dar sempre segundas, terceiras, quartas...ok, sou uma mãos largas a dar oportunidades...
Peço desculpa em nome do Troll a todos os nossos amigos e comentadores (quem não gosta de nós também está incluído...), apesar de não termos nem responsabilidade nem meios de contrariar este apagão...obrigado a todos os que nos enviaram Emails (desculpem a falta de tempo em responder pessoalmente a todos...), a perguntar se estavamos vivos...estamos, um cadito fulos mas vivos.. .pode ser que logo volte. É uma questão de mais uma água das pedras....
Publicado por Isabel Faria às 06:04 PM | Comentários (5)
agosto 28, 2006
"United 93"

Ontem fui ver o “United 93”. É um filme que parte da versão oficial do que se passou. Quanto a isso não vale a pena aqui discutir. Mas, partindo dela, gostei. Não é um filme demasiado “americano”. Não nos enche de patriotismo balofo e folclórico e não nos invade com maus e com bons.
Mostra-nos que nos momentos de fazer opções, no medo, na angústia somos todos humanos. Com o medo, todos, terroristas e passageiros, rezavam. Antes de tomar o avião, um dos ocupantes, o que até ao fim mostrará sempre maior hesitação, telefona a alguém que não atende o telefone e deixa no voice-mail, a frase que será ouvida muitas vezes, mais tarde durante a ocupação do avião, pelos passageiros que conseguem telefonar: Amo-te.
Há uma cena, quando já tomou o avião e que está sentado nos comandos com ele completamente descontrolado, que aperta o cinto ...como se, afinal, naqueles momentos que antecedem o fim, se perdessem todas as certezas e se a vida teimasse em nos agarrar.
Claro que depois é uma visão que pretende dar-nos algum heroísmo "politicamente correcto". Afinal, trata-se do único vôo em que os terroristas não conseguem atingir os seus objectivos...os passageiros tomam o comando e o avião acaba por se despenhar no chão sem fazer outras vitimas, além dos que nele embarcaram.
Ao mesmo tempo mostra-nos como as respostas foram demoradas e ineficazes. E enche-nos de imagens de postos de controle cheios de luzes e de botões...4200 aviões no ar, ao mesmo tempo...não dá para imaginar...
Para mim, que tenho um verdadeiro terror a embarcar dentro de uma coisa daquelas, teve, mais uma vez, o efeito de todos os filmes que tratam de assaltos, desvios, acidentes...aquelas imagens em que antes de embarcar ou já sentados nos avião, nos mostram pessoas iguais aos milhares de passageiros que embarcam ou que se sentam...iguais a mim, quando embarco ou me sento...não me descansam nada. Na próxima vez...ok...é melhor não pensar muito nisso que esta manhã acordei com a tensão altita...
Publicado por Isabel Faria às 12:35 PM | Comentários (2)
agosto 27, 2006
"às vezes há a necessidade de fazer substituições"
Segundo o Público, Maria das Dores Meira, a próxima Presidente da Câmara de Setubal, visitou a Festa do Avante, congratulou-se com o facto do PSD ter desistido de pretender eleições antecipadas, chamou-lhe "recuo significativo" e respondeu de uma forma clara às perguntas dos jornalistas sobre qual a razão do afastamento de Carlos Sousa: "às vezes há a necessidade de fazer substituições".
Ficamos todos esclarecidos com a resposta e descansados com o "recuo significativo". Os amigos são para as ocasiões. E as alianças, afinal, funcionam, mesmo.
Publicado por Isabel Faria às 04:56 PM | Comentários (6)
agosto 26, 2006
O que são um milhão e 700 mil Euros?
Sabia que ontem de manhã Sá Fernandes daria uma conferência de imprensa sobre a Infante Santo.
Procurei ontem quando cheguei a casa. Nada. Não há jogo do Benfica. O Gil Vicente e o Belenenses…a Liga fez não sei o quê…voltei a procurar esta manhã…a Liga ainda continua a fazer não sei o quê e o Belenenses e o Gil Vicente…ah, entretanto, hoje também deu para saber que o Porto ganhou ao União de Leiria.
Agora, ao abrir o Email, já á pressa porque tenho que sair e vou ficar com menos acesso ao computador, tinham-me enviado uma noticia da RR on line (confesso que nunca abro a RR on line. Quem me manda ser preconceituosa?).
Sá Fernandes denunciou, ontem, que Carmona mentiu quando disse que Vitor santos já tinha pago a totalidade das dividas e que as obras poderiam continuar. Afinal, falta, para além de taxas, o pagamento do terreno que o condomínio ocupa e é terreno municipal. Os tais meia dúzia de centímetros de que fala Fontão de Carvalho. Que, segundo Sá Fernandes, valeriam cerca de um milhão e 700 mil Euros, se a Câmara quisesse vender…coisita pouca, portanto. Que dá para entender que a Autarquia perdoe a Vítor Santos, tipo gratificação por mérito, e que os jornais e rádios e televisões, pelo menos on line, omitam…o que são 1 milhão e 700 mil Euros que se devem ao munícipes de Lisboa comparados com o problema das despromoção do Gil Vicente ou do Belenenses? Ou a vitória do Porto? (desculpem-me os adeptos de futebol…isto nada tem a ver com eles. Apenas com as prioridades e as opções da nossa Comunicação Social).
Publicado por Isabel Faria às 12:14 PM | Comentários (3)
Gosto de os imaginar como eu...ou eu como eles???

Como que para repudiar a arbitrariedade com que se despromovem planetas, o Universo continua a sua viagem. Feita de encontros e de desencontros. Como todas as viagens. Amanhã, logo de manhã, Vénus e Saturno encontrar-se-ão num ponto qualquer do céu. Por momentos, Vénus quase tapará Saturno (ou será o contrário?). Não me parece que esses pormenores interessem a qualquer um deles. Nunca interessam quando há encontros. Depois, afastar-se-ão de novo. Vénus encontrará outros planetas. Saturno também. Mas nenhum deles se esquecerá deste encontro. Como nós nunca nos esquecemos. Algures, numa dessas viagens, encontrarão Plutão, e não lhes interessará minimamente o que uma votação arbitária e prepotente dele entendeu fazer. Será um encontro único. Como todos os que temos na nossa vida. Como todos os que têm na vida deles.
Os antigos diziam que quando os planetas se encontravam era um mau presságio...felizmente que com o tempo os desmentimos. Um encontro nunca pode ser um mau presságio ...apesar de sabermos que as partidas custam....
Gosto de imaginar que, no Céu azul escuro (ou será preto?) de uma qualquer noite, há sempre um Planeta ou qualquer outro corpo celeste a sorrir por um encontro. Ou a entristecer-se com um desencontro...acho que me sinto acompanhada.
Publicado por Isabel Faria às 11:09 AM | Comentários (3)
Etiquetas

Às vezes olhamos para pessoas e não sentimos empatia. Vimo-las durante muito tempo, regularmente, mas a empatia que não se cria, até nos faz nunca lembrar o nome. Normalmente não nos fala e colamos-lhe a etiqueta de antipático. Depois, habitualmente, temos uma quantidade de pontos de vista diferentes sobre uma quantidade de coisas. As vezes em que chegámos à fala, foi para discutir essas divergências. Calha até, termos o azar dessas pessoas, com as quais não criámos empatia e que nunca nos lembramos o nome, terem uma forma de discutir pontos de vista que nos chateia. Pomos-lhe a etiqueta de sectários.
Encontramo-nos ao principio da noite. Temos uma tarefa pela frente. Criamos uma equipa a dois para a executar. E seguimos. Logo em Entrecampos, cai a primeira etiqueta. não fazemos ideia como, possivelmente foi uma palavra ou um gesto que a descolou.
Depois, à medida que descemos a Cinco de Outubro, falamos de cinema e de livros, contamos-lhe coisas de um passado que só conhece pelas histórias que dele ouviu ( ter um ano no 25 de Abril tem destes inconvenientes), falamos de coisas tão diferentes até chegar ao Saldanha, que, ali mesmo na esquina com a Praia da Vitória, há muito que a outra etiqueta ficou, algures, perdida… na próxima discussão, vamos continuar a levantar a voz, quem sabe bater na mesa, mas de certeza que não seremos capazes de encolher os ombros… e durante umas horas ficamos a pensar nas pessoas que nunca verdadeiramente conhecemos por não termos tempo nem vontade de confirmar que muitas etiquetas se descolam milagrosamente se tivermos tempo para as descobrir.
Não te imaginava nada assim…
Nem eu…
As etiquetas eram, portanto, mútuas.
Publicado por Isabel Faria às 01:31 AM | Comentários (2)
agosto 25, 2006
Dias-a-dias

Coisas do dia a dia...faits divers...quotidiano...sei lá. Umas notas, para fazer jus à fama que vocês até sabem o que é o meu jantar...(com alguns conselhos de borla a acompanhar...)
A tal com conselho em anexo:
Nunca, mas por nunca ser, usem a transferência bancária para pagar as vossas facturas. Sobretudo da TV Cabo. Há milhares de caixinhas MB por ai espalhadas e aquela treta dos clones até já foi descoberta e os clientes reembolsados.
No dia 31 de Julho quando voltei de férias, tinha uma factura de 266.13€ da TV Cabo para pagar. Tive que me agarrar à mesa para não me dar uma coisinha má...depois de muito pensar concluí que aquilo só podia ser erro. Até pago por transferência bancária, pensei. Contactei os senhores. Ah, desculpe. Foi erro informático. Claro que não lhe vamos debitar essa quantia.
Dia 8 de Agosto o banco paga 266.13€ Euros à TV Cabo.
Dia 9 de Agosto, telefono aos senhores. Ah, desculpe vamos já tratar do assunto. Amanhã contactamos para confirmar que está tudo ok...mas ok, como?...ok...pronto. Fiquei à espera.
Dia 11 de Agosto. Até agora ninguém ligou...mas qual é o problema? Ah, mas não está cá nada...vai seguir para o nosso departamento financeiro, com carácter de urgência.
Dia 15 de Agosto, aproveitando o feriado, estamos a tratar disso. Alguém a vai contactar. Mas para quê? Alguém a vai contactar. Alguma impaciência na voz.
Dia 18 de Agosto, vou passar aos assuntos urgentes, que têm que ser tratados hoje. Fique descansada. O meu nome é S e vou ficar encarregue do seu caso. Amanhã contacto-a a fazer o ponto da situação.
Dia 22 de Agosto, está aqui escrito que a TV Cabo vai usar este avanço para as próximas facturas... QUÊÊÊÊ??? Pois, assim nos próximos sete meses não precisa de pagar...Nem pense. A TV Cabo não vai ficar com os meus 207 Euros. Quero o meu dinheitro na minha conta até ao final do mês ou meto-vos em tribunal. Ah, espere, só um bocadinho...afinal, está aqui escrito que lhe foi enviada uma carta para a Sra. assinar e para receber um cheque para depois ir receber...deve receber amanhã...amanhã é Sábado...ah, pois...Segunda Feira. Ok.
Segunda Feira, conto o resto.
A da necessidade urgente de ajuda médica:
Trouxe-te uma prenda das férias. Vens cá buscar quando? A falta de tempo foi adiando. Ontem à noite. Olha dá para passar lá hoje? Claro que dá...
Vou ali buscar. Espero que gostes. Está aqui no armário da confusão (um deles, há mais uns tantos, mas são especializados em papeis e assim, aquele é o único, abrangente...). Alguém sabe da prenda, faxavor? Já corri a casa toda. Aquilo é grande. Está embrulhado num papel cheio de cores vivas. Falta-me o Bono. Há uns tempos que o gajo anda mesmo com ar de porteiro.
A da admiração
Tive que tratar de um assunto relacionado com o Parque de estacionamento aqui ao lado da empresa. Ligo o telefone e atende-me uma voz clara com o sotaque característico das linguas de Leste.
No meio da perguntas, surge a resposta: Sim, sim, sim, está à vontade...
Um pouco mais tarde: então não?
Antes de terminar: bom fim-de-semana, cá a espero na Segunda-Feira para tratar da papelada toda.
Não resisti. Há quanto tempo está em Portugal. Há 11 meses. Vim em Setembro do ano passado...
É impressionante. O tom é girissimo, e a forma como se aprendem expressões idiomáticas, como se conjuga correctamente os verbos, como se usa a frase certa com a entoação certa (aquela do sim, sim, sim, só ouvida) no momento certo, deixa-me encantada. Lembrar-me que tenho uma chefe que nasceu nos EUA e ainda não sabe falar português e está cá há 15 anos...ou que tive uma Directora alemã que esteve cá 10 e que nunca falou uma palavra de português...
Não é só uma questão de necessidade, creio. É também de cultura.
Publicado por Isabel Faria às 02:13 PM | Comentários (4)
Estou no meu lugar
O PSD diz que dá o beníficio da dúvida. O PS, que seja o PSD a demitir-se e depois se verá.
Nos momentos decisivos, afinal, continuamos a marcar a diferença.
O Bloco de Esquerda, que não tem assento no Executivo (teve 5,1% nas últimas eleições), defendeu a realização de eleições intercalares. Albérico Afonso, da Comissão Concelhia de Setúbal do Bloco de Esquerda, disse em conferência de imprensa que a solução encontrada pelo PCP depois da renúncia de Carlos Sousa, «apesar de não ser ilegal é ilegítima do ponto de vista político e ético»..
E nos momentos decisivos em que o que está em causa é a transparência, a verdade, a Democracia e o respeito pela vontade popular, eu continuo a sentir-me muito bem no Bloco.
Publicado por Isabel Faria às 12:12 PM | Comentários (1)
Um sabor qualquer

Agosto de 2006, abro os jornais on line, procuro palavras que ainda não se tenham esgotado, e apenas me recordo do refrão do Sérgio, de há trinta e dois anos.
Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
E não sei o que chamo ao sabor amargo que me fica cá dentro. Desencanto? Impotência?
Procuro uma foto, qualquer uma que possa tornar um pouco mais tolerável o sabor e só descubro a de um sorriso triste de criança.
Imagino os sorrisos tristes de crianças que permitimos nestes 32 anos, em Portugal, e o sabor amargo adquire uma outra dimensão. Culpa.
Publicado por Isabel Faria às 11:25 AM | Comentários (1)
agosto 24, 2006
Ainda Setúbal
Voltar ao tema tem a ver com o facto de eu pensar que o que se passa não se resume a uma mudança de nomes. Empacotada de que forma for. O que o PCP está a fazer em Setúbal, é uma questão de visão do papel do eleitor, do papel do candidato, do papel do autarca, do papel da Democracia, portanto. Melhor, não do papel, é da concepção que se tem de Democracia.
Conhecendo a Lai Eleitoral, não é dificil concordar que o PCP tem legitimidade para substituir os seus primeiros candidatos, pelo 3º e pelo 4º.
Como Sampaio teve quando nomeou Santana Lopes, após o abandono de Durão Barroso.
Não é, então, de legalidade que se trata. Como não era, então, de legalidade que se tratava.
As eleições autárquicas pela proximidade que o Poder Local tem com o eleitor, são, todos o sabemos, e para o bem e para o mal, eleições com enorme carácter e influência pessoal. O PCP soube-o, neste caso quando foi buscar Carlos de Sousa, apesar de não ser, seguramente, o candidato nem o Presidente de Câmara que queria ter em Setúbal. Numas eleições autárquicas, todos o sabemos, mais do que num programa, vota-se na pessoa em quem se confia para melhorar as condições de vida da sua terra. Sabendo isso, a Lei, permite candidaturas independentes. Sabendo isso, os caciques locais proliferam por esse país.
Se outra prova fosse necessária, da importãncia de quem se propõe executar o programa tem, bastaria ver os resultados das Legislativas de Fevereiro e das Autárquicas de Outubro, em Setúbal.
Em Fevereiro o PCP teve 9.733 (16.33%) votos no concelho de Setúbal. Nas Autárquicas, 19666 (40%). Partindo do principio que o PCP não acredita que cresceu para o dobro em 8 meses, o PCP sabe que grande parte desses votos foram votos de confiança dados ao candidato a Presidente.
E sabe, portanto, que está a fazer batota, quando finge ignorar isso.
Repito o que já escrevi muitas vezes. O voto não pertence ao eleito. Mas também não pertence ao Partido pelo qual foi eleito. E a única forma democrática de julgar alguém que se elege, é eleitoralmente. O que o PCP está
a fazer é sobrepôr-se aos eleitores. Como a Democracia que conhcemos, a única afinal, que mal ou bem vai funcionando, se baseia em eleições e nos seus resultados, em eleitos e nas contas que têm que prestar ao seu eleitorado, o PCP está a desvirtuar a Democracia. E está a fazê-lo de uma forma cobarde, como ontem se escrevia aqui num comentário. Deteurpando, fingindo, fazendo jogos baixos, permitindo "fugas de informação" (num partido como o PCP, imaginar que Carlos Sousa soube pela comunicação social da intenção do Partido, antes de saber pelo próprio Partido se deveu a uma fuga de informação, chega a ser cómico).
Se o PCP está tão seguro que a população de Setúbal votou num programa e que a melhor pessoa para o executar será a pessoa agora indicada para o subsituir ou qualquer outra que o Partido entenda, então porque tem medo de eleições?
Não era para ouvir os eleitores que o PCP, como toda a Esquerda, se insurgiu contra a nomeação de Santana?
Ou para o PCP manter o Poder é mais importante do que ser coerente? Ou para o PCP, o Poder, à semlhança do que se passa nos lugares em que se aliou à Direita, a fim de o manter, se sobrepõe à ética? E á vergonha?
Publicado por Isabel Faria às 07:24 PM | Comentários (12)
A limpeza

Foto gentilmente roubada ao Arrastão
Daniel Oliveira, desculpa mas é mais forte que eu...e então, depois das declarações de Jerónimo de Sousa, ontem, não há volta a dar-lhe (a forma como trata os seus ex-camaradas, é um mimo...). Não resisto. Sou uma roubadona, mas consciente.
Publicado por Isabel Faria às 12:03 PM
agosto 23, 2006
A renovação do PCP
O PCP diz que Carlos de Sousa foi afastado da Câmara Municipal de Setúbal, a fim de permitir a "renovação e o rejuvenescimento" dos quadros autárquicos do Partido.
Ficam-me algumas perguntas e outras tantas preocupações:
As perguntas:
Como é que uma pessoa em 2005 ainda não precisa de ser "renovada e rejuvenescida" e em 2006, já?
Não será arriscado para o Partido usar a palavra "renovação" assim por dá cá aquela palha?
As preocupações:
Assim, numa consulta rápida vi que Alfredo Monteiro, por exemplo, e só para não sair do distrito de Setubal, ainda se pode aguentar mais seis anos para ser rejuvenescido, mas que a mesma sorte não tem Maria Emília Neto de Sousa, que já está atrasada sete anos e que seguramente não vai sobreviver a este ano de balanço.
Partindo do princípio que a renovação e o rejuvenescimento também se vão alargar aos outros orgãos e sectores da vida do Partido, a Odete Santos, que já leva dez anos de atraso, não se safa e duvido sinceramente que o Secretário Geral chegue ao próximo Congresso. Não é por nada, mas já vai, se a memória não me falha nos 59... na melhor das hipóteses está a dever quatro anos à renovação...
Se alargarmos este raciocínio aos outros Presidentes de Câmara CDU, ao Grupo Parlamentar, ao Comité Central...não estará o Partido a levar isto muito a sério?
Se esta onda rejuvenescedora chega ao Bloco, já não tenho sequer dez anos para continuar na AF da Pena...ok, nas próximas autárquica ainda sou capaz de me safar, mas depois bye, bye Isabel.
Publicado por Isabel Faria às 07:10 PM | Comentários (9)
Entretanto , ali mesmo ao lado, na Amadora...

Entretanto, como a vida dura de quem quase não tem vida, não pára com o Benfica, nem com o Verão, ontem na Amadora, dez pessoas ficaram sem ter casa para dormir. Quando se vê as condições em que estavam, não consigo usar a expressão, casas para viver.
Duas activistas da Solidariedade Imigrante foram detidas pela Policia e o Daniel, conforme declarações ao DN, tem 43 anos, vive sozinho, não tem ninguém, não tem trabalho e pode ser que algum vizinho o ajude a não ter que ir para a rua. Ah, e estamos em Portugal, no Verão de.2006. Esta última parte digo eu. Dúvido que o Daniel tenha tempo e vontade de se lembrar disso.
Publicado por Isabel Faria às 11:05 AM | Comentários (1)
O Benfica, a menina da boutique e o Lidl

Vamos então aos factos.
A parte AJ é gira. A bifana come-se muito bem e as Imperiais, bebem-se ainda melhor. Nesta altura já eu tinha reparado, que nestas coisas de jogos de futebol, a Paridade deixa muito a desejar. Digamos, para simplificar a coisa, que nunca me vi rodeada de tanto homem. Aliás, até fiz uma comparação com uma outra situação antreior, mas não me parece muito PC falar nela aqui...
Depois entramos no Estádio. Tinham-me avisado que seria apalpada, mas não dei por nada. Receio que tenha a ver com a bifana...
Ok, então, lá dentro. Cum caraças pá, tenho que confessar uma coisa, a minha primeira ideia foi que granda comicio do Bloco que isto dava...58.610 pessoas...eu diria que até dispensava as 610 porque costumamos fazer comicios em locais pequenitos...
Não dei por o jogo começar. Os meus colegas de jogo (isto chama-se assim?) dizem que o árbitro apitou , mas deve ter-me faltado a televisão nesta parte.
Depois, fui-me entusiasmando com o desenrolar da coisa...ficava admiradissima de ouvir dizer, anda não sei quem...agrarra a bola, não sei quem...então, não sei quem...isto porque não percebo como é que todos vêem tão bem...havia lá senhores com ar de tão ceguetas como eu e chamavam os gajos pelo nome...há alguém que me explique se toda a gente vê bem os núneros e os nomes com aqueles gajos a correrem desalmadamente e se a cegueta sou só eu???
Quando foi o primeiro golo, do Rui Costa, a casa veio abaixo...toda a gente gritou, claro que eu só dei pelo golo quando toda a gente gritou, aliás, antes disto já tinha perguntado aí umas vinte vezes se era golo e tinham-me avisado que quando fosse, eu daria por isso...efectivamente dei.
Depois houve um golo do Nuno Gomes. Nesta altura, já as minhas vizinhas de trás, falavam na menina da Boutique e no cunhado. Eu penso que devo ter perdido uma parte da história, com o raio do golo, porque não deu para entender (mais ou menos até à entrada no Neno) qual era o problema da menina da boutique, ir casar com o cunhado....
Veio o intervalo. E tive a confirmação de que gosto de jogos de futebol. Havia uma fila enorme de gente na casa de banho dos homens e a minha estava vazia...até deu para escolher, entre a do canto e a do meio. Achei mal que não tenha espelhos, porque uma pessoa gosta sempre de dar um retoque no cabelo...
Voltámos e ainda houve mais um golo. Na altura do golo, e sem me perceber muito bem como tinha sido feita a transição, as minhas vizinhas, estavam a discutir os detergentes da roupa do Lidl. Os de máquina. Creio que na opinião delas, há um de caixa amarela que é óptimo. Tomei a decisão no Estádio da Luz, que este fim-de-semana vou ao Lidl.
Entretanto, saiu o Rui Costa (se não foi esta a cronologia dos acontecimentos, desculpem, mas eu estava emocionada...) e toda a gente se levantou a bater muitas palmas. Eu e as amigas da menina da Boutique, inclusivé.
Depois entrou o tal de Neno ( isto acho que me faz lembrar um peixe) e deu para ver que há linhas no Benfica. Tipo, Partido e assim... vi com satisfação que não há unanimidade. Voltei a ver isso quando da entrada do Mantorras, mas aí deu para ver que a corrente largamente maioritária, gosta do representante dos PALOP no Benfica.
Claro que não me esqueci das minhas amigas....quando o tal com nome de peixe entrou, estava eu a perceber que o problema do cunhado...é que o cunhado é cunhado, porque é irmão do marido. Confesso que com o barulho não entendi qual era o mal. Quando as coisas se resolvem em família tem sempre vantagens...pensei.
Pronto, ainda houve mais um golo. Do Petit (assim ao longe não deu para ver se Petit é nome ou se tem a ver com o tamanho). Ainda se cumpriu mais uma vez aquele ritual do apertar a mão, dar um abracito e gritar bué e depois acho que o jogo podia ter acabado ali. Não me aperece muito lógico que se ande ali a gastar energias e elecricidade (que aquelas luzes todas, deve ser uma despesa do caraças...) quando não há golos.
As minhas vizinhas, entretanto, já tinham passado à fase dos respectivos maridos e daquela mania que um deles tem de deixar a porcaria da Bola em cima da bancada da cozinha. Olhei para trás e fiz um olhar de solidariedade. Assim tipo, olhem filhas não tenho marido, mas também acho que as bancadas da cozinha podem e devem servir para coisas mais úteis e mais agradáveis. Não me pareceu que tivessem entendido. Mas, como o jogo já tinha acabado, me prometeram que me vão voltar a levar, quem sabe nos voltamos a encontrar e eu lhes posso dar a minha opinião sobre bancadas de cozinha. Espero, até, que , na altura, já me possa pronunciar sobre a qualidade do detergente.
Pronto. Saimos. Vim para casa. Bebi leitinho e adormeci como um anjo.
Gostei. Claro que tenho uma pedra no sapato: não vi a águia. Mas também quem é que vê tudo na primeira vez, né??? Ainda hoje me falta ver umas tantas coisas...ah, desculpem, agora já estava a divagar...
Publicado por Isabel Faria às 10:40 AM | Comentários (13)
agosto 22, 2006
Mazen, o nosso amigo libanês

A Émièle, chamou a atenção neste post.
Eu fui lá espreitar.
Só me posso juntar à Emiéle e divulgá-lo.
É um hino á cor, ao humor, à Paz , à ternura, sobretudo, à Vida.
Vindo do Libano. Apenas me apetece dizer: Bem vindo Mazen. Obrigado.
Publicado por Isabel Faria às 12:33 PM | Comentários (2)
Esta tarde

Atão é assim.
Já vos contei que sou virgem es estádios de futebol, jogos e afins. Aliás, antes de vir para o Troll, até era virgem em futebol, mesmo. Depois, e porque me ameaçaram, que se não fizesse umas postas (são os gajos a falar...), sobre futebol, rescindiriam o contrato, comecei a aventurar-me ...entretanto, já tinha aprendido o que era um fora de jogo (entretanto, já me esqueci) e mais umas coisas que também já me esqueci. Cavaletes, canivetes??? Sei lá...umas coisas quaisquer que é abrir as pernas e a bola passar p’lo meio ( Dani, please...qual é mesmo o nome daquilo que não sei quem fazia???).
Depois, à medida que me ia especializando na coisa, iam-me prometendo que um dia me haviam de levar a um estádio...mais ou menos ao mesmo tempo que começaram a prometer que haveriam de me oferecer um perfume...
...ok, o perfume continua sem cá chegar...mas, uma alma caridosa, tipo uma pessoa simpática, mesmo, daquelas pessoas solidárias que estão dispostas a contribuir para a felicidade dos outros seres coitadinhos, ofereceu-me um bilhete para o Estádio da Luz...meninos, gente, a partir desta tarde, vou deixar de ser virgem em estádios !!!
E para que conste, não foi nenhum dos meus colegas, gajos que andam para aqui a fazer posts sobre o Sporting, o Benfica, que metem músicas e fazem relatos de desafios, que tiveram a boa-vontade, o altruísmo, a simpatia e mais uma porrada de coisas que não me vêm á ideia porque estou emocionada e nervosa com a primeira vez que se aproxima a passos largos, de me convidar...que fique para a história deste Blog, que estou rodeada de seres insensíveis, com uma ausência total de cavalheirismo.
Disse.
Publicado por Isabel Faria às 11:47 AM | Comentários (6)
agosto 21, 2006
Tem que ser...
Desculpem, mas eu hoje estou tão cansadinha, trabalhei tanto, cóitadinha, que está mesmo na hora...
Só queria saber, para ir dormir com os anjinhos (deixem-se de bocas foleiras, que há coisas piores...) se fico bem com este penteado? E se curtem a gola. Então, amanhã a gente vê-se...eu prometo que conto o que é que vou fazer à tarde...se vocês me prometerem que não se convencem que me passei de vez...
Publicado por Isabel Faria às 09:38 PM | Comentários (3)
Não se mata nem se morre por amor
Há títulos que me fazem alguma confusão.
Portugueses continuam a matar e morrer por amor.
Não se mata nem se morre por amor. Por mais romãntico que isso nos apareça. Ou por mais cruel. Mata-se e morre-se por egoísmo, por rancor, porque não se suporta o fim do amor, por ciume doentio, por medo, porque não se suporta o espelho, o da alma ou o outro, mas por amor, não.
A única coisa que admito que se faça por amor, é amar. Claro que admito que entrem aqui uma porrada de verbos, chatos e foleiros: às vezes, sofre-se, outras magoamo-nos, outras aimda choramos.
Mas morrer ou matar por amor, não me venham com histórias. Quando se quer morrer ou matar, já há muito que se matou o amor. Em Portugal, na China ou em Marte.
Publicado por Isabel Faria às 11:58 AM | Comentários (10)
Srebrenica

Nesta coisa de culpados e inocentes. E de carrascos e de vítimas, possivelmente, a única certeza que se pode ter, é que o homem deixa tantas vezes de ser Homem.
Publicado por Isabel Faria às 09:31 AM | Comentários (2)
agosto 20, 2006
Legenda de foto

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinicius de Moraes, Precisa-se de um amigo
Publicado por Isabel Faria às 09:25 PM | Comentários (8)
Hoje acordei assim...

Não tenho nada para dizer. Não me apetece ouvir o que têm para me dizer. Não me apetece ver o que não quero ver.
Nota: Isto não tem a ver com o fim-de-semana. Agrava-se no fim-de-semana, porque durante a semana não tenho tempo para pensar...no que vejo e não quero ver, no que não vejo e queria ver, no que ouço e não me apetece nada ouvir, no que não ouço e adoraria ouvir. E que não tenho nada para dizer...
Por isso, durante a semana, porque não tenho tempo para pensar, vou-me convencendo que não vejo (ou que vejo?), que não ouço (ou que ouço?) e que falo ( e me ouvem)...mas é só porque duramte a semana tenho essa dádiva suprema: passam-se dias em que não tenho tempo para pensar.
Publicado por Isabel Faria às 11:58 AM
Representamos os Partidos ou os eleitores?
O Público publicava hoje esta notícia. Sempre que vejo qualquer notícia no Público, desde há muito que a minha primeira reacção é de desconfiança. ...mas a ser verdade...
Confesso a minha ignorância, àcerca do trabalho realizado por Carlos de Sousa e pelo seu vereador (talvez algum colega meu de Blog, aí da Margem Sul, me possa elucidar...podem?).
Compreendo que se pode ser eleito por um Partido para um cargo politico e fazer-se uma politica que esse Partido não subscreva. Que critique. Que não considere coerente com o programa que foi apresentado ao eleiitorado .
Mas, em última análise, quando se é eleito para um cargo político continua-se a representar o Partido ou Organização, pelo qual se foi eleito, ou os eleitores que nos elegeram? Isto é, é ao Partido que cabe pedir aos eleitos que se afastem, eufemismo, creio, para lhes dizer vão-se embora, ou aos eleitores que os elegeram que cabe sancionar ou não o trabalho desenvolvido, democrática e livremente no próximo acto eleitoral?
Publicado por Isabel Faria às 11:22 AM
agosto 19, 2006
Entre a espiral e o labirinto, escolho o quê?

Ali em baixo, o Chico Zé, lançava-me o desafio…da verdade. O Troll não é um Blog sobre filosofia, mas nada nos impede de…filosofar. Dizia. Concordo. Não é, no entanto, uma tarefa que se faça de ânimo leve, esta. Requer que se escolham as palavras e se clarifiquem as ideias. O nosso conceito de verdade, a importância que damos à sua procura, talvez a mágoa de a julgarmos e sentirmos inatingível, torna fácil a desculpa que é uma tarefa demasiado hérculea, para ser tomada em mãos num Blog. Seja ele qual for. E talvez a ideia de Blog, mesmo, algo que se digere de imediato, algo que nasce do imediatismo do passado, da importância absoluta do presente e que assume a sua total incompatibilidade com o futuro, tornando-se obsoleto, velho, desactual no minuto a seguir, torne a dissertação sobre a verdade, algo não só trabalhoso, como, essencialmente, incompatível. Ou inútil?
Para tornar isto compatível com um Blog (ou com este Blog?), talvez a única safa, e porque sempre a mim me agarro como muleta, seja para falar de vida, de medo, de paixão, de dúvidas, seja também ousar fazê-lo para falar de verdade.
Creio que cresci, sem mesmo de isso me dar conta, imbuída naquele conceito existencialista, que a única verdade é o estado passageiro da nossa passagem por aqui, de que a nossa passagem é sempre angustiante dada a inevitabilidade da única certeza, a da morte iminente, desde o dia, em que, pela primeira vez, espreitamos o olhar enternecido, assustado ou inebriado da nossa mãe. Quando se cresce, mesmo inadvertidamente e quem sabe se contra a própria vontade (sempre tive momentos em que me questionei se a fé na não inevitabilidade do fim, não seria uma muleta muito mais airosa, do que a angústia que essa inevitabilidade provoca, sem nunca ter conseguido, em momento algum da minha existência, a ela recorrer), é inevitável continuar nesse caminho e ser-se levado também à “verdade” da inexistência de alguém que cá nos trouxe. Por sua exclusiva e egoísta ou altruísta vontade. O não ter tido quem tivesse tomado em suas mãos a responsabilidade de me ter colocado aqui, dá-me um trabalhão enorme. Deixa-me sozinha para tomar as minhas decisões, fazer as opções e, mais e pior do que isso, retira-me desculpas e almofada, para ajudar a suportar a dureza da parede cada vez que nela bato com a cabeça.
Creio que é aqui, para ajudar nesta difícil tarefa de me aguentar sozinha e de aceitar que sou a única responsável das asneiras que faço, que me surge a “verdade” dos princípios.
Fazer da minha passagem por aqui, da forma como passo e das pessoas que procuro para comigo percorrerem o caminho, procurando ser fiel a princípios, que são a minha única aproximação de verdades, é a minha única safa. Qualquer outra será incompatível com este maldito defeito cartesiano (?), que me leva a duvidar de tudo e, sobretudo, de mim. Sistemática. Teimosa e dolorosamente.
Há uns anos, num momento trágico da minha vida, algumas vezes me questionava se estava a ser fiel a alguns princípios “sagrados”. O de que a passagem por aqui tem que ser uma passagem de busca da felicidade, do bem-estar. Aqui e agora. E o meu dever de me incluir nesse bem-estar e nessa felicidade. Aos poucos reentrei nesse, que considero, meu direito inalianável. E fui reaprendendo a suportar a angústia do fim. Que fui tentando tornar suportável. Aliás, a certeza dessa inevitabilidade, quando conseguimos que se torne suportável, dá-nos uma premência de procura da felicidade e do bem-estar aqui e agora, que nos impede de aguardar, de não lutar por os alcançar. E esse direito à procura diária da felicidade, apesar da angústia de a saber sempre inatingível e passageira, tornou-se o bocadinho da verdade, a que penso me ter tornado merecedora.
Possivelmente, um dia, terei direito a mais qualquer coisita dela. Dessa “megera”, como dizia o Chico Zé, lá mais em baixo. Terei, é essa a minha mais intima convicção, de trabalhar para a merecer. Mas, então como agora, será apenas e sempre um pedaço maior ou menor da minha verdade. Fazendo jus à importância dos princípios de que não abdico, nunca a verei como a verdade. Apenas como a minha verdade. Desta incapacidade não me creio nem com capacidade nem com vontade de algum dia me libertar. Se há algo que considero incompatível com verdade (quase tanto como discuti-la num Blog…) é a sua junção ao imperativo do verbo tomar. Toma-a, nunca.
Será sempre a minha maior incompatibilidade com a verdade. O julgar-me detentora (merecedora, talvez um dia, quem sabe…) dela.
Notas finais: Quando acabei de escrever estas linhas, tive três pensamentos. O primeiro, não era de nada disto que o Chico Zé falava e não sei porque carga de água, me deu para esta tentativa caseira de "filosofar" (claro que com aspas)
O segundo, dar razão a quantos me chamam superficial. Ter veleidades de escrever sobre estes assuntos, num intervalo de um fim de almoço e de uma saída com amigos, num Sábado à tarde, manifesta, pelo menos, uma dose razoável de leviandade...mas, paciência. A "verdade" é que já não me apetece muito mudar...e o tempo impediu-me de ir à praia, como previsto.
O último foi: isto é um post enorme, para além de lhe fazeres uma entrada alrgada, deverias encontrar uma fotografia, que o tornasse mais...airoso. Pois...uma fotografia para "a verdade". Entre a espiral e o labirinto, a "megera" não me permite escolher. Ficam as duas, portanto. Ou seja, mais uma prova que não sou mesmo capaz de ter certezas...nem uminha, para ilustrar um parvo dum post.

Publicado por Isabel Faria às 04:23 PM | Comentários (2)
Quem será o próximo?
Quem acusa Israel de agressão. De não respeitar os direitos dos palestinianos. Nem a sua vontade, livremente expressa, mente. Israel mostrou-o, de novo, esta manhã
Quando chegará a vez de Mahmoud Abbas ?
Entretanto, no Líbano, Israel volta a mostar a sua vontade em cumprir os compromissos que assume e aceita.
Publicado por Isabel Faria às 11:53 AM | Comentários (1)
agosto 18, 2006
Haverá algum xarope ou comprimido?
Há alguns tipo atitudes que me fazem passar da cabeça. Ok, quando são atitudes, isoladas que alguém num dia mau tem, ou que me encontram num dia mau e eu faço uma tempestade...grito, faço birra, estrabucho, encolho os ombros e vou-me embora (o mais habitual) ou, na pior das hipóteses, faço algumas coisas que a seguir me ficam aqui a moer, uma quantidade de tempo, a moer de remorso e de vergonha, mesmo...como aconteceu ontem. Mas não é disso que me apetece falar...
Mas há casos em que não são atitudes. São formas de estar. É feitio, mesmo..
Não suporto pessoas que não me olham quando falam comigo ou quando eu lhes falo. Que me obrigam a parar dezenas de vezes para confirmar se me estão a ouvir, que me obrigam, mesmo, a perguntar se me estão a ouvir, falo e estão a olhar para o monitor, ou para a janela, ou para a folha A4, ou para a omeleta ou para antes de ontem...acho de uma falta de cortesia, de educação e sobretudo de uma frieza que me enerva e me dá vontade de acabar não aquela, mas todas as conversas...
Para além deste mau feitio que me faz passar das estribeiras quando tenho a sensação que me estão claramente a mostrar que estou a falar para as paredes, estou cada vez mais intolerante com a mentira. A sério. Não suporto a sensação que me tomam por parva...e depois não suporto a sensação que a mentira pode ser uma doença. Acho que há pessoas que já nem mentem, que elas próprias se convencem que estão a dizer a verdade, a sua verdade passa a ser a verdade...e a gente que pensa que estamos vacinados contra estas pragas, acabamos por nos deixar ir e acabamos por deixar que nos levem na mentira delas...mesmo sabendo, que nos estão a mentir. E para nos libertarmos completamente da teia, vimo-nos à rasquinha...
A propósito de que é que isto vem?
Olhem, tenho tido o azar de nos últimos tempos conviver com pessoas assim. De uma e outra espécie. Felizmente nenhuma tem a falta de gosto de ter as duas coisas ao mesmo tempo...mentir-me sem olhar para mim. Seria o fim da macacada.
Mas apetecia-me mandá-las dar uma volta ao bilhar grande...as que são assim, por doença ou por gene. Sou uma insensivel. Pronto. Afinal, são umas coitadinhas. Precisam da mentira para viver e têm problemas de pescoço...gostava de ser mais tolerante. Ou de encontrar algum medicamento...assim ajudava-as, tipo boa acção, e desempaavam-me a loja. Alguém conhece?
Ah e depois, já agora ajudem-me a levá-las de ao pé de mim...isto é pior que a tortura do chinês...
Publicado por Isabel Faria às 03:19 PM | Comentários (5)
O fundamentalismo bom e o mau
Não me considero detentora da verdade. Mas isto não é um retrocesso cultural e civilizacional? Não discuto fé, mas a posição que os EUA ocupam é a prova que não só os outros que são fundamentalistas, não é?
Publicado por Isabel Faria às 12:27 PM | Comentários (2)
Fotografia

Fotografia tirada esta manhã, algures na Margem Sul.
Publicado por Isabel Faria às 10:00 AM | Comentários (4)
agosto 17, 2006
Aziz Doweik continua detido em Israel
O Presidente do Parlamento palestiniano continua detido em Israel. O Hammas, de que é, dirigente ganhou as eleições na Palestina. Aziz Doweik, foi eleito pelo povo palestiniano em eleições que a Comunidade Internacional considerou livres e democráticas. Logo, Israel mantém sob prisão o Presidente do Parlamento Palestiniano, eleito em eleições livres e democráticas. Ao mesmo tempo, foram detidos mais ministros e deputados. Estes, se as eleições que a Comunidade internacional reconheceu funcionam da mesma forma que as nossas, também foram eleitos pelo povo palestiniano.
Segundo a notícia, o Presidente eleito contestou aos jornalistas a legitimidade de Israel prender representantes eleitos pelo povo palestiniano. Em eleições reconhecidas internacionalmente.
Se não tivermos uma mente muito tortuosa e se não tivermos dois pesos e duas medidas, se acharmos que a Democracia não pode ser um conceito oco e vazio, também temos que contestar. Ou não?
Publicado por Isabel Faria às 07:50 PM | Comentários (4)
Tarde de mais???
Não contesto a liberdade do jornalista que fez este texto com este título: Marcelo chegou tarde de mais (Isto é um ponto prévio para não haver confusões).
Como se, apenas, de tempo ou de falta dele se tivesse tratado. Esta tentativa constante de branquear e de distorcer a história, de que este título e este texto é, apenas, um inocente exemplo entre as que por aí proliream, não me parece que não se deva denunciar. A chamada Primavera marcelista não encontrou uma solução para a Guera Colonial e continuou-se a morrer em nome da Pátria. Não pôs fim à censura. E a PIDE continuou a matar:
" 1968, Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;
1969, Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;
1972, José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na "fuga-libertação" de Alcoentre, em Junho de 1975;
1973, Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão".
Quando ali em baixo falava em afronta era isto que queria significar. Na história que eu conheci e vivi, nos últimos anos do Regime continuou-se a morrer e a matar. Continuou a haver censura e a haver perseguições por delito de opinião. Continuou a haver fome e continuou a sair-se do País para poder sobreviver.
Façam-me um boneco a dizer que o Marcelo era um santo, cheio de boa vontade, com uma argolinha na cabeça, pobrezinho que só não fez mais porque não o deixaram, e esperem sentados que eu não venha para qui chamar uma porrada de nomes a quem o fizer. Mentiroso, por exemplo. Para ficar com um meiguinho, dado o adiantado da hora.
Publicado por Isabel Faria às 05:10 PM | Comentários (7)
Os cartoons

Como aqui há uns meses me insurgi contra as reacções violentas aos cartoons de Maomé, e à pressão que os movimentos radicais muçulmanos tentaram fazer sobre o Governo Dinamarquês para que os proibisse e punisse os seus responsáveis, acharei hoje rídicula qualquer reacção aos que estão desde ontem expostos em Teerão e que pretendem "questionar" o Holocausto.
Como, aqui há uns meses, realcei o mau gosto dos primeiros e entendi a afronta que poderiam significar para os Muçulmanos, continuo hoje a realçar o mau gosto dos que por aí circulam e a entender a afronta que representam.
Não sou moralista. Mas não aceito que se reescreva a história a nosso gosto e conforme as nossas conveniências do momento. Não é por Israel ser hoje um Estado agressor, violento, qua impõe a guerra e ocupa um País, que deixo de nutrir um profundo respeito e pesar por todos os judeus que Hitler perseguiu e matou. E pelos comunistas. E pelos homossexuais. E um profundo repúdio por todas as tentativas, venham elas de onde vierem, de "branquear" crimes. Sejam eles feitos sobre quem for.
Se me viessem dizer, em nome de que conveniência politica fosse, que o Tarrafal e Caxias e o Aljube e a António Maria Cardosos não existiram. Se me viessem mostrar cartoons com os anti-fascistas mortos em Portugal, contestando a veracidade ou as razões da sua morte, claro que respeitaria a liberdade de quem professasse essas ideias, de quem fizese esses bonecos, mas manifestaria o meu total repúdio pela afronta. De mim, não esperem dois pesos e duas medidas. E já agora, de mim, não esperem que me esqueça que no Irão não se aceitaram os cartoons de Maomé. A difrerença entre a Liberdade e a falta dela, é que nós temos a obrigação de aceitar a publicação e a distribuição de bonecos de mau gosto. Mesmo que nos toquem em lugares que nos são caros, como a história da luta contra a barbárie e pela liberdade, por exemplo. Mas também temos a obrigação de não calar que o reescrever da história do Holocauto, é repugnante. É absurdo. É, no fundo, porque pretende calar e apagar crimes, profundamente desumano.
Acho rídicula qualquer reacção aos cartoons, agora publicados. Acho repugnante que se "brinque" com a vida humana. Coíbo-me de dizer que, para uma ateia como eu, muito mais repugnante do que com qualquer Deus. Mas sei que este juízo de valor, não tenho o direito de fazer.
Mas também não dou a ninguém o direito que, por mim, o faça.
Publicado por Isabel Faria às 01:41 PM | Comentários (6)
agosto 16, 2006
...e post assim...

Foto: Mirabela Saru
Não sei há quantos anos deixei de me preocupar em definir o que sinto. Quando era novinha, sim. Aquelas dissertações se era paixão, amor, atracção, se era passageiro ou para a vida (confesso que quando era novinha, era sempre para a vida...), ocupavam-me horas. Lembro-me que antes de adormecer, a minha cama era uma autêntica palestra. Entre eu e eu. Às vezes até eu, eu e eu. Creio que chegávamos a ser quatro na cama.
Mas, como escrevi ali atrás, com o tempo comecei a adormecer sem “palestrar” comigo .Sobre nomes de coisas. E deixei de me preocupar em lhes dar nomes, mesmo. Quando muito, faço uma lista onde meto as sensações todas. E guardo, bem guardadinha para um dia, quando voltar a apetecer-me baptizá-las, ou tiver insónias, mostrar a algum entendido e perguntar, então vá lá, isto é (era) o quê?
Se me pedisses e eu pudesse dava-te o Mundo. Não posso, mas eu sei que tu sabes que eu te daria o Mundo. Se pudesse.
Quando as coisas ficam pretas, quando o Sol se esconde, quando preciso de um ombro, é em ti que penso.
Quando quero o Mundo, mas sei que apenas me podes dar uma palavra, ou mesmo que não possas, continuo a querer o mundo a a ficar apenas com a palavra. Ou mesmo sem ela.
Se me pedirem para definir amigo, penso eu ti. Se me pedirem que pense em ternura, penso naquela moínha que sinto aqui num lugarzito que deve ficar entre o estomago, o coração, a alma e o olhos e que aparece sempre que te toco. Ou mesmo que não te possa tocar.
Se me pedirem que defina prazer, penso no que me dás. Se pedirem que defina desejo, sinto-te.
Se me pedirem que defina vida, falarei em acordar a teu lado. E como basta acordar a teu lado uma manhã, uma tarde ou uma noite, para ela fazer sentido. Adormecer também.
Se me pedirem para te definir...aí, não terei palavras. Que cheguem. Serás, portanto, ainda e sempre o meu Mar. E encantas-me. Muito mais que me encantaste naquela noite em que me esperaste ao fim das escadas. E muito menos que me encantarás amanhã.
Publicado por Isabel Faria às 11:10 AM | Comentários (3)
Pedido de desculpas para escrever posts assim...
Colegas, desculpem usar o Troll para isto. E leitores, comentadores e amigos que por aqui passam, também. Eu prometo que se não se zangarem muito, eu, de vez em quando, também escrevo sobre o Líbano, o Sócrates (brr), até sobre o Bush (brrr, brrr). Mas por favor deixem-ne usar o Troll para mandar umas cartas. E para falar no Bono. E na Lua. E no jantar. Senão eu fico triste. E triste sou uma chata do caraças...
Publicado por Isabel Faria às 11:01 AM | Comentários (9)
agosto 15, 2006
Quanto tempo falta para as próximas autárquicas?
Há pouco menos de um ano, em Setembro de 2005, um mês antes das eleições autárquicas, no mesmo dia eram inauguradas cinco piscinas municipais, na cidade de Lisboa.
A campanha eleitoral estava já ali.
Hoje, menos de um ano depois da inauguração, quando as próximas eleições ainda vêm longe, no primeiro Verão, em bairros onde muitos habitantes não deverão ter hipótese de ter outras férias e outros banhos senão os das piscinas que Carmona Roderigues, então, inaugurou com pompa e circunstãncia, três delas - Ameixoeira, Vale Fundão e Oriente estão encerradas por falta de cloro.
A situação há muito que tem sido denunciada. Sá Fernandes esteve lá ontem e enviou uma mensagem urgente a Pedro Feist. Agora resta esperar pela resposta. Sem piscina. Porque a CML só se lembra dos moradores de Marvila, da Ameixoiera, dos Olivais...em alturas de campanha eleitoral? Ou porque não tem dinheiro para comprar o cloro necessário? Ou por desleixo puro e simples?
Eu, na minha vontade de ajudar, sugeria que a CML usasse algum do dinheiro que Vitor Santos, uma semana depois do embargo, já deve ter sido obrifgado a pagar do alvará do condomínio da Infante Santo. Ou será que ainda não pagou?
Publicado por Isabel Faria às 09:05 PM | Comentários (6)
Temos um colega novo!!
Quem tem a culpa disto é o Fernando. Deixou um comentário a falar numa coisa qualquer sobre o Troll no DN, não consegui resistir à curiosidade (é um cadito do meu post sobre a esparança que os libaneses precisam de encontrar para se convencerem de que a guerra acabou...) , como precisava de comprar uvas Muscatel (estava a desejo...nada do que possam pensar corresponde a qualquer aproximação da realidade, asseguro-vos, era mesmo desejo de gulosice) aproveitei ir ao único lugar que conheço que tem uvas Muscateis (isto tem plural? e se tem, tem acento??? sei lá...), ali em frente à Casa do Alentejo (estou a receber uns cobres para a publicidade) e comprei o Diário de Notícias. Culpa do Fernando, repito (desculpa mas já não me apetece fazer o link...dá um trabalhão!!!).
E fiquei a saber que temos um colega novo. O Presidente do Irão criou um Blog. Possivelmente para mostrar que Liberdade de expressão é algo que não falta no Irão, meteu mãos à obra e aí está. Não faço ideia como se chama porque apesar de a notícia dizer que tem versões em farsi, árabe, inglês e francês, eu fiquei pela versão em árabe (ou será farsi?). E não entendi o nome, desculpem. De qualquer forma o DN traduz umas partes que me pareceram interessantes. Para além de falar da infãncia, fala na crescente importância, para ele, do pensamento e da filosofia do "chefe divino", Khomenini.
A partir de agora, portanto, e para seguirem as pegadas do Presidente, deverão aparecer por essa Net fora, centenas de Blogs de iranianos...mesmo dos que não se entusiasmem tanto com a divindade do "chefe". Se o DN der conta, eu prometo que vos conto...
Mas agora fiquei com uma dúvida. Com a liberdade toda de expressão que é apanágio de alguns países e que se comprova com esta proliferação de Blogs, será que Abdul Aziz e Kim Jong II, também são nossos colegas?
Publicado por Isabel Faria às 04:25 PM | Comentários (1)
Os Planetas não se medem aos palmos!!!!

Ora aqui está uma notícia que me põe mal disposta logo de manhã...ok, não é manhã, mas fica bem no texto.
Acho de um mau gosto incrível pensarem sequer em tirar-me o Plutão. Ou em passá-lo para a 2ª divisão dos Planetas. Eu tenho 1,60m de altura, há gente muito mais pequenina que eu...não somos gente por causa do tamanho, é? Porque carga de água é que aquela de que os homens não se medem aos palmos não se pode aplicar aos planetas? Eu aprendi aquela ladaínha toda...Mercúrio, Vénus....Urano, Neptuno e Plutão. O e estava ali. Ninguém me vai obrigar a mudar o gajo de sítio.
E depois eu tenho outro problema grave. Há uns anos fizeram-me uma Carta do Céu. Disseram-me que tinha ascendente em Leão e puseram lá os Planetas todos...até o Plutão. E, pasme-se, disseram-me que tinha o Plutão em conjunção com o Ascendente. Não sabia o que isso significava...explicaram-me que não era muito bom...levei anos a habituar-me a esse facto incontornável, mas agora não abdico dele, assim do pé para a mão. Quero a minha conjunção. Na altura, disseram-me que teria sempre assim uns fins violentos...por causa do canochito estar naquele local. Perguntei, assustada, mortes e assim??' não, isso só morres uma vez...nas relações, por exemplo. Confesso que depois do choque inicial veio a esperança: ainda hei-de ver um homem a fazer um duelo por mim...ou a ameaçar mandar-se ou mandar-me da Ponte...ou a passar-me rasteiras...ou a ameaçar que mete a mão na tomada enquanto toma banho...até me cheguei a lembrar do Império da Paixão, acho que até do dos Sentdos...tudo coisas que o Plutão permitiria e que se mo tiram, perco, definitivamente, a hipótese de, algum dia, presenciar.
Para além de denunciar esta situação este post tem outro fim. Peço-vos que se juntem a mim e que façamos um movimento de defesa do Plutão. Tipo, abaixo assinado, manifestações de rua, envio de Emails (para os cientistas...parece que os planetas não aprenderam a ler...), etc, etc, etc..
Já agora juntamos a isso a nossa reivindicação que Xena também passe a contar como Planeta. Parece-me um atentado à paridade e aos direitos das mulheres que em 9 planetas, 7 sejam masculinos. Só admitirei mudar o e de lugar se fôr para meter lá a Xena.
Contra a despromoção de Plutão!!!!
Pelo reconhecimento de Xena!!!
Pelo fim da descriminação sexual dos Planetas!!!!
Os Planetas não se medem aos palmos!!!!
Publicado por Isabel Faria às 12:56 PM | Comentários (4)
agosto 14, 2006
Vou ver o Fu e mais o Ho
Quando o meu filho nasceu, muitas vezes, sentia falta de ter com quem partilhar os medos. Assim, altas horas da madrugada, quando, de repente, por uns minutos ele parecia ter parado de respirar…abanava-o docemente ( o docemente sou eu a dizer...o medo era tanto que não tenho nada a certeza que fosse docemente...) e já sabia. O João Pedro, que só tinha um sono pesado durante o dia, acordava de imediato. Eu tinha uma noite sem dormir pela frente, mas ele respirava…o não dormir não era assim tão importante.
Um dia tinha lido, numa das dezenas de livros e de revistas que me ensinavam que aos dois meses levantavam a cabeça, aos quatro faziam isto e aos quatro e duas semanas aquilo, um artigo sobre o sindroma da morte súbita…e o João Pedro nunca mais pôde dormir uma noite descansado, sem um abanão pelo meio. Nessas alturas, creio que teria sabido muito bem ter alguém que me ajudasse a dar o abanão…tipo dividir o resultado do dito, mesmo. E nada tinha a ver com partilhar a noite sem dormir…era mesmo só para aguentar os segundos até o abanão resultar…
Depois, ao longo dos anos, essa necessidade foi-se atenuando. Aprendeu a andar, a ficar em casa sozinho, a ir para a escola de autocarro…cada primeira vez era sempre um drama, as outras todas a seguir uma dramazinho mais miniatura, mas, a necessidade de partilhar isso, de pedir conselhos ou, apenas, que me ouvissem, atenuou-se de tal maneira que pensei mesmo que me tinha tornado autosuficientemente mãe.
O pior é agora. Usando uma linguagem popular, agora é que porca torce o rabo.
Passados estes anos todos, quem é que ia imaginar que voltava a precisar que me ajudassem a dar o abanão? E mais grave ainda, quem é que ia imaginar que quem tinha que levar o abanão seria eu?
Não têm sido dias fáceis. Há alturas em que sinto o meu filho ficar longe. Há coisas que deixou de partilhar. Fecha a porta da casa de banho para fazer a barba… Dou comigo a pensar que me trocou pela namorada e a ver-me já naquele papel das anedotas portuguesas em que há sempre uma sogra megera e rezingona que faz a vida negra às pobrezinhas das noras (normalmente é aos genros, mas aqui não dá…). Esta tarde dizia a um amigo que sinto que estou a perder o meu bebé.
Acabámos de ir buscar dois filmes ao clube de vídeo. Olha tu és uma chata, mas ainda bem que não me deixaste lá ficar mais um dia…tá bem que namoro um dia a menos, mas já tinha cá umas saudades duma cama a sério…e de te obrigar a ver um filme de artes marciais…
A pessoa onde ele passou o fim-de-semana, dizia-me, há pouco, ao telefone que o João Pedro era um miúdo tão arrumadinho…tão calmo…tão prestável…tão atento…
Cum caraças eu, às vezes, posso barafustar por ele cá não fazer a cama, e por eu o estar a chamar e não vir a correr…e por não me falar da namorada…e…por ter crescido. Mas uma pessoa gosta sempre de ouvir…já desde o primeiro ano que saía sempre inchada da escola…agora saio inchada do telefonema com a tia da namorada, que parece que já não foi e agora já é...pronto, apenas tenho que me habituar à mudança das fontes de….inchaço.
Nestes dias, difíceis porque tenho teimado em deles fazer um drama quase tão grande como a história do Sindroma da morte súbita e respectivo abanão, tenho sentido o bem que sabe poder colher informações abalizadas sobre o que é ser um puto e ter 16 anos…só conhecia a versão feminina da coisa e, confesso, essa lacuna tem sido das coisas mais complicadas de gerir… talvez nunca seja capaz de dizer como têm sido importantes e quanto me têm ajudado essas “informações”. Sobretudo porque são dadas sempre com aquilo que mais preciso de recuperar. A leveza das coisas simples. Como crescer, é. Ou ter um filho. E criá-lo.
Talvez nunca consiga dizer…Mas se algum dia conseguir terá que ser qualquer coisa como: porra pá, tenho dormido algumas noites à tua pala. E contrariamente àquelas alturas em que mais noite menos noite sem dormir, não vinha mal ao mundo…agora, a idade não perdoa. Cada vez que ouço o que se faz aos 16 anos, quando se é puto e se tem 16 anos…e comparo e sossego com a comparação…é mais uma hora de sono. O que equivale a menos uma ruga…Obrigado. Se algum dia conseguir dizer como me tem (me tens) feito bem, não me posso esquecer de agradecer as rugas…a menos.
Mãe, vens ou não vens???
Yap...
Vou ver um filme que presumo deva ter alguém com um nome Fu ou Ho...para desanuviar, diz ele..Para adormecer, receio eu. Mas seja para o que fõr...cabemos os dois no sofá novo. Viva!!!
Publicado por Isabel Faria às 11:42 PM | Comentários (6)
Puro masoquismo

Só podia ter ficado neste estado (presumo que num qualquer momento devo ter passado por alguns dos outros). Quem é que me manda abrir o DN on Line à Segunda-Feira??? e ver isto e mais isto !!!
Publicado por Isabel Faria às 11:00 AM | Comentários (5)
Sem título

Foto de Flip Pizlo
Numa cadeira vazia cabe tudo. Cabe a solidão. A esperança. A memória. A partida e a chegada.
Num caminho também.
Na volta, uma cadeira vazia no ínicio de um caminho é apenas uma espera. E se for no fim?
Publicado por Isabel Faria às 10:35 AM | Comentários (5)
Até ao lavar dos cestos...
Na minha terra usa-se a expressão até ao lavar dos cestos é vindima...Mas é uma expressão muito soft para falar de guerra e de morte. Até porque, me parece, que é uma expressão que fala de esperança...nunca se deve deisistir, há sempre uma saída.
Infelizmente a "saída" de Israel já a conhecemos há décadas. E por uma teimosia qualquer da memória, não me parece convincente que a Guerra no Líbano tenha terminado às 8 horas da manhã de hoje. Na minha terra também se diz, não me digas que ainda acreditas no Pai Natal??? E não, já não consigo acreditar no Pai Natal.
Quinze minutos antes do cessar-fogo, Israel ainda bombardeava Tiro e matava civis. Não sei qual é a expressão que se usa no Libano para dizer que até ao lavar dos cestos é vindima. Mas parece-me que os libaneses têm que fazer um esforço muito grande nos próximos tempos, para acreditar nela.
Publicado por Isabel Faria às 10:14 AM
agosto 13, 2006
Gunter Grass

É um processo doloroso o que temos que percorrer para conseguir lidar com as nossas nódoas.
Sejam elas nódoas destas ou outras mais frequentes. Com os nossos "pecados", que mais do que medo que os outros não aceitem, não somos nós capazes de enfrentar o olhar dos outros...aceitando-os. Ou o nosso.
Mas acaba por ser libertador. Pelo que conheço da natureza humana (e da pessoa e da obra do escritor) creio que Gunter Grass precisava desta confissão para se libertar do peso dela. Não belisca em nada a ideia que tenho dele. Pelo contrário, engrandece-o. Como ele diz, talvez peque por tardia, talvez tenha "desperdiçado o momento oportuno"...mas nisto de coisas cá de dentro, o tempo só é tempo, quando o tempo quer. Acabamos por ser meros executores da sua vontade. O papel principal é dele. O oportunidade não é criada por nós. É-nos imposta. A maioria das vezes por aquela parte de nós que foge ao noso controle a à nossa vontade. Por aquela parte de nós que o tempo comanda. Algumas, poucas vezes, pelos outros. E pelo tempo dos outros.
PS: Só uma nota de rodapé. Que vergonha abrir um site de uma televisão como a SIC e ver escrito no título de uma notícia : confição. Assim mesmo. Não é novidade. As notícias de rodapé que vão aparecendo nos telejornais das televisões portuguesas são um atentado à lingua de Camões...não existe a função de revisor ortográfico nas televisões e nos seus sites?
Publicado por Isabel Faria às 12:55 PM | Comentários (8)
O meu Sábado
Ontem fiz folga do Troll. Mas não se pode dizer que tenha sido um dia muito gratificante…isto é, gratificante foi, porque estive com pessoas de quem gosto muito, almocei bem, jantei bem e depressa e fui ao cinema…bem. O pior foram os pormenores.
Ao almoço com uma amiga (e prima, mas acho que a gente só se lembra disso quando falamos das semelhanças dos ascendentes…), apanhámos um susto do caraças, porque ao meio da conversa em vez de discutirmos o Bloco e a CDU (é o único defeito dela…) ou de falarmos de algo estimulante, como homens, por exemplo, assunto ao qual temos dedicado algumas (muitas) conversas ao longo dos anos, demos por nós a falar das brincadeiras, das manias, das ternurinhas do …Bono e do Romeu. Os nossos gatos. Horas a fio…
Depois de um jantar mais ou menos rápido, porque me atrasei quase uma hora e em que nem deu para conversar com um amigo com quem não falava, assim, ao vivo e a cores, há alguns meses (malditos telemóveis!!!), fui ao King ver os Amantes Regulares. Não gostei. Um filme francês sobre um grupo de jovens estudantes, aspirantes a poetas e a pintores, durante Maio de 68 e no ano de 1969, na ressaca. Soube-me a pouco. O preto e branco dá uma intensidade às imagens que creio não tem correspondência no desenrolar da história. Um filme sobre os vinte anos. E sobre fins. O fim do sonho da Revolução, o fim do primeiro amor. O fim da infância. Tinha tudo para dar um filme muito bonito, mas senti que lhe falta algo…as cenas mais fortes são as cenas de fugas, o ópio está sempre presente, mas as outras, as que falam de vida, acabam por pecar pelo imobilismo e pelo silêncio. Talvez tenha uma ideia errada, que o tempo se encarregou de fantasiar, mas aos vinte anos, acho que os sentimentos têm todos mais cor, do que a que por ali passa. Fica uma ou duas frases giras. Como a de que “O proletariado não quer a Revolução, mas que fazer? Temos que a fazer “malgré” o proletariado”, ou “Os Sindicatos têm mais medo da Revolução que os patrões. Só querem conseguir melhores salários…como se dinheiro tivesse algo a ver com felicidade”, ou uma dissertação engraçadíssima e completamente “Soissantehuitard” sobre as semelhanças entre o Maoísmo e os religiões e fica uns olhares profundos, mas que transmitem uma desesperança que acaba por ser dolorosa.
Ok, não saí convencida
Depois do cinema mais um assustador pormenor. Não nos apeteceu ir beber um copo, como tínhamos combinado (Daniel, ainda não foi ontem que fui ver a Lua ao Agito). Viemos, aqui a casa, beber…uma água. E tal como ao almoço não tínhamos falado de homens o que me parece uma falta de gosto assustadora ou um sintoma de senilidade constrangedor, na “água” passei uma hora e tal a tentar explicar ao meu amigo como funcionam …as mulheres. Pelo ar desesperado e perdido como ele saiu cá de casa, não me parece que tenha conseguido explicar o que quer que seja.
À despedida disse-me, deixa lá, é mesmo melhor voltar a pensar nas aulas e nos putos, nos meus e nos da escola e esquecer que esses seres repelentes existem…os seres repelentes, sou eu e a parte da Humanidade com as mesmas características, note-se. Ficou prometido que nunca mais dou água a alguém que anda a tentar esquecer um ser repelente. Acho que faz uma mistura explosiva. Deve ter a ver com isso a história de não poderem entrar líquidos nos aviôes...
Publicado por Isabel Faria às 11:55 AM | Comentários (2)
agosto 12, 2006
Quem liga primeiro, então???

Ontem á noite vi um programa da SIC Mulher, Eles por Elas. Este e o Elas por Eles, são dois programas levinhos para ver a um serão em que apeteça ficar em casa. Por uma coincidência engraçada, tinha estado a falar no programa e no tema de ontem, com um amigo, horas antes.
O tema era quem dava o primeiro passo. Quem é que deve ser o primeiro a “ligar”.
Como nestas coisas de relações entre sexos, o cliché pode dar um jeito do caraças, mas não passa disso…e como tenho fama de vir para aqui contar a vida, estive a fazer um esforço de memória para ver se encaixava no dito – uma mulher nunca deve ser a primeira a ligar (esta do ligar, é assim, tipo muleta…deve poder ser enviar um Email ou dizer baza aí, tomar um café, no caso de se trabalhar na secretária ao lado, por exemplo…), e não encaixo. O que me parece mal. Muito mal, mesmo. Mas não encaixo por ter a certeza que fui sempre a primeira a ligar. Nada disso. O problema é outro. Nas relações que me interessaram, naquelas em que ao clic se seguiu uns momentos (uns dias ou uns anos) bem passados, não faço ideia quem foi o primeiro a ligar…a sério. Não chego lá. Nem sei se houve norma…o que se passou a seguir ao telefonema, ao Email ou a baza lá tomar um café, encarregou-se de tornar esse pormenor tão insignificante que não chego lá…nas outras, naquelas que não valeram nada…acho que foram sempre eles que ligaram primeiro e eu que disse tou nem aí…e não foi nada para me armar em difícil ou coisa que o valha. Tou nem aí, porque sem clic, química ou outro nome qualquer não dou primeiro, nem segundo nem 36º passo…e se nalguns (muito poucos) casos, acabei por beber o tal café, penso que foi sempre um café com data certa para acabar …e que ambos o sabiamos.
Como dizia ontem a Alice Vieira no tal programa, o primeiro passo dá-se quando se acha que vale a pena dar. E dá-o aquele que estiver primeiro convicto disso. Ou que tiver o telefone mais à mão…a história de que as mulheres que ligam são mulheres “fáceis” e que os homens não gostam disso e que as que não ligam são difíceis e que os homens “adoram”, só funciona se não houver…química. E funciona para os dois lados. Também nós se não sentimos a força da tal quimica, achamos a "facilidade" deles uma chatice e se sentimos a dita achamos a "facilidade" deles uma benção dos céus. Porque, quando há clic, quimica, atracção, interese, chamem-lhe o que quiserem, fácil ou difícil, não há tempo nem disponibilidade para pensar nisso.
Claro que há o tal medo da rejeição, de que ontem alguém falava. Mas esse medo acompanha-nos em todos os estádios da relação. Aprendemos, com o tempo, que nem sempre os timings coincidem. Que, às vezes, a paixão, o amor, o clic, acaba primeiro num que no outro e que isso dói…mas se isso fosse motivo para nos tolher os passos ( e as palavras) então não fazíamos o primeiro, nem o 100º…ficávamos quietinhos no nosso canto, com medo de nos magoarmos e sem ousar …telefonar. Nem amar.
Como a memória me atraiçoa, só posso dizer que se fui eu que dei o primeiro passo, e mesmo que isso me meta num saco qualquer, estou-me bem borrifando. Os momentos que passei, passo, valem bem qualquer tipo de “etiqueta”.
Se foram os homens, que me permitiram esses momentos, a dá-lo, obrigadinho. O que vos fiquei a dever em prazer e em momentos, horas ou anos…justifica plenamente que tenham tido o telefone à mão antes de mim.
Que me lembre houve uma vez, já a relação ia em muitos momentos, em que fiquei afincadamente à espera que o outro ligasse…a relação terminou pouco tempo depois, apesar dele ter ligado.
Que me lembre, houve algumas vezes em que homens me ligaram e levaram tampa, mas tenho a certeza que eles entenderam desde a primeira vez, que iriam levar tampa…na volta eram persistentes, achavam que eu valia o esforço ou tinham um certa dose de masoquismo.
Ah e já me aconteceu levar tampas…não no primeiro mas num dos outros…porra, se custa. Mas a gente resiste. Aliás, eu acho mesmo que a gente, muito antes da tampa ser vísivel e audível, já a (pres)sente há que tempos…fingimos é que não vimos. Deve ser as alturas, as de pré-tampa, em que assobiamos mais para o lado…a não ser que seja mesmo uma relação muito importante, daquelas que não se quer perder nem morta. Mas aí, meus amigos, quero lá saber se sou a primeira, a segunda ou a única…a luta é a minha profissão.
Dou-me ao luxo de pensar que todos as vezes em que insisti, foi porque o outro merecia que eu insistisse. Creio que é a melhor homenagem que posso fazer aos homens da minha vida. E à minha capacidade em os escolher.
Publicado por Isabel Faria às 11:44 AM | Comentários (5)
agosto 11, 2006
Não percam a Lua

Afinal decidi sair um pouquinho do casulo. Só para escrever umas linhas.
Estou há duas horas á minha janela ( coincide com a do casulo). Não vi ninguém passar na rua. Ao longe vejo o Castelo. As árvores estão quietas. Mas não parecem tristes com isso. A rua está deserta, mas não parece sózinha. O calor sufoca e faz o Castelo estender-se preguiçoso. E só pode haver uma razão. A Lua. Esta Lua Cheia que se prepara para aparecer por detrás das folhas quietas. Grande. Ontem vi-a, por detrás da Gulbenkien. Amarela, uma Lua que só pode vir do Alentejo. Voltei a vê-la de manhã, branca, em cima do Aqueduto. Aí, branca, mas á mesma enorme.
Vou esperar que ela apareça. Cheia. O luar que me chega diz que mais minuto menos minuto, ela vai chegar.
O Poeta dizia: fazer um filho, plantar uma árvore, escrever um livro. Se ousasse juntar-me ao poeta: amar um homem e ver a Lua. Esta Lua. Vou esperar que ela chegue à minha janela. Se não for por mim, sei que não vai deixar o Castelo esperar.
A rua continua deserta. Também à espera...ah, e se ousasse ainda juntar algo mais ao poeta: Lisboa.
Mesmo com este calor sufocante não poderia não a respirar. Assim, transpirada..E, como eu, á espera.
Publicado por Isabel Faria às 10:05 PM | Comentários (4)
Tenham paciência...

Perdida entre a perspectiva de um fim-de-semana sem o meu filho e a certeza que só se guardar bem guardadinho, tipo tesouro mesmo, o cheiro e o sabor que invade esta tarde a minha casa poderei na Segunda-Feira, transformar-me num bicho da seda forte e grandalhão, não me apetece escrever. Nem ler notícias. Adiei uma ida ao cinema e vou ficar lá dentro, quieta e aconchegadinha (tem ar condicionado…).
Vou pegar num livro policial, levar um CD do Cohen, talvez umas uvas frescas e ficar lá até amanhã. Não quero que nada nem ninguém possa contribuir para dissipar esta brisa…nem mesmo a neura de pensar que vou passar um fim-de-semana sem o João Pedro. E mais, tenho a certeza que só por causa do tal cheiro, na Segunda…ah, já tinha dito. É melhor, então, ir…não me posso esquecer de levar o Telemóvel. Para dizer ao meu filho, porta-te bem, pelo menos cinquenta vezes…e para dizer…obrigado por existires…e por teres deixado a brisa que faz de mim um bicho da seda e peras!!!!! (se o TLM não tocar…eu digo à mesma…ou não se tratasse de uma brisa milagrosa, esta…que leva as palavras para todo o lugar onde eu as quiser fazer chegar…e traz).
Por uma qualquer avaria no sistema, apetece-me terminar este post com um Porra!!! (Para o caso de lá dentro chegar à conclusão onde está a avaria, será melhor levar a chave de parafusos??? E o alicate??? Não me parece...acho que curto a avaria).
Publicado por Isabel Faria às 07:28 PM
agosto 10, 2006
Afinal, houve embargo...
Seja qual for o desfecho, valeu a pena denunciar. Teimar.
A decisão peca por tardia e demonstra que há muito a fazer para combater as ligações perigosas e promiscuas entre as Autarquias e as enpresas de construção civil.
Afinal, quando o vereador das Finanças e mais directo coloborador de Carmona, Fontão de Carvalho, acusava Sá Fernandes de ter sido eleito para "embargar" obras, estava a ser provocador, incompetente e mal educado.
Mas também imprudente. E injusto. Mas vinda de quem vem, esta injustiça parece-me ser um elogio à actuação de Sá Fernandes.
Publicado por Isabel Faria às 11:36 AM | Comentários (3)
O dia-a-dia da mentira
Dia a dia, as notícias encarregam-se de desmontar o que resta da mentira de Bush, Blair e Durão Barroso ( então, como agora, as Lajes serviam para caucionar o apoio cego ao EUA e aos seua aliados). A invasão do Iraque não tornou o Mundo mais seguro.
Publicado por Isabel Faria às 11:06 AM | Comentários (1)
agosto 09, 2006
Novas ligações
Apesar de quase sempre muito atrasada, lá vou colocando uns links novos aqui ao lado nas Ligações Perigosas do Troll. Pedindo desculpa pelo atraso, mas apresentando como desculpa que nessas partes técnicas esta coisa é um Blog unipessoal, pois os meus colegas, coxo incluído, são infinitas vezes mais azelhas (e mais preguiçosos) que eu, ontem entraram para a lista o Caderno de Verão, que espero sinceramente não seja só de Verão, porque não me apetece andar sempre a tirar links e vale mesmo a pena uma visita diária e o Ponto sem Nó, da minha alentejana favorita, a Mar.
Aqui ( e ali) ficam, com a promessa que vou tentar ficar mais atenta, ser menos preguiçosa e mais persistente na tentativa de meter os homens da casa a partilhar estes assuntos domésticos, colaborando nas arrumações. Afinal, parece que isto é um Blog de Esquerda...
Publicado por Isabel Faria às 10:45 AM | Comentários (6)
Claro que só podia ser "bélico não ofensivo"
Um avião militar israelita fez escala nas Lajes. O Governo Português autorizou. Segundo fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros sempre que há um conflito e é pedida autorização para escala ou aterragem, esta carece de uma atenção especial. Portanto, se o Governo autoriza, se Israel está em conflito aberto, agora já não com o Hizbollah, como nos querem continuar a "vender" , mas com o Governo do Libano, partindo do principio que o Governo português lê as notícias e sabe do conflito e da fase em que se encontra é porque deu uma autorização com essa tal atenção especial, que estes momentos obrigam. Fez, portanto, uma análise cuidada da situação e optou. Tomou partido por uma das partes em confronto, Israel. Contra outra, o Libano.
Entretanto, ficaram por esclarecer o que é "material bélico não ofensivo" e quem fiscalizou o que o avião tranportava. Se bem que, no fundo, também não havia nada a fiscalizar. Todo o material que Israel usa no Libano, as bombas que destroem cidades e já mataram mais de 1000 pessoas, a grande maoiria das quais civis, é todo material "bélico não ofensivo", ou não fosse a missão de Israel uma missão "bélica defensiva".
Para nos sossegar o MNE assegura que só foi dada uma autorização para um único vôo. Esqueceu-se de acrescentar quantos pedidos já lhe tinham sido feitos por Israel...pois se, como tudo indica, houve apenas um pedido, só poderá ter havido uma autorização. E significa que o Governo Português, até agora, no conflito que opõe Israel ao Libano, respondeu positivamente a 100% dos pedidos de uma das partes em confronto.
Publicado por Isabel Faria às 10:13 AM | Comentários (8)
agosto 08, 2006
Europeus de Atletismo - um dia em cheio!!!!
Cum caraças e onde chegam os joelhos??? Uma pessoa vê a partida assim atrasadita e pensa: olha atrasou-se. Tadinho do Franciszinho, vai ficar sem medalha. Mas, de repente, começa a ver os joelhos a subir quase até à altura da cara, os braços a subirem quase até...sei lá...até metros acima da cara, tipo céu ou assim, e lá vai desta...o homem desata a correr, passa eles todos e traz-nos mais uma medalha. De ouro. Esta conquistada na pista como ele tanto queria.
Já esta tarde, João Vieira tinha conquistado uma medalha de bronze nos 20km marcha (eu ando-me aqui há meses a tentar preparar para os meus 15 lá para Setembro ...que espero fazer num dia e não precisar todos os dias do carro vassoura e imagino o que é fazer 20km em pouco mais de uma hora...é tudo mentira não imagino nada. Isto sou eu a armar-me aos cucos).
Também esta tarde um outro atleta português, Nélson Évora, tenha saltado 7,91 metros, alcançando o 6º lugar no salto em comprimento. Bem quanto a este feito nem me pronuncio sobre as minhas (in)capacidades. Saltar não é mesmo o meu forte. Costumo ter vertigens. Mesmo que seja em comprimento...tudo o que seja levanatr os pés do chão, não é comigo.
Ah, uma nota pessoal que não tem nada a ver com estes laivos de patriotismo mas que, como podem imaginar me traz alguma animação, diria mesmo, algum estímulo: uma atleta eslovena, Merlène Ottey, classificou-se para as meias finais dos 100m.
Ok...vou repetir a coisa...a atleta tem 46 anos e classificou-se para as meias finais dos 100m nos Campeonatos Europeus de Atletismo.
Isabel Faria, faxavor, se por um acaso qualquer não te conseguires lembrar dos joelhos do Francis nem da hora e pouco do João, lembra-te da Marléne cada vez que chegares ao meio (ok...a 1/3 ) da Calçada de Santana a deitar os bofes pela boca.
PS: Com o Daniel coxo do cotovelo, lá tive que tomar em mãos, de novo, a pasta do Desporto cá de casa. Espero ainda voltar hoje com boas novas sobre o Benfica...Daniel, o boneco tá de fora, pronto. Para que raio servem os amigos, né????
Publicado por Isabel Faria às 07:19 PM | Comentários (3)
Obrigado
Há alguns dias que ando para fazer este post. Mas tem passado. Não é que seja muito importante. Passam-se dias em que nem me lembro que existem. Mas...existem. O Troll desde há uns tempos que entrou na lista dos 25 Blogs mais lidos da Weblog. Já uma altura tinhamos lá estado, mas, então, nenhum de nós teve dúvidas que se tratava de uma “anormalidade” qualquer que nos punha com 8000 ou 10000 visistas por dia...
Mas agora que parece que a mania das grandezas passou ao sistema de contagem e depois de uns tempos lá por baixo, entramos nos 25 +. Ontem estivemos no 11º. Segundo este contador com 2795 visitas...
Ok, pode-se não ligar muito a isto...mas uma pessoa quando escreve...curte ser lido. Quando fala, ser ouvido...quando ...ok. Por aí adiante...
Portanto, obrigadinho. Por passarem por aqui. Desculpem se, às vezes, isto anda mais calmito mas o calor, as férias e uns tantos acidentes de percurso assim o obrigam. A gente gosta de vos “sentir” por cá...é por isso que cá continuamos.
11 + (14) * Troll Urbano * 2795 + (2206) (não sei fazer isto ficar com aquele ar...sorry...vocês vêm cá, eu agradeço...mas nada a fazer... continuo azelha!!!!)
Mas se quisrem confirmar está aqui. Com o tal ar que a azelhice não permite colocar aqui.
Publicado por Isabel Faria às 01:14 PM | Comentários (3)
Há dias assim...
Quando isto está mau, nada como o Álvaro de Campos ou o Bernardo Soares...para ficar pior. Bem hajam.

Não: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho
Publicado por Isabel Faria às 12:35 PM
No Iraque, como que para confirmar...
...e para provar que a guerra, que a invasão, que a ocupação nunca são solução. Que apenas levam a novos radicalismos, que apenas acirram ódios, que são uma espiral que nunca traz segurança nem nunca resolve os problemas, continuam a morrer civis inocentes, que apenas são culpados de ter nascido no lugar errado, na época errada. E de estarem no lugar errado no momento errado. Mais dez pessoas morreram ontem num mercado de Al-Shurja em Bagdad, vitimadas por duas bombas. A guerra civil impõe-se agora, na sequência duma invasão baseada na mentira e de décadas de repressão do regime de Sadam. E nela, diariamente, segundo a BBC, 100 pessoas perdem a vida.
Israel diz que se prepara para ocupar o Sul do Libano. Os EUA como sempre apoiarão Israel. A História continua a não lhes ensinar nada.

Publicado por Isabel Faria às 10:46 AM
agosto 07, 2006
Madonna
Foto:Portugal Diário
A habitual transgressão de Madonna, num concerto em Roma, sob o mote da paz e com as "rezinguices" habituais da Igreja.
Publicado por Isabel Faria às 07:43 PM | Comentários (4)
Lei da Paridade
Cavaco aprovou a Lei da Paridade.
Não é a minha Lei. É a Lei que sai daquele centrão balofo que agora engloba Cavaco e o Governo. No entanto, sempre achei que a Lei da Paridade seria um passo na luta pela igualdade de oportunidades das mulheres portuguesas. Já tive estas discussões vezes sem conta. Continuo a pensar que o ideal seria que as mulheres, tal como os homens, ocupassem lugares públicos por competência e por opção. Continuo a pensar que se, por opção, o quiserem fazer terão sempre o entrave das máquinas partidárias, dominadas por homens, seguramente nem sequer competentes ( basta ver a lista dos nossos deputados, nomeadamente dos maiores Partidos e as li