julho 26, 2006
AVÓS

Comemora-se hoje o Dia dos Avós. Não acho piada por aí além a estas coisas de comemorar dias ...mas aqui fica a nota.
O Publico de hoje (vocês desculpem, mas isto de não ter acesso livre às edições on line, condiciona-me um bocado as fones) falava nos avós que levam os netos ao McDonald’s. E que deixaram de usar manta e bengala. A propósito lembrei-me de um episódio passado há uns anos, andava o meu filho, creio, no 7º ano.
Quase todos os dias vinha de autocarro com um colega que vivia perto do Arco do Cego. Um dia, em que o fui buscar à escola, perguntei ao menino se naquele dia não vinha connosco. Respondeu-nos que não. Naquele dia tinha boleia. “O namorado da minha avó vem-me buscar hoje”, explicou.
E não querem vocês que os neo-liberias empedernidos vociferem contra o aumento da esperança de vida...
E vivam os avós...mas se não se importam eu posso não dispensar o namorado, mas prefiro quando chegar à altura já precisar de uma bengalita...sinal que me faltam muitos anos para voltar a mudar fraldas ...
Publicado por Isabel Faria às 12:36 PM | Comentários (3)
julho 01, 2006
Parabéns Daniel !!!!!!!

Fartei-me de pensar que prenda escolher. Não podia dar-te tudo, que a vida custa a todos. Não me consegui decidir qual preferirias...
Pensei numa francesinha (das do Porto), mas penso que querias logo 3 ou 4.
Pensei muma gaja muita boa, de preferência parcamente vestida, mas tinha que escolher uma loura, morena ou ruiva, e não me pareceu justo.
Ainda achei que te devia oferecer um bonequito a dizer Benfica Campeão, mas, pera lá, curto-te um cadito, mas não exageres...
Umas canecas ou umas imperiais, era boa ideia, mas um barril tinha mau ar, e não sou semítica...
Depois, não se fazem esses anos, todos os dias (aliás, eu acho que qualquer pessoa normal não faz esses anos...muito menos pessoas normais e decentes...é uma indecência fazer 33 anitos...uma falta de chá, diria mesmo.).
Olha, ficas só com um sorriso, grande. Do tamanho do prazer que nos dá ter a sorte de, na vida, encontrar algumas pessoas. Como eu tive em te encontrar a ti, amigo. E o desejo de, dentro de 50 anos, já tu velhote, desdentado, barrigudo e de bengala e eu ainda uma moçoila robusta, elegante e bem encarada, nos podermos encontrar para uns caracóis e umas bejecas. E nos intervalos havemos de escrever uns post para o Troll.
Parabéns Daniel. Tem um óptimo dia. O de hoje e os que aí vêm!!!!
Publicado por Isabel Faria às 10:53 AM | Comentários (7)
junho 25, 2006
Estagiário - II

Na carta em que respondia ao anúncio, ele avisava que até ao dia 10 de Julho ia escrever pouco. É assim, entretanto o Daniel volta, mas como os outros se reformaram. não me parece mal...é maduro qb, não parece que use cachucho, está a jogar melhor que nunca, na carta de resposta que lhe enviei pedi-lhe para não pensar no Troll, esta noite...e se querem que vos diga, acho que está cada vez mais com tudo no sítio...isto é, está tipo Vinho do Porto.
Claro que ainda faltam mais uns tantos...mas se a votação fosse hoje, era o meu escolhido. Seja qual for o resultado do outro emprego dele, daqui a nada, na Alemanha.
Publicado por Isabel Faria às 05:08 PM | Comentários (2)
junho 24, 2006
Dia de...muitos amores.

Todos os dias para o Amor de todas as cores.
Publicado por Isabel Faria às 09:59 PM | Comentários (1)
junho 23, 2006
Estagiários - 1

Tenho estado preocupada. Não ando numa boa onda. Não me apetece escrever. Os meus (ex) colegas de Blog reformaram-se e o Daniel vai de férias e depoiis vai laurear a pevide não sei para onde. Sei que não vou conseguir aguentar este monstro sozinha. Ando, portanto, à procura de estagiários. Não pago bem, mas prometo ser simpática e atenciosa qb.
Assim que soube das férias do Dani meti um anúncio (desculpa lá não te ter dito...mas olha, também não se pode saber tudo...) e acabei de receber a primeira resposta. Deixo aqui à consideração das minhas leitoras. Acho que lhes deviamos arranjar uma pontuação de 0 a 10. O mais votado passaria a colaborador permanente do Troll. Se nos apressarmos a escolher, o Daniel pode prolongar as férias, que bem precisa de descansar. Imagino que ele não vá falar sobre o Cavaco e a Câmara do Seixal, mas eu sempre achei que, às vezes, caladinhos também dão jeito. Não incomodam e ficam com mais tempo livre para as coisas importantes. Aqui fica, portanto, o primeiro candidato. Não faço ideia como se chama, mas isso também não é importante. Não faço nenhuma intenção de o chamar...pelo nome.
Nota: para a classificação o pormenor das fronhas não é importante. Obrigado.
Nota II: Coloquei este post na categoria de Comemorações, por motivos creio que óbvios.
Publicado por Isabel Faria às 11:04 PM | Comentários (6)
junho 12, 2006
Parabéns amiga

Queria dar uma prenda a uma amiga especial, que faz hoje anos...mas quando as amigas são tão especiais como esta amiga é, não há prendas especiais que se possam oferecer. Nada é suficientemente especial para ser dado...nada do que se possa dar, nada que eu possa dar...
...ou talvez haja. A memória pode-se dar. Um pedacinho da memória de outros tempos e outros dias. Não éramos mais nem menos felizes, então, creio. Tal como hoje, eramos nós. Noutros lugares, com outras pessoas, sem algumas outras. Em comum, para além de nós as duas, havia estas casas e a serra...e havia aquele sentimento que nós sabemos, e sabemos porque se sente na pele, qua dura para sempre...que vem de sempre. Há pedras quentes, não há??? Aquelas embrulhadas em pratinhas que eu levava para a escola e que me aqueciam as mãos nas manhãs frias do Inverno frio do Ribatejo...é assim que vejo o que nos une, duradouro e quente como uma pedrinha embrulhada em prata.
Não te posso dar o Piódão...posso dar-te a nossa memória dele.
Parabéns, comadre, amiga, cumplice...e o resto todo que só a gente sabe.
Parece que gosto um bocadito de ti...sei lá, é cá uma impressão....
Publicado por Isabel Faria às 05:28 PM | Comentários (5)
junho 10, 2006
Que seja dele!!!

Dantes, lembro-me que era o Dia de Camões. Parecia-me bem. Afinal os Lusíadas, o olho, e o resto todo davam muito bem para um dia inteirinho.
Depois, não faço ideia quando, juntaram-lhe Portugal e mais as Comunidades e pareceu-me que o dia começava a ter um bocado a mania das grandezas, mais olhos que barriga. Pelo meio, ainda houve quem metesse a raça nisto, mas aí nunca percebi se se falava de siameses ou de caniches, daqueles de lacinho.
Pelo meio os Presidentes da República aproveitam sempre para distribuir medalhas e por ir dar uma volta a uma cidade qualquer. Desde há uns anos para cá, meia dúzia de atrasados mentais, ressabiados e com a mania que gostam de dar tiros e de serem puros decidiram vir gritar, para a rua, umas palavras de ordem tão atrasadas, ressabiadas e energúmenas como eles. Apesar de perigosos (basta não esquecer a telenovela da passada semana) e de passearem com T shirts com a cara do Marcelo Caetano, continuam a poder andar para aí a fazer as sua “traquinices” impávida e impunemente.
Quanto a nós, resta-nos gozar o Feriado que, este ano, se armou em traidor e calhou a um Sábado, dar um passeizeco ate à praia, fazer umas compras, ver mais dez horas de Mundial…e já agora ler um poema do Camões. Afinal, acho que ele nunca cedeu a propriedade do Dia ao caniche dos tó-tós.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Publicado por Isabel Faria às 11:11 AM
junho 03, 2006
O processo da metamorfose

Estou aqui, mais do que isso não sei.
Há oitenta e dois anos, aos quarenta e um anos de idade, tuberculoso, morreu Franz Kafka.
De vez em quando, continua a acontecer-nos acordarmos transformados em insectos. Nem sempre gigantes.
Publicado por Isabel Faria às 07:48 PM | Comentários (1)
junho 01, 2006
1 de Junho

Foto de Francis Harrisson
“É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir.” , José Gomes Ferreira, Aventuras do João sem Medo
Publicado por Isabel Faria às 09:19 AM | Comentários (2)
maio 25, 2006
Il regestra

The man is back. Hoje vão acabar 12 anos de sonhos. Hoje vai ser transformado em realidade o maior desejo de todos os benfiquistas. A nossa lenda viva, o nosso "menino" vai voltar a casa. Há quem diga que está velho. Há quem diga que vem para a reforma. Digam o que quiserem. Se o que dizem fosse honesto deviam estar felizes por Rui Costa voltar á Catedral. Porque não vai acrescentar valor. Mas sabem que isso não é verdade. Rui Costa acrescenta valor em todas as vertentes ao clube. A começar logo pela parte comercial. Camisolas, canetas, canecas, bolas e tudo o mais que tiver a imagem do Rui será fonte de receita. Mas na parte desportiva não consigo compreender como se diz que um jogador com menos de 25 anos está imaturo e tem muito que aprender e a partir dos 31/32 está velho. Então joga á bola quando? Canavarro voi vendido ao AC Milan esta época com 36 anos. Maldini tem 39. Baresi jogou até aos 40. Costacurta foi titular até aos 39. Lothar Mataeus foi titular do Bayern até aos 38, Alan Shearer jogou no Newcastel atá aos 38 e os exemplos que eu poderia dar aqui eram mais que muitos mas acho que estes chegam para explicar o ponto de vista.
Rui Costa é uma lenda viva do nosso clube. Lembro-me do então jogador do Fafe (emprestado pelo Benfica), marcar um golo fabuloso ao México no Mundial sub-20 de Lisboa. Lembro-me de o ver marcar o penalty contra o Brasil nesse mesmo Mundial. O que resolveu tudo, o da vitória, para vir a correr para junto da nossa bandeira (a que tinhamos levado para pôr na vedação da Luz) e comemorar conosco o feito. Lembro-me do golo contra a Irlanda. Um chapéu com mais de 30 metros que nos pôs no Europeu da Belgica. Não me consigo esquecer do golaço contra a Inglaterra na Catedral que deu a reviravolta no resultado durante o Euro 2004, quando já diziam que ele estava velho. A imagem do golo que ele marcou na Luz, pela Fiorentina, com um estádio a aplaudir e ele sem saber o que fazer começou a chorar porque marcou um golo ao seu Benfica. Não compreendeu que um golo dele será sempre um golo do Benfica e se tivermos de perder que seja com um golo dele. Lembro-me da sua estreia nas competições da UEFA contra o Sparta de Praga.........
Por tudo o que eu me lembro e que seria fastidioso enumerar aqui só posso estar feliz pelo regresso do nosso Rui. Vem que a tua casa estará sempre aberta para ti. De portas escancaradas.
Publicado por Daniel Arruda às 09:33 AM | Comentários (4)
maio 22, 2006
Happy birthday, Sir

Parabéns à família. O papá faz hoje a bonita idade de 147 anos (se não me enganei nas contas...Edimburgo, 1859...é isso né???).
Este post é também um desejo de boa semana para todos os admiradores da dupla (do trio), em especial (desculpem lá, mas eu sei que ele é o fã nº1) para o meu colega Daniel.
Já agora e para não andar sempre aqui a colocar o Google...espreitem o Google. Aquela gente encanta-me!!!!
Publicado por Isabel Faria às 07:55 AM | Comentários (2)
maio 09, 2006
Telegrama
Por:Isabel Faria

Eh pá, vocês desculpem lá, eu quase não vir aqui hoje, mas tou cheínha de trabalho. Ponto.
Não posso, no entanto, mesmo muito rapidamente, deixar de fazer este post. Ponto
Parece que hoje se comemora o dia da Europa. Ponto.
Cada País tem um representante e assim. Ponto.
O nosso representante é o Pastel de Nata. Ponto.
Entre o Cavaco, o Sócrates e o Durão Barroso, esta decisão só pode ter o mau total apoio. Ponto.
Até mesmo entre o pastel de nata e o Figo ou o Mourinho, eu também escolhia o Pastel de Nata. Ponto.
Com maíuscula. Ponto.
Fica aqui a fotografia do nosso representante. Ponto
Eu agora vou almoçar (tão a ver como sou tadinha...só agora...) e vou tentar comer um representante como sobremesa.Ponto.
Garanto-vos que é a primeira vez que como um representante do País. Ponto.
Publicado por Troll Urbano às 01:30 PM | Comentários (4)
maio 07, 2006
As prendas
Por:Isabel Faria

SOCORRO!!!! Afinal, o meu filho deu-me umas prendas. Um saquinho de bombons Rajá (cum caraças, parecem aqueles da Regina de antigamente, com creme dentro e papelinhos de muitas cores, assim tipo dedal, lembram-se?), um Toblerone, um saquinho de chocolates Nestlé, uma lata de leite condensado ...e uns brincos muita giros...
Ok, os brincos eu compreendo, porque o Bono os rouba todos... o resto das prendas terá algum significado ou alguma mensagem especial??? Tou com medo de lhe perguntar...
Publicado por Troll Urbano às 09:59 PM | Comentários (3)
Dia da mãe
Por:Isabel Faria

Há uma altura em que torna complicado começar a falar no dia da Mãe. Quando nos tornamos mães. Enquanto somos, apenas, filhas, o dia da mãe serve-nos para lhes mostrar o que elas são para nós, com mais ou menos cedências ao consumismo, aproveitamos sempre por fazer questão de lhes lembramos que nos recordamos dos beijos e dos ralhetes, das vezes em que nos apeteceu dizer-lhes não te quero perder nunca ou das outras em que nos contivemos ou não, para lhes dizer deixa-me viver a minha vida, deixa-me em paz, deixa-me crescer. Enquanto somos, apenas, filhas, dividimos os momentos com elas entre os que compreendemos e adoramos e os que não compreendemos e nos apetece fugir. Enquanto somos, apenas, filhas, apetece-nos pedir-lhes nunca me deixes e dizer-lhes compreende que tenho que te deixar…
Quando nos tornamos mães as coisas complicam-se…não os queremos perder, não queremos que eles queiram partir, apetece-nos prolongar os momentos em que eram só nossos, sabemos que lhes demos asas e mãos e coração e temos medo de uma coisa e de outra. E de outra. Ficamos felizes de os ver crescer e apetece-nos chorar por já não vermos os nossos bébés. Queríamos enchê-los de beijos e sabemos que nos vão achar lamechas.
Esta noite a minha mãe reclamava zangada porque não ia lá este fim-de-semana e eu tentava explicar-lhe as milhares de razões porque não dá. Sem que ela tivesse entendido.
Esta noite o meu filho saiu com a namorada e acabou de me ligar a explicar as milhares de razões porque se está a demorar mais. Sem que eu entenda.
Deve ser na altura em que deixamos de ser apenas filhas, que passamos a perder a capacidade de entender como nos fazia tanta impressão que as nossas mães não entendessem.
Lembramo-nos de passear com elas pela mão e de levarmos os nossos filhos pela mão. E falta-nos uma coisa e outra. Deve ser crescer, né?
Publicado por Troll Urbano às 01:39 AM | Comentários (5)
maio 02, 2006
Campeonato nos bastidores do Troll...
Por:Isabel Faria
Desculpem, mas creio que tenho que vos contar isto. Para além de nos colocar teimosamente no topo do número de comentários, o que só temos que agradecer, neste momento, desenrola-se nos bastidores no Troll, um emocionante duelo entre o comentário da nossa comentadora de serviço e este:
"Just a few of the penis enlargement methods are really working.VP-RX offers one of these methods: penis pills. VP-RX penis enlargement pills offer one of the safest and long term penis enhancement".
Para já, os da nossa comentadora vão ainda à frente...mas os do just a few um bocadinho maior...estão mesmo, mesmo a alcançá-la.
Amiga, não desistas, estamos contigo. Não te vais deixar vencer por um anúncio a uma coisa milagrosa que faz milagres em orgãos sexuais masculinos...continua. Vai em frente!!!!
Ir-vos-emos dando conta do desenrolar do campeonato. No final o/a vencedor/a terá direito a um prémio. Nós, aqui nos bastidores, não podemos esconder a emoção...
Publicado por Troll Urbano às 10:43 PM | Comentários (6)
maio 01, 2006
Maio
Por:Isabel Faria

Uma canção de balanço. E de luta. Um poema lindo sobre o que fizemos e não fizemos. E a certeza que nos encontraremos por aí. Num campo de papoilas ou nas ruas da cidade, numa fábrica encerrada ou num call center, na luta contra a precariedade ou pela despenalização da IVG, nas arcadas do Martim Moniz ou nos Ghetos, na luta por uma saúde para todos ou na de uma Justiça igual para todos, na perservação da memória ou na construção dum futuro mais digno para os nossos filhos, na denuncia da corrupção e dos salários e lucros imorais ou das reformas de miséria e da fome, na luta pela igualdade e contra a descriminação, na substituição do betão frio pelo verde da vida, na preocupação pelo futuro da Terra e na luta contra a Guerra. Uma canção com a certeza que nos voltaremos a encontrar em Abril. Com alegria e com paixão. Quando toda a gente assim quiser.
Publicado por Troll Urbano às 11:17 AM | Comentários (11)
Primeiros de Maio
Por:Isabel Faria
Dos meus Primeiros de Maio, tenho a memória dum dia lindo, gente em todo o lado, muita gente. Com cravos, muitos cravos. A liberdade gritada e vivida a plenos pulmões e de alma cheia. Dizia-se um milhão? Não faço ideia quantos. Sei que havia um desfile na minha terra, mas que consegui convencer o meu tio a trazer-me. E, no meio daquela multidão que fazia a festa e continuava a luta, cresci.

Também tenho a memória, duma partida. Durante muito tempo senti-me responsável por não a ter evitado, parado, retido. Não sei se, às vezes, ainda sinto. Foi uma batalha perdida, que o acaso, o destino ou a escolha quis que fosse definitivamente perdida, no dia em que anos antes sentira e vivera o prazer da vitória, das batalhas ganhas.
Durante alguns tempos, o meu 1º de Maio, sempre teve estes dois dias juntos. O dia dum começo e o dia dum fim. Durante anos, sempre nele coube os gritos de Viva a Liberdade e a dor de perdeste a guerra e perdeste-o. Durante anos, sempre teve os cravos vermelhos que usei e as rosas vermelhas que, às vezes, quando a vida lhe espreitava, me oferecia. Durante anos, nunca soube se ao comemorar este dia, traia a memória de outro dia.
Um dia, não há muito tempo, talvez há três ou quatro anos, a sensação de derrota foi dando lugar à Paz. E aí, de novo vivi sem remorsos e sem culpa a memória daquele dia, em que o meu tio me trouxe a perder-me em Lisboa e em Abril.

Depois, cada ano, quando saio à rua para festejar o 1º de Maio, como farei amanhã, comigo vai sempre, a certeza que não se perdem batalhas definitivamente. Nem guerras. Não, enquanto me lembrar da estrela cadente, que numa noite quente de Agosto, alguns anos antes, nos levou a percorrer um pedacinho de caminho comum. E nestes últimos anos, desde que voltei à rua no 1º de Maio, há sempre uma palavra de ordem qualquer que é dita por nós. Apenas para nós.
Publicado por Troll Urbano às 12:21 AM | Comentários (6)
abril 27, 2006
Parabéns
Por:Isabel Faria

Um destes dias quando ela vier a Lisboa, vou-lhe dizer que tenho uma coisa para lhe mostrar. Ali, filha???...não gosto nada dessas coisas...mas eu insisto e sei que vai acabar por ler...
Foi sempre o nosso travão. O meu e o do meu pai. O travão das nossas loucuras, dos nossos sonhos desenfreados, dos nossos vôos sem rede, dos nossos trabalhos inacabados. Se um carro não tiver um travão, choca. Contra as paredes, contra as pessoas, contra a vida.
Às vezes, fico muito zangada porque se preocupa com tudo.E digo, mãe porque é que te perocupas com tudo...porque alguém se tem que preocupar e talvez por gostar tanto de vocês, não...pois. Um dia o telemóvel do João Pedro, estava com umas vozes esquisitas e eu liguei aos hospitais todos, à Policia...quase ao Presidente da República...
Um dia desmaiou...prepare-se para o pior disse o médico...como se alguém se pudesse preparar para o pior, quando nos falam da nossa mãe. Não preparei. Depois o pesadelo passou. E ela voltou. Tinha mudado as coisas lá em casa. Ralhou muito...então deitaste tudo fora...tudo não, só algumas coisitas que não serviam para nada...o teu pai guarda tudo...tu deitas tudo fora...também é só nisso que são diferentes...e não sei o que é pior. Mas é bom voltar para casa. Foi bom, madrezita (aprendi com o teu neto, o que é que queres???). Nunca me poderia ter preparado. Tu sabes que eu guardo sempre tudo para o último dia...conheces-me há quanto tempo???? Bué...ok, também são maluquices do teu neto....olha, não sei se te digo sempre quanto gosto de ti...mas sei que tu sabes mesmo quando eu não digo. Mas hoje digo. Assim, a grande e alto. Para toda a gente ouvir. Os parabéns não. Isso foi logo, logo manhãzinha. Acordei-te e tudo...Gosto. Mesmo. E o que seria de mim sem o teu travão...andas há anos a tentar convencer-me que para voar é preciso ter asas. Estou, quase, quase convencida. Só que às vezes esqueço-me...mas eu sei que tu me vais avisando...olha não comas muitos doces. Cuidado com o colesterol e com a tensão...não sou só eu que tenho que ter juizo. Se tu tens idade de ser minha mãe, eu tenho idade de ser tua filha. Nunca te esqueças disso!!! E ok, eu repito, pronto, tu adoras que a gente te dê os Parabéns. Parabens, mãe. Gosto mesmo.
Publicado por Troll Urbano às 05:45 PM | Comentários (7)
abril 25, 2006
E no fim do dia, amanhã
Por:Isabel Faria

Quando o dia chegou ao fim começou o futuro. Pena que o tivessemos, em tantas ocasiões, deperdiçado ou, pelo menos, adiado. O poder estava ali mesmo. Nos moradores dos bairros. Nos trabalhadores das fábricas. Em nós e nas nossas mãos. O Poder de mudar. O Poder de criar. O Poder de viver. Tudo era possível. Como pudemos perder tantas lutas? E abdicar de tantos sonhos? E desistr de tantas batalhas? Mas, como dizia o Sérgio, VENCER É LUTAR. E a gente vai continuar a lutar. Afinal, o menino que correu mundo, a colocar um cravo vermelho na espingarda dum soldado, feito povo, esperava isso de nós. Não temos o direito de o defraudar.
Publicado por Troll Urbano às 07:57 PM | Comentários (4)
Parabéns, amiga
Por:Isabel Faria

Quando soube o dia em que nasceste fiquei sempre com um bocadito de inveja...logo eu que nasci num de tão má memória.
Ontem não deu para estar onde, quando um dia saltámos deste para o outro mundo, o a sério, combinámos que haveria de estar. Sei que compreendeste.
Os amigos, os a sério são assim. A gente até pode não se ver todos os dias. Nem se falar sempre. A gente até pode não passar na casa uns dos outros, a gente até pode não estar sempre perto, mas estamos sempre junto.
Uma amiga como tu é assim como um trevo de quatro folhas que se encontra na vida. Daqueles que depois, ano após ano, guardamos bem guardadinhos na folha do livro que mais gostamos. Naquele a que se volta sempre. Para termos a certeza que nunca o perdemos.
Parabéns amiga. Havemos de compensar a falta de ontem. Um abraço do tamanho do que me tens dado ao longo deste ano. E um beijo...sei lá, amiga, um beijo do tamanho daquelas paisagens alentejanas enormes, cheias de papoilas e com o horizonte a perder de vista, de que tanto gostas.
Publicado por Troll Urbano às 10:09 AM | Comentários (6)
O Troll com Abril - Sempre
Por:Isabel Faria

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
Publicado por Troll Urbano às 12:01 AM | Comentários (27)
abril 24, 2006
O Troll com Abril - XVII
Por:Isabel Faria
Um dia antes, ou tudo o que falta ainda fazer.

Viémos com o peso do passado e da semente
esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
só se pode querer tudo quando não se teve nada
só quer a vida cheia quem teve a vida parada
só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
(Sérgio Godinho - Liberdade)
Publicado por Troll Urbano às 08:03 AM | Comentários (6)
abril 23, 2006
Dia Mundial do Livro
Por:Isabel Faria

Por nada de especial que a história dos dias de são apenas dias de...mas quem sabe, uma lei que obrigasse a pagar uma multa a quem abdica de prazeres. Que se esquece deles. Se habitua a passar sem eles. Passar sem um livro devia ser passivel de multa. Como abdicar de, numa cadeira confortável, pertinho da janela enquanto o Sol se põe, ou ao deitar enquanto o sono não chega, pegar num livro e partir? Como desistir da(s) viagem (viagens)?
Lê-se cada vez menos. Pobres de nós, que nos conformamos, cada vez mais, em não partir.
Publicado por Troll Urbano às 04:13 PM | Comentários (6)
abril 21, 2006
O Troll com Abril - XIV
Por:Isabel Faria
Continuando a publicar alguns cartazes sobre o 25 de Abril, aqui fica este. Dos que ao longo dos anos nunca nos sairam da memória. Dos dias em que a poesia saiu à rua. E o sonho.

(Mais uma vez Obrigado ao José, por tornar possível estes posts).
Publicado por Troll Urbano às 12:15 PM | Comentários (2)
abril 20, 2006
Joan Miro
Por:Isabel Faria
Faz hoje 106 anos que Joan Miro, nasceu em Barcelona.Uma data como qualquer outra para deixar aqui o Verão. Também porque é uma forma de ver o Mar. E nos enchermos de cor.

Como também sou uma fã incondicional das imagens com que o Google vai assinalando estas datas, aqui fica a de hoje. Acho linda!!!

Publicado por Troll Urbano às 11:16 AM | Comentários (17)
abril 19, 2006
O Troll com Abril - XIII
Por:Isabel Faria

Sou uma invejosa...a minha amiga Émièle está a publicar no Pópulo cartazes alusivos ao 25 de Abril. Passo lá diariamente (ela pensa que não, mas eu JURO!!!) e fico com aquele apertozinho no lugar, onde guardamos as coisa bonitas e inacabadas das nossa vidas. Um amigo (obrigado José) enviou-me alguns cartazes que não resisto a deixar no Troll. Alguns deles guardo-os num cantinho da memória ( o de hoje, por exemplo), todos eles me provocam aquele tal aperto dos que a Émièle publica. Não sei como se chama o aperto : saudade, frustração, desencanto, tristeza, alegria, vontade, força. Se calhar chama-se tudo isto. Não o defino. Sinto-o. Como tenho a certeza todos os que os veêm, passados mais de trinta anos. Que nos parecem, apenas, ontem. Ou amanhã?
Publicado por Troll Urbano às 01:03 PM | Comentários (6)
abril 17, 2006
O Troll com Abril - XII
Por:Isabel Faria

"Contra ti se ergue a prudência dos inteligentes e o arrojo dos patetas
A indecisão dos complicados e o primarismo
Daqueles que confundem revolução com desforra.
De poster em poster a tua imagem paira na sociedade de consumo
Como o Cristo em sangue paira no alheamento ordenado das igrejas
Porém
Em frente do teu rosto
Medita o adolescente à noite no seu quarto
Quando procura emergir de um mundo que apodrece".
Che Guevara - Sophia de Mello Breyner -1972
Em todos os nossos quartos de adolescentes, a foto com a boina e a estrela. Normalmente, a preto e branco. Recordo que um dia me ofereceram uma assim, com fundo vermelho. Porque a Revulução se faz a vermelho, disseram-me.
Como escrevia Sophia, com ele, cada um de nós, enquanto sonhava com novos Mundos, procurava emergir do mundo que apodrecia, da tristeza e da noite.
Não sei se fomos nós que crescemos com o Che ou se foi o Che que nos fez crescer. Mas, muitas vezes, a foto do Che em cima da cama ou da secretária era a senha para nos sentirmos livres, mas, sobretudo, seguros, nas casas dos amigos por onde passavamos. Às vezes, eramos muito novinhos para falar em politica. Tinhamos medo de falar, dados os avisos dos nossos familiares e amigos mais velhos. O Che era a garantia de que estavamos em terreno amigo. Ali, em baixo do olhar firme do sonho num Mundo melhor, perdiamos o medo. Era para perder o medo que não o tiravamos de cima da cama. E para acordar do pesadelo. Sonhando.
Quando os meus pais estavam em França, descobri o Diario do Che em italiano, num caixote de livros que a dona da casa onde viviamos me ofereceu. Foi a minha companhia nas férias todas. Só voltou para Portugal quando, já depois do 25 de Abril os meus pais voltaram. O meu pai achou mais seguro não o trazer na mala, quando voltei sozinha...não fosse a PIDE tecê-las.
O retrato do Che manteve-se lá mais alguns anos...era, sobretudo, a certeza que não sonhava sozinha.
Publicado por Troll Urbano às 09:17 PM | Comentários (11)
O Troll com Abril - XI
Por:Isabel Faria

Passava-se fome em Portugal. O País, apesar das remessas dos emigrantes, apresentava em vésperas do 25 de Abril um défice de mais de 6 milhões de contos, na balança de pagamentos. A inflação era superior a 30%, se comparados os preços de Março de 1974 com os de Março de 1973, a Guerra Colonial levava cerca de 45% do orçamento do País. A carga fiscal era suportada pelos mais pobres. A especulação tomara conta da Bolsa e dos bens imobiliários O défice era mascarado, com a recorrência sistemática às emissões da divida pública, entrando estas como receita. (dados de aqui)
Os homens e as mulheres que diariamente abandonavam o País à procura de “sorte noutras paragens”, não partiam pela aventura. A grande maioria deles nem partia em busca da Liberdade que o Regime lhes negava. Partia em busca do pão, que aqui não conseguia ter.
Anos antes, menina ainda, quando o meu pai foi preso, eu e a minha mãe ficámos sem um tostão para comer. Os movimentos de solidariedade que então se criavam à volta das famílias dos presos políticos, não eram suficientes em terras onde a resistência era grande, mas a repressão era, ainda, maior. Não tivessem sido os meus avós a alimentarem-nos e não teríamos podido sobreviver, durante aqueles tempos. Já recordei, aqui, um dia quando ao colo da minha mãe descobri, uma moeda preta, pequenina, esquecida e perdida debaixo da camilha cor de vinho. Ainda hoje, recordo o meu salto de alegria e os olhos molhados da minha mãe. No outro dia poderíamos comprar pão, sem ter que recorrer aos meus avós.
Durante muitos anos, já o meu pai em liberdade, lembro-me que ainda pagámos as dívidas que a minha mãe tinha contraído a familiares e amigos, para o podermos ir visitar a Caxias.
Quando o meu pai foi para França, o que ganhava no emprego e nos biscates de marceneiro que fazia em casa, de manhãzinha e até a altas horas da noite, não nos davam para sobreviver.
Eu frequentava, então, um colégio particular, na minha terra. Não havia outra hipótese. Não havia ensino público. Para pagar as mensalidades, tivemos que recorrer à ajuda (nos momentos de maior indignação o meu pai usava sempre “à esmola”) da minha madrinha rica. Até entrar para o Liceu foi sempre ela que me pagou as mensalidades. Apesar do que isso na altura doía, guardo ainda hoje uma gratidão, que algumas vezes me incomoda, outras me revolta, mas a maioria me enternece.
Um dia, andava no colégio e tive um problema de saúde. Era extremamente nervosa e comecei a sofrer consequênciais físicas disso. Uma colite modificava os meus dias e obrigou os meus pais a terem que recorrer a um médico particular (não havia outros…). Tivemos que adiar, no entanto, o tratamento. Acabaria por ser com o primeiro dinheiro que o meu pai enviaria de França que acabei por ir tratar-me a Santarém. Ainda hoje penso que foi a necessidade urgente desse tratamento que levou o meu pai a decidir partir daquela forma urgente…
Nas ruas encontrava, crescia com outros filhos de outros homens e mulheres sem trabalho e sem pão.
As “malsarias”, os meloais, a emigração. acabariam por mudar totalmente as nossas vidas.
Quando me falam de antes do 25 de Abril, como se a memória se tivesse apagado, lembro tudo o que há a fazer, é certo. Mas, sobretudo, não esqueço. Nem a moeda perdida, nem a vergonha de ir buscar o envelope à minha madrinha, nem a voz assustada e desesperada da minha mãe a perguntar ao médico de Santarém se o tratamento podia aguardar uma ou duas semanas…
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abril 14, 2006
O Troll com Abril - IX
Por:Isabel Faria

Não sei com quem comecei. Talvez com o Manuel Freire e a Pedra Filosofal. Lembro-me de a ouvir em casa da minha avó, no rádio com palhinha em cima do pial. Depois, fui ouvindo os outros. Aos poucos. Ou no gira-discos do meu tio, ou no rádio que o meu pai ouvia à noite baixinho quando pensava que eu já dormia. Não sei a ordem. Nem me lembro das canções que ouvia. Lembro-me de me deixar encantar com a voz do Adriano, muito mais tarde, quando uma noite ouvi a Trova ao Vento que Passa. Há momentos, desses anos, em que há sempre uma canção. São os momentos do Grupo de Teatro Amador, das comemorações do Dia Mundial da Juventude ou das idas mais ou menos clandestinas a casa dos amigos que estudavem em Lisboa. Mas isso já foi bem mais tarde. Quando conheci o Sérgio e o Zé Mário. E quando vi um PIDE a proíbir-nos de passar o Zeca no altifalante do Cinema e o vi, depois, de cima do muro, cá em baixo a trautear a Bandera Rossa, sem fazer ideia do que se tratava.
Lembro-me de na última passagem de ano, antes do 25 de Abril termos grelhado chouriços e febras, fechados dentro duma garagem. Para não se ver o fumo nem se ouvir a música. E das vindas constantes à porta.
Creio que foi aí que ouvi a Grandola pela primeira vez. Ouvir com ouvidos de sentir. Passado todo este tempo, imagino que nessa noite de 31 de Dezembro de 1973 para 1 de Janeiro de 1974, senti, já, aquelas palavras com o sonho de poucos meses depois. Mas parecia-nos longe. No primeiro dia de aulas, ao falar ao telefone com um dos nossos amigos que lá estivera, soube que tinham sido presos dois colegas da Residência Universitária, aqui em Lisboa. Lembro-me de lhe sentir medo na voz. Eu que achava que os amigos que já estudavam em Lisboa, nunca teriam medo de nada... Por momentos, devo ter esquecido a força da Grandola de meio dúzia de dias antes. Volaria daí a dias. A força.
Um dia, combinámos vir a Lisboa ver um concerto. Para muito de nós era a primeira vez que vinhamos a Lisboa. Não arranjámos bilhetes. Passámos a noite, enquanto o autocarro não chegava a subir e a descer as escadas rolantes da Estação de Metro do Parque. Também nunca tinhamos visto uma escada rolante ou um metropolitano...não assistimos, portanto, à noite da Liberdade anunciada, mas para muitos de nós, naquela noite, ousámos respirá-la um pouco...em forma de escadas rolantes.E em forma da primeira vez que estavamos longe de casa.
Publicado por Troll Urbano às 12:45 AM | Comentários (3)
abril 10, 2006
O Troll com Abril - VIII
Por:Isabel Faria

Estudávamos em Santarém. Ouvíamos os ecos da resistência que nos chegavam de Lisboa. Da resistência estudantil. Que a outra, tínhamos sempre vivido com ela. De Lisboa chegavam-nos os nossos amigos, mais velhos, que nos contavam as cargas policiais, a morte de Ribeiro Santos, as lutas, as Associações de estudantes. Já nessa altura, se sentiam divisões. Mas sentíamos, apenas. Filtradas pelo entusiasmo com que os nossos amigos, nas noites e nas tardes de fim-de-semana, nos ensaios do Grupo de Teatro, nos traziam novas de Lisboa.
Através de um deles, ouvi falar da Isabel pela primeira vez. Falou-me do atentado contra a Nato. E dos porcos vestidos de Américo Tomaz. A medo, passou-me uns panfletos que circulavam, assinados PRP-BR. Olha que é perigoso…avisou-me…Isabelita tem cuidado. Prometido. Tive. Guardei-os até hoje. Pouco tempo depois do 25 de Abril, comecei a viver um Partido. O PRP, não era um Partido como os outros…achava eu, como se tivesse conhecido muitos. Nada é igual a nada, quando se está apaixonado. Quando se tem catorze ou quinze anos e se está apaixonado…Não sei quando conheci a Isabel. Já tinha vindo para Lisboa. Na altura, já tinha lido as acções das BRs antes do 25 de Abril e já tinha entendido que com elas, a LUAR e a ARA, a resistência ao regime também tinha passado pelas acções armadas. Vim trabalhar para o Partido em part-time. E isso ainda me confirmou mais que o PRP não era um Partido igual aos outros. Era tão novinha que me olhavam como se olha para uma mascote…mas eu lá continuava. A paginar o “Revolução”, na Livraria da UPEL e mais tarde a rever e a “construir” o Página Um. Sempre de paixão, em punho. Nessa altura, cada vez que encontrava a Isabel ficava prisioneira do seu olhar límpido e sereno. E procurava entender como alguém que tinha vivido o que ela vivera, conseguia guardar tal limpidez e tal serenidade. Quando nos encontrámos, já muito se tinha perdido. Recordo de um dia ver o filhote, em casa, bebé, deitadinho no berço, acordado, a ouvir música clássica e a brincar com as mãos, enquanto reuníamos na sala ao lado. Nunca esqueci essa imagem… Depois disso a Isabel haveria de ser presa e condenada. O bebé, então já menino, estaria com ela enquanto durou a prisão.
Durante anos não nos revimos. Soube da libertação da Isabel, no dia em que em S. Martinho do Porto, começava a minha “travessia do deserto”. Nas alturas em que fui tendo dúvidas, lembrava-me da notícia que passava na rádio nessa noite de Verão…e continuava. À procura da serenidade que um dia encontrara no seu olhar.
Voltámos a ver-nos no ano passado. Ao vivo. Frente a frente. Depois encontrámo-nos, de novo, durante a campanha de Sá Fernandes. Mantinha o mesmo olhar. Dava-me a mesma paz. Não sei em que altura vi o “Oxalá”, do António Pedro de Vasconcelos. Não sei sequer se tem, no tempo, alguma coisa a ver com a prisão da Isabel. Para mim, foi sempre o filme pós prisão da Isabel. O momento em que não se podiam adiar escolhas nem balanços.
Durante muitos anos, não tive qualquer trabalho partidário. Sempre achei, sempre senti que se um dia voltasse a tê-lo, haveria de, num ou noutro momento, encontrar a Isabel. Encontrei-a. Já tinha, então encontrado a minha própria serenidade. Ela disse-me que se notava no olhar. Acreditei.
A Isabel e o PRP ficarão sempre ligados ao meu 25 de Abril. Apesar de, quando convivi de mais perto com ambos, já o 25 de Abril teimar em se afastar. Não poderia, nestes posts sobre Abril, deixar de os evocar.
Publicado por Troll Urbano às 10:30 PM | Comentários (57)
abril 09, 2006
O Troll com Abril -VII
Por:Isabel Faria
Talvez porque falava de gestos, de rostos, de vozes que eu conhecia, comecei a ler a sério com ele. Depois dos Cinco e dos Sete, depois das histórias românticas de uma colecção qualquer que a minha madrinha (já um dia aqui escrevi que, naquela época, havia sempre uma madrinha rica em cada família), me emprestava, descobri a outra literatura com Alves Redol. Reconhecia-nos quando lia as histórias dos pescadores do Tejo, dos camponeses das lezírias ou dos pescadores da Nazaré. A Nazaré, era a praia de quem nascia no Ribatejo. Os meus pais nunca tiveram possibilidades de me levar à praia. Ia com a minha avó. O meu tio, levava livros do Alves Redol e eu lia. Só em casa. Repetia. É melhor não levares para a praia. Ele não explicava porquê. Mas eu sentia. Devia ter a ver com a diferença das vidas dos Gaibéus e as dos romances que a minha madrinha me emprestava.
Quando o meu pai fez anos, o meu tio disse para escolher um livro para lhe dar, que me daria o dinheiro. Comprei o Barranco de Cegos. O meu pai lia-o, comigo sentada nos joelhos. Pedia-lhe para o ler alto. Assim, era o nosso livro. Voltei a lê-lo sozinha, muitos anos depois. Saiu-me num exame. Já depois do 25 de Abril. Tive a melhor nota do Liceu de Santarém a Português. De décadas, disseram-me. Nunca lhes contei que a origem do feito esteve no livro. Ouvir o Barranco de Cegos, enquanto a noite caía, no telheiro que tínhamos em frente à porta, sentindo o Verão chegar, só podia ter deixado marcas…
Alves Redol funcionou, assim, como o meu cicerone para a vida a sério. Os seus livros foram o passaporte doloroso para a injustiça, a tristeza, a desigualdade, a fome. Que eu via e conhecia nos camponeses que na Praça do Mercado esperavam por serem escolhidos para a semana nos campos. A praça da jorna, onde tantas vezes vi rostos amargos, crispados, tisnados do Sol das Lezírias. Às vezes, queria ir lá a baixo e diziam-me, hoje não. Hoje a GNR está na Praça. Entendia. Que era a mesma história de não dever levar os livros do Alves Redol para a barraquinha da praia da Nazaré. Nos livros que a minha madrinha me emprestava nunca havia policias nem gente à procura de trabalho…esses, podiam-se ler à beira-mar.
Publicado por Troll Urbano às 11:21 PM | Comentários (19)
abril 08, 2006
O Troll com Abril - VI
Por:Isabel Faria
Os três Fs do regime:

O F, do destino, da tristeza, do desgraçadinho e do pobrezinho, da mágoa, da inevitabilidade do sofrimento. Que Ary dos Santos haveria de alterar, em alguns dos mais belos momentos de sempre da Música Popular Portuguesa.

O F, da alegria encomendada, da compensação das derrotas, do esquecimento dos problemas, enquanto duravam os noventa minutos em que nos pés de alguns se colocava toda a inevitabilidade de que o homem tem de sonhar.

O F, da procura da salvação no mais tarde, da procura da felicidade no após vida, da desistência de aqui lutar por um Mundo melhor, com a promessa que o encontraremos se formos obedientes, se não formos subversivos, se tivermos fé. A espera do milagre, passando pela desistência em construirmos o Mundo.
Fado. Futebol. Fátima. Também passou por aqui a longevidade do Regime.
Publicado por Troll Urbano às 04:39 PM | Comentários (3)
abril 07, 2006
O Troll com Abril - V
Por:Isabel Faria

"Politicamente só existe aquilo que o povo sabe que existe", disse Salazar, durante a inauguração do Secretariado de Propaganda Nacional, em 26 de Outubro de 1933
Esta era a divisa de Salazar. Foi a divisa do Estado Novo, para calar a Guerra, para calar a tortura e para calar a fome. Durante 48 anos, a PIDE perseguiu intelectuais e jornalistas, censurou jornais, obrigou a exilar poetas e cantores.
O carimbo da censura estava presente em tudo o que se escrevia. A censura prévia, retirava liberdade e ajudava a manter o Regime.
Escritores, poetas, músicos, cantores, actores, jornalistas, cartoonistas, foram conhecendo na pele a força da PIDE e do lápis azul.
Conforme este texto de José Brandão, no Vidas Lusófanas:
A poucos meses do 25 de Abril de 1974, o então ministro do Interior, Gonçalves Rapazote, ordenava à polícia política para “dedicar um cuidado particular ao imediato cumprimento das seguintes instruções:”
"1 - Relacionar as tipografias que se dedicam à impressão de livros suspeitos – pornográficos ou subversivos;
2 - Organizar um plano de visitas regulares a essas tipografias para impedir, efectivamente, a impressão de textos susceptíveis de proibição;
(...)
5 - Organizar a visita regular às livrarias de todo o País para sequestro de livros; revistas e cartazes suspeitos e para apreensão dos que já estão proibidos pela Direcção dos Serviços de Censura"
Mai à frente, no mesmo texto, dá-se conta dos livros proíbidos nos últimos anos da Ditadira, bem como da sorte de livreiros, escritores e jornalistas. Apesar da proclamada "Primavera" de Marcelo, a PIDE continuou, até ao último momento, a censurar e a perseguir.
Neste post, e contrariamente aos que tenho publicado, não resisto a deixar uma nota de actualidade.
A frase de Salazar, à luz da informação que se cala, da informação que se deturpa, da informação que se escolhe, volta a não nos parecer, nem descabida nem irreal. Não há mais lápis azul. Foi, é diariamente, substituído, pelo poder do Poder económico, pelo poder da classe politica que se perpetua no Poder, pela opção clara, nada inocente, de nivelar por baixo, pela precarização das relações de trabalho dos jornalistas que os obriga a medir palavras e calar perguntas .
Se nos recordarmos da recente campanha eleitoral é muito irreal, a frase de Salazar, em 2006?
Publicado por Troll Urbano às 11:04 PM | Comentários (12)
abril 05, 2006
O Tolll com Abril - IV
Por:Isabel Faria

Morte:
O link que acompanha este post, traz nomes de mortos. Não sei se todos. Não refere os que em Caxias, no Aljube, em Peniche, no Tarrafal foram torturados e que acabaram por voltar a suas casas. Muitos só sairiam com o 25 de Abril.
Histórias:
Dos tempos do meu pai em Caxias, não tenho histórias. Nunca as tive. Nunca entendi se o meu pai nunca me contou os dias passados em Caxias, por pudôr ou para me poupar. Nunca contou. Um dia, já depois do 25 de Abril, estavamos a almoçar num restaurante em Lisboa, e na mesa atrás de nós, ouvimos uma voz de homem. O meu pai estava de costas. "É o R", disse, alto. Da mesa levantou-se um homem grisalho e encorpado. Vi o abraço e a emoção. Depois ficaram horas a conversar. Daqueles anos. Baixinho. "Nâo temos nada a esconder...agora podemos falar. Mas parece que se falarmos para fora, custa mais...desculpem, estarmos a falar baixinho.".
Eu a minha mãe e a senhora que acompanhava o companheiro do meu pai, desculpámos. Nunca levantaram a voz.
Palavras:
Podia ter escolhido o tema original. Escolhi este, ao vivo, do último concerto do Zeca. Pelos aplausos.
Não há palavras para a morte...há. Se vierem dum Homem. A morte saiu à rua. Zeca, numa canção sobre José Dias Coelho e numa homenagem a Adriano.
Publicado por Troll Urbano às 07:34 PM | Comentários (3)
abril 03, 2006
O Troll com Abril - III
Por:Isabel Faria
A Guerra Colonial:
"Grosso modo, Portugal, com 10 milhões de habitantes, fez um esforço de guerra em África cerca de nove vezes superior ao dos EUA, no Vietname, com os seus 250 milhões de habitantes. Portugal mobilizou para a guerra colonial mais de 800 mil jovens, teve 8 mil mortos, 112.205 feridos e doentes, 4 mil deficientes físicos e estima-se que cerca de 100 mil doentes de stress de guerra. 40% do OE destinava-se á Defesa. A isto há que acrescentar a sangria de milhão e meio de emigrantes entre 60 e 74". (Excerto de uma entrevista de Mário Tomé).
Histórias:
No dia em que o meu tio partiu, a minha avó não falou. Vivia com eles na altura, pois os meus pais estavam em França. O meu tio era como um irmão mais velho. Muito mais novo que a minha mãe, filho de um segundo casamento do meu avô viúvo, foi com ele que ouvi pela primeira vez os Beatles e o Francisco Fanhais a cantar a Pedra Filosofal.
Na altura dormia no quarto pequeno junto à rua e todos os dias, minutos depois dele chegar a casa, ouvia os mesmos passos. Os passos que ouvira durante anos, antes do meu pai partir para França, nos dias em que havia ensaio da Banda. As noites do meu tio, sempre foram um mistério. Nunca entendia onde ele as passava, nem o que fazia. Sempre achei que queria crescer assim. Para poder sair depois do Sol se pôr. A noite, apesar dos passos, era, para mim, uma aventura. O meu tio, o herói da aventura.
Quando ele partiu, então, ninguém falou lá em casa. Antes de ir, deixou-me como empréstimo, a " Guerra e Paz". Era tão grande que duvidei que tivesse tempo de a ler antes dele voltar. Assegurou-me que sim. Tive
Durante aqueles anos, ao fim da noite a minha avó e o meu avô, iam para o quarto. A porta ficava semiaberta e, ao passar, ouvia-os rezar. Rezaram todos os dias. Nunca os consegui acompanhar. Algumas vezes, fingi que sim. Era uma forma de lhes agradecer o estarem comigo, apesar da falta que o filho lhes fazia. E do medo. Com o tempo fui deixando de fingir. Eles rezaram até ao dia em que o viemos buscar a Lisboa, de taxi. Lembro-me do navio. Enorme. Só me lembro do navio .E de ver o meu tio chegar.

Palavras:
Menina dos Olhos Tristes
Menina dos olhos tristes
O que tanto a faz chorar?
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.
Senhora de olhos cansados,
Por que a fatiga o tear?
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.
Vamos senhor pensativo,
Olhe o cachimbo a apagar.
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.
Anda bem triste um amigo,
Uma carta o fez chorar.
- O soldadinho não volta
Do outro lado do mar.
A Lua, que é viajante,
É que nos pode informar.
- O soldadinho já volta
Do outro lado do mar.
O soldadinho já volta
Está mesmo a chegar.
Vem numa caixa de pinho.
Desta vez o soldadinho
Nunca mais se faz ao mar.
Reinaldo Ferreira
Publicado por Troll Urbano às 07:44 PM | Comentários (22)
abril 02, 2006
O Troll com Abril - II
Por:Isabel Faria

Filhos de emigrantes portugueses, num "bidon-ville", perto de Paris.
A emigração: A partir dos finais dos anos cinquenta, e durante toda a década de sessenta, sairam para França mais de um milhão e meio de portugueses. Entre eles, muitos que procuravam trabalho, outros que fugiam à Guerra Colonial, muitos ainda que fugiam às perseguições da PIDE. Em 1990 encontravam-se em França, um total de 798.837 pessoas de origem portuguesa - 603 686 mil haviam nascido em Portugal e 195 151 em França- (dados e foto de aqui). Entretanto, a seguir ao 25 de Abril, muitos regressaram a Portugal.
Histórias: Algumas vezes tinha-se que trocar as voltas à censura. A Galiza que Adriano cantava, ficava do lado de cá da fronteira.
Os que partiam tinham que a atravessar para procurar pão. Noutras paragens.
Quando o meu pai partiu, lembro-me de que teve que recorrer a alguém "importante" para obter o passaporte de turista que lhe permitia procurar os meios para nos dar de comer. Em todas as terras, creio, havia sempre alguém assim. Suficientemente "tolerado" pelo Regime para poder interceder, suficientemente solidário, para com aqueles que o regime perseguia, segregava ou para com aqueles que não tinham forma de, por cá, "cortar seu pão".
Não me recordo do dia em que o meu pai partiu. Recordo, apenas, o primeiro postal. Porta-te bem e ajuda a mãe. O pai um dia destes está aí. Um ano depois, ia a minha mãe. Voltariam poucas semanas depois de Abril.
Palavras:
Cantar de emigração - Adriano Correia de Oliveira
Publicado por Troll Urbano às 05:20 PM | Comentários (5)
60 anos
Por:Isabel Faria

Parece que já vendeu mais de 80 milhões de exemplares em todo o Mundo...continua a ser o livro francês mais traduzido e mais vendido em todo o Mundo...é lido por pessoas de todas as idades e de todos os cantos do Mundo...mas temos a sensação que é lido como um bibelot, que nos enternece um pouquinho, não é? Quantas vezes, ao longo do dia, dos dias, das nossas vidas, nos lembramos das palavras da Raposa?
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me! ...
Publicado por Troll Urbano às 12:46 PM | Comentários (3)
Uma posta de ontem
Por: Daniel Arruda
A posta era para ontem, mas não a consegui fazer. Hoje pensei se ainda valeria a pena pois as efemérides devem ser feitas nos dias próprios. Depois pensei que todos os dias deviam ser de exaltação a esse génio que dava pelo nome de Mário Viegas. Por isso postei. Fez ontem 10 anos que este génio nos deixou. Mário Viegas não gostava de homenagens. Espero que esta posta seja vista como um tributo por haver em Portugal um lugar vago no teatro que nunca ninguém conseguiu ocupar e duvido que alguém venha a conseguir.
Publicado por Troll Urbano às 12:45 PM | Comentários (3)
abril 01, 2006
O Troll com Abril
Por:Isabel Faria

De partida para a Guera Colonial
Há um ano, no mesmo Blog, eu e a Émièle, decidimos de formas diferentes, usar o mês de Abril, para viver Abril.
Esta ano, em kugares diferentes, não resisti a seguir-lhe os passos. Esta manhã no Pópulo, aqui e aqui, a Émiéle, dá-nos conta de como vai , este ano, fazer viver Abril. Não prometo a regularidade que ela promete, mas tentarei fazer com que, duma forma ou outra, o 25 de Abril, passe pelo Troll. Ou com uma canção, ou com um poema, ou com uma foto, ou com uma história, ou com alguém a quem quero agradecer ter tornado possivel aquele dia. Daqueles dias, guardo a esperança. E guardo a festa. Dos dias antes, destes, dos últimos dias antes, guardo a falta dos meus pais que tinham sido obrigados a emigrar para que pudessemos sobreviver, o entusiasmo (e a inconsciência) com que colávamos autocolantes do Ribeiro Santos, nas paredes de Santarém, as tardes a ouvir o Zeca e o Chico Buarque ou a ler o Alves Redol e o Gabriel Garcia Marquez, na Apolo e a tristeza. Dos dias e das noites em que se tinha medo de sorrir.
Nos primeiros posts tentarei falar destes dias/anos, que antecederam a esperança. "Falar" com poemas, com música, com fotos. Falar, sobretudo, dando voz a quem resistiu, morreu, foi perseguido, fez uma guerra sem razão e sem futuro. Até porque foi aí que o 25 de Abril se fez dia.
Vamo-nos vendo por aqui...com a certeza que enquanto estiver num Blog, não deixarei o 25 de Abril passar ao lado.
Seria como perder uma parte de mim. Fiz-me naqueles dias. Apesar de tudo o que se passou a seguir, ainda hoje, em tantos (todos?) gestos, em tantas (todas?) palavras, na forma como me dou e como recebo, na utopia de que não abdico (não sou capaz de abdicar?) em nenhum momento da minha vida, sei, e é um sei, sem qualquer pretenciosismo, mas tembém sem qualquer dúvida, que me fiz eu, naqueles dias.
Publicado por Troll Urbano às 10:59 PM | Comentários (11)
março 21, 2006
Porque têm rostos e nomes
Por:Isabel Faria

Concordo com a opinião de que Os Dias De, são uma forma mais ou menos hipócrita, mais ou menos comodista de nos pôr de bem com a nossa consciência. Todos os dias deveriam ser Dias De...só que, normalmente, não são...E como contra factos não há argumentos, como nós próprios no dia a dia, nos esquecemos de tanta coisa...temos consciência que há discriminações no local de trabalho, pela cor da pele; no arrendamento duma casa, pela cor da pele; no atendimento nos hospitais ou na forma como a Comunicação Social tratou o “arrastão de Carcavelos”, ou Alberto João Jardim, os imigrantes chineses, pela cor da pele, mas tantas vezes, na correria do nosso dia a dia, nos esquecemos que os casos têm nomes, e que têm vidas e que têm...pele.
Para mim, portanto, não servem Os Dias De, para muito mais. Apenas para dar, a cada caso de que temos consciência um rosto que conhecemos.
Hoje comemora-se o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial. Porque têm rostos, aqui fica a lembrança.
Publicado por Troll Urbano às 10:03 AM
Parabéns Ayrton...!
Por: Paulo M. de Sousa
Hoje, 21 de Março, gostaria de deixar aqui no Troll a minha homenagem ao malogrado piloto tri-campeão do mundo de F1, Ayrton Senna da Silva, que, caso ainda se encontrasse entre nós, completaria hoje 46 anos de idade (nascido a 21.03.1960).
Apesar do Ayrton nunca ter sido o piloto da minha eleição, ofereceu-me indubitávelmente (assim como a toda a "tribo" dos amantes de F1) momentos únicos na expressão máxima do desporto automóvel. Momentos esses, que ficarão para sempre marcados na minha memória, assim como na história da modalidade.
Devido a um trabalho fotográfico que efectuei para uma revista da especialidade, tive a felicidade de conhecer pessoalmente o Homem em 1991 (ano em que conquistaria o seu 3º e último título mundial), durante os testes de pré-época da McLaren no circuito do Estoril.
Dono de uma sensibilidade incrível, quase "extra-terrestre", amigo do seu amigo, católico fervoroso e sempre pronto a ajudar os mais desfavorecidos. Um facto que lhe granjeou a admiração eterna das classes mais desfavorecidas do seu país de origem, o Brasil.
Fora das pistas, um ser humano extraordinário, mas dentro das mesmas, implacável... Em todos os sentidos!
Fica aqui a minha homenagem ao Homem e ao piloto.
*PARABÉNS*, Grande Campeão... Estejas tu onde estiveres!
Publicado por Troll Urbano às 08:59 AM | Comentários (2)
março 19, 2006
19 de Março
Por:Isabel Faria

Só uma pequenina homenagem aos pais. Tenham um grande dia. E aproveitem os rebentos.
Publicado por Troll Urbano às 12:24 AM | Comentários (8)
março 14, 2006
127º Aniversário
Por:Isabel Faria

"Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio e eis que a verdade se me revela."
Albert Einstein
Publicado por Troll Urbano às 03:23 PM | Comentários (2)
março 12, 2006
Comentários
Por:Troll Urbano
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Para todos nós, o Troll só faz sentido se vos tivermos cá.
OBRIGADO.
Publicado por Troll Urbano às 12:59 PM | Comentários (9)
março 11, 2006
Por: Daniel Arruda
Não vou por fotogrfia neste post. Não me apetece.
Morreu Slobodan Milosevic. Morreu esta noite numa cela do TPI. Tenho pena que tal tenha acontecido. Não pela morte, mas porque morreu sem ter sido condenado pelas atrocidades que cometeu.
Publicado por Troll Urbano às 01:48 PM | Comentários (35)
março 08, 2006
8 de Março
Por:Isabel Faria
Juntar o sonho, a liberdade, a cidadania, o exemplo, a memóra, uma foto e um nome. E comemorar, assim, o Dia Internacional da Mulher.

Maria de Lurdes Pintassilgo
Publicado por Troll Urbano às 01:05 AM | Comentários (26)
março 03, 2006
Marguerite Duras
Por:Isabel Faria

(Marguerite Duras, aos 15 anos).
Não sei quando descobri Marguerite Duras. Sei que a descobri com o Hiroshima, meu amor. E sei que a descobri com o Hiroshima, meu amor, escrito em francês.O que neste livro, para mim, faz alguma diferença.
Por isso, para mim, a escritora que morreu faz hoje dez anos, não é a escritora de o Amante ou da Uma barragem contra o Pacífico. Não. Marguerite Duras, para mim, é a autora de Hiroshima meu amor, que escreveu outros romances, possivelmente melhores que Hiroshima, meu amor, que não é, sequer, um romance, apenas (?) um guião de um filme, que Alain Resnais, transporia para cinema.
Hiroshima Meu amor, fala de um encontro em Hiroshima de um arquitecto japonês com uma actriz francesa, que grava um filme sobre a Bomba Atómica. Apenas isso.
Dum encontro de dois dias, duma paixão de dois dias com hora marcada para terminar, entre dois seres com vidas próprias que iriam manter. Queriam manter. Trata-se de um texto sobre a paixão absoluta. A que não pode resistir a vidas próprias e a futuros. A de um momento. Estas paixões não se podem tranpôr para futuros nem para vidas. Transcendem uns e outros. Vivem por si. Não valem uma vida. São uma vida.
A actriz francesa tinha tido uma outra paixão/vida, muitos anos antes, por um soldado alemão durante a ocupação de França pelo exército nazi. A paixão de então, a que não podia resistir à vida, acabou caída numa rua de Nevers. Durante anos, a actriz francesa que rodava o filme em Hiroshima, guardou essa paixão dentro dela. No livro, nalguns momentos, nos questionamos porque a guardou. Mas no livro, o que, apenas, importa é que a guardou até a voltar a encontrar de novo.
Nem o arquitecto japonês nem a actiz francesa têm nome, durante todo o livro. Numa paixão assim, daquelas que se superam às vidas, porque delas não dependem nem delas vivem, nestas paixões que nunca poderão alterar vidas, porque são a vida, não importam os nomes. Importam as mãos, a pele, os sabores, os cheiros. E dela fica a memória. A paixão, deve ser o único lugar do mundo onde a memória é futuro.
Não sei se Marguerite Duras, esteve, algum dia, em Hiroshima. Eu estive lá com ela. Estou lá com ela, cada vez que me apaixono, em paixões que transcendem as vidas. Porque delas não dependem. Quando, algumas vezes, eu não ando por aqui, estou em Hiroshima ou em Nevers.
Publicado por Troll Urbano às 12:53 PM | Comentários (4)
março 01, 2006
Vergílio Ferreira
Por:Isabel Faria

(Foto de aqui)
Vergílio Ferreira morreu há dez anos, em Lisboa. Já li e reli todos os livros de Vergilio Ferreira. Todos com execepção de Até ao Fim, que nunca reli. Cada frase de Vergílio é um poema. Sempre o li e o entendi assim. Poemas duros ou ternos, mas sempre crus. Como neste dálogo com o filho morto, em Até ao Fim, de 1987:
“Olho na quietude da manhã e bruscamente apetece-me insultá-lo. Estúpido, estúpido! Mas ele tinha quase um ar feliz. Estúpido disse ainda desarmado na minha cólera, arrasado de fadiga. O que foste fazer? Uma vida inteira para te explicar, não consegui. Explicar-te que para lá de tudo estava a vida e isso é que era tudo.”.
Não é só dôr que tansparece das suas palavras, perante o caixão aberto do filho. É a falta de lógica, a impotência, a derrota, a incompreensão. A raiva. Não é só como foste partir, é como te deixei partir, como não te impedi de partir ou não te convenci a não partir. Como não te prendi cá. Como fiquei depois de ti e para além de ti.
Todos os livros de Vergílio Ferreira me ficaram e me marcaram. Nenhum como este. Li Até ao Fim, alguns anos depois de ser publicado. Em finais de 1990.
Talvez porque quando se olha para um filho que nos sorrie dentro do berço, cada palavra deste dálogo seja uma seta. Uma seta que não temos força para voltar a suportar. Até hoje...mas talvez a melhor homenagem a um escritor, seja haver livros que não se podem reler. A minha incapacidade entendo-a assim. Penso que ele me compreenderia.
Publicado por Troll Urbano às 11:17 AM | Comentários (4)
fevereiro 23, 2006
Um dia com o Zeca - Obrigado
Por:Isabel Faria
Parece que agora, ao fim, a música começou a falhar…possivelmente cansada. Mas, eu creio que, depois de um dia a ouvir o Zeca, de um dia com o Zeca, mesmo que o servidor nos tivesse trocado as voltas, a música continuava a ouvir-se. São assim as coisas e as pessoas que nos fazem falta. E que amamos. Podem até não estar fisicamente, podem estar tão cansados que não os ouvimos, mas estão. E nós sabemos que estão. E não passamos sem elas.
O dia de hoje mostrou que o Zeca está. E como o Zeca é o cantor, o poeta, o irreverente, o inconformado, o sonhador, o lutador, o companheiro, o Homem da cidade sem ameias e da Terra da Fraternidade, hoje, enquanto a lista aqui em baixo crescia, o nó na garganta foi dando lugar ao aperto no coração. Que se tem quando nos entregamos. Às causas, às pessoas e à Vida.
Foi um hino à vida, a corrente deste dia. Que tenha sido o Zeca a proporcioná-lo parece-me a melhor forma de lhe dizer Obrigado.
Estejas onde estiveres, amigo, obrigado por mais um dia cheio de uma vida cheia que nos deste. Generosamente, como em todos os momentos fizeste.
Pela minha parte, obrigado a quem comigo partilhou a sua companhia. Há dias cheios.Que nos dão alento e nos reconfortam de tantas perdas.
E nada a fazer…aqui o nó maroto volta. E até o teclado é incapaz de o conter…Obrigado.
(Eu e o Daniel, fomos tentando actualizar a lista dos amigos que hoje estiveram com o Zeca. Não sei se faltou algum, Se faltou, haveremos de descobrir. Apenas para a festa ser maior).
Publicado por Troll Urbano às 11:40 PM | Comentários (23)
Um dia com o Zeca
Por:Troll Urbano

Obrigado, companheiro.
Publicado por Troll Urbano às 12:06 AM | Comentários (19)
Cantemos!!
Por:Isabel Faria

É díficil a escolha. Todas e cada uma das canções do Zeca têm um significado. Para todos e para cada um de nós.
No dia do Concerto do Coliseu, este foi um momento particularmente emotivo. Talvez o mais emotivo. Por momentos, todos nos sentimos ribeiras. E todos sentimos a despedida.
Foram, no entanto, momentos fugazes. Ao sairmos do Coliseu, devemos ter entendido e sentido, logo ali, que nos enganámos, durante os momentos em que nos despedimos. O Zeca ia continuar a cantar.
Logo ali, sentimos e entendemos que enquanto houver um homem no chão duma Praça de gente madura e ninguém se levantar para o ajudar, enquanto vierem vampiros que tudo comem, enquanto houver crianças em Bairros Negros e sem Sol, enquanto ouvirmos, ao longe, por mais ao longe que seja, os passos que marcham em Grândola, enquanto houver uma criança a quem dar uma estrela d’alva, enquanto os rios forem dar ao Mar, vais continuar a cantar, amigo. Desculpa contrariar-te, mas não tens forma de te calar. Por mais que chorem as ribeiras. Por mais que nós amarguemos, vais continuar a cantar.
Porque temos a cidade sem ameias para construir e não há, Zeca, não há, como não a cantar.
Publicado por Troll Urbano às 12:01 AM | Comentários (14)
fevereiro 22, 2006
Um dia com o Zeca
Por:Isabel Faria

É já amanhã que vamos estar com o Zeca nos nossos Blogs. Porque com o Zeca, na memória, no exemplo e na Utopia, estamos hoje e sempre. Apenas uma palavra para vos falar numa convicção, cimentada por aquilo que ele foi, pela imagem que dele ficámos e, sobretudo, que nos é dada por aqueles que com ele de perto privaram. O Zeca era de uma generosidade e de uma humildade a que ninguém podia/pode ficar indiferente. Até nisso, temos tudo a aprender com ele. Foi com genorisidade e humildade, que diariamente tento aprender (e com tantas falhas, acreditem...), que vos convidei para a festa. Ninguém a vai conseguir estragar. Dos pesadelos a gente acorda sempre - basta lembrarmo-nos daqueles anos de falta de ar, de repressão e de morte. Dos sonhos a gente não acorda nunca. Porque nos recusamos a acordar. Não viveriamos sem eles.
Até amanhã.
Publicado por Troll Urbano às 09:15 AM | Comentários (5)
fevereiro 21, 2006
Um dia com o Zeca
Por:Isabel Faria

Conforme prometido aqui está, de novo, o convite. Depois de amanhã, vamos cantar o cantor, o poeta e o músico. Se depois de amanhã quando abrirmos um Blog, dos que vão aderindo à ideia (obrigado a todos), for tembém o Homem que a gente vá cantar, ganhei a aposta. E ficar-nos-ei eternamente grata. A partir de ontem quando publiquei o post, esta é uma festa nossa. Só, por acaso, aqui nasceu. Poderia ter nascido em qualquer lugar, em que more a Liberdade e a Utopia. Em que more o Zeca.
E, já sabem, eu e o Farpas, estamos de serviço aos "em dificuldades". Agora aprendi...
Publicado por Troll Urbano às 12:43 AM | Comentários (10)
fevereiro 19, 2006
CONVITE - Um dia com o Zeca
Por:Isabel Faria

Como já aqui escrevi, quando decidi iniciar uma série de posts sobre José Afonso, faz na próxima Quinta-Feira, dia 23 de Fevereiro, anos que ele partiu.
Creio que todos, cada um de nós, blogers e Blogs, cidadãos e amigos, terão a sua própria maneira de recordar o Zeca. Mas, creio também, que uma “recordação” colectiva tem tudo a ver com o que o Zeca foi e com o que ele nos deixou. E depois, cada vez mais, as novas gerações, aqueles que consomem música ou que entram num Blog, têm menos acesso à música e às palavras do Zeca.
Deixo-vos, portanto, aqui uma proposta. Uma proposta que a ser concretizada colocará o Zeca pertinho de todos nós e fará com que todos os que, nesse dia, entrarem num dos nossos Blogs, ouçam a sua música e se encantem com as suas palavras e a sua voz. Um dia com o Zeca, será o mote.
Uma foto, um texto, o que cada um quiser, mas sempre com a canção que cada um escolher a correr no Blog. Mas a correr mesmo. Não como uma entrada, mas como um fundo, que ao fim do dia, se assim entendermos, retiraremos.
Saber que, ao abrir um Blog, vou encontrar o Zeca é, para mim, uma forma de viver as saudades e a falta que ele me faz. Quando se está perto, a falta custa muito menos a sentir. Quinta-Feira, proponho-vos e convido-vos a estarmos perto dele.
Gostaria que este convite fosse aberto a todos. Pensei em colocar aqui links para os Blogs que esperava ver com o Troll, nesse dia. Mas achei que isso seria desvirtuar a ideia. Nesse dia, não será com o Troll que vos espero ver. Seria todos nós com o Zeca que gostaria que estivéssemos.
Espero que a ideia vos agrade. De qualquer forma, está aberta, como é lógico, a melhoramentos ou outras propostas. Fico à espera da opinião de todos.
Nota: Até Quarta Feira, diariamente, recuperarei este post (tenho a certeza que os meus colegas não se importam), de forma a permitir que todos os que por aqui vão passando, possam, se assim o entenderem, estar com o Zeca no dia 23 de Fevereiro de 2006.
Publicado por Troll Urbano às 08:58 PM | Comentários (33)
fevereiro 18, 2006
Zeca

Excertos de uma entrevista publicado pelo Jornal Sete, em 1985 (Gentilmente roubadas ao Bin, Mega Fauna).
"Mas o que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a procurar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! E, quando isso acontecer comigo, eu até agradeço que os meus amigos me chamem à atenção e me critiquem
Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de ‘homenzinhos’ e ‘mulherzinhas’. Temos é que ser gente, pá!"
Foi em 1985, que José Afonso deu esta entrevista. Nessa altura apoiou Lurdes PIntassilgo nas eleições presidenciais. Mais de vinte anos depois, se estivesse mais perto de nós, ter-nos-ia avisado que estamos lixados. Sempre que nos conformamos. E nós continuamos a conformarmo-nos. E a contentarmo-nos com este estatuto de inhos. Sem coluna e de cabeça baixa. Continuamos um País sem coragem. Sossegado e sem coragem
Publicado por Troll Urbano às 09:54 PM | Comentários (5)
fevereiro 16, 2006
Zeca
Por:Isabel Faria

Ronda das mafarricas - Cantigas de Maio - 1971
Música de José Afonso
Letra de António Quadros
Publicado por Troll Urbano às 12:37 AM | Comentários (3)
janeiro 10, 2006
Simone de Beauvoir
Por:Isabel Faria

"Não se nasce mulher: torna-se mulher."
Simone de Beauvoir, "O Segundo Sexo"(1949)
Noventa e oito anos depois do seu nascimento.
Publicado por Troll Urbano às 12:49 AM | Comentários (5)
dezembro 31, 2005
BOM ANO
Por:Isabel Faria

Este é também o meu último post deste ano. Amanhã a esta hora estaremos em 2006.Depois, só voltarei aqui no Domingo, já o Ano Novo anda de chucha na boca.
Não sei escrever nestas ocasiões. Falta-me em palavras o que me sobra em esperança e em nostalgia. Sei que tenho um Ano Novo todinho para viver e que tenho o dever de o viver bem.
Não sei escrever nestas ocasiões. A sensação de que já tudo foi dito e que muito pouco do que é dito é, efectivamnte, sério e sentido, tolhe-me as palavras.
Só há uma forma, que me parece digna de se viver: não se abdicar da vida. Que dela não abdiquemos em 2006. Nem da Vida, nem da Memória, nem do Futuro. Nem da Paixão.
Até para o ano.
Publicado por Troll Urbano às 01:00 AM | Comentários (8)
dezembro 24, 2005
Um prenda
Por: The
Uma prenda para as leitoras do Troll.
Publicado por Troll Urbano às 07:47 PM | Comentários (2)
dezembro 22, 2005
2000
Por:Isabel Faria

Gosto de comemorações. Gosto de datas. Sejam meses, dias, anos, números, desde que seja para fazer festa podem contar comigo.
Este é o post nº 2000 do Troll. Gosto de números redondos. Curto curvas. As linhas rectas entediam-me. 2000 é um número giro. O dois é um algarismo com pinta e com magia e os três zeritos dão-lhe charme.
Este post é, sobretudo, uma forma de dizer obrigado aos meus colegas que criaram e alimentaram "esta coisa".
Gosto de comemorações. E de datas.
Neste post, por ser neste dia, tinha que ficar um quadro. De Dali. A Persistência da Memória.
Hoje foram publicadas as primeiras sondagens para as Presidenciais após os debates. Por um bocadinho, ouso enfrentar o Mestre e alterar-lhe a conjunção. A Persistência e a Memória. E acredito nos 3000. E na festa.
Publicado por Troll Urbano às 10:24 PM | Comentários (6)
dezembro 08, 2005
John Lennon
Por:Isabel Faria

Num daqueles rádios em que a parte da frente parecia palhinha, mais ou menos cor de vinho, que estava em cima do armário da casa da avó Inês, devo-o ter ouvido pela primeira vez. Pelo menos, não me lembro de o ter ouvido antes.
Não sei o que ouvi. Sempre achei, ao longo do tempo, que deverei ter ouvido o Imagine. Porque só deveria ser permitido ouvi-lo , pela primeira vez. se tiver sido para ouvir o Imagine. Foi, portanto.
Anos mais tade, no Palácio Foz, sentada ao lado daquele que, então, me mostrava a vida, os homens, Lisboa, a paixão, o desencanto, a amargura, vi o Yellow Submarine e creio que gostei. Muito crítico, o meu companheiro de filme e de estradas, diissecou o filme, a música, Lennon, os Beatles, a Guerra, as farsas, as incoerências...não o conseguia ouvir. Nos meus ouvidos, Imagine, continuava a tocar no rádio da avó Inês.
Não sei se, quando em 1980, foi assasinado, ainda continuava a entrar pela porta do quintal e ele ainda continuava lá. Sinceramente, confesso que não...tanta água tinha passado debaixo dos meus sonhos...alguma devará, parece-me, ter levado a telefonia de palhinha.
Neste artigo do Público, há uma frase de Lennon que aqui gostaria de deixar: "uma parte de mim suspeita que sou um falhado, a outra acha que sou Deus todo-poderoso". Quem não pensou isto algum dia, num minuto que fosse...que ouse não ir, agora, a correr, ouvir o Imagine...Eu vou.
O som não é o mesmo, eu sei. A telefonia cor de vinho foi substituída pelo CD. Só e apenas isso. Por isso
Publicado por Troll Urbano às 11:54 AM | Comentários (2)
dezembro 04, 2005
Blogue do quê????
Por:Isabel Faria

Seja lá o que isto for, deve ser importante. Abri, agora, o Email do Troll e estava lá um mail a dizer...que hoje fomos o Blogue (assim, em português e tudo, o que me parece bem..) do dia, no Diário de Notícias
Eu não sei se isto é bom, o texto é curtito e só tenho esperança que no Jornal, não se consiga ler um post assinado por mim que começa pelo reconhecimento público que sou azelha. Que vocês, aqui no Troll saibam. eu não me importo nada, são de casa, agora o país inteiro...não podiam ter escolhido outro dia??? Outro post???
Estou em pijama e não me apetece ir à rua. Há por aí alguma alma caridosa que tenho o DN e que me sossegue? Aquilo não se consegue ler, pois não??? Nem toda a gente vai ficar a saber, pois não??? Ou ninguém lê aquele cadinho do jornal e posso dormir descansada?
Se me puderem valer, agradeço.
Entretanto deixo aqui a fotografia. Presumo que deva deixar aqui a fotografia. Mas devo-vos dizer que assim, a frio, ainda fiquei com mais vontade de fazer umas arrumações no hall de entrada...mas p'ra isso é que sou mesmo, mesmo azelha. Ontem à noite consegui, pelo menos, actualizar os links p'rás ligações perigosas. Retirando umas que, entretanto, se foram, colocando novas...Espero que não se esqueçam deste meu gesto na hora das prendas de Natal.
Ah, e agora vou abrir a garrafa de champanhe. Desculpem lá mas andar a circular por aí ao lado do Luís Delgado, merece, pelo menos, uma Moet & Chandom...
E não me venham com tretas que já todos saíram no DN, porque vocês não tinham este sonho desde bebés...andar por aí, ao lado do Luís Delgado. Eu tinha e estou feliz..Pronto e ponto.
Publicado por Troll Urbano às 06:30 PM | Comentários (10)
novembro 30, 2005
1 aninho
Por: The
Jamais poderia deixar passar este dia sem mencionar os fantásticos momentos que tenho passado aqui nesta minha/vossa assoalhada.
Confesso, que tal como o Daniel já o mencionou também, nunca pensei ser possivel chegar até aqui, mas cheguei e muito bem acompanhado pelos meus carissimos colegas Troll´s e pelos nossos fieis seguidores, seria de muito mau tom mencionar algum deles aqui pois iria correr o risco de me esquecer de algum e isso seria imperdoável, no entanto, todos vocês sabem a quem me refiro.
Fiz muitos e bons amigos, embora ainda virtuais, e o Troll Urbano tem sido pródigo nisso, acabamos por descobrir pessoas que partilham das mesmas opiniões, dos mesmos problemas e encararm a vida da mesma maneira.
Vocês, carissimos amigos e amigas, vocês são a minha força, a nossa força para continuar. Nunca fizemos deste local um local de competição com ninguém, limitamo-nos a escrever, sentimentos, frustações, problemas, alegrias, tristezas e verdadeiras emoções, e tudo isto apenas é possivel devido a vocês carissimos amigos comentadores.
Sempre foram bem vindos, são bem vindos e sempre serão bem vindos ao Troll Urbano.
Obrigado pela vossa amizade e até dedicação.
O Troll Urbano demarca-se de qualquer outro blogue, e tal só acontece porque é um blogue que encara todos os problemas de frente, olhos nos olhos, sem receios, e coloca a disposição de todos a sua caixa de comentários para que todos, sem excepção, possam dar a sua opinião, nunca iremos optar por um blogue com registos, nunca o iremos fazer pela simples razão de que todos têm direito à sua opinião e o possam fazer anónimamente.
Não julgo, como já li por aí, que o Troll Urbano seja um blogue de esquerda, julgo que o blogue Troll Urbano é um blogue de esquerda, de direita, de centro, seja do que for, porque todas as opiniões são válidas e todas são necessárias.
A vocês:
Daniel, obrigado por seres quem és.
zOinGo, tenho dificuldades em decifrar-te, vales bem mais do que tens mostrado.
Isabel, és fantástica nas palavras que saiem dos teus dedos, continua assim.
A vocês, PARABÈNS, e que para o ano cá estejamos de novo a comemorar mais um aniversário cheios de saúde e bem estar.
Publicado por Troll Urbano às 09:47 PM | Comentários (14)
Se depois de eu morrer...
Por:Isabel Faria
Hoje tinha pensado não escrever mais posts. Porque datas são datas e o Troll faz um ano. No entanto, não resisiti. Afinal datas são datas e, há 70 anos, Alberto Caeiro desaparecia. E Álvaro de Campos e Bernardo Soares e Fernando Pessoa e...Não se pode deixar passar em branco a data em que desaparecem tantos poetas.
Aqui fica apenas a biografia que um deles desejava lhe fosse feita. Os desejos dos poetas devem ser cumpridos. Que descansem.
Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas --- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem setimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza.
Alberto Caeiro
Publicado por Troll Urbano às 09:35 AM | Comentários (4)
novembro 29, 2005
Troll (o)
Por:Isabel Faria
Não sei quando descobri o Troll. Talvez algures em Março ou Abril, talvez devido a algum comentário que o Daniel tenha deixado no Afixe. De vez em quando, ia comentando e ia encontrando o Daniel na outra casa. Conhecíamo-nos mal (Daniel, recordo que passaste um almoço duma reunião qualquer do Bloco a falar de economia…brrrrr) e, tirando uma ou duas vezes em outras reuniões, do Daniel só conhecia mesmo a pontuação de pernas p’ró ar e as letritas desviadas do seu habitat natural.
Depois, na Convenção do Bloco, falámos de Blogs (a falta que faz neste Partido uma disciplina férrea…) e comecei a passar por aqui com mais regularidade. Depois….bem, depois de coisas que o tempo se encarregou de mostrar quão pequena importância tinham, vim aqui parar…
Entrei a estagiar e agora não sei bem em que estatuto me encontro. Ainda ninguém me deu nenhum contrato de trabalho para assinar, não recebo desde Setembro e ainda ando à espera dum tal perfume eternamente adiado (parece que agora p’ra Maio…).
Comecei a sentir-me definitivamente em casa num dia em que colei um post de peúgas de lã calçadas e por aqui ando. Confesso que ainda não desisti daquela ideia de começar uma coisa de novo, tipo casa de praia ou monte alentejano, mas confesso também que neste momento a vejo assim: casa de praia ou monte alentejano. Mas lindona. Estou, apenas, à espera que se decidam acabar com campanhas eleitorais umas a seguir às outras para tentar ir comprar o tijolo, mas, enquanto isso não acontece, não há monte para ninguém e têm que levar comigo a tempo inteiro.
Conheço bem os meus coleguitas de Blog. Não pensem que isto é a brincar, somos unha com carne, não fazemos nada uns sem os outros, vamos às compras juntos e agora ganhámos o hábito de jogar golfe todos os Domingos de manhã. Gostamos todos muito uns dos outros e eu só tenho pena que o Lobo teime em andar sempre de gravata às bolinhas, o Zoingo não corte as patilhas e o Daniel tenha deixado crescer a unha do mindinho direito. Se não fossem estes pequenos pormenores eram perfeitos. Assim, estão mesmo no limiar.
Estamos, portanto, preparados para o novo ano, comigo a esperar que os problemas dos PCs dos meus parceiros de golfe se resolvam rapidamente e que Maio chegue depressa.
Sem este tom. No outro. O Troll tem sido um amor maduro. Sem grandes espalhafatos, sem grandes dramas mas com muito entusiasmo e muita ternura. Como os amores maduros. E muito, muito prazer. Como os amores maduros. Gosto de estar aqui.
Publicado por Troll Urbano às 10:52 PM | Comentários (13)
SEGUNDO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Por: Daniel Arruda
Foi ontem que escrevi a minha 1ª posta. e logo a gozar com o meu glorioso. Desde aí acho que me tornei um viciado da escrita. Tudo serve para escrever. Um outdoor, uma notícia, uma frase ou um acontecimento, passado ou presente. Juntamente com os outros dois trolles de origem acho que fizemos um bom trabalho durante este ano. (não me esqueci de ti Isabel, mas acho que mereces um destaque maior)
OS 3 TROLLES DE ORIGEM
A malta amanhã vai estar de parabéns. Faz um ano que os 3 trolles de origem fizeram e publicaram a sua 1ª posta "O Editorial". Não foi um editorial, foi "O Editorial", a pedra fundadora. Confesso que quando começamos não pensei vir a colar uma posta de 1º ano. Pensava que me fosse fartar mais cedo. Que isto dos blogs era giro mas que dava demasiado trabalho e que passado uns meses iria por isto num canto. O que eu não sabia é que isto era viciante.
Logicamente que não posso falar do Troll e não falar da nossa estagiária de elite aqui descrita como trollina. Foi uma lufada de ar fresco que entrou pela porta a dentro. Penso que neste 1º ano podemos falar de duas fases antes de e depois de Isabel Faria.
Obrigado Isabel por te juntares a este projecto de trolles e aceitares seres um deles. Já passaste há muito a fase de estagiária. Já és uma verdadeira Troll.
A NOSSA TROLLINA
Confesso que para mim este percurso teve algumas surpresas agradáveis e algumas menos agradáveis. De mais agradável certamente que são algumas amizades que por aqui se fizeram, pessoas que eu de outra forma não conheceria e que agora fazem parte da comunidade, a minha comunidade. Mas também faz parte da cesta de surpresas agradáveis o facto de chegar a uma acção de rua na campanha eleitoral e haver uma pessoa de mais ou menos 40 anos vir ter comigo e perguntar. "Desculpe, mas é o Daniel do Troll Urbano?", tal como é agradável saber que afinal temos opinião e que esta é ouvida e debatida, ás vezes. Que afinal há gente que pensa igual a mim e perceber o porque de haver outros que pensam diferente. Das coisas más não quero falar. Foram aqui sobejamente discutidas.
No final a frase do costume. Pode ser que daqui a um ano estejamos a pôr postas do 2º Aniversário. Seria giro. O objectivo é escrever aqui até que os Juniores tenham idade para escrever neste espaço para nós os cotas passarmos à merecida reforma.
Publicado por Troll Urbano às 10:37 PM | Comentários (8)
PRIMEIRO!!!!!!!!!
Neste primeiro aniversário chega a revelação. Quem somos, como somos...
Estava tudo claro...só que o parvo do e-mail com quem é quem não chega...é meia noite...esta porcaria tem que entrar...portanto desenrasquem-se.
Por mim, missão cumprida. E faxavor de não acharem que lá por ter um ferro de engomar, tenho que ser eu...tou desconfiada que os homens cá de casa enganam bem...juro que não sou aquela!!!!

Com as fotos chegou o bolo...mas como o trabalho foi meu...meus queridos gosto muito de vocês...mas quem come sou eu!

Então até p'ró ano!
Publicado por Troll Urbano às 09:09 PM | Comentários (12)
novembro 12, 2005
12 de Novembro
Por: Daniel Arruda
Sei que o meu nino ainda não lê blogs. Sabe o que são porque vê o pai a matraquilhar nas teclas e sabe que é um sítio onde somos livres. Como ele diz, "é aqui que o pai pode escrever o que lhe apetece".
Mas acho que como pai e como amigo não poderia deixar passar em claro a data mais importante da minha "coisinha" mais importante. A data de aniversário do meu "gordo" como carinhosamente o chamo. Um contrasenso pois ele nem de perto nem de longe é gordo, mas é a alcunha que vem desde que ele tinha 3 meses.
Não se admirem portanto se eu hoje não vier mais a esta nossa assoalhada, ou se vier é mais para a noitinha, para abandono da família já me basta a facadinha que vou ter de dar hoje, porque antes da festa começar ainda vou ter de ir fazer uma intervenção numa sessão pública com o Louçã aqui no Seixal. Depois disso é só o meu "gordo" que conta.
Parabéns André pelos 6 anos fantásticos e pelos muitos que vamos compartilhar.
Publicado por Troll Urbano às 01:27 PM | Comentários (15)
novembro 09, 2005
Que grandalhão!!!!!
Por:Isabel Faria

Parece que hoje um dos nossos amigos passa a (mais) crescido...(desejo-te isso mesmo: A beautiful day).
The heart is a bloom, shoot up through stony ground
There's no room, no space to rent in this town
You're out of luck and the reason that you had to care,
The traffic is stuck and you're not moving anywhere.
You thought you’d found a friend to take you out of this place
Someone you could lend a hand in return for grace
It's a beautiful day
Sky falls,you feel like
It's a beautiful day
Don’t let it get away
You’re on the road but you've got no destination
You’re in the mud, in the maze of her imagination
You love this town, even if it doesn't ring true
You’ve been all over and it’s been all over you
Is a beautiful day
Don't let it get away
A beautiful day
Touch me, take me to that other place
Teach me, I know I'm not a hopeless case
See the world in green and blue
See China right in front of you
See the canyons broken by cloud
See the tuna fleets clearing the sea out
See the bedouin fires at night
See the oil fields at first light
And see the bird with a leaf in her mouth
After the flood all the colours came out
It was a beautiful day
Don't let it get away
Beautiful day
Touch me, take me to that other place
Teach me, I know I'm not a hopeless case
What you don't have you don't need it now
What you don't know you can feel it somehow
What you don't have you don't need it now
don't need it now
Was a Beautiful day..
Publicado por Troll Urbano às 12:06 AM | Comentários (14)
outubro 31, 2005
Por: The
Que me desculpem alguns, mas se existe comemoração que me faz reviver, essa é sem duvida a noite de Halloween.
Talvez levado um pouco por velhas mas boas recordações da minha adolescência, altura da minha vida em que nada ou muito pouco me preocupava, em que a escola era puro e mero passatempo e ocupava apenas o espaço temporal em que não estava a fumar umas brocas e a ouvir um som brutal.
Noite de feriado pagão ou não, noite por uns detestada por outros amada, esta é para mim uma das noites favoritas, não minto quando digo que prefiro isto ao carnaval ou qualquer outro dia de comemoração qualquer, talvez embebido pelo espirito da coisa esta noite faça saltar o pouco de maquiavélico que existe em mim.
So, watch out people...
N.B- Já agora e aproveitando a deixa aqui fica mais uma sugestão musical.
Helloween, mas dos velhinhos não esta coisa que anda por aí, oiçam por exemplo "Walls of Jericho"
ATENÇÂO: Os mais sensiveis, usem tampões.
Publicado por Troll Urbano às 06:36 PM | Comentários (8)
outubro 30, 2005
A Mega Fauna
Por:Isabel Faria

Tenho andado tão fora da Blogosfera (o Troll não é Blogosfera, é a nossa assoalhada, como diz o Daniel), que não me apercebi que no passado dia 25 de Outubro, A Mega Fauna fez um ano. Ora, a Mega Fauna, não é um Blog. A Mega Fauna é um Blog do Bin. E o Bin, não é o Bin, é o meu amigo Bin.
Não sei há quanto tempo nos conhecemos, diria, pelo menos, há uma década. Não sei quantas viagens já fizemos juntos, diria, talvez, umas dezenas. A África, sempre a África. Às vezes, estamos uns tempos sem nos vermos, nem nos falarmos e adiamos a próxima viagem, mas acabamos por nos encontrar sempre. Da minha parte com o prazer que se encontra os amigos que nos levam a conhecer os desertos. E nos salvam das areias quentes e nos abrigam do Sol impiedoso
Bin, se pensas que isto tudo é ficção, é porque andas sempre distraído...e vá lá, talvez não sejam dez anos...mas menos que nove e oito meses não são... Parabéns e um beijo. Como te deixei lá num comentário, do tamaho do Deserto onde me vais levar a passear um dia.
Ah, é verdade, roubei-te uma fotografia. Pelo sorriso. Este é o teu sorriso que eu conheço, mais coisa menos coisa, há 3650 dias.
Publicado por Troll Urbano às 11:09 PM | Comentários (7)
outubro 25, 2005
Eu não sabia que valiamos tanto
Por: Daniel Arruda
Estamos ricos e não sabiamos. O que vale é que há pelo menos uma dúzia de blogs que ainda valem mais que este.

My blog is worth $22,581.60.
Quanto vale o teu blog?
Obrigado ao pessoal do Renas por ter descoberto isto.
Publicado por Troll Urbano às 10:57 PM | Comentários (7)
outubro 12, 2005
4000...4000...4000...UAUUUUUUU!!!!!
Por:Isabel Faria

Adoro datas.E adoro comemorações. Isto é, se eu pudesse andava sempre em festas a comemorar coisas. O dia em que conheci pessoas importantes na minha vida. Dias de aniversário. E não é comemorar anos, é meses e semanas e se pudesse ser dias... assim tipo: hoje faz 17 dias que nos conhecemos...ena pá faz hoje 91 dias que nos encontrámos...fazes hoje 30 anos, bora aí fazer uma festa...já são 40 anos e dois dias...então temos que comemorar!!!
Esta conversa toda para quê??? O Troll chegou hoje aos 4000 comentários...eu, pobre estagiária é que me tenho que aperceber destes acontecimentos...4000 comentários...quatro mil comentários!!!! Merece ou não merece uma festa???? Bora lá...fazer uma festa...e depois eu é que estou de ressaca...como é que me há-de passar a ressaca se vocês não (me) fazem festas?????
PS: Dani, Lobito, Zoinguito...como esta festa é vossa...as bebidas são por vossa conta...eu, quando muito, posso oferecer-me para cantar o fado!!!!
PSnº2 - Se fazem favor criem-me uma categoria chamada Comemorações, que eu não sei onde é que hei-de meter estes posts...e isto não fica por aqui!!!!
Publicado por Troll Urbano às 11:42 AM | Comentários (5)

