setembro 16, 2006

FIM

Ponto prévio:
Este post é o último na Weblog.
Não vale a pena fazer muitos considerandos...falar em incompetência, tentar entender termos técnicos, acabar por nos questionarmos sobre o porquê do "essencialmente nós". Basta dizer que nos cansámos. Definitivamente.

Há uma semana com a ajuda preciosa do Fernando tinhamos encontrado um cantinho no campo e pegado nos tarecos...só que...
...só que chegámos à conclusão que somos muito tesos para manter uma casa de campo...havia que encontrar uma casa na cidade que substituisse esta. Para onde se pudesse levar o sofá do buraco, a mão de lavar as costas...tudo. Uma casa nova. Nossa. Feita à nossa maneira.
Porque percebemos muito pouco de canalizações, de alicerces e de instalações eléctricas tivemos que recorrer a uma nova ajuda. E concluimos que esta casa de cidade poderia ser mais á nossa medida, se fosse localizada neste condomínio (que vergonha...isro é muita mau, não???). Com o apoio do Farpas (esta do apoio é piada...foi ele que fez TUDO!!!!), decidimos optar pela Blogspot. E lá estamos. A partir das 0 horas de amanhã, estaremos definitivamente AQUI. Podem mudar os vossos links, podem esquecer a casa de campo...apenas não podem deixar de nos dar o prazer da vossa companhia.
O Troll vai continuar. Sem stresses de meter comentários, de fazer posts e... bonito...achamos que aquele Troll é o legitimo herdeiro deste que tanto gozo nos tem dado fazer...(antes das desgraças dos últimos tempos, está bem de ver...).
A apresentação da nova casa continua ...na nova casa. Daqui a nada, ao romper do dia 17 de Setembro. Até lá. E até já.

Publicado por Isabel Faria às 11:26 PM | Comentários (2)

Palavras de Papa...

Segundo o Papa, um imperador bizantino do século XIV terá firmado que Maomé trouxe ao mundo coisas "más e desumanas, como o direito a defender pela espada a fé que ele persegue".
Bento XVI, que se deve ter esquecido que era Papa, o representente máximo duma religião, seu embaixador, a sua voz, pronunciou-se, usando palavras de alguém, sobre uma outra religião. Em Setembro de 2006.
A estrema direita europeia e americana agradecem, reconhecidas. Os fundamentalistas islãmicos, também.

Publicado por Isabel Faria às 11:59 AM | Comentários (2)

Se...

Tudo parece indicar que o Referendo para a despenalização da IVG terá lugar em Janeiro.
Ontem foram entregues mais de 40000 assinaturas, requerendo a alteração da Lei, sem recorrer ao Referendo. Todos sabem a minha posição sobre isso. Assinei a Petição, claro. Seria o cenário ideal...se...
...se não tivesse havido um anterior Referendo...
...se a Direita nunca mais voltasse a ter maioria absoluta na Assembleia da República...
...se a Direita portuguesa, que um dia poderá voitar a ter maioria absoluta no Parlamento, não fosse um Direita revanchista, vingativa, conservadora e inculta...
...se o PS, apesar destes aspectos, tivesse vontade politica de avançar...
...se...
...se...
Há forças politicas que têm enorme dificuldade em saber que o parvo do Se, tem uma força do caraças na vida das pessoas e das sociedades...

Publicado por Isabel Faria às 11:30 AM | Comentários (2)

setembro 15, 2006

Vou tentar...

perdido.jpg

Tenho um amigo, um grande amigo, que um dia perdeu as duas pernas, num acidente de carro. Desde aí vive (e viver é viver, mesmo) com a ajuda de uma cadeira de rodas.
Lembro-me dos primeiros tempos e das primeiras angústias. Da sensação de vazio que transmitia.Das lágrimas. De o ouvir dizer que não valia a pena continuar. Que não vale a pena viver se não se pode correr, jogar á bola ou, simplesmente, descansar os pés depois de uma jornada longa e dura.
O tempo passou. O meu amigo faz hoje tudo o que faria se um acidente de carro, ali, na ida para a Figueira não lhe tivesse levado as pernas. Encontrou um amor, casou, tem um filho lindo…só não joga à bola nem corre. Nem descansa os pés.
Quando falamos nisso, diz que é feliz. Que se habituou a viver sem aquela parte de si. Se habituou e é feliz. Mas que lhe sente a falta. Todos os dias lhe sente a falta. Tantos anos depois, diz que tem umas saudades enormes do que perdeu. O que me valeu na altura, diz, foi encontrar, cada dia, uma nova coisa que era possível fazer sem elas. Mas, dias houve, noites, sobretudo, em que pensei que sem partes de nós, não vale a pena viver, acrescenta.

Esta manhã, acordei a pensar no meu amigo. A tentar encontrar nas palavras dele a força para continuar. Diferente não significa necessariamente pior, ou nada. Mas, é preciso aprender a fazer, cada dia uma coisa nova, sem aquilo que se perdeu…
Neste momento o Troll é um desafio. O meu amigo é um mestre a jogar xadrez. Esta manhã ao chegar aqui, tive uma vontade enorme de desistir. Ou, pelo menos, dizer que precisava de um tempo. O meu amigo diz que só conseguiu sobreviver porque se agarrou ás memórias das corridas que fez e dos jogos de futebol que jogou…não quero desistir. Mesmo sem uma parte, não quero desistir.
Se conseguir aguentar o Troll, se conseguir voltar a correr, sei que “as pernas” não contam (contavam) assim tanto. Se não conseguir…logo se verá.
Há outros motivos para tentar continuar aqui. O Troll tem aqui muito de mim. Corridas e jogos de bola. As melhores dos últimos tempos. Neste momento, em que a memória teima em ser selectiva, apesar do que issso dói, as melhores, tout court. E o meu amigo diz que a memória é importante…para nos habituarmos a viver com o que perdemos (ou será que ele diz sem o que perdemos?).

Finalmente o Trol é, para mim, e neste momento com as falta de assiduidade dos nossos colegas, uma corrida minha e do Daniel Arruda. Mesmo com a falta que as pernas me fazem, não gostaria de deixar o Daniel a correr sozinho. Nunca faço isso aos meus amigos. Possivelmente vou um bocado coxa e ele vai ter que puxar por mim…mas espero que ele tenha paciência e o faça…
Vou tentar continuar. Voltar ao normal. Mas seguramente vou ter saudades. Daquelas alturas em que as pernas me levavam sempre ao Mar.

Publicado por Isabel Faria às 12:15 PM | Comentários (7)

setembro 08, 2006

Só incomoda. Que chato!!!

Na Quarta Feira, Bush, reconheceu a existência de prisões da CIA, fora dos Estados Unidos, onde são usados .métodos especiais nos interrogatórios
Ontem, Luís Amado, pressionado, reconheceu a passagem por Lisboa de aviões da CIA. Alguns deles para Guantamano. Os outros...na véspera Bush tinha confirmado prisões da CIA fora dos EUA, onde se usam "metodos especiais" para obrigar supostos envolvidos em actos de terrorismo a falar.
Às vezes, Bush devia estar calado...só incomoda.

Publicado por Isabel Faria às 11:16 AM | Comentários (8)

setembro 07, 2006

As contas das empresas municipalizadas de Lisboa

octopus.png

Ontem na reunião da Câmara Municipal de Lisboa, a actual vereação informou que os administradores da EPUL e empresas associadas já tinham devolvido 12 400€, cada, do montante que tinham recebido em 2004 e 2005, como prémios de "produtividade".
Segundo o relatório de contas apresentado pela EPUL e pelas empresas associadas, nestes dois anos foram pagos como prémios de produtividade 180.741,23 €. Destes terão, então, sido devolvidos 62 mil euros (12.400 euros multiplicados pelos 5 administradores da EPUL). Faltam devolver, portanto, quase 120.000€..
Ninguém soube, na reunião de Câmara explicar onde anda o dinehiro em falta. E quando volta...
Claro que muito menos alguém soube explicar, como é que esse dinheiro foi recebido. Por decisão governamental em 2004 e 2005, nenhum administrador de empresas públicas (ah, ontem na televisão Gabriela Seara, interrogava-se se uma empresa municipalizada é uma empresa pública...parece que ainda não chegaram a nenhuma conclusão...) poderia ter recebido prémios de produtividade. Para além do facto de somenos importãncia que estes administradores não apresentaram resultados que os justificassem e nem os corpos sociais das empresas ou a tutela os aprovou.
Segundo parece, há outras empresas municipais em que ainda se deve estar na fase de descobrir se são públicas ou não...e que, entretanto, pagaram prémios de produtividade aos seus administradores. Só que a estas e outras questões, a Câmara de Lisboa continua sem responder...
Sá Fernandes, vai solicitar ao Tribunal de Contas que actue com urgência. Os municipes, que poderão ter visto os seus cofres defraudados em centenas de milhares de Euros, aguardam...

Publicado por Isabel Faria às 02:08 PM

De volta?

Em contacto do Departamento Técnico do AEIOU, foi-me ontem assegurado que os problemas principais do Troll deverão estar ultrapassados.
Tal como lá fora, há uma quantidade de coisas que nunca levamos para a casa de férias mas que, aos poucos, descobrimos que nos fazem falta...ou é o micro-ondas, ou a mão de lavar as costas...
Para além disso, nunca conseguimos arranjar um sofá onde encaixemos tão bem e dê para dormir uma soneca igual ao da casa a sério. Aquilo já tem mesmo o buraco feito ao nosso tamanho...
Daí...
A gerência desta casa decidiu:
Dar uma nova oportunidade ao Sofá que já tem o buraco...
Deixar aqui ao lado ficar um link directo para a casa de campo...sempre que descobrirmos que não podemos entrar nesta, basta clicarem e lá estaremos à vossa espera...
Que não iremos aguentar uma nova situação como a que se viveu nestes dias...se tal voltar a acontecer não mudaremos para a casa de campo, vendemos esta e a casa de campo será, definitivamente, a casa. Para lá levaremos o sofá e havemos de conseguir passar sem mão para lavar as costas...
Pedir-vos que sempre que tenham dficuladades em comentar ou em aceder ao Troll nos avisem por Email. É um favor que muito agradecemos. Sobretudo nos próximos dias em que talvez venhamos aqui menos vezes ( a militancia assim o obriga...), pode acontecer que não se dê logo pelos problemas, no caso de voltarem...a gente agardece-vos, emprestando o micro-ondas, em caso de necessidade.
Obragado. A todos. Toca a postar. E a comentar.

Publicado por Isabel Faria às 11:48 AM | Comentários (2)

setembro 05, 2006

Estamos de abalada

Ok. Não sei se vai ser definitivo ou não. Não sei se vamos ficar por ali ou não. Sei que aqui não podemos nem devemos continuar.
Esta manhã foi-me dito pelos serviços técnicos da AEIOU que teriamos notícias até ao final do dia...ok, o dia já terminou.
Ontem tinhamos decidido que dariamos atá ao final do dia. Cumprimos.

Se os problemas se resolverem, quem sabe???
Afinal aquela é uma casa de campo...onde falta muita coisa...
Se os problemas não se resolverem podemos continuar a ter onde dormir...

Aguardamos a vossa visita. O campo é muita giro mas tem mais piada com gente à volta...e passarinhos e assim...

Esta é a morada nova

Até já!!!!

Publicado por Isabel Faria às 10:05 PM | Comentários (1)

setembro 04, 2006

Teremos mesmo que mudar de casa???

Não faço ideia se este post vai entrar. Daí ser pequeno e apenas para que fique o essencial...
Depois de uma semana de problemas na Weblog, o Troll voltou a ser o único em que os problemas se mantêm. Não entendemos. Dezenas de vezes demos conta deste facto, o de nunca estarmos sem qualquer problema, nos últimos meses e dezenas de vezes nos foi dito que seriam solucionados.
Esta tarde, fui contactada por telefone pelo Departamento Técnico da AEIOU. Foi-me prometida uma solução (ou ,pelo menos, uma explicação) para o dia de amanhã. Prometi que esperariamos.
Entretanto, e com a ajuda de um amigo, estamos a tentar montar outra casa...tipo casa de campo ou assim...
Disse esta tarde à pessoa que me contactou e mantenho. Sinto-me aqui em casa. Mas para isso preciso de poder entrar nela. Quando quiser. Como quiser. E abri-la aos meus amigos. Sei que esta opinião é também a do meu "principal" ( e único contactável...) parceiro aqui da assoalhada...vamos esperar até amanhã, ao fim do dia. Depois, com cadeiras de plástico, mesas a fingir, fogareiros de dois bicos...ou apenas de saco cama, mudaremos para a casa nova. De lágrimazita ao canto do olho, mas com o consolo de que a eutanásia às vezes é um dever.
Obrigado pela paciência. desculpem o resto. Se não aqui, contaremos convosco na casa de campo.
Vamos tentar que fique bonita...e que redescubramos o prazer de nela estar.

Publicado por Isabel Faria às 09:24 PM | Comentários (10)

Não sei se sentem...

coral.jpg

Não sei se sentem medo. Se sentem dor. Se se sentem inseguras. Se se sentem livres.Se sentem saudades. Se se sentem perdidas. Ou confiantes. Se sentem alegria. Ou loucura. Se se sentem inteiras. Se sentem que lhes falta o ar. E que o Mar lhes traz o ar. Não sei se precisam de palavras. Se sabem que podem passar sem elas. Não sei se as palavras lhes enchem dias. E tapam até o Sol abrasador como se de árvore frondosa se tratasse.
Não sei que sentem. nem se sentem.
Eu só me sinto assim, coral, estrela do mar, rocha, peixe, dentro de ti. E sinto-me o resto, o que não sei se elas se sentem. Insegura, alegre, perdida, forte, livre, com medo, pássaro, confiante, louca, criança, inteira, pequenina, mulher...

Publicado por Isabel Faria às 12:05 AM | Comentários (3)

setembro 03, 2006

Posso ir à Marcha ou quê?????

Já ontem no Público a notícia sobre a Marcha pelo Emprego trazia esta frase:
Os 200 participantes, quase todos de sapatos de ténis ou sandálias, bonés e bandeiras, eram na sua maioria oriundos da classe média urbana sendo poucos os operários ou mesmo cidadãos desempregados que nela participaram. Já ontem tinha ficado com a mesma dúvida quando li a notícia do PÚblico. O jornalista perguntou a ocupação aos participantes? Qual a sua origem? Ou nota-se pela cara? Um operário tem caracteristicas fisicas diferentes de um "oriuno da classe média"? E o "oriundo da classe média urbana" distingue-se como do "oriundo da classe média" não urbana? Pela cor do cabelo? Pelo boné? Pelas sandálias? Quando eu lá estiver na próxima semana, sou oriunda de quê? Os meus pais nasceram numa pequena vila de provincia. O meu pai sempre foi carpinteiro e a minha mãe empregada numa padaria. Vivem da reforma deles. Segundo o conceito marxista não serei, de facto, proletária, mas vivo do meu trabalho desde os 18 anos e apesar de também ter nascido nessa pequena vila do Ribatejo rural, vivo em Lisboa, serei digna representante dessa classe média urbana? Alguém me diz, faxavor se posso participar na Marcha?
Ontem, nos habituais comentários às notícias do Pùblico, alguém dizia que era preciso ter lata para fazer uma Marcha pelo Emprego quando somos todos uma cambada de intelectuais, da classe média, filhos de pais ricos, que nunca trabalhámos na vida. O que encaixa, portanto, perfeitamente em mim...
O que eu sei é que fiz bem em ir fazer madeixas louras a semana passada...ainda baralhava os pobres jornalistas e comentadores das notícias do Público, com aquele ar mal encarado e desleixado...na volta é isso...um operário não usa madeixas. Afinal se a gente pensar bem chega lá. Desta safei-me. Posso andar uns Kms que os jornalistas não ficam baralhados, tadinhos. Assim o calcanhar esquerdo não me pregue uma partida...a propósito, esta deve ser outra diferença...os calcanhares dos operários e dos desempregados devem ser diferentes dos nossos...o meu calcanhar esquerdo é um legitimo representante da "classe média urbana". Arma-se em menino da mamã quando ando uns Kms a pé...ou não? os oriundos da "classe média ubana" não deviam andar todos em ginásios? Já tou a ficar baralhada outra vez...alguém me diz, do JN ou do Público, se posso ou não ir à Marcha...please !!!!

Publicado por Isabel Faria às 12:26 PM | Comentários (10)

E as outras vidas?

Claro que uma vida humana é única. A sua perda é sempre uma perda ireparável. Para os seus familiares, para os seus amigos será sempre a perda mais dolorosa.
Mas quando Tony Blair fala assim da morte de 14 militares ingleses na queda de um avião, é do mais puro desrespeito pela vida humana que se trata. Tony Blair é um dos responsáveis pela perda de milhares de vidas humanas no Iraque, numa guerra de mentira e de ocupação. É um dos principais responsáveis pelas perdas povocadas pelas forças ocupantes e pelas resultantes da guerra civil que a ocupação provocou.
Morreram 14 militares na queda de um avião. Cada um de nós lamenta a sua morte. Os seus familiares e amigos choram-na. A diferença é que nós temos o direito de a lamentar. E Tony Blair, não. Porque não lamenta as outras que causa, porque é da sua responsabilidade a presença destes militares no Iraque, porque é hipócrita e porque é desumano.

Publicado por Isabel Faria às 12:08 PM

setembro 02, 2006

SMS 2

Isabel
Podias colocar um post a dizer que não vou estar a ver os passarinhos , mas vou estar fora até à noite?
Obrigado.
Isabel

Já tá. Não quero que me falte nada, mesmo que não tenha passarinhos pra ver.

Publicado por Isabel Faria às 12:28 PM | Comentários (1)

SMS 1

Isabel
Esqueci-me de deixar uma posta a dizer que vou estar fora até Segunda-Feira. No campo, a ver os passarinhos. Podias escrever isso por mim?
Obrigado
Daniel

Tá feito. Não quero que te falte nada. Bom fim-de-semana. Trata bem os passarinhos.

Publicado por Isabel Faria às 12:17 PM | Comentários (1)

setembro 01, 2006

Marcha pelo Emprego

marcha.jpg

Começa hoje. Não vou poder estar desde o ínício. Mas tenho a certeza que vai ser aquilo que se propõe. Dias de luta, de festa, de empenho e de resistência (também para os nossos pobres pezinhos!!!).
A gente vai levar isto a bom porto!!!!!

Publicado por Isabel Faria às 10:44 AM | Comentários (1)

agosto 31, 2006

Saudades

ampulheta.jpg

Tenho saudades de quando me sentavas ao teu colo e me lias o Barranco de Cegos. E a tua voz me levava ao futuro.
Tenho saudades de quando ralhavas comigo por eu comer a massa toda das bolachas de manteiga e, ainda por cima, em vez de redondas, saírem quadradas ou aos bicos. E, mesmo tortas, serem as melhores bolachas de todos os tempos.
Tenho saudades do cheiro a arroz de forno e a frango corado na casa da avó.
Tenho saudades de procurar amendoins mal encarados no bolso do casaco do avô e achar que era os melhores amendoins do mundo.
Tenho saudades de ver as ervas brancas da geada da manhã. E de comer as bolas de Berlim das latas verdes e azuis da Nazaré.
Tenho saudades quando uma chuva enorme de estrelas te trouxe para mim. Tenho saudades de quando fui perdendo as saudades de ti.
Tenho saudades de te sentir cá dentro…e dos pontapés e das noites em que a barriga não cabia na cama.
Tenho saudades do teu sorriso. E da tua voz. E da bola com que andavas metros inteiros. Até das cólicas que não me deixavam dormir, noites e noites.
Tenho saudades de olhar o espelho e não descobrir estas pregas parvas e embirrantes. E as riscas.
Tenho saudades de me lembrar de que cor era o meu cabelo, antes de concluir que não curto branco.
Tenho saudades de quando te toquei na mão, naquela noite no Bairro Alto e me puseste a mão sobre o ombro, à saída. Não tenho saudades das saudades que tinha de sentir uma mão no ombro.
Tenho saudades das noites inteiras sem dormir enquanto durou a viagem de finalistas do 5º ano.
Tenho saudades de não me esquecer dos aniversários e de não passar a vida à procura dos papéis que de certezinha mesmo ontem tinham ficado naquele lugar.
Tenho saudades de me sentar ao fresco no próximo Verão, no portal da casa da terra. E de me falares do chato do meu pai.
Tenho saudades de me sentar ao fresco, no próximo Verão, no portal da casa da terra. E de me falares da chata da minha mãe.
Tenho saudades de te ver chegar a casa, da janela, quando vens da escola. E de te ver sair quando partes. E de, quem sabe, teres mesmo que vender umas sandocas para ajudar a pagar a estadia no Porto, que o curso de Astronomia teima em ficar-se pelas margens do Douro.
Tenho saudades de olhar o espelho e ver mais umas tantas preguitas (se não for assim, itas, acaba, mesmo, por meter psicanalista…) e decidir pela enésima vez que é desta que vou para o ginásio.
Tenho saudades de voltar a sentir a tua mão na minha pele. E a minha na tua. E a tua boca. E o teu cheiro.

Ok, por enquanto as do futuro ainda contrabalançam. Bora aí esquecer as pregas (consegui!!! sem itas!!!).

Tinha saudades de escrever...

Publicado por Isabel Faria às 11:10 PM | Comentários (3)

Será???????

pedras2.jpg

Não me apetece fazer um post. Até porque ainda nem acredito que vá entrar...E depois tinha que ser um post de ressaca e muita, muita neura...e algum (sou uma comedidazinha) mau feitio...gosto de dar sempre segundas, terceiras, quartas...ok, sou uma mãos largas a dar oportunidades...
Peço desculpa em nome do Troll a todos os nossos amigos e comentadores (quem não gosta de nós também está incluído...), apesar de não termos nem responsabilidade nem meios de contrariar este apagão...obrigado a todos os que nos enviaram Emails (desculpem a falta de tempo em responder pessoalmente a todos...), a perguntar se estavamos vivos...estamos, um cadito fulos mas vivos.. .pode ser que logo volte. É uma questão de mais uma água das pedras....

Publicado por Isabel Faria às 06:04 PM | Comentários (5)

agosto 28, 2006

"United 93"

unietd931.jpg

Ontem fui ver o “United 93”. É um filme que parte da versão oficial do que se passou. Quanto a isso não vale a pena aqui discutir. Mas, partindo dela, gostei. Não é um filme demasiado “americano”. Não nos enche de patriotismo balofo e folclórico e não nos invade com maus e com bons.
Mostra-nos que nos momentos de fazer opções, no medo, na angústia somos todos humanos. Com o medo, todos, terroristas e passageiros, rezavam. Antes de tomar o avião, um dos ocupantes, o que até ao fim mostrará sempre maior hesitação, telefona a alguém que não atende o telefone e deixa no voice-mail, a frase que será ouvida muitas vezes, mais tarde durante a ocupação do avião, pelos passageiros que conseguem telefonar: Amo-te.
Há uma cena, quando já tomou o avião e que está sentado nos comandos com ele completamente descontrolado, que aperta o cinto ...como se, afinal, naqueles momentos que antecedem o fim, se perdessem todas as certezas e se a vida teimasse em nos agarrar.
Claro que depois é uma visão que pretende dar-nos algum heroísmo "politicamente correcto". Afinal, trata-se do único vôo em que os terroristas não conseguem atingir os seus objectivos...os passageiros tomam o comando e o avião acaba por se despenhar no chão sem fazer outras vitimas, além dos que nele embarcaram.
Ao mesmo tempo mostra-nos como as respostas foram demoradas e ineficazes. E enche-nos de imagens de postos de controle cheios de luzes e de botões...4200 aviões no ar, ao mesmo tempo...não dá para imaginar...
Para mim, que tenho um verdadeiro terror a embarcar dentro de uma coisa daquelas, teve, mais uma vez, o efeito de todos os filmes que tratam de assaltos, desvios, acidentes...aquelas imagens em que antes de embarcar ou já sentados nos avião, nos mostram pessoas iguais aos milhares de passageiros que embarcam ou que se sentam...iguais a mim, quando embarco ou me sento...não me descansam nada. Na próxima vez...ok...é melhor não pensar muito nisso que esta manhã acordei com a tensão altita...

Publicado por Isabel Faria às 12:35 PM | Comentários (2)

agosto 27, 2006

"às vezes há a necessidade de fazer substituições"

Segundo o Público, Maria das Dores Meira, a próxima Presidente da Câmara de Setubal, visitou a Festa do Avante, congratulou-se com o facto do PSD ter desistido de pretender eleições antecipadas, chamou-lhe "recuo significativo" e respondeu de uma forma clara às perguntas dos jornalistas sobre qual a razão do afastamento de Carlos Sousa: "às vezes há a necessidade de fazer substituições".
Ficamos todos esclarecidos com a resposta e descansados com o "recuo significativo". Os amigos são para as ocasiões. E as alianças, afinal, funcionam, mesmo.

Publicado por Isabel Faria às 04:56 PM | Comentários (6)

agosto 26, 2006

O que são um milhão e 700 mil Euros?

Sabia que ontem de manhã Sá Fernandes daria uma conferência de imprensa sobre a Infante Santo.
Procurei ontem quando cheguei a casa. Nada. Não há jogo do Benfica. O Gil Vicente e o Belenenses…a Liga fez não sei o quê…voltei a procurar esta manhã…a Liga ainda continua a fazer não sei o quê e o Belenenses e o Gil Vicente…ah, entretanto, hoje também deu para saber que o Porto ganhou ao União de Leiria.
Agora, ao abrir o Email, já á pressa porque tenho que sair e vou ficar com menos acesso ao computador, tinham-me enviado uma noticia da RR on line (confesso que nunca abro a RR on line. Quem me manda ser preconceituosa?).
Sá Fernandes denunciou, ontem, que Carmona mentiu quando disse que Vitor santos já tinha pago a totalidade das dividas e que as obras poderiam continuar. Afinal, falta, para além de taxas, o pagamento do terreno que o condomínio ocupa e é terreno municipal. Os tais meia dúzia de centímetros de que fala Fontão de Carvalho. Que, segundo Sá Fernandes, valeriam cerca de um milhão e 700 mil Euros, se a Câmara quisesse vender…coisita pouca, portanto. Que dá para entender que a Autarquia perdoe a Vítor Santos, tipo gratificação por mérito, e que os jornais e rádios e televisões, pelo menos on line, omitam…o que são 1 milhão e 700 mil Euros que se devem ao munícipes de Lisboa comparados com o problema das despromoção do Gil Vicente ou do Belenenses? Ou a vitória do Porto? (desculpem-me os adeptos de futebol…isto nada tem a ver com eles. Apenas com as prioridades e as opções da nossa Comunicação Social).

Publicado por Isabel Faria às 12:14 PM | Comentários (3)

Gosto de os imaginar como eu...ou eu como eles???

universo.jpg

Como que para repudiar a arbitrariedade com que se despromovem planetas, o Universo continua a sua viagem. Feita de encontros e de desencontros. Como todas as viagens. Amanhã, logo de manhã, Vénus e Saturno encontrar-se-ão num ponto qualquer do céu. Por momentos, Vénus quase tapará Saturno (ou será o contrário?). Não me parece que esses pormenores interessem a qualquer um deles. Nunca interessam quando há encontros. Depois, afastar-se-ão de novo. Vénus encontrará outros planetas. Saturno também. Mas nenhum deles se esquecerá deste encontro. Como nós nunca nos esquecemos. Algures, numa dessas viagens, encontrarão Plutão, e não lhes interessará minimamente o que uma votação arbitária e prepotente dele entendeu fazer. Será um encontro único. Como todos os que temos na nossa vida. Como todos os que têm na vida deles.
Os antigos diziam que quando os planetas se encontravam era um mau presságio...felizmente que com o tempo os desmentimos. Um encontro nunca pode ser um mau presságio ...apesar de sabermos que as partidas custam....
Gosto de imaginar que, no Céu azul escuro (ou será preto?) de uma qualquer noite, há sempre um Planeta ou qualquer outro corpo celeste a sorrir por um encontro. Ou a entristecer-se com um desencontro...acho que me sinto acompanhada.

Publicado por Isabel Faria às 11:09 AM | Comentários (3)

Etiquetas

etiquetas.jpg

Às vezes olhamos para pessoas e não sentimos empatia. Vimo-las durante muito tempo, regularmente, mas a empatia que não se cria, até nos faz nunca lembrar o nome. Normalmente não nos fala e colamos-lhe a etiqueta de antipático. Depois, habitualmente, temos uma quantidade de pontos de vista diferentes sobre uma quantidade de coisas. As vezes em que chegámos à fala, foi para discutir essas divergências. Calha até, termos o azar dessas pessoas, com as quais não criámos empatia e que nunca nos lembramos o nome, terem uma forma de discutir pontos de vista que nos chateia. Pomos-lhe a etiqueta de sectários.
Encontramo-nos ao principio da noite. Temos uma tarefa pela frente. Criamos uma equipa a dois para a executar. E seguimos. Logo em Entrecampos, cai a primeira etiqueta. não fazemos ideia como, possivelmente foi uma palavra ou um gesto que a descolou.
Depois, à medida que descemos a Cinco de Outubro, falamos de cinema e de livros, contamos-lhe coisas de um passado que só conhece pelas histórias que dele ouviu ( ter um ano no 25 de Abril tem destes inconvenientes), falamos de coisas tão diferentes até chegar ao Saldanha, que, ali mesmo na esquina com a Praia da Vitória, há muito que a outra etiqueta ficou, algures, perdida… na próxima discussão, vamos continuar a levantar a voz, quem sabe bater na mesa, mas de certeza que não seremos capazes de encolher os ombros… e durante umas horas ficamos a pensar nas pessoas que nunca verdadeiramente conhecemos por não termos tempo nem vontade de confirmar que muitas etiquetas se descolam milagrosamente se tivermos tempo para as descobrir.
Não te imaginava nada assim…
Nem eu…
As etiquetas eram, portanto, mútuas.

Publicado por Isabel Faria às 01:31 AM | Comentários (2)

agosto 25, 2006

Dias-a-dias

faits divers.jpg

Coisas do dia a dia...faits divers...quotidiano...sei lá. Umas notas, para fazer jus à fama que vocês até sabem o que é o meu jantar...(com alguns conselhos de borla a acompanhar...)

A tal com conselho em anexo:
Nunca, mas por nunca ser, usem a transferência bancária para pagar as vossas facturas. Sobretudo da TV Cabo. Há milhares de caixinhas MB por ai espalhadas e aquela treta dos clones até já foi descoberta e os clientes reembolsados.
No dia 31 de Julho quando voltei de férias, tinha uma factura de 266.13€ da TV Cabo para pagar. Tive que me agarrar à mesa para não me dar uma coisinha má...depois de muito pensar concluí que aquilo só podia ser erro. Até pago por transferência bancária, pensei. Contactei os senhores. Ah, desculpe. Foi erro informático. Claro que não lhe vamos debitar essa quantia.
Dia 8 de Agosto o banco paga 266.13€ Euros à TV Cabo.
Dia 9 de Agosto, telefono aos senhores. Ah, desculpe vamos já tratar do assunto. Amanhã contactamos para confirmar que está tudo ok...mas ok, como?...ok...pronto. Fiquei à espera.
Dia 11 de Agosto. Até agora ninguém ligou...mas qual é o problema? Ah, mas não está cá nada...vai seguir para o nosso departamento financeiro, com carácter de urgência.
Dia 15 de Agosto, aproveitando o feriado, estamos a tratar disso. Alguém a vai contactar. Mas para quê? Alguém a vai contactar. Alguma impaciência na voz.
Dia 18 de Agosto, vou passar aos assuntos urgentes, que têm que ser tratados hoje. Fique descansada. O meu nome é S e vou ficar encarregue do seu caso. Amanhã contacto-a a fazer o ponto da situação.
Dia 22 de Agosto, está aqui escrito que a TV Cabo vai usar este avanço para as próximas facturas... QUÊÊÊÊ??? Pois, assim nos próximos sete meses não precisa de pagar...Nem pense. A TV Cabo não vai ficar com os meus 207 Euros. Quero o meu dinheitro na minha conta até ao final do mês ou meto-vos em tribunal. Ah, espere, só um bocadinho...afinal, está aqui escrito que lhe foi enviada uma carta para a Sra. assinar e para receber um cheque para depois ir receber...deve receber amanhã...amanhã é Sábado...ah, pois...Segunda Feira. Ok.
Segunda Feira, conto o resto.

A da necessidade urgente de ajuda médica:
Trouxe-te uma prenda das férias. Vens cá buscar quando? A falta de tempo foi adiando. Ontem à noite. Olha dá para passar lá hoje? Claro que dá...
Vou ali buscar. Espero que gostes. Está aqui no armário da confusão (um deles, há mais uns tantos, mas são especializados em papeis e assim, aquele é o único, abrangente...). Alguém sabe da prenda, faxavor? Já corri a casa toda. Aquilo é grande. Está embrulhado num papel cheio de cores vivas. Falta-me o Bono. Há uns tempos que o gajo anda mesmo com ar de porteiro.

A da admiração
Tive que tratar de um assunto relacionado com o Parque de estacionamento aqui ao lado da empresa. Ligo o telefone e atende-me uma voz clara com o sotaque característico das linguas de Leste.
No meio da perguntas, surge a resposta: Sim, sim, sim, está à vontade...
Um pouco mais tarde: então não?
Antes de terminar: bom fim-de-semana, cá a espero na Segunda-Feira para tratar da papelada toda.
Não resisti. Há quanto tempo está em Portugal. Há 11 meses. Vim em Setembro do ano passado...
É impressionante. O tom é girissimo, e a forma como se aprendem expressões idiomáticas, como se conjuga correctamente os verbos, como se usa a frase certa com a entoação certa (aquela do sim, sim, sim, só ouvida) no momento certo, deixa-me encantada. Lembrar-me que tenho uma chefe que nasceu nos EUA e ainda não sabe falar português e está cá há 15 anos...ou que tive uma Directora alemã que esteve cá 10 e que nunca falou uma palavra de português...
Não é só uma questão de necessidade, creio. É também de cultura.

Publicado por Isabel Faria às 02:13 PM | Comentários (4)

Estou no meu lugar

O PSD diz que dá o beníficio da dúvida. O PS, que seja o PSD a demitir-se e depois se verá.
Nos momentos decisivos, afinal, continuamos a marcar a diferença.
O Bloco de Esquerda, que não tem assento no Executivo (teve 5,1% nas últimas eleições), defendeu a realização de eleições intercalares. Albérico Afonso, da Comissão Concelhia de Setúbal do Bloco de Esquerda, disse em conferência de imprensa que a solução encontrada pelo PCP depois da renúncia de Carlos Sousa, «apesar de não ser ilegal é ilegítima do ponto de vista político e ético»..
E nos momentos decisivos em que o que está em causa é a transparência, a verdade, a Democracia e o respeito pela vontade popular, eu continuo a sentir-me muito bem no Bloco.

Publicado por Isabel Faria às 12:12 PM | Comentários (1)

Um sabor qualquer

olhar.jpg

Agosto de 2006, abro os jornais on line, procuro palavras que ainda não se tenham esgotado, e apenas me recordo do refrão do Sérgio, de há trinta e dois anos.

Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir

E não sei o que chamo ao sabor amargo que me fica cá dentro. Desencanto? Impotência?
Procuro uma foto, qualquer uma que possa tornar um pouco mais tolerável o sabor e só descubro a de um sorriso triste de criança.
Imagino os sorrisos tristes de crianças que permitimos nestes 32 anos, em Portugal, e o sabor amargo adquire uma outra dimensão. Culpa.

Publicado por Isabel Faria às 11:25 AM | Comentários (1)

agosto 24, 2006

Ainda Setúbal

Voltar ao tema tem a ver com o facto de eu pensar que o que se passa não se resume a uma mudança de nomes. Empacotada de que forma for. O que o PCP está a fazer em Setúbal, é uma questão de visão do papel do eleitor, do papel do candidato, do papel do autarca, do papel da Democracia, portanto. Melhor, não do papel, é da concepção que se tem de Democracia.
Conhecendo a Lai Eleitoral, não é dificil concordar que o PCP tem legitimidade para substituir os seus primeiros candidatos, pelo 3º e pelo 4º.
Como Sampaio teve quando nomeou Santana Lopes, após o abandono de Durão Barroso.
Não é, então, de legalidade que se trata. Como não era, então, de legalidade que se tratava.

As eleições autárquicas pela proximidade que o Poder Local tem com o eleitor, são, todos o sabemos, e para o bem e para o mal, eleições com enorme carácter e influência pessoal. O PCP soube-o, neste caso quando foi buscar Carlos de Sousa, apesar de não ser, seguramente, o candidato nem o Presidente de Câmara que queria ter em Setúbal. Numas eleições autárquicas, todos o sabemos, mais do que num programa, vota-se na pessoa em quem se confia para melhorar as condições de vida da sua terra. Sabendo isso, a Lei, permite candidaturas independentes. Sabendo isso, os caciques locais proliferam por esse país.
Se outra prova fosse necessária, da importãncia de quem se propõe executar o programa tem, bastaria ver os resultados das Legislativas de Fevereiro e das Autárquicas de Outubro, em Setúbal.
Em Fevereiro o PCP teve 9.733 (16.33%) votos no concelho de Setúbal. Nas Autárquicas, 19666 (40%). Partindo do principio que o PCP não acredita que cresceu para o dobro em 8 meses, o PCP sabe que grande parte desses votos foram votos de confiança dados ao candidato a Presidente.
E sabe, portanto, que está a fazer batota, quando finge ignorar isso.

Repito o que já escrevi muitas vezes. O voto não pertence ao eleito. Mas também não pertence ao Partido pelo qual foi eleito. E a única forma democrática de julgar alguém que se elege, é eleitoralmente. O que o PCP está
a fazer é sobrepôr-se aos eleitores. Como a Democracia que conhcemos, a única afinal, que mal ou bem vai funcionando, se baseia em eleições e nos seus resultados, em eleitos e nas contas que têm que prestar ao seu eleitorado, o PCP está a desvirtuar a Democracia. E está a fazê-lo de uma forma cobarde, como ontem se escrevia aqui num comentário. Deteurpando, fingindo, fazendo jogos baixos, permitindo "fugas de informação" (num partido como o PCP, imaginar que Carlos Sousa soube pela comunicação social da intenção do Partido, antes de saber pelo próprio Partido se deveu a uma fuga de informação, chega a ser cómico).

Se o PCP está tão seguro que a população de Setúbal votou num programa e que a melhor pessoa para o executar será a pessoa agora indicada para o subsituir ou qualquer outra que o Partido entenda, então porque tem medo de eleições?
Não era para ouvir os eleitores que o PCP, como toda a Esquerda, se insurgiu contra a nomeação de Santana?
Ou para o PCP manter o Poder é mais importante do que ser coerente? Ou para o PCP, o Poder, à semlhança do que se passa nos lugares em que se aliou à Direita, a fim de o manter, se sobrepõe à ética? E á vergonha?

Publicado por Isabel Faria às 07:24 PM | Comentários (12)

A limpeza

limpeza.jpg
Foto gentilmente roubada ao Arrastão

Daniel Oliveira, desculpa mas é mais forte que eu...e então, depois das declarações de Jerónimo de Sousa, ontem, não há volta a dar-lhe (a forma como trata os seus ex-camaradas, é um mimo...). Não resisto. Sou uma roubadona, mas consciente.

Publicado por Isabel Faria às 12:03 PM

agosto 23, 2006

A renovação do PCP

O PCP diz que Carlos de Sousa foi afastado da Câmara Municipal de Setúbal, a fim de permitir a "renovação e o rejuvenescimento" dos quadros autárquicos do Partido.
Ficam-me algumas perguntas e outras tantas preocupações:
As perguntas:
Como é que uma pessoa em 2005 ainda não precisa de ser "renovada e rejuvenescida" e em 2006, já?
Não será arriscado para o Partido usar a palavra "renovação" assim por dá cá aquela palha?
As preocupações:
Assim, numa consulta rápida vi que Alfredo Monteiro, por exemplo, e só para não sair do distrito de Setubal, ainda se pode aguentar mais seis anos para ser rejuvenescido, mas que a mesma sorte não tem Maria Emília Neto de Sousa, que já está atrasada sete anos e que seguramente não vai sobreviver a este ano de balanço.
Partindo do princípio que a renovação e o rejuvenescimento também se vão alargar aos outros orgãos e sectores da vida do Partido, a Odete Santos, que já leva dez anos de atraso, não se safa e duvido sinceramente que o Secretário Geral chegue ao próximo Congresso. Não é por nada, mas já vai, se a memória não me falha nos 59... na melhor das hipóteses está a dever quatro anos à renovação...
Se alargarmos este raciocínio aos outros Presidentes de Câmara CDU, ao Grupo Parlamentar, ao Comité Central...não estará o Partido a levar isto muito a sério?

Se esta onda rejuvenescedora chega ao Bloco, já não tenho sequer dez anos para continuar na AF da Pena...ok, nas próximas autárquica ainda sou capaz de me safar, mas depois bye, bye Isabel.

Publicado por Isabel Faria às 07:10 PM | Comentários (9)

Entretanto , ali mesmo ao lado, na Amadora...

amadora.bmp

Entretanto, como a vida dura de quem quase não tem vida, não pára com o Benfica, nem com o Verão, ontem na Amadora, dez pessoas ficaram sem ter casa para dormir. Quando se vê as condições em que estavam, não consigo usar a expressão, casas para viver.
Duas activistas da Solidariedade Imigrante foram detidas pela Policia e o Daniel, conforme declarações ao DN, tem 43 anos, vive sozinho, não tem ninguém, não tem trabalho e pode ser que algum vizinho o ajude a não ter que ir para a rua. Ah, e estamos em Portugal, no Verão de.2006. Esta última parte digo eu. Dúvido que o Daniel tenha tempo e vontade de se lembrar disso.

Publicado por Isabel Faria às 11:05 AM | Comentários (1)

O Benfica, a menina da boutique e o Lidl

rui costa.jpg

Vamos então aos factos.
A parte AJ é gira. A bifana come-se muito bem e as Imperiais, bebem-se ainda melhor. Nesta altura já eu tinha reparado, que nestas coisas de jogos de futebol, a Paridade deixa muito a desejar. Digamos, para simplificar a coisa, que nunca me vi rodeada de tanto homem. Aliás, até fiz uma comparação com uma outra situação antreior, mas não me parece muito PC falar nela aqui...
Depois entramos no Estádio. Tinham-me avisado que seria apalpada, mas não dei por nada. Receio que tenha a ver com a bifana...
Ok, então, lá dentro. Cum caraças pá, tenho que confessar uma coisa, a minha primeira ideia foi que granda comicio do Bloco que isto dava...58.610 pessoas...eu diria que até dispensava as 610 porque costumamos fazer comicios em locais pequenitos...
Não dei por o jogo começar. Os meus colegas de jogo (isto chama-se assim?) dizem que o árbitro apitou , mas deve ter-me faltado a televisão nesta parte.
Depois, fui-me entusiasmando com o desenrolar da coisa...ficava admiradissima de ouvir dizer, anda não sei quem...agrarra a bola, não sei quem...então, não sei quem...isto porque não percebo como é que todos vêem tão bem...havia lá senhores com ar de tão ceguetas como eu e chamavam os gajos pelo nome...há alguém que me explique se toda a gente vê bem os núneros e os nomes com aqueles gajos a correrem desalmadamente e se a cegueta sou só eu???

Quando foi o primeiro golo, do Rui Costa, a casa veio abaixo...toda a gente gritou, claro que eu só dei pelo golo quando toda a gente gritou, aliás, antes disto já tinha perguntado aí umas vinte vezes se era golo e tinham-me avisado que quando fosse, eu daria por isso...efectivamente dei.
Depois houve um golo do Nuno Gomes. Nesta altura, já as minhas vizinhas de trás, falavam na menina da Boutique e no cunhado. Eu penso que devo ter perdido uma parte da história, com o raio do golo, porque não deu para entender (mais ou menos até à entrada no Neno) qual era o problema da menina da boutique, ir casar com o cunhado....
Veio o intervalo. E tive a confirmação de que gosto de jogos de futebol. Havia uma fila enorme de gente na casa de banho dos homens e a minha estava vazia...até deu para escolher, entre a do canto e a do meio. Achei mal que não tenha espelhos, porque uma pessoa gosta sempre de dar um retoque no cabelo...
Voltámos e ainda houve mais um golo. Na altura do golo, e sem me perceber muito bem como tinha sido feita a transição, as minhas vizinhas, estavam a discutir os detergentes da roupa do Lidl. Os de máquina. Creio que na opinião delas, há um de caixa amarela que é óptimo. Tomei a decisão no Estádio da Luz, que este fim-de-semana vou ao Lidl.
Entretanto, saiu o Rui Costa (se não foi esta a cronologia dos acontecimentos, desculpem, mas eu estava emocionada...) e toda a gente se levantou a bater muitas palmas. Eu e as amigas da menina da Boutique, inclusivé.
Depois entrou o tal de Neno ( isto acho que me faz lembrar um peixe) e deu para ver que há linhas no Benfica. Tipo, Partido e assim... vi com satisfação que não há unanimidade. Voltei a ver isso quando da entrada do Mantorras, mas aí deu para ver que a corrente largamente maioritária, gosta do representante dos PALOP no Benfica.
Claro que não me esqueci das minhas amigas....quando o tal com nome de peixe entrou, estava eu a perceber que o problema do cunhado...é que o cunhado é cunhado, porque é irmão do marido. Confesso que com o barulho não entendi qual era o mal. Quando as coisas se resolvem em família tem sempre vantagens...pensei.
Pronto, ainda houve mais um golo. Do Petit (assim ao longe não deu para ver se Petit é nome ou se tem a ver com o tamanho). Ainda se cumpriu mais uma vez aquele ritual do apertar a mão, dar um abracito e gritar bué e depois acho que o jogo podia ter acabado ali. Não me aperece muito lógico que se ande ali a gastar energias e elecricidade (que aquelas luzes todas, deve ser uma despesa do caraças...) quando não há golos.
As minhas vizinhas, entretanto, já tinham passado à fase dos respectivos maridos e daquela mania que um deles tem de deixar a porcaria da Bola em cima da bancada da cozinha. Olhei para trás e fiz um olhar de solidariedade. Assim tipo, olhem filhas não tenho marido, mas também acho que as bancadas da cozinha podem e devem servir para coisas mais úteis e mais agradáveis. Não me pareceu que tivessem entendido. Mas, como o jogo já tinha acabado, me prometeram que me vão voltar a levar, quem sabe nos voltamos a encontrar e eu lhes posso dar a minha opinião sobre bancadas de cozinha. Espero, até, que , na altura, já me possa pronunciar sobre a qualidade do detergente.
Pronto. Saimos. Vim para casa. Bebi leitinho e adormeci como um anjo.
Gostei. Claro que tenho uma pedra no sapato: não vi a águia. Mas também quem é que vê tudo na primeira vez, né??? Ainda hoje me falta ver umas tantas coisas...ah, desculpem, agora já estava a divagar...

Publicado por Isabel Faria às 10:40 AM | Comentários (13)

agosto 22, 2006

Mazen, o nosso amigo libanês

mazen.jpg

A Émièle, chamou a atenção neste post.
Eu fui espreitar.
Só me posso juntar à Emiéle e divulgá-lo.
É um hino á cor, ao humor, à Paz , à ternura, sobretudo, à Vida.
Vindo do Libano. Apenas me apetece dizer: Bem vindo Mazen. Obrigado.

Publicado por Isabel Faria às 12:33 PM | Comentários (2)

Esta tarde

aguia.jpg

Atão é assim.
Já vos contei que sou virgem es estádios de futebol, jogos e afins. Aliás, antes de vir para o Troll, até era virgem em futebol, mesmo. Depois, e porque me ameaçaram, que se não fizesse umas postas (são os gajos a falar...), sobre futebol, rescindiriam o contrato, comecei a aventurar-me ...entretanto, já tinha aprendido o que era um fora de jogo (entretanto, já me esqueci) e mais umas coisas que também já me esqueci. Cavaletes, canivetes??? Sei lá...umas coisas quaisquer que é abrir as pernas e a bola passar p’lo meio ( Dani, please...qual é mesmo o nome daquilo que não sei quem fazia???).
Depois, à medida que me ia especializando na coisa, iam-me prometendo que um dia me haviam de levar a um estádio...mais ou menos ao mesmo tempo que começaram a prometer que haveriam de me oferecer um perfume...
...ok, o perfume continua sem cá chegar...mas, uma alma caridosa, tipo uma pessoa simpática, mesmo, daquelas pessoas solidárias que estão dispostas a contribuir para a felicidade dos outros seres coitadinhos, ofereceu-me um bilhete para o Estádio da Luz...meninos, gente, a partir desta tarde, vou deixar de ser virgem em estádios !!!
E para que conste, não foi nenhum dos meus colegas, gajos que andam para aqui a fazer posts sobre o Sporting, o Benfica, que metem músicas e fazem relatos de desafios, que tiveram a boa-vontade, o altruísmo, a simpatia e mais uma porrada de coisas que não me vêm á ideia porque estou emocionada e nervosa com a primeira vez que se aproxima a passos largos, de me convidar...que fique para a história deste Blog, que estou rodeada de seres insensíveis, com uma ausência total de cavalheirismo.
Disse.

Publicado por Isabel Faria às 11:47 AM | Comentários (6)

agosto 21, 2006

Tem que ser...

dormir.jpg

Desculpem, mas eu hoje estou tão cansadinha, trabalhei tanto, cóitadinha, que está mesmo na hora...
Só queria saber, para ir dormir com os anjinhos (deixem-se de bocas foleiras, que há coisas piores...) se fico bem com este penteado? E se curtem a gola. Então, amanhã a gente vê-se...eu prometo que conto o que é que vou fazer à tarde...se vocês me prometerem que não se convencem que me passei de vez...

Publicado por Isabel Faria às 09:38 PM | Comentários (3)

Não se mata nem se morre por amor

Há títulos que me fazem alguma confusão.
Portugueses continuam a matar e morrer por amor
.
Não se mata nem se morre por amor. Por mais romãntico que isso nos apareça. Ou por mais cruel. Mata-se e morre-se por egoísmo, por rancor, porque não se suporta o fim do amor, por ciume doentio, por medo, porque não se suporta o espelho, o da alma ou o outro, mas por amor, não.
A única coisa que admito que se faça por amor, é amar. Claro que admito que entrem aqui uma porrada de verbos, chatos e foleiros: às vezes, sofre-se, outras magoamo-nos, outras aimda choramos.
Mas morrer ou matar por amor, não me venham com histórias. Quando se quer morrer ou matar, já há muito que se matou o amor. Em Portugal, na China ou em Marte.

Publicado por Isabel Faria às 11:58 AM | Comentários (10)

Srebrenica

sb.jpg

Nesta coisa de culpados e inocentes. E de carrascos e de vítimas, possivelmente, a única certeza que se pode ter, é que o homem deixa tantas vezes de ser Homem.

Publicado por Isabel Faria às 09:31 AM | Comentários (2)

agosto 20, 2006

Legenda de foto

loniless.jpg

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinicius de Moraes, Precisa-se de um amigo

Publicado por Isabel Faria às 09:25 PM | Comentários (8)

Hoje acordei assim...

hoje acordei assim.jpg

Não tenho nada para dizer. Não me apetece ouvir o que têm para me dizer. Não me apetece ver o que não quero ver.
Nota: Isto não tem a ver com o fim-de-semana. Agrava-se no fim-de-semana, porque durante a semana não tenho tempo para pensar...no que vejo e não quero ver, no que não vejo e queria ver, no que ouço e não me apetece nada ouvir, no que não ouço e adoraria ouvir. E que não tenho nada para dizer...
Por isso, durante a semana, porque não tenho tempo para pensar, vou-me convencendo que não vejo (ou que vejo?), que não ouço (ou que ouço?) e que falo ( e me ouvem)...mas é só porque duramte a semana tenho essa dádiva suprema: passam-se dias em que não tenho tempo para pensar.

Publicado por Isabel Faria às 11:58 AM

Representamos os Partidos ou os eleitores?

O Público publicava hoje esta notícia. Sempre que vejo qualquer notícia no Público, desde há muito que a minha primeira reacção é de desconfiança. ...mas a ser verdade...
Confesso a minha ignorância, àcerca do trabalho realizado por Carlos de Sousa e pelo seu vereador (talvez algum colega meu de Blog, aí da Margem Sul, me possa elucidar...podem?).
Compreendo que se pode ser eleito por um Partido para um cargo politico e fazer-se uma politica que esse Partido não subscreva. Que critique. Que não considere coerente com o programa que foi apresentado ao eleiitorado .
Mas, em última análise, quando se é eleito para um cargo político continua-se a representar o Partido ou Organização, pelo qual se foi eleito, ou os eleitores que nos elegeram? Isto é, é ao Partido que cabe pedir aos eleitos que se afastem, eufemismo, creio, para lhes dizer vão-se embora, ou aos eleitores que os elegeram que cabe sancionar ou não o trabalho desenvolvido, democrática e livremente no próximo acto eleitoral?

Publicado por Isabel Faria às 11:22 AM

agosto 19, 2006

Entre a espiral e o labirinto, escolho o quê?

espiral.gif

Ali em baixo, o Chico Zé, lançava-me o desafio…da verdade. O Troll não é um Blog sobre filosofia, mas nada nos impede de…filosofar. Dizia. Concordo. Não é, no entanto, uma tarefa que se faça de ânimo leve, esta. Requer que se escolham as palavras e se clarifiquem as ideias. O nosso conceito de verdade, a importância que damos à sua procura, talvez a mágoa de a julgarmos e sentirmos inatingível, torna fácil a desculpa que é uma tarefa demasiado hérculea, para ser tomada em mãos num Blog. Seja ele qual for. E talvez a ideia de Blog, mesmo, algo que se digere de imediato, algo que nasce do imediatismo do passado, da importância absoluta do presente e que assume a sua total incompatibilidade com o futuro, tornando-se obsoleto, velho, desactual no minuto a seguir, torne a dissertação sobre a verdade, algo não só trabalhoso, como, essencialmente, incompatível. Ou inútil?
Para tornar isto compatível com um Blog (ou com este Blog?), talvez a única safa, e porque sempre a mim me agarro como muleta, seja para falar de vida, de medo, de paixão, de dúvidas, seja também ousar fazê-lo para falar de verdade.

Creio que cresci, sem mesmo de isso me dar conta, imbuída naquele conceito existencialista, que a única verdade é o estado passageiro da nossa passagem por aqui, de que a nossa passagem é sempre angustiante dada a inevitabilidade da única certeza, a da morte iminente, desde o dia, em que, pela primeira vez, espreitamos o olhar enternecido, assustado ou inebriado da nossa mãe. Quando se cresce, mesmo inadvertidamente e quem sabe se contra a própria vontade (sempre tive momentos em que me questionei se a fé na não inevitabilidade do fim, não seria uma muleta muito mais airosa, do que a angústia que essa inevitabilidade provoca, sem nunca ter conseguido, em momento algum da minha existência, a ela recorrer), é inevitável continuar nesse caminho e ser-se levado também à “verdade” da inexistência de alguém que cá nos trouxe. Por sua exclusiva e egoísta ou altruísta vontade. O não ter tido quem tivesse tomado em suas mãos a responsabilidade de me ter colocado aqui, dá-me um trabalhão enorme. Deixa-me sozinha para tomar as minhas decisões, fazer as opções e, mais e pior do que isso, retira-me desculpas e almofada, para ajudar a suportar a dureza da parede cada vez que nela bato com a cabeça.
Creio que é aqui, para ajudar nesta difícil tarefa de me aguentar sozinha e de aceitar que sou a única responsável das asneiras que faço, que me surge a “verdade” dos princípios.
Fazer da minha passagem por aqui, da forma como passo e das pessoas que procuro para comigo percorrerem o caminho, procurando ser fiel a princípios, que são a minha única aproximação de verdades, é a minha única safa. Qualquer outra será incompatível com este maldito defeito cartesiano (?), que me leva a duvidar de tudo e, sobretudo, de mim. Sistemática. Teimosa e dolorosamente.
Há uns anos, num momento trágico da minha vida, algumas vezes me questionava se estava a ser fiel a alguns princípios “sagrados”. O de que a passagem por aqui tem que ser uma passagem de busca da felicidade, do bem-estar. Aqui e agora. E o meu dever de me incluir nesse bem-estar e nessa felicidade. Aos poucos reentrei nesse, que considero, meu direito inalianável. E fui reaprendendo a suportar a angústia do fim. Que fui tentando tornar suportável. Aliás, a certeza dessa inevitabilidade, quando conseguimos que se torne suportável, dá-nos uma premência de procura da felicidade e do bem-estar aqui e agora, que nos impede de aguardar, de não lutar por os alcançar. E esse direito à procura diária da felicidade, apesar da angústia de a saber sempre inatingível e passageira, tornou-se o bocadinho da verdade, a que penso me ter tornado merecedora.
Possivelmente, um dia, terei direito a mais qualquer coisita dela. Dessa “megera”, como dizia o Chico Zé, lá mais em baixo. Terei, é essa a minha mais intima convicção, de trabalhar para a merecer. Mas, então como agora, será apenas e sempre um pedaço maior ou menor da minha verdade. Fazendo jus à importância dos princípios de que não abdico, nunca a verei como a verdade. Apenas como a minha verdade. Desta incapacidade não me creio nem com capacidade nem com vontade de algum dia me libertar. Se há algo que considero incompatível com verdade (quase tanto como discuti-la num Blog…) é a sua junção ao imperativo do verbo tomar. Toma-a, nunca.
Será sempre a minha maior incompatibilidade com a verdade. O julgar-me detentora (merecedora, talvez um dia, quem sabe…) dela.

Notas finais: Quando acabei de escrever estas linhas, tive três pensamentos. O primeiro, não era de nada disto que o Chico Zé falava e não sei porque carga de água, me deu para esta tentativa caseira de "filosofar" (claro que com aspas)
O segundo, dar razão a quantos me chamam superficial. Ter veleidades de escrever sobre estes assuntos, num intervalo de um fim de almoço e de uma saída com amigos, num Sábado à tarde, manifesta, pelo menos, uma dose razoável de leviandade...mas, paciência. A "verdade" é que já não me apetece muito mudar...e o tempo impediu-me de ir à praia, como previsto.
O último foi: isto é um post enorme, para além de lhe fazeres uma entrada alrgada, deverias encontrar uma fotografia, que o tornasse mais...airoso. Pois...uma fotografia para "a verdade". Entre a espiral e o labirinto, a "megera" não me permite escolher. Ficam as duas, portanto. Ou seja, mais uma prova que não sou mesmo capaz de ter certezas...nem uminha, para ilustrar um parvo dum post.

labirinto.jpg

Publicado por Isabel Faria às 04:23 PM | Comentários (2)

Quem será o próximo?

Quem acusa Israel de agressão. De não respeitar os direitos dos palestinianos. Nem a sua vontade, livremente expressa, mente. Israel mostrou-o, de novo, esta manhã
Quando chegará a vez de Mahmoud Abbas ?

Entretanto, no Líbano, Israel volta a mostar a sua vontade em cumprir os compromissos que assume e aceita.

Publicado por Isabel Faria às 11:53 AM | Comentários (1)

agosto 18, 2006

Haverá algum xarope ou comprimido?

Há alguns tipo atitudes que me fazem passar da cabeça. Ok, quando são atitudes, isoladas que alguém num dia mau tem, ou que me encontram num dia mau e eu faço uma tempestade...grito, faço birra, estrabucho, encolho os ombros e vou-me embora (o mais habitual) ou, na pior das hipóteses, faço algumas coisas que a seguir me ficam aqui a moer, uma quantidade de tempo, a moer de remorso e de vergonha, mesmo...como aconteceu ontem. Mas não é disso que me apetece falar...
Mas há casos em que não são atitudes. São formas de estar. É feitio, mesmo..
Não suporto pessoas que não me olham quando falam comigo ou quando eu lhes falo. Que me obrigam a parar dezenas de vezes para confirmar se me estão a ouvir, que me obrigam, mesmo, a perguntar se me estão a ouvir, falo e estão a olhar para o monitor, ou para a janela, ou para a folha A4, ou para a omeleta ou para antes de ontem...acho de uma falta de cortesia, de educação e sobretudo de uma frieza que me enerva e me dá vontade de acabar não aquela, mas todas as conversas...
Para além deste mau feitio que me faz passar das estribeiras quando tenho a sensação que me estão claramente a mostrar que estou a falar para as paredes, estou cada vez mais intolerante com a mentira. A sério. Não suporto a sensação que me tomam por parva...e depois não suporto a sensação que a mentira pode ser uma doença. Acho que há pessoas que já nem mentem, que elas próprias se convencem que estão a dizer a verdade, a sua verdade passa a ser a verdade...e a gente que pensa que estamos vacinados contra estas pragas, acabamos por nos deixar ir e acabamos por deixar que nos levem na mentira delas...mesmo sabendo, que nos estão a mentir. E para nos libertarmos completamente da teia, vimo-nos à rasquinha...

A propósito de que é que isto vem?
Olhem, tenho tido o azar de nos últimos tempos conviver com pessoas assim. De uma e outra espécie. Felizmente nenhuma tem a falta de gosto de ter as duas coisas ao mesmo tempo...mentir-me sem olhar para mim. Seria o fim da macacada.
Mas apetecia-me mandá-las dar uma volta ao bilhar grande...as que são assim, por doença ou por gene. Sou uma insensivel. Pronto. Afinal, são umas coitadinhas. Precisam da mentira para viver e têm problemas de pescoço...gostava de ser mais tolerante. Ou de encontrar algum medicamento...assim ajudava-as, tipo boa acção, e desempaavam-me a loja. Alguém conhece?
Ah e depois, já agora ajudem-me a levá-las de ao pé de mim...isto é pior que a tortura do chinês...

Publicado por Isabel Faria às 03:19 PM | Comentários (5)

O fundamentalismo bom e o mau

Não me considero detentora da verdade. Mas isto não é um retrocesso cultural e civilizacional? Não discuto fé, mas a posição que os EUA ocupam é a prova que não só os outros que são fundamentalistas, não é?

Publicado por Isabel Faria às 12:27 PM | Comentários (2)

Fotografia

mudar o pneu2.jpg

Fotografia tirada esta manhã, algures na Margem Sul.

Publicado por Isabel Faria às 10:00 AM | Comentários (4)

agosto 17, 2006

Aziz Doweik continua detido em Israel

O Presidente do Parlamento palestiniano continua detido em Israel. O Hammas, de que é, dirigente ganhou as eleições na Palestina. Aziz Doweik, foi eleito pelo povo palestiniano em eleições que a Comunidade Internacional considerou livres e democráticas. Logo, Israel mantém sob prisão o Presidente do Parlamento Palestiniano, eleito em eleições livres e democráticas. Ao mesmo tempo, foram detidos mais ministros e deputados. Estes, se as eleições que a Comunidade internacional reconheceu funcionam da mesma forma que as nossas, também foram eleitos pelo povo palestiniano.
Segundo a notícia, o Presidente eleito contestou aos jornalistas a legitimidade de Israel prender representantes eleitos pelo povo palestiniano. Em eleições reconhecidas internacionalmente.
Se não tivermos uma mente muito tortuosa e se não tivermos dois pesos e duas medidas, se acharmos que a Democracia não pode ser um conceito oco e vazio, também temos que contestar. Ou não?

Publicado por Isabel Faria às 07:50 PM | Comentários (4)

Tarde de mais???

Não contesto a liberdade do jornalista que fez este texto com este título: Marcelo chegou tarde de mais (Isto é um ponto prévio para não haver confusões).
Como se, apenas, de tempo ou de falta dele se tivesse tratado. Esta tentativa constante de branquear e de distorcer a história, de que este título e este texto é, apenas, um inocente exemplo entre as que por aí proliream, não me parece que não se deva denunciar. A chamada Primavera marcelista não encontrou uma solução para a Guera Colonial e continuou-se a morrer em nome da Pátria. Não pôs fim à censura. E a PIDE continuou a matar:
" 1968, Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de maus tratos; Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de Lamego por condenar publicamente a guerra colonial; Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;
1969, Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado organizado pela PIDE;
1972, José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da Rocha, viria a escapar-se na "fuga-libertação" de Alcoentre, em Junho de 1975;
1973, Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim Galvão".

Quando ali em baixo falava em afronta era isto que queria significar. Na história que eu conheci e vivi, nos últimos anos do Regime continuou-se a morrer e a matar. Continuou a haver censura e a haver perseguições por delito de opinião. Continuou a haver fome e continuou a sair-se do País para poder sobreviver.
Façam-me um boneco a dizer que o Marcelo era um santo, cheio de boa vontade, com uma argolinha na cabeça, pobrezinho que só não fez mais porque não o deixaram, e esperem sentados que eu não venha para qui chamar uma porrada de nomes a quem o fizer. Mentiroso, por exemplo. Para ficar com um meiguinho, dado o adiantado da hora.

Publicado por Isabel Faria às 05:10 PM | Comentários (7)

Os cartoons

holocausto.jpg

Como aqui há uns meses me insurgi contra as reacções violentas aos cartoons de Maomé, e à pressão que os movimentos radicais muçulmanos tentaram fazer sobre o Governo Dinamarquês para que os proibisse e punisse os seus responsáveis, acharei hoje rídicula qualquer reacção aos que estão desde ontem expostos em Teerão e que pretendem "questionar" o Holocausto.
Como, aqui há uns meses, realcei o mau gosto dos primeiros e entendi a afronta que poderiam significar para os Muçulmanos, continuo hoje a realçar o mau gosto dos que por aí circulam e a entender a afronta que representam.
Não sou moralista. Mas não aceito que se reescreva a história a nosso gosto e conforme as nossas conveniências do momento. Não é por Israel ser hoje um Estado agressor, violento, qua impõe a guerra e ocupa um País, que deixo de nutrir um profundo respeito e pesar por todos os judeus que Hitler perseguiu e matou. E pelos comunistas. E pelos homossexuais. E um profundo repúdio por todas as tentativas, venham elas de onde vierem, de "branquear" crimes. Sejam eles feitos sobre quem for.
Se me viessem dizer, em nome de que conveniência politica fosse, que o Tarrafal e Caxias e o Aljube e a António Maria Cardosos não existiram. Se me viessem mostrar cartoons com os anti-fascistas mortos em Portugal, contestando a veracidade ou as razões da sua morte, claro que respeitaria a liberdade de quem professasse essas ideias, de quem fizese esses bonecos, mas manifestaria o meu total repúdio pela afronta. De mim, não esperem dois pesos e duas medidas. E já agora, de mim, não esperem que me esqueça que no Irão não se aceitaram os cartoons de Maomé. A difrerença entre a Liberdade e a falta dela, é que nós temos a obrigação de aceitar a publicação e a distribuição de bonecos de mau gosto. Mesmo que nos toquem em lugares que nos são caros, como a história da luta contra a barbárie e pela liberdade, por exemplo. Mas também temos a obrigação de não calar que o reescrever da história do Holocauto, é repugnante. É absurdo. É, no fundo, porque pretende calar e apagar crimes, profundamente desumano.
Acho rídicula qualquer reacção aos cartoons, agora publicados. Acho repugnante que se "brinque" com a vida humana. Coíbo-me de dizer que, para uma ateia como eu, muito mais repugnante do que com qualquer Deus. Mas sei que este juízo de valor, não tenho o direito de fazer.
Mas também não dou a ninguém o direito que, por mim, o faça.

Publicado por Isabel Faria às 01:41 PM | Comentários (6)

agosto 16, 2006

...e post assim...

mar15.jpg
Foto: Mirabela Saru

Não sei há quantos anos deixei de me preocupar em definir o que sinto. Quando era novinha, sim. Aquelas dissertações se era paixão, amor, atracção, se era passageiro ou para a vida (confesso que quando era novinha, era sempre para a vida...), ocupavam-me horas. Lembro-me que antes de adormecer, a minha cama era uma autêntica palestra. Entre eu e eu. Às vezes até eu, eu e eu. Creio que chegávamos a ser quatro na cama.
Mas, como escrevi ali atrás, com o tempo comecei a adormecer sem “palestrar” comigo .Sobre nomes de coisas. E deixei de me preocupar em lhes dar nomes, mesmo. Quando muito, faço uma lista onde meto as sensações todas. E guardo, bem guardadinha para um dia, quando voltar a apetecer-me baptizá-las, ou tiver insónias, mostrar a algum entendido e perguntar, então vá lá, isto é (era) o quê?

Se me pedisses e eu pudesse dava-te o Mundo. Não posso, mas eu sei que tu sabes que eu te daria o Mundo. Se pudesse.
Quando as coisas ficam pretas, quando o Sol se esconde, quando preciso de um ombro, é em ti que penso.
Quando quero o Mundo, mas sei que apenas me podes dar uma palavra, ou mesmo que não possas, continuo a querer o mundo a a ficar apenas com a palavra. Ou mesmo sem ela.
Se me pedirem para definir amigo, penso eu ti. Se me pedirem que pense em ternura, penso naquela moínha que sinto aqui num lugarzito que deve ficar entre o estomago, o coração, a alma e o olhos e que aparece sempre que te toco. Ou mesmo que não te possa tocar.
Se me pedirem que defina prazer, penso no que me dás. Se pedirem que defina desejo, sinto-te.
Se me pedirem que defina vida, falarei em acordar a teu lado. E como basta acordar a teu lado uma manhã, uma tarde ou uma noite, para ela fazer sentido. Adormecer também.
Se me pedirem para te definir...aí, não terei palavras. Que cheguem. Serás, portanto, ainda e sempre o meu Mar. E encantas-me. Muito mais que me encantaste naquela noite em que me esperaste ao fim das escadas. E muito menos que me encantarás amanhã.

Publicado por Isabel Faria às 11:10 AM | Comentários (3)

Pedido de desculpas para escrever posts assim...

Colegas, desculpem usar o Troll para isto. E leitores, comentadores e amigos que por aqui passam, também. Eu prometo que se não se zangarem muito, eu, de vez em quando, também escrevo sobre o Líbano, o Sócrates (brr), até sobre o Bush (brrr, brrr). Mas por favor deixem-ne usar o Troll para mandar umas cartas. E para falar no Bono. E na Lua. E no jantar. Senão eu fico triste. E triste sou uma chata do caraças...

Publicado por Isabel Faria às 11:01 AM | Comentários (9)

agosto 15, 2006

Quanto tempo falta para as próximas autárquicas?

Há pouco menos de um ano, em Setembro de 2005, um mês antes das eleições autárquicas, no mesmo dia eram inauguradas cinco piscinas municipais, na cidade de Lisboa.
A campanha eleitoral estava já ali.
Hoje, menos de um ano depois da inauguração, quando as próximas eleições ainda vêm longe, no primeiro Verão, em bairros onde muitos habitantes não deverão ter hipótese de ter outras férias e outros banhos senão os das piscinas que Carmona Roderigues, então, inaugurou com pompa e circunstãncia, três delas - Ameixoeira, Vale Fundão e Oriente estão encerradas por falta de cloro.
A situação há muito que tem sido denunciada. Sá Fernandes esteve lá ontem e enviou uma mensagem urgente a Pedro Feist. Agora resta esperar pela resposta. Sem piscina. Porque a CML só se lembra dos moradores de Marvila, da Ameixoiera, dos Olivais...em alturas de campanha eleitoral? Ou porque não tem dinheiro para comprar o cloro necessário? Ou por desleixo puro e simples?
Eu, na minha vontade de ajudar, sugeria que a CML usasse algum do dinheiro que Vitor Santos, uma semana depois do embargo, já deve ter sido obrifgado a pagar do alvará do condomínio da Infante Santo. Ou será que ainda não pagou?

Publicado por Isabel Faria às 09:05 PM | Comentários (6)

Temos um colega novo!!

Quem tem a culpa disto é o Fernando. Deixou um comentário a falar numa coisa qualquer sobre o Troll no DN, não consegui resistir à curiosidade (é um cadito do meu post sobre a esparança que os libaneses precisam de encontrar para se convencerem de que a guerra acabou...) , como precisava de comprar uvas Muscatel (estava a desejo...nada do que possam pensar corresponde a qualquer aproximação da realidade, asseguro-vos, era mesmo desejo de gulosice) aproveitei ir ao único lugar que conheço que tem uvas Muscateis (isto tem plural? e se tem, tem acento??? sei lá...), ali em frente à Casa do Alentejo (estou a receber uns cobres para a publicidade) e comprei o Diário de Notícias. Culpa do Fernando, repito (desculpa mas já não me apetece fazer o link...dá um trabalhão!!!).
E fiquei a saber que temos um colega novo. O Presidente do Irão criou um Blog. Possivelmente para mostrar que Liberdade de expressão é algo que não falta no Irão, meteu mãos à obra e aí está. Não faço ideia como se chama porque apesar de a notícia dizer que tem versões em farsi, árabe, inglês e francês, eu fiquei pela versão em árabe (ou será farsi?). E não entendi o nome, desculpem. De qualquer forma o DN traduz umas partes que me pareceram interessantes. Para além de falar da infãncia, fala na crescente importância, para ele, do pensamento e da filosofia do "chefe divino", Khomenini.
A partir de agora, portanto, e para seguirem as pegadas do Presidente, deverão aparecer por essa Net fora, centenas de Blogs de iranianos...mesmo dos que não se entusiasmem tanto com a divindade do "chefe". Se o DN der conta, eu prometo que vos conto...
Mas agora fiquei com uma dúvida. Com a liberdade toda de expressão que é apanágio de alguns países e que se comprova com esta proliferação de Blogs, será que Abdul Aziz e Kim Jong II, também são nossos colegas?

Publicado por Isabel Faria às 04:25 PM | Comentários (1)

Os Planetas não se medem aos palmos!!!!

plutao.jpg

Ora aqui está uma notícia que me põe mal disposta logo de manhã...ok, não é manhã, mas fica bem no texto.
Acho de um mau gosto incrível pensarem sequer em tirar-me o Plutão. Ou em passá-lo para a 2ª divisão dos Planetas. Eu tenho 1,60m de altura, há gente muito mais pequenina que eu...não somos gente por causa do tamanho, é? Porque carga de água é que aquela de que os homens não se medem aos palmos não se pode aplicar aos planetas? Eu aprendi aquela ladaínha toda...Mercúrio, Vénus....Urano, Neptuno e Plutão. O e estava ali. Ninguém me vai obrigar a mudar o gajo de sítio.
E depois eu tenho outro problema grave. Há uns anos fizeram-me uma Carta do Céu. Disseram-me que tinha ascendente em Leão e puseram lá os Planetas todos...até o Plutão. E, pasme-se, disseram-me que tinha o Plutão em conjunção com o Ascendente. Não sabia o que isso significava...explicaram-me que não era muito bom...levei anos a habituar-me a esse facto incontornável, mas agora não abdico dele, assim do pé para a mão. Quero a minha conjunção. Na altura, disseram-me que teria sempre assim uns fins violentos...por causa do canochito estar naquele local. Perguntei, assustada, mortes e assim??' não, isso só morres uma vez...nas relações, por exemplo. Confesso que depois do choque inicial veio a esperança: ainda hei-de ver um homem a fazer um duelo por mim...ou a ameaçar mandar-se ou mandar-me da Ponte...ou a passar-me rasteiras...ou a ameaçar que mete a mão na tomada enquanto toma banho...até me cheguei a lembrar do Império da Paixão, acho que até do dos Sentdos...tudo coisas que o Plutão permitiria e que se mo tiram, perco, definitivamente, a hipótese de, algum dia, presenciar.
Para além de denunciar esta situação este post tem outro fim. Peço-vos que se juntem a mim e que façamos um movimento de defesa do Plutão. Tipo, abaixo assinado, manifestações de rua, envio de Emails (para os cientistas...parece que os planetas não aprenderam a ler...), etc, etc, etc..
Já agora juntamos a isso a nossa reivindicação que Xena também passe a contar como Planeta. Parece-me um atentado à paridade e aos direitos das mulheres que em 9 planetas, 7 sejam masculinos. Só admitirei mudar o e de lugar se fôr para meter lá a Xena.

Contra a despromoção de Plutão!!!!
Pelo reconhecimento de Xena!!!
Pelo fim da descriminação sexual dos Planetas!!!!
Os Planetas não se medem aos palmos!!!!

Publicado por Isabel Faria às 12:56 PM | Comentários (4)

agosto 14, 2006

Vou ver o Fu e mais o Ho

Quando o meu filho nasceu, muitas vezes, sentia falta de ter com quem partilhar os medos. Assim, altas horas da madrugada, quando, de repente, por uns minutos ele parecia ter parado de respirar…abanava-o docemente ( o docemente sou eu a dizer...o medo era tanto que não tenho nada a certeza que fosse docemente...) e já sabia. O João Pedro, que só tinha um sono pesado durante o dia, acordava de imediato. Eu tinha uma noite sem dormir pela frente, mas ele respirava…o não dormir não era assim tão importante.
Um dia tinha lido, numa das dezenas de livros e de revistas que me ensinavam que aos dois meses levantavam a cabeça, aos quatro faziam isto e aos quatro e duas semanas aquilo, um artigo sobre o sindroma da morte súbita…e o João Pedro nunca mais pôde dormir uma noite descansado, sem um abanão pelo meio. Nessas alturas, creio que teria sabido muito bem ter alguém que me ajudasse a dar o abanão…tipo dividir o resultado do dito, mesmo. E nada tinha a ver com partilhar a noite sem dormir…era mesmo só para aguentar os segundos até o abanão resultar…
Depois, ao longo dos anos, essa necessidade foi-se atenuando. Aprendeu a andar, a ficar em casa sozinho, a ir para a escola de autocarro…cada primeira vez era sempre um drama, as outras todas a seguir uma dramazinho mais miniatura, mas, a necessidade de partilhar isso, de pedir conselhos ou, apenas, que me ouvissem, atenuou-se de tal maneira que pensei mesmo que me tinha tornado autosuficientemente mãe.
O pior é agora. Usando uma linguagem popular, agora é que porca torce o rabo.
Passados estes anos todos, quem é que ia imaginar que voltava a precisar que me ajudassem a dar o abanão? E mais grave ainda, quem é que ia imaginar que quem tinha que levar o abanão seria eu?
Não têm sido dias fáceis. Há alturas em que sinto o meu filho ficar longe. Há coisas que deixou de partilhar. Fecha a porta da casa de banho para fazer a barba… Dou comigo a pensar que me trocou pela namorada e a ver-me já naquele papel das anedotas portuguesas em que há sempre uma sogra megera e rezingona que faz a vida negra às pobrezinhas das noras (normalmente é aos genros, mas aqui não dá…). Esta tarde dizia a um amigo que sinto que estou a perder o meu bebé.

Acabámos de ir buscar dois filmes ao clube de vídeo. Olha tu és uma chata, mas ainda bem que não me deixaste lá ficar mais um dia…tá bem que namoro um dia a menos, mas já tinha cá umas saudades duma cama a sério…e de te obrigar a ver um filme de artes marciais…

A pessoa onde ele passou o fim-de-semana, dizia-me, há pouco, ao telefone que o João Pedro era um miúdo tão arrumadinho…tão calmo…tão prestável…tão atento…
Cum caraças eu, às vezes, posso barafustar por ele cá não fazer a cama, e por eu o estar a chamar e não vir a correr…e por não me falar da namorada…e…por ter crescido. Mas uma pessoa gosta sempre de ouvir…já desde o primeiro ano que saía sempre inchada da escola…agora saio inchada do telefonema com a tia da namorada, que parece que já não foi e agora já é...pronto, apenas tenho que me habituar à mudança das fontes de….inchaço.

Nestes dias, difíceis porque tenho teimado em deles fazer um drama quase tão grande como a história do Sindroma da morte súbita e respectivo abanão, tenho sentido o bem que sabe poder colher informações abalizadas sobre o que é ser um puto e ter 16 anos…só conhecia a versão feminina da coisa e, confesso, essa lacuna tem sido das coisas mais complicadas de gerir… talvez nunca seja capaz de dizer como têm sido importantes e quanto me têm ajudado essas “informações”. Sobretudo porque são dadas sempre com aquilo que mais preciso de recuperar. A leveza das coisas simples. Como crescer, é. Ou ter um filho. E criá-lo.
Talvez nunca consiga dizer…Mas se algum dia conseguir terá que ser qualquer coisa como: porra pá, tenho dormido algumas noites à tua pala. E contrariamente àquelas alturas em que mais noite menos noite sem dormir, não vinha mal ao mundo…agora, a idade não perdoa. Cada vez que ouço o que se faz aos 16 anos, quando se é puto e se tem 16 anos…e comparo e sossego com a comparação…é mais uma hora de sono. O que equivale a menos uma ruga…Obrigado. Se algum dia conseguir dizer como me tem (me tens) feito bem, não me posso esquecer de agradecer as rugas…a menos.

Mãe, vens ou não vens???
Yap...

Vou ver um filme que presumo deva ter alguém com um nome Fu ou Ho...para desanuviar, diz ele..Para adormecer, receio eu. Mas seja para o que fõr...cabemos os dois no sofá novo. Viva!!!

Publicado por Isabel Faria às 11:42 PM | Comentários (6)

Puro masoquismo

hysteric.gif

Só podia ter ficado neste estado (presumo que num qualquer momento devo ter passado por alguns dos outros). Quem é que me manda abrir o DN on Line à Segunda-Feira??? e ver isto e mais isto !!!

Publicado por Isabel Faria às 11:00 AM | Comentários (5)

Sem título

cadeira vazia -.jpg
Foto de Flip Pizlo

Numa cadeira vazia cabe tudo. Cabe a solidão. A esperança. A memória. A partida e a chegada.
Num caminho também.
Na volta, uma cadeira vazia no ínicio de um caminho é apenas uma espera. E se for no fim?

Publicado por Isabel Faria às 10:35 AM | Comentários (5)

Até ao lavar dos cestos...

Na minha terra usa-se a expressão até ao lavar dos cestos é vindima...Mas é uma expressão muito soft para falar de guerra e de morte. Até porque, me parece, que é uma expressão que fala de esperança...nunca se deve deisistir, há sempre uma saída.
Infelizmente a "saída" de Israel já a conhecemos há décadas. E por uma teimosia qualquer da memória, não me parece convincente que a Guerra no Líbano tenha terminado às 8 horas da manhã de hoje. Na minha terra também se diz, não me digas que ainda acreditas no Pai Natal??? E não, já não consigo acreditar no Pai Natal.
Quinze minutos antes do cessar-fogo, Israel ainda bombardeava Tiro e matava civis. Não sei qual é a expressão que se usa no Libano para dizer que até ao lavar dos cestos é vindima. Mas parece-me que os libaneses têm que fazer um esforço muito grande nos próximos tempos, para acreditar nela.

Publicado por Isabel Faria às 10:14 AM

agosto 13, 2006

Gunter Grass

gunter.jpg

É um processo doloroso o que temos que percorrer para conseguir lidar com as nossas nódoas.
Sejam elas nódoas destas ou outras mais frequentes. Com os nossos "pecados", que mais do que medo que os outros não aceitem, não somos nós capazes de enfrentar o olhar dos outros...aceitando-os. Ou o nosso.
Mas acaba por ser libertador. Pelo que conheço da natureza humana (e da pessoa e da obra do escritor) creio que Gunter Grass precisava desta confissão para se libertar do peso dela. Não belisca em nada a ideia que tenho dele. Pelo contrário, engrandece-o. Como ele diz, talvez peque por tardia, talvez tenha "desperdiçado o momento oportuno"...mas nisto de coisas cá de dentro, o tempo só é tempo, quando o tempo quer. Acabamos por ser meros executores da sua vontade. O papel principal é dele. O oportunidade não é criada por nós. É-nos imposta. A maioria das vezes por aquela parte de nós que foge ao noso controle a à nossa vontade. Por aquela parte de nós que o tempo comanda. Algumas, poucas vezes, pelos outros. E pelo tempo dos outros.

PS: Só uma nota de rodapé. Que vergonha abrir um site de uma televisão como a SIC e ver escrito no título de uma notícia : confição. Assim mesmo. Não é novidade. As notícias de rodapé que vão aparecendo nos telejornais das televisões portuguesas são um atentado à lingua de Camões...não existe a função de revisor ortográfico nas televisões e nos seus sites?

Publicado por Isabel Faria às 12:55 PM | Comentários (8)

O meu Sábado

Ontem fiz folga do Troll. Mas não se pode dizer que tenha sido um dia muito gratificante…isto é, gratificante foi, porque estive com pessoas de quem gosto muito, almocei bem, jantei bem e depressa e fui ao cinema…bem. O pior foram os pormenores.
Ao almoço com uma amiga (e prima, mas acho que a gente só se lembra disso quando falamos das semelhanças dos ascendentes…), apanhámos um susto do caraças, porque ao meio da conversa em vez de discutirmos o Bloco e a CDU (é o único defeito dela…) ou de falarmos de algo estimulante, como homens, por exemplo, assunto ao qual temos dedicado algumas (muitas) conversas ao longo dos anos, demos por nós a falar das brincadeiras, das manias, das ternurinhas do …Bono e do Romeu. Os nossos gatos. Horas a fio…
Depois de um jantar mais ou menos rápido, porque me atrasei quase uma hora e em que nem deu para conversar com um amigo com quem não falava, assim, ao vivo e a cores, há alguns meses (malditos telemóveis!!!), fui ao King ver os Amantes Regulares. Não gostei. Um filme francês sobre um grupo de jovens estudantes, aspirantes a poetas e a pintores, durante Maio de 68 e no ano de 1969, na ressaca. Soube-me a pouco. O preto e branco dá uma intensidade às imagens que creio não tem correspondência no desenrolar da história. Um filme sobre os vinte anos. E sobre fins. O fim do sonho da Revolução, o fim do primeiro amor. O fim da infância. Tinha tudo para dar um filme muito bonito, mas senti que lhe falta algo…as cenas mais fortes são as cenas de fugas, o ópio está sempre presente, mas as outras, as que falam de vida, acabam por pecar pelo imobilismo e pelo silêncio. Talvez tenha uma ideia errada, que o tempo se encarregou de fantasiar, mas aos vinte anos, acho que os sentimentos têm todos mais cor, do que a que por ali passa. Fica uma ou duas frases giras. Como a de que “O proletariado não quer a Revolução, mas que fazer? Temos que a fazer “malgré” o proletariado”, ou “Os Sindicatos têm mais medo da Revolução que os patrões. Só querem conseguir melhores salários…como se dinheiro tivesse algo a ver com felicidade”, ou uma dissertação engraçadíssima e completamente “Soissantehuitard” sobre as semelhanças entre o Maoísmo e os religiões e fica uns olhares profundos, mas que transmitem uma desesperança que acaba por ser dolorosa.
Ok, não saí convencida
Depois do cinema mais um assustador pormenor. Não nos apeteceu ir beber um copo, como tínhamos combinado (Daniel, ainda não foi ontem que fui ver a Lua ao Agito). Viemos, aqui a casa, beber…uma água. E tal como ao almoço não tínhamos falado de homens o que me parece uma falta de gosto assustadora ou um sintoma de senilidade constrangedor, na “água” passei uma hora e tal a tentar explicar ao meu amigo como funcionam …as mulheres. Pelo ar desesperado e perdido como ele saiu cá de casa, não me parece que tenha conseguido explicar o que quer que seja.
À despedida disse-me, deixa lá, é mesmo melhor voltar a pensar nas aulas e nos putos, nos meus e nos da escola e esquecer que esses seres repelentes existem…os seres repelentes, sou eu e a parte da Humanidade com as mesmas características, note-se. Ficou prometido que nunca mais dou água a alguém que anda a tentar esquecer um ser repelente. Acho que faz uma mistura explosiva. Deve ter a ver com isso a história de não poderem entrar líquidos nos aviôes...

Publicado por Isabel Faria às 11:55 AM | Comentários (2)

agosto 12, 2006

Quem liga primeiro, então???

telefone.bmp

Ontem á noite vi um programa da SIC Mulher, Eles por Elas. Este e o Elas por Eles, são dois programas levinhos para ver a um serão em que apeteça ficar em casa. Por uma coincidência engraçada, tinha estado a falar no programa e no tema de ontem, com um amigo, horas antes.
O tema era quem dava o primeiro passo. Quem é que deve ser o primeiro a “ligar”.
Como nestas coisas de relações entre sexos, o cliché pode dar um jeito do caraças, mas não passa disso…e como tenho fama de vir para aqui contar a vida, estive a fazer um esforço de memória para ver se encaixava no dito – uma mulher nunca deve ser a primeira a ligar (esta do ligar, é assim, tipo muleta…deve poder ser enviar um Email ou dizer baza aí, tomar um café, no caso de se trabalhar na secretária ao lado, por exemplo…), e não encaixo. O que me parece mal. Muito mal, mesmo. Mas não encaixo por ter a certeza que fui sempre a primeira a ligar. Nada disso. O problema é outro. Nas relações que me interessaram, naquelas em que ao clic se seguiu uns momentos (uns dias ou uns anos) bem passados, não faço ideia quem foi o primeiro a ligar…a sério. Não chego lá. Nem sei se houve norma…o que se passou a seguir ao telefonema, ao Email ou a baza lá tomar um café, encarregou-se de tornar esse pormenor tão insignificante que não chego lá…nas outras, naquelas que não valeram nada…acho que foram sempre eles que ligaram primeiro e eu que disse tou nem aí…e não foi nada para me armar em difícil ou coisa que o valha. Tou nem aí, porque sem clic, química ou outro nome qualquer não dou primeiro, nem segundo nem 36º passo…e se nalguns (muito poucos) casos, acabei por beber o tal café, penso que foi sempre um café com data certa para acabar …e que ambos o sabiamos.

Como dizia ontem a Alice Vieira no tal programa, o primeiro passo dá-se quando se acha que vale a pena dar. E dá-o aquele que estiver primeiro convicto disso. Ou que tiver o telefone mais à mão…a história de que as mulheres que ligam são mulheres “fáceis” e que os homens não gostam disso e que as que não ligam são difíceis e que os homens “adoram”, só funciona se não houver…química. E funciona para os dois lados. Também nós se não sentimos a força da tal quimica, achamos a "facilidade" deles uma chatice e se sentimos a dita achamos a "facilidade" deles uma benção dos céus. Porque, quando há clic, quimica, atracção, interese, chamem-lhe o que quiserem, fácil ou difícil, não há tempo nem disponibilidade para pensar nisso.
Claro que há o tal medo da rejeição, de que ontem alguém falava. Mas esse medo acompanha-nos em todos os estádios da relação. Aprendemos, com o tempo, que nem sempre os timings coincidem. Que, às vezes, a paixão, o amor, o clic, acaba primeiro num que no outro e que isso dói…mas se isso fosse motivo para nos tolher os passos ( e as palavras) então não fazíamos o primeiro, nem o 100º…ficávamos quietinhos no nosso canto, com medo de nos magoarmos e sem ousar …telefonar. Nem amar.
Como a memória me atraiçoa, só posso dizer que se fui eu que dei o primeiro passo, e mesmo que isso me meta num saco qualquer, estou-me bem borrifando. Os momentos que passei, passo, valem bem qualquer tipo de “etiqueta”.
Se foram os homens, que me permitiram esses momentos, a dá-lo, obrigadinho. O que vos fiquei a dever em prazer e em momentos, horas ou anos…justifica plenamente que tenham tido o telefone à mão antes de mim.
Que me lembre houve uma vez, já a relação ia em muitos momentos, em que fiquei afincadamente à espera que o outro ligasse…a relação terminou pouco tempo depois, apesar dele ter ligado.
Que me lembre, houve algumas vezes em que homens me ligaram e levaram tampa, mas tenho a certeza que eles entenderam desde a primeira vez, que iriam levar tampa…na volta eram persistentes, achavam que eu valia o esforço ou tinham um certa dose de masoquismo.
Ah e já me aconteceu levar tampas…não no primeiro mas num dos outros…porra, se custa. Mas a gente resiste. Aliás, eu acho mesmo que a gente, muito antes da tampa ser vísivel e audível, já a (pres)sente há que tempos…fingimos é que não vimos. Deve ser as alturas, as de pré-tampa, em que assobiamos mais para o lado…a não ser que seja mesmo uma relação muito importante, daquelas que não se quer perder nem morta. Mas aí, meus amigos, quero lá saber se sou a primeira, a segunda ou a única…a luta é a minha profissão.
Dou-me ao luxo de pensar que todos as vezes em que insisti, foi porque o outro merecia que eu insistisse. Creio que é a melhor homenagem que posso fazer aos homens da minha vida. E à minha capacidade em os escolher.

Publicado por Isabel Faria às 11:44 AM | Comentários (5)

agosto 11, 2006

Não percam a Lua

pleine lune.jpg

Afinal decidi sair um pouquinho do casulo. Só para escrever umas linhas.
Estou há duas horas á minha janela ( coincide com a do casulo). Não vi ninguém passar na rua. Ao longe vejo o Castelo. As árvores estão quietas. Mas não parecem tristes com isso. A rua está deserta, mas não parece sózinha. O calor sufoca e faz o Castelo estender-se preguiçoso. E só pode haver uma razão. A Lua. Esta Lua Cheia que se prepara para aparecer por detrás das folhas quietas. Grande. Ontem vi-a, por detrás da Gulbenkien. Amarela, uma Lua que só pode vir do Alentejo. Voltei a vê-la de manhã, branca, em cima do Aqueduto. Aí, branca, mas á mesma enorme.
Vou esperar que ela apareça. Cheia. O luar que me chega diz que mais minuto menos minuto, ela vai chegar.
O Poeta dizia: fazer um filho, plantar uma árvore, escrever um livro. Se ousasse juntar-me ao poeta: amar um homem e ver a Lua. Esta Lua. Vou esperar que ela chegue à minha janela. Se não for por mim, sei que não vai deixar o Castelo esperar.

A rua continua deserta. Também à espera...ah, e se ousasse ainda juntar algo mais ao poeta: Lisboa.
Mesmo com este calor sufocante não poderia não a respirar. Assim, transpirada..E, como eu, á espera.

Publicado por Isabel Faria às 10:05 PM | Comentários (4)

Tenham paciência...

casulo.jpg

Perdida entre a perspectiva de um fim-de-semana sem o meu filho e a certeza que só se guardar bem guardadinho, tipo tesouro mesmo, o cheiro e o sabor que invade esta tarde a minha casa poderei na Segunda-Feira, transformar-me num bicho da seda forte e grandalhão, não me apetece escrever. Nem ler notícias. Adiei uma ida ao cinema e vou ficar lá dentro, quieta e aconchegadinha (tem ar condicionado…).
Vou pegar num livro policial, levar um CD do Cohen, talvez umas uvas frescas e ficar lá até amanhã. Não quero que nada nem ninguém possa contribuir para dissipar esta brisa…nem mesmo a neura de pensar que vou passar um fim-de-semana sem o João Pedro. E mais, tenho a certeza que só por causa do tal cheiro, na Segunda…ah, já tinha dito. É melhor, então, ir…não me posso esquecer de levar o Telemóvel. Para dizer ao meu filho, porta-te bem, pelo menos cinquenta vezes…e para dizer…obrigado por existires…e por teres deixado a brisa que faz de mim um bicho da seda e peras!!!!! (se o TLM não tocar…eu digo à mesma…ou não se tratasse de uma brisa milagrosa, esta…que leva as palavras para todo o lugar onde eu as quiser fazer chegar…e traz).

Por uma qualquer avaria no sistema, apetece-me terminar este post com um Porra!!! (Para o caso de lá dentro chegar à conclusão onde está a avaria, será melhor levar a chave de parafusos??? E o alicate??? Não me parece...acho que curto a avaria).

Publicado por Isabel Faria às 07:28 PM

agosto 10, 2006

Afinal, houve embargo...

Seja qual for o desfecho, valeu a pena denunciar. Teimar.
A decisão peca por tardia e demonstra que há muito a fazer para combater as ligações perigosas e promiscuas entre as Autarquias e as enpresas de construção civil.
Afinal, quando o vereador das Finanças e mais directo coloborador de Carmona, Fontão de Carvalho, acusava Sá Fernandes de ter sido eleito para "embargar" obras, estava a ser provocador, incompetente e mal educado.
Mas também imprudente. E injusto. Mas vinda de quem vem, esta injustiça parece-me ser um elogio à actuação de Sá Fernandes.

Publicado por Isabel Faria às 11:36 AM | Comentários (3)

O dia-a-dia da mentira

Dia a dia, as notícias encarregam-se de desmontar o que resta da mentira de Bush, Blair e Durão Barroso ( então, como agora, as Lajes serviam para caucionar o apoio cego ao EUA e aos seua aliados). A invasão do Iraque não tornou o Mundo mais seguro.

Publicado por Isabel Faria às 11:06 AM | Comentários (1)

agosto 09, 2006

Novas ligações

Apesar de quase sempre muito atrasada, lá vou colocando uns links novos aqui ao lado nas Ligações Perigosas do Troll. Pedindo desculpa pelo atraso, mas apresentando como desculpa que nessas partes técnicas esta coisa é um Blog unipessoal, pois os meus colegas, coxo incluído, são infinitas vezes mais azelhas (e mais preguiçosos) que eu, ontem entraram para a lista o Caderno de Verão, que espero sinceramente não seja só de Verão, porque não me apetece andar sempre a tirar links e vale mesmo a pena uma visita diária e o Ponto sem Nó, da minha alentejana favorita, a Mar.
Aqui ( e ali) ficam, com a promessa que vou tentar ficar mais atenta, ser menos preguiçosa e mais persistente na tentativa de meter os homens da casa a partilhar estes assuntos domésticos, colaborando nas arrumações. Afinal, parece que isto é um Blog de Esquerda...

Publicado por Isabel Faria às 10:45 AM | Comentários (6)

Claro que só podia ser "bélico não ofensivo"

Um avião militar israelita fez escala nas Lajes. O Governo Português autorizou. Segundo fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros sempre que há um conflito e é pedida autorização para escala ou aterragem, esta carece de uma atenção especial. Portanto, se o Governo autoriza, se Israel está em conflito aberto, agora já não com o Hizbollah, como nos querem continuar a "vender" , mas com o Governo do Libano, partindo do principio que o Governo português lê as notícias e sabe do conflito e da fase em que se encontra é porque deu uma autorização com essa tal atenção especial, que estes momentos obrigam. Fez, portanto, uma análise cuidada da situação e optou. Tomou partido por uma das partes em confronto, Israel. Contra outra, o Libano.
Entretanto, ficaram por esclarecer o que é "material bélico não ofensivo" e quem fiscalizou o que o avião tranportava. Se bem que, no fundo, também não havia nada a fiscalizar. Todo o material que Israel usa no Libano, as bombas que destroem cidades e já mataram mais de 1000 pessoas, a grande maoiria das quais civis, é todo material "bélico não ofensivo", ou não fosse a missão de Israel uma missão "bélica defensiva".
Para nos sossegar o MNE assegura que só foi dada uma autorização para um único vôo. Esqueceu-se de acrescentar quantos pedidos já lhe tinham sido feitos por Israel...pois se, como tudo indica, houve apenas um pedido, só poderá ter havido uma autorização. E significa que o Governo Português, até agora, no conflito que opõe Israel ao Libano, respondeu positivamente a 100% dos pedidos de uma das partes em confronto.

Publicado por Isabel Faria às 10:13 AM | Comentários (8)

agosto 08, 2006

Europeus de Atletismo - um dia em cheio!!!!

francis

Cum caraças e onde chegam os joelhos??? Uma pessoa vê a partida assim atrasadita e pensa: olha atrasou-se. Tadinho do Franciszinho, vai ficar sem medalha. Mas, de repente, começa a ver os joelhos a subir quase até à altura da cara, os braços a subirem quase até...sei lá...até metros acima da cara, tipo céu ou assim, e lá vai desta...o homem desata a correr, passa eles todos e traz-nos mais uma medalha. De ouro. Esta conquistada na pista como ele tanto queria.
Já esta tarde, João Vieira tinha conquistado uma medalha de bronze nos 20km marcha (eu ando-me aqui há meses a tentar preparar para os meus 15 lá para Setembro ...que espero fazer num dia e não precisar todos os dias do carro vassoura e imagino o que é fazer 20km em pouco mais de uma hora...é tudo mentira não imagino nada. Isto sou eu a armar-me aos cucos).
Também esta tarde um outro atleta português, Nélson Évora, tenha saltado 7,91 metros, alcançando o 6º lugar no salto em comprimento. Bem quanto a este feito nem me pronuncio sobre as minhas (in)capacidades. Saltar não é mesmo o meu forte. Costumo ter vertigens. Mesmo que seja em comprimento...tudo o que seja levanatr os pés do chão, não é comigo.

Ah, uma nota pessoal que não tem nada a ver com estes laivos de patriotismo mas que, como podem imaginar me traz alguma animação, diria mesmo, algum estímulo: uma atleta eslovena, Merlène Ottey, classificou-se para as meias finais dos 100m.
Ok...vou repetir a coisa...a atleta tem 46 anos e classificou-se para as meias finais dos 100m nos Campeonatos Europeus de Atletismo.
Isabel Faria, faxavor, se por um acaso qualquer não te conseguires lembrar dos joelhos do Francis nem da hora e pouco do João, lembra-te da Marléne cada vez que chegares ao meio (ok...a 1/3 ) da Calçada de Santana a deitar os bofes pela boca.

PS: Com o Daniel coxo do cotovelo, lá tive que tomar em mãos, de novo, a pasta do Desporto cá de casa. Espero ainda voltar hoje com boas novas sobre o Benfica...Daniel, o boneco tá de fora, pronto. Para que raio servem os amigos, né????

Publicado por Isabel Faria às 07:19 PM | Comentários (3)

Obrigado

Há alguns dias que ando para fazer este post. Mas tem passado. Não é que seja muito importante. Passam-se dias em que nem me lembro que existem. Mas...existem. O Troll desde há uns tempos que entrou na lista dos 25 Blogs mais lidos da Weblog. Já uma altura tinhamos lá estado, mas, então, nenhum de nós teve dúvidas que se tratava de uma “anormalidade” qualquer que nos punha com 8000 ou 10000 visistas por dia...
Mas agora que parece que a mania das grandezas passou ao sistema de contagem e depois de uns tempos lá por baixo, entramos nos 25 +. Ontem estivemos no 11º. Segundo este contador com 2795 visitas...
Ok, pode-se não ligar muito a isto...mas uma pessoa quando escreve...curte ser lido. Quando fala, ser ouvido...quando ...ok. Por aí adiante...
Portanto, obrigadinho. Por passarem por aqui. Desculpem se, às vezes, isto anda mais calmito mas o calor, as férias e uns tantos acidentes de percurso assim o obrigam. A gente gosta de vos “sentir” por cá...é por isso que cá continuamos.

11 + (14) * Troll Urbano * 2795 + (2206) (não sei fazer isto ficar com aquele ar...sorry...vocês vêm cá, eu agradeço...mas nada a fazer... continuo azelha!!!!)
Mas se quisrem confirmar está aqui. Com o tal ar que a azelhice não permite colocar aqui.

Publicado por Isabel Faria às 01:14 PM | Comentários (3)

Há dias assim...

Quando isto está mau, nada como o Álvaro de Campos ou o Bernardo Soares...para ficar pior. Bem hajam.

cansaço1.jpg

Não: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos?

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho

Publicado por Isabel Faria às 12:35 PM

No Iraque, como que para confirmar...

...e para provar que a guerra, que a invasão, que a ocupação nunca são solução. Que apenas levam a novos radicalismos, que apenas acirram ódios, que são uma espiral que nunca traz segurança nem nunca resolve os problemas, continuam a morrer civis inocentes, que apenas são culpados de ter nascido no lugar errado, na época errada. E de estarem no lugar errado no momento errado. Mais dez pessoas morreram ontem num mercado de Al-Shurja em Bagdad, vitimadas por duas bombas. A guerra civil impõe-se agora, na sequência duma invasão baseada na mentira e de décadas de repressão do regime de Sadam. E nela, diariamente, segundo a BBC, 100 pessoas perdem a vida.
Israel diz que se prepara para ocupar o Sul do Libano. Os EUA como sempre apoiarão Israel. A História continua a não lhes ensinar nada.

iraque.bmp


Publicado por Isabel Faria às 10:46 AM

agosto 07, 2006

Madonna

madona
Foto:Portugal Diário

A habitual transgressão de Madonna, num concerto em Roma, sob o mote da paz e com as "rezinguices" habituais da Igreja.

Publicado por Isabel Faria às 07:43 PM | Comentários (4)

Lei da Paridade

Cavaco aprovou a Lei da Paridade.
Não é a minha Lei. É a Lei que sai daquele centrão balofo que agora engloba Cavaco e o Governo. No entanto, sempre achei que a Lei da Paridade seria um passo na luta pela igualdade de oportunidades das mulheres portuguesas. Já tive estas discussões vezes sem conta. Continuo a pensar que o ideal seria que as mulheres, tal como os homens, ocupassem lugares públicos por competência e por opção. Continuo a pensar que se, por opção, o quiserem fazer terão sempre o entrave das máquinas partidárias, dominadas por homens, seguramente nem sequer competentes ( basta ver a lista dos nossos deputados, nomeadamente dos maiores Partidos e as listas para as Autarquias de muitos deles), que lhes tornam os caminhos e os acessos muito mais complicados do que a eles próprios. O acesso é feito no momento da escolha das listas. Quem escolhe é quem detém o Poder. Em Partidos com maiorias esmagodoras de homens, o Poder é, por estes, inevitavelmente, exercido. E é o circulo vicioso que não tem tido fim...
Milito num Partido onde a Lei da Paridade há muito é cumprida. Não precisamos de multas. Mas tenho a consciência que o Bloco é, nesta matéria, a excepção que confirma a regra.
Como já disse outras vezes, seria óptimo que o patronato tivese sozinho concluído que era justo trabalhar 40 horas semanais. Nunca teria sido necessário lutar, nem impô-lo legislativamente. Mas foi. Os direitos adquirem-se com luta. Mas têm que ser salvaguardados com leis. Para que as mulheres chegassem aqui foram necessárias muitas lutas. Esta Lei é a sua passagerm a papel, que a conjuntura politica, torna, neste momento possível. Coxa. Mas, ainda assim, menos má do que ausente.

Não é a minha Lei. As penalizações são insuficientes e haverá muitos que preferirão pagá-las a abrir mão dos seus "tachos" e dos seus preconceitos.
Mas é o mal menor possivel com este PS e este Presidente. E repito. Entre uma perna e perna nenhuma...não me parece que alguém opte por ficar sem as duas.

Publicado por Isabel Faria às 07:03 PM | Comentários (3)

agosto 06, 2006

Onde anda a minha mala???

Alguém me pode faxavor informar se hoje é Sexta Feira. dia 13 dum raio de um mês qualquer????

Apanhei o Expresso que me traria de volta a Lisboa. Coloquei a mala no porta bagagem.
Fiz a viagem.
Cheguei à camionagem. A mala que lá estava era da mesma cor que a minha....mas não era a minha.
Um senhor no aeroporto desceu e pegou na minha mala. Da mesma cor do que a dele mas que não era a dele.
Eram 11.30 da manhã. Até agora o senhor não contactou a empresa que nos transportou, não me devolveu a minha mala nem procurou a dele. Na camionagem abriram a mala dele que tem roupa de homem. Digam-me para que é que eu quero calças de fazenda, polos e camisas??? E a estúpida sensação de que alguém anda a mexer nas minhas jeans, nas Tshirts do João Pedro, no meu colar de coco comprado na Zambujeira do Mar, na minha blusa dos buraquinhos verde água que eu adorava...e no resto que nem falo senão me largo a chorar???

E agora?
Amanhã vou fazer um reclamação por escrito. Exigir que me paguem os prejuízos...e o motorista??? Acabei de o contactar...não quero que venha a ter problemas...mas como posso evitá-lo?
Diz que "acha" que não há nenhuma norma interna que os obrigue a separar as bagagens que entram nos autocarros, única forma de evtar que isto aconteça. As bagagens para o fim da linha vão para um lado, para as paragens intermédias vão para o outro...e as bagageiras que não transportem bagagens para aquela paragem, não são abertas, em nenhuma circusntãncia. Ele acha. Mas não tem a certeza. Este é o procedimento das viagens internacionais. Parte-se para Madrid de autocarro. Pelo caminho se se necessitar de algo que se transporte no bagagem guardada no porta bagagem, o motorista não tem autorização para o abrir. Somos avisados disso logo que as guardamos. Aqui o motorista acha que não existem regras escritas... Mas conhecendo as relações de trabalho como conheço, não acabará por ser ele a sofrer as consequências de uma incuria que é da empresa?
Amanhã faço a reclamação por escrito...exijo uma indemnização. Entretanto custa-me passar sem as minha coisas. Mas depois, vou conseguir adormecer? Sem ter a certeza que as responsabilidades serão assumidas pela empresa e não assacadas ao elo mais fraco, o motoroista que nos transportou e que abriu a porta ao Senhor que trocou as malas?

Comparado com...não adianta. Também somos as nossas coisas. E a falta delas. O pior é que também somos os anos de experiências em relações de trabalho que conhecemos....e somos os nossos princípios...e estou como que petrificada sem saber que opção tomar...

Volto ao principio...será que é dia 13?? Sexta Feira???

Publicado por Isabel Faria às 03:27 PM | Comentários (5)

O valor da vida ( e da coerência)

Tal como no Líbano, Israel continua a ter em Gaza, a falta de pontaria habitual:
Um oficial israelita é raptado e mais de 150 palestinianos são, desde então assassinados. A grande maioria civis. Os de ontem, um jovem adolescente e a sua pequena irmã.
A história de que a vida de uma criança israelita vale mais do que a de uma criança palestiniana ou libanesa, de que uma bomba terrorista dum grupo fundamentalista islãmco é um crime e que os crimes do terrorismo de Estado de Israel são actos de defesa, podem descansar algumas consciências tortuosas mas não contribuem para a Paz nem para a segurança no Mundo.

Não me irão nunca convencer que estas crianças:
libano6.jpg

São diferentes destas:
israel.jpg

Ou destas:
palestina2.jpg

Apesar de saber que na origem de muitos actos terroristas esá a situação nunca resolvida da Palestina, ninguém me ouviu clamar contra Israel nos actos bárbaros de Madrid, de Londres, de Bali ou de Nova York. Assim como ninguém me ouvirá calar os actos bárbaros de Israel quando invade, mata, destrói e, mais do que isso, se torna mais uma vez responsável pelo crescendo de apoio popular e de justificação dos actos daqueles que diz combater.

Israel mata no Libano e mata em Gaza. Não me calarei contra estas mortes. Como , em nome de que causa for, devem esperar que me cale quando uma bomba qualquer matar inocentes em um lugar qualquer.

Nestas ocasiões, relembro sempre a frase de Jorge de Sena, que há anos, guardo, num pequeno quadro à entrada da minha porta. Diariamente o olho à entrada e à saída. Digamos, que me serve de luzinha que se acende para que nunca ouse esquecer algo que considero fundamental no ser humano. A coerência.

" Acreditai que nenhum Mundo, que nada nem ninguém vale mais do que uma vida ou alegria de tê-la.".
Preciso de coerência como do ar que respiro, para viver.

Publicado por Isabel Faria às 02:35 PM | Comentários (1)

agosto 05, 2006

"Carta a Frank"

Esta carta do Boaventura Sousa Santos, foi publicada na revista Visão, do passado dia 27 de Julho. Hoje recebi-a por Email. No dia em que se contabilizaram os mortos e feridos ( as feridas, ainda não se descobriu a medida a usar), aqui fica:

Escrevo-te esta carta com o coração apertado. Deixo a análise fria para a razão cínica que domina o comentário político ocidental. És um dos intelectuais judeus israelitas — como te costumas classificar, para não esquecer que um quinto dos cidadãos de Israel é árabe — mais progressistas que conheço. Aceitei com gosto o convite que me fizeste para participar no Congresso que estás a organizar na Universidade de Telavive. Sensibilizou-me sobretudo o entusiasmo com que acolheste a minha sugestão de realizarmos algumas sessões do Congresso em Ramallah.

Escrevo-te hoje para te dizer que, em consciência, não poderei participar no congresso. Defendo, como sabes, que Israel tem direito a existir como país livre e democrático, o mesmo que defendo para o povo palestiniano.

Esqueço, com alguma má consciência, que a Resolução 181 da ONU, de 1947, decidiu a partilha da Palestina entre um Estado judaico (55% do território) e um Estado palestiniano (44%) e uma zona internacional (os lugares santos: Jerusalém e Belém) para que os europeus expiassem o crime hediondo que tinham cometido contra o povo judaico.

Esqueço também que, logo em 1948, a parcela do Estado árabe diminuiu quando 700 mil palestinianos foram expulsos das suas terras e casas (levando consigo as chaves que muitos ainda conservam) e continuou a diminuir nas décadas seguintes, não sendo hoje mais de 20% do território.

Ao longo dos anos tenho vindo a acumular dúvidas de que Israel aceite, de facto, a solução dos dois Estados: a proliferação dos colonatos, a construção de infra-estruturas (estradas, redes de água e de electricidade), retalhando o território palestiniano para servir os colonatos, os “check points” e, finalmente, a construção do Muro de Sharon a partir de 2002 (desenhado para roubar mais território aos palestinianos, os privar do acesso à água e, de facto, os meter num vasto campo de concentração). As dúvidas estão agora dissipadas depois dos mais recentes ataques na faixa de Gaza e da invasão do Líbano. E agora tudo faz sentido.

A invasão e destruição do Líbano, em 1982, ocorreu no momento em que Arafat dava sinais de querer iniciar negociações, tal como a de agora ocorre pouco depois do Hamas e da Fatah terem acordado em propor negociações. Tal como então, foram forjados os pretextos para a guerra. Para além de haver milhares de palestinianos raptados por Israel (incluindo ministros de um governo democraticamente eleito), quantas vezes no passado se negociou a troca de prisioneiros?

Meu Caro Frank, o teu país não quer a paz, quer a guerra porque não quer dois Estados. Quer a destruição do povo palestiniano ou, o que é o mesmo, quer reduzi-lo a grupos dispersos de servos politicamente desarticulados, vagueando como apátridas desenraizados em quadrículos de terreno bem vigiados. Para isso dá-se ao luxo de destruir, pela segunda vez, um país inteiro e cometer impunemente crimes de guerra contra populações civis. Depois do Líbano, seguir-se-á a Síria e o Irão. E depois, fatalmente, virar-se-á o feitiço contra o feiticeiro e será a vez do teu Israel.

Por agora, o teu país é o novo Estado pária, exímio em terrorismo de Estado, apoiado por um imenso lóbi comunicacional — que, sufocantemente, domina os jornais do meu país — com a bênção dos neoconservadores de Washington e a vergonhosa passividade da UE. Sei que partilhas muito do que penso e espero compreendas que a minha solidariedade para com a tua luta passa pelo boicote ao teu país. Não é uma decisão fácil. Mas crê-me que, ao pisar a terra de Israel, sentiria o sangue das crianças de Gaza e do Líbano (um terço das vítimas) enlamear os meus passos e embargar-me a voz.

Publicado por Isabel Faria às 10:59 AM | Comentários (12)

agosto 04, 2006

Do céu...

A guerra, dia a dia

Depois de, do céu, terem vindo as bombas israelitas que lhe tiraram a casa e levaram a famíla

libano2.bmp

Ainda será capaz de esperar que, do céu, chegue a ajuda?

libano1.bmp

Publicado por Isabel Faria às 10:08 PM | Comentários (2)

António Vitorino e o queijo

Por:Manuel Carvalho

O queijo só traz problemas às pessoas. Há uma grande variedade de queijos, pelo que as pessoas também têm uma grande variedade de problemas.

Fontes geralmente bem informadas dizem que uma das pessoas que mais parece sofrer com isso é António Vitorino (AV). As mesmas fontes, citando especialistas credenciados, dizem que o dirigente do PS mostra bem o seu sofrimento no seu artigo de 4 de Agosto no DN sobre "os europeus e a guerra".

Um dos problemas é o esquecimento, o tão famoso esquecimento. Será por isso que AV lembra-se que há uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas para desarmar o Hezbollah mas esquece-se de tantas outras sobre Israel e sobre a Palestina favoráveis aos direitos humanos, à paz e ao povo palestiniano?

As citadas fontes dizem que AV pode ter também um problema de coluna. Esta coisa de andar sempre com os EUA às costas, mesmo comendo muito queijo, parece dar muitas dores na coluna. Com consequências na posição vertical.

As citadas fontes dizem que AV pode ter um problema de cabeça; não, não estou a dizer que o homem sofre de demência - antes pelo contrário revela-se um homem que sabe bem o que faz. O problema também não é da calvície... mas o homem dá voltas e voltas à cabeça para nos dizer que é preciso uma força de "interposição" com "capacidade de fogo... de 15 a 20 mil homens", "numa missão de alto risco... com possibilidade de as forças europeias sofrerem baixas"... com certeza para fazer o trabalho sujo dos EUA e Israel. Ou será para envolver a Europa numa guerra em larga escala abrangendo a Síria e o Irão?

As fontes dizem que AV pode ter um problema de tacto. Diz não há cessar-fogo porque "as coisas ainda não estão maduras". Não sei o que ele está a apalpar, mas talvez não haja cessar fogo porque o agressor não quer parar de agredir.

Há quem diga que o queijo em excesso também provoca dupla personalidade. Não sei, de medicina não percebo nada. O que me parece difícil é um cidadão dizer-se socialista e ter um discurso completamente alinhado com o neoconservadorismo.

Será de eu comer pouco queijo...

Publicado por Troll Urbano às 09:59 PM | Comentários (1)

Com On e Off faxavor!!!! Parva encardida!!!!!!!

fantasma.jpg

A memória é uma coisa parva. Tal como em tudo o que diz respeito às coisas cá de entro devia vir SEMPRE com um botão a dizer on e off. Podia ser em inglês que a gente até lá chega...
Para além de incomodar, aparece em ocasiões em que não é convidada, acaba por nos estragar (isto é, a gaja pensa que estraga, mas a gente, com a idade, aprende a dar-lhe a volta...quase sempre...) alguns momentos que queriamos imaculados de prazer e de entrega e é extremamente injusta para com os outros...mete-nos a cobrar- lhes coisas que os pobres nem imaginam que alguma vez possam estar a dever...e não estão, claro. As dívidas são de outros, que vieram antes, que estão enterrados (ou deviam estar), que aparecem sempre de lençol mais ou menos encardido na cabeça e que há muito que deviam estar nas calendas grega, troianas ou o raio que as partam.
Se a gente até pode concordar que a memória colectiva é útil e que o Off deveria estar eternamente avariado, a nossa, a que nos traz os nossos encardidos encapotados, devia poder ser desligada e pronto. È uma parva. È encardida e é inimiga do nosso bem estar.
Estúpida...
Não me perguntem a que propósito é que isto vem que não faço ideia, tenho raiva a quem faz e se me disseram que faço eu desminto. Sou lá gaja para dar importância a encardidos/encardidas de lençol na cabeça...vai de retro!!!!

Publicado por Isabel Faria às 10:49 AM | Comentários (2)

A mulher de César

Há mais de uma semana que a Procuradoria de Justiça publicou um relatório sobre o condomínio da Infante Santos, em que dadas as irregularidades verificadas, dizia que os trabalhos deveriam parar.
Depois disso, numa sessão da Câmara, ficaram sem resposta as perguntas colocadas pela oposição. Ninguém sabia se a obra tinha alvará, ninguém sabia se a permuta de terrenos, pelo facto de a obra ocupar terrenos municipais, se tinha efectuado, se tinha sido autorizada. Ninguém sabia onde andavam os mais de 600.000€ que o construtor devia aos lisboetas.
Na passada Quarta Feira, Sá Fernandes em entrevista a Mário Crespo na SIC Notícias, reafirnmava que anda há meses a fazer as mesmas perguntas ao Executivo e que nunca tinha obtido respostas. Entretanto, confirmava que a obra não tem, de facto, alvará, que o dinheiro devido á Câmara nunca foi pago, para além das outras coisas mais “corriqueiras”: que viola claramente o PDM.
Mário Crespo apresentou, na altura, umas fotos da obra em que se vê uma varanda de um dos edifícios calmamente inclinada sobre o...Aqueduto das Águas Livres.
Para além da responsabilidade dos vários executivos municipais (como Sá Fernandes lembrou esta é uma obra que vem desde o tempo de João Soares), há uma clara desresponsabilização do IPPAR. Entre desleixes, interesses, negócios mais ou menos obscuros, incompetências, a obra lá vai continuando...com as respectivas varandas.
Pela primeira vez não concordei com Sá Fernandes quando ele frisou que considerava Carmona Rodrigues uma pessoa séria e honesta e que não era essa seriedade e honestidade que estava em causa.. Possivelmente penso o mesmo...mas a questão é mais grave: quando se ocupam cargos públicos, ainda por cima para os quais se foi eleito e nos quais se lida com o dineheiro e os interesses dos cidadãos, tornamo-nos todos Mulheres de César. Não nos basta sermos sérios. Temos que o parecer. A incúria com que se desbarata dinheiros publicos, não os recebendo nem exigindo, a injustiça com se tratam cidadãos que necessitam de fazer uma marquise no quintal ou construtores que pretendem fazer condomínios de luxo em Lisboa, se não não mostra desosnetidade, mostra um total alheamento do interesse público. E aí, quando se é eleito para um cargo público, quando se faz campanha eleitoral comprometendo-nos a zelar por esse interesse e não se cumpre...pode ser-se pessolamente honesto, sério, o que se quiser acreditar, mas está-se a cometer um acto de desosnestidade política que tem que ser denunciado como tal.
Como Sá Fernandes salientava na entrevista o seu papel como vereador e já que os lisboetas apenas o elegeram como vereador é, antes de mais, denunciar as situações. Para que nas próximas autárquicas ninguém possa dizer, eu não sabia.
Mas o papel de quem tem nas mãos os destinos do Munícipio é o de ser por isso responsabilizado. Politicamente. Mas também pessoalmente.
À pergunta se via a cor partidária nesta questão, Sá Fernandes respondeu que via a cor do dinheiro. A côr do dinheiro tem que ser denunciada. E mais uma vez me vem à memória a mulher do dito...

Publicado por Isabel Faria às 10:05 AM | Comentários (6)

agosto 03, 2006

Fuga e abandono

A guerra, dia a dia

libano4.bmp
Segundo o Primeiro-Ministro libanês, a agressão israelita já provocou mais de um milhão de desalojados: Cana, Baalbek, Tyre são apenas alguns dos noems que nos vão ficando no ouvido.

libano5.bmp
No mercado de Tyre, resta agora um gato abandonado.

Publicado por Isabel Faria às 10:25 PM | Comentários (5)

Nada como tê-los esfomeados...

Há sempre a hipótese de nos safarmos com os esfomeados...
Segundo este reconfortante estudo, quando estão de estômago vazio eles não reparam nas nossas curvas (ou falta delas...). O que, apesar de tudo, é uma diferença significativa. Eu quando estou com fome nem reparo neles....

Publicado por Isabel Faria às 09:50 AM | Comentários (4)

agosto 02, 2006

A cegueira de Israel

Imagens da guerra dia-a-dia

Baalbek, Libano
libano.jpg
Israel, afirma que as vitimas foram guerrilheiros do Hezbollah. Na foto um pai tem nos braços o seu filho morto pela artilharia israelita.

Baalbek, Libano
libano3.jpg
No Telejornal da TVI, perguntava-se ao enviado especial, qual a opinião dos libaneses sobre o Hezbollah.
A resposta vinha pronta. O apoio cresce a cada ataque e a cada massacre israelita. Cada dia, se ouve menos falar em Hezbollah e se ouve mais falar na resitência. O Governo Libanês, entretanto, realçou que, apesar das diferenças, ajudará o Movimento a lutar contra os invasores.

Publicado por Isabel Faria às 08:50 PM | Comentários (4)

Sem titulo

sun3.jpg

Há dias em que as coisas que vemos todos os dias, nos tocam num sítio qualquer diferente. Com o tempo habituamo-nos a elas. Pansamos. Afinal, nem sempre assim é.
Tenho que passar pela morgue do Instituto de Medicina Legal todos os dias, quando saio de casa. De inicio fazia-me confusão. Muita confusão. Mas fui aprendendendo a conviver com isso.
Hoje havia seis carros funerários parados à porta. As portas estavam abertas. Todos já tinham as flores dentro. E esperavam. As flores, os carros e algumas pessoas que estavam por perto, esperavam. Nunca olho para os rostos de quem espera. Tenho um pudor enorme em fazê-lo.

Tenho a sorte de trabalhar perto da Maternidade Alfredo da Costa. De vez em quando tenho a sorte de ter pontaria com as horas das altas. Vou tentar hoje. Adiar a hora do café. Vai-me fazer bem ver as alcofas que trazem pela primeira vez à rua, os meus vizinhos acabados de nascer.
Assim costuma funcionar. Primeiro passar pela Rua do Instituto Bacteriológico e depois o jardim em frente da Maternidade. Ao contrário não. Isso desde que, a muito custo, me convenci que sou mortal que tenho cá dentro.
Nem vou precisar de ver seis alcofinhas. Uma chega. Apenas olhar um começo. E senti-lo.

De vez em quando encontro pessoas que me dizem que não têm medo de morrer. Têm medo de sofrer. Nunca consegui sentir isso. Tenho um imenso medo de já não ver a porta do carro aberta. De mahhã, quando passo ao Instituto, e ainda não fui ao jardim em frente da Maternidade, lembro-me que há alguns anos, me convenci que isso é bem capaz de acontecer um dia...

Já tinha chegado a estas linhas...não as vou agora apagar. Entretanto, por mais uns tempo, convenci-me que a gente também se engana...qual mortal, qual carapuça. Enquanto viver, não sou. Bastar um telefonema, para me lembrar isto, merece um agradecimento sentido ao Sr. Bell...pelo menos.

Publicado por Isabel Faria às 09:28 AM | Comentários (2)

agosto 01, 2006

A minha boa acção

verão2.jpg

Regressar é mau...mas recuperar alguns bons hábitos não é assim mau de todo. Ser solidária, por exemplo. Para quem recomeçou hoje a trabalhar e precisa de um estimulozito...aqui fica.

Se descobrirem algum que achem que me possa ajudar a mim e quiserem ser solidários comigo...estou a precisar:

Publicado por Isabel Faria às 03:22 PM | Comentários (3)

Uma semana como desculpa...

amamentacao.jpg

Dos benefícios para o bébé, falam os especialistas. Do prazer, podemos falar nós. Daqueles momentos únicos, da mão pequenina no nosso braço ou no nosso seio, da boquita ávida, do olhar que procura o nosso...do sorriso. De satisfação quando saciaram a fome e ficam todos disponíveis para nós...disso podemos nós falar.

Publicado por Isabel Faria às 02:52 PM

E para estas...usa-se o Betadine onde?

mere et fils.jpg

Desde que começaram a cair usávamos o Betadine. O Hirudoid para as nódoas negras. A água friia costumava resultar. E uma festinha. Um abraço apertado. Sentados ao nosso colo, as dores acalmavam e as lágrimas amainavam.
E agora? para as outras? As de dentro, que não passam com Panadol, que não têm lugar para se pôr o Betadine, que não se vêem, só se sentem, as nódoas negras, para as de dentro, as dos fins que doem, das coisas que se aprende que não são eternas, mas se queria tanto que fossem, para as que até nos fazem esquecer que os homens não choram, como se repetia depois de cada sessão de raios laser antes da operação por causa da bola de ténis. Para essas, usa-se o quê? Não vale a pena falar do tempo. Dizer que passa. Eles sabem isso. Só que não sentem. Nem nós, grandallhões e com tantos fins desses no curriculum, o sentimos, como é que eles podem?
Fica o colo...a toalha molhada na testa que antes servia para baixar a febre e agora talvez sirva para refrescar um pouco a alma.
Já queres falar?
Não, ainda não.
Quando quiseres eu estou aqui.
Eu sei.

Publicado por Isabel Faria às 12:00 AM | Comentários (3)

julho 31, 2006

Tentativa de motivação

motivação.gif

... TENHO UM BOM EMPREGO. TENHO UM BOM EMPREGO. TENHO UM BOM EMPREGO.

E NÃO GOSTO DE ESTAR DEITADA AO SOL. E JÀ ESTOU FARTA DE FÉRIAS. FARTA! FARTA!! FARTA!!!

... TENHO UM BOM EMPREGO. TENHO UM BOM EMPREGO. TENHO UM BOM EMPREGO.

ESTOU CHEIA DE SAUDADES DELE: CHEIA! CHEIA!! CHEIA!!!

(Recebi por Email de um amigo. Decidi fazer um post com algumas alterações...obrigado, João. Chama-se Tentaiva de Motivação. Mantenho o título).


Publicado por Isabel Faria às 12:13 PM | Comentários (8)

A falta de vergonha continua...

ajj.jpg

"O Governo da República está a servir-se do tema da economia para distrair os portugueses e quando os senhores menos derem por isso vamos ter a destruição dos valores da sociedade portuguesa, inclusivamente, vamos assistir a casamentos dos homossexuais".
..."Apesar deles (no Continente) serem antifacistas, sem nunca terem pegado numa espingarda , quem fez durante 29 dias a revolução contra Salazar (em 1934) foram os madeirenses e não aqueles maricas".
..."os chamados colaboracionistas, gente (natural da ilha) que está sem calças e de rabo para o ar virado para Lisboa... políticos locais que andam a defender o garrote económico"

Quando é que os madeirenses tomam nas suas mãos o fim da falta de vergonha e da falta de educação, das injúrias, das difamações e das ofensas , da arrogância, do desrespeito e da imbecilidade ?

Publicado por Isabel Faria às 11:49 AM | Comentários (11)

Deixem-nas brincar

crianças.jpg

"A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os propósitos mesmos da sua educação; a sociedade e as autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste direito."

"A criança figurará, em quaisquer circunstâncias, entre os primeiros a receber proteção e socorro."

"A criança gozará proteção contra atos que possam suscitar discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza. Criar-se-á num ambiente de compreensão, de tolerância, de amizade entre os povos, de paz e de fraternidade universal e em plena consciência que seu esforço e aptidão devem ser postos a serviço de seus semelhantes".
Da Declaração dos Direitos da Criança, aprovada pela Assembleia das Nações Unidas em 1959.

Publicado por Isabel Faria às 10:40 AM | Comentários (3)

Um incidente

Ontem, Israel matou mais 57 civis, dos quais 34 crianças em Cana, no Sul do Libano. Os adultos assassinados, certamnete, ainda se lembravam dum outro massacre, em Abril de 1996, feito pelo exército israelita, na sua terra.
As crianças, possivelmente, não...só passaram dez anos mas Israel não deu a muitas delas a hipótese de viverem dez anos...
Entretanto, Israel reconheceu o ataque, depois de o ter desmentido e de ter inventado umas tantas desculpas, e chamou-lhe cinicamente de "incidente". Assim como dar um encontrão à saída do autocarro e trocarem-se umas palavras azedas ou cometer um lapso de linguagem. Incidente. Coisa pouca, que só provocou a morte a 57 pessoas inocentes a juntar às outras mais de 600 que já morreram desde que Israel decidiu obrigar o Líbano a voltar à dor e ao luto, aproveitando o pretexto do rapto de dois soldados.
Entretanto, como se a condizer com "incidente", os EUA pediram a Israel para ter "mais cuidado". Afinal, podia ter sido pior...havia 63 pessoas na casa ontem bombardeada...ainda se salvaram 6, portanto.

Israel continua a recusar o cessar-fogo. Hoje abriu uma excepção, interrompeu os bombardeamentos por 48 horas para fazer o inquérito ao tal "incidente". Que concluirá seguramente que o Hezbollah colocou ali as pessoas para serem massacradas ou que havia uma base qualquer escondida na cave. As 48 horas acabam já na próxima Quarta Feira. De madrugada. Quarta Feira, durante o dia, com o apoio de Bush e de Blair, Israel pode voltar aos incidentes. Entretanto, deve pensar se pode ou não dar ouvidos aos EUA e ter "mais cuidado". Posivelmente não vai ter. Seja lá o que isso for, com ou sem cuidado, Telaviv continuará a contar com a conivência e o apoio de Washington na sua escalada de morte e de destruição. Há quantos anos é assim?

Publicado por Isabel Faria às 10:14 AM | Comentários (6)

julho 30, 2006

Voltei a casa...

lar.jpg

...e tenho uma camilha para dar de adopção.

Voltar para casa tem assim qualquer coisa que nos leva longe. Àqueles dias em que voltava e procurava o colo da mãe porque uma colega me tinha chamado parvalhona, ou perguntava ao meu pai, aconchegada debaixo do seu braço, achas-me muito feia, pai? porque um menino me chamara caixa de óculos...Voltar é encontrar o colo e ouvir, claro que não, és agora feia, filha, apesar de já não custar tanto o parvalhona nem o caixa de óculos (aliás, desde que uma vez tentei usar lentes de contacto e fiz uma ferida na córnea que quase me cegava de um olho...acho-me sexyssima com estas coisas penduradas em cima do nariz...)., no sofá onde adormeço ao meio do filme ou na banheira que já sabe, sem precisar que eu faça nada, qual a temperatura e qual a quantidade de água, para o meu banho de imersão.
Sabe bem, pronto.
O meu único problema quando volto para casa (para além de normalmente isso significar que tenho que voltar ao trabalho...mas nisso só começo a pensar amanhã, mais ou menos por esta hora) é as coisas que compro enquanto estou fora. E o trabalhão que me dá arrumá-las. Desta vez, por exemplo, comprei três frasquinhos para as especiarias (isto é aquilo não são frasquinhos para as especiarias, são frasquinhos, eu é que decidi que eram frasquinhos para as especiarias e não lhes admito discussão...) e um tapete para o quarto. E pronto...já mudei a cozinha toda do avesso por causa dos três frasquinhos de vidro com uma rolha e ainda não tenho a certeza se fica por ali...
O pior, no entanto, é o quarto. Para além de ter retirado o outro tapete de circulação e do ritual que isso implica, tipo, explicar que volta no Inverno, claro que te curto, já assististe a umas coisas, ia agora esquecer-me de ti e assim, há o resto do quarto todo que tem que se alterar por causa do tapete. A mesa de cabeceira agora já não é mesa de cabeceira. O cabide deixou de estar dum lado e está no outro exactamente oposto, as molduras que estavam em cima da mesa de cabeceira que agora já não é mesa de cabeceira ficaram no mesmo lugar com a diferença que têm que estar voltadas para outro lado, porque já não estão em cima da mesa de cabeceira e o trabalhão que deu até acertar com o lado...e o pior...esta é a parte que não sou capaz de resolver. Sobra-me uma mesa camilha...e respectiva tollha. Aquilo não cabe em lugar nenhum e nunca poderia ter uma camilha e um tapete...agora estou com graves problemas logisticos. Já pensei colocá-la ao cimo das escadas e dizer, olhem vizinhos, tão gira...fica aqui tão bem, agora arranja-se umas plantinhas...mas a minha vizinha vai dizer que não chega à janela e assim não pode abrir a porta a toda a gente que vem a minha casa antes de lhes dar tempo de tocar à campainha...
Por acso, há alguém que precise de uma camilha e respectiva toalha??? A sério ela até tem bom ar, não me cabe é na cozinha, ainda por cima agora que me lembrei de comprar os frascos das especiarias e não faz pandan (eu aprendi a dizer pandan ainda estava no Afixe ...creio que é um termo tipo Tia mas que é apropriado para a gravidade do momento que eu e a minha mesa e respectiva toalha estamos a passar)...Vá lá...há algum voluntário que qieira adoptar uma camilha??? E respectiva toalha?

Publicado por Isabel Faria às 03:35 PM | Comentários (8)

julho 29, 2006

Descanso

DSC01782.JPG
Gosto de não saber a história do barco abandonado. Nunca saberei se o barco chegou ou não chegou a partir...se foi trazido pelas ondas ou nunca chegou a ser levado por elas...se repousa num porto seguro depois de cansado de viagem ou se de tão cansado não chegou a partir. Se encontrou motivos para ficar. Ou se deixou de os encontrar para partir. Como não percebo nada de barcos, não sei se é um veleiro a que tiraram as velas, se um barco de piratas a quem o Alentejo conquistou, se um barco de pesca que se cansou de pescar...não me parece que esteja abandonado, Acho que as ondas, as gaivotas e algumas,poucas, pessoas que se atrevem a descer as rochas, lhe fazem companhia. Apesar de não lhe conhecer a história, acho que é feliz. Tem ar de ser um barco feliz. Portanto, não abandonado. Descansa apenas...perto de casa.

Publicado por Isabel Faria às 05:20 PM | Comentários (2)

Tenho sempre medo de pensar nas coisas que me fazem medo

Fui muito cedo para a praia. Gosto de chegar à praia quando ainda não há ninguém. Gosto de ver o mar e sentir que ele se me dá...de quando em vez, preciso de ter algumas coisas em exclusividade. Não acontece muito com as pessoas, melhor, não acontece com as pessoas porque não acho justo e porque nunca espero dos outros o que não lhes posso nem lhes sei dar, mas com o Mar sim. Também acontece com a Lua, ás vezes. Mas menos. Com o Mar gosto mesmo de sentir que aquela onda foi propositada para molhar os meus pés.
Não creio que houvesse mais de 3 ou 4 pessoas espalhadas pelo areal. Longe o suficiente para que apenas ouvisse o som das ondas.. O João Pedro ficou ainda a dormir. Era a última manhã de férias e tinha que aproveitar.
Deixei a toalha, despi-me e, de tão cedo que era, deu para sentir, percorrendo-me o corpo, o vento frio, a maresia fria, de quando o Sol ainda acorda.
Molhei os pés na água fria. Naquela que eu sei que só ali estava para mim. E aconteceu-me o mesmo de sempre, quando só estou eu e o Mar. Nunca sinto frio. Sei que a água está fria, mas não a sinto fria. O Mar, quando estamos sós, eu e ele, aquece-me sempre. Mentira. Esta parte foi só porque me custa reconhecer que não saberia viver sem o seu calor. O Mar, para falar verdade, mesmo quando não estamos sós, aquece-me sempre. Até quando está longe e só o sinto. Durante alguns tempos só sentia o Mar quando o olhava. Ou o tocava. Agora não. Agora sinto-o sempre. Creio que começou a acontecer quando aprendi a entregar-lhe os meus pés para aquecer. A entregar-me. Os pés e o resto de mim.. De manhãzinha, ao acordar, o Mar aquece-me a alma. Nunca me devo vir a fartar de acordar no Mar. Como não acontece muitas vezes, aproveito os minutinhos todos. E beijo-o. Ou a areia dele. Enquanto ele se espreguiça. O Mar parece gostar que o beijem ao acordar. E ao adormecer. Já me aconteceu estar com ele, à noitinha, e beijá-lo ao adormecer. Ou de dia. O Mar não tem hora para adormecer. Basta que a gente lhe toque levinho. E o canse. Gosto de ver o Mar cansado. Parece-se com gente. Comigo. Também gosto que me adormeçam. Cansada.
Ainda sinto os pés molhados. Quentes e molhados. Mesmo agora que o Sol quase adormece de novo e a maresia volta. E agora que as férias acabam sei que vou encontrá-lo noutro lugar. Pode ter forma de Tejo. O meu Mar tem a forma que eu lhe dou. Dantes não era assim. Precisava de o ver, assim, azul e de perder de vista, para ser o meu Mar. Creio que começou a ter esta forma, a forma que lhe dou, quando um dia o encontrei á minha porta, ao fim das escadas. Um Mar que está em plena Lisboa, á minha porta, ao fim das escadas e me espera...pode ser e estar em qualquer lado. Confesso que tenho medo que um dia não o encontre, que volte a sentir a água fria ou que precise de lhe tocar para o sentir...ou, pior ainda, que deixe de perceber que aquela onda é só para mim... Mas não me apetece pensar nisso. Nunca me apetece pensar nas coisas que me fazem medo. Tenho sempre medo disso.

Publicado por Isabel Faria às 05:14 PM | Comentários (3)

julho 28, 2006

Hoje um poema...

Hoje não me apetece escrever...apetece-me apenas um poema da Mafalda Veiga. Creio que já um dia o publiquei ...não faz mal...deve ter sido num dia como hoje...em que, por várias vezes, me recordei da voz da Mafalda Veiga numa noite quente de um Julho passado à chegada ao Campo Santana. Ou porque...Não...há coisas qie até eu que costumo contar tudo não ouso...fica o possível. Porque me apetecia dizê-las. Soubesse eu ser poeta.

Por te rever
Quisera roubar-te essas palavras e morrer
Trazer-te assim até ao fim do que eu puder
E começar um dia mais eternamente
Por te rever, só
Pudesse eu guardar-te nos sentidos e na voz
E descobrir o que será de nós
E demorar um dia mais eternamente
Por te rever, só
Quisera a ternura, calmaria azul do mar
O riso o amor o gosto a sal a sol do olhar
E um lugar pra me espraiar eternamente
Por te rever, só
Pudesse eu ser tempo a respirar no teu abraço
Adormecer e abandonar-me de cansaço
Quisera assim perder-me em mim eternamente
Por te rever, só

Publicado por Isabel Faria às 03:10 PM | Comentários (1)

julho 27, 2006

Só faço isto e ...como...

bronzear.jpg

Isto sou eu (sou uma optimista) enquanto não venho aqui meter as moeditas...para além disso como...pão alentejano e queijo...e tou feita ao bife...a balança da farmácia só pode estar avariada...só pode. Porra. Alguém me sabe dizer se é costume as balanças das farmácias avariarem??? E, não é??? Obrigado. Vocês são uns amores...o que seria de mim sem vocês???? Não pode ser, pois não??? Ninguém engorda quase 2Kg a comer pão alentejano??? Em oito dias!!! Só pode ser avaria, não só???

Publicado por Isabel Faria às 06:05 PM | Comentários (4)

E isso tem alguma importância?????

As perguntas da oposição ficaram sem resposta: O Condomínio da Infante de Santos está ou não a ser construída sem licença municipal; a taxa de 600.000 Euros, que o construtor teria que pagar foi ou não foi paga e a obra está ou não a ser construída em terrenos camarários.
A única coisa em que o Vice-Presidente e vereador das Finanças, Fontão de Carvalho, foi claro e não hesitou por um momento foi na acusação de que Sá Fernandes desde que foi eleito não pára de criar problemas ao Executivo Municipal. Ah, e também foi mais ou menos veemente no tom ameaçador com que deu ordens para que ficasse em acta quando Sá Fernandes decidiu abandonar a reunião depois dos insultos...tudo o resto ficou para responder, para apurar, para pensar mais tarde. Isto, depois de há meses Sá Fernandes, ter solicitado por escrito estas respostas...isto, depois de parece já ha muito ser do domínio público que a Provedoria da Justiça andava a investigar o processo...
Calculo que a acusação de “criar problemas” à Câmara e a ameaça de que fica em acta o abandono da reunião devem ter tirado o sono a Sá Fernandes a noite passada...em contrapartida, os lisboetas e os amantes de Lisboa tiveram um sono muito mais tranquilo. Carmona Rodrigues garantiu que nunca faria de forma consciente qualquer coisa que lesasse o interesse público ou de qualquer instituição...a minha única dúvida para poder mesmo, mesmo, dormir descansada é se uma empresa de Construção Cívil é uma instituição...claro que me arrisco a, se colocar a questão aos responsáveis do Executivo, levar como resposta...Estas questões não são de simples resposta...não faço ideia se tem ou não alvará (deduzo que talvez isso me pudesse dar um bocadinho da resposta sem que o Sr. Vice Presidente e o Sr. Presidente se tivessem que cansar muito)...e não tenho ainda a resposta.
Ok, resta-nos esperar...afinal a obra ainda não está concluída...e o Presidente assegura que não comprou nenhum prédio...parece que deu autorização para que se comprasse, substituindo-se à Câmara e à Assembleia Municipal, mas isso tem alguma importância?...a gente até se comoveu com aquele tom pungente com que ele manifestou a sua tristeza pela forma como o assunto tem sido tratado. Os jornalistas, a Provedoria e a oposição são todos uns ingratos, é o que é. E maus. Que eu tenha que ter licença para arranjar o telhado da minha casa porque está a chover lá dentro e pagar por isso, vá que não vá...agora para fazer um condomínio, qual é a lógica?

Publicado por Isabel Faria às 05:51 PM | Comentários (2)

Um link

Mesmo aqui em férias recebo desafios. Um amigo enviou-me este link e um desafio. Que o visse, o publicasse e lhe colocasse comentários, que não fossem de "dona-de-casa-trabalhadora-empregada-măe-aflita com os problemas da vida" (desculpa lá, mas isto de publicar posts a pedido tem as suas contrapartidas...).

O link aqui fica. O único comentário posível é que não acredito que uma sociedade que não respeite os seres vivos possa ser uma sociedade justa. Nem que pessoas que não respeitam os outros seres vivos e a natureza possam ser criadores de sociedades justas.
Quanto ao resto...não prometo nada. É que, para mal dos meus pecados, sou isso tudo...talvez a excepção seja dona-de-casa...mas trabalhadora, empregada, mãe e aflita com os problemas da vida (olha acabei de perder umas chaves e não faço ideia como me vou safar desta...), disso não tenho mesmo como me safar...
E manda mais...aqui é tão complicado fazer posts que sempre ajuda...e uma boa causa, amigo, é sempre uma boa causa...nem preciso de me atrever...basta não me esquecer de ser coerente!!!!

Aqui fica

Publicado por Isabel Faria às 12:10 PM | Comentários (3)

julho 26, 2006

AVÓS

avós.jpg


Comemora-se hoje o Dia dos Avós. Não acho piada por aí além a estas coisas de comemorar dias ...mas aqui fica a nota.
O Publico de hoje (vocês desculpem, mas isto de não ter acesso livre às edições on line, condiciona-me um bocado as fones) falava nos avós que levam os netos ao McDonald’s. E que deixaram de usar manta e bengala. A propósito lembrei-me de um episódio passado há uns anos, andava o meu filho, creio, no 7º ano.
Quase todos os dias vinha de autocarro com um colega que vivia perto do Arco do Cego. Um dia, em que o fui buscar à escola, perguntei ao menino se naquele dia não vinha connosco. Respondeu-nos que não. Naquele dia tinha boleia. “O namorado da minha avó vem-me buscar hoje”, explicou.
E não querem vocês que os neo-liberias empedernidos vociferem contra o aumento da esperança de vida...
E vivam os avós...mas se não se importam eu posso não dispensar o namorado, mas prefiro quando chegar à altura já precisar de uma bengalita...sinal que me faltam muitos anos para voltar a mudar fraldas ...

Publicado por Isabel Faria às 12:36 PM | Comentários (3)

julho 25, 2006

Lá tem que ser...

Como o Daniel vai partir para a sua segunda semana de férias e, creio, ficar com um pouco de menos tempo para escrever sobre coisas sérias e chatas...e, apesar de contar com a pedalada do Manuel e do Chora, decidi, assim como quem não quer a coisa, voltar a ler jornais.
Entre uma noticia de que Rui Rio se prepara para “privatizar” o Rivoli porque dá prejuízo (a demagogia de comparar os números com o que gastou nas Escolas ou na acção social é constrangedora e repugnante) e um artigo que nos dá conta que o Presidente da Assembleia Regional da Madeira com o apoio de Alberto João criou um código de como se vestir para entrar nas instalações da Assembleia, que proíbe os repórteres e os operadores de imagem, por exemplo, de trabalharem de Tshirt e de ténis, fiquei, pelo menos, a saber que foram recolhidas as assinaturas suficientes para obrigar o Parlamento a legislar sobre a preservação da memória do que foi o fascismo em Portugal.
Por qualquer associação de ideias que poderá, eventualmente, apenas ter a ver com o Sol, a mercantilização da cultura, a demagogia aberrante de pretender que ela dê lucro e de justificar a falta de investimento e de preocupações sociais com o que nela se gasta, o atentado à memória colectiva que é alienar a história do Rivoli e o atentado à liberdade individual que constitui a criação do tal Dress Code de que falava José Victor Malheiros no Público (claro que, como o autor referia, todas as actividades têm as sua regras, incluindo as de indumentária...mas daí a um código escrito a ser usado por “trabalhadores externos” – nem só ao Deputados se refere - vai uma distância considerável...) , tornam para mim essencial a tal petição e a tal necessidade de legislar e de preservar a nossa memória colectiva sobre os crimes do regime fascista em Portugal.
Nos pequenos gestos da Direita em Portugal seja ela Rui Rio ou Miguel Mendonça, tenham eles a ver com a uniformização da cultura ou da imagem, vislumbram-se demasiados pontos comuns com um passado que importa recordar...a Petição Não Apague a Memória será entregue no início da próxima sessão legislativa.
Ciclicamente e a bem da Democracia convém não esquecer que no Porto ou no Funchal ainda existem demasiados aprendizes de feiticeiros. Todos, presume-se, com a memória muito curta. Ou talvez não. Talvez apenas com alguma nostalgia .

Publicado por Isabel Faria às 12:32 PM | Comentários (2)

julho 24, 2006

Tiraram o banco....

Adiava há quase vinte anos. Sempre receei encontrar uma das duas Zambujeiras. A de 1983 e ter saudades de nós. Ou a de 1987 e sentir a falta do Zé.
Durante posts e posts em que fui falando do Zé nunca lhe dei nome. A maioria das vezes usei a terceira pessoa do singular e não me dei nome a mim. Sabia que se voltasse a ver a casa azul de onde se espreitava o mar, lhe daria nome. E a mim. Na Zambujeira temos que ter nome. Não te zangues nem faças essa cara de mau. Não há como não temos nome na Zambujeira.
Não tive, especialmente, saudades nossas. Nem senti a falta do Zé. Saudades nossas tenho algumas vezes, pelo que não fomos capazes de viver. Do Zé, tenho sempre. Pelo que ele desistiu de viver. Mas sentir a falta não. Já não. Deixei de sentir a falta quando senti que estavas bem.
Tiraram o nosso banco da Praça. Melhor assim. Nunca chegámos a concluir se em 87 já não chegava ao Cabo Carvoeiro. O amor. Em 83 sabiamos que sim...qual Cabo Sardão...qual Cabo Espichel...pelo menos ao Cabo Carvoeiro e voltava...não faziamos ideia quantas vezes voltava. Mas era enorme.
De tudo o que queria só não tirei uma foto à casa da risca azul...prefiro-a naquela em que estás à porta do Dyane. Em 83.
Na casa da risca azul, quero-te lá.

Ao voltar, quando o telemovel tocou, tive a certeza que tinha estado na Zambujeira em 2006. Não senti a nossa falta. Saudades tuas, Zé, tenho sempre. Aprendi a viver com elas. Não faço ideia se ainda chegava ao Cabo Carvoeiro em 87. É bem provável que não. Sei que não devias ter desistido...não, antes de viveres. E de encontrares outros amores que chegassem aos Cabos todos e voltassem não sei quantas vezes. E te voltassem a dar vontade de não desistir. Mas quem sou eu para saber isso, não é??? para não aceitar que tivesses partido...não eras tu que me dizias que gostavas de mim porque eu nunca impunha nada...nunca...e o que isso, às vezes, custava...mas amava-te demais para ousar pensar em impôr-te o que quer que fosse. Quando se ama nunca se impõe...nunca. Creio que mostrei (mostro) isso outras vezes...só sei ser assim...

Ainda bem que tiraram o banco...e que o telemóvel tocou na viagem para cá. Gosto de estar viva. Tenho pena que tu não estejas. Mas sei que, ali, estivemos. E, sei lá, ia jurar que te vi o sorriso...E nem penses que dói ver o teu sorriso. Nunca, Zé. O que doía era quando desistias de sorrir e me fazias chorar por desistires...quando sorrias nunca doía...mesmo quando sabia que eu não cabia no teu sorriso. E soube tantas vezes que não cabia no teu sorriso.
A cascata está lá...vi-a ao longe...é, continuo uma medricas do caraças...e alturas então, nem vê-las...piorou com a idade. E também a cascata só tem piada para se tomar banho depois de se fazer amor na praia. Um dia quem sabe...por agora fica a nossa cascata. Já que nos tiraram o banco...um dia quem sabe...o amor tem destas coisas Zé, às vezes, sem mesmo a gente saber como, volta a chegar aos Cabos todos...quantas vezes te pedi para não esqueceres isso nunca...de vez em quando não me ouvias...olha no que deu...a cascata está lá e tu não podes fazer amor na praia...não podes??? Sei lá...desculpa a prvoíce. Quem sou eu para saber o que tu podes ou não podes fazer. Na praia onde estás agora.

Publicado por Isabel Faria às 06:46 PM

julho 23, 2006

Fados

Tou feita...ouvir a Amália a cantar as Tábuas do Meu Caixão mexe comigo. Sempre mexeu. Nunca me fez nenhuma confusão dizer que gostava da Amália. Porque sempre dissociei a Amália do que pretenderam (ou ela deixou) fazer com ela.
Agora, ligar a SIC e ouvir dizer que a Amalia nasceu a 23 de Julho na Freguesia da Pena...ver um cadito da Calçada de Santana e da Rua Martin Vaz e ficar aqui roídita de saudades de casa...quando estou de férias e a curtir as férias...só pode ser mesmo levar demasiado a sério esta história da saudade e afins Sempre achei que não devia gostar de fado...tenho ataques de fazer chorar as pedras da calçada. Lamechices, como diria um amigo meu...mas o que é que se pode fazer...se não for genético também já é defeito..Tenho o Mar...falta-me o Tejo. Tenho o Alentejo... falta-me o Castelo. Tenho o dia todo...falta-me a pressa. Tenho o pão alentejano... falta-me o Sr. do talho que é o único que sabe cortar os bifes como eu gosto...e isto tudo vice-versa...às vezes fico um cadito farta de fado...
Não sei onde meta este post...vou prpôr aos meus colegas que criem uma categoria chamada Lamechices...por enquanto, fica na música.
Ah agora vou ao Teatro. No Largo. Espero que aquilo não me venha falar em nostalgias, saudades, amores, paixões e desejos senão não respondo por mim...que fale em futebol...ou no Sócrates. Amen.

Publicado por Isabel Faria às 09:39 PM | Comentários (4)

Sei lá se é esteriótipo...

carrot-man-and-woman.jpg

Este Sábado, o Daniel Oliveira escrevia, no Expresso, um artigo com o título Homens-objecto.
E falava sobre os estereótipos que continuam a distinguir o sexo, o prazer e os afectos no masculino e no feminino. Como pontos prévios gostaria de dizer: 1º, que este post seria muito mais fácil se tivesse mantido o anonimato, 2º que já não me sinto com idade para este post ser muito mais fácil se tivesse mantido o anonimato, .3º Que este post só é possível porque o vento não me deixa ler as partes chatas do Expresso.

Não me preocupa nada essa história de nos distinguirmos ou não na hora do prazer. Já fiz sexo, já fiz sexo apaixonada . Não posso garantir que todas as vezes que estive com alguém (já) estava apaixonada. Creio, sinceramente, que não. Aliás, eu sou das pessoas que acreditam que a paixão precisa de intimidade para florir. Pode haver atracção, pode haver curiosidade, mas quando se descobre o prazer, fazendo sexo com alguém com quem nunca se esteve, não houve tempo para a intimidade. A paixão, não está, portanto, ainda ali. Não se conhece o sabor de alguém na primeira vez que se “dorme” com alguém. E não há paixão sem sabor.
Ao longo da minha vida quase sempre me apaixonei pelas pessoas com quem tive sexo.. Quase sempre.
Não tenho nenhum problema em assumir o Quase. Tenho a certeza que o quase me deixou um sabor estranho na boca (ou na alma?). Possivelmente, nas poucas vezes que me aconteceu, saía sempre com as palavras do Sérgio cortadas a meio: “Hoje soube-me a pouco”...pelo caminho, na intimidade que não criei, ficou sempre a faltar o resto do verso... “portanto, hoje soube-me a tanto”.
Não sei se esse sabor fica ou não fica nos homens. Nem faço ideia se fica nas outras mulheres. Em mim ficou. Mas sei que isso não tem nada a ver com prazer. O sabor que a seguir ficou não impediu nem condicionou o prazer de enquanto durou. Apenas me confirmou que não o voltaria a procurar. Porque lhe faltava algo...e não me estimula por aí além ter um prazer a que falte algo...

Pelo contrário, nas vezes em que a primeira vez foi o início da paixão, acabaram por surgir sempre as palavras do Sérgio. Todas. Mesmo que ainda soubesse que faltava tudo, mesmo que ainda não conhecesse o cheiro, nem o sabor. Mesmo que não soubesse se iria haver outra vez...nos momentos a seguir, naqueles em que se está vazio de quase tudo, sabia-me, já ali, sempre, a tanto...e, aí, era a pele que o dizia. A pele e o cheiro. Já que o olhar, às vezes, se esconde de cansaço. No toque duma mão, enquanto se redescobrem as forças, está ou não a certeza se a intimidade é possível. E a paixão provável.
Aos poucos, cada vez que num qualquer lugar surgia a oportunidade de criar a intimidade / alimentar a paixão, então, a certeza de que prazer se tem quando se está disponível para ele, mas que sabe bem melhor quando se começa a conhecer a borbulhita, a ruga ou a covinha onde podemos descansar a boca e o coração, a forma como o outro respira ou a maneira como se dá, surge como um facto e não como um preconceito.
Não sei se acontece o mesmo aos homens. Nem às outras mulheres. Sei que prazer pode nada ter a ver com afecto...mas que se juntarmos as duas coisas temos aquela mistura explosiva que faz o Mundo andar...e nos faz ter um gozo do caraças em estar vivo..
Das vezes em que o afecto não veio...à posteriori, sou capaz de me lembrar dos orgasmos. Nunca mais lembrei a pele. E não. Aí, que seja estereotipo ou o raio que o parta, mas prazer a sério a gente tem que se recordar dele com pele.
Não me faz nenhuma confusão imaginar-me a fazer sexo. E a ter prazer com ele. Um orgasmo é sempre um orgasmo. Mas que um orgasmo com olhar e com pele e com palavras é um orgasmo de que a gente nunca vai esquecer, disso também aprendi a não ter dúvidas.
Não sei se se passa o mesmo com os homens...sei que a gente sente...posso garantir que soube sempre distinguir quando um homem com quem estive esteve comigo ou esteve com...uma mulher. Acho que as mulheres sabem sempre. E os homens também. Às vezes, podemos fazer de conta que não...mas é só por comodismo, por medo, por desistência, por hábito...mas saber, sabemos. Porque se sente. E senão se sente logo enquanto se faz sexo, sente-se a seguir, no toque da mão...fazer amor e fazer sexo não é a mesma coisa. E todos o sabemos. Antes de começar, enquanto dura, mas, atrever-me-ia a dizer, sobretudo, quando termina.
É assim como a masturbação. Por necessidade ou por desejo...a gente sente que não tem nada a ver...apesar de cumprir a sua missão.

Acabei de reler isto e não faço a mínima ideia se há alguma lógica naquilo que escrevi. Nem faço a mínima ideia se há alguma lógica em o ter escrito.
Nem sei se ficou claro o que verdadeiramente penso do assunto e que eventualmente pode servir de estudo para quem quer que seja...(LOL). Para que conste e ajude, então, os tais estudiosos. Sou mulher. Não me faz nenhuma confusão sexo sem paixão. Mas prefiro ter as duas coisas. Juntas. Porque ao sexo sem paixão falta a intimidade. Não me parece nada de errado nisso. Pode-se viver sem ela, creio. Apenas eu preciso de intimidade para me sentir inteira. De cada vez que a vivo sei que terei mais desejo dela na próxima vez.. De cada vez que tive um orgasmo sem ela...tive um orgasmo. Faz-me imensa confusão paixão sem prazer, sem sexo. Acho que não é paixão. Pode ser uma quantidade de sentimentos, cada um mais louvável que o outro, mas paixão, não. Talvez por incapacidade (nunca se é muito bom a falar do que não se conhece muito bem, né?) também vi que não me referi às relações de vidas. Em que as “dores de cabeça”, as dúvidas, os filhos, o trabalho condicionam não só o desejo como a forma de o viver.
Pelo que me recordo das que mais se assemelharam a isso, recordo que sempre tratei as dores de cabeça (sem ou com aspas) com analgésicos (sem ou com aspas) e as dúvidas com palavras. E que não tive oportunidade de notar muito essas diferenças de que falam os entendidos.
Também não falei do momento de “despaixão”. Aquele em que no lugar da paixão não se criou nada...e em que se fica frente ao outro como se de um estranho se tratasse. Aqui não sei como é com os homens. Nem com as outras mulheres. Comigo sei que é definitivo. Se sei que posso desejar antes de me envolver emocionalamente com alguém, ou, eventualmente, sem que isso nunca venha a acontecer, o meu desejo nunca resistiu ao processo de “desapaixonamento” (esta coisa existe?).
A memória de quando o toque da mão enchia os momentos a seguir ao amor, se o toque da mão falta, torna completamente impossível a disponibilidade para os momentos antes. Os da entrega. Deve ser das poucas coisas em que fundamentalista. O meu desejo é fundamentalista. Não resiste a comparações com ele próprio. Normalmente, nunca lhes sobrevive. E isto nada tem a ver com a duração das relações. Nem com a sua “normalidade”. Quando a paixão acabou em relações estáveis ou nas menos estáveis, o outro foi sempre o primeiro a saber. A maioria das vezes antes que eu tivesse encontrado o jantar certo para a conversa necessária....e nunca demoro muito tempo a escolher o restaurante..

Publicado por Isabel Faria às 11:08 AM | Comentários (8)

julho 22, 2006

O Mar

Vila Nova Milfontes 2006.JPG

Gosto dele.

Publicado por Isabel Faria às 11:23 AM | Comentários (5)

Crónica de férias nº não sei quantos

Ter o Troll entregue ao Daniel, ao Chora e ao Manuel a escreverem sobre coisas sérias, deixa-me tempo para aproveitar as férias para escrever sobre as coisas importantes da vida. Claro que não...as coisas sérias não têm que ser necessariamente as importantes.
O Sr. da Pensão que o ano passado queria casar comigo, encontrou-me agora mesmo na Padaria. Reconheceu-me, perguntou-me porque não tinha ficado na Pensão dele. Antes de ter tido tempo de lhe responder, disse-me que continuava a querer casar comigo...voltou a tratar-me por Menina, primeiro e Dótora, depois. O ano passado disse-lhe N vezes que Menina, mas pouco e Dótora nem da Mula Russa, como se diz na minha terra. O Sr. disse que, para ele, eu sou Menina e Dótora e pronto. E que quer mesmo casar comigo...não percebi se ele quer casar comigo por causa de eu ser Menina ou Dótora...presumo que nada tem a ver com a Isabel...prometi-lhe que para o ano volto a ficar na Pensão dele...e ele disse-me que continuava à minha espera. Creio que para casar.
Está um bocado mais coxo e mais empenado...mas para querer casar comigo não deve ser preciso ainda correr a maratona. Só deve ser preciso ser masoquista e distraído QB.
Secalhar para o ano penso nisso...se ele ainda andar, que os quase 80 anos não perdoam.
Também não tenho a certeza se para casar comigo é preciso andar...eu cá nem que ainda andasse quilómetros sem ficar com dores nas barrigas das pernas e nas costas, queria casar comigo...mas deve ser porque sou um cadito masoquista, mas não suficientemente distraída. Não deve ter, mesmo, nada a ver com o reumático.
Antes de se ir embora ainda disse à Sra.da padaria que os papo-secos estavam com mau ar...portanto, ver, ainda, vê. Fiquei mesmo sem perceber nada.

Publicado por Isabel Faria às 11:15 AM | Comentários (2)

julho 20, 2006

Crónica

Trouxe uma gaja (eu) a porra do portátil para poder fazer os posts em casa e vir aqui ligar o portátil e não ir à falência e assim...e nada...não funciona. Lá tenho que estar num de moedinhas.
Então o melhor é mesmo ir temperar as febras e preparar o churrasco e fazer a salada e mais umas coisas destas que se fazem quando se está de férias...portanto, inté. Amanhã à uma hora venho aqui ter com um senhor que me vai ajudar a pôr isto a funcionar...espero eu de que.
Como isto parece um cavalo a correr...é melhor mesmo ir.
Daniel, vê lá se dás assistência ao bé-bé, faxavor.

São servidos????
Ah, é verdade porque é que vocês puseram a pobrezinha da Ministra da Educação quase a chorar a dizer que não a deixavam falar??? Maus e feios. E os exames do 12º ano não foram nada uma trapalhada. Injustos. Os incompetentes são os ptofessores. Chatos. Tadinha. Tive pena, eu.

Publicado por Isabel Faria às 07:19 PM | Comentários (1)

Temos um Troll novo

Um pedido de desculpas colectivo. Aos leitores do Troll, aos meus colegas Trolls e ao Manuel Carvalho.
Aos leitores do Troll porque apareceu um colaborador novo e ninguém o apresentou. Aos meus colegas, nomeadamente ao Daniel, pois essa tarefa tinha-me sido atribuída democraticamente por ele (LOL) e eu esqueci-me de a cumprir e ao Manuel porque o meti aqui, tipo de paraquedas, sem dizer água vem. Mas ontem foi um fim de dia muito cansativo e "passou-se-me" completamente.
Desculpas apresentadas, o Manuel é, a partir de hoje. um dos nossos. Farta-se de gozar comigo porque venho para aqui contar a vida...portanto, caros amigos, considerem-se safos de "lamechices" tipo Isabel. Esperem por posts claros e empenhados. Tenho a certeza que não sairão defraudados.
Pela nossa parte, ficamos felizes de o ter cá. Estamos de férias e esta é uma óptima altura para ele começar...precisamos de sangue novo, caraças!!!!!
Por razões técnicas que ainda não resolvemos, o Manuel vai para já aparecer na antiga modalidade Trollina. Por:....
Brevemente pensamos cnseguir um Manuel uniformizado...isto não parece uma coisa boa, mas têm que compreender que tenho Vila Nova de Mil Fontes à espera...e não estou com muito tempo para encontrar as palavras adequadas a este momento!!!
Bem vindo, Manuel.

Publicado por Isabel Faria às 08:14 AM | Comentários (15)

julho 19, 2006

Às vezes tem que ser...um poema

Hesito sempre quando me apetece deixar aqui um poema. É assim, sei logo que tenho menos um leitor... desde a minha pré-história no Troll que ando a tentar convencer o meu colega de Blog a gostar um bocadinho de poesia sem ser musicada...a pré-história de Troll já foi quase há um ano e ainda não consegui...(sou um desastre na arte de convencer).
Mas, de vez em quando, não resisto. Normalmente não é por razão nenhuma. Hoje nem é por o Troll estar quietito porque o Daniel está farto de trabalhar...é porque tem que ser. E quando tem que ser não é um poema. È o poema. Hoje tinha/tem que ser este.
Procuro-te, de Eugénio de Andrade.

passaro2.jpg


Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre - procuro-te.

Publicado por Isabel Faria às 06:27 PM | Comentários (4)

julho 18, 2006

Sem título

crianças palestinianas.jpg

Algures, na Palestina, com a o presente ali tão perto, dois miúdos palestinianos jogam à bola. É um sorriso igual ao dos nossos filhos. Este imagem que descobri no Google, num Blog chamado Abrangente, está num post de 2003.
Três anos depois, estas crianças cujo presente era, para além da bola, o resto que a imagem retrata, onde estarão agora? Quantas vezes terão perdido o sorriso? Ainda jogarão à bola? Ainda jogarão?

Publicado por Isabel Faria às 01:14 PM | Comentários (7)

Médio Oriente

Israel continua a fazer ouvidos de mercador aos apelos de moderação e continua a matar civis no Libano. Numa resposta desproporcionada ao Hezbollah, o Primeiro Ministro israelita promete intensificar os ataques. Contra todas as “infra-estruturas” terroristas, disse. Claro que, para Israel, há sempre o azar de haver civis à volta destas infra-estruturas…
Entretanto, do lado israelita, em Haifa, ontem morreram 24 israelitas mortos pelos mísseis do Hezbollah. Lá mais em baixo, alguém, daquelas pessoas que teimam em ver o Mundo a preto e branco, discordava da minha afirmação de que Israel não quer a paz. Enquanto o povo judeu não for capaz de obrigar os seus dirigentes a procurar o caminho da paz em vez do recurso sistemático à guerra, à agressão e à repressão, Israel, para mim, continuará a não querer a paz. Era bom se se pudesse ver um País só pelo seu povo. Ou pelos movimentos que lá dentro se batem contra os seus dirigentes. Mas um País é, sobretudo, a politica dos seus dirigentes. É a opção deles pela Guerra ou pela Paz, é a recusa ou a disponibilidade em negociar, é a muleta do imperialismo americano ou a vontade de andar com os seus próprios pés. Enquanto o povo judeu não tomar nas suas mãos o destino das suas vidas, Israel é um País que não quer a Paz.
O mesmo é, para mim, claro do outro lado da barricada. Enquanto o povo do Irão, enquanto o povo da Síria, enquanto os sauditas não tiverem forças e vontades para viver em Liberdade e em justiça, os seus países serão sempre, apenas, inimigos de Israel. Não serão nunca para mim, aliados ou representantes dos seus povos nem da sua vontade. O fundamentalismo e o terrorismo não passam a ser aceitáveis quando deixam de ser de um Estado e passam a ser de outro Estado. Ou quando deixam de ser de Estado e passam a ser de grupo. A resposta de Israel ao rapto de soldados israelitas é desproporcionada. Mas seguramente que o movimento libanês sabia que assim seria. Israel é perito em aproveitar pretextos. Aos anos que a Guerra dura, todos o sabem.
A guerra não é solução. Nem é caminho, aqui. Porque se o fosse já deveria ter levado a algum lugar, aos anos que se percorre. Mas a guerra só terá fim quando os povos de todo o Mundo, a começar pelos dos países em guerra se levantarem contra ela. A diplomacia parece mais uma vez não funcionar. Israel não aceita o envio de mais forças para a UNIFIL. E o próprio Conselho de Segurança da ONU não chega a acordo quanto a essa necessidade. Nem, sequer, quanto a um comunicado. Aceitar que, se a diplomacia falha, a resposta está na força dos mísseis ou das bombas, no rapto de soldados ou nos assassinatos selectivos, pode servir a Israel, à Síria, ao Irão, aos EUA, não serve ao povo israelita, iraniano, sírio. Não serve a causa palestiniana. Nem serve ao Mundo.

Publicado por Isabel Faria às 12:48 PM | Comentários (3)

julho 17, 2006

Com muros não há paz

Ontem em Tavira, o representante da Autoridade Palestiniana junto do Parlamento Europeu, Abdel Athie, resumia nalgumas frases a estratégia de Israel para prolongar a guerra. Israel ao negar a existência, no lado palestianiano, de interlocutores, prolonga e alarga a guera infinita. Para se construir a paz é necessário falar. Israel teima em fazer passar a imagem de que não tem com quem falar.
Para Israel, Arafat, segundo as palavras de Abdel Athie, tinha poder mas não tinha vontade. Mahmud Abbas tem vontade mas não tem Poder, dada a vitória do Hammas. E com o Hammas não é possivel negociar, acrescenta. Israel esquece-se que o Hammas ganhou as eleições. Está democraticamente no Poder. Pode-se não concordar com ele, como reconhecia, Abdel Athie dizendo que não era o seu Partido, mas é legitimamente o representante do Povo Palestiniano..
Eleito em eleições que a Europa pagou. O representante da Autoridade palestiniana diria a dada altura da sua intervenção, que a Europa tem o dever de pressionar Israel a negociar a paz com os representantes eleitos, em eleições que a Europa pagou. Talvez seja esta junção de ideologia e de pragmatismo que ajuda a tornar as coisas claras...e a não cruzar os braços. Israel não quer a Paz. A Paz no Médio Oriente passa pela paz na Palestina. Tudo o resto, só virá depois. E o resto é, neste momemnto, tudo. O Irão, o Paquistão, o terrosrismo, o Libano, o Iraque, as ditaduras do Médio Oriente, a paz no Mundo.
Não vale muito a pena clamar pela Paz e permitir que continuem sem resposta os que só vivem da Guerra. E que têm nomes.
No Sábado à noite, numa jornada pala paz em Tavira, com uma frase de George Lennon como lema: Give peace a chance, esteve também presente a Presidente do Partido de Esquerda israeleita, Meretz, que interveio ao lado de
Abdel Athie. Esta não é uma guerra entre povos.
Na noite quente de Tavira, longe de Gaza, do barulho das bombas e das lágrimas - "a vossa música é bonita, infelizmente na nossa terra só temos direito a uma nota, ao barulho das bombas e dos bombardeamentos".diria Abdel Athie, no inicio de sua intervenção e depois da música dos Kumpania Algazarra - a certeza de que esta não é uma guerra entre dois povos que querem ter o direito de existir. E a certeza de que para a Esquerda, a Guerra nunca pode ser a solução. Às vezes, foi um caminho. Nunca será a solução. E que os Muros nunca trarão a paz. Seja em que lugar e sob que justificação forem edificados.

Publicado por Isabel Faria às 01:15 PM | Comentários (8)

julho 16, 2006

Post com destinatário ...

bairro alto noite.jpg
...ou a minha impossibilidade de esquecer as datas...

Há um ano e um dia, escrevi este post no afixe. E dei-lhe um título: post com destinatário. Ontem não deu para escrever um post, nem para sugerir que por aqui passassem a espreitar...vai atrasado. Mas sei que vai a horas. Ao post de há um ano e um dia, juntei mais algumas palavras...não muitas. Hé alturas na vida em que as palavras nos faltam. Quando estamos muito tristes ou quando estamos felizes. Não estou triste.

Num minuto se nasce.
Às vezes, acontecem, na nossa vida, momentos assim. Em que um mês não são trinta dias. Em que um mês não é, apenas, mais um mês. Às vezes, acontecem, na nossa vida, meses que são 43200 minutos em que nascemos.
Nascemos nas palavras e nos gestos que redescobrimos, no desejo que não calamos, na ternura que em nós transborda, no prazer que nos enche o corpo e a alma. Nascemos na voz e nascemos na pele e nascemos, ainda, no sorriso. E na paixão.
Às vezes, acontecem meses, na nossa vida, em que nascemos. Apenas nascemos.
Às vezes, acontecem momentos nas nossas vidas em que não nos preocupamos como será daqui a um mês ou daqui a um ano. Às vezes, acontecem meses na nossa vida em que só o 43201º minuto conta. E nesse, eu estou contigo.

Às vezes, acontecem momentos, na nossa vida, em que cada ano é, apenas, uma sucessão de dias cheios de minutos em que se nasce. Às vezes, acontecem momentos, na nossa vida, em que que nos faltam as palavras para dizer da dádiva dos minutos com se fizeram as horas e das horas com que se fizeram dias. Não interessa onde estaremos daqui a um ano. Ou a um dia. Hoje estou contigo. Tal como no primeiro dia. Não, tal como no primeiro dia, não. Estou contigo tal como no primeiro minuto. Estejas onde estiveres, no próximo minuto estou contigo...os outros, os de aqui a um dia ou a um ano não me preocupam. Apenas os desejo. Da única forma que sei desejar. Como se fosse o primeiro. E único.

Publicado por Isabel Faria às 06:51 PM | Comentários (2)

Mais uma macacoa do Troll

Não sei o que se tem passado, mas a Weblog, ou, pelo menos, o Troll, têm estado com mais uma das suas crises. Tem sido impossível comentar (recebi os vossos Emails , amigos) e não tem sido possivel colocar posts. Depois do que coloquei ontem á tarde, esta manhã tentei e o tal de sistema (adoro esta expressão onde cabe tudo, até as macacoas dos servidores) disse-me se não tinha mais nada para fazer que agora não dava. Não deu...vamos lá ver agora. Se não entrar, presumo que é mesmo do calor e mando eu o sistema dar uma volta (eu sei que esta parte costuma ter uma certa dose de conversa da treta...).
Atão...lá vamos nós...entras ou continuas a armar-te em difícil???

Publicado por Isabel Faria às 06:26 PM | Comentários (6)

julho 14, 2006

O que é que se faz?????

Alguém me pode dizer como é que posso alimentar o Troll se desde ontem me sinto assim:
frango.jpg

Publicado por Isabel Faria às 06:27 PM | Comentários (4)

Só agora???

Cavaco mostrou-se, esta semana, chocado e envergonhado com os números da violência doméstica em Portugal.
Alguém faz ideia em que País é que Cavaco viveu antes de ser eleito Presidente da República!!??

Publicado por Isabel Faria às 06:13 PM | Comentários (3)

julho 13, 2006

Veio tarde

O PSD foi recauchutar o o Bagão
O único problema do PSD é que agora o patronato já tem um novo e mais útil aliado...o projecto de Sócrates já foi aprovado em sede de Concertação Social pelos representantes patronais e claro pela "central sindical que assina tudo o que os Governos querem".
O PSD ainda não se deve ter convencido que com este PS no Governo tem que correr muito...para não ser ultrapassado pela Direita.

Publicado por Isabel Faria às 01:35 PM

julho 12, 2006

Sem ter que sair de casa

Meninas,
Se são envergonhaditas e não estão a precisar de caixinhas de plástico, é só contactarem a Gisele. Cá por mim, nestas coisas, gosto de ir às lojas. Nunca gostei de comprar plásticos em casa...dá um trabalhão porque se tem que fazer lanche e gasta-se metade do tempo útil na tal galhofa. O tempo que se gasta na dita é totalmente usado se nos deslocarmos às lojas e olhar, imaginar, bisbilhotar as conversas dos presentes e ter enconttos imediatos dum qualquer grau.
Na do Conde Redondo tive, há uns tempos, um vizinho que tentava convencer a esposa que estava no escritório cheínho de trabalho...
Numa, em Madrid tive a infelicidade de ter trocado a ordem...se tivesse ido lá primeiro e só depois ao Museu do Prado, não teria tido um encontro à saída, de pacotinho na mão, com o, então, meu chefe, acompanhado da esposa e dos quatro rebentos...ele estava parado no semáforo e apitou e tudo...penso que nunca deixou de olhar para mim de esguelha...ainda balbuciei que tinha saído mais cedo da reunião para ir ao Prado mas não me parece que tenha sido muito convincente...
Mas como o Troll é um serviço público não podia perder a oportunidade de vos dar a conhecer este serviço. E juntar um conselho amigo. Se não puderem mesmo ir à Conde Redondo ou à Rua Nova da Trindade e não vos der jeito ir ao Prado, chamem a Gisele. Há compras, infinitas vezes, mais úteis que um Tupperware e quem é que nunca foi a uma reunião chata e se viu obrigada a comprar mais uma caixita...que não vai servir rigorasamente para nada. Aqui não. Todas as compras que, eventualmente, fizerem, tenho a certeza que vos virão a ser úteis.

Publicado por Isabel Faria às 02:32 PM | Comentários (3)

O passo

syd barret.jpg
Syd Barret - 1945-2006

Lean out of the window,
Golden-hair,
I hear you singing
A merry air.

My book was closed;
I read no more,
Watching the fire dance
On the floor.

I have left my book,
I have left my room
For I heard you singing
Through the gloom,

Singing and singing
A merry air,
Lean out of the window,
Golden-hair
James Joyce


Publicado por Isabel Faria às 09:59 AM | Comentários (1)

julho 11, 2006

"Sete palmos de Terra" ou talvez não...

Ontem a Émiéle tinha chamado a atenção para o final de "Sete palmos de Terra". Desta última série só tinha visto um episódio (habituaram-se a marcar-me reuniões para as Segundas Feiras...).
Mas não é sobre a série que me apetece falar. Já tudo foi dito sobre a sua qualidade e o prazer de vermos momentos daqueles transmitidos daquela forma simples, profunda, marcante. Apetece-me falar sobre uma cena em que a mãe de Nate fala, nas escadas, com mãe das suas netas. Dizia-lhe que tinha estado sempre sozinha enquanto teve os seus próprios filhos. E rematava com um "Mas quando é que a maternidade não é um acto de solidão???".
Relembro a minha. Os momentos em que aguardava que o meu filho nescesse, depois, o acordar ao meio da noite, a febre, o não saber como acalmar as cólicas, o dar de mamar, a sua boca nos meus seios enquanto me olhava e pegava no meu braço com a sua mão pequenina, mais tarde, os primeiros tempos verdadeiramente a sós quando ele veio para Lisboa, a espera, no portão, depois do primeiro dia de escola, a operação quando do descolamento de retina, depois o ramo de margaridas amarelas para a primeira namorada e depois as primeiras saídas, o primeiro fim-de-semana fora, a caixa de perservativos...e acabei a pensar: mesmo que, eventualmente, tivesse tido alguém aqui, o que sentiria nesses momentos teria sido sempre sentido sozinha. Não há como partilhar a maternidade. Nem a paternidade. Os actos de amor como as dores não são partilháveis. O amor, a paixão, o medo da perda, a dor da perda, os abraços, as dúvidas, as palavras que não se dizem, as que se dizem e não fariam qualquer sentido para quem elas não se destinam, os gestos de ternura ou as mágoas de quando não se entende o outro, são sempre vividos em solidão. Não teria nenhuma piada se assim não fosse. A partilha só nos enche porque sabemos que vem a seguir. Que lá está. A seguir. Que é a luzita depois desses momentos não partilháveis. Muitas, tantas vezes, insuportavelmente, não partilháveis.
Se não fossem momentos de solidão, indescritíveis, impartilháveis, nunca amariamos da forma que amamos. Da nossa forma. Única.
Dizer Amo-te será sempre uma forma aproximada de tentar dizer ao outro que aceitamos tentar transmitir-lhe a solidão do que sentimos...amando-o. Mas será sempre uma forma aproximada . E será sempre entendível, pelo outro, em solidão. E duma forma aproximada. Só que é infinitivamente mais gratificante se dito enquanto se aguarda o momento a seguir...o da partilha. E no dicionário da partilha, aí sim, solidão não existe.

seule3.jpg
(Depois de voltar do almoço, achei que o Troll precisava de uma foto, hoje. Como ilustrar a solidão do amor? Talvez rodeando-a de amarelo, a minha cor da paixão...não sei se resulta...a tal impossiblidade de partilhá-lo deve ter algumas culpas no cartório...).

Publicado por Isabel Faria às 12:13 PM | Comentários (4)

Tomei-lhe o jeito...

Afinal, ganhei-lhe mesmo o jeito...ainda aqui estou a escrever sobre o Mundial.
No Domingo no Público, Bruno Prata, escrevia: "Ontem, a Adidas (Alemanha) ganhou o bronze à Nike (Portugal). Hoje, a Adidas ( França) vai tentar o ouro à Puma (Itália)."
Quando o jogo acabou lembro-me de ter recordado estas palavras e pensado: eh pá, afinal não é assim tão linear que sejam os interessses económicos, os contratos comerciais, os patrocínios a dominar. A Adidas, não ganhou. (Quando tenho destes ataques de ingenuidade fico sempre hesitante entre se hei-de encolher os ombros ou se era preferível apostar na chapada... ).
Ontem, a FIFA escolheu Zidane como o melhor jogador do Europeu. Afinal, o que são uns penalties contra a força dos contratos comerciais?
Que tenha sido escolhido um jogador que por melhor que tenha sido durante a siua carreira a acabe à cabeçada a um adversário, punida com um cartão vermelho, é um problema nosso. Somos nós que temos que explicar aos nossos filhos, entusiasmados a sorver aquelas imagens, que se pode ser o melhor e dar cabeçadas nos adversários. Ou será que é melhor arranjar forma de lhes explicar que para ser o melhor é preciso dar cabeçadas nos adversários? Talvez o mais fácil ainda seja tentar explicar-lhes o peso da Adidas...eles até conhecem os ténis...

Publicado por Isabel Faria às 10:35 AM | Comentários (6)

julho 10, 2006

Diferenças

Não me choca nada que 10.000 portugueses tenham saído à rua para esperar a Selecção, ontem, à chegada da Alemanha. O que me choca é que os Portugueses só saiam à rua para esperar a Selecção.
Cada vez que a França ganhava uma eliminatória, milhares de franceses saíam à rua para comemorar. Como cá.
A única diferença é que há uns meses, centenas de milhares de franceses sairam à rua para lutar contra a precariedade e pelo direito ao emprego com direitos. E cá não.

Publicado por Isabel Faria às 03:50 PM | Comentários (3)

O País continua...

chama.jpg

Depois de mais de um mês de intervalo, o País de todos os Verões aí está de novo. Ontem, mal chegou o primeiro calor, voltaram os incêndios. Seis bombeiros morreram em Famalicão. O Verão parece que vai ser de novo quente e de novo se vão repetir os mesmos gestos, as mesmas palavras sem sentido, as mesmas imagens em que a beleza se alia duma forma avassaladora à tragédia…Portugal vai voltar a arder. Não de emoção, nem de verde e vermelho. Vai voltar a arder de desleixo, de incapacidade, de impotência, de adiamento constante. A arder do preto das cinzas. Nos meses que aí vêm o hino vai ser substituído pelo som das sirenes dos bombeiros. E as pessoas que saírem à rua, continuarão à espera dum S. Scolari ou dum S. Figo, que as faça esquecer, que já o ano passado assim foi. E que assim continuará para o próximo. Com um pequeno intervalo em 2008. Para o Europeu.

Publicado por Isabel Faria às 03:30 PM | Comentários (2)

julho 09, 2006

Back...(é do Sol!!!)

entremeada.jpg
(imagem aproximada da entremeada grelhada do meu jantar de ontem...)

Acabei de chegar. Fiquei nun quarto em que, enquanto um andava em pé, o outro tinha que se manter quietinho em cima da cama...senão era choque certo. Um quarto enorme...vimo-nos aflitos para descobrir o pollibain (isto escreve-se assim...sei lá...também para descrever uma coisa monumental daquelas, qualquer palavra basta...) e mais de meio metro do meu filho ficou fora da cama...
...quanto ao resto...tudo correu bem. Apanhei Sol...agora já não pareço um copo de leite, pareço um garoto, só com um cheirinho de café, aluguei uma casa enorme (ainda não descobri para que é que quero uma casa tão grande, para passar dez dias, mas deve ter sido para compensar o trauma do tamanho do quarto e do dito cujo onde era suposto tomar banho, se lá tivessemos cabido...).e depois de alugar a casa, juro, juro, e juro (não estou a fazer figas...tenho os dedos todos em cima do teclado, apesar de só escrever com os dois habituias) descobri que mesmo em frente tenho um Cyber Café, com uns computadores onde se mete uma moedinha de cinquenta cêntimos...resisti a ir lá (só fui apalpar o senhor...ok, nada disso que vocês estão a pensar, apalpar o senhor, de saber informações e assim) e fiquei a saber que não se devem ver livres de mim, enquanto estiver no palácio...uma pessoa resiste dois dias...mas dez??? Nã...não me parece!!! com os gajos ali todos a olhar para mim??? Daniel, podes ir de férias que, afinal, talvez o Troll não feche....
Vi Portugal perder, num restaurante com uma vista linda sobre o rio Mira, mesmo no cais, mas onde a entremeada depois de vir fria, foi para trás e quando voltou parecia sola daquelas botas castanhas que havia lá na minha terra e onde Portugal venceu, pelo menos, por 20-0...cada vez que se aproximava da baliza, havia um gajo que gritava Gooooolooooooooo...acho que só escapou o golo porque já estava rouco...e voltei cheia de calor e cheia de vontade de ver uma banheira e uma cama de gente...mas acho que me fez bem. Tou aqui com mais alguma força...
Ah, esqueci-me, fui invadida por um batalhão de pulgas do mar ...descobri, portanto, por é que só naquele lugar é que não havia gente...já viste João Pedro, estão todos ali em cima uns dos outros e ali tanto espaço livre, que parvos...pois... quem me manda pensar que a esperta sou eu...viemos corridos e expulsos por uns seres saltitões e pretos.
Dia 20 há mais...na palácio com vista para os PCs (salvo seja...).

Publicado por Isabel Faria às 07:35 PM | Comentários (3)

julho 07, 2006

Até Domingo

milfontes.jpg

Amanhã muito cedo parto para aqui. Só volto Domingo ao fim da tarde. Vou ver o mar, respirar, apanhar Sol e procurar uma casa para poder voltar daqui a duas semanas.
Durante dois dias não vai haver Net. Enchi-me de força e não vou tirar o portátil do seu merecido repouso...
Agora com o Daniel cá, tenho a certeza que não vão sentir a minha falta (esta de me convencer que sentem quando ele não está, é um cadito pretensioso, mas paciência...).
Amigo, é a minha vez. Toma bem conta da nossa assoalhada, faxavor. Eu vou tentar fazer aquilo que vocês me andam a sugerir há uns tempos...descansar. Mesmo que seja apenas um fim-de-ssamana.
Até Domingo. Nem vos passe pela cabeça portarem-se bem!!!!
.

Publicado por Isabel Faria às 09:43 PM | Comentários (5)

Grávidas do Alentejo

gravidas.jpg

Recebi por Email (obrigado, António). Como hoje o Troll está cheio de letras...nada como uma viagenzita ao Alentejo profundo...

Publicado por Isabel Faria às 01:01 PM | Comentários (2)

Somos racionais???

De vez em quando apercebemo-nos de que não somos imunes às mensagens com que nos bombardeiam diariamente. Somos conscientes. Até somos cidadãos informados. Até estamos convencidos que sabemos distinguir a verdade das mentiras que nos transmitem...então porque é que, depois, temos reacções completamente irracionais? Porque é que nos saem expressões de medos sem razão e, sobretudo, sem lógica? Porque o medo é irracional? Ok, mas não temos a pretensão de ser conscientes? De o saber e poder controlar?
O meu filho tem ido, desde que as férias começaram, várias vezes para as praias da linha de Cascais. Normalmente para o Estoril ou para S.Pedro.
Ontem à noite, perguntou se hoje podia ir. Disse-lhe que sim...esta manhã, perguntei se era para S.Pedro ou para o Estoril...”para Carcavelos, hoje vamos para Carcavelos...”.
“Nem penses!!! ...” “Hein...porquê???
Deve ter ficado com uma cara completamente passada porque nunca vi os olhos do meu filho tão grandes a olharem para mim...e eles são enormes...
”Descuilpa...estava a pensar no jogo...” “No jogo???? Qual jogo ??? Não estás bem hoje, pois não???”.
Felizmente estava atrasada para sair de casa.

Publicado por Isabel Faria às 11:04 AM | Comentários (4)

julho 06, 2006

Sem título

bridge.jpg
Foto de Erwin Fugger

Já houve dias em que pensou que as rochas se fechassem, que, deste lado, do seu lado, ficasse, apenas, a memória de Mar. O Mar mesmo, esse ficaria para sempre do outro lado delas. Possivelmente continuaria a ser um desejo (não é qualquer rocha que o cala e o vence). Nesses dias nunca há ponte, esquece-se algumas vezes da ponte. Porque olha para baixo. Para as rochas.
Até agora, quase um ano depois, no entanto, tem ido sempre a tempo de se lembrar dela. Da ponte. Mas, por vezes, sente-se forte. E então, qual Hércules, pega nas rochas, tal qual fossem pedrinhas, e, uma a uma, afasta-as do que teima em querer afastar o Mar.
Até agora, tem teimado em não o deixar partir de dentro dela. Mas, algumas vezes, diz que lhe custa. Não fosse ainda e sempre o seu Mar e sei lá se já tinha perdido a força...e deixado que as pedras fechassem a porta para ele. Talvez, quem sabe, até se tivesse lembrado que a ponte só une as pedras. Não a leva ao Mar ...mas não, nunca se lembrou de tal evidência. Até agora, quando as pedras lhe prendem o caminho para o Mar, descobre sempre uma qualquer ponte. À qual nunca dará nome. Porque tem todos.

Publicado por Isabel Faria às 05:30 PM | Comentários (3)

Outro dia

São pouco mais de nove da manhã. Já começou o dia. Portugal não passou à final do Mundial da Alemanha. Fez um óptimo Mundial e acabará, pelo menos, num honroso 4º lugar .
Está na hora de me despachar. Vou entregar na AR a petição que tem vindo a circular contra a precariedade. Uma tentativa de quase 6000 pessoas para verem revista uma Lei que tira presentes e futuros a milhares de outras.
Na hora em que me preparo para sair de casa tenho três pensamentos:

1º - Se Portugal conseguisse qualquer honroso lugar (já nem falo no 4º, que a Selecção conseguiu...) em qualquer um dos indicadores de qualidade de vida, de direitos, de desenvolvimento, de intervenção cívica e cidadã, tinhamos un bons Kms a menos de passos para dar. A Selecção Portuguesa de Futebol está, portanto, muitos passos à frente de todos nós. Talvez devessemos, agora, com os ânimos mais calmos, pensar nos passos que nos faltam dar para a igualar. E começar a dá-los.

2º - Não vou entregar a Petição a pensar nos milhares de homens e mulheres que diariamente a vivem. Hoje, reservo-me o direito de o fazer, apenas, em nome dos que conheço, conheci, ao longo destes anos. Dos que para mim tiveram/ têm rostos, e histórias, e dramas, e sonhos sempre adiados, e amanhãs nunca concretizados. Dos meus colegas que na Sexta Feira passada se despediam de nós, com a dor de quem mais uma vez nada tem. De quem mais uma vez tem que começar, vezes sem conta começar, tudo de novo em novos lugares, com novos rostos e em que estas histórias não contam. Em que não têm passado. Têm braços e pernas. E precisam de sobreviver.

3º Quando a petição estiver entregue, volto, tenho a certeza, a conseguir ver todos os outros. Por agora levo a R.
"E se quando reabrir não nos voltarem a chamar, Isabel??? Gosto tanto de vocês...até do chão da copa gosto... São tantos anos...ainda nem eras loura...as minhas fardas foram mudando...acho que a primeira era a verde. Dizias que parecia uma alface..."
Por agora, vou entregá-la por ti.

Publicado por Isabel Faria às 09:13 AM | Comentários (4)

julho 05, 2006

Já estão de fora !!!!

bonecas 2.png

Isto, à medida que vai sendo mais complicado...tem que se melhorar os bonequitos. Estas têm a fama de dar sorte!!!!

Também decidi metê-las de fora mais cedo que o habitual para elas pensarem bem na tarefa complicada que têm pela frente!!!

Vai resultar com certeza...também lá está o Daniel...

Publicado por Isabel Faria às 02:49 PM | Comentários (1)

julho 04, 2006

A persistente vitória da hipocrisia

A hipocrisia continua.
Há uns dias, fazia-se uma homenagem a uma mulher morta no rescaldo de um aborto clandestino. Hoje, o Tribunal de Aveiro anula o anterior acordão e condena três mulheres a penas de prisão. Até quando?

Publicado por Isabel Faria às 09:09 PM | Comentários (2)

Tehnam paci^encai

dislexia1.jpg
(Exmepol ed dislxeia horla. Anida n~ao tehno...)

Ultimamneet qaundo escervo mias ´a perssa, isto sia semper assmi...sre´a que é dislxeia dedla ou tecalr??? Ser´a miuto garev? Faço o qu^e???
Isot d´a um tarbahl~ao a menedar , carças...alg´eum poed ajudra ??? Daneil es n~ao vlotas deperssa fiacs sme Bolg!!! Qeum t'avias....

Publicado por Isabel Faria às 06:44 PM | Comentários (5)

Esconde-se ou resiste?

sol escondido.jpg
Foto de Emmanuelle Combaud

Na vida, quando vivemos imagens assim, o Sol esconde-se ou teima em não se esconder, apesar das árvores, apesar das montanhas, apesar dos dias, apesar das nuvens e apesar de nós.

Publicado por Isabel Faria às 10:05 AM | Comentários (7)

Os velhos do Restelo

Há uns anos quando fui eleita para o Comité de Empresa Europeu, para representar os trabalhadores de Portugal, tive chamadas telefónicas até duas horas antes de partir, para me tentar demover...aquilo eram fretes ao patronato, não seriviria para nada, os problemas dos trabalhadores resolvem-se aqui, na empresa, na rua...mas cá dentro. Ainda me lembro de lhes perguntar em que cantinho tinham colocado o tal de Internacionalismo Proletário, de outras eras, mas sem sucesso. Claro que, já na altura, se tivesse sido alguém de "confiança" o escolhido, quem sabe se teria sido menos radical...mas essa é outra parte da história.
Muitos anos depois, afinal, parece que os Comités de Empresa podem servir para alguma coisa. Com os anos, tenho vindo a aprender que a melhor forma de ensinar alguma coisa aos velhos do Restelo, apareçam eles disfarçados do que for, é esperar que o tempo se encarregue disso...mas lá que demora, demora...

Publicado por Isabel Faria às 09:47 AM | Comentários (2)

julho 03, 2006

Poema 15

Andava a dar um passeiozito rápido pela Net. Apetecia-me encontrar um poema de Pablo Neruda, que acabo por não ter tempo para continuar a procurar...fica para amanhã ou depois.
Entretanto, encontrei este site. Não faço ideia o que é. Mas fiquei com uma inveja danada de mergulhar no mar...no meu Mar. Nem que fosse, assim, de mansinho. Apenas com um pé. E apesar de não ser este o poema que procurava...é um poema lindo do Pablo Neruda. Apeteceu-me partilhar convosco. Hoje não me traz melancolia...apenas paz.Alguma Paz.

Publicado por Isabel Faria às 08:03 PM | Comentários (1)

Coisas do Mundial...

rooney.jpg

Mas se o partir ao meio ainda precisa de lhe bater na cabeça, p'ra quê???

cristiano.jpg

Publicado por Isabel Faria às 02:53 PM | Comentários (7)

Esquerda. net

Nasceu o esquerda.net.
Um projecto cheio de vontade e com todas as pernas para andar. Sobretudo com a "perna" que nos diz que todos temos o dever de criar alternativas á informação parcial, vazia e manupulada que nos querem dar.
É assumidamente um projecto ligado ao Bloco. Creio que toda a Esquerda ganha com ele.

Publicado por Isabel Faria às 02:09 PM | Comentários (4)

Afinal...

Hoje é esta notícia. Há dias tinha sido esta.
Será que a Sra. Ministra vai medir as palavras quando quiser voltar a acusar os professores de todos os males na Educação?

Publicado por Isabel Faria às 01:59 PM | Comentários (2)

julho 02, 2006

Dias

solitude4.jpg

Já um dia tinha publicado esta foto num post. Deve ter sido num dia assim. Talvez seja, apenas, da ressaca destes últimos dias. Mas é assim que me sinto. Vazia. Sozinha. Com a sombra a fugir.
Amanhã quem sabe, tudo volte à normalidade. Ou não. Por hoje, não sai mais nada...
( desculpa, Daniel, afinal, não é tão linear que aguente a "barraca"...)

Publicado por Isabel Faria às 06:04 PM | Comentários (7)

julho 01, 2006

Portugal - Inglaterra

bonecos3.jpg

Já estão todos de fora!!!!! Será que chegam???? A gente vê-se depois de almoçar, ver o jogo e...fazer a festa!!!!

Publicado por Isabel Faria às 01:45 PM | Comentários (7)

A paz do dever cumprido

Foi uma semana anormal. Anormal, sobretudo, porque tenho a certeza que não teria força para aguentar muitas assim
Descurei amigos, descurei a casa, nem me apercebi que era hoje a data da manifestação pela Memória às portas do Aljube, o meu filho nunca comeu tanta pizza, descurei o sono e o descanso, cheguei a esquecer-me de ligar aos meus pais de manhãzinha para saber como passaram a noite, deixei acabar o leite, o Bono ficou sem comer uma noite inteira, quase não li jornais, faltei a reuniões que sei eram importantes, esqueci-me de comprar os comprmidos para a hipertensão e ontem de manhã a gaja estava nos 18-14, não vi um telejornal, houve dias que adormeci no sofá ás sete da tarde...enquanto o JP esperava pela pizza, sobrevivi a golpes baixos de quem devia estar do mesmo lado, fiz da IGT a minha segunda casa, e do gabinete da Direcção a primeira, mas como é que hei-de dizer isto sem dar um ar que não tem nada a ver com aquilo que sou...tenho quase a certeza que na próxima Quarta Feira, quando nos voltarmos a sentar na primeira casa da última semana, vou respirar com a certeza do dever cumprido. Não nos esperam tempos fáceis na empresa onde trabalho. Mas sei que contribuí para que sejam o menos dificeis possivel. Que sejam menos dificeis do que se tivessemos entrado em aventureirismos disfarçados de defesa de direitos, do que se tivessemos optado pelo afrontamento em vez da persuação.
Cresci nesta semana. Ainda vêm aí tempos complicados. Adiei as férias, vou lá ter que passar ainda muitas horas nestes próximos dias, responder a muitas perguntas, juntamente com os meus colegas da CT, apelar muitas vezes à calma e á razão, levantar a voz e quem sabe se ainda desato a chorar mais alguma vez...mas sinto aquela sensação de paz que a consciência limpa nos dá.
Há pouco mais de uma semana, alguém me enviava um SMS numa altura decisiva em que ainda era possivel perder todas as batalhas. Nunca duvides de ti, dizia. Eu acredito em ti, acrescentava. Na altura, á mistura com o bem que soube, surgiu a dúvida: será que sabes mesmo o que estás a dizer??? (Afinal, parece que como costumas dizer: tens sempre razão. Obrigado).
Durante esta semana, tambem lá, no lugar onde passei das horas mais complicadas dos últimos tempos, dezenas de vezes me disseram, és capaz, vocês são capazes, vamos vencer esta guerra. Falta só uns pozinhos...para a primeira e decisiva batalha estar ganha. Sei que, de vez em quando há colegas meus que por aqui passam. A gente vai vencer isto. Com mais ou menos pó, a gente vai vencer isto!!!!

Publicado por Isabel Faria às 01:01 PM | Comentários (4)

Parabéns Daniel !!!!!!!

smile.jpg

Fartei-me de pensar que prenda escolher. Não podia dar-te tudo, que a vida custa a todos. Não me consegui decidir qual preferirias...
Pensei numa francesinha (das do Porto), mas penso que querias logo 3 ou 4.
Pensei muma gaja muita boa, de preferência parcamente vestida, mas tinha que escolher uma loura, morena ou ruiva, e não me pareceu justo.
Ainda achei que te devia oferecer um bonequito a dizer Benfica Campeão, mas, pera lá, curto-te um cadito, mas não exageres...
Umas canecas ou umas imperiais, era boa ideia, mas um barril tinha mau ar, e não sou semítica...
Depois, não se fazem esses anos, todos os dias (aliás, eu acho que qualquer pessoa normal não faz esses anos...muito menos pessoas normais e decentes...é uma indecência fazer 33 anitos...uma falta de chá, diria mesmo.).
Olha, ficas só com um sorriso, grande. Do tamanho do prazer que nos dá ter a sorte de, na vida, encontrar algumas pessoas. Como eu tive em te encontrar a ti, amigo. E o desejo de, dentro de 50 anos, já tu velhote, desdentado, barrigudo e de bengala e eu ainda uma moçoila robusta, elegante e bem encarada, nos podermos encontrar para uns caracóis e umas bejecas. E nos intervalos havemos de escrever uns post para o Troll.
Parabéns Daniel. Tem um óptimo dia. O de hoje e os que aí vêm!!!!

Publicado por Isabel Faria às 10:53 AM | Comentários (7)

junho 30, 2006

A fruta da Zezinha

fruteira.jpg
A fruteira segura, segundo a Zezinha...

fruteira2.jpg
..e a explosiva. Reparem no ar agressivo das bananas.

"Iisto não é uma fruteira onde se possam meter bananas, maçãs e laranjas e dizer que está tudo bem." disse a Zezinha a Sá Fernandes para justificar que só os cidadãos nacionais possam ter acesso a um empreendimento cooperativo no Casalinho da Ajuda, num regulamento que tentou fazer aprovar na Câmara Municipal de Lisboa.
Por acaso, não faço ideia do que se espantam .É óbvio que misturar uma banana com uma maçã só pode dar uma "mistura explosiva".Aliás, eu acrecentaria que a Zezinha é bem capaz de achar que misturar uma banana com uma mísera e insignificante cereja, já não augura nada de bom....cada um na sua fruteira. Ou no seu gheto, falando em coisas menos comestíveis.

Publicado por Isabel Faria às 07:56 PM | Comentários (5)

Estagiários - III

Desculpem lá só voltar hoje. Não é falta de concorrentes, que tenho a caixa de correio a abarrotar...tem sido falta de tempo e excesso de...sardinhas e afins.
Façam o favor de se pronunciarem rapidamente, que daqui a nada tenho cá o Daniel e tenho que tomar a decisão antes dele chegar. Não sei porquê, mas duvido um bocadito do seu bom gosto...no que a estagiários diz respeito...

Marcus.jpg

Publicado por Isabel Faria às 01:35 PM | Comentários (6)

Bom senso

Queres ser subsidiado? Queres que a tua instituição seja subsidiada? Precisas de dinheiro? Vais candidatar-te a uma ajudita? Então, abstem-te de fazer críticas, não podes dizer mal e faxavor de não te armares em distraído que vai escrito no contrato e tudo.
Não tem nada de esquisito. E não venhas com essa treta da liberdade de opinião...se tens direito a subsidio não tens direito a opinião. É apenas uma questão de bom senso.
Rui Rio dixit.

Publicado por Isabel Faria às 12:49 PM | Comentários (1)

junho 29, 2006

As ressacas é que dão cabo de mim....

desmaio2.gif

Sempre vivi mais ou menos bem os momentos de tensão. Mas, tal como nas bebedeiras (uma daquelas suficientemente fortes para me esquecer de como cheguei a casa, faz parte das fantasias a que recorro, cada vez menos diga-se, mas ainda assim, algumas vezes…), as ressacas é que dão cabo de mim.
Enquanto a coisa dura, com mais ou menos tremideira, mais ou menos esganiçamento de voz, mais ou menos dores de cabeça, mais ou menos tonturas, mais ou menos ai coitadinha que desgraçadinha que eu sou, a coisa aguenta-se. Agora, o após é um drama.
Há muitos anos, o meu filho caiu dum triciclo e foi bater com o queixo numa mesa baixinha que tínhamos perto da lareira…e zás, catrapás, começa a sair sangue de tudo o que era cara e ele aos gritos de dor e de susto, e a minha mãe aos gritos e o meu pai aos gritos e eu calma e serena, a procurar uma toalha para colocar no queixo e com a preocupação de que quem sabe uma não chegava, o hospital é a 15km, o melhor é ir buscar outra, agarra aí pai e lá vamos nós…entro no hospital, como ele ia cheio de sangue deixaram-nos entrar logo e toca a arranjar a mesa para suturar a ferida e a desinfectar e a Sra. tem a certeza que quer ficar, claro que sim, calmíssima, veja lá se não quer descansar, não saio daqui e vi tudo e agarrei-lhe a mão e de repente quando a agulha entra…e agora já está tudo bem, são só uns pontozitos e a agulha a passar e o barulho da agulha e já está tudo bem e lá vou eu, para cima do meu filho e da enfermeira, desmaiadíssima.
Ao longo dos anos fui tendo mais algumas situações assim.
Ontem, o exaustor do refeitório avariou-se, estava-se a assar sardinhas, o fumo começou a invadir tudo e a minha colega do refeitório, ai não estou bem e começou a fazer uns barulhos e lá vem ela, com quase 90kg e eu a agarrá-la e a comandar as operações e sentei-a e liguei o 112 (aproveito para um conselho: nunca digam ao 112 que sabem como qualquer coisa aconteceu…desmaiou…está caída…dói-lhe a cabeça…não faço ideia…estava assim quando aqui cheguei…não consegue explicar…se dizem o que aconteceu eles analisam logo ali se é grave ou não, e não têm ambulâncias e não temos nada que ir entupir as urgências (sic) e o fumo da sardinha não é tóxico e o que é que interessa se ela pesa 90 kg, tem problemas de hipertensão e está em estado de pânico e não respira…não respira mas vai respirar…não vale a pena é pensar que vamos aí…fim de conselho) e briguei com o médico do 112 e voltei a agarrá-la e dei-lhe leite e agora chamem um táxi e lá vai ela…tudo controlado ela dentro do táxi, pronto Isabel já tá, e pinba lá vem um ataque de choro no meio da sala e sei lá porquê, de repente, como naqueles filmes que se vêem aquelas caras todas muita grandes em cima da gente e o que é que tens, mas o que é isso e as caras estão enormes e estão mesmo em cima de mim e não paro de chorar…e pronto lá vai disto…deve ter sido falta de ar, disseram-me depois. Disse que sim com a cabeça. Mas devagarinho. Nas ressacas, abanar a cabeça com muita força é a morte do artista.

Nota: Esta é a parte "contável" dos meus últimos dias ...sob pena de vos meter todos a entupir as urgências!!!!

Publicado por Isabel Faria às 09:26 PM | Comentários (8)

Guantanamo

A notícia de que o Supremo Tribunal de Justiça dos EUA, considera ilegaiis os tribunais de excepção criados em Guantanamo, é a confirmação do que todos os que acreditam na Justiça já sabiam.
Agora, quais vão ser os resultados politicos e práticos deste Parecer?

Publicado por Isabel Faria às 08:24 PM | Comentários (2)

E tenho lá tempo e paciiência para arranjar um título...

Salvo as diferenças compreeníveis...poderia ser eu, nos últimos dias!!!
Porra pá, tirem-me deste filme!!!!!!

boxe1.jpg

Nota: Pode ser que logo tenha tempo para vos contar os meus últimos dois dias...se sobreviver....

Publicado por Isabel Faria às 02:23 PM | Comentários (3)

junho 28, 2006

Ney

Ney Matogrosso vai estar no Coliseu de Lisboa, dia 11 de Julho, para apresentar o seu espectáculo "Canto em Qualquer Canto".

Os bilhetes são carotes...mas perder a oportunidade de rever Ney Matogrosso, merece alguns sacrifícios.
Ontem Ney deu uma entrevista na RTP2. Não sei se o que me encanta mais em Ney é a força, a transgressão, a beleza, o prazer que ele transmite em palco:

ney_matogrosso.jpg

Se a calma, a serenidade, a paz que ele nos transmite fora do palco:
ney.jpg

Mas ouvir ontem Ney em entrevista, apenas me deu mais vontade dde fazer o tal sacrifício... e de estar no dia 11 nas Portas de Sto Antão.

Publicado por Isabel Faria às 05:14 PM | Comentários (5)

Recado

maos22.jpg

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor

As Sem-Razões do Amor
Carlos Drummond de Andrade

Publicado por Isabel Faria às 03:04 PM | Comentários (1)

Nada como um bom conselho

Fernando Ruas incita a "correr fiscais à pedrada"

E se não der à pedrada há um menancial de alternativas...caçadeiras, rasteiras, G3, espadas, revólveres, chicotes, misseis, chapada, óleo a ferver...há alguém que se lembre de mais qualquer coisita a que se possa recorrer???

Publicado por Isabel Faria às 11:52 AM | Comentários (5)

junho 27, 2006

Gente normal

multidão2.jpg

Depois de ler uma notícia em que a autora de Harry Potter diz estar a pensar “matar” dois dos principais personagens da saga, no último livro (não descurando a hipótese de o próprio Harry ser uma das vitimas) e esta crónica da Fernanda Câncio no DN, não pude evitar que se fizesse uma qualquer estranha associação no meu espírito.
A incapacidade de entendermos, a incapacidade de aceitarmos que gente “normal” pode ser, afinal, alguém que mata em série, que o nosso vizinho do lado, o senhor da papelaria, a rapariga da loja das flores…e paramos aqui. Impossibilitados de levar mais à frente o raciocínio…incapazes porque, não se encontrando razões ou explicações lógicas, que encaixem no puzzle, que o completem, qualquer continuação de raciocínio nos pode levar a mais perto. Insuportavelmente perto.
Na pena ou no teclado dum escritor, dispõe-se da vida dos personagens, para que a história se assemelhe à vida real. Aquele mal é demasiado mau, para que todos lhe possam sobreviver, assevera a autora. Se assemelhe à vida das pessoas normais. Que, quem sabe, como diz a Fernanda Câncio, no artigo, poderão estar connosco na próxima patuscada…ou mais perto…
Há uns anos tive um colega que era uma lenda na empresa. Já entrei uns anos depois do 25 de Abril, mas as histórias que me contavam, passadas nesses dias de brasa, fizeram história. E ele era o seu maior protagonista. Metiam a CIA, o Carluci, os encontros secretos que iam tentando levantar a contra-revolução em Portugal e ele lá estava, do outro lado da barricada de G3 em punho…
Anos depois saiu da empresa. Mais uns tantos depois, pegou na sua vida e usou-a da forma que lhe pareceu lógica. Cá fora, aqueles que viveram as suas histórias e os que as ouviram, nunca entenderam. O fim não encaixava em nenhuma peça do puzzle que montou (montámos?).
Começar a ler o fim anunciado de Harry Potter, continuar pelo homem que podia ser o vizinho da esquina e acabar aqui.
A incredibilidade de a vida, a nossa e a dos outros, ser algo de que qualquer pessoa “normal” pode dispor, espanta-nos, incomoda-nos, assusta-nos. Ou fascina-nos?
Harry Pottre poderá bem vir a ser morto pelo Mal Supremo. Que pode estar ali ao lado. Numa qualquer tecla.

Publicado por Isabel Faria às 07:38 PM | Comentários (5)

Apenas um simbolo

Apenas vale como um símbolo. Apenas serve de alerta. Ainda hoje há mulheres que morrem vítimas de aborto clandestino. As que não têm possibilidades de os fazer em clinicas bem pagas, aqui ou em Espanha.
Há oito anos, os portugueses preferiram ir para a praia, e, mais uma vez, disfarçarem-se de avestruz. Depois disso não se sabe quantas Lisetes, pagaram com a vida, a impossibilidade de dar vida.
A vida é feita de opções. De dores. Tem uma boa dose de inevitabilidade e de irreversibilidade. E se um símbolo servir para nos avivar a memória e nos despertar a consciência, creio que é bem vindo.
A esta hora, talvez num qualquer quarto de uma qualquer cidade de Portugal, haja quem não possa seguir uma gravidez.
Entretanto, no que diz respeito a Educação Sexual, que os partidários da penalização usam e abusam em épocas de decisões, tudo continua por fazer.
O PS prometeu um novo referendo. Talvez a melhor forma de lembrar a Lisete seja pensar em não ir à praia nesse dia. .E teimar em lembrar o PS do seu compromisso.

Publicado por Isabel Faria às 10:04 AM | Comentários (5)

junho 26, 2006

De todos os tamanhos

pedras.jpg

Como é que se tiram coisas destas do caminho? De todos os tamanhos. Que parece teimam em entrar-me pelos dias adentro.

Publicado por Isabel Faria às 09:21 PM | Comentários (3)

Ainda Timor

Mário Alkatiri apresentou a sua demissão para evitar a demissão de Xanana. O Presidente aceitou a demissão.
Talvez pudesse pensar que estamos a um passo de uma solução, não fosse lembrar-me da forma como começava o tal programa de televisão que provocou a carta de Xanana Gusmão.
O programa apresentou Alkatiri como "comunista, terrorista e muçulmano".
Se forem estes os "crimes" de que Alkatiri é acusado num programa de televisão e que levaram à perda de confiança do Presidente, será que a sua demissão e consequente substituição, serão suficientes para trazer a paz a Timor?

Publicado por Isabel Faria às 12:35 PM | Comentários (6)

junho 25, 2006

Atão vamos lá ao próximo!!!!!!!!!!

Vá lá vai crónica.
O árbitro passou-se. Os gajos aguentaram-se ali à bronca e à maluquice do russo com uma pinta do caraças.
A próxima vez que alguém me ouvir dizer que não gosto de futebol, faxavor de me perguntarem Atão e p'ra que raio foram os dois Unisedis, hein?, neste momento os jogadores estão a sair de um lugar qualquer que creio se chama tosta mista e o meu filho expulsou-me da sala durante o jogo e mandou-me arrumar gavetas. Foi aí que entrou o segundo Unisedil.
Agora é preciso esperar pelos ingleses. O meu filho diz que não faz mal, porque o Deco não joga, mas o Ricardo marca o penalty. Presumo que tenha razão...agora vou então continuar á espera dos outros (acabou de sair o Cristiano Ronaldo, um cadito p'ró coxo...), que devem estar a sair da tal tosta.
Atão, até Sábado.
Fico aqui a pensar no mal que o Troll me tem feito...eu, tadinha, que nem sabia o que era um fora de jogo...e que era feliz assim...

Publicado por Isabel Faria às 10:51 PM | Comentários (4)

Bonequito(s) de fora!!!!!

Já está (estão) de fora. Hoje são dois, porque isto está a ficar mais complicado ...só quero ver o que é que faço para os quartos, as meias e a dita...quatro...oito...dezasseis...onde é que vou buscar 16 bonecos????!!!
Se vocês me desiludirem, nunca mais acredito naquela treta de que dois valem mais que um e assim...e volto ao meu bonequito sozinho e tristonho...

bonecos.jpg


Publicado por Isabel Faria às 05:58 PM | Comentários (2)

Os "portuguesinhos"

A lógica do Juíz que recusou a nacionalidade portuguesa a uma cidadã indiana, que vive há nove anos em Portugal, está casada com uim português e tem filhos portugueses, deve ter chegado aos jornais luxemburgueses.
Talvez faça bem a alguns portugueses que culpam os imigrantes dos males que por aí vão, que somos um País de emigrantes...e que, de quando em vez, há quem faça questão de, lá por fora, nos lembrar isso.

Publicado por Isabel Faria às 05:47 PM | Comentários (1)

Estagiário - II

luis figo.jpg

Na carta em que respondia ao anúncio, ele avisava que até ao dia 10 de Julho ia escrever pouco. É assim, entretanto o Daniel volta, mas como os outros se reformaram. não me parece mal...é maduro qb, não parece que use cachucho, está a jogar melhor que nunca, na carta de resposta que lhe enviei pedi-lhe para não pensar no Troll, esta noite...e se querem que vos diga, acho que está cada vez mais com tudo no sítio...isto é, está tipo Vinho do Porto.
Claro que ainda faltam mais uns tantos...mas se a votação fosse hoje, era o meu escolhido. Seja qual for o resultado do outro emprego dele, daqui a nada, na Alemanha.

Publicado por Isabel Faria às 05:08 PM | Comentários (2)

junho 24, 2006

Repescados

Os Blogs têm estas contingências. Os Posts vão desaparecendo com os dias. Cada novo Post é mais um passo para que o anterior passe definiivamente para a galeria do esquecimento. Só que há posts e posts. Neste caso concreto, há comentários a posts e comentários a posts.
Decido "repescar" um Post que fiz há algum tempo sobre as eleições para o SPGL e um outro que o Daniel escreveu sobre a Unidade e a Unicidade. Pela importância dos comentários (dos sérios, dos outros, claro que nem aqui nem em qualquer outro lado, rezará a história) não gostaria que ficassem esquecidos naquele planeta para onde vão os posts dos dias que passaram.
A todos o nosso obrigado. Pela participação. Pelas informações. Pela discussão. È para isto que serve o Troll.
Aqui ficam so links.
SPGL
Unidade e unicidade

Publicado por Isabel Faria às 10:07 PM | Comentários (6)

Dia de...muitos amores.

amor.jpg

Todos os dias para o Amor de todas as cores.


Publicado por Isabel Faria às 09:59 PM | Comentários (1)

Porque hoje é Sábado

Ribatejo1.jpg

Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Há um divórcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há um homem rico que se mata
Porque hoje é sábado
Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
Porque hoje é sábado
Há um sedutor que tomba morto
Porque hoje é sábado
Há um grande espírito-de-porco
Porque hoje é sábado
Há uma mulher que vira homem
Porque hoje é sábado
Há criancinhas que não comem
Porque hoje é sábado
Há um piquenique de políticos
Porque hoje é sábado
Há um grande acréscimo de sífilis
Porque hoje é sábado
Há um ariano e uma mulata
Porque hoje é sábado
Há uma tensão inusitada
Porque hoje é sábado
Há adolescências seminuas
Porque hoje é sábado
Há um vampiro pelas ruas
Porque hoje é sábado
Há um grande aumento no consumo
Porque hoje é sábado
Há um noivo louco de ciúmes
Porque hoje é sábado
Há um garden-party na cadeia
Porque hoje é sábado
Há uma impassível lua cheia
Porque hoje é sábado
Há damas de todas as classes
Porque hoje é sábado
Umas difíceis, outras fáceis
Porque hoje é sábado
Há um beber e um dar sem conta
Porque hoje é sábado
Há uma infeliz que vai de tonta
Porque hoje é sábado
Há um padre passeando à paisana
Porque hoje é sábado
Há um frenesi de dar banana
Porque hoje é sábado
Há a sensação angustiante
Porque hoje é sábado
De uma mulher dentro de um homem
Porque hoje é sábado
Há a comemoração fantástica
Porque hoje é sábado
Da primeira cirurgia plástica
Porque hoje é sábado
E dando os trâmites por findos
Porque hoje é sábado
Há a perspectiva do domingo
Porque hoje é sábado

Vinicius de Moraes

Porque hoje é Sábado...vou aproveitar o fim-de-semama. Porque, após Domingo, há a perspectiva de Segunda-Feira. E não é boa.
Tenham um bom Sábado. Até logo, à noiitinha

Publicado por Isabel Faria às 10:11 AM | Comentários (4)

junho 23, 2006

Estagiários - 1

estagiário 1.jpg

Tenho estado preocupada. Não ando numa boa onda. Não me apetece escrever. Os meus (ex) colegas de Blog reformaram-se e o Daniel vai de férias e depoiis vai laurear a pevide não sei para onde. Sei que não vou conseguir aguentar este monstro sozinha. Ando, portanto, à procura de estagiários. Não pago bem, mas prometo ser simpática e atenciosa qb.
Assim que soube das férias do Dani meti um anúncio (desculpa lá não te ter dito...mas olha, também não se pode saber tudo...) e acabei de receber a primeira resposta. Deixo aqui à consideração das minhas leitoras. Acho que lhes deviamos arranjar uma pontuação de 0 a 10. O mais votado passaria a colaborador permanente do Troll. Se nos apressarmos a escolher, o Daniel pode prolongar as férias, que bem precisa de descansar. Imagino que ele não vá falar sobre o Cavaco e a Câmara do Seixal, mas eu sempre achei que, às vezes, caladinhos também dão jeito. Não incomodam e ficam com mais tempo livre para as coisas importantes. Aqui fica, portanto, o primeiro candidato. Não faço ideia como se chama, mas isso também não é importante. Não faço nenhuma intenção de o chamar...pelo nome.
Nota: para a classificação o pormenor das fronhas não é importante. Obrigado.
Nota II: Coloquei este post na categoria de Comemorações, por motivos creio que óbvios.

Publicado por Isabel Faria às 11:04 PM | Comentários (6)

Assunto: problemas domésticos

sofa.jpg

Já que o meu colega Daniel está cheio de força e tem estado a escrever sobre assuntos importantes (quero dizer, não sei se o Cavaco é um assunto importante...é um assunto...importante...deixem para lá...), eu tenho uns problemas domésticos para tratar convosco.
Tenho um gato. E tenho um sofá completamente coxo. E tenho umas escadas tipo anoréxicas. E tenho uma janela.
Então vamos ao(s) problema(s).
Como o sofá estava completamente coxo, o Bono decidiu dar-lhe o golpe de mesiricórdia e roeu-lhe o resto dos pés. Portanto, agora além de coxo está descascado.Com um ar de coitadinho que me partia a alma. Então, decidi comprar um sofá.
Agora o sofá não cabe nas escadas. Vai ter que entrar pela janela. Com uma grua e tudo. E tem que se chamar a Polícia para interromper o transito e tudo. Digamos que é um sofá com a mania das grandezas...só que o outro, apesar de mais raquitico também não sai pelas escadas...não faço ideia se entrou...não me lembro...sair o gajo diz que nem penses (nunca entendi quem é que lhe deu confiança para me tratar por tu, mas garanto-vos que ontem enquanto andávamos a tentar despejá-lo o gajo olhava para mim com ar de gozo e dizia Tás parva (TÁS!!!) ou quê?? Achas que eu caibo nesse buraco (estava a falar no canto das escadas... ?????? ). Agora, o ké keu faço??? Mando o gajo pela janela??? Peço a grua emprestada??? Será que se usar assim muito o meu charme (adoro-me quando me convenço que sou boa....), consigo convencer os senhores da grua a descerem o descascado ao mesmo tempo que sobem o com a mania das grandezas?
E depois...o ké keu faço ao gato...como é que eu convenço um gato que este sofá não está coxo e logo não deve servir de arranhador oficial de Bono? Deito também o gato pela janela, aproveitando a grua??? Vendo o gato? Uso o meu charme com o gato? Educo o gato? Educo o sofá??? Ensino o sofá a fugir do gato???? Há por aí, entre os leitores do Troll, alguém especializado em gatos? Ou em sofás?
Uma mulher, assim, tadinha como eu, tem muitos problemas para resolver no seu dia-a-dia...no seu quotidiano , para ser mais literário...ele é gatos (destes, os outros nunca seriam um problema...mas isso é outra história ainda mais triste...), ele é gruas, ele é policias...digamos que o único problema que, apesar de grave, me traz prespectivas animadoras é o sofá novo...mas desculpem lá isso é um bocado forte e intimo para partilhar com vocês..Talvez mais tarde...

Publicado por Isabel Faria às 12:47 PM | Comentários (8)

junho 22, 2006

Sem título

sourire.jpg

Nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria

Pablo Neruda

Nem as palavras certas ditas na hora certa. Nem uma voz quente quando o frio nos tolhe os passos. Nem uma mão, quando não encontramos a saída, nem acreditares em mim, nem o esforço para as palavras saírem, nem a força de um olhar, nem a certeza, cada dia redescoberta, que reaprendi a acreditar. Reaprendo. Nem a tua pele. Nem a força que esta tarde, quando à volta tudo parecia a um passinho de se demoronar, sorrateiramente, encontrei num SMS.

Sem dúvida os poetas, os grandes como Neruda, conseguem dizer numa quadra, o que eu levaria horas a escrever.
Qua há pessoas que não podemos perder.

Publicado por Isabel Faria às 09:16 PM | Comentários (2)

Tenham calma

Perem um cadito...o Ronaldinho, o Sissinho, o Robinho, o Juninho e o Cacá estão a jogar com o Nakamura, o Kawagushi, o Takashi, o Nakazzawa e o Tamada, ali na sala. Eu volto já para contar mais coisas.

Publicado por Isabel Faria às 08:28 PM | Comentários (3)

Timor

Já escrevi muitas vezes que não entendo o que se passa em Timor Leste. Não entendo, de facto. Mas há algumas coisas que quer se passem em Timor Leste quer em qualquer outro lugar não me parecem lógicas.
Há um Presidente eleito e há um Partido que ganhou as eleições. Esse Partido escolheu uma Direcção. Pode-se discutir se a eleição por braço no ar é democrática ou não. Não considero que seja. Mas A Fretilin usou-a, escolheu uma Direcção. Não faço ideia se o Presidente podia ter feito alguma coisa ou não. Não conheço a Constituição de Timor nem a Lei dos Partidos. Mas não fez. A Fretilin tem um Lider, a quem o Presidente deu posse como Primeiro-Ministro. Então como pode agora o Presidente vir dizer que o Primeiro Ministro se deve demitir porque a eleição da Direcção da Fretilin não foi democrática, por não ser por voto secreto?
Depois, Xanana, vem escrever uma carta e publicá-la em que diz que Alkatiri se deve demitir por causa das declarações que fez a um programa de televisão australiana. Então mas o Presidente deve pedir a demissão de um Primeiro-Ministro, em Timor Leste, ou onde quer que seja, através de uma carta publicada nos meios de Comunicação Social?
Deixo aqui um artigo publicado hoje no DN, da autoria de Eduardo Dâmaso. Receio que tenha que dizer que concordo inteiramente com ele. E receio admiti-lo dado o respeito que tenho (tinha?) pelo papel, pelo passado e pela pessoa de Xanana Gusmão.


Publicado por Isabel Faria às 12:55 PM | Comentários (9)

junho 21, 2006

Porra, Daniel...

...eu não te pago para vires aqui fazer um post a dizer que Portugal ganhou, que jogou mal comó caraças (ouvi na rádio dizer que a defesa parecia um passe vite...creio que isso não é muito abonatório para os passe vites, mas o sr. emendou logo a seguir e disse que parecia o buraco de ozono, ai entendi que a coisa devia mesmo tar preta...), mas ganhou na mesma e pronto, que Angola, tadinha, foi eliminada e que daqui a nadica as túlipas vão estar a discutir com aquela dança que o gajo deita a gaja toda para o chão e ela levanta a perna, para ver quem é que vai jogar com Portugal??? hein???

Publicado por Isabel Faria às 07:19 PM | Comentários (9)

Tarefas

verão.jpg

Tarefas para o Verão, que hoje começa:

Comer muitas saladas e muita fruta. Moderar a cerveja (por causa dos pneus...).
Não desistir de denunciar a politica de Direita do Sócrates.
Tomar muitos banhos no Mar.
Parguntar ao Sócrates onde estão as alterações do Código de Trabalho.
Usar protector solar.
Lembrar ao Sócrates o referendo da IVG.
Fazer exercício físico.
Perguntar ao Sócrates onde estão os 150 000 novos postos de trabalho.
Namorar muito, ao nascer e ao pôr de Sol e a seguir ao almoço, durante a sesta. Nas outras horas todas, também se pode. É permitido descansar cinco ou seis minutos, durante o dia, fins de samana incluídos.
Ler o post anterior do Daniel e aproveitar para pensar um pouco a quem serve a Comunicação Social que temos e como podemos e devemos fazer para quebar o cerco cada dia mais apertado que ela nos impõe.
Ler um bom livro, ouvir uma boa música, jogar à bola com as nossa crianças, ou falar com elas, ou dizer-lhes que gostamos bué delas.
Preparar-se fisicamente para a Marcha do Emprego que há caminhos a percorrer, coisas a denunciar, soluções a apresentar e Setembro está já ali (um bocadinho de campanha partidária, fica sempre bem, no dia em que começa o Verão).
Dizer todos os dia, curto-te bué. Às pessoas que se curtem bué.
...
...
...
As ... são para as vossas sugestões.
Bom Verão.


Publicado por Isabel Faria às 01:09 PM | Comentários (13)

junho 20, 2006

Perplexidade

perplexidade.jpg

"Não percebo", disse
"O que é que não percebes?", disse a mãe, por dizer
"Sei lá. A vida", disse a criança com seriedade.

A partir de um conto de Maria Judite de Carvalho e de uma foto de Sabyasachi Talukdar.

Publicado por Isabel Faria às 01:26 PM | Comentários (5)

junho 19, 2006

Havemos de ouvir o Gracias a la vida!!!

father.bmp

Hoje apetecia-me estar com ele e fazê-lo ouvir a Violeta Parra a cantar o Gacias a la vida.
Queria falar-lhe de quando descobrimos a sardanisca presa na fechadura da porta e eu gritei tanto que as vizinhas pensavam que tinha acontecido alguma coisa; queria falar-lhe de quando me fazia as cruzinhas para a campa do Nero ou do hamster que esqueci o nome, ele que nunca foi a uma missa; queria falar-lhe das pedrinhas enroladas na prata; naquela vez em que me deu uma palmada porque eu não queria lavar as mãos, não estão sujas nada, e a água tornava-se preta; queria recordar-lhe quando nunca queria perguntar nada a um polícia em Paris e passávamos 10 vezes pelo mesmo lugar à procura do mesmo lugar, só que outro; queria falar-lhe da festa que vivemos juntos e falava-lhe de flores vermelhas...queria dar-lhe a ouvir a Violeta Parra e que ele voltasse a ter vontade de me fazer dançar nos seus joelhos. Não queria sentir-lhe a voz triste, ou perdida, ou desencantada, ou amargurada. E sinto. Este fim-de-semana vou levar-lhe a Violeta Parra...pode não ter força para me abanar nos joelhos, até posso lavar as mãos antes de comer, continuarei a fugir da sardanisca se ela decidir ficar de novo presa e pedir-lhe-ei que não desista.
Há alturas em que escrever me tira o medo. De quando em vez fico com medo. Como hoje.


Publicado por Isabel Faria às 11:51 PM | Comentários (4)

junho 18, 2006

Diário do Mundial

Axo ku Brasil ganhou à Austrália e ka França tá bué da mal e só konseguiu empatar ka Coreia du Sul.
O Brasil já tá nos 8avos...Parexe ka Itália tb empatou kus EU. N faxo ideia onde é ke tá.
O Cácá axo ke jogou bué da bem. Só n sei em kikipa.
inda n sbmos xé kas flores ou ku tango.
Vou ver + koisas e já volto.

Publicado por Isabel Faria às 11:06 PM | Comentários (9)

Voarei (semi auto-plágio)

caminho areia.jpg

Há quase um ano, escrevi um post no Afixe, sobre a minha incapaciade de dessitir. Há alguns parágrafos que o tempo se encarregou de apagar. Outros, o tempo acabaria por escrever. De uns e de outros, o tempo tem sempre razão, sou, passado quase um ano, também feita.
Não ser escritora nem editar livros tem a vantagem de não editarem livros a acusar-nos de auto-plágio. Assim, "semi-autoplagiando-me", aqui fica. Para quem me conhece bem, mesmo que já não se lembre do post original, creio que notará onde as diferenças entram. Poderia escolher o negrito, o itálico...guardarei o negrito e o itálico...

Nunca entendi a minha quase incapacidade de desistir. Não creio que seja teimosa. Não me considero masoquista. Então, porque não parar, pensar e concluir que há batalhas que não vale a pena travar, lutas que não vale a pena tentar ganhar? Porque nunca acredito que uma luta possa estar perdida à partida? Porque nunca acredito que pode haver forças que já não tenha ou tempo que me falte?
Não consigo, nunca, desistir do que não vivi. Não consigo abdicar do corpo que não toquei, das palavras que não disse, dos sonhos que não vivi. Não consigo abdicar de conhecer o teu cheiro nem o teu sabor. E, quando conheço o teu cheiro e o teu sabor, quando a festa do teu cheiro e do teu sabor chega, procuro sempre mais, outro, diferente, ainda o teu, mas o teu que sei ainda não me deste tempo nem lugar de encontrar.
Em cada dia do meu presente, ultrapasso as mágoas do passado e não consigo não viver as dádivas do futuro.
Não me contento nunca com a parte, entrego-me obstinadamente em busca do todo. Pelo meio, há dias em que o cansaço da procura me tolhe os passos e me cala as palavras, faz sempre isso o cansaço, aos passos e ás palavras, mas encosto-me, por momentos, a uma esquina qualquer e continuo. Não tenho como possa não continuar.
A minha vida não foi construída com sonhos que perdi, é construída com os sonhos que não pude ou não tive (ainda) tempo de viver.
Quero um mundo melhor. Não porque nele acreditei no passado, mas porque não suporto a falta que me fará no futuro.

Quero ter-te nos meus braços, não para neles te prender, mas porque neles quero voar. Tenho saudades de voar. Cada dia que estou contigo, cada dia que estive, cada dia que sei que vou voltar a estar, ou mesmo que, um dia, saiba que não vou voltar a estar, tenho saudades de voar. De, contigo, voar. Não desisto de te ouvir, não para me dizeres palavras que, algures, gostei de ouvir e perdi, mas para me dizeres as que sempre sonhei que me dirias.
Tu.E cada vez que te encontro, é o que nunca vivi, que procuro.
Não vou desistir. Não sei desistir. Vou continuar a procurar o que os teus olhos me dizem, as tuas palavras me repetem, os teus gestos me dão. E mesmo se, às vezes, os teus olhos calam, as tuas palavras adiam e os teus gestos negam, eu não sei desistir.
No dia em que te encontrei, soube que haveria coisas que iríamos viver. Nunca desisto das coisas que há para viver. Passadas tantas coisas vividas, ainda sei que há coisas que vamos viver. E eu nunca desisto das coisas que sei que há para viver. Do futuro, chamei-lhe, linhas atrás.
Sei que me esperas, de vez em quando, a meio do caminho. Para juntos, percorrermos a distância que nos separa do mar. E para, no mar, finalmente, percorrermos o caminho que nos separa de nós. Não durará sempre o mar. Nunca dura sempre o mar. A única coisa que dura sempre é a procura dele. E de nós. Mas enquanto o mar durar, estarei sempre a meio caminho, à espera das palavras que nunca me disseste.

Publicado por Isabel Faria às 07:11 PM | Comentários (14)

Torturas incorrectas

Segundo o relatório que o Pentágono, por pressão da Associação para Defesa das Liberdades Cívicas, publicou, os EUA mantiveram, em 2003 e 2004, detidos durante 17 dias, prisioneiros, a pão e água, usaram técnicas de interrogatório proíbidas (eufemismo para torturas), como a privação de sono, música muito alta e olhos tapados com adesivos. Segundo o relatório que o JN, hoje, publica, pelo menos um dos detidos foi mantido nu, por tempo não determinado e todos se encontravam encarcerados em celas minisculas, do tamanho de gaiolas.

Apesar de considerar que tais métodos não se enquadram no espírito da Convenção de Genebra, o Pentágono não as considera ilegais, mas, apenas, incorrectas. Reflectem, ainda, segundo o relatório, falta de vigilancia e não abusos deliberados. Omite o nome dos militares envolvidos bem como os lugares onde as "incorrecções" se verificaram. E como é sabido ninguém foi condenado pela prática de tais "incorreções" e "faltas de vigilancia".

Entretanto, segundo a mesma notícia, George Bush, declarou ontem que é vital que os Iraquianos saibam que a América não os abandonará depois de ter ido tão longe. Presume-se que os iraquianos devam ficar descansados.

Publicado por Isabel Faria às 12:51 PM | Comentários (2)

junho 17, 2006

Então...

... que venham as

Holanda.jpg

ou o

argentino.gif

Que a gente cá está!!!!

Publicado por Isabel Faria às 05:50 PM | Comentários (4)

Não posso fazer mais nada!!!!

boneco.jpg

Prontes, o gajo já tá cá fora!!!! Agora desenrasquem-se !!!
Inté!!!

Publicado por Isabel Faria às 01:05 PM | Comentários (4)

Solidariedade ACTIVA

Não sei se a Administração da Autoeuropa vai aceitar. As últimas notícias parecem indicar que não.
Também não sei se haveria vontade política da Administração da GM de encontrar uma solução. Nem se haverá vontade política do Governo da a "forçar".
Mas é a isto que se deve poder chamar consciência de classe, solidariedade efectiva e disponibilidade de encontrar soluções para os problemas.
Que sirva de lição para aqueles que querem ver em cada trabalhador que, eventualmente, não pense ou não aja como ele, um inimigo.
E que sirva de lição para quem diariamente se esquece que estamos no ano de 2006, que as deslocalizações existem, que a Globalização nos entra diariamente em casa, que há que ter a capacidade de encontrar respostas...ou, apenas, que está na hora de aprender a "negociar"? Com as armas de hoje.

Publicado por Isabel Faria às 11:44 AM | Comentários (12)

Roubaram a página à gente

Parece que o Troll está outra vez marado. Agora não aceita comentários nos últimos posts. Tal como disse a Émiéle, aparece um texto a dizer que a página foi levada não sei para onde...olhem, eu juro que não levei nada...só se foi o Dani. Daniel, levaste a página, amigo???? Vá lá... não sejas mau. Devolve a página, faxavor. Não podias ir preparar-te para ver o jogo??? Hein??!!! Depois podes brincar com ela outra vez...
(É preciso uma paciência para aturar estes gajos mal educados e incompetentes da Weblog que vocês nem imaginam!!!).

Publicado por Isabel Faria às 11:24 AM | Comentários (3)

junho 16, 2006

330 e tal

flores.jpg

Será que há 330 e tal flores amarelas neste campo...precisava de um campo com 330 e tal flores amarelas...uma por cada dia que passou...vou contar as flores...se faltar alguma vou procurar, se sobrar, fica na conta dos próximos 330 e tal dias.

Publicado por Isabel Faria às 11:09 PM | Comentários (3)

Louçã ao "DN"

Queremos provar que o desemprego não é uma fatalidade, mas uma escolha essencial da democracia, e que pode ser concretizado um programa de respostas.

Publicado por Isabel Faria às 10:10 AM | Comentários (4)

Dias

fatigue2.jpg

Introdução: Este é mesmo daqueles dias em que me sinto a coisa mais coitadinha ao cimo da terra. Se não tiverem vontade de ler lamúrias estúpidas e mais ou menos infantis, é favor passar à frente e esperar pelo post seguinte. Obrigado.

Estou cansada. Ainda não são oito horas e eu já estou cansada. Não é, portanto, um cansaço passageiro. Resiste à noite e resiste ao descanso. Tenho mais um dia de cortar à faca pela frente e estou cansada de dias de cortar à faca. Queria ser capaz de cruzar os braços e não sou capaz. Queria ser capaz de assobiar para o lado e não sou capaz. Queria dizer paciência, amanhem-se e não sou capaz. Queria ser capaz de dizer só dou em troca do que recebo e não sou capaz.
Levantei-me cansada. Não sei se mais cansada das guerras que já travei se das que tenho para travar. Não sei se das palavras que já disse. Se das que tenho para dizer. Se das que não disse. Ou das que não posso dizer.
Cansada de contarem comigo. De me armar sempre em forte. De não ser forte. De estar sempre aqui. De não ser capaz de não estar aqui.
Vai ser mais um dia de cortar à faca. E estou cansada de ainda não ter aprendido a lidar com dias de cortar à faca. Já vivi milhares deles. Já tinha a obrigação de ter aprendido. Estou cansada de não aprender. De nunca aprender nada.

E estou cansada de ainda não ter desistido de colo. Uma mão no ombro. Um empurrão. Estou cansada de dar sempre a impressão que aguento sozinha. Que sigo sozinha. Que não vale a pena preocuparem-se porque a Isabel passa ao lado. Magoa-se, mas passa ao lado.Tem a obrigação de passar ao lado. Maturidade, o tanas. Experiência o tanas.

Na empresa as pessoas querem ver o Mundial. Na rua, as pessoas querem ver o Mundial. Em casa o meu filho quer namorar (como eu queria namorar quando tinha a idade dele...), no resto...no resto...estou cansada de tentar encontrar razões. Saídas. Palavras. Pedacinhos.
Estou cansada do Troll, da CT, de me meter sempre em mais coisas, de achar que tenho a obrigação de não dedistir, que não posso desiludir, que tenho que honrar os compromissos, que tenho que ser fiável e confiável, que tenho que me aguentar à bronca. Às broncas todas.

Desculpem. Eu sei que isto é estúpido. Não tenho dinheiro para o psicanalista. Não tenho ninguém a quem queira incomodar a falar deste cansaço. Têm que levar vocês comigo...As horas passam...quase chegam as oito. Tenho que me vestir, sair, beber café, entrar na empresa, ver, ouvir, falar milhares de vezes as coisas de milhares de vezes, fazer milhares de vezes as coisas de milhares de vezes...tenho saudades de algumas vezes em que não estou cansada de mim.

Recordo um post que aqui escrevi a semana passada. Das minhas rugas...tem, portanto, solução. Mas agora, as que vejo são todas resultantes do cansaço...as outras devem ter saído para parte incerta. Sei que vão voltar...mas agora tenho que sair. Sem colo. Nem voz.

Publicado por Isabel Faria às 07:41 AM | Comentários (16)

junho 15, 2006

Curta...sei lá nº k!!!!

Comprem a Visão desta semana. De vez em quando, eu e a Visão, divorciamo-nos, mas depois voltamos à cohabitação.
A não perder o Dossier Especial sobre os skins em Portugal . Eles existem. Mesmo. Uma reportagem sobre a Catalunha e a indispensável crónica do Ricardo Araújo Pereira (esta, confesso que leio todas as semanas, mesmo quando andamos de candeias às avessas...durante uns minutos confisco sempre a revista da minha colega). Ainda só vou aqui...

Numa pequena nota de rodapé se me conseguirem traduzir esta afirmação, que também já li, do Jerónimo de Sousa sobre o BE, eu agradeço:
"Acho que o BE subiu acima do chinelo. É uma força sem projecto e sem ideologia definidos".
A última parte eu percebo. Já tem décadas. Já existia antes do Bloco...digamos que é mais ou menos gasta e usada...ao longo dos anos só foi mudando o sujeito. Daí, eu mesmo conseguir entender....
A primeira parte é que me ultapassa: o que é subir acima do chinelo? Ao tornozelo? Às canelas? Ao joelho? Quando o meu Bono se deita em cima do meu chinelo é o Bloco de Esquerda que tenho em casa? Qual a análise política que está por detrás desta afirmação e que eu não consigo alcançar? Subir acima do chinelo é subir muito, pouco ou assim-assim...depende do salto do chinelo? De onde o guardamos? Please, help me!!!!!

Ah, e não se esqueçam, voltei a namorar com a Visão, por mais umas semanas. Vamos a ver qual será o nosso próximo arrufo....

Publicado por Isabel Faria às 07:13 PM | Comentários (6)

Curta V

pessegueiro.jpeg

Ok, eu sei que é perto...mas não há algum tempo que não nado. E há sempre a hipótese de voltar as costas para a estrada.

Publicado por Isabel Faria às 11:24 AM | Comentários (4)

Curta IV

Não gosto de soja. Soja é aquela coisa que não é carne nem é peixe.
De quando em vez, lembro-me que nunca me disseram não te posso ver, desaparece da minha vida que te detesto.
Mais ao menos ao mesmo tempo, também me tenho lembrado que já me esqueci quando me disseram a última vez: hoje, não consigo imaginar a minha vida sem ti. Fazes-me falta.
Estou no PC do meu filho e ele tem o roupeiro mesmo ao lado. Há um espelho no roupeiro. Olhei para lá e pareceu-me ver um Tofu. Não me parece nada bom sinal.

Publicado por Isabel Faria às 11:11 AM | Comentários (4)

Curta III

No meio das dúvidas, no meio dos Emails que chegam, dos desmentidos do Governo, das contas da multinacional, das incertezas do futuro de mais de 1500 trabalhadores, um trabalhador falava ontem ao JN "Daquela sensação estranha de que não há nada a fazer".
Quantos de nós, nos locais de trabalho, perante a força da globalização, a precariedade das relações de trabalho, o espectro do desemprego, as notícias das deslocalizações, não sentimos já, algum dia, essa estranha sensação? Apesar de tudo, sabemos que ela passa...e a um canto qualquer da solidariedade, da memória, da unidade, de nós próprios, acabamos por encontrar a vacina.

Publicado por Isabel Faria às 11:02 AM | Comentários (2)

Curta II

Ontem a CT da minha empresa recebeu um Parecer sobre o Projecto de Lei do Bloco de Esquerda, sobre as Comissões de Trabalhadores.
O Parecer vinha juntamento com outros documentos, nomeadamente as conclusões do último encontro de CTs realizado no Porto, a 2 de Junho.
Vinha dentro dum envelope duma organização que seguramente só o pode ter expedido, pois faço parte dela e não fiz nenhum Parecer nem para isso fui consultada. O documento não vinha assinado e no final trazia: Lisboa, 7 de Junho de 2006.
Ao príncipio ainda me pareceu mais estranho pois não tinha conhecimento de nenhuma reunião nese dia. Pensei que me tinha esquecido (ter vários burros para albardar, às vezes, dá nisso), mas dia 7 foi Quarta Feira e as reuniões são sempre à Quinta....
Estavamos a tentar discutir o Parecer para dar a nossa opinião e tinhamos uma dúvida...ok, mas a quem a dirigir?? Fez-se-nos luz, 7 de Junho de 2006 é a assinatura...agora só nos falta mesmo é saber o contacto...se alguém souber o Email, o telefone, a morada do Sete de Junho de Dois Mil e Seis (pode ser que apareça assim ou então assim 07-06-2006, ou ainda 7/6/2006...isto das listas telefónicas tem manias) é favor deixar aqui a informação que eu faço-a chegar á minha CT. Obrigado.

Publicado por Isabel Faria às 10:49 AM | Comentários (10)

Curta I

Duvido que hoje esteja aqui alguém a espreitar o Troll...mas não faço idéia para onde é que vão, já que vai estar o fim-de-semana todo a chover e a fazer relâmpagos e trovões e outras coisas dessas.

Publicado por Isabel Faria às 10:44 AM | Comentários (6)

junho 14, 2006

Quanto tempo falta para a AEIOU, nos dar uma explicação?

No passado dia 12, ás 11.00h, da amanhã, enviei ao suporte técnico da Weblog, este Email:

Boa tarde.
Eu peço desculpa de vos continuar a incomodar...mas os problemas da Weblog e do Troll Urbano mantêm-se. Não é possivel continuar a trabalhar assim. Ou os comentários não entram, ou entram a dobrar, ou os posts não entram, ou entram a dobrar, ou, como acontece esta tarde, pura simplesmente não consigo entrar no Privado.
Como deve compreender não estamos num Blog por obrigação, nem temos o tempo todo do mundo para estar num Blog. Mas queremos, no meu caso, quero, mantê-lo activo e actualizado e com visitas e com comentários...tudo o que não tem sido possível nos últimos tempos.

Peço-vos mais uma vez que nos tentem informar se este é um problema passageiro (passageiro terá que ser dito com esforço, dado o tempo em que o problema se mantém...),ou se teremos que pensar numa outra solução. Como devem entender não é normal que paguemos por um serviço e que não possamos usufruir dele.

Melhores cumprimentos
Isabel Faria

Como se depreende, este foi um Email, no seguimento de muitos outros Emails.
Entretanto, na Segunda Feira, à tarde, os problemas mantiveram-se a agravaram-se. Escrevi um post às quatro e tal e um outro às cinco que andaram a vaguear, sabe-se lá por onde até depois das nove. Depois, quais almas penadas, lá apareceram. O mais engraçado é que na Lista de entradas eles estavam lá, nos comentários anteriores, eles estavam lá, como entrada seguinte...só que eles não estavam lá, quando se entrava no Troll.

A Weblog é um serviço pago. Para nos ser possível deixar de escrever Por..., no ínício dos posts, passámos este ano, a pagar quase 80 Euros, de anuidade para usarmos o serviço. Não é, talvez, muito dinheiro...é o dinheiro que nos pediram para termos direito a um serviço que não nos prestam.
Mas mais do que um serviço que não nos prestam é a falta de jutificação, de informação que me irrita. Nem na página da Weblog. nem em resposta a qualquer post que tem vindo a ser por aí publicado com reclamações, pedidos públicos de explicações e de ajudas...nem ao meu Email de há dois dias. Nada. Silêncio total. Como se nos dissessem, estamo-nos borrifando para vocês. Se não estão bem, mudem-se.

Só que temos um contrato. Pagámos por um serviço. Temos o direito a uma explicação. A um esclarecimento. A um pedido de desculpas. A dizerem-nos o que se passa e quando estará solucionado, se estará solucionado.
Como dizia ontem a Émiéle, no Pópulo, há muito que podiamos mudar...só que se criam laços afectivos com as coisas mais inesperadas...entrei na Blogosfera pelo Afixe. Um dia, já no Troll, desmanchei o Troll todo, ficou completamente preto, mandei um SOS ao Paulo Querido, antes de o ter recebido, já o Troll era, de novo, o nosso Troll.
Havia invasões de spams...sabiamos que o Paulo Querido resolveria...questão de horas...o serviço ficava bloqueado...sabiamos que o Paulo Querido resolveria...questão de horas...

Não suporto falta de profissionalismos. Irrita-me. Mas mais do que isso não suporto falta de educação e de respeito...digamos que para isso não tenho idade. Não tenho paciência. Nem tenho feitio.

Estamos a meio de uma semana...não tenho tido muito tempo para falar no assunto com os meus colegas. Mas teremos que pensar numa solução. Com uma certeza, nem que seja preciso dar uma volta ao Mundo...se o serviço não melhorar, se não nos devolverem o serviço porque pagámos, o AEIOU, vai-nos devolver o dinheiro...ou eu não me chame Isabel.

Até lá, as nossas desculpas por uma incompetência, um desleixe e uma falta de respeito de que não somos responsávis. E um obrigado pela vossa peciência.

Nota: Há pouco, tentei meter um comentário no post do daniel. Deu, de novo, erro. O comentário não foi colocado, ou uma treta qualquer...o comentário está lá...Brrrrrrrr!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Publicado por Isabel Faria às 11:43 AM | Comentários (16)

junho 13, 2006

A razão da ausência...o mar

ondas2.jpg

Hoje não me apeteceu vir ao Troll. Nem ler o jornal. Nem ver televisão. Não faço ideia o que se passa aqui ao lado. Nem aí...Hoje apeteceu-me levantar e tirar o dia para sentir. Claro que falei, fala-se muitas vezes quando se sente, mas o que fiz mesmo foi sentir. Hoje tirei o dia ao Troll, ao mundo (o meu filho está fora até mais á noite), ao Sócrates, aos neo-nazis que continuam á solta, à empresa que não pára de me preocupar, ao Mundial de Futebol, á Weblog que tem sido nestes últimos dias a mostra do que profissionalismo e respito não podem ser...tirei o dia a tudo, e dei-o a mim.
Tirei o dia ao Mundo e dei-o a mim...para ser um dia inteiro, completo, daqueles que ficam para sempre dentro de nós e da nossa pele, dentro da alma e dentro da boca, limitei-me a sentir....muito mais que a falar. Claro que para me dar um dia inteirinho, daqueles que ficam para sempre, tinha que ter o mar, dentro de mim.
Ainda tenho o seu sabor a sal...espero, portanto, que desculpem a ausência. Não sou capaz de lhe resistir...

Publicado por Isabel Faria às 06:58 PM | Comentários (3)

junho 12, 2006

Só uma amostrinha do que ela é capaz...

Há mais...se vocês soubessem o que ela faz enquanto o Louvre está fechado...de vez em quando, vou aqui publicando as coisas de que a senhora é capaz...
Obrigado pelo Email...o post a seguir é para ti...faxavor de ver!!!

mona lisa2.gif

Publicado por Isabel Faria às 03:23 PM | Comentários (7)

A importância de cantar o hino...

Estou há meia hora a tentar encontrar umas palavras minhas para juntar a esta notícia do Público. Ainda não encontrei. Há notícias que valem por si...tirem as vossas conclusões, e, já agora, ajudem-me a encontrar as palavras...

Publicado por Isabel Faria às 09:22 AM | Comentários (9)

junho 11, 2006

Não incomodo mais....

olhos esbugalhados.jpg

Pchiu....pchiuuuuuuuuuuuuu...pchiuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...
Não me parece. Vou meter o boneco de fora (nem sempre resultou para o Daniel e o Benfica, mas talvez depois deste período de descanso dentro do saquito, esteja, de novo, au point), escolher por que gaveta é que começo...sou gaja para tentar meter aquilo por cores...por tons dentro das cores...tecidos dentro dos tons dentro das cores...rendinhas dentro dos tecidos dentro dos tons dentro das cores....quanto é que dura mesmo o jogo???? ok...entre as rendinhas e meter o bonequito de fora...deve ocupar os noventa minutos...
Atão, olhem, não vos incomodo mais...Inté!!!!
Ah, esqueci-me...quando Portugal joga a gente pode jantar ou dá azar???

Publicado por Isabel Faria às 06:07 PM | Comentários (6)

junho 10, 2006

Tatuagem

HF.jpg

Abro a janela, deixo a aragem fresca entrar...


...Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta
Morta de cansaço

(Tatuagem, Maria Bethãnia canta Chico Buarque e Ruy Guerra)

Publicado por Isabel Faria às 11:03 PM | Comentários (7)

SPGL

Como lembrava hoje a Émiéle no Pópulo tudo na vida tem sempre duas leituras.
Poder-se-ia falar na primeira derrota da corrente sectária, autista e conservadora do Movimento Sindical Unitário. Infelizmente seria uma análise tardia. Esta corrente e, com ela, o movimento sindical e a luta dos trabalhadores têm vindo a acumular derrotas, a maior das quais, a desmobilização, que é visível na afluência às urnas.
Assim, prefiro falar na primeira vitória da corrente democrática, aberta, moderna, que aposta no futuro sem negar o passado, mes recriando-o à luz da nova realidade do movimento sindical e das lutas dos trabalhadores, no Movimento Sindical Unitário.

A Lista A venceu as eleições para o SPGL A luta dos professores tem agora um futuro novo à sua frente.
Lutando por causas, por direitos, sem obrigações de calendário, nem imposições externas.
Os começos são sempre estimulantes. Assim os saibamos aproveitar e merecer.

Aqui ficam os resultados

Publicado por Isabel Faria às 02:31 PM | Comentários (51)

Que seja dele!!!

camoes.jpg

Dantes, lembro-me que era o Dia de Camões. Parecia-me bem. Afinal os Lusíadas, o olho, e o resto todo davam muito bem para um dia inteirinho.
Depois, não faço ideia quando, juntaram-lhe Portugal e mais as Comunidades e pareceu-me que o dia começava a ter um bocado a mania das grandezas, mais olhos que barriga. Pelo meio, ainda houve quem metesse a raça nisto, mas aí nunca percebi se se falava de siameses ou de caniches, daqueles de lacinho.
Pelo meio os Presidentes da República aproveitam sempre para distribuir medalhas e por ir dar uma volta a uma cidade qualquer. Desde há uns anos para cá, meia dúzia de atrasados mentais, ressabiados e com a mania que gostam de dar tiros e de serem puros decidiram vir gritar, para a rua, umas palavras de ordem tão atrasadas, ressabiadas e energúmenas como eles. Apesar de perigosos (basta não esquecer a telenovela da passada semana) e de passearem com T shirts com a cara do Marcelo Caetano, continuam a poder andar para aí a fazer as sua “traquinices” impávida e impunemente.

Quanto a nós, resta-nos gozar o Feriado que, este ano, se armou em traidor e calhou a um Sábado, dar um passeizeco ate à praia, fazer umas compras, ver mais dez horas de Mundial…e já agora ler um poema do Camões. Afinal, acho que ele nunca cedeu a propriedade do Dia ao caniche dos tó-tós.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Publicado por Isabel Faria às 11:11 AM

junho 09, 2006

O vitral das minhas rugas

miroir.jpg

Gosto de estar sozinha. Gosto, sobretudo, de saborear a diferença entre estar sozinha e sentir-me sozinha. Adoro o meu filho. Adoro a voz do meu filho ou o seu silêncio, aqui, juntinho a mim, mas gosto destes momentos. Preciso de os respirar.
Cheguei a casa apressada para vir tomar um duche rápido e ir jantar com uns amigos. Foi um convite de última hora. O João Pedro foi jantar fora e tudo encaixava.
Cheguei, enchi a banheira, meti o Leonard Cohen, peguei num cigarro, coisa que hoje só faço nos momentos especiais, peguei num Gin Tónico…e pedi desculpa aos meus amigos. Talvez um copo mais tarde. Jantar agora, não. Estás acompanhada, já vi…confirmei. Não creio que tivesse mentido. Mais tarde explicarei.
Durante anos, enquanto o João Pedro ia passar os fins-de-semana a casa dos avós, guardava, regularmente, uns momentos destes para mim. Depois, um dia, por desencontros da vida, estar sozinha começou a confundir-se com sentir-me sozinha, de novo, e comecei a fugir deles. Doíam.
Aos poucos, e apesar de muitos momentos complicados, deixaram, outra vez, de me assustar. Melhor, começaram a chamar-me e fui reaprendendo a não lhes resistir.
Gosto de me ver. Não creio que seja narcisista, mas preciso de me ver de quando em vez. E preciso de me ver, não como mãe, nem como amiga, nem como filha, nem como colega, nem como namorada, nem como cidadã, nem como amante…apenas, de me ver. De espreitar e sentir o que fui perdendo e o que encontrei. Gosto de me ver e não me incomodarem as rugas novas, nem me doerem as faltas. Ou de me incomodarem as rugas novas e de me doerem as faltas. Gosto quando me vejo e umas e outras me mostram. Me mostram a mim (não soa esta expressão, assim escrita…soa-me, assim sentida. Lamento. Às vezes, a língua acaba por ter que ceder às palavras). Gosto de passear a minha mão e de saber que aquela ruga foi, de certeza, daquele dia em que chorei por aquela partida e que aqueloutra foi, sem dúvida, resultado daquele dia em que ri e gritei, pelo prazer que tive.
O Leonard Cohen continua a passar a sua voz rouca e única, o Gin chega ao fim, há muito que o cigarro se apagou…enrolei-me numa toalha e espreitei o vitral ali de frente. Nunca tinha reparado como aquele vitral se assemelha à minha vida…os pedaços de luz intensa, contrastam, mas diria, olhando-o com atenção, que contrastam pacificamente, com os pedaços de quase escuridão. Até lhe vislumbro alguns de total escuridão. Talvez resultado da noite que, entretanto, algumas vezes, chega. O amarelo prevalece, no entanto, no vitral. Amarelo é para mim a cor da paixão…há um tom esbranquiçado que se quer insinuar. Não tenho como não o deixar entrar. Tal como o vitral da torre dos Bombeiros deixou. Ambos sabemos que o branco nunca prevalecerá, em nós, sobre o amarelo. Não enquanto a cada noite se seguir um dia novinho em folha, pronto a ser usado, gozado e vivido.
Enquanto estou sozinha e me percorro, passeando as mãos e a memória pelas rugas novas que, entretanto, se instalaram, sei que muitas delas vieram dos momentos de tons amarelos na minha vida. Outras vieram da solidão…tal como no vitral da torre houve brancos que se insinuaram e se instalaram. Naquelas vezes em que não ouvia o Cohen, não fumava um cigarro nem ousava o Gin. Naqueles momentos em que sozinha foi só. E em que doeu.
Nos momentos em que me vejo, percebo sempre coisas novas, para além das rugas. Hoje percebi o vitral.

Parece que o CD chegou ao fim…entretanto, o telemóvel tocou…gosto sobretudo de sentir a diferença entre estar sozinha e sentir-me sozinha...
Depois de uma semana, em que, por momentos, quase deixei o branco, a cor da minha tristeza, instalar-se e ocupar-me...no vitral, no som da tua voz e em mim, voltei a conseguir vencê-la.
Agora, fecho a janela e fico.

Publicado por Isabel Faria às 10:48 PM | Comentários (9)

SOS

Pronto, eu até já aprendi o que é um fora de jogo...e que se um gajo mete o pé à frente do outro pode ser falta...se meter o pé ou der um soco dentro daqueles risquinhos que há perto da baliza, é penalty. E normalmente os penalties dão golo...assim, tipo, é penalty, tamos safos ou tamos feitos, depende se formos nós ou os outros parvos que estão a jogar contra a nossa equipa. Portanto, aprendi que se o Figo for bater num angolano que não faço ideia o nome (só conheço o Mantorras, ele joga???) e for dentro dos risquinhos a gente pode ter sérios problemas...se fôr ao contrário somos capazes de nos safar, isto se não fôr o Figo a marcar o dito cujo, pois parece que me lembro que de vez em quando ele não acerta nestas ocasiões...
Pronto, então...eu já sei umas quantas coisas de futebol.
Aliás, eu que sou completamente ateia em equipas, até fico um bocadito nervosa quando a selecção joga...e por causa disso há mais ou menos duas semanas que ando a a guardar a gaveta da lingerie para arrumar e a das t shirts também já teve melhores dias...
Também já me apercebi que nos próximos dias vou ser cobardemente subsituída por uma bola de futebol, uns quantos livres (ah, esqueci-me, também já aprendi que o livre é irmão da falta...), uns penalties e mais uns apitos e não sei se vou ser merecedora de um ninutito de atenção da parte dos homens da minha vida (não sei se são muitos ou poucos...não venho para aqui contar a minha vida toda...só vos posso garantir que são muito menos dos que os que vão andar a correr atràs das bolas (a língua portuguesa é muito traiçoeira...estou a falar daquela bola que costuma ser preta e branca e salta na relva...), pronto, então é assim, entre as coisas que já aprendi, a minha lingerie e as bolas que vão fazer com que a atenção dos meus homens vá ter um défice significativo nos próximos dias...o que eu vos peço, mas peço mesmo, melhor, o que vos suplico é que, por favor, tirem daqui a minha colega que meteu o hino no telemóvel ...porra pá, entre a filha, o marido, a sogra, a tia e a senhora que está lá em casa a passar a ferro...façam as contas...e ainda faltam 5 horas...e quantos dias...e ela diz nem penses que vou tirar o hino até ao fim do Mundial...ké keu faço????? Há alguém que me ajude????? A minha colega é simpática...boa pessoa...não costuma chatear muito...sei lá...ela não me ouve...e eu vou ouvir o hino milhares de vezes se vocês não a levarem daqui...vocês gostam ou não gostam um cadinho de mim, hein??!!!!

Publicado por Isabel Faria às 01:23 PM | Comentários (7)

junho 08, 2006

Sabe bem...

matematica.gif

Ontem o meu filho chegou a casa muito desapontado. Imaginei que fossem problemas de “coração”...mas ele sossegou-me. Era a nota de Matemática. O João Pedro é sempre um óptimo aluno a Matemática, o desapontamento com a nota de Matemática deixou-me preocupada. Ainda por cima, tinha sido um teste de estatística e estatistica está nos pontos que lhe são menos “caros” na matéria...
Pronto, resumindo, o meu filho trocou um algarismo numa adição e em vez de 20...teve 19,9. Num teste de fim de período, mãe. Do último período, mãe...Sempre sonhei ter um 20 num teste de fim de período a Matemática....por um décimo...não vou ter 20 na nota final do último período do ano, por um décimo...um miserável décimo...
Lembrei-me dos meus 2,3 na última nota que tive a Matemática...lembrei-me do que custa estar mesmo, mesmo a chegar a uma meta e faltar-nos a “força” no último segundo, lembrei-me que os meus professores sempre me acusaram de ser pouco ambiciosa, de sempre achar que se 15 chegava porquê chatear-me para 18...lembrei-me que a frustração custa mas nos faz crescer...e olhei, vaidosa, recompensada, liberta duma quantidade de dúvidas que têm teimado em não me largar, para o meu homem.

Publicado por Isabel Faria às 11:00 AM | Comentários (6)

O que os Juízes nos ensinam....

Mário Machado anunciou na televisão que ele e os seus amigos possuem armas suficientes para tomar as ruas e impedir "o que se passou em França".
Mário Machado fez-se acompanhar de uma arma, segundo ele, legalizada.
Mário Machado esteve implicado na morte de um cidadão cabo-verdiano, tendo, portanto, antecedentes criminais.
Mário Machado fez num meio de comunicação a apologia de ideais racistas e segundo parece é ilegal a apologia e a transmissão de ideais racistas e xenófobos.
A Polícia encontrou armas ilegais em casa de Mário Machado.
Mário Machado foi apresentado ao Juíz e saiu com termo de residência e identidade.
Mário Machado saiu a tempo de ir dar o seu apoio à manifestação dos Policias, que acabaram por se demarcar publicamente dese apoio, chegando a anunciar que a manifestação não se efectuaria, mas acabando por a realizar acompanhados de tão ilustre criatura.
O Juíz foi célere e permitiu-lhe chegar a horas à manifestação.
Afinal, de vez em quando, a Justiça funciona rapidamente.
A medida mínima aplicada, para um leigo como eu, deve significar que ter armas ilegais em casa, apelar publicamente à violência e dizer-se disponível e preparado para ela, não constitue, legalmente, motivo para mais do que termo de identidade e residência. Não conheço nada do Código Cívil, mas isto não significa apenas mostrar o BI e dizer onde mora?
Há alguém que entenda de leis que esclareça um leigo ignorante como eu?

Actualização: Faltava-me ter lido esta notícia para juntar ao post...

Publicado por Isabel Faria às 10:08 AM | Comentários (6)

junho 07, 2006

Não nasci ele...aguentem-me (se)!!!!

obelix.jpg
(Quando eu vier para aqui com a telha (roubei o termo ao Daniel), não liguem...é só porque não nasci ele...mas passa...)

É assim. A gente julga que somos muito fortes. Já resistimos a tanta coisa. Crescemos. Saimos de casa. Perdemos pessoas. Amámos. Perdemos amores. Sonhámos. Perdemos sonhos. Já nos mentiram. Já sobrevivemos às mentiras. E também já mentimos. E também sobrevivemos ao incómodo de a elas ter que recorrer. E magoámos. E magoaram-nos. E resistimos às dores. E pedimos desculpa. E já tivemos o mundo todo na mão. E sentimo-lo perder...e corremos e agarrámo-lo outra vez...e sobrevivemos à corrida e ao peso. E cum caraças se o Mundo, às vezes, pesa...
É assim. A gente somos mesmo muita fortes. De vez em quando temos é problemas de... memória. Mas isso cura-se. Mesmo que se tenha que recorrer a uma poçãozeca mágica qualquer...nem todos nascemos Obelixes...mas a gente descobre-a. Olhem, tenho uma confissão a fazer...tenho andado a precisar do meu Panoramix ...tem a ver com causas externas à minha vontade...vocês até têm dado por isso e tudo ... mas uma coisa vos garanto...eu cá sou uma gaja muita forte. Não me põem ko às primeiras...têm que comer muita papinha ... Pronto, daqui a nada volta a desancar no Sócrates. Mas não prometo que não me volte a dar forte...obrigado pela compreensão. E pela poção.

Publicado por Isabel Faria às 11:47 AM | Comentários (14)

junho 06, 2006

A greve dos professores

Há uns anos, creio que durante a Expo 98, fizemos uma greve na minha empresa. Na altura, a Comissão de Trabalhadores de que fazia parte, propôs em Plenário que a greve fosse de dois dias e que fosse marcada para Domingo e Segunda-Feira (trabalho numa empresa de laboração contínua, mas onde aos fins-de-semana está um muito menor número de trabalhadores). Na altura, tivemos a relutância do Sindicato em optar por esses dias, mas foi essa a decisão do Plenário e a greve foi um êxito. Desde há muito tempo, depois de uma greve desastrosa de mais de uma semana, uns anos antes, que não conseguiamos fazer uma greve na empresa. Os trabalhadores administrativos, os que normalmente são mais relutantes em aderir, não trabalham ao Domingo e daí o primeiro dia ter tido uma altíssima percentagem de adesão. Na Segunda-Feira, ao verem-nos na rua, a grande maioria dos nossos colegas que habitualmente não fariam greve, acabaram por se juntar a nós.
Confirmei, na altura, que as lutas para serem vitoriosas têm que ter lógica, têm que ser inteligentes, têm que ser inesperadas para as entidades patronais e não podem correr o risco da banalização, do "sempre a mesma coisa", sobretudo, do isolamento. E têm que ter a capacidade de saber sair da "cartilha".

A greve dos professores marcada para dia 14 de Junho não me parece reunir nenhum destes requisitos. As lutas por mais justas que sejam não são necessariamente lutas vitoriosas.
Marcar uma greve para uma "ponte" (pelo menos nalguns concelhos significativos) seguindo a táctica de marcar greves à Sexta-Feira, não me parece que seja entendível nem que provoque solidariedade. Para isso era necessário um esclarecimento que as Direcções Sindicais não se dão ao trabalho de fazer. As greves de sector são, quando têm mobilização para isso, apenas, greves de sector. Não despertam solidariedade, acabam por despertar incompreensão e fazer o tal favor ao Governo de virar todos contra todos. A banalização, a escolha da data, a falta de imaginação e de esclarecimento serão sempre mais um passo para a derrota... e a derrota nada tem a ver com o número de professores que aderirem à greve. Tem a ver com os resultados.

Naquela altura, na empresa conseguimos o "milagre" de pôr a fazer greve trabalhadores que nunca na vida o tinham feito. Para além disso, provámos que há greves que podem ser vitoriosas, quebrando o enguiço do desastre da uns anos antes e conseguimos o que reivindicávamos. A mobilização, a imaginação e o risco assumido de inovar valeram a pena, os resultados comprovaram-no. Dia 15 se verá o que fica de mais uma luta para cumprir calendário. E uma luta para cumprir calendário não tem que ser uma luta injusta. Apenas é, normalmente, uma luta não vencedora.

Publicado por Isabel Faria às 09:51 PM | Comentários (11)

06-06-06

bruxa2.gif

Não sou supersticiosa. Não me faz nenhuma confusão encontrar gatos pretos, só não passo por debaixo de uma escada porque tenho medo que alguém me caia em cima, esqueço-me sempre das Sextas-Feiras, trezes, e aquela hsitória de aparecer uma borboleta e ser visitas ou ter comichão no nariz e ser amor de um velho...nunca tive, assim, algo que servisse de prova.

Parece que os dias 6 são azarentos, tipo Diabos a saltar à nossa volta e assim. Hoje junta-se esta catrefa deles e devia ser uma desgraça...reconheço que as coisas aqui estão complicadas, mas já estavam a 2 a 5 e presumo que vão continuar a 17 ou a 32... mas, e isto é um miminho que me apetece dar...desculpem lá, mas se o Daniel pode contar as suas aventuras com um Kompensan na boca e na banheira, eu também me reservo o direito a dar miminhos públicos...obrigado por logo de manhãzinha me ajudares a vencer a parva da capicua...depois de uma noite de insónia estava complicado...fartei-me de me lembrar de números com bolas e pernas para cima e para baixo e estava a ver-me a passar o resto da vida a fugir de gatos pretos, de escadas e a recusar-me a coçar o nariz. Brigado. Venceste o meu Diabo. Acredita que é uma dura luta...Fim de mimo.

Publicado por Isabel Faria às 10:58 AM | Comentários (5)

Timor

Continuo sem entender o que se passa em Timor. Nunca entendi, tirando aquelas alturas em que tudo parecia claro. Havia um País ocupado que lutava pela Liberdade e contra a repressão.
Depois, ciclicamente acontecem factos que nos deixam a todos surpreendidos. Da violência dos últimos dias já me tentaram explicar imensas vezes as causas, os protagonistas, os interesses mais ou menos obscuros...talvez porque ainda guardo a imagem daquels dias de entrega e de luta pela Liberdade, não entendo. Mas preocupa-me. Um País em que se fazem manifestações e se entregam abaixo-assinados a exigir a demissão de um Primeiro-Ministro democraticamente eleito...não é facilmente entendível. Nem a liberdade de movimentos que Xanana permite aos revoltosos, nem a forma como foram dispensados um tão grande número de militares, nem as declarações da mulher de Xanana, nem a actuação com laivos de imperialismo das forças australianas...acabo como comecei. Continuo sem entender o que passa na Terra do Sol Nascente.

Publicado por Isabel Faria às 09:56 AM | Comentários (11)

junho 05, 2006

Não fossem já tantas, não tinha graça!

fa.bmp

Um outro Brecht...ou um dia de calor lá fora...com areia, o mar, o silêncio das ondas e algum vento...e tu.
Ok, dispensava o mar, o silêncio das ondas, a areia, até algum vento...
Gosto de poesia erótica. E gosto de Brecht. E gosto muito que as pessoas me surpreendam. Este Brecht sempre me surpreendeu. Tal qual o Prazer.

Hábitos de amar

Não é exacto que o prazer só perdura.
Muita vez vivido, cresce ainda mais.
Repetir as mil versões prévias, iguais
É aquilo que a nossa atracção segura:

O frémito do teu traseiro há muito
A pedi-las! Oh, a tua carne é ardil!
E a segunda é, que traz venturas mil,
Que a tua voz presa exija o desfruto!

Esse abrir de joelhos! Esse deixar-se coitar!
E o tremer, que à minha carne sinal solta
Que saciada a ânsia, logo te volta!
Esse serpear lasso! As mãos a buscar-
-Me. Tua a sorrir!
Ai, vezes que se faça:
Não fossem já tantas, não tinha tanta graça!

Bertolt Brecht
(Desculpem mas hoje a ressaca do Prozac que não chegou não dá para mais...)

Publicado por Isabel Faria às 03:19 PM | Comentários (6)

junho 04, 2006

As compras não resultaram...porra!!!

brinco.jpg
Comecei por aqui, porque costuma resultar...

velas-3.jpg
...como não resultou, achei que as velas seriam a solução, até porque o Bono partiu a cabeça a duas...

sandalias.gif
...houve uma senhora que resolveu acender uma a cheirar a côco e tive que fugir...as sandálias eram a minha salvação...tenho uns dedos dos pés fixes, pensei. Aliás, eu penso sempre que os meus pais gastaram tanto tempo a esmerar-se nos dedos dos pés que, depois, lhes faltou tempo para o resto...

prozac.jpg
...alguém tem p'aí uma coisa destas??? faxavor???

Nota: Um charro daria muito mais resultado, mas não sei enrolar aquilo...um homem também era capaz de funcionar, mas tinha que descalçar as sandálias...portanto se tiverem p'raí fluronãoseiquê, a gaja (é a minha irmã neura) agradece.

Publicado por Isabel Faria às 08:13 PM | Comentários (12)

junho 03, 2006

Os tempos difíceis do Troll

O Troll anda uma desgraça. É uma desgraça para comentar. Os comentários demoram horas a entrar. Depois aparece uma frase a dizer que o comentário não entrou, tentamos outra vez e, muitas vezes, tinha entrado à primeira e sai repetido.
Passa-se o mesmo nos bastidores com os posts. Demoram horas. Não entram. Entram a duplicar…depois o que entrou a duplicar primeiro que saia é mais um século…
Não me parece que se passe o mesmo com outros Blogs da Weblog (acabei agora mesmo de comentar no Pópulo da minha amiga Émiéle e funcionou normalmente em tempo normal). Já contactei algumas vezes o Departamento Técnico do AEIOU, que se tem mostrado sempre disponível mas a verdade é que não tem melhorado. Há um ou dois dias em que anda melhor e depois volta tudo ao mesmo. Não sei como os nossos comentadores vão tendo paciência para insistir…sei que a responsabilidade não é nossa e que não entendemos o que se passa.
Este post é um pedido de desculpas a todos e um pedido público de ajuda a quem de direito. Nunca tivemos tantos problemas no Troll. Dá para ver que não são problemas gerais da Weblog e não entendemos, repito, o que se passa. Queremos continuar na Weblog. Digamos que se criam laços afectivos, até com coisas inesperadas, como um endereço electrónico, mas achamos que temos o direito de solicitar um serviço adequado àquele que a Weblog nos proporcionava no tempo do Paulo Querido e que eu conheço desde os tempos do Afixe. Peço desculpa à equipa técnica do AEIOU por este desabafo, mas estamos todos a ficar um bocado cansados. De tentar, mas sobretudo, de não compreender. Queremos o Troll de volta...e por mais que gostemos de por aqui passar, ninguém tem tempo para passar uma hora a tentar publicar um post ou um comentário.

Publicado por Isabel Faria às 09:53 PM | Comentários (4)

O processo da metamorfose

kafka.jpg
Estou aqui, mais do que isso não sei.

Há oitenta e dois anos, aos quarenta e um anos de idade, tuberculoso, morreu Franz Kafka.
De vez em quando, continua a acontecer-nos acordarmos transformados em insectos. Nem sempre gigantes.

Publicado por Isabel Faria às 07:48 PM | Comentários (1)

junho 01, 2006

Olha se não fosse da "ala esquerda"????

Acabei de ler na Visão a divisão do Governo em famílias. Segundo a revista há os pragmáticos, a "ala esquerda", os tecnocráticos e o "democrata cristão" .
Lendo os nomes, relembrando as definições de cada uma das famílias...tá bem....para não vos roubar muito tempo... o Vieira da Silva é da "ala esquerda". O do não cumprimento das promessas eleitorais de rever o Código de Trabalho, do aumento da idade da reforma, das pretensões de aniquiliamento da Segurança Social pública..."ala esquerda"? Cum caraças pá, se nos tivessse calhado um "pragmático", um "tecnocrata" ou um "democrata cristão" no Ministério do Trabalho e da Segurança Social, estavamos feitos ao bife, não?
Para além do mais acho engraçado catalogar as pessoas pelos lugares de onde vêm e não pelas políticas que adoptam, que preconizam ou que não denunciam....ninguém considera Vieira da Silva, diz a Revista, um "perigosso direitista" e relembra a sua passagem pelo MES e a sua ligação a Ferro Rodrigues. Ficamos, portanto, muito mais descansados. Daqui a uns tempos (que o Governo quer muito curtos), quando chegarmos à idade da reforma e contar para o cálculo da mesma o salário que usufruímos há 40 anos quando começámos a trabalhar...podemos pensar sempre que se ele fosse um pragmático, como o Correia de Campos ou o próprio Sócrates, por exemplo, começaria a contar desde o primeiro biberon. Sabe-se lá se não teriamos que acabar por pagar, dados os primeiros anos de completa, abusadora, assumida e indigente inactividade???!!!i

Publicado por Isabel Faria às 09:38 PM | Comentários (5)

Mas são mesmo todos maus?

Há uns dias a ministra da Educação traçou um quadro negro dos professores e das escolas públicas.
Não tenho muita vontade de discutir as palavras da Ministra. Creio, apenas, que, como em tudo em que se façam generalizações, serão certa e inevitavelmente injustas.
Há maus e bons professores, como maus e bons médicos, como maus e bons juízes, como bons e maus electricistas, como bons e maus pais.
Se há favorecimentos nas escolas como afirma a Ministra, então porque nada se faz? Se não se aposta nos caso difíceis, então porque nada se faz? Se se distribui os melhores alunos aos melhores professores, então porque nada se faz? Isto é, não se deveriam criar regras, regras iguais, democráticas, legais, para evitar que, se isto se passa, se passasse? E se se deveriam criar regras, estas não deveriam ser da responsabilidade de quem agora não responsabiiliza, mas, escolhe o caminho mais fácil e, apenas, culpa?
O meu filho tem 16 anos. Sempre andou em escolas públicas. É a quarta escola pública que anda, este ano, a frequentar. Está no 10º. No primeiro ano teve uma boa professora, em Oeiras. Nos três seguintes teve um óptima professora em Lisboa. Esteve sempre no horário da manhã (aliás, nos 3 últimos anos só havia horário da manhã). Dizia-me, então,quando o ano terminou, que nunca mais ia encontrar uma professora como a MJ...e chorou por a deixar.
No 5º ano teve uma má professora, entre todos os que teve. Má como professora, má como profissional, má como pessoa. Ficou a detestar a disciplina. Os pais reclamaram mas a situação não foi alterada. Sei que a professora se manteve na mesma escola durante os anos a seguir. Estava no horário da tarde.
No 6º e no 7º, teve uma nova professora à disciplina que detestara e recuperou completamente. O gosto e as notas. Passou de 3 para 5. Manteve a nota até ao ao final do 7º ano, apesar de ter mudado de professor, entretanto. Continuou no horário da tarde. Neses anos em que se manteve neste horário, sempre foi um aluno de 4 e de 5.
No 8º e no 9º manteve-se na mesma escola e mudou para o horário da manhã. Não passámos a ter nenhum familiar na escola e continuou a ser sempre um aluno de 4 e de 5.
No 8º ano teve uma má professora numa disciplina importante. Acabou o ano com 3. Foi a excepção. Para além de não ser boa profissional, não tinha nenhuma aptidão para motivar os alunos e todos a detestavam. Durante as férias fizemos os dois um esforço enorme para recuperar o tempo perdido. Foram alguns dias de trabalho que não poderia ter feito se fosse numa disciplina em que eu não o pudesse ajudar. Mas se eu pudesse e não o tivesse feito, possivelmente, o 9º ano não teria sido nem tão bom nem tão produtivo. E foi. Teve um óptimo 9º ano. Cheio de certezas quanto ao que queria seguir. E acabou o ano com média de 4,5.
Está no 10º. Numa escola pública. No 1º período teve uma má experiência com uma professora que, entretanto, entrou de baixa. Nesta altura, há disciplinas a que é muito bom e outras a que é um aluno bom. Uma em que é um aluno médio. Em que não gosta da disciplina mas em que diz que a professora “coitada não pode fazer nada...ela bem se esforça...mas eu detesto aquilo”. Na mesma turma, que é uma turma da manhã, há alunos médios e alunos que possivelmente vão chumbar a algumas disciplinas. Não me parece que estes sejam familiares de funcionários. E há outros alunos, bons e muito bons.

Não sei se a nossa experiência pessoal é mais do que isso. Experiência e pessoal. Talvez sirva para desmontar as generalizações. Em não sei quantas disciplinas e em 10 anos, o meu filho teve dois professores francamente maus durante dois anos inteiros e um durante um período. Ou será que apenas serve para dizer que há excepções? Ou que nós tivemos sorte? Não sei. Que cada um tire as suas conclusões.

Publicado por Isabel Faria às 11:06 AM | Comentários (13)

1 de Junho

dia.jpg
Foto de Francis Harrisson

“É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir.” , José Gomes Ferreira, Aventuras do João sem Medo

Publicado por Isabel Faria às 09:19 AM | Comentários (2)

maio 31, 2006

Esperas ou partidas?

porto2.jpg
O que é que faz com que soe a partida e não a espera?
O ligeiro inclinar da cabeça ?
O preto e branco?
Ou a distãncia?

Publicado por Isabel Faria às 02:40 PM | Comentários (4)

O pesadelo do meu sonho enganou-me

feia.jpg
(é ou não parecido com quem vocês estão a pensar??? Não é...vai-se embora daqui a 15 dias...)

Quando começaram a aparecer lá em casa, assim p’ró escuro, feias como o caraças e mal encaradas, olhei uma ou duas de frente e pareceu-me reconhecer algumas caras. Ok, não vale a pena entrar em pormenores...assim, tipo caras que povoam os meus pesadelos...não me apetece escarrrapachar os nomes não vão os monstros escuros e mal encarados processar-me por difamação...
Afinal, os especialistas dizem que aparecem na Primavera e que desaparecem em quatro semanas...não me parece que sejam os gajos...tenho a impressão que um deles, o que me pareceu mesmo que estava a voar na minha cozinha, pelo menos, fica mais cinco anos...

Publicado por Isabel Faria às 12:07 PM | Comentários (3)

maio 30, 2006

Fim de Crónica - TU

sun.jpg

30 de Maio de 1990

“Vá, está na hora de ir para o Bloco Operatório. Como é que passou a noite? Vamos medir a tensão”
“ Passou calma. Dormimos bem…”
“ 12/8??? Porque é que não teve essa tensão sempre e escusávamos de a ter cá tido todo este tempo???? Não vai levar o caderno consigo, pois não?”
“Não, dê-me só um minuto. Deixe-me só escrever uma coisa, pode ser?”
“Um minuto…”

Vai ser a nossa última viagem, contigo dentro deste barrigão, meu amor. Vêm-nos buscar numa maca, vamos descer o elevador. Depois a mãe adormece (foi o que explicou a Sra. Enfermeira), quando acordar, tu estarás deitadinho a meu lado.
Deixa-me tocar só mais uma vez e sentir-te...creio que estás a dormir. Dorme bem, serinho, hoje, vai ser a tua vez de esperares que eu acorde.
Se acontecer alguma coisa...se acontecer alguma coisa...amo-te.

“Então é hoje ou amanhã???”
“Já está, não se zangue comigo”

Depois e hoje

A primeira palavra. Nã. Foi a primeira palavra. E era usada sempre que chegava a hora da sopa. Ou do banho. Ou de ir para a cama. A intensidade variava conforme a insistência. E cheguei a pensar que um dia se dedicaria à ópera.
Os primeiros passos. Tinha que ser com a bola nas mãos. Percorria metros e metros com a bola entre as mãos. A bola caia e zuz, catrapuz, o João Pedro seguia-lhe a trajectória e lá vinha mais um arranhão. Taí. Também foi das primeiras palavras. Avisava sempre antes de começar a chorar. Depois do aviso vinham as lágrimas.

Mãe és tão flatinha. Eu sou muita nane e tomo tonta de ti.

Quando começaste a dizer os cc, os rr e a saber dizer grande, começou a ser a dois. Até hoje, temos tomado sempre conta um do outro. Não nos temos dado mal.

Esta noite tivemos que dormir os dois...resultado de um fim-de-semana de mudanças de móveis e de arrumações e desarrumações...e de cá estarem os avós e de não haver muitas camas e de...cum caraças, tás nane, meu amor. E eu gosto de adormecer a ouvir a tua respiração...respiração de nane e de folte.

É giro, eu que gosto tanto das palavras, hoje não as encontro. Devem voltar mais logo, quando me tiver recomposto do som e do calor da tua respiração nos meus cabelos...de vez em quando vou-te comprar um quarto novo e convido os avós e, assim, a falquita arranja uma desculpa para passar o dia com o som e o calor da tua respiração nos cabelos...só de vez em quando...vá lá...soube tão bem.

Publicado por Isabel Faria às 12:35 PM | Comentários (14)

maio 29, 2006

Crónica dos últimos dias, antes de ti - 14º dia

babygro.bmp


29 de Maio de 1990

O médico avisou, ontem de manhã, que só haveria vaga na sala de operações para amanhã, às 11.00 horas.
São 20.45h. Já jantámos e, agora, não vamos poder comer mais nada. Hoje, meu amor, não vai haver chá nem bolachinhas. As próximas que comeres, estarás comigo. Depois, comerás as tuas bolachinhas, sozinho, sem ajuda, apenas com a tua vontade.
Não tenho medo. Não tenhas, tu também, meu amor. Não vais encontrar um Mundo muito bonito, vais encontrar um amor muito grande. Não vais encontrar uma vida muito fácil, vais encontrar muito carinho. Não vais encontrar tudo que gostaria de ter para te dar, vais-me encontrar sempre, com tudo o que tenho para te dar.
Não são fáceis estas últimas horas. É, ao mesmo tempo, uma despedida de nós e os momentos de te preparar as boas-vindas. A avó trouxe o primeiro babygro para te vestir. Pedi-lhe que trouxesse um verde. Da cor do campo que víamos da nossa janela. Amanhã, a esta hora, vais estar, aqui, juntinho a mim, com um fatinho verde vestido. E preparado para continuarmos a viver.
Vou ter tantas saudades de sentir as tuas cambalhotas dentro de mim, como prazer em te descobrir. Vou sentir tanto a falta dos teus pontapés como vontade de te amar. Mas, tenho a certeza, amanhã e nos dias que se seguem, não vamos ter tempo para ter saudades de nada nem sentir falta do que quer que seja. Amanhã, serinho, a esta hora, vamos ter uma vida para viver.
A enfermeira acabou de trazer o comprimido para dormirmos. Vamos tentar fazer-lhe a vontade.
Até já, João Pedro.

Publicado por Isabel Faria às 06:01 PM | Comentários (4)

maio 28, 2006

Vinte e oitos de Maio

campo de flores.jpg


Chegou a casa depois de um dia de trabalho e de duas horas de viagem. As janelas abertas e a casa sem luz, não auguravam nada de bom. Meteu, a medo, a chave na fechadura. Entrou devagarinho. Na escuridão, que invadia toda a casa, não o encontrou. Ao lado da cama, caído, tinha dado mais um passo no caminho que escolhera. Acabou o dia sozinha, na sala de espera, fria, do hospital. Voltou. No outro dia, ela voltaria, a medo, a meter a chave na fechadura.

Faltavam dois dias, para nasceres, meu amor. Apenas faltavam dois dias para te ter comigo. Nada nos iria separar. O pesadelo ficara, definitivamente, escondido naquele recanto da memória, onde só se pode ir, quando se está cheio de força e de vontade de viver. Agora até podia lá ir, tinha a certeza que voltaria intacta. Sentir o bater do teu coração, era a certeza de ter sobrevivido. Sentir os teus pontapés era a certeza que tinha feito a escolha certa.
Faltavam dois dias para te ter comigo. Valia a pena ter sobrevivido. E escolhido. Nunca mais estaria sozinha, nem teria medo do que iria encontrar atrás da porta.

Havia mais dois parágrafos no Post que há um ano escrevi. Deles apenas me apetecia repetir que são bons os amigos...Do resto dos parágrafos, o tempo, o dia de ontem a montar um quarto com o João Pedro, em que ele teve que fazer quase tudo e só ao fim, memso, mesmo, ao finzinho é que me disse "Vá lá, vá lá...mesmo assim ainda ajudaste muito...és tão azelha a fazer coisas com as mãos..." e o beijito quase a cair para o lado de sono e de cansaço, à meia noite em ponto, a memória duma noite no Bairro Alto, ao som, talvez de Jazz, talvez de música brasileira, quem consegue recordar a música se tem uma mão para recordar, do resto dos parágrafos, dizia, não ficou mais nem dor, nem mágoa. Até a memória quase que não sobreviveu.
Do primeiro parágrafo deste post também não ficou mágoa...apenas a certeza de que sem ele hoje não seria eu, e a alegria de lhe ter (creio que, mais ou menos inteira) sobrevivido.
Ao longo do ano que passou tive tantas vezes esta certeza....nos olhares que troquei, nos bairros que percorri para eleger Sá Fernandes, nas lutas em que acreditei e nos sonhos que sonhei. Na tua pele.
Há anos em que fazer balanços custa...não custa este balanço.

PS: Apenas uma nota final, em resposta ao post do Daniel: Têm que ser mais de quarenta e menos de cinquenta, amigo. Até agora eu e a vida andamos de contas certas...ninguém deve nada a ninguém...se fossem só quarenta alguém estava em divida...se já fossem cinquenta, iden, iden...Um obrigado a todos os que lá deixaram os parabéns, à Emièle pelo post no Pópulo e a ti também amigão, que apesar de um bocadinho antipático, te lembraste dos parabéns e de mandar o bolo pelo irmão do Bono...E olhem, porra que já estou farta de escrever, vim aqui à pressa, que tenho que continuar a montar móveis...Até logo!!!! Confesso que me faltava esta: passar um dia de aniversário a montar móveis...que mais me irá acontecer???

Publicado por Isabel Faria às 05:30 PM | Comentários (8)

maio 27, 2006

Crónica dos últimos dias, antes de ti - 12 Dia

tejo.bmp

27 de Maio de 1990

Chegou ao fim o último Domingo, Joãozito.
Hoje, a família, os amigos, os colegas de Lisboa decidiram fazer uma romaria ao Hospital de Santarém. Por momentos, senti-me a mãe da Maria do Céu. E, queres saber? Soube bem!!
Só que estou de rastos e tu também deves estar que a mãe quase que nem te sente. Creio que hoje vamos estar a dormir na hora das bolachas.
Entretanto, logo de manhãzinha, antes de começar a confusão, estivemos na nossa janela. E vimos o Tejo. Creio que foi a força necessária para aguentar a hora da visita.
É bom estar rodeado de amigos, mas não há dúvida, meu amor, e isto é um bocadinho feio de dizer, mas não há dúvida, dizia eu, que os melhores momentos são os que passamos só os dois. Na nossa janela, por exemplo. Aguardando que os últimos dias passem e despedindo-nos destes meses em que nos tivemos, um ao outro, 24 horas em 24 horas.
Estou cansada e um bocadinho melancólica. Não dá para te explicar o que se passa na cabeça e no coração da mãe. Um dia, quando fores maior, e estivermos, os dois, a passear ao pé do Tejo, se descobrirmos, lá de longe, a janela onde te trazia a passear, a mãe tentará contar-te um pouquinho do que se sente nestes últimos dias, em que te tenho só para mim e em que tu só me tens a mim.
Até amanhã, bebé. Dorme bem.

Publicado por Isabel Faria às 11:21 PM | Comentários (3)

maio 26, 2006

B...(não sou capaz...) móveis para vender. Aceitam-se propostas.

Segundo o Público, José Sócrates disse, hoje, na AR que está a pensar em vender algum património do Estado, mas que isso não vai constituir uma receita extraordinária, por se tratar de "imóveis inúteis e que apenas causam despesa"
Ok, então mas aproveitando a onda não se poderia alargar a coisa a "móveis inúteis que apenas causam despesa"?
Eu tenho uma dúzia de nomes, assim já de repente, para enviar para o Sr. Primeiro Ministro para que ele tente incluir no pacote. Serve este post para pedir a amável coloboração e boa vontade de tod@s para o ajudar. Sempre me ensinaram, nas poucas noções de economia que tenho (eh pá se não é economia, é contabilidade, finanças, gestão...sei lá, coisas com números e assim), que vender por grosso é mais barato...deve ser tão difícil arranjar comprador que o preço baixo deve ajudar...vá lá, au travail, mes enfants!!!! Tratem de arranjar uns móveis (eu queria dizer "bens" mas custa-me juntar o termo aos nomes que me estou a lembrar) móveis, isto é, que mexam, creio que é a única condição, para o Governo se ver livre de despesas inúteis...e até ajudava a melhorar a imagem do País...hoje apareceu aí um guru qualquer norte-americano (acho sempre giro chamar guru a alguém...sobretudo se tiver guita...) a dizer que a imagem de Portugal lá fora é de arrepiar os cabelos do peito de quaquer pessoa (sim meninas, o nosso também...procurem bem faxavor!!!).O Mira Amaral estava impressionadíssimo...parecia que nunca tinha tido nada a ver com nada e que acabava de chegar de Júpiter...

Publicado por Isabel Faria às 07:52 PM

Também vão acabar???

Há meses, quando o Miguel Vale de Almeida anunciou que iria abandonar a vida partidária, toda a gente, nomeadamente ligada ao PCP, viu divisões graves no Bloco, o desmoramento do Bloco, o fim do Bloco...
Agora, depois de já no ano passado não ter concorrido pelo Partido nas Eleições Legislativas, Isabel de Castro, para muitos a "cara" dos Verdes, anunciou que iria sair do Partido, decepcionada com a vida partidária. Será que vai já tudo a correr, nomeadamente os mesmos que viram na saída do Miguel o fim do BE, ver o fim dos Verdes e já agora da CDU e por arrasto do PCP?

Publicado por Isabel Faria às 09:25 AM | Comentários (10)

maio 25, 2006

Crónica dos últimos dias, antes de ti - 10º dia

ciganos.jpg

25 de Maio de 1990

Finalmente, uma festa neste hospital!!! Amor, estás a ouvir o barulho lá fora? Viste quando vínhamos do refeitório, aqueles senhores, senhoras, meninos, meninas e bebés espalhados pelas cadeiras, pelos corredores, sentados no chão???
Estão à espera dum bebé cigano que vai nascer. A mãe está na sala onde os bebés nascem, o pai anda a fumar cigarro depois de cigarro (a enfermeira diz que não vale a pena dizer que não se pode fumar...) e estão cá as famílias todas à espera que o menino (ou menina, a mãe não perguntou) nasça.
Aqui, no hospital, diz-se que os ciganos são sempre assim: quando nasce um ciganito novo, quando alguém fica doente, quando...são sempre assim, Joãozito. Vêm todos e falam e esperam e falam e esperam. Agora só se vão embora quando nascer o bebé.
Até lá, duvido que possamos dormir...mas não é grave. Serve para quebrar a monotonia. E deve ser bom o menino que lá está dentro da barriga da mãe saber que tem tanta gente à espera. Espero que mãe não se tenha esquecido de o avisar, e que ele já venha preparado para esta festa toda. Ou, então, vai apanhar cá um destes sustos...
Olha, meu amor, hoje a enfermeira disse que o médico amanhã vai falar com a mãe, mas que não deve cá estar na Segunda Feira. Só nos devemos ver na Terça. Eu e tu. Fiquei um bocadinho triste, por não estares cá nos meus anos...mas estes são os últimos em que não apagas as velas comigo. Prometido???
Agora vamos tentar dormir e esperar que, como dizem lá na terra, a cigana tenha uma hora “curtinha”. Gosto de os ouvir ali, mas também não desgostava de dormir um bocadinho.
Faz como a mãe, pensa que só faltam 4 dias. O sono vai, de certeza, chegar!

Publicado por Isabel Faria às 10:48 PM | Comentários (1)

Psssiiiuuuuu....

dormir 3.jpg

Hoje o Troll esteve quase todo o dia assim...faz-lhe bem. Toda a gente, mesmo que seja um Blog, tem que ter dias assim...eu também tive...um dia assim. Não estive a dormir, apenas me ofereceram uma estrela de presente adiantado de aniversário...foi a grandalhona, mas ainda maior do que aparece na imagem...grande mesmo...vou só colocar a minha crónica do dia...e vou embora, devagrainho, para não acordar o Troll nem fazer tremer a luz da estrela que me ofereceram de presente adiantado de aniversário....pssssiuuu...não podemos mesmo fazer barulho!!! Até amanhã!!!

Publicado por Isabel Faria às 09:55 PM

maio 24, 2006

Crónica dos últimos dias, antes de ti - 9º dia

gravida 4.jpg

24 de Maio de 1990

Não temos novidades,serinho. Veio cá a avó Inês e trouxe-te um fato pequenininho que fez para ti.
Comemos peixe cozido ao almoço, o que é raro acontecer, tirando 97% das refeições.
O peixe cozido não tinha sal, o que é raro acontecer, tirando 99.9% das refeições.
Fomos fazer um novo CTG e a mãe acha que tu já acompanhas a música, com os teus pezitos na minha barriga. A tensão manteve-se alta, mas estável.
E foi um dia calmo. Pedi para ir um bocadinho para a janela da sala de espera, enquanto não havia visitas. Dá para ver o Tejo e a planície. Do outro lado vê-se a terra da mãe e dos avós.
Ontem, um amigo trouxe um livro e hoje, à janela, estive a lê-lo, alto, para ti. Possivelmente não percebeste. Mas a mim soube bem. Fala de buscas. Da busca da razão da vida. De uma razão para a vida. Hoje não precisaria de o ler para a encontrar, mas já aconteceu...outros tempos, muito antes de teres começado a brincar e a chuchar no dedo, dentro de mim.
Talvez fosse a leitura do livro e o Tejo que permitiram que não custasse muito a pergunta que, a mãe sabia, um dia viria.
“Nunca tem visita às sete, pois não, Isabel?”
Não, nunca temos visita às sete, vingamo-nos com a das duas...e com a nossa janela cheia de azul e de verde, pensei, baixinho, para ti.
“Não está cá o pai do João Pedro”, respondi. Não menti. Não está cá o pai, meu amor.

Publicado por Isabel Faria às 10:57 PM | Comentários (1)

Pessoas que se cruzam connosco

rosto1.jpgrosto2.jpgrosto3.jpg
rosto4.jpgrosto5.jpgrosto6.jpg
rosto7.jpgrosto8.jpgrosto10.jpg
rosto11.jpgrosto12.jpgrosto13.jpg
rosto15.jpgrosto17.jpgrosto18.jpg

Olhar os rostos. Descobrir o que nos têm para contar. E o que escondem...gosto de olhar rostos. E de os ler.
Às vezes, não vale a pena cruzarmo-nos com eles. Outras sim. Mudam as nosas vidas. Os que não vale a pena, valem como rostos. Só...mas aprende-se sempre. Com o que nos dizem. E com o que nos escondem.

Publicado por Isabel Faria às 09:51 PM | Comentários (5)

Oração

deitada.gif

Hoje recebi isto por Email. Tirando o problemazito de ser ateia, de não ter marido nem cartão de crédito e de, normalmente, ser comedidazeca nos ataques de ciúmes, também me sinto mais segura enquanto não me levanto...ah, e não costumo ser gananciosa...a não ser por chocolates, babas de camelo, doces com amêndoas, latas de leite condensado, arrozes doces, bolos bolachas, mousses da manga e cerejas com caroço...acho que é tudo.

Querido Deus.

Até agora o meu dia foi bom:
* não fiz fofocas,
* não perdi a paciência,
* não fui gananciosa, sarcástica, rabugenta, chata nem irônica,
* controlei o meu SPM,
* não reclamei,
* não praguejei,
* não gritei,
* não tive ataques de ciúmes,
* não comi chocolates,
* Também não fiz débitos no meu cartão de crédito (nem do meu marido)
e nem passei cheques pré-datados.

Mas peço a tua proteção, Senhor, pois estou para me levantar da cama a qualquer momento....

Publicado por Isabel Faria às 12:03 PM | Comentários (9)

Violência doméstica

violencia_domestica2.jpg

Há uns tempo deixei aqui um post sobre a violência doméstica. Na altura, causou polémica ter usado uma foto da Guernica para o ilustrar.
A Amnistia Internacional publicou hoje um relatório sobre a violência doméstica em Portugal. No ano passado morerram 33 pessoas vitimas de violência doméstica. Quase 3 mulheres por mês, morreram vítimas de maus tratos de familiares próximos.
Há milhares de pessoas que morrem vitimas de guerras. Milhares vitimas de repressão. O mesmo relatório da AI fala do conflito na provincia de Dafur no Sudão, que já matou milhares de pessoas e obriga milhões a abandonar as suas casas e as suas terras.
E reconheço a minha incapacidade de não me apetecer voltar a colocar a mesma foto a ilustrar um post sobre 33 mulheres que morreram em Portugal, vitimas da violência dos homens que amaram, que amam. Com quem fizeram as suas vidas. Muitas vezes, pais dos seus filhos. Mortes que, normalmente, culminam anos de violência diária, de ofensas, de agressões, de marcas que ficarão para sempre .
Nunca serei capaz de contabilizar a violência pelo número de mortes. Para mim, cada vida, uma vida, vale uma vida. A vida. E a ideia de se morrer, de se sofrer às mãos de quem se ama e em quem se confia, seja mulher ou seja criança lembrar-me-á sempre a imagem da Guernica. Multiplicada por 33 em 2005, as que não se puderam queixar ou por 18.133, as que ainda foram a tempo e tiveram coragem para o fazer. Só o não voltar a ilustrar um post com a mesma foto me leva a escolher, hoje, uma outra. De duas mãos que se acreditaram dadas para percorrer caminhos e que , às vezes, acabam assim. Ou acabam.

Publicado por Isabel Faria às 11:24 AM | Comentários (5)

maio 23, 2006

Crónica dos últimos dias, antes de ti - 8º dia

solitude22.jpg

23 de Maio de 1990

Na noite de Sábado para Domingo, tinha entrado no quarto uma rapariga, ainda muito jovem com um bebé, acabado de nascer.
Nunca a ouvi falar, nunca a vi sorrir, nunca a vi chorar. Dela, recordo, apenas, a ausência de olhar. Nunca a vi olhar. No Domingo, não recebeu uma visita. O bebé não mamava, a enfermeira vinha buscá-lo, na hora das mamadas. Ela levantava-se, devagar, e saía. Sem um gesto, a não ser os passos que a levavam ao corredor. Normalmente voltava, quando o bebé já estava no berço. Sentava-se na cama ou deitava-se. Sempre sem expressão. Ontem, vieram falar com ela, logo pela manhã. Deixou o bebé no berço e foi, acompanhada de uma enfermeira e de outra senhora. Durante o resto do dia, a cena repetiu-se. Por mais duas vezes voltou a sair do quarto acompanhada. E a voltar.
Esta manhã, cedo, ainda não eram nove horas, a mesma senhora que cá tinha estado ontem, veio buscar os dois. Mãe e filho. Cerca de uma hora depois, ela voltou. Sozinha. Vestiu-se, pegou nas suas roupas e saíu. Nunca olhou para trás.
Na hora da medicação, a senhora da cama ao lado perguntou à enfermeira se tinha acontecido alguma coisa ao menino. “A mãe deu-o para adopção, e já foi para casa”, disse. Parece-me que também não havia expressão na sua voz.
No quarto fez-se silêncio.

Felizmente que nós podemos sair do quarto para almoçar , meu amor. A mãe precisa de aproveitar o caminho para o refeitório para respirar. E para te dizer que não era este o Mundo que te queria dar.
João Pedro, quero dar-te um mundo em que as pessoas olhem. Ajuda a mãe a fazer um Mundo em que as pessoas olhem.
Depois, meu amor, vamos descansar. Preciso de sentir-te para ter a certeza que vale a pena. Um beijo, para ti, serinho, e desculpa as lágrimas. Às vezes, é preciso chorar. Entre as coisas que te hei-de ensinar, para além de ouvir música, contar e rir, é que, às vezes, é preciso chorar.

Nota: A primeira parte deste texto, contrariamente às outras que aqui tenho deixado, foi feita de memória. Não sou, neste momento, capaz de aqui deixar as palavras que, nesse dia, escrevi no meu bloco. Até, ou sobretudo, porque não julgo que tenha esse direito. Nelas há perguntas, há dúvidas que me ultrapassam. Por respeito e pudor guardá-las-ei para mim.

Publicado por Isabel Faria às 11:03 PM | Comentários (3)

Não sabe??

Que já tenha sido decidido há tempo e nunca cumprido, não é de estranhar. Vai sempre uma longa distância entre tomar as decisões e pôr em prática as decisões. Sobretudo quando são decisões politicas destas, que se misturam com preconceitos morais e com “desculpas” morais para não serem cumpridas. E quando não há fiscalização em “campo”, para verificar se as decisões estão a ser mesmo cumpridas.
De qualquer forma, segundo o director do Instituto Português de Sangue já em finais de 2005 que a decisão de retirar do site do Instituto na Net o “aviso” de que seriam excluídos dadores homens que tenham tido sexo com homens, tinha sido tomada. Só que estamos em meados de 2006 e o “aviso” continua lá...e os profissionais continuam a fazer a pergunta e a excluir os dadores...
Mas estranhas, estranhas são as declarações de Almeida Gonçalves que o DN cita, quando questionado sobre o enquadramento dos dadores homens que “tenham sexo com homens”
“Não lhe sei responder. Não sei dizer se um homem ter sexo com homens, mesmo se for sexo protegido, é um comportamento de risco ou não. Não posso responder ainda a essa questão sobre o que é exactamente comportamento de risco."
Mas o Director do IPS não sabe o que são comportamentos de risco? E não sabe que sexo protegido entre homens não é menos seguro que sexo protegido heterossexual? E não sabe que, neste momento, o grande grupo de risco são os casais heterossexuais, porque é o que mais continua a fazer sexo desprotegido? E não sabe responder o que é um comportamento de risco? Mas a pessoa que está á frente do IPS, não devria ter algumas certezas? Não deveria saber distinguir comportamentos de risco de tipo de relações? E saber que uns não dependem do outro?

Publicado por Isabel Faria às 04:53 PM | Comentários (5)

Crónica dos últimos dias, antes de ti - 7º dia

gravida11.jpg

22 de Maio de 1990

Hoje acordámos ainda mais cedo. Tu acordaste ainda mais cedo. Voltaste a pôr aquele pezito maluco, ali espetado, por volta das seis da manhã. E já ninguém aqui dormiu (ninguém, sou eu e tu, percebeste, meu amor?).
Claro que a esta hora, estamos os dois mais mortos que vivos.
Fomos fazer o CTG. Havias de ver o olhar espantado das enfermeiras a verem-nos entrar de gravador em punho. Só uma delas sabia que, a partir de agora, CTGs só de Quatro Estações no ouvido. Correu bem. Parece que resultou. Ainda me descontrolei um bocadinho, mas, ao fim, a tensão manteve-se nos 14,5. O teu coraçãozinho continua óptimo. A enfermeira diz que vais ser jogador de futebol...tal a força do coração e a quantidade de pontapés.
Estiveram cá os avós e a tia Leta. A tia trouxe dois paninhos de tabuleiro com o nosso nome bordado. Num havia um IM e no outro um JP.
Ao fim, quando os avós saíram, ficou um bocadinho para tràs e veio-me pedir desculpa por serem só dois...expliquei-lhe que nós somos só dois. E que sempre que houver visitas em casa, se usarão panos de tabuleiro, não bordados. A tia Leta, perguntou ainda se isso não me fazia medo. Não enquanto estiveres comigo, respondi-lhe. Creio que ficou mais descansada. E nós ficamos com dois panos de tabuleiro, para tomar o pequeno-almoço na cama, ao fim-de-semana.
Desde Sábado que temos uma Senhora, no quarto que vai cá ficar dois meses. Até a bebé nascer. Tem diabetes e não poderá sair do hospital. Chorou todo o dia, até à visita das Sete, em que o marido a veio visitar. Depois, parece que acalmou um pouco.
Sabes, serinho, na nossa vida, temos que procurar calma onde nos seja possível encontrá-la. Seja no pai que nos acompanha na visita das Sete, seja nos nossos nomes bordados em dois pequenos panos de tabuleiro.
A mãe tentará ensinar-te isso. Às vezes fico com um bocadinho de receio de não ter tempo para te ensinar tudo...eu senti o pontapé, amor. Claro que vou ter tempo!
Hoje, apesar de cansados, sinto que estamos, ambos, calmos. Talvez porque a primeira coisa que te estou a ensinar é a ouvir música. E a contar. E já aprendeste que a contagem decrescente para nos termos um ao outro, já começou.

Publicado por Isabel Faria às 09:31 AM | Comentários (9)

maio 22, 2006

Mil cento e onze

Estou cheia de trabalho. Tenho que ir comprar uma cama. E tenho uma porrada de gente a gritar à minha volta. Acho que está tudo louco. E tenho também que comprar o colchão. Convém não esquecer o colchão. O que é que eu faço para acalmar esta gente que está completamente passada e aos gritos, parece o mercado do Bulhão em dia de campanha eleitoral? Ah, esperem lá já vos falei da cama...é que com esta gente toda eu já não tenho a certeza se tenho que comprar mesmo a cama...e se lhes mandasse um grito...mas eu quando grito fico esganiçadíssima...aliás eu sou esganissadíssima (desculpem ir com ç e depois com ss mas eu não faço ideia se é com ç ou com ss e não quero que me chamem ignorante e assim)... mesmo quando não compro camas já sou, vocês conseguem imaginar o esganissamento (esganiçamento?) no dia de comprar o colchão...os gajos estão cada vez a gritar mais...quer-me parecer que possivelmente estão a tentar que eu os ouça...na volta estão a falar comigo...falo-lhes do colchão? será que há alguém que me ajude??? Ai1111 isto era suposto ser ai!!!! mas esqueci-me de carregar na seta e saiu mil cento e onze...juro que não...não bebi nada...não fumei uma broca...não vi o Jerónimo a dançar com o Luís Filipe, não ouvi o gajo do CDS que não me lembro como se chama a dizer que vai estar no Governo quando eu fizer não sei quantos anos...ai...pois, o problema tá aí...é da semana...olhem, é mais um ou menos um?...porra pá...logo me havia de vir aquele mal encarado para me lembrar de coisas tristes...2009 u tanas....vou comprar uma cama...ah tavas a falar comigo??? mas não vês que eu não ouço...podias falar mais baixinho faxavor...tou em balanço...fico sempre assim na semana em que estou em balanço...ainda se agrava mais quando compro colchões...já uma vez, quando ainda tinha a certeza do sinal , que eu tinha prometido que nunca mais comprava um colchão na semana do balanço...fico sempre assim. Tadinha. Tenho imensa pena de mim.
O raio desta gente foi-se embora a encolher os ombros...será que estavam a falar comigo? Tadinhos...tou capaz de lhes emprestar o colchão velho...sou uma boa alma, no fundo.
FIM.

Publicado por Isabel Faria às 05:38 PM | Comentários (5)

Happy birthday, Sir

sherlock_15.gif

Parabéns à família. O papá faz hoje a bonita idade de 147 anos (se não me enganei nas contas...Edimburgo, 1859...é isso né???).
Este post é também um desejo de boa semana para todos os admiradores da dupla (do trio), em especial (desculpem lá, mas eu sei que ele é o fã nº1) para o meu colega Daniel.
Já agora e para não andar sempre aqui a colocar o Google...espreitem o Google. Aquela gente encanta-me!!!!

Publicado por Isabel Faria às 07:55 AM | Comentários (2)

maio 21, 2006

Crónica dos últimos dias, antes de ti - 7º dia

gravida7.jpg

21 de Maio de 1990

Ontem não deu para escrever nada. Ficou uma folha em branco. Apesar de tudo, parece que a normalidade, aqui, é menos difícil de suportar. Pelo menos, é muito menos cansativa. Se o Sábado foi um desastre, o Domingo foi, mesmo, para esquecer.

Hoje fomos fazer uma ecografia. Está tudo bem contigo só que, definitivamente, não deste “a volta”. Meu amor, a mãe deve dizer-te que, apesar disso significar um buraco na barriga, te compreendo perfeitamente. Quem é que troca estar comodamente sentado no barriguinha da mãe por andar de pernas para o ar?
O Doutor disse que isso vai implicar uma cesariana (aquele tal buraquito que te falei, e que não me rala nada) e que possivelmente não vamos aguardar até ao dia 4 de Junho. Falou lá para Segunda ou Terça-Feira da Semana que vem. Meu amor, se for Segunda, nascemos no mesmo dia. Depois tu emprestas-me o teu bolo para pôr as minhas velas???
Talvez falte, apenas, 8 dias, para ver a cor dos teus olhos. Hoje, na ecografia, bem tentei, mas não resultou.
O Doutor disse, também, que amanhã vamos, de novo fazer o CTG, agora, ao som das Quatro Estações. Vais ver que vais gostar, e eu vou conseguir que a tensão se mantenha em níveis aceitáveis. Promessa de mãe.
Olha, serinho da mãe, vem aí a Sra. Enfermeira com a chávena do chá. Está na hora de ir à gaveta buscar o nosso “suplemento” diário de Bolachas Triunfo.
Hoje estou feliz. Esta tarde a tensão estava controlada. E tu estás farto de saltar. A sério, desde a ecografia que não paraste de me dar pontapés. Deves ter gostado de te ver na televisão. Eu adorei. Como vamos ser do mesmo signo, devemos ter gostos semelhantes!
Ao ataque, as Bolachas Trinufo esperam por nós!!!

Publicado por Isabel Faria às 05:59 PM | Comentários (3)

A bandeira

"A mais bela bandeira do Mundo", 18.750 mulheres emocionam jogadores".
Eh pá, a gente não somos jogadores...mas, meninas que passam pelo Troll, se fossem homens a fazer a bandeira, a gente não se emocionaria só com 18000??? Não eramos "gajas" para dispensar os 750????

Publicado por Isabel Faria às 10:52 AM | Comentários (4)

O meu Sábado e o problema dos caracois não terem rodinhas

Por:Isabel Faria

escargot.jpg

Ontem quase não passei por aqui. Não fosse o Daniel a aguentar a assoalhada e tinhamos mesmo fechado para balanço.
Isto de trabalhar em equipa é muita gratificante e permite manter os bichos vivos... obrigado Dani.
Depois de uma manhã dedicada a "coisas de mulher", cabeleireiro, compras e assim, à tarde dei um ar mais abrangente à coisa, vi o Tejo, vi o mar (com letra canininha), a Serra, encontrei amigos, fui a uma exposição de pintura, comi queijadinhas de Sintra, vi uma feira em S.Pedro de Sintra com uns senhores a cantar e decidi que pertencer a um coro será o meu futuro quando deixar o Troll e mais umas coisas que já nem me lembro bem...
Isto à tarde.
À noite estava eu calma e serena, preparada para dar alguma assistência à assoalhada, quando toca o telefone e ouço uma voz vinda do além...(conheço este tom de algum lado)...sabes quem fala...hum...sabes ou não...hum...então...não...é o S...o QUEM???????
Era. O S tinha desaparecido do nosso (meu e duma catrefa de amigos) convivio quando há três anos e tal se tinha casado...sabiamos que tinha ido viver para Antuérpia, a mulher é (ok, o tempo terá que mudar) belga e ele foi de malas aviadas. Vamos jantar? ...ok. Fomos.
Sempre tive um problema com o S. Nas frases. Sempre achei que ele era muito lento a falar e nunca tive paciência para o deixar acabar. Eu acabava sempre primeiro as frases dele e ele ficava capaz de me comer (salvo seja!!!).
O jantar foi muito engraçado.
Ele contou-me como essa teoria sobre esse tal problema de ser lento a acabar as frases lhe transformou a vida toda... Dizias sempre que nunca te casarias, mas se um dia o fizesses seria para toda a vida, disse-lhe. Pois, mas não tive tempo...Não tiveste tempo? Não. Um dia ia para lhe dizer que achava bem que fossemos tratar do Tejo ( o cão dele...) que andava a perder pêlo e só fiquei no tratar, ela disse-me acho que sim, eu amanhã passo pela Conservatória...há seis meses, ia-lhe a dizer que achava bem que pensássemos em ir a Portugal...fiquei pelo pensássemos, e ela disse-me acho bem, isto não está a dar...vamos à Conservatória...e pronto.
No resto do jantar vi-me à rasca para não terminar alguma frase que o pudesse levar a mandar da ponte ou a bater no italiano que não parava de cantar...
Disse-lhe que ia fazer um post sobre o seu problema com as frases...posso? Claro. E posso contar o casamento? Claro. E o divórcio? Claro. Vocês adoram escrever e falar sobre nós...põem sempre aquele ar de que ou nos conhecem muito bem ou nunca nos hão-de conhecer, tipo ou somos um caso perdido ou... somos um caso perdido!! E vocês não falam sobre nós, não??? Claro que sim. Discutimos se são...Boas ou não, disse eu. Isso... Continuo a ser um bocado lento a acabar as frases, não? Impressão tua.

PS: Eu sei que prometeste que nem te darias ao trabalho de ler o que eu escrevi sobre ti...mas se leres (eu vi que guardaste o papelito com o nome do site...), o italiano cantava bem...a história da Conservatória é que te deixou ainda com mais mau feitio...

Publicado por Isabel Faria às 09:39 AM | Comentários (2)

maio 19, 2006

Não há forma de não voltar (sempre) a Sophia...

maos15.jpg

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa

Sophia de Mello Breyner

Publicado por Isabel Faria às 11:57 PM

Carrilho e os Media

Aquando da publicação do livro de Manuel Maria Carrilho, deixei aqui um post em que falava do exagero da autovitimização e do tamanho do umbigo. No entanto, nem uma coisa nem outra devem servir para desviar a atenção dum dado fundamental: a comunicação social não é isenta. A Comunicação Social faz campamhas eleitorais, vende candidatos, manipula opiniões, faz fretes a Partidos e está completamente dependente do Poder económico. Claro que tudo isto vem nos livros que lemos há décadas e que não é novidade. Mas assim como creio que o problema do ego é real, também me parece correcto que se peçam responsabilidades e se analisem as realidades.

Publicado por Isabel Faria às 01:27 PM | Comentários (9)

Certezas

vidro.jpg

Quando se vai crescendo, crescendo cá dentro, quero dizer, não importa que a janela esteja aberta. Se houver frio, a gente fecha-a. Não importa se está fechada, faz-se um esforcinho e abre-se. Não importa o tempo que se demore a lá chegar, não importa a distãncia que se percorra para lá chegar, sente-se que lá se chega. E aprende-se, devagarinho, a esperar.

Publicado por Isabel Faria às 11:50 AM | Comentários (5)

maio 18, 2006

Não há felicidade áspera, dizem as palavras

Tinha um professor de Português no Liceu de Santarém, o meu professor que me ensinou a ter prazer em passear com e as palavras, que dizia que a única diferença entre as palavras e os sentimentos, é que uma frase se podia acabar com umas reticências e voltar-se a ela mais tarde.
O resto, dizia ele, eram, em tudo, iguais. Nunca eram “inocentes” ( e quando nos dizia isto, realçava que estava a usar as aspas), dava-se sempre por isso quando soavam a falso, transportavam sempre esperança, ou desencanto. Traduzia-se o ódio por palavras ou as palavras traduziam o ódio. E o amor. E a paixão. E o rancor.
Podia-se, dizia ele, escrever tolerância (estávamos, então, em 74 e 75) que na forma como se usava uma conjunção ou um pronome, com um bocadinho de atenção, descobríamos sempre que do outro lado havia alguém que não admitia nem suportava a diferença. As palavras e os sentimentos nunca enganam. E uns e outras são-se sempre mutuamente fiéis, dizia-nos, enquanto nos tentava levar a percorrer o som dos cantos dos Lusíadas.
Recordo estas palavras do meu professor que me ensinou a passear palavras, quando vejo o rancor que elas, algumas vezes, por aqui transportam. Dizia o meu professor que nunca se é feliz quando se usa palavras ásperas. Não vale a pena conheceres o olhar, ouve-lhes as palavras, vê-lhes as palavras, e quando elas arranham de despeito, ou de raiva, ou de intolerância não te zangues. Tens do outro lado uma pessoa que não é feliz. Não há felicidade áspera. A felicidade nunca arranha. Aconchega. As palavras de gente feliz nunca arranham. Aconchegam.
E as pessoas que usam palavras duras, que agridem, que gostam de provocar (estava-se em 75…) essas não suporto, disse-lhe, um dia…eu sei Isabel, não tens ar de suportar gente que não sabe rir.
Às vezes, lembro-me do meu professor que tirou o curso depois de ter sido operário, durante anos. Porque não saberia fazer outra coisa senão passear palavras e deixar que os sentimentos o passeassem, dizia ele. Ensinou-me que as palavras ásperas são sempre de gente triste. Deve ser essa a razão porque não consigo conviver com elas. Tal como há trinta anos, adoro rir e ouvir rir…e as palavras, também as minhas palavras, não enganam…apesar de ter sempre a hipótese de tentar acabar a frase com umas reticências…
Mas, às vezes finge-se, disse-lhe. Fingem-se palavras e fingem-se sentimentos...ah, nisso, tirando os poetas, ninguém acredita...do outro lado há alguém paciente, alguém que gosta de ti e não te quer magoar ou alguém que não te leva a sério...e que finge que acredita.

Publicado por Isabel Faria às 09:32 PM | Comentários (6)

Desapareceu uma vaca !!!!

vaca2.jpg
(Esta é uma vaca estrangeira...)

Ainda não vi nenhuma vaca. Entre a empresa e casa, não há vaca nenhuma e tenho tido pouco tempo para as procurar.
Parece que as vacas estão girissimas e parece que já ande por aí quem ande a fazer mal às pobrezinhas. Até aqui tudo bem. Quer dizer, bem, não. Não me parece nada bem fazer-se mal às pobrezitas. Mas tudo normal, segundo a organização. Já nos outros países por onde passaram lhes moeram o juízo e a história dos brandos costumes é treta...Mas o pior é que dizem que desapareceu uma vaca do Campo Pequeno, a Cowpyright. Desapareceu. Sumiu. Uma vaca com quase 500kg, voou dali e anda tudo num correpio à procura dela. Eu devo dizer que não estou preocupada. A sério. Se fosse de outro lugar qualquer, estaria , mas do Campo Pequeno não. Deve ter-lhe dado o cheiro e foi-se...a esta hora tá num bacanal do caraças, a fazer p'la vida...Quando se cansar, ou quando achar que aquilo já é touro a mais, ela volta. Vão por mim....

Publicado por Isabel Faria às 04:22 PM | Comentários (13)

Crónica dos últimos dias, antes de ti - 3º dia

Por:Isabel Faria

gravida3.jpg

18 de Maio de 1990

Estou cansada. E, parece que, hoje, um bocado desanimada de mais. O médico não me deixou fazer um novo CTG, porque a tensão podia voltar a subir. Veio aqui falar comigo esta manhã e sugeriu que o “meu marido” me trouxesse um gravador para ouvir música, enquanto fazia o tal exame de ouvir o coração do João Pedro. Tive que pedir ao meu pai que me trouxesse o gravador pequenino que lá há em casa e me comprasse uma cassete. Todas as cassetes estão na Amadora. Não vai poder lá ir de propósito buscar uma. Pedi-lhe as Quatro Estações do Vivaldi...o médico disse que era melhor não optar por rock...talvez resulte, foi a primeira coisa que me lembrei.

A mãe, hoje, não está a falar muito contigo, não porque esteja triste ou zangada contigo. Estou um bocadinho preocupada. A tensão não desce e eu não consigo fazer nada para isso acontecer. Estamos quase no fim-de-semana e ainda tive esperança que pudéssemos ir passá-lo a casa dos avós. No primeiro dia, o médico tinha posto essa hipótese. Nem pensar, disse hoje. Serinho da mãe, vamos ter que gramar um fim-de-semana de peixe cozido, arroz sem sal e sopa doce, luz toda a noite acesa e enfermeiras a entrar e a sair…
Uma boa notícia: os avós puderam ir comprar bolachas. Desde que não comesse um pacote por dia, disse o médico...claro que não, tu comes metade e eu a outra metade!
Estou a brincar, não podemos exagerar porque, para além do mais, estou uma bola gigante.
Gordíssima, disse o médico. Como é que engordou tanto??? Claro que não lhe falei na lata de leite condensado diária, quando chegava a casa, à noite, depois de sair do emprego. O homem tinha morrido de susto. Mas vamos ter umas bolachinhas para comer à noite. Esta é a boa notícia do dia. A outra é que continuas a mexer-te com as minhas festinhas e decidiste mesmo mudar a posição do pezito.
Más notícias? Não há, amor, apenas um bocadinho de tristeza por os dias custarem tanto a passar...e de ansiedade por te ver olhar para mim

Publicado por Troll Urbano às 01:13 PM | Comentários (6)

Palavras para quê? É um magistrado português...

Por:Isabel Faria

"O Estado não pode tratar da mesma maneira casais heterossexuais e casais homossexuais".
"O casamento é o ponto de partida para a família"; “é preferencialmente no seio do casamento que deve ser feita a procriação"; "só através do casamento de pessoas de sexo diferente é que o Estado consegue o objectivo de preservação da espécie e da socialização das crianças".

Alegações de magistrado do Ministério Público no recurso que Teresa e Helena interpuseram contra a recusa da Consevatória de lhes celebrar o casamento.

Palavras para quê? Há quantos anos foi aprovada a Constituição da República Portuguesa? E quem é que precisa de fazer uma peregrinação a Fátima para ouvir falar em família?

Publicado por Troll Urbano às 10:15 AM | Comentários (4)

maio 17, 2006

Crónica dos últimos dias, antes de ti - 2º dia

Por:Isabel Faria

gravida2.jpg

17 de Maio de 1990

Hoje foi um dia muito cansativo. Mas cheio de acontecimentos. Logo de manhã aconteceu uma coisa extraordinária. A enfermeira perguntou se a noite tinha corrido bem e eu disse que estava preocupada porque te tinhas mexido pouco. A Sra. olhou para mim com ar um bocado zangado e disse-me “Então mas não era a Sra que reclamava, ontem de manhã, depois da primeira noite que cá passou, que ele não a deixava dormir…??? Estas mães…”. Juro, João Pedro, para além de ti foi a primeira pessoa que se dirigiu a mim, dizendo mãe. Fiquei toda orgulhosa e acho que tu também, porque deste logo uma catrefa de pontapés.
Depois fomos fazer um CTG. Não me perguntes o que quer dizer, meu amor, que não faço a mínima ideia. Sei que se chama assim. Deitaram a mãe numa cama e ligaram a minha barriga a uma televisão. Depois comecei a ouvir o teu coração...e,aí, foi um desastre. Não que não quisesse ouvir o teu coração, para além das ecografias, nunca tinha acontecido nada tão bonito como ouvir o teu coração...só que, cada vez que ele batia um bocadinho mais devagarinho ou mais longe, eu entrava em pânico. Aí, acho que tu entendias e voltava a bater com força e mais pertinho, outra vez.
Durou uns dez minutos e, no fim, a tensão tinha chegado aos 19...a enfermeira quase desmaiou.
Por castigo, hoje, ao jantar, nem a sopa tinha sal!
Amanhã eu vou controlar-me. Prometo. Até porque eu sei que é muito perigoso para ti, mas hoje não fui capaz. Desculpa. Se quiseres hoje podes pôr o pé espetado na barriga, que eu não me importo.
Na visita das duas, veio cá tudo. Os avós. A avó Inês, a madrinha e a Joanita. Não sei o que lhes deu que resolveram todos trazer-me camisas de dormir...mas será que esta gente pensa que vamos passar aqui o resto da vida? Ah, tens razão, a Joanita trouxe-te uma chucha com um gato. Está guardada na gaveta. À tua espera.
Ainda tenho que me levantar para ir à casa de banho. Nestas alturas é que dava jeito ter um catrapillar daqueles da Câmara para nos ajudar a levantar da cama e mais esta barriga grandiosa...
Estamos cheios de fome, não estamos serinho? Amanhã vou ter que perguntar ao médico se os avós podem trazer umas bolachas, ao menos, umas pobres bolachinhas. São 9 horas, já comemos há duas e daqui a bocado vão-nos trazer uma chávena de chá e duas (ouviste bem João Pedro? duas !!!) bolachas para a ceia. Meia chávena de chá e uma bolacha Maria para cada um. Para uma noite inteira. Depois de um creme de cenoura sem sal, um posta de peixe sem sal e meia batata sem sal. Eu acho que estes gajos (quer dizer, senhores) nos querem matar à fome!
Os dois bébés que estavam cá quando entrámos, já saíram hoje. Esta é a parte complicada. As outras mulheres que cá estão, já estão todas com os filhos...cá fora, quero dizer, não é preciso desatares aos pontapés...

Publicado por Troll Urbano às 01:32 PM | Comentários (10)

Sem titulo

Por:Isabel Faria

praia 8.jpeg

Há uns tempos que quero aqui deixar o Cohen. E queria deixar a minha canção preferida dele - The famous blue raincoat.
Mas não hoje. No dia 16 do mês ( o atraso foi porque a música não entrava...), desde há uns meses para cá, não poderia deixar um poema, por mais belo que fosse, que falasse de perdas. E do fim do amor. Desde aquele dia 16, em que a noite se fez nossa, só poderia aqui deixar, este tempo todo depois, um poema que fale de paixão.
Mesmo que seja apenas para caminhar por um instante na areia...you are my man.


Publicado por Troll Urbano às 12:15 AM | Comentários (5)

maio 16, 2006

Crónica dos últimos dias, antes de ti - 1º dia

Por:Isabel Faria

gravida.jpg

Gostaria que entendessem estes pequenos posts que pretendo publicar, até ao próximo dia 30 de Maio, como uma partilha dos momentos mais belos e importantes da minha vida.
Gostaria que os entendessem, sobretudo, como uma declaração de amor. Amor eterno.
Serão escritos a partir de algumas notas que, na altura, quase todas as noites, escrevia.
Claro que lhes fiz algumas, pequenas, alterações. Porque a emoção, o medo, a angústia da espera, o peso da responsabilidade, mas, essencialmente, a alegria, fazem com que os erros de português e a escolha de palavras se tornem muito pouco importantes.
Continuam, no entanto, a manter a forma ligeira e apressada com que se escreve para que o tempo passe e o dia chegue.
Nalguns dias, não haverá (houve) nada escrito. Serão (foram) os dias em que a espera ou o medo tornaram as palavras impossíveis.
Algumas das pessoas que por aqui irão passar, terão, entretanto, partido. Todas, sem excepção, continuam comigo.

16 de Maio de 1990

Ontem foi um choque. Era uma visita de rotina. Estava tudo bem. Parecia que estava. Ter que ficar no hospital até ao João Pedro nascer, não lembra ao Diabo. Só vai nascer lá para 4 de Junho....o médico explicou que a tensão alta na gravidez é gravísimo. Para a mãe e para o bébé. É necessário muito cuidado na alimentação e descanso absoluto. Já nem queria que saisse do Hospital para ir buscar roupa...Tive que assinar um papel para poder ir buscar uma camisa de dormir…
A alimentação é uma desgraça, o jantar de ontem foi frango cozido com batatas cozidas. E cenouras cozidas. Tudo sem sal. Quem é que consegue comer cenouras cozidas sem sal??? E descanso??!! Como é que é possível descansar numa sala com 4 camas, com bébés a chorar, enfermeiras a entrarem e a sairem e visitas e médicos e … ???
A noite, então, foi para esquecer. Alguém pode dormir com uma luz sempre acesa e com pessoas constantemente a passar no corredor?
E, depois, meu amor, ganhaste essa mania de dormir sempre com um pé a fazer força, todo espetado, no lado direito da minha barriga. Para não ver a luz, tenho que dormir para o lado direito...como é que te vou convencer a mudar de posição? Bastava pôres o pezinho só um bocadinho mais para cima...ou mais para baixo...ou mais para o lado, pode ser? Vá lá...só mesmo um bocadinho pequenininho...
Custa tanto estar no Hospital. Imagino como seria estar sozinha. Sem ti. Sem te sentir e sem te poder falar. Vou tentar dormir, ou melhor, Joãozito, importas-te de tentar não te mexer muito, e mudares o tal pezinho, para deixares a mãe tentar dormir???
E a visita das sete? Olha, meu amor, a visita das sete vai ser um pequeno barbicacho, com que vamos ter que aprender a lidar, nestas 3 semanas que vamos ter que nos aguentar por aqui !!

Publicado por Troll Urbano às 12:10 PM | Comentários (12)

maio 15, 2006

Crónicas anunciadas

Por:Isabel Faria

mots3.jpg

Quando se escreve, as palavras que se deixam partir continuam a pertencer-nos ou passam a ser daqueles que as lêem?
Quando um escritor reedita um livro fá-lo pelos que já o leram ou para que outras o leiam? Isto é, uma reedição é um desafio a novos leitores ou um agradecimento aos anteriores? E depois, numa reedição, às vezes, fazem-se alterações. É leal fazê-las? É leal fazê-lo se as palavras deixam, possivelmente, de nos pertencer quando alguém as lê?
E aqui, neste canto desta rede imensa, onde, de vez em quando, algumas vezes diariamente, nos encontramos e onde a maioria de nós é, apenas, um viajante das palavras e nos falta tanto, quase tudo, para aspirar, um dia, a cumprir a triologia do Jorge Amado, reeditar posts é legítimo? Serve para alguma coisa? E escrevê-los, serve para quê? E serve a quem? A nós, porque nos sabem bem as viagens, aos outros, com quem as queremos partilhar ou apenas à nossa pequenita conta bancária, já que, como dizia ontem Rodrigo Guedes de Carvalho na SIC, escrever tem-lhe poupado umas boas dúzias de idas ao psicanalista?
Um post que se edita continuará sempre por aqui, tal alma penada. Às vezes, no entanto, há aqueles que não nos apetece nada sentir como almas penadas e resolvemos voltar-lhes a dar luz. A permitir-lhes respirar. São os que nunca poderíamos escrever duas vezes. Aqueles cuja viagem se esgota na primeira e única viagem, dure ela o momento de o escrever, o momento de alguém o ler ou a eternidade que a rede o deixe a penar. Desses, dos de viagem única, já me aconteceu apetecer ir buscar alguns ao Afixe. Faço-o sempre com um misto de pudor e, assim, meio às escondidas, como se me sentisse sempre a roubar uma galinha da capoeira da vizinha…mas depois penso que a galinha nasceu dum ovo que me pertencia e sinto-me menos culpada. Um pouquinho menos.
Amanhã, tal como no dia 16 de Maio de 2005, publicarei, no Troll, a viagem, que inicialmente deixei no Afixe, e que narra os últimos dias antes da minha eternidade. A quem já os leu, por favor desculpem a passem ao lado. A quem não os leu, espero que os sintam, apenas, como partilha. A mim apetece-me dar-lhes de novo luz e ar. Não resisto a fazê-lo. Apesar do pudor e de alguma culpa. Terei que lhes fazer algumas alterações. Sobretudo a 28 e a 30 de Maio…entretanto, o presente de então, já passou a passado de hoje. A viagem não pára…cansa-nos, algumas vezes, mas dá-nos muito gozo.

PS: Não pedi, sequer, a opinião dos meus colegas de Blog sobre esta minha repentina e irresistível vontade "reeditora" Espero que eles me perdoem ocupar a nossa assolhada comum com "reprises".

Publicado por Troll Urbano às 09:36 PM | Comentários (5)

Dobradinha

Por:Isabel Faria

fcp.gif

Se fosse o Benfica, hoje o Daniel tinha feito um post (se se conseguisse levantar) e o Paulo andava a bater no Daniel. Se fosse o Sporting, hoje o Paulo tinha feito um post (se se conseguisse levantar) e o Daniel andava a bater no Paulo. Assim, e como eu sou ateia e isto é um Blog pluralista, VIVÓ PORTO CARAGO!!!
Se me quiserem bater todos, podem faxavor começar pelo pé esquerdo ver se esta coisa sai daqui...obrigado.
PS: Voltei a colocar um post do Troll Desporto UAUUUUUU!!!!!!

Publicado por Troll Urbano às 12:09 PM | Comentários (10)

A resposta????

Por:Isabel Faria

resposta.jpg

Resposta à pergunta do post anterior e tentativa de me animar!!!!
Obrigado Rita...ainda estou mais ou menos vesga...vamos a ver se depois de pôr os olhos no sítio, consigo a tal animação!!!!

Publicado por Troll Urbano às 11:20 AM | Comentários (10)

Desculpem perguntar...não levem a mal...

Por:Isabel Faria

Eu que não vos conheço nunca lá muito bem (apesar de continuar a tentar)...uma perguntinha inocente: é mesmo assim????

fascinação.jpg


Publicado por Troll Urbano às 10:09 AM | Comentários (4)

maio 14, 2006

Distâncias

Por:Isabel Faria

loin.jpg

Há momentos de distância. Que me incomodam. Não dos outros. Não. Essa distância não me incomoda. Às vezes, dói. Outras dói muito. Mas incomodar, não. Não lhe procuro razões, dói e procuro sará-la. Quando consigo, fico feliz e aliviada, quando não consigo, aprendo a viver com ela. Não lhe saro a dor. Apenas, aprendo a tomar o analgésico antes que se torne insuportável.
Mas a distância de mim, às vezes, incomoda-me. Porque não a sinto nem a penso. E não me parece que haja muitos outros verbos possíveis. É. Essa distância de mim, às vezes, é. Não lhe encontro outro verbo, além do verbo ser. Mas não me parece que ajude…para o verbo ser, não conheço analgésico.

Publicado por Troll Urbano às 04:03 PM | Comentários (4)

As "metamorfoses"

Por:Isabel Faria

Numa versão, diz-se que as famílias brasileiras vieram para uma unidade hoteleira privada a construir na vila. Depois, também se fala em caciquismo.Que toda a gente na terra depende da Presidente da Câmara e do vice-presidente, para viver e para comer.
Na outra versão, a Presidente encontrou forma de combater a desertificação e fez uma parceria com uma cidade brasileira superlotada para trazer gente para uma localidade portuguesa quase vazia.
Aproveitando os contornos não definidos, meia dúzia de "nacionalistas" da extrema direita resolveram rumar a Vila de Rei. O aparato militar que os esperava não foi necessário e passaram quase despercebidos entre a indiferença da população.
Seria, apenas, uma viagem de fim-de-semana de quem tem ódios e intolerâncias para dar e vender, se...
...este caso fosse islodado e não houvesse, quem por aí nos cafés, e também nos da Vila, não misturasse repúdios ao possível caciquismo com tiradas contra a " !invasão" de quem lhes "rouba" postos de trabalho...
...o PNR e a sua meia dúzia de seguidores não começasse a mostrar uma perigosa capacidade de adoptar linguagens que "vendem" em lugares onde elas "vendem". Ontem, em Vila de Rei, não falaram sobre invasões (disso falava-se nos cartazes). Os discursos foram contra o "capitalismo desenfreado" , a "escravatura da mão-de-obra barata" e a desertificação do Interior.
Talvez seja um erro descurá-los. Eles são poucos, mas têm capacidades de se tornarem perigosos...novas capacidades. Algumas vezes, já conseguem não espancar africanos, nem matar militantes de Esquerda, nem perseguir homossexuais. Algumas vezes, já conseguem usar linguagem de gente. E como não somos ingénuos e acreditamos que eles mudem, temos que estar preparados para as "metamorfoses".

Publicado por Troll Urbano às 12:41 PM | Comentários (5)

maio 13, 2006

Vou meter o pé no alguidar

Por:Isabel Faria

lenhas.jpg

Desculpem lá, mas eu tenho um cavaco destes metido na sola dum pé, não tenho a certeza se com ou sem folhinhas e tenho que ir meter o dito de molho dentro dum alguidar, antes que tenha que recorrer ao berbequim do vizinho. Faxavor de me desejarem as melhoras do cavaco. Só para ficarem ainda mais preocupados, cabe-me informá-los que o gajo não pára de crescer...hoje de manhã quase que não se via...agora já quase que não se vê o pé. Obrigado pelo desejo de melhoras. Vou...tenho o alguidar à espera. E o espinho em crescimento acelerado.Parece que já dá mesmo para ver uma folhita!!!! AI!!!!

Publicado por Troll Urbano às 09:52 PM | Comentários (8)

maio 12, 2006

Por:Isabel Faria

paraiso3.jpg

A fé sempre foi algo estranho para mim. Estranho de estrangeiro, de estar fora, e estranho de incompreensível. Estava a ouvir as notícias sobre Fátima e pensava que será sempre algo de inatingível para mim o que leva aquelas pessoas a estarem ali.
Uma vez, alguém me disse que, nas alturas das grandes perdas, a fé deveria ser um aliado. Dei-lhe razão. E por isso mesmo, não a alcancei.
Quando era pequena e o meu pai vinha de bicicleta para casa, estávamos em França e ele tinha que atravessar uma Nationale qualquer, recordo das tentativas que fazia de fazer promessas se ele chegasse bem. Se não acontecesse nada…mas, já na altura, nunca sabia a quem as fazer…o tempo que me demorava a decidir era o tempo para ele chegar. Respirava aliviada. Ele estava bem e eu continuava sem saber se a minha incapacidade era falta de jeito ou falta de fé.
Anos mais tarde, ainda acreditei que se podia ter fé em Mundos. Em paraísos. Achava que o Homem podia ser o Deus da construção desses mundos e não rezava, mas acreditava. Duma forma total. Sem dúvidas. Como, creio, deve ser a verdadeira fé.
Depois, fui vendo as nossas imperfeições, as nossas desistências, que perdíamos sonhos e que sabíamos viver com isso, que eramos capazes de esconder a cabeça na areia e de trair e fiquei, de novo, órfã de fé.
Também creio que passei algumas vezes por fases de quase fé, no outro. Em outros. Amigos para sempre, amores para sempre. Não rezava, claro que não, ouvia a voz e via o olhar e era tão divino que só podia mesmo ser fé. Foi-se, aos poucos, perdendo o divino na amizade e no amor. A eternidade passou a ser o momento. Foi uma dádiva para a paz, mas uma nova machadada na fé. Entretanto nascera o meu filho. A eternidade estava ali. Mas era (é) tão vivida, tão palpável, tão de pele e tão de cheiro, que nunca se poderia catalogar em qualquer cantinho esotérico.

Não sei se me faz falta. Felizmente ainda não tive grandes perdas.
Vejo aquelas pessoas ali e não entendo. Se o que procuram é felicidade. Ou é paz. Se o que sentem é medo. Ou é esperança. Se se preparam para suportar as perdas ou para se recuperarem delas.
Se procuram a vida eterna ou ajuda para suportar esta. Se abdicam de lutar por um Mundo melhor aqui, ou se para eles, o Mundo é melhor aqui, porque lá podem e sabem estar.

Ciclicamente, penso agora, ainda sinto aqueles laivos de quase fé. Em que, por momentos, sinto que alguém ou alguma coisa torna tudo possível. O problema é que esse alguém ou essa alguma coisa tem rosto e tem contornos. Não pode ser fé, portanto. Convencionei chamar-lhes os meus momentos de quase tudo…creio que posso neles incluir a felicidade. Só a fé continua, teimosamente, também deles arredada. Há muita pele. Muito sabor. Muito cheiro. Muitas palavras e silêncios, para ela, neles caber. Se a fé fosse, apenas, a ausência de razão, ah aí sim, ainda tinha esperança. Mas também é a ausência de olhar,creio. Nada feito, portanto. Não devo nunca lá chegar.

Publicado por Troll Urbano às 11:04 PM | Comentários (5)

Eles agradecem, reconhecidos!!!!!

Por:Isabel Faria

ftp.jpg

Obrigadinho....ao PS e à Direita...a gente sabe que pode sempre contar com vocês !!!!!!!!!!

sonae.jpg

Publicado por Troll Urbano às 01:27 PM | Comentários (8)

maio 11, 2006

A minha salsa e os cartões de crédito

Por:Isabel Faria

salsa.jpg cartao.jpg

Sou tesa. Sempre fui tesa e, a não ser que não me esqueça de começar a jogar no Euro milhões, devo ficar assim para a eternidade.
Mensalmente, a partir do dia em que pago a prestação da casa, começo logo a contribuir para que o salário do Presidente do BCP seja superior ao do Figo e do Ronaldinho juntos e creio que, lá no fundo, ele todas as noites me agredece nas suas orações noturnas.
Quando abri a conta neste Banco, porque me permitia receber o salário dois dias antes, fiquei com a conta ordenado e comecei a contribuir mais acentuadamente para os lucros e as OPAS...uma altura qualquer, no inicio de ter esta conta, pedi um cartão de crédito e disseram-me uma treta qualquer do género, o seu saldo médio e mais não sei quantas, isto, em linguagem corrente, devia significar, vai pentear macacos que isto não é a Mitra. Nunca mais voltei a tentar, não fossem os gajos olharem para mim e desatarem-se a rir...
De modos que lá fui andando, tesa e sem que ninguém se lembrasse de mim...a não ser na altura de lhes pagar os juros.
Por uma situação perfeitamente conjuntural, entrou-me, esta semana, algum dinheiro extra na conta que voltará a sair assim que um senhor me vier cá a casa arrancar a horta da arrecadação e tapar o buraco do telhado que me alimenta a salsa...
Esta tarde, estava a trabalhar e ligou-me uma senhora. Com uma voz simpática disse que era minha vizinha e que tinha estado a ver a minha conta...confesso que me assustei...traumas...o que é que eu fiz? pensei logo... querem ver que me esqueci de alguma coisa...a senhora continuava...estou espantada, disse-me...então a senhora não tem cartão de crédito??? hein??? disse eu, então vocês um dia disseram-me...ah, não, deve ter percebido mal...eu percebi mal, repeti...ah, e temos um serviço óptimo de médicos que vão a casa...tenho esse serviço na empresa...ah, e oferecemos a anuidade do cartão de crédito...mas eu não tenho cartão de crédito, só de débito...mas oferecemos as duas e não ter um cartão de crédito??? D. Isabel, por amor de Deus, hoje toda a gente tem um cartão de crédito...toda a gente tem, repeti...e nunca veio levantar a sua senha de aceso à Internet...pois, nunca foi preciso...mas hoje toda a gente usa a NET para as suas transações bancárias, toda a gente, repeti....transações bancárias, repeti também (deve ser o nome de pagar a água, a electicidade, a casa, o telefone e de receber o salário). Olhe, o meu nome é L....e sou a sua gestora de conta...a minha quê??? gestora de conta...ok, pronto, disse eu, não me diga mais nada, já sei, hoje, toda a gente tem uma gestora de conta!!!...ou um gestor, disse a minha isso...ok, percebi. Toda a gente tem.
Só quero ver que é que a minha gestora de conta faz quando eu pagar ao senhor da salsa e voltar à conta ordenado ao dia 6 de cada mês...
Na volta, o melhor é mesmo aceitar o cartão de crédito...sei lá se a salsa volta a crescer!!!!???

Publicado por Troll Urbano às 09:30 PM | Comentários (5)

Também não exageremos!!!

Por:Isabel Faria

carrilho.jpg

Eh pá, a gente até sabe a Comunicação Social que tem. Conhece as análises isentas do Professor Marcelo e os ódiozitos de estimação do Miguel Sousa Tavares. Até se lembra das vezes em que a SIC passaou a famosa cena de "pugilato" entre o Carmona e o Carrilho, até sabe o que a SIC é capaz quando quer fazer campanhas eleitorais e eleger os seus candidatos...mas daí à «mais brutal campanha negativa feita no Portugal democrático». também vai uma distanciazeca...o Carrilho ou nunca viu nenhuma reportagem das Presidenciais, por exemplo, ou, então, não está, mesmo, melhor do problema do umbigo...

Publicado por Troll Urbano às 03:35 PM | Comentários (3)

maio 10, 2006

Illuminatti (será assim???)

Por:Isabel Faria

bush.jpg
George Bush, imagem original

Depois de partir um salto da bota no meio da rua, de ter entornado as compras todas por causa de ter partido o salto da bota no meio da rua, de uma garrafa ter resolvido ir espreitar a lingerie dum automóvel que estava parado na berna e eu ter andado meia hora, de rabo para o ar, a tentar recuperá-la, tinha feito um post e o gajo foi-se...hoje é dia 13. Só pode....
Visto isso e dado estar com uma neura mais ou menos XXL, decidi apenas deixar aqui a imagem duma coisa que estive a aprender no Discover. O Bush, a rainha de Inglaterra e o Tony Blair, são extraterrestres que dominam o mundo por serem muito inteligentes (daí o Bush), têm como símbolo a pirãmide, comunicam através das notas de um Dólar e o seu verdadeiro aspecto é o que a imagem representa (este é o Bush). Chamam-se illuminatti e se pensarem que isto tem alguma coisa a ver com correntes de Extrema Direita, nada de mais errado, São apenas lagartos Aliás, qualquer um de nós,segundo eu aprendi, é bem capaz de ser um lagarto (inclusivé tu, Daniel, pensa nisso antes de fazeres posts sobre o Sporting!!!).
Pronto, como já parti o salto, andei de cócoras e vi a Rainha de Inglaterra transformada em osga mais ou menos grandota, agora só me resta pedir a vossa compreensão para a minha absoluta incapacidade de dizer mais qualquer coisa...faxavor de me fazerem uma festinha na cabeça e dizerem tadinha, vai ó-ó, vá lá!!!!
Bigadão!!!

Nota. Eu decidi incluir este post na categoria de Personalidades, dado estar a falar do Bush, da Rainha de Inglaterra, do Tony Blair e da minha neura. Pareceu-me adequado.

Publicado por Troll Urbano às 09:56 PM | Comentários (8)

Música contra Bush

Por: Isabel Faria

ny.jpg

Juntar a voz de Neil Young à campanha contra a Guerra. E passar uma tarde a ouvir boa música.
O novo disco, Living with War. Aqui fica o link.

Publicado por Troll Urbano às 01:24 PM | Comentários (1)

maio 09, 2006

As bandeiras e as vidas

Por:Isabel Faria

É constrangedor o desconhecimento que algumas pessoas têm da realidade do País em que vivem. Aqui há uns dias, uma nossa comentadora habitual, falava nas nossas caixas de comentários da irrelevância (ela gosta destes termos fortes) do Bloco por não ter 38 jovens “efectivamente precários” para transportar as letras no 1º de Maio. Como se o Bloco desconhecesse de tal maneira a realidade deste Pais que ousasse propor a jovens “efectivamente precários”, que no outro dia perdessem os seus empregos se, por um qualquer acaso, fossem reconhecidos pelos seus patrões ou tivessem o azar de aparecer nalgum órgão de Comunicação Social. Como se a luta contra a precariedade que tem que ser em grande parte feita pelos trabalhadores precários de hoje e de amanhã se compadecesse com faltas de tino como esta, que seria colocar nas mãos de três dezenas de jovens, ainda por cima, sob a bandeira duma organização política, o risco de perderem o emprego que têm hoje ou que precisam para amanhã. Como se a obrigação de pessoas e organizações politicas de Esquerda responsáveis, não fosse mobilizar todos para processos colectivos e alertar todos para os perigos que podem advir de tomadas de posição individuais.
Ontem tive um telefonema duma trabalhadora precária da minha empresa. Pediu para falar comigo, conjuntamente com mais duas colegas. Fora da empresa, frisou. Claro que disse que sim e propus o café em frente. Depois de um silêncio, veio a resposta: desculpa Isabel, mas tem que ser longe. Temos medo que nos vejam contigo…Foi longe. Esta tarde. O problema que elas me transmitiram nem tinha a ver com a empresa onde trabalho e na qual elas também vão, regularmente. Mas teve que ser longe. De vez em quando, uma delas perguntava se eu achava que não ia ali ninguém da empresa tomar café…e olhavam em volta, com desconfiança e com medo. Pensei, depois de as deixar com a promessa que farei o que o meu dever de militante de esquerda, de cidadã com direitos que elas não têm e de pessoa solidária, me obriga, como teria sido demagógico, perigoso, autista, oportunista e, sobretudo, desumano, que em qualquer altura daquela conversa lhes tivesse proposto que pegassem numa letra e se incorporassem numa manifestação pública que lhes poderia pôr em causa o pequeno almoço dos seus filhos no dia a seguir…
Há uns tempos, tive uma colega precária que decidiu pôr a empresa em tribunal, a conselho de alguns e com muitas reticências e avisos da minha parte…o processo foi-se prolongando, como todos os processos judiciais se prolongam no nosso Pais e um dia ela ligou-me a dizer que ia aceitar a indemnização da empresa, pois se não recebesse dinheiro naquele mês e continuasse sem trabalhar, perderia a casa onde vivia. Voltei a avisá-la dos perigos que corria, mas ela disse-me que não podia fazer outra coisa…meses depois, encontrei-a no café onde bebo a bica e pediu-me dinheiro para comer uma sandes. Há quase dois dias que não comia, disse-me. Nunca mais tinha tido emprego em nenhuma empresa de trabalho temporário nem do sector. A cidade, o País é pequeno demais e eles conhecem-se. Era disso que a tentei alertar na altura em que seguiu em frente sem que a tivessem alertado dos perigos que corria. E quem a aconselhou tinha a obrigação de saber os perigos que ela corria.
A luta contra a precariedade tem que ser uma luta colectiva. Mas creio que, para ser vitoriosa, tem que ser, sobretudo, uma luta solidária dos que hoje, ainda têm estabilidade e trabalho com direitos e que consiga mobilizar os precários de amanhã. Os jovens das escolas secundárias e das universidades. Como aconteceu em França. Aqueles que precisam de trabalhar à hora, ao dia ou à semana, não têm condições de isoladamente vencer o trabalho precário. Sob pena de até esse perderem.
Quem não entende isso pode precisar de bandeiras e usá-los como bandeiras, mas não pode ser mais que isso. O pão não se compra com bandeiras nem agendas politicas. Compra-se com lutas sérias mas responsáveis e com solidariedade. Pobres dos que se dizem de Esquerda e não entendem isso. Pobre do Movimento Sindical, que na maioria das vezes, por desconhecimento ou oportunismo politico, não entende isso. Pobres dos trabalhadores que acreditam nuns e noutros e que com eles contam. Quando chegam à conclusão que têm que receber uma miséria como indemnização para poder sobreviver, porque não podem continuar à espera da decisão judicial, nem o telefone já lhe atendem. Dizem que eu trai, dizia-me a minha colega. Como podia fazer outra coisa se isso significava ficar a viver na rua com o meu filho? Não lhe soube responder. Já passou algum tempo. Não sei se quem não lhe atendia o telefone porque ela tinha traído, fosse lá o que issso fosse, já lhe respondeu.Nem sei se continua dois dias sem comer. Mas do olhar lembro-me muitas vezes. Quando lhe dei o meu telemóvel para me ligar, havia um olhar vazio e estranho nos seus olhos...possivelmente nunca te ligarei, Isabel. Porquê? Não sei explicar....
Nunca ligou.

Publicado por Troll Urbano às 10:32 PM | Comentários (13)

Telegrama

Por:Isabel Faria

pastel de nata.jpg

Eh pá, vocês desculpem lá, eu quase não vir aqui hoje, mas tou cheínha de trabalho. Ponto.
Não posso, no entanto, mesmo muito rapidamente, deixar de fazer este post. Ponto
Parece que hoje se comemora o dia da Europa. Ponto.
Cada País tem um representante e assim. Ponto.
O nosso representante é o Pastel de Nata. Ponto.
Entre o Cavaco, o Sócrates e o Durão Barroso, esta decisão só pode ter o mau total apoio. Ponto.
Até mesmo entre o pastel de nata e o Figo ou o Mourinho, eu também escolhia o Pastel de Nata. Ponto.
Com maíuscula. Ponto.
Fica aqui a fotografia do nosso representante. Ponto
Eu agora vou almoçar (tão a ver como sou tadinha...só agora...) e vou tentar comer um representante como sobremesa.Ponto.
Garanto-vos que é a primeira vez que como um representante do País. Ponto.

Publicado por Troll Urbano às 01:30 PM | Comentários (4)

maio 08, 2006

Sem titulo

Por:Isabel Faria


mar e lua.jpg

Sem pressas...mas com saudades. De me perder em ti. Parece a Lua dizer ao Mar.

Publicado por Troll Urbano às 06:23 PM | Comentários (7)

As pessoas sensíveis não devem olhar para a imagem!!!!!

Por:Isabel Faria

osga.jpg
(Era um monstro igualzinho a este....!!!!!)

Aqui há uns anos, morava há muito pouco tempo nesta casa e tive um encontro com um monstro. Apesar de ter nascido no campo, nunca tinha visto uma coisa daquelas. E, muito menos, sentido. De madrugada levantei-me para ir á casa de banho. Como nunca fecho as janelas, pois não consigo dormir sem luz,não precisei de acender a luz. Quando lá cheguei, senti uma coisa viscosa, molhada, horrivel debaixo dum pé. Quieta, horivelmente quieta e viscosa.
Acabou por meter uma vizinha de 70 anos, um filho, na altura, para aí de oito, e eu aos gritos, em pé em cima da mesa da sala, à espera que alguém vencesse o monstro. Ficou a promessa, sempre cumprida, que nunca mais dormiria com os vidros das janelas abertos, mesmo que estivessem 40º cá fora...
Depois disso, algumas vezes, enquanto estendo a roupa, vejo monstros daqueles nas paredes que dão para o quintal. Nunca percebi muito bem porque é que teimam em ficar quietos a olhar para mim, mas sempre achei que é porque acham que o monstro sou eu...
Esta manhã, já pecebi que eles atacam quando começa a chegar o calor, estava um nos degraus do lado de fora da minha porta da rua...o meu filho já estava na escola e a vizinha, agora com mais alguns anos, está em casa dum familiar a passar a semana. O monstro ficou quieto a olhar para mim e eu não podia nem abrir a porta que ele podia atacar-me nem sair á porta que ele podia atacar-me...
Decidi voltar a casa e gritar, pela janela, pelo nosso arrumador “particular” a pedir ajuda...com isto tudo as horas iam passando...não vi logo o senhor, depois gritei e ele estava na esquina e não ouviu, tive que mandar recado por uma velhinha que passava na rua, que anda devagarinho...entretanto ele chegou e já não havia monstro...tava ali no portal.. não tá cá nada...eu vi, tava a olhar p’ra mim...já não tá...acha que é seguro sair?...penso que sim..Saí...
Agora esta gente aqui no escritório não compreende que se possa chegar quase meia hora atrasada por ter uma osga no portal...nem que se tenha que chamar o arrumador...nem que fosse a minha vida que estava em causa...nem que tenho um trauma no pé esquerdo que sempre me condicionará na minha vida...nem que para mim tudo o que rasteje e ainda mais os gafanhotos que não rastejam, mas bem podiam, as aranhas, e as ratazanas e as baratas, os sacarabos (este descobri , o ano passado, no Ribatejo e também olhou para mim com cara de osga...), as lagartixas, as sardaniscas (creio que são todos primos) , pertencem todos ao mundo dos monstros e deviam ser incluídos no Código de Trabalho como justificação para se chegar tarde ao emprego...poder-se-á encontrar uma falta mais justificada do que encontrar um gafanhoto ou uma aranha, à porta e não se poder sair de casa?

Publicado por Troll Urbano às 11:02 AM | Comentários (5)

maio 07, 2006

As prendas

Por:Isabel Faria

chocolates.gif

SOCORRO!!!! Afinal, o meu filho deu-me umas prendas. Um saquinho de bombons Rajá (cum caraças, parecem aqueles da Regina de antigamente, com creme dentro e papelinhos de muitas cores, assim tipo dedal, lembram-se?), um Toblerone, um saquinho de chocolates Nestlé, uma lata de leite condensado ...e uns brincos muita giros...
Ok, os brincos eu compreendo, porque o Bono os rouba todos... o resto das prendas terá algum significado ou alguma mensagem especial??? Tou com medo de lhe perguntar...

Publicado por Troll Urbano às 09:59 PM | Comentários (3)

Dia da mãe

Por:Isabel Faria

amor perfeito.jpg


Há uma altura em que torna complicado começar a falar no dia da Mãe. Quando nos tornamos mães. Enquanto somos, apenas, filhas, o dia da mãe serve-nos para lhes mostrar o que elas são para nós, com mais ou menos cedências ao consumismo, aproveitamos sempre por fazer questão de lhes lembramos que nos recordamos dos beijos e dos ralhetes, das vezes em que nos apeteceu dizer-lhes não te quero perder nunca ou das outras em que nos contivemos ou não, para lhes dizer deixa-me viver a minha vida, deixa-me em paz, deixa-me crescer. Enquanto somos, apenas, filhas, dividimos os momentos com elas entre os que compreendemos e adoramos e os que não compreendemos e nos apetece fugir. Enquanto somos, apenas, filhas, apetece-nos pedir-lhes nunca me deixes e dizer-lhes compreende que tenho que te deixar…
Quando nos tornamos mães as coisas complicam-se…não os queremos perder, não queremos que eles queiram partir, apetece-nos prolongar os momentos em que eram só nossos, sabemos que lhes demos asas e mãos e coração e temos medo de uma coisa e de outra. E de outra. Ficamos felizes de os ver crescer e apetece-nos chorar por já não vermos os nossos bébés. Queríamos enchê-los de beijos e sabemos que nos vão achar lamechas.
Esta noite a minha mãe reclamava zangada porque não ia lá este fim-de-semana e eu tentava explicar-lhe as milhares de razões porque não dá. Sem que ela tivesse entendido.
Esta noite o meu filho saiu com a namorada e acabou de me ligar a explicar as milhares de razões porque se está a demorar mais. Sem que eu entenda.
Deve ser na altura em que deixamos de ser apenas filhas, que passamos a perder a capacidade de entender como nos fazia tanta impressão que as nossas mães não entendessem.
Lembramo-nos de passear com elas pela mão e de levarmos os nossos filhos pela mão. E falta-nos uma coisa e outra. Deve ser crescer, né?

Publicado por Troll Urbano às 01:39 AM | Comentários (5)

Proximidades

Por:Isabel Faria

aldeia.jpg

Decorreram hoje e vão terminar amanhã as jornadas autárquicas do Bloco.
Este post serve, apenas, para falar, de proximidades. Que, muitas vezes, porque conhecemos mal as realidades dos outros (e o País?), julgamos não existir. Um eleito dum órgão autárquico do distrito de Viseu, eleito numa lista de cidadãos independentes, falava da realidade da sua aldeia e do seu concelho. E a realidade da sua aldeia, perdida no interior, poderá ser a duma freguesia de Lisboa ou da cintura de Lisboa.
Durante o dia, dizia ele, a sua rua ficava vazia de gente. Todos se tinham que deslocar para a cidade para trabalhar. Durante o dia, nas freguesias à volta de Lisboa, todas as ruas ficam vazias. Todos se têm que deslocar para a cidade para trabalhar. Em muitas freguesias de Lisboa, durante o dia, as ruas ou ficam vazias, ou enchem-se de “deslocados” de outros lugares. Os seus moradores saem para trabalhar e para “viver” o dia, noutras paragens.
De manhã muito cedo, tem que se deixar os filhos nas escolas e nos infantários…tem que se ir de carro, quase sempre. Na aldeia e nas aldeias à volta faltam os transportes públicos. Os poucos que há, começam tarde e acabam cedo. Em quantas freguesias de Lisboa ou da cintura de Lisboa, a falta de transportes públicos não é um dos maiores problemas das populações?
Na aldeia faltam os lares para os mais idosos. Aquela velha ideia da solidariedade que tínhamos, de que nesses lugares os mais idosos terminavam os seus dias em casa, desapareceu ao ritmo da necessidade dos filhos e dos netos se deslocarem para fora, para trabalhar. Tal como na Pena, ou algures na Amadora. Por isso, têm que os colocar longe de casa, normalmente na cidade, longe da família e a solidão acaba por marcar os seus dias. Em Alfama, às janelas dos prédios mais antigos vêm-se rostos gastos pela idade. São os que não tiveram dinheiro ou lugar nos lares, mas que, também eles, vivem afastados da família. E nas janelas, vê-se-lhes a solidão dos olhares e dos gestos.

cacem1.jpg

Falta gente para fazer listas para as autarquias, dizia. As pessoas chegam a casa cansadas e convenceram-se que nada ou muito pouco depende da sua disponibilidade ou da sua vontade. À noite ou aos fins-de-semana,, às vezes, ainda se juntam para falar. Mas participar em actividades politicas ou cívicas é muito complicado…numa freguesia do Cacém ou nos Olivais, à noite, as pessoas metem-se em suas casas, cansados do trabalho, das horas gastas no transito, descrentes da politica, com a vontade de participar inversamente proporcional à convicção de que “não vale a pena fazer nada, isto não muda”. Naquele concelho do distrito de Viseu, o Poder foi sendo ocupado ora pela PSD ora pelo PS. Nunca se deram por grandes diferenças. A não ser as disputas pessoais e os lugares que se arranjam após cada mudança de cor…
A semelhança entre a aldeia de Viseu, ou da Guarda, ou a freguesia de Loures ou do Porto, deverá, portanto, ter aí a sua “raiz”. Durante anos, o Poder foi lá, como na quase totalidade do resto do País, ocupado pelos mesmos. Foi a nível central, nos lugares onde as pessoas acham que as decisões se tomam, ocupado pelos mesmos. Os partidos que ocuparam o Poder, as politicas em que, fundamentalmente, só os rostos de quem as executava ia mudando, foi afastando as pessoas das suas casas para poderem encontrar formas de sobreviver, foi acabando com os transportes públicos porque não davam lucro, foi fechando escolas e obrigando as crianças a deslocarem-se para fora das suas terras, nunca criou uma rede pré-escolar com pés e cabeça e ao serviço das populações, deixando-a entregue a privados que criam infantários e pré-primários ou ATLs, nos lugares que lhes permita serem rentáveis, foi abandonando a agricultura e atirando os mais novos para as cidades, deixando os mais velhos entregues a si próprios, em Lares ou sozinhos em suas casas e a sensação de que “eles mudam mas tudo fica igual”, de que “não vale a pena fazer nada porque eles ganham sempre” de que “são todos iguais” (e efectivamente, como mais ou menos pequenas diferenças, têm sido todos iguais), leva no interior ou nos centro das grandes metrópoles, ao alheamento e à não participação
O que nos torna, afinal, tão iguais, ultrapassa a aldeia de Évora, a freguesia da Graça ou Lafões. Mas reflecte-se nelas. Uniformiza-as. As diferenças tentem a esbater-se, não porque se cria mais igualdade, mas porque se acentuam dependências.

graça.jpg

Publicado por Troll Urbano às 12:22 AM | Comentários (50)

maio 05, 2006

Desde que não seja nada comigo...

Por:Isabel Faria

Podia-se ver os resultados desta sondagem e lembrarmo-nos que as sondagens valem o que valem.E que muitas vezes valem muito pouco.
Mas talvez seja um erro levarmos os resultados duma forma tão leviana.
Talvez esteja a resultar, mesmo, a tentativa de colocar trabalhadores de empresas privadas contra funcionários públicos, remediados contra pobres, desempregados contra pessoas com emprego, trabalhadores no activo contra reformados...haver 33% de portugueses que aceitam que o despedimento de outros trabalhadores possa ser a solução para os problemas do País, 21,5% que aceitem que outros trabalhadores possam não receber o 13º mês para resolver os problemas do País, é assustador. Como indicativo duma falta de solidariedade e sobretudo como uma chamada de atenção urgente para todos nós. O dividir par reinar sempre foi a solução que o Poder encontrou para perpetuar as desigualdades e a descriminação. Os meios de comunicação encarregam-se de fazer passar a mensagem, mas não podemos nem devemos abdicar da nossa quota parte de responsabilidade. Cada um de nós. O egoísmo de responder que não aceitamos que nos vão ao bolso, mas que achamos bem que vão ao do vizinho do lado, mostra, e repito apesar das sondagens valerem o que valem, infelizmente a “sondagem” das conversas de café, de autocarro e de local de trabalho, não difere assim tanto desta da Eurosondagem, que nos estamos a tornar cada dia que passa em seres mais egoístas, mas egocêentricos, menos solidários e, sobretudo, menos cidadãos.

Publicado por Troll Urbano às 12:41 PM | Comentários (93)

Olha lá....

Por:Isabel Faria

olhares.jpg


Sempre achei que um olhar pode salvar ou pode definitivamente “enterrar” uma conversa. No meio duma discussão acesa, às vezes daquelas em que se dizem coisas que não se quer dizer mas que não se controlam, como se as palavras ganhassem, de repente, vida própria, olhamos a pessoa que está à nossa frente, ela olha-nos e sabemos e sentimos que vamos ultrapassar as palavras que se tornaram independentes.
Outras, acontece o contrário. Uma conversa igual às de sempre, palavras controladas, o mesmo tom de voz, a mesma atitude e, de repente, o olhar cruza-se e sabemos, sentimos que uma distância qualquer, distância em forma de olhar que não se sustém ou de olhar que se desvia, sabemos e sentimos, dizia, que as palavras foram ultrapassadas. Às vezes, até sentimos que foram ultrapassadas definitivamente.
O problema mesmo é as pessoas que nunca olham de frente. Nunca olham. Os olhares, propositadamente, vagos, ausentes, indefinidos, ou que não existem mesmo, em que cabem todas as palavras e nehuma palavra.
Conheço uma pessoa assim. Fui beber um café e passei-me. Ao fim de umas boas centenas de cafés, diga-se de passagem...Importas-te de olhar para mim, enquanto falas? Hein? Hein a porra. Trabalhas comigo há séculos e nem sei de que cor é o teu olhar...Hein??? Hein a porra. Fica a olhar sozinho. Não me apetece ouvir paredes...Vou beber café a outro lado...Não te esqueças de pagar esse. Foste tu que convidaste!!!.
Quando olhei para trás, estava a falar para a arca dos gelados...logo ao almoço vou tentar perceber se a gaja reclamou. Eu, por mim, acabei por juntar uma torta de Azeitão à bica...e até diria que aquelas coisinha castanha que aperece no meio do amarelo estava a olhar para mim...fiquei com alguns remorsos de a comer...mas já foi no fim de a ter comido.

Publicado por Troll Urbano às 10:44 AM | Comentários (45)

maio 04, 2006

Crescem

Por:Isabel Faria

grandir.jpg

Temos a certeza que eles cresceram mesmo, quando ficam iguais à imagem que fazemos deles (dos outros..."dos todos" crescidos..)
Durante anos era a preocupação de fazer uma prendita. Nunca era preciso lembrar nada...Depois, mais tarde cresceu e dizia, vá lá mãe, vem comigo e escolhe lá tu, que não faço ideia o que é que tu gostas (às vezes, já era preciso lembrar o dia..o que é que queres o dia anda sempre a mudar!!!???..). Este ano a coisa mudou: olha lá e se te levasse a jantar fora...não tenho jeito para comprar prendas e detesto ir às compras...(ah, e fui eu que lembrei...just in case...).
Não perguntei é quem é que paga...mas aqui, presumo que lhe transmiti alguns hábitos (principios??? que gaita!!!!). Tenho a impressão que a resposta vai ser: que tal a meias???

Publicado por Troll Urbano às 12:55 PM | Comentários (15)

Temas de 1ª e de 2º

Por:Isabel Faria

Segundo o DN on line, o deputado do PSD, Henrique de Freitas, acusou ontem o Bloco de ser um Partido imbuído de "um trotskismo messiânico" (acho o termo giro!!!) e que leva à AR, temas que vão desde a "freguesia de Sta. Engrácia" até à "Lua e Marte". Sinceramente, não sei a que temas se refere o Sr. Deputado do PSD. Não conheço todos os temos que o Bloco leva à Assembleia da República. No entanto, reconheço que me sabe bem saber que um deputado dum Partido de Direita ache que há temas de primeira e de segunda, e que uns merecem ser tratados pelos nossos ilustres representantes e outros não merecem tal honra. E que me sabe, ainda melhor, que os deputados que eu elegi, achem tão importante levar à Assembleia os problemas de uma Freguesia como a Lua (seja lá o que for que se tenha tratado da Lua...). Ou para ser mais clara, que considerem que não há temas de primeira, de segunda e de terceira conforme decisão unilateral dos Srs. Deputados.

Publicado por Troll Urbano às 11:19 AM | Comentários (48)

A alternativa da mobilização

Por:Isabel Faria

Em Junho, na Lear, fábrica de cablagens em Vialonga, 285 dos 873 trabalhadores vão peder o emprego. Ontem as dúvidas dos trabalhadores, resumiam-se a três: quem seria despedido, em que dia seriam despedidos e quanto tempo se manteria a fábrica a trabalhar com os restantes, isto é, quando seriam despedidos, os que não forem despedidos em Junho...
Os trabalhadores reconhecem a irreversibilididade e os dirigentes sindicais que resta tornar o despedimento anunciado ( e o inevitável encerramento de fábrica?), o menos gravoso para os trabalhadores...
Quem vive o seu dia a dia numa empresa, acaba por entender o estado de espirito, mas não se pode conformar com ele...a bola está do outro lado do campo....o neoliberalismo, as deslocalizações, apenas tornam necessário...que se torne menos mau é a mensagem que nos querem passar, que nos vão passando.
Mas temos o dever de dar a volta à inevitabilidade...não é inevitável. E esse dever passa , em grande parte, pela mobilização dos trabalhadores. Passa pela nossa capacidade de resposta. Passa por conseguir passar a mensagem que o desemprego não é uma doença incurável. Passa por conseguir passar a mensagem que há alternativas ao ...”inevitável”.
E aí, a Esquerda tem que encontrar formas não só de apresentar alternativas à politica de despedimentos, de encerramento de fábricas, de trabalho sem direitos...mas sobretudo à desmobilização dos trabalhadores que aceitam como normal que não haja alternativas a essas politicas.

Publicado por Troll Urbano às 10:55 AM | Comentários (8)

maio 03, 2006

Uma posta politicamente correcta - I

Por:Isabel Faria

Para que não restem dúvidas que isto é um Blog decente, a imagem em baixo, são as vacas inglesas que, a partir de agora, supostamente, se podem comer à vontade.
Obrigado pela atenção.

vacas inglesas.jpg

Publicado por Troll Urbano às 05:31 PM | Comentários (19)

O ratito...

Por:Isabel Faria

ratito.bmp

A maior operação policial de sempre. Mais de 600 polícias. Sete horas e meia de rusgas. Moradores impedidos de entrar e de sair do Bairro. Barracas viradas do avesso. Dezanove armas apreendidas, dez pessoas detidas...cum caraças pá, isto é daquelas situações em que se costuma dizer que a montanha pariu um ratito, não???
Os moradores dizem que parecia o Iraque...e fica-se sempre com a sensação que se bate sempre ao lado...calmamente, fora dos bairros de barracas, os grandes traficantes de armas e de droga, devem aproveitar os primeiros quentes dias de Sol de Maio, para ganhar umas corzinhas...Os moradores do Bairro da Torre, entretanto, têm umas tantas fechaduras para pagar e umas tantas barracas para arrumar....

Publicado por Troll Urbano às 11:29 AM | Comentários (5)

maio 02, 2006

Campeonato nos bastidores do Troll...

Por:Isabel Faria

Desculpem, mas creio que tenho que vos contar isto. Para além de nos colocar teimosamente no topo do número de comentários, o que só temos que agradecer, neste momento, desenrola-se nos bastidores no Troll, um emocionante duelo entre o comentário da nossa comentadora de serviço e este:
"Just a few of the penis enlargement methods are really working.VP-RX offers one of these methods: penis pills. VP-RX penis enlargement pills offer one of the safest and long term penis enhancement".
Para já, os da nossa comentadora vão ainda à frente...mas os do just a few um bocadinho maior...estão mesmo, mesmo a alcançá-la.
Amiga, não desistas, estamos contigo. Não te vais deixar vencer por um anúncio a uma coisa milagrosa que faz milagres em orgãos sexuais masculinos...continua. Vai em frente!!!!
Ir-vos-emos dando conta do desenrolar do campeonato. No final o/a vencedor/a terá direito a um prémio. Nós, aqui nos bastidores, não podemos esconder a emoção...

Publicado por Troll Urbano às 10:43 PM | Comentários (6)

Não vale a pena adiar...

Por:Isabel Faria

Creio que era o Lou Reed que tinha uma canção (não me lembro nem qual nem em que álbum) em que falava de uma amiga que não podia atender o telefone, porque tinha partido. E das vezes que ia ligando...sabendo que não iria ter resposta...
Já me aconteceu apagar telefones da agenda. Porque há pessoas que vão saindo da minha vida. Quando são pessoas que nela permaneceram, quando nos números que se apagam, também vão memórias, olhares, toques, quando são amigos que se perderam ou afectos que não resistiram à erosão do tempo, da vida ou dos desencontros, é uma sensação dolorosa. Mas acredito que sempre a entendo, a sinto, reversível...
Acabei, pela primeira vez na minha vida, de apagar da agenda do telemóvel, um número, de uma forma irreversível. Com a certeza que não o voltarão a atender...é uma sensação complicada. As perdas sentem-se, sobretudo, nos pequenos gestos que inevitavelmente se têm que fazer...escolhi o Torel, para o apagar. Assim, quem sabe, ficará no lugar exacto. Em casa...Definitivamente.
Quando se apagam números por opção, acaba por ser sempre uma decisão muito mais demorada...a inevitabilidade não torna as coisas mais fáceis. Mas torna-as...inevitáveis...
As coisas inevitáveis, não são adiáveis. Nenhumas Não vale a pena adiar conversas, adiar gestos, adiar decisões, adiar encontros, dizemos nós. sem nunca o sentirmos...e adiamos. Porque, afinal, todas elas as sentimos como evitáveis. Não suportariamos a vida se não sentissemos que tudo pode ser sempre adiado...nem se não soubessemos que apenas apagar o telefone da agenda, é das coisas que a vida não nos permite que adiemos...é, apesar de tudo, mais fácil não ter mais um telefone na agenda, do que ter um telefone que sabemos nunca mais irão atender.
Foi...sentar-se num jardim com vista sobre o Tejo.

Publicado por Troll Urbano às 07:27 PM | Comentários (24)

A Guerra acabou há 3 anos....

Por:Isabel Faria

No dia 1 de Maio de 2003, George Bush, vestiu o fato de aviador e subiu a um porta aviões, para anunciar que as forças aliadas tinham vencido a guerra e começava, então, a reconstrução do Iraque.Segundo o JN, hoje, só 9% dos americanos acreditam que os EUA, atingiram os objectivos.
Estas foram as palavras da vitória anunciada "Meus companheiros americanos, as grandes operações de combate no Iraque terminaram. Na batalha do Iraque, os Estados Unidos e os nossos aliados prevaleceram, e a nossa coligação está, agora, empenhada na segurança e reconstrução do país"
Três anos depois ainda há 9% dos americanos que acreditam nestas palavras...ok. Cada qual vive no Mundo que quer...
Se não fosse trágico, seria cómico, estes anos depois recordar o show e as palavras, afinal ele é conhecido palas anedotas...mas é trágico.Cabem muitas vidas, na anedota que Bush contou há 3 anos.

Publicado por Troll Urbano às 12:38 PM | Comentários (82)

maio 01, 2006

Maio

Por:Isabel Faria

juntos.jpg

Uma canção de balanço. E de luta. Um poema lindo sobre o que fizemos e não fizemos. E a certeza que nos encontraremos por aí. Num campo de papoilas ou nas ruas da cidade, numa fábrica encerrada ou num call center, na luta contra a precariedade ou pela despenalização da IVG, nas arcadas do Martim Moniz ou nos Ghetos, na luta por uma saúde para todos ou na de uma Justiça igual para todos, na perservação da memória ou na construção dum futuro mais digno para os nossos filhos, na denuncia da corrupção e dos salários e lucros imorais ou das reformas de miséria e da fome, na luta pela igualdade e contra a descriminação, na substituição do betão frio pelo verde da vida, na preocupação pelo futuro da Terra e na luta contra a Guerra. Uma canção com a certeza que nos voltaremos a encontrar em Abril. Com alegria e com paixão. Quando toda a gente assim quiser.


Publicado por Troll Urbano às 11:17 AM | Comentários (11)

Primeiros de Maio

Por:Isabel Faria

Dos meus Primeiros de Maio, tenho a memória dum dia lindo, gente em todo o lado, muita gente. Com cravos, muitos cravos. A liberdade gritada e vivida a plenos pulmões e de alma cheia. Dizia-se um milhão? Não faço ideia quantos. Sei que havia um desfile na minha terra, mas que consegui convencer o meu tio a trazer-me. E, no meio daquela multidão que fazia a festa e continuava a luta, cresci.

1º maio.jpg

Também tenho a memória, duma partida. Durante muito tempo senti-me responsável por não a ter evitado, parado, retido. Não sei se, às vezes, ainda sinto. Foi uma batalha perdida, que o acaso, o destino ou a escolha quis que fosse definitivamente perdida, no dia em que anos antes sentira e vivera o prazer da vitória, das batalhas ganhas.
Durante alguns tempos, o meu 1º de Maio, sempre teve estes dois dias juntos. O dia dum começo e o dia dum fim. Durante anos, sempre nele coube os gritos de Viva a Liberdade e a dor de perdeste a guerra e perdeste-o. Durante anos, sempre teve os cravos vermelhos que usei e as rosas vermelhas que, às vezes, quando a vida lhe espreitava, me oferecia. Durante anos, nunca soube se ao comemorar este dia, traia a memória de outro dia.

Um dia, não há muito tempo, talvez há três ou quatro anos, a sensação de derrota foi dando lugar à Paz. E aí, de novo vivi sem remorsos e sem culpa a memória daquele dia, em que o meu tio me trouxe a perder-me em Lisboa e em Abril.

estrela c.jpg

Depois, cada ano, quando saio à rua para festejar o 1º de Maio, como farei amanhã, comigo vai sempre, a certeza que não se perdem batalhas definitivamente. Nem guerras. Não, enquanto me lembrar da estrela cadente, que numa noite quente de Agosto, alguns anos antes, nos levou a percorrer um pedacinho de caminho comum. E nestes últimos anos, desde que voltei à rua no 1º de Maio, há sempre uma palavra de ordem qualquer que é dita por nós. Apenas para nós.

Publicado por Troll Urbano às 12:21 AM | Comentários (6)

abril 30, 2006

Estou cansada !!!

Por:Isabel Faria

Cheveux.jpg

Deixa que o som dos caracóis que me fazes, me impeçam de ouvir as palavras que não quero, não posso ouvir. Estou cansada. Pega no meu cabelo e faz um caracol como só tu sabes fazer…e não me deixes ouvir. Estou cansada. Há dias em que ficamos tão cansados de palavras…dá-me o nosso silêncio…esta noite, particularmente, quero, apenas, silêncio. Esta noite poderia ser o silêncio dos caracóis que fazes nos meus cabelos. Então porque insistem nas palavras? Nestas palavras?

Publicado por Troll Urbano às 11:08 PM | Comentários (1)

Manhã

Por:Isabel Faria

paço.jpg

Levantar cedinho. Calçar uns ténis e sair à rua. Percorrer estas ruas vazias. Lisboa estava vazia há duas horas. Sentar-me num banco do Jardim do Torel, espreitar o Tejo por entre as árvores, e Lisboa, por entre as outras. Devagar, passar pelo Campo Santana, pelos Paços da Rainha, descer o Largo do Mastro, a rua de S.Lázaro, passar pela Junta e beber o café, no "café das eleições" e depois ir até ao Martim Moniz, ver aí, pela primeira vez, gente, de muitas cores e de muitos sons, passar pelo Rossio, parar para um pastel de nata, subir a rampa e optar pelas escadas, para ver as janelas que se começam a abrir, depois ver uma cara conhecida, meio escondida, já a passear menina Isabel (ainda me chamam menina, algumas vezes, aqui, nunca entendi porquê, mas aproveito, deliciada…), tem que ser vizinha, estava-me a apetecer. Subir a Calçada de Santana e deixar que a memória entre de mansinho, mas entre. E olhar para tràs e ver, ainda uma vez, o Tejo e o Castelo. E deixar que, de novo, tudo o que há a fazer recomece a tomar o seu lugar. Também aqui, ainda de mansinho. As casas abandonadas. As casas vazias. As janelas encerradas, não de preguiça, de Domingo de manhã, mas de solidão de todos os dias e de todas as horas.
Ainda não há gente em Lisboa, este tempo todo depois. Ás vezes gosto da minha cidade assim. E do meu lugar. Também gosto com gente. Mas hoje era dele, vazio de gente, apenas com memórias a espreitar e com futuro à espera que estava a precisar de respirar. Respirei.

Publicado por Troll Urbano às 11:45 AM | Comentários (5)

abril 29, 2006

O porquê da modalidade...

Por:Isabel Faria

Andava no Google a procurar uma imagem para Andebol, para ver se entendia a paixão do meu colega Daniel por essa modalidade desportiva. Depois disso, o Farpas disse que numa equipa em que o Daniel jogasse, bastariam 6 jogadores, em vez dos sete, que parece que é normal. Decidi, então, escrever Handball player, para ver o ar do dito player e comparar com o do Daniel, para tentar entender a redução .Escrevi em inglês e tudo para mostrar ao parvo do Google que não sou nenhuma despoliglota. Descobri a fotografia que aqui vos deixo. Presumo que não entendi a parte dos 6 em vez dos sete mas que entendi o entusiasmo do meu colega de Blog pela modalidade. Vai em frente, Dani. Estamos contigo!!!!
(Só duas perguntas, a menina não devia vir com bola em anexo e não é o futebol de praia que se joga na areia???).

player.jpg

Publicado por Troll Urbano às 11:31 PM | Comentários (15)

King José, The Mourinho

Por:Isabel Faria

Jose_Mourinho-07.jpg

Ok. O homem é assim um bocadito arrogante. Às vezes, falta-lhe assim um cadito de chá. Tem dinheiro para dar, vender, emprestar e ainda devem sobrar uns troquitos. Faz anúncios a Bancos, cartões de crédito e sei lá que mais. Tem aquele ar, que até nem é de se deitar fora e até veste bem, carago…e depois percebe de futebol. Pronto. Eu não percebo nada e até me podem vir deitar esta teoria toda por água a baixo e falar-me daquele ditado que diz que quem tem unhas é que toca viola e eu meto a dita no saco e xauzinho que se faz tarde, quem é que te manda meter onde não és chamada…mas assim seja. Para já, e antes que alguém me lembre disso, o homem fez o Chelsea de novo campeão inglês, o Ricardo Carvalho até fez um golaço do caraças que ajudou a um resultado ainda mais expressivo contra o Manchester United, e aí está ele pronto para arrecadar mais um titulo, mais uns cobres, mais uns elogios e para passear aquele ar meio de rezingão meio de gajo com pinta por esses relvados fora. Olha, pronto, que viva o Mourinho. Quanto mais não seja para lembrar aos súbditos de Sua Majestade, que há mais reis que marinheiros…ah, parece que isto não é assim…que se lixe, viva o Mourinho. Prontzes!!!!

Publicado por Troll Urbano às 06:12 PM | Comentários (12)

Outra explicação necessária...

Por:Isabel Faria

Preparada para publicar este post, o Daniel falou-me que tinha acabado de publicar um sobre o mesmo tema. Que eu ainda não tinha lido. Hesitei. Mas aqui fica na mesma. Afinal, há momentos em que nos sabe bem saber que estamos da mesma forma que os nossos amigos, na vida, na luta ou num Blog. Vim para o Troll, convidada pelo Daniel. A simultaneidade destes dois posts, seria a prova, que não foi por acaso….

O anonimato não é crime. Durante anos quem queria continuar a resistir à PIDE, ao fascismo, às perseguições, à prisão e à morte, teve que nele se refugiar para conseguir sobreviver.
Acontece assim em todo o lado, em que haja perseguições por não haver liberdade de opinião, de associação. Acontece assim em todas as ditaduras. De todas as cores.
A difamação, a injúria, a acusação sem provas, a calúnia, as perseguições, as mentiras, a deturpação, essas sim são crimes. Mesmo que não puníveis por lei, serão sempre, em nome da ética e em nome da moral, crimes.
A quem dá a cara e dá o nome, pede-se, exige-se contas. Exige-se desculpas publicas pelas calúnias, pelas difamações, pelos ataques ao bom nome e à dignidade. Se não legalmente, pelo menos, ética e moralmente.
A quem não tem cara, nem tem nome, nada se pode exigir. No anonimato para resistir a quem nos persegue pode estar a salvaguarda da nossa vida e da nossa luta. No anonimato para a infâmia e para a mentira, só pode estar a infâmia e a falta de princípios. Está a falta de vergonha. Pode não ser condenável por lei. Não deixa de, à luz da ética e da moral, ser crime.
Pactuar com crimes, torna-nos cúmplices. Daí, o ponto final.
Durante o tempo que estive no Afixe, usei o nome Isabel. Poderia, à luz do anonimato que um nome próprio, nos permite, ter usado aquele espaço para tudo. Nunca o fiz. Usei-o para expressar ideias, para exprimir princípios, para falar de sentimentos. Quando aqui cheguei, e decidi juntar o apelido, à semelhança do que já fazia o Daniel Arruda, foi a continuação lógica de quem nada tem a esconder nem nada tem de que se envergonhar. Ao longo destes meses, o anonimato foi aqui usado para os mais infames dos propósitos. Um luta irracional, ilógica contra o Bloco de Esquerda. E um ataque soez, cobarde contra pessoas com nomes, com caras, com vidas, com famílias e com amigos.
As atitudes ficam com quem as pratica. Pelo que nos é dado saber, não são novas as atitudes. Pelo que nos é dado saber, fazem parte do comportamento habitual de décadas. Mas pela parte que me toca, nada disso é importante. Estou aqui por prazer. A luta politica faço-a lá fora. Os afectos, apesar dos muitos que por aqui vou criando, vivo-os lá fora. Pela parte que me toca e o Daniel ali atrás manifestou intenção idêntica, passarei a ignorar quem aqui vier para caluniar, usando a cobardia como escudo. Peço aos nossos comentadores, aos amigos que por aqui vão passando, àqueles para quem o Troll é feito, aqueles para quem nos dá gozo fazê-lo que tentem, também, cortar o mal pela raiz. É apenas um pedido. Como é claro, o Troll é um lugar aberto, livre, onde cada um tem liberdade para agir da forma que entender. Da minha parte, apenas, fecho aqui, as portas à cobardia. Gosto de uma boa discussão. Gosto de confrontar ideias. Mas não perfilho o espírito cristão de dar a outra face. Para mal dos meus pecados…nasci ateia.
A semana que passou lembrou-me algumas coisas. Por exemplo, que a vida é sempre, seja qual for, o tempo que por aqui passemos, demasiado curta.
O Troll como eu o vejo, como eu o idealizo, onde se discuta, se ria, se brinque, se crie, se viva a liberdade e se ajude a construir a Justiça, segue já a seguir. Este Troll, que aparece á frente da lista de Blogs mais comentados, graças a comentários cobardes, difamadores e insanes, não me diz nada.
Este é um post individual, assinado Isabel Faria no inicio. É a minha posição. Só me obriga a mim. Há anos que aprendi que só nós somos responsáveis pelas nossas atitudes e que andar de cara levantada é a mais gratificante forma de por aqui passar.…

Publicado por Troll Urbano às 05:18 PM | Comentários (34)

abril 28, 2006

Sem título

Por:Isabel Faria

banc-secret.jpg

Publicado por Troll Urbano às 06:12 PM | Comentários (9)

abril 27, 2006

Parabéns

Por:Isabel Faria

mae e filha.bmp

Um destes dias quando ela vier a Lisboa, vou-lhe dizer que tenho uma coisa para lhe mostrar. Ali, filha???...não gosto nada dessas coisas...mas eu insisto e sei que vai acabar por ler...
Foi sempre o nosso travão. O meu e o do meu pai. O travão das nossas loucuras, dos nossos sonhos desenfreados, dos nossos vôos sem rede, dos nossos trabalhos inacabados. Se um carro não tiver um travão, choca. Contra as paredes, contra as pessoas, contra a vida.
Às vezes, fico muito zangada porque se preocupa com tudo.E digo, mãe porque é que te perocupas com tudo...porque alguém se tem que preocupar e talvez por gostar tanto de vocês, não...pois. Um dia o telemóvel do João Pedro, estava com umas vozes esquisitas e eu liguei aos hospitais todos, à Policia...quase ao Presidente da República...
Um dia desmaiou...prepare-se para o pior disse o médico...como se alguém se pudesse preparar para o pior, quando nos falam da nossa mãe. Não preparei. Depois o pesadelo passou. E ela voltou. Tinha mudado as coisas lá em casa. Ralhou muito...então deitaste tudo fora...tudo não, só algumas coisitas que não serviam para nada...o teu pai guarda tudo...tu deitas tudo fora...também é só nisso que são diferentes...e não sei o que é pior. Mas é bom voltar para casa. Foi bom, madrezita (aprendi com o teu neto, o que é que queres???). Nunca me poderia ter preparado. Tu sabes que eu guardo sempre tudo para o último dia...conheces-me há quanto tempo???? Bué...ok, também são maluquices do teu neto....olha, não sei se te digo sempre quanto gosto de ti...mas sei que tu sabes mesmo quando eu não digo. Mas hoje digo. Assim, a grande e alto. Para toda a gente ouvir. Os parabéns não. Isso foi logo, logo manhãzinha. Acordei-te e tudo...Gosto. Mesmo. E o que seria de mim sem o teu travão...andas há anos a tentar convencer-me que para voar é preciso ter asas. Estou, quase, quase convencida. Só que às vezes esqueço-me...mas eu sei que tu me vais avisando...olha não comas muitos doces. Cuidado com o colesterol e com a tensão...não sou só eu que tenho que ter juizo. Se tu tens idade de ser minha mãe, eu tenho idade de ser tua filha. Nunca te esqueças disso!!! E ok, eu repito, pronto, tu adoras que a gente te dê os Parabéns. Parabens, mãe. Gosto mesmo.

Publicado por Troll Urbano às 05:45 PM | Comentários (7)

A minha folha verde

Por:Isabel Faria

feuilles.jpg

Não deverá nada no Mundo mais parecido com as plantas que os sentimentos.
Se não se regarem morrem. Não creio mesmo que morram de falta de água. Muito antes de não resistirem à seca, morrem mesmo é de tristeza. Se não fizermos um gesto a um amigo, para dizer estou aqui...de mansinho, sem que ele espere, sem que ele nos tenha mesmo, algum dia, mostrado que precisa do gesto, a amizade fica cada dia mais triste. E um dia, psss, vai-se.
Se não dissermos um quero-te a quem queremos, nada nos vale pensar que quem queremos percebe....perceber não rega. E o amor começa a ficar pequenininho e pálidozito de tristeza.
Sempre achei que o sentimento que mais precisa de água, não sei o equivalente em plantas, porque a botãncia nunca foi o meu forte, é a confiança. Até porque a confiança é um sentimento...muito democrático. Não há paixão, amizade, amor que resista à falta de confiança.
Eu acho até que a falta de confiança poder-se-ia comparar àqueles bichitos feios e pretos que existem nas folhas lindas das plantas e que as vão roendo, roendo...até que as matam.
Por momentos, atrasamo-nos a regar a plantita, o bichito matreiro chega e há uma noite em que lá fica a folha mais verde e mais bonita com um buracão feio e amarelo...mas de manhã, passa. Se estivermos disponíveis para a regar...e não deixarmos passar tempo...
Este post, é, assim, como uma maneira de dizer que a plantinha foi mais uma vez regada. E que não há nada mais gratificante do que confiar em alguém. Ah...e que perder a confiança é das coisas mais tristes que nos devem acontecer na vida...já a perdi algumas vezes. Fico sempre com um buraco feio, amarelo e enorme, num lugar qualquer que deve corresponder à minha folha mais verde e mais bonita.
De vez em quando ter um Blog dá-nos direito a usá-lo para enviar recados...aos amigos, aos amores, às paixões. Confio. A folha está verdita...dá para ver a olho nu.

Já depois de acabar de escrever este post, lembrei-me que deveria haver, nos sentimentos, assim o equivalente a esta foto destas folhas. Assim, mais forte que confiança. Que não acontece sempre, que só acontece quando o orvalho da manhã, um dia, sem que se espere, nos invade os dias e a vida. Uma folha verde, salpicada pelas gotitas do orvalho, deve ser, nas nossas folhas-sentimentos, cumplicidade. Nem sempre há orvalho...por isso deve ser tão dificil de alcançar. Tão doloroso de perder. Tão gratificante de manter.
A folhita com as gotinhas de orvalho, a cumplicidade em linguagem de sentimentos, dá-me a certeza que hoje, entre toda a gente que por aqui possa eventualmente passar, há alguém, que diz que raramente passa, que saberá que este post lhe é dirigido.. Desculpem usar o Troll...mas há coisas que têm que ser ditas. No momento certo. Sob pena de fazerem buracos grandes, amarelos e feios. Na alma.

Publicado por Troll Urbano às 01:03 PM | Comentários (11)

abril 26, 2006

Esperar pela paz

Por:Isabel Faria

Este é um caso que todos conhecem, mas poderá ser qualquer um. Em qualquer lugar. Em Portugal e em 2006
Quando se perde um ente querido, deverá ser premente a necessidade de começar o luto. Há passos que se têm que dar. Os conhecidos que chegam, as palavras de conforto, sempre repetidas por quem nos quer bem mas que a cada vez que se repetem recomeçam e avivam o sofrimento, a necessidade de se procurar réstias de razão para fazer os preparativos, para marcar as datas para a partida, a preparação para o último momento, o da despedida definitiva. E, po fim, a partida.
Creio, pelo que me têm contado familiares e amigos muito próximos, que só então, quando o corpo daquele que amamos, finalmente descansa, podemos verdadeiramente começar a fazer o luto.
Para alguém que perde um amigo é dolorosa esta espera. Até porque, por menos crentes no que quer que seja que sejamos, não conseguimos nunca perder a sensação de que, para quem vai, ainda não acabou o sofrimento…mesmo quando a razão nos diz que já não sofre…para alguém que perde um familiar chegado, para um filho, uma esposa, um irmão, uma mãe, a espera de que haja espaço e técnicos para liberar o corpo deverá ser sempre e ainda a continuação da angústia. Como se duma forma sádica nos obrigassem a esperar por um qualquer momento de alguma paz. Será esta tarde. Afinal, atrasou-se…talvez amanhã…tem que ter paciência
Em 2006, em Lisboa, num dos melhores hospitais do País, estar três dias à espera de, finalmente, poder concluir a viagem, parece impossível. Mas não é. Entretanto a dor de quem sabe que perdeu alguém, mas sente que ainda não se pode tentar adaptar à perda, porque há ainda os últimos passos do percurso para percorrer, é duma extrema violência.
È normal, dizem todos. Acontece sempre assim. Acrscentam Há, portanto, milhares de pessoas que diariamente, têm que esperar por uma vaga para uma autópsia, para tentar recomeçar a viver. Aqueles que sofreram uma perda e que precisam da despedida definitiva para ousar reiniciar os primeiros passos.
Triste Pais, que nem depois de mortos nos trata com a dignidade que tantas vezes nos nega em vida.

Publicado por Troll Urbano às 09:43 PM | Comentários (4)

abril 25, 2006

E no fim do dia, amanhã

Por:Isabel Faria

25abril.jpg

Quando o dia chegou ao fim começou o futuro. Pena que o tivessemos, em tantas ocasiões, deperdiçado ou, pelo menos, adiado. O poder estava ali mesmo. Nos moradores dos bairros. Nos trabalhadores das fábricas. Em nós e nas nossas mãos. O Poder de mudar. O Poder de criar. O Poder de viver. Tudo era possível. Como pudemos perder tantas lutas? E abdicar de tantos sonhos? E desistr de tantas batalhas? Mas, como dizia o Sérgio, VENCER É LUTAR. E a gente vai continuar a lutar. Afinal, o menino que correu mundo, a colocar um cravo vermelho na espingarda dum soldado, feito povo, esperava isso de nós. Não temos o direito de o defraudar.


Publicado por Troll Urbano às 07:57 PM | Comentários (4)

Não há alternativa ao respeito, ao afecto e à Justiça

Por: Isabel Faria

Com muito afecto e respeito. Até sempre, Armando.
fleurs.jpg

Com a promessa que fiz na primeira Assembleia de Freguesia. Serei oposição sempre que achar que não estão a ser defendidos os interesses da Pena e de quem cá vive. Apoiarei, sempre que achar que é para o bem da Freguesia. Sem cedências. Nem sectarismos. Até sempre, Presidente.
pena.jpg

Com a certeza que a Justiça exige que a justiça seja feita. Continuarei a lutar por ela.

Publicado por Troll Urbano às 11:13 AM | Comentários (13)

Parabéns, amiga

Por:Isabel Faria

trevo.jpg

Quando soube o dia em que nasceste fiquei sempre com um bocadito de inveja...logo eu que nasci num de tão má memória.
Ontem não deu para estar onde, quando um dia saltámos deste para o outro mundo, o a sério, combinámos que haveria de estar. Sei que compreendeste.
Os amigos, os a sério são assim. A gente até pode não se ver todos os dias. Nem se falar sempre. A gente até pode não passar na casa uns dos outros, a gente até pode não estar sempre perto, mas estamos sempre junto.
Uma amiga como tu é assim como um trevo de quatro folhas que se encontra na vida. Daqueles que depois, ano após ano, guardamos bem guardadinhos na folha do livro que mais gostamos. Naquele a que se volta sempre. Para termos a certeza que nunca o perdemos.
Parabéns amiga. Havemos de compensar a falta de ontem. Um abraço do tamanho do que me tens dado ao longo deste ano. E um beijo...sei lá, amiga, um beijo do tamanho daquelas paisagens alentejanas enormes, cheias de papoilas e com o horizonte a perder de vista, de que tanto gostas.

Publicado por Troll Urbano às 10:09 AM | Comentários (6)

O Troll com Abril - Sempre

Por:Isabel Faria

abril.jpg

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Publicado por Troll Urbano às 12:01 AM | Comentários (27)

abril 24, 2006

25 de Abril antecipado, para ainda ir a tempo...

Por:Isabel Faria

Este post estava feito para sair amanhã, dia 25 de Abril.
É feito com imagens daquele dia de há 32 anos. Achei que o devia publicar hoje. Fiquei, há pouco, com a certeza que o deveria fazer. Não restam muitas horas para que ele seja um Até Sempre. E eu quero que seja um Até Sempre, nas horas que ainda restam


25abril1.jpg
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.

25 abril4.jpg
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão

25 abril3.jpg
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.

S_maia.jpg
Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
– pode nascer um país
do ventre duma chaimite.

(Excertos do poema As portas que Abril abriu - José Carlos Ary dos Santos)

Publicado por Troll Urbano às 09:45 PM | Comentários (4)

O Troll com Abril - XVII

Por:Isabel Faria

Um dia antes, ou tudo o que falta ainda fazer.

25_child.jpg

Viémos com o peso do passado e da semente

esperar tantos anos torna tudo mais urgente

e a sede de uma espera só se estanca na torrente

e a sede de uma espera só se estanca na torrente


Vivemos tantos anos a falar pela calada

só se pode querer tudo quando não se teve nada

só quer a vida cheia quem teve a vida parada

só quer a vida cheia quem teve a vida parada


Só há liberdade a sério quando houver

a paz o pão

habitação

saúde educação

só há liberdade a sério quando houver

liberdade de mudar e decidir

quando pertencer ao povo o que o povo produzir
(Sérgio Godinho - Liberdade)

Publicado por Troll Urbano às 08:03 AM | Comentários (6)

abril 23, 2006

Tou, é claro que tou!!!!

Por:Isabel Faria

cansada.gif

Um, a última vez que foi visto andava a comer arroz e mais o Bush.
Outro, estava com o aparelho mais ou menos avariado e a fazer um post, mais ou menos há uma semana.
Outro, não faço ideia onde é que anda, mas receio que tenha entrado em período de reflexão mais ou menos demorado.
Outro, deve andar com a cabeça mais ou menos cheia de alíneas, artigos, decretos, leis, afins de alíneas, decretos juniores, leis em vias de desenvolvimento, decretos de lei, leis de decretos e parágrafos com numeração romana. E com º e ª.
O outro, é o mais cumpridorzinho, mas hoje ia jogar à bola para a terra duma pessoa conhecida nossa e como já não tem idade para grandes esforços, deve ter ficado impróprio para consumo.
Resto eu. Tadinha. Sozinha e abandonada. Porra pá, isto cansa…vocês dão cabo de mim…ciao!!! (Farpas e perfume nem vê-lo!!!! Desde Setembro, compadre…faz-lhe as contas…em meses, porque se fosse em posts nem com um garrafão de 5 litros se safavam…).
Nota: Alguém me explica porque é que uma pessoa quando fica cansada tem um peixe verde na mão? Obrigado.

(Uff. Consegui...não há alternativa à vida continuar...mesmo que, às vezes, nos soe um bocadinho a forçado).

Publicado por Troll Urbano às 07:50 PM | Comentários (5)

Dia Mundial do Livro

Por:Isabel Faria

books.jpg

Por nada de especial que a história dos dias de são apenas dias de...mas quem sabe, uma lei que obrigasse a pagar uma multa a quem abdica de prazeres. Que se esquece deles. Se habitua a passar sem eles. Passar sem um livro devia ser passivel de multa. Como abdicar de, numa cadeira confortável, pertinho da janela enquanto o Sol se põe, ou ao deitar enquanto o sono não chega, pegar num livro e partir? Como desistir da(s) viagem (viagens)?
Lê-se cada vez menos. Pobres de nós, que nos conformamos, cada vez mais, em não partir.


Publicado por Troll Urbano às 04:13 PM | Comentários (6)

abril 22, 2006

Sem título

Por:Isabel Faria

paraíso3.bmp

E se pudesse, por momentos, dentro do Mar, apenas esperar que o Sol chegasse?

Publicado por Troll Urbano às 08:08 PM | Comentários (3)

abril 21, 2006

A violência

Por:Isabel Faria

Não é um bom dia para escrever um post a sério. Mas também não seria capaz de escrever um dos outros. Este é um assunto que já aqui por mais que uma vez aflorei. Que me lembre quando dos cartoons de Maomé, quando do assassinato do Porto e quando do recente acórdão do Supremo Tribunal sobre a funcionária acusada de
maltratar uma criança deficiente.A propósito dos acontecimentos de ontem na minha Freguesia, vou voltar a ele.
Não me importo minimamente se é uma posição de Esquerda ou não. Sou, por principio e em principio, contra a “descriminação positiva”. Aliás, só entendo este conceito se se pretender aplicá-lo a pessoas com qualquer tipo de deficiência, que têm, portanto, direito a cuidados e condições especiais.
Sempre achei muito próximo, demasiado próximo, o conceito de descriminação positiva e o de paternalismo. E o paternalismo nunca foi um bom paliativo para nenhum mal da humanidade. Com paternalismo não se cresce, não se aprende, não se dignifica, não se luta. Se passarmos a vida a agarrar os nossos filhos com medo que caiam nunca aprenderão a andar sozinhos. A nossa função de pais é criar-lhes condições para caírem “em segurança”. O resto tem que ficar por conta deles.
A única forma de combater o racismo é recusar a descriminação, seja ela qual for, exigir que todos os homens sejam tratados como homens, não admitir a intolerância, não admitir o preconceito. Nem pactuar com eles. E tão preconceituoso é aquele que tenta associar um crime como o de ontem à cor da pele, como o que pretende “desculpar” um crime como o de ontem pela cor da pele.
È, para mim, tão inaceitável entender um crime como o de ontem, pela situação de “racismo” que supostamente alguém é vitima, como inaceitável entender quem vocifera contra os imigrantes porque um crime como o de ontem foi cometido.
Há diariamente dezenas de crimes cometidos por brancos, pretos, amarelos, homens e mulheres. Todos eles, possivelmente, terão uma “razão”. O marido que chega a casa e agride a mulher porque foi humilhado pelo patrão, a mãe que maltrata a filha, porque não tem dinheiro para comer nem onde o procurar, os jovens sem futuro e sem presente que matam alguém “diferente” e mais desgraçado do que eles, o imigrante que diariamente, sente na pele o ser olhado de forma diferente., como intruso, com intolerância e com desdém, às vezes com rancor, e que comete um crime em nome dessa agressões que sente sofrer.
A luta pela dignificação do ser humano não passa pela desculpabilização doa actos “não humanos” que se cometem.
A luta pela Justiça passa por exigir que a Justiça trate todos como cidadãos com os mesmos direitos e os mesmos deveres. A luta pela igualdade passa pela luta para que todos tenham acesso às mesmas oportunidades, a luta contra a intolerância passa por ser intransigente com a intolerância.
Está um cidadão à beira da morte e mais dois gravemente feridos. Foi morto um transsexual nas ruas do Porto. Num caso sabe-se que o culpado é um homem com uma vida dura de luta pela sobrevivência da sua família, longe da sua terra. No outro sabe-se que os culpados foram jovens adolescentes sem família nem afectos, criados numa Instituição Social. Em qualquer dos casos as vitimas não são os causadores nem os responsáveis pelas situações de vida dos culpados. Em nome dessas situações, não podemos desculpabilizar os culpados, nem culpabilizar as vítimas.
Nestes casos não há dois lados. Ou, melhor há. Só que um dos lados somos nós próprios. Os que, cruzamos os braços e, de vez em quando, fazemos uma qualquer contrição de fé. Em que teimamos encontrar Deuses e Diabos. Como se ao homem, para não agir como ser humano, não bastasse, ser homem.
A violência que grassa nos nossos dias é o resultado da instabilidade, da falta de futuro, da ausência de sonhos, do desemprego, da fome. Os responsáveis pela instabilidade, pela ausência de sonhos, pelo desemprego e pela fome, não são as vítimas inocentes dessa violência. Se não tivermos sempre esta verdade presente nos nossos espíritos, arriscar-nos-emos sempre a desculpabilizar crimes e a não culpar criminosos. Os que cometem a violência gratuita e os responsáveis que provocam a violência organizada e institucional.
A luta contra o racismo passa por entender, por lutar para que a cor da pele não retire direitos. Nem justifique crimes. E são assustadoramente reaccionárias as posições que teimam em "aceitar" e "compreender" uns ou outros

Publicado por Troll Urbano às 10:25 PM | Comentários (17)

O Troll com Abril - XIV

Por:Isabel Faria

Continuando a publicar alguns cartazes sobre o 25 de Abril, aqui fica este. Dos que ao longo dos anos nunca nos sairam da memória. Dos dias em que a poesia saiu à rua. E o sonho.

vieira da silva.jpg

(Mais uma vez Obrigado ao José, por tornar possível estes posts).

Publicado por Troll Urbano às 12:15 PM | Comentários (2)

abril 20, 2006

Joan Miro

Por:Isabel Faria

Faz hoje 106 anos que Joan Miro, nasceu em Barcelona.Uma data como qualquer outra para deixar aqui o Verão. Também porque é uma forma de ver o Mar. E nos enchermos de cor.

MiroSummer.jpg

Como também sou uma fã incondicional das imagens com que o Google vai assinalando estas datas, aqui fica a de hoje. Acho linda!!!

google miro.gif

Publicado por Troll Urbano às 11:16 AM | Comentários (17)

Triste

Por:Isabel Faria

Muitas vezes querem-me convencer que eu sou intolerante. Não creio que seja. Apenas tenho memória. E senti, na pele, este tipo de actuação, vezes sem conta. Além disso, tenho presente e reservo-me o direito de nele intervir. E, então, continuo a sentir, na pele, este tipo de actuação, vezes sem conta.
Às vezes, digo que o tipo de linguagem que passa pelas nossas Caixas de Comentários não é isolada, nem é tão diferente assim da "oficial" e olham para mim com ar desconfiado...
Não resisto a deixar estes links. Nem sequer a dizer que gostaria que, mais de trinta anos depois do 25 de Abril, o PCP que tanto lutou contra o fascismo, já tivesse aprendido a viver em Democracia e a respeitar os que pensam de forma diferente. Sem sectarismos nem golpes baixos.
Aqui fica o link para um artigo do Diário do Barreiro e um outro para a resposta do António Chora.
Que se tirem as conclusões. Eu vou continuar a acreditar que, um dia, talvez, no PCP se aprenda alguma coisa.A respeitar os outros, os que pensam duma forma diferente, por exemplo. E que há uma diferença entre adversário e inimigo. Em tudo na vida. Politica, incluída.

Publicado por Troll Urbano às 10:58 AM | Comentários (62)

abril 19, 2006

O q e o Q

Por :Isabel Faria

Tenho andado desde ontem para fazer este post. Uma amiga disse-me (atão, pá??? demora muito???) que a filhota ia aprender o q. E surgiu-me a dúvida para que raio serve o q. Ela também me disse que iriam aprender o h. E também me surgiu a dúvida para que raio serve o h. Agora, com um bocadinho de esforço ainda posso ver alguma utilidade no dito. Sei lá, como apêndice, a gente até lhe dá serventia. E, por principio, não tenho que ter nenhum preconceito contra os apêndices. Agora o q, serve para quê??? Se temos o c que tem a vantagem de ser a terceira letra do abecedário, para que é que havemos de ter metido um c com cauda lá para o fim do dito, sem nenhuma utilidade que se veja, nem sequer que se sinta???
Ce raio de cuantidade de cretinices é ce dizes cuando abres a boca, por exemplo, não era claro? Precisamos do rabo do gajo p'ra quê? Isto só serve para criar confusão nas pobres criancinhas e não nos torna nem mais felizes nem sequer, mais cultos. Aliás, eu sou daquelas pessoas que acha que se devia simplificar tudo nas nossas vidas. E assim como podiamos muito bem passar sem o Cavaco, sem os Impostos e sem as alergias da Primavera, que me fazem estar aqui com um olho que parece o Estádio da Luz, em dia de jogo (eu nunca entrei num Estádio de Futebol, mas o Daniel tem-me contado) também podiamos passar sem rabos de letras. Letras com rabo é outra história, porque, por exemplo, o b tem um rabinho para cima e é uma letra muito útil. Aliás o B grande já não tem rabo. Agora o Q grande mantém o dito e é, ainda, mais rídiculo, já que é um rabicho pequeninito, arrebitado para baixo (deve haver um termo para dizer arrebitado para baixo, já que arrebitado parece que é para cima, mas não faço ideia cual é (tão a ver???)).
Naquela minha missão de escrever sem nada dizer, aqui está de novo mais uma modesta contribuição. Adoro servir os meus admiradores.

Nota: Em caso de extrema necessidade, ainda podia admitir que se juntasse um , ao c, ficando assim ç. Claro que também era um rabo, mas, pelo menos, era descartável.


Publicado por Troll Urbano às 01:42 PM | Comentários (11)

O Troll com Abril - XIII

Por:Isabel Faria

25Abril-Povo-MFA1.jpg

Sou uma invejosa...a minha amiga Émièle está a publicar no Pópulo cartazes alusivos ao 25 de Abril. Passo lá diariamente (ela pensa que não, mas eu JURO!!!) e fico com aquele apertozinho no lugar, onde guardamos as coisa bonitas e inacabadas das nossa vidas. Um amigo (obrigado José) enviou-me alguns cartazes que não resisto a deixar no Troll. Alguns deles guardo-os num cantinho da memória ( o de hoje, por exemplo), todos eles me provocam aquele tal aperto dos que a Émièle publica. Não sei como se chama o aperto : saudade, frustração, desencanto, tristeza, alegria, vontade, força. Se calhar chama-se tudo isto. Não o defino. Sinto-o. Como tenho a certeza todos os que os veêm, passados mais de trinta anos. Que nos parecem, apenas, ontem. Ou amanhã?

Publicado por Troll Urbano às 01:03 PM | Comentários (6)

A Exterma Direita na Grã-Bretanha

Por:Isabel Faria

A linguagem é a conhecida.O racismo, a xenofobia, a intolerãncia, o apelo aos sentimentos de medo e de insegurança.
O PNB defende "uma paragem imediata à entrada de imigrantes não brancos" e a "reposição voluntária dos elementos de cor aos seus países de origem". (reposição voluntária, quando se trata de imigrantes, é um termo, por si só, assustador).
A supremacia da raça, qualquer membro do Partido tem que ser britãnco ou ter ascendência de "etnia europeia", e as lutas contra as leis de imigração e contra a comunidade muçulmana, são as faces da moeda da Direita nazi, em Inglaterra.
O assustador é que, segundo as sondagens mais recentes, o Partido poderá alcançar os votos de mais de um quarto do eleitorado britânico, nas eleições locais do inicio de Maio, segundo informa hoje o JN.
A Extrema Direita usa o medo, apela ao ódio e acena com a insegurança. Em inglaterra com Griffin, em França com Le Pen ou em Portugal com quem, ainda há pouco, inventou um "arrastão" para acirrar ódios e perseguir cidadãos.
A questão não está essencialmente na linguagem. Essa é a da Direita de sempre. Com mais ou menos ódio. Mais ou menos disfarçadamete racista. A questão está em quem o desemprego, o medo, a insegurança, a falta de prespectivas torna terreno cada vez mais fértil para essa linguagem. Bem pode agora o Partido Trabalhista vir avisar do perigo...como se o medo , a frustração e o desencanto se tratassem com avisos mais ou menos assustados.


Publicado por Troll Urbano às 12:41 PM | Comentários (1)

abril 18, 2006

Estudos que me dão razão

Por:Isabel Faria

grosse_femme03.gif

Oh pá, esta notícia já é mais ou menos velhota. Mas eu também não ando sempre a ver o Portugal Diário, se bem que ache que o devesse fazer para alegrar os meus dias e me fazer pensar um pouco nas notícias importantes que por aí vão, como, por exemplo, um senhor alemão que processou o Coelhinho da Páscoa, acusando-o de ser o responsável pela obesidade e pelos ataques cardíacos. Acho bem que se processe que à custa do gajo sou bem capaz de ter engordado umas gramas, este fim de semana...Se bem que eu, apesar da gripe das aves, ser mais tipo ovo e amêndoas, das francesas, que eu cá mato-me, mas com alguma qualidade.
Então, dizia eu, andava a fazer a minha ronda periódica pelo Portugal Diário