setembro 04, 2006
O mercado a funcionar
Publicado por Daniel Arruda às 10:05 AM
setembro 03, 2006
Posso ir à Marcha ou quê?????
Já ontem no Público a notícia sobre a Marcha pelo Emprego trazia esta frase:
Os 200 participantes, quase todos de sapatos de ténis ou sandálias, bonés e bandeiras, eram na sua maioria oriundos da classe média urbana sendo poucos os operários ou mesmo cidadãos desempregados que nela participaram. Já ontem tinha ficado com a mesma dúvida quando li a notícia do PÚblico. O jornalista perguntou a ocupação aos participantes? Qual a sua origem? Ou nota-se pela cara? Um operário tem caracteristicas fisicas diferentes de um "oriuno da classe média"? E o "oriundo da classe média urbana" distingue-se como do "oriundo da classe média" não urbana? Pela cor do cabelo? Pelo boné? Pelas sandálias? Quando eu lá estiver na próxima semana, sou oriunda de quê? Os meus pais nasceram numa pequena vila de provincia. O meu pai sempre foi carpinteiro e a minha mãe empregada numa padaria. Vivem da reforma deles. Segundo o conceito marxista não serei, de facto, proletária, mas vivo do meu trabalho desde os 18 anos e apesar de também ter nascido nessa pequena vila do Ribatejo rural, vivo em Lisboa, serei digna representante dessa classe média urbana? Alguém me diz, faxavor se posso participar na Marcha?
Ontem, nos habituais comentários às notícias do Pùblico, alguém dizia que era preciso ter lata para fazer uma Marcha pelo Emprego quando somos todos uma cambada de intelectuais, da classe média, filhos de pais ricos, que nunca trabalhámos na vida. O que encaixa, portanto, perfeitamente em mim...
O que eu sei é que fiz bem em ir fazer madeixas louras a semana passada...ainda baralhava os pobres jornalistas e comentadores das notícias do Público, com aquele ar mal encarado e desleixado...na volta é isso...um operário não usa madeixas. Afinal se a gente pensar bem chega lá. Desta safei-me. Posso andar uns Kms que os jornalistas não ficam baralhados, tadinhos. Assim o calcanhar esquerdo não me pregue uma partida...a propósito, esta deve ser outra diferença...os calcanhares dos operários e dos desempregados devem ser diferentes dos nossos...o meu calcanhar esquerdo é um legitimo representante da "classe média urbana". Arma-se em menino da mamã quando ando uns Kms a pé...ou não? os oriundos da "classe média ubana" não deviam andar todos em ginásios? Já tou a ficar baralhada outra vez...alguém me diz, do JN ou do Público, se posso ou não ir à Marcha...please !!!!
Publicado por Isabel Faria às 12:26 PM | Comentários (10)
setembro 01, 2006
Um tema a que eu já não vinha há muito
Uma publicidade que não me lembro de ver passar em Portugal. Voces já sabem. Eu não resisto a uma publicidade de qualidade. E esta tem e muita
Espero que gostem ...
Publicado por Daniel Arruda às 01:49 PM | Comentários (1)
É o último
Há uns tempos escrevi esta posta. Não pretendia ser nem era políticamente correcta. Tal como a que escrevo hoje porque há coisas mais importantes que a verdade ideológica ou os desvios que se possam ter. Porque para sermos o que somos tivemos de crescer, de nos fazer como pessoas e tivemos de ter as nossas referências. Referências essas que não se questionam se eram as mais correctas ou não. São apenas isso. Coisas que fazem parte da nossa vida e que nos acompanham.
Durante um tempo sofri de um dos 7 pecados mortais. A inveja. A de pertencer a uma geração sem referências. Olhava para a geração que fez o 25 de Abril e via isso. Com o tempo percebi que o problema não estava em mim nem na geração. Estava apenas no facto de não ter vida suficiente para as ter. Nada me tinha acompanhado tempo suficiente para me ser marcante. Aos poucos vou-me apercebendo disso. Fiquei chateado com o fecho do jornal "A Capital," mas de uma outra forma. Assisto á morte de icons do Portugal moderno como Álvaro Cunhal e aprecebo-me que o que conheço é pelos livros de história.
Hoje acaba um jornal que me diz muito. É a última edição. O número 568 ( acho que é esse o número) do Independente vai ser o último. Será o Independente de esquerda? Não será certamente. Mas o Independente marcou uma geração. Foi o início de um novo jornalismo em Portugal. Com MEC, Rui Zink, Inês Serra Lopes e porque não dizé-lo com Paulo Portas. Quando alguém faz um bom trabalho é justo dizé-lo. Fui (por curiosidade a minha muher também) colecionador do suplemento Vidas3 que acompanhava o jornal. Deliciava-me com os seus artigos irreverentes num Portugal atrasadissimo do final de 80, princípio de 90. O Independente contribuiu para modernizar Portugal, quer se queira quer não. Há textos que li naquele jornal que ainda hoje me lembro quase de cor e que hoje continuam actuais. Por exemplo este que aqui deixo em versão resumida pois ele ocupava duas páginas em 1990:
Portugal:
1 de Janeiro de 2006............. 2 de Janeiro de 2006.............3 de Janeiro de 2006.............4 de Janeiro de 2006............. 5 de Janeiro de 2006............. 6 de Janeiro de 2006............. 7 de Janeiro de 2006............. 8 de Janeiro de 2006............. 9 de Janeiro de 2006............. 10 de Janeiro de 2006............. 11 de Janeiro de 2006............. 12 de Janeiro de 2006............. .13 de Janeiro de 2006............. 14 de Janeiro de 2006......-.......15 de Janeiro de 2006............. 16 de Janeiro de 2006............. ............ ............................ ................................................... .................................... 8 de Março de 2006 .........9 de Março de 2006 ............... 10de Março de 2006 ................11 de Março de 2006 ......... 12 de Março de 2006............ 13 de Março de 2006 .........14 de Março de 2006 .........15 de Março de 2006 ..................16 de Março de 2006 .........17 de Março de 2006 .........18 de Março de 2006 ......... ...................................... ............................ ................. .......................... ............................ ................. ........................5 de Junho de 2006 ..................6 de Junho de 2006 .................. 7 de Junho de 2006 .................. 8 de Junho de 2006 .................. 9 de Junho de 2006 .................. 10 de Junho de 2006 .................. 11 de Junho de 2006 ............................................... 12 de Junho de 2006 .................. 13 de Junho de 2006 .................. 14 de Junho de 2006 .................. 15 de Junho de 2006 .................. 16 de Junho de 2006 .................. 17 de Junho de 2006 ................................................18 de Junho de 2006 ........................ 19 de Junho de 2006 .................. 20 de Junho de 2006 ................ 21 de Junho de 2006 .................. 22 de Junho de 2006 .................. 23 de Junho de 2006 ............... .............................. ....................... ................................ ...................... ................ ..................... .............. ................. 21 de Setembro de 2006 ......... 22 de Setembro de 2006 ......... 23 de Setembro de 2006 ......... 24 de Setembro de 2006 ......... 25 de Setembro de 2006 ......... 26 de Setembro de 2006 ......... 27 de Setembro de 2006 ......... 28 de Setembro de 2006 .... .......................... ............................. .......................... ........................ ........................ ........................... ..................... ....................... ..................... 17 de Dezembro de 2006 .......... 18 de Dezembro de 2006 .......... 19 de Dezembro de 2006 .......... 20 de Dezembro de 2006 .......... 21 de Dezembro de 2006 .......... 22 de Dezembro de 2006 .............. 23 de Dezembro de 2006 .............. 24 de Dezembro de 2006 ............. 25 de Dezembro de 2006 .......... 26 de Dezembro de 2006 .......... 27 de Dezembro de 2006 ................... 28 de Dezembro de 2006 .............. 29 de Dezembro de 2006 .................. 30 de Dezembro de 2006 .......... 31 de Dezembro de 2006 .......... Fim do calendário da depressão
Para mim o Independente foi durante anos uma referência. De há 3 anos para cá tinha voltado a comprá-lo . Primeiro intermitente e agora regularmente. Tinha voltado a ter a qualidade a que nos tinha habituado. Agora fecha.
Quando os jornais em Portugal se resumirem ao Expresso, ao Público e ao DN estaremos bem. Já agora acabem também com as televisões.
Publicado por Daniel Arruda às 08:20 AM | Comentários (6)
agosto 28, 2006
Tá parvo
O grande e abominável César das Neves tenta hoje convencer-nos que a situação assim como está é boa, pois é nas dificuldades que se vai encontrar os pontos de viragem ou nas palavras do próprio:
Confesso que li o artigo para aí umas 3 vezes para ver se descobria alguma ironia nas palavras do distinto senhor. Sim, porque só com muita ironia se pode dizer a uma pessoa que tem 2 trabalhos e que mesmo assim tem dificuldade em pôr a sopa na mesa que passar fome é bom e que as pessoas devem ver isso como um processo de transformação da economia perfeitamente normal.
É tão bom falar de barriga cheia é o único comentário que consigo fazer a esta diarreia mental.
Publicado por Daniel Arruda às 07:24 AM | Comentários (2)
agosto 25, 2006
Um sabor qualquer

Agosto de 2006, abro os jornais on line, procuro palavras que ainda não se tenham esgotado, e apenas me recordo do refrão do Sérgio, de há trinta e dois anos.
Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
E não sei o que chamo ao sabor amargo que me fica cá dentro. Desencanto? Impotência?
Procuro uma foto, qualquer uma que possa tornar um pouco mais tolerável o sabor e só descubro a de um sorriso triste de criança.
Imagino os sorrisos tristes de crianças que permitimos nestes 32 anos, em Portugal, e o sabor amargo adquire uma outra dimensão. Culpa.
Publicado por Isabel Faria às 11:25 AM | Comentários (1)
agosto 23, 2006
Entretanto , ali mesmo ao lado, na Amadora...

Entretanto, como a vida dura de quem quase não tem vida, não pára com o Benfica, nem com o Verão, ontem na Amadora, dez pessoas ficaram sem ter casa para dormir. Quando se vê as condições em que estavam, não consigo usar a expressão, casas para viver.
Duas activistas da Solidariedade Imigrante foram detidas pela Policia e o Daniel, conforme declarações ao DN, tem 43 anos, vive sozinho, não tem ninguém, não tem trabalho e pode ser que algum vizinho o ajude a não ter que ir para a rua. Ah, e estamos em Portugal, no Verão de.2006. Esta última parte digo eu. Dúvido que o Daniel tenha tempo e vontade de se lembrar disso.
Publicado por Isabel Faria às 11:05 AM | Comentários (1)
agosto 22, 2006
Um artigo duas postas (II)
Diz a notícia que "a vaga de imigrantes deverá entrar em território português pela Madeira e pelo Algarve".
Por favor, muitos destes imigrantes são pessoas que já sofreram muito. Avisem-nos, a ONU por exemplo, que a a Madeira não é um bom sítio para eles. Que tem um gajo no poder que não gosta de emigrantes e que tem uns quantos tiques ditatoriais. Eles que escolham outro sítio qualquer mas não a Madeira. Para o bem deles
Publicado por Daniel Arruda às 10:30 AM
Um artigo duas postas (I)
Sempre se soube que há várias formas de dar uma notícia. Especialmente se alguém quiser fazer um aproveitamento da questão. É o caso. Os escribas de direita e alguns poíticos de pseudo esquerda também, não perdem uma oportunidade de dar uma facadinha ao mesmo tempo que dão a no0tícia ou fazem uma declaração.
Vejamos um exemplo:
Se no mesmo artigo se ler que ...
A concretizar-se esta «ameaça», a vaga de imigrantes...
...medida que vão sendo «blindados outros pontos da fronteira externa...
Não podemos ter a ilusão de que Portugal está imune
... é óbvio que se vai interiorizar estes chavões, ainda por cima um pode aparecer em sub título. Desta forma a essencia da notícia vai ser diluída e o que os leitor vai reter é que a ameaça que os emigrantes representam vai ser combatida por uma blindagem das fronteiras, porque Portugal não está imune a esta doença. O resto é palha, propositadamente para que só se retire o sumo que o jornalista quer que se retire. Parece-me profundamento desonesto que se continue a usar estas artimanhas para que se fazer opinião.
Publicado por Daniel Arruda às 10:15 AM
A guerra no Ocidente
A Guerra está a fazer o seu caminho. Sim que a Guerra não se faz só no Médio Oriente. Faz-se e muito nas nossas mentalidades e na formatação que querem fazer ás nossas cabeças. O racismo, terror, medo ou fobia ou como lhe quiserem chamar faz o seu caminho a ponto de haver pessoas ocidentais, "superiores", com medo de embarcar num voo só porque havia pessoas com tom de cor ou fisionomia diferente.
Há cerca de 5 semanas brinquei com o facto de no avião onde eu ia estarem muçulmanos e já me arrependi de o ter feito. É que brincadeira é uma coisa mas nunca pensei que a mente de alguns fosse tão tacanha que uma situação destas fosse real.
A Guerra vai andando. A Europa fortaleza também. Cada vez mais isolados do mundo mas próximos dos EUA. Cabe a cada um de nós pensar se isso é correcto. Se este medo leva a algum lado. A mim não me parece mas quem sou eu?
Publicado por Daniel Arruda às 07:52 AM | Comentários (2)
agosto 21, 2006
Não se mata nem se morre por amor
Há títulos que me fazem alguma confusão.
Portugueses continuam a matar e morrer por amor.
Não se mata nem se morre por amor. Por mais romãntico que isso nos apareça. Ou por mais cruel. Mata-se e morre-se por egoísmo, por rancor, porque não se suporta o fim do amor, por ciume doentio, por medo, porque não se suporta o espelho, o da alma ou o outro, mas por amor, não.
A única coisa que admito que se faça por amor, é amar. Claro que admito que entrem aqui uma porrada de verbos, chatos e foleiros: às vezes, sofre-se, outras magoamo-nos, outras aimda choramos.
Mas morrer ou matar por amor, não me venham com histórias. Quando se quer morrer ou matar, já há muito que se matou o amor. Em Portugal, na China ou em Marte.
Publicado por Isabel Faria às 11:58 AM | Comentários (10)
agosto 20, 2006
Como se dirão estes ditados na India
E se um incomoda muita gente dois podem incomodar muito mais é uma frase que se aplica na perfeição a um indiano que tem um orgão sexual a mais. Mas também se poderia aplicar a frase Quem tudo quer, tudo perde pois arrisca-se a perder o que tem. Lembro-me ainda assim da frase que diz, Deus dá nozes a quem não tem dentes pela vontade que imagino de muitos estarem no lugar dele. Este indiano é também aquele que vai perder a hipotese de dizer, Mais vale um pássaro na mão que dois voar embora ele literalmente possa ter um na mão e outro a "voar".Há também aqueles que achariam que Quem não tem cão caça com gato esquecendo-se que há pelo menos um que em caçadas de grande porte levam o cão e o gato.
Enfim, há ditados para todos os gostos. Como será que se diz na India?
Publicado por Daniel Arruda às 01:25 PM | Comentários (2)
agosto 18, 2006
Ora aí está aquilo que não se deve dizer
Nas nossas caxas de comentários deixaram-nos o aviso que ele tinha voltado á blogosfera. É daquelas pessoas que não podendo estar mais nos antipodas (políticos, entenda-se) de mim, é uma pessoa que admiro na escrita e na velocidade de pensamento. Durante anos as páginas do Independente eram devoradas só para ver os textos dele. As suas crónicas. Comprei os seus livros, todos eles, sem excepção, todos fantásticos. Dele recordo-me de um debate sobre o acordo ortográfico em que havia dois convidados e estes podiam levar dois amigos cada um para os ajudar naquele debate. Era uma versão anterior de uma espécie de prós e contras. Messe debate apresentaram-se de um lado 3 professores catedráticos e do outro apela ele. Nem vou discutir se a opinião dele era a correcta, maso que ficou foi que ele conseguiu dinamitar por completo todos os argumentos dos catedráticos de Coimbra e Lisboa.
Posso muitas vezes não concordar com ele mas a admiração pelo intelectual acho que vai perdurar para sempre. Bem vindo de volta MEC.
PS - Só tenho pena que não reedite a dupla com Rui Zink como nos bons velhos tempos. Seria a coroa na Blogosfera nacional.
Publicado por Daniel Arruda às 02:51 PM | Comentários (3)
agosto 16, 2006
Vamos fazer um exercício.
Vamos fazer um exercício.
Imaginem que estão numa qualquer zona de praias. Uma zona cheia de turistas que vão em busca de divertimento. Os Bares promovem como normalmente festas ""temáticas" normalmente com o patrocinio de uma qualquer bebida, afinal são bares e se eles fossem patrocinados por marcas de detergentes é que eu me admirava. Em todo lado há a festa da Caipirinha, da Sagres, Da Budweiser, .... tal como aliás há os Festivais populares que têm exclusivos de uma bebida e até das festas populares que muitas vezes são patrocinadas.
Continuemos com o exercício. Imaginemos que vamos a uma festa da Caipirinha por exemplo e o normal nessas festas é até se beber, imaginem, caipirinha. Imaginemos que o patrocinador da festa pretende oferecer uns brindes. Fitas, porta chaves, chapéus e bebidas. Sim, que pode ser normal especialmente se houver aquelas raspadinhas muito em moda. Uma bebida, uma raspadinha e logo vês qual o prémio.
Continuemos a imaginar que estamos numa festa assim, bem divertidos a ouvir um bom "sonoro". Até aqui é tudo normal, mas para dar um pouco de vida à coisa vamos imaginar que a polícia entra por ali adentro. Imaginamos uma rusga, não, melhor, imaginamos que eles vão apenas acabar com a festa porque as festas apesar de patrocinadas não podem ter incentivo ao consumo de alcool. Assim torna-se um pouco mais difícil o exercício de imaginação. Imaginemos que no meio desta confusão a festa é abruptamente terminada e os responsáveis que estão na festa são multados em 25000 Euros. Vejamos hipóteses para esta multa para tornar a história imaginária ainda mais intensa. Um Cartaz que dizia "Beba duas, Pague uma", um cartão de consumo que à 5ª bebida oferece uma grátis, a raspadinha que dá prémios, ... vou ver se me lembro de mais alguma, .... sim, .... Um Videowall que passe anuncios sugestivos da bebida ou uns (umas) manequins simpátic@s e bonit@s que destribuam as bebidas. Pior ainda seria se houvesse um patrocinador que ofereça bebidas para promover uma nova marca.
Bom a história já está mesmo no domínio da imaginação agora mas vamos pôr mais imaginação nisto que as histórias são boas é quando são completamente surreais. Imaginemos que esta "rusga" faz parte de uma grande investigação, com dezenas de efectivos das Brigadas de Investigação criminal envolvidos e que visa desmantelar toda uma rede de festas patrocinadas que há em Portugal, calculo que ao Fim de Semana haja em Portugal mais de 1000. Só no meu bairro são normalmente uma ou duas. Podiamos imaginar que esta investigação começa no Algarve, porque é onde há mais festas , mas para tornar o enredo mais "louco" vamos imaginar que o desmantelamento desta perigosa rede começa geograficamente pelo Norte seguindo para sul e por isso a 1ª zona a ser atacada é a praia do Furadouro em Ovar, conhecida pela sua vida nocturna intensa e em expansão.
O enredo já está a ficar bom. Bastante imaginativo não acham? Pois é. O problema é que eu não inventei isto. É real e passa-se em portugal em 2006. Vejam aqui e fiquem atónitos.
Só mesmo aqui. Será que quem manda na nossa polícia não tem mais nada que fazer? Não há nada mais importante neste país para fazer? Não há criminosos para apanhar? Será que vamos multar todas as discotecas, bares e até cafés deste país?
Eu não entendo isto. A sério que não entendo.
Publicado por Daniel Arruda às 10:05 AM | Comentários (1)
Portugal no seu melhor
Depois do caso das escutas ficámos a saber que as forças de segurança e protecção civil são escutadas assim como a segurança do PR e do 1º Ministro. Ficámos também a saber que o problema vai estr resolvido dentro de pouco tempo pois as comunicações em Lisboa vão passar a ser seguras. Não é em Portugal, é em Lisboa. Apenas e só. Ficámos também a saber que há quem perde tempo a escutar estas coisas, facto que eu julgava impensável dado o interesse da coisa.
Depois admiram-se que em Portugal nada se resolva. É se está meio mundo a escutar o outro meio pouco ou nada sobra para resolver. Mas não se pense que isto tráz só desvantagens. Eu acho que a Al-Qaeda esteve a ouvir as nossas comunicações e só por isso poupou o nosso país a uns atentados. É que depois de ouvirem o que se passa, de verificarem o desleixo acharam que até ficava mal no "curriculum vitae" de um bombista efectuar um ataque em Portugal.
- Então onde é que já fizeste uns atentados.
- Em Portugal.
- Epa, vai lá para a rua e volta quando tiveres uma coisa que se mostre e não essa brincadeira de crianças de fazer ataques em Portugal.
Publicado por Daniel Arruda às 08:09 AM | Comentários (1)
agosto 15, 2006
Eu sou saloio
Hoje é um dia especial. Comemora-se hoje um pouco por toda a região saloia o dia do Saloio e que tem especial destaque na praia de Santa Cruz. Para quem não sabe a zona saloia é toda aquela que vai do Olival Basto (ao fundo da Calçada de Carriche, às portas de Lisboa) até Torres Vedras.
Há por aí quem use este termo de uma forma que se pretende de ofensiva, assim do género, "És mesmo saloio", mas o que essas pessoas não sabem é que nós saloios temos orgulho no que somos. Eu digo sempre e repito sempre que posso, que tenho gosto de ser saloio.
Apesar de ter nascido longe, na "estranja", fui criado em Loures e fico feliz por hoje poder comemorar aquele que também é o meu dia.
Um grande bem haja á região saloia e aos seus habitantes.
Publicado por Daniel Arruda às 04:37 PM | Comentários (7)
Os Planetas não se medem aos palmos!!!!

Ora aqui está uma notícia que me põe mal disposta logo de manhã...ok, não é manhã, mas fica bem no texto.
Acho de um mau gosto incrível pensarem sequer em tirar-me o Plutão. Ou em passá-lo para a 2ª divisão dos Planetas. Eu tenho 1,60m de altura, há gente muito mais pequenina que eu...não somos gente por causa do tamanho, é? Porque carga de água é que aquela de que os homens não se medem aos palmos não se pode aplicar aos planetas? Eu aprendi aquela ladaínha toda...Mercúrio, Vénus....Urano, Neptuno e Plutão. O e estava ali. Ninguém me vai obrigar a mudar o gajo de sítio.
E depois eu tenho outro problema grave. Há uns anos fizeram-me uma Carta do Céu. Disseram-me que tinha ascendente em Leão e puseram lá os Planetas todos...até o Plutão. E, pasme-se, disseram-me que tinha o Plutão em conjunção com o Ascendente. Não sabia o que isso significava...explicaram-me que não era muito bom...levei anos a habituar-me a esse facto incontornável, mas agora não abdico dele, assim do pé para a mão. Quero a minha conjunção. Na altura, disseram-me que teria sempre assim uns fins violentos...por causa do canochito estar naquele local. Perguntei, assustada, mortes e assim??' não, isso só morres uma vez...nas relações, por exemplo. Confesso que depois do choque inicial veio a esperança: ainda hei-de ver um homem a fazer um duelo por mim...ou a ameaçar mandar-se ou mandar-me da Ponte...ou a passar-me rasteiras...ou a ameaçar que mete a mão na tomada enquanto toma banho...até me cheguei a lembrar do Império da Paixão, acho que até do dos Sentdos...tudo coisas que o Plutão permitiria e que se mo tiram, perco, definitivamente, a hipótese de, algum dia, presenciar.
Para além de denunciar esta situação este post tem outro fim. Peço-vos que se juntem a mim e que façamos um movimento de defesa do Plutão. Tipo, abaixo assinado, manifestações de rua, envio de Emails (para os cientistas...parece que os planetas não aprenderam a ler...), etc, etc, etc..
Já agora juntamos a isso a nossa reivindicação que Xena também passe a contar como Planeta. Parece-me um atentado à paridade e aos direitos das mulheres que em 9 planetas, 7 sejam masculinos. Só admitirei mudar o e de lugar se fôr para meter lá a Xena.
Contra a despromoção de Plutão!!!!
Pelo reconhecimento de Xena!!!
Pelo fim da descriminação sexual dos Planetas!!!!
Os Planetas não se medem aos palmos!!!!
Publicado por Isabel Faria às 12:56 PM | Comentários (4)
agosto 10, 2006
Nem tudo o que luz é ouro....
Parece que vou ter de discordar ligeiramente da Isabel numa posta mais abaixo, porque, e desculpem-me se sou céptico demais, depois de uma suposta entrevista de um membro do Hezbolah um desmantelamento de um ataque terrorista vem mesmo a calhar para as pretensões do Império.
É que não faz de todo sentido que o Ataque se realize na Inglaterra, muito menos em aviões que vão para os EUA. A menos que nós achemos que organizações terroristas como a Al-qaeda ou o Hezbolah sejam de tal maneira estúpidas que façam os ataques em território dos países mais alertas, com os melhores serviços secretos, numa altura em que os níveis de alerta estão no máximo em deterimento de outros ataques que poderiam fazer, de forma mais eficaz e com efeitos mais devastadores.
Não quero ser revisionista mas tirando os ataques de Madrid, não acham que todos os outros caíram que nem sopa no mel nos objectivos a santa aliança EUA-Inglaterra-Israel? Vou esperar pelos próximos episódios.
Disse que discordava ligeirmente da posta da Isabel porque realmente concordo que a invasão do Iraque não tenha trazido mais segurança ao mundo. Só que eu ainda não percebi quem é que nesta história é o terrorista.
Publicado por Daniel Arruda às 02:00 PM | Comentários (5)
agosto 05, 2006
Masturbação

Isto sim é uma actividade para o fim de semana. Abençoados organizadores de semelhante iniciativa. Só em Portugal, o país que mais records tem no Guinnes Book of Records ainda não se lembrou de bater (textualmente neste caso) este feito. Ainda por cima tem um objectivo de caridade.
Venha de lá esta ovação.
Uma nota: Num país como o nosso em que a sexualidade infelizmente ainda é tabú a masturbação ainda é visto como algo mau. É daqueles casos em que toda a gente, ou quase toda, pode dizer que já fez mas ninguém comenta. Ninguém defende. É bom que saíam notícias destas para ver se de uma vez por todas crescemos.
Publicado por Daniel Arruda às 01:17 PM | Comentários (1)
agosto 04, 2006
Será que era mesmo médico????
Eu ouvi as declarações do médico anteontem no notíciário das 20 Horas na televisão. Ouvi-o dizer claramente que se tratava de mais um caso de abuso, que a criança tinha queimaduras de cigarro e uma que parecia ser de um ferro de engomar. Foi um médico que disse isto.
Afinal o que podemos esperar de um médico que não destingue um problema dermatológico de uma queimadura deliberadamente provocada? Em que posição ficou a mãe de uma criança que viu o seu nome arrastado na lama? Quem se responsabiliza por isto? Quem investiga este médico para termos a certeza que ele não se engana e faz uma autópsia em vez de uma operação á apendicite?
Com toda esta fobia onde é que vamos parar. Vergonhoso.
Publicado por Daniel Arruda às 10:04 AM | Comentários (6)
agosto 03, 2006
Brincadeira ................. de crianças

Foi assim que foi classificada a morte de Gisberta. Uma brincadeira, de crianças certamente, pois as idades a isso obrigam.
Acho que deveriamos ajudar a que as nossas crianças brinquem. Vamos levá-las a sitios públicos onde parem muitas pessoas para que haja variedade. Vamos incitá-las a brincar a este novo jogo que os tribunais portugueses inventaram. Chama-se o espanca o próximo e como prémio para aquele que conseguir ser mais original na forma como bater e especialmente na forma como oculta o cadáver tem o direito a 13 meses de férias com saídas ao fim de semana. Estou até tentado a introduzir uma nova regra no jogo. Quem conseguir profanar o cadaver de forma original e criativa terá ainda um bónus de poder saír da instituição para receber uma vez por semana tratamento psiquiátrico.
Por acaso foi um transsexual que por azar ainda por cima era imigrante e pessoas com estas duas caracteristicas em Portugal valem zero. Mas vejamos as coisa pelo lado positivo. Em Portugal uma vida humana tem preço e está sujeita às flutuações de mercado e da concorrência. É que ficámos a saber que em Portugal as vidas não têm todas o mesmo valor. Há umas que para o estado não valem nada a ponto de poderem ser sacrificadas por uma brincadeira, de crianças .... certamente
Publicado por Daniel Arruda às 11:10 AM | Comentários (5)
Nada como tê-los esfomeados...
Há sempre a hipótese de nos safarmos com os esfomeados...
Segundo este reconfortante estudo, quando estão de estômago vazio eles não reparam nas nossas curvas (ou falta delas...). O que, apesar de tudo, é uma diferença significativa. Eu quando estou com fome nem reparo neles....
Publicado por Isabel Faria às 09:50 AM | Comentários (4)
julho 29, 2006
Lamego
Lamego é de facto uma cidade espantosa. Não me canso de cá vir, de a visitar, de entrar em suas igrejas, de ir ao castelo ou apenas de passear nas suas ruas. Gosto de comer as bolas, de bacalhau, presunto ou de outra coisa qualquer. Mas mesmo fora da cidade eu sinto-me bem. A percorrer as estradas que serpenteiam entre as vinhas, a subir aos miradouros e ficar por ali, apenas a desfrutar daquilo que a natureza nos deu e que o homem soube preservar.
Adoro descer para o Douro e ficar ali á beira rio, numa qualquer esplanada da Régua ou numa das praias fluviais, a ouvir as histórias que o rio tem para contar e se elas são muitas. Histórias de vidas mas também de sofrimentos que hoje são apenas sussurrados sempre que um rabelo desce o rio já sem cumprir a sua função inicial.
Mas a história da região é mais que coisas materiais. Eu não sou religioso mas as crenças aqui fascinam-me. Pela forma como são exercidas e vividas. As procissões têm alma e sentimento. As pessoas vivem a espiritualidade, para o bem e para o mal. As que cá vivem e as que visitam Lamego nas suas perigrinações dos caminhos de Santiago. É esse sentimento que dá ccoesão. Desengane-se por isso que a coesão social e territorial é uma coisa política. Para mim essa ideia é do mais errado que existe. Ao passearmos por Braga, Lamego Chaves, Vila Real, Caminha encontramos o mesmo sentimento que encontramos a passear por Santiago de Compostela ou Pontevedra. Encontramos pessoas iguais, estilos de vida iguais, e essas coisas fazem-nos pensar sobre as questões de território.
Tenho um amigo galego que me diz repetidas vezes que a Galiza deveria ser independente mas se não o fosse que teria de pertencer a Portugal. Não concordo com ele. Poderia ser independente mas deveria-se ponderar o facto de Minho e Trás os Montes poderem fazer parte desta grande comunidade pois as afinidades são enormes e elas sentem-se. Não se trata aqui de uma separação ou desmembramento do nosso país mas se quisermos pensar na Iberia como uma zona de regiões não podemos esquartejar uma coisa que históricamente e culturalmente é una.
Atenção, não estou aqui a propor nenhum tipo de novo estado, estou apenas a constatar um facto que se calhar num qualquer futuro terá de ser equacionado. Estou a constatar realidades culturais, arquitetónicas e de vivencia das pessoas. Como disse mais acima "Desengane-se por isso que a coesão social e territorial é uma coisa política" estou a falar de sociedades de ligações culturais e de hábitos.
Lamego é disso um exemplo. Quem já passeou por Santiago sente-se em casa em Lamego. Eu sinto-me em casa.
Publicado por Daniel Arruda às 10:45 AM | Comentários (5)
julho 27, 2006
Um link
Mesmo aqui em férias recebo desafios. Um amigo enviou-me este link e um desafio. Que o visse, o publicasse e lhe colocasse comentários, que não fossem de "dona-de-casa-trabalhadora-empregada-măe-aflita com os problemas da vida" (desculpa lá, mas isto de publicar posts a pedido tem as suas contrapartidas...).
O link aqui fica. O único comentário posível é que não acredito que uma sociedade que não respeite os seres vivos possa ser uma sociedade justa. Nem que pessoas que não respeitam os outros seres vivos e a natureza possam ser criadores de sociedades justas.
Quanto ao resto...não prometo nada. É que, para mal dos meus pecados, sou isso tudo...talvez a excepção seja dona-de-casa...mas trabalhadora, empregada, mãe e aflita com os problemas da vida (olha acabei de perder umas chaves e não faço ideia como me vou safar desta...), disso não tenho mesmo como me safar...
E manda mais...aqui é tão complicado fazer posts que sempre ajuda...e uma boa causa, amigo, é sempre uma boa causa...nem preciso de me atrever...basta não me esquecer de ser coerente!!!!
Publicado por Isabel Faria às 12:10 PM | Comentários (3)
19.000 Euros
Será que li bem?!??!?! Os CTT pagaram 19.000 Euros por uma palestra de Scolari, sobre espírito de grupo?!?!?!?!?!?!
OS CTT não são públicos? Então nós portugueses pagámos 19.000 Euros para que o selecionador nacional de Futebol, já de si princepescamente pago pelo erário público, (ou mais ou menos pelo erário público dadas as relações entre federações e estado) receba mais 19.000 para ir dar uma palestra a funcionários dos CTT.
Espero sinceramente que isto não seja verdade pois a ser é mais que insultuoso para quem trabalha diariamente.
Publicado por Daniel Arruda às 11:19 AM
julho 26, 2006
Um amigo que está lá, onde tudo se passa.
Não são questões muito técnicas nem sequer opiniões no sentido mais político da palavra mas vejam aqui relatos de que está na zona circundante do conflito e que trás uma outra perspectiva das coisas.
Daniel, acho que não podias ter escolhido "melhor" sítio para passar "férias"
Publicado por Daniel Arruda às 02:03 PM
julho 25, 2006
Segurança ou Demagogia
A propósito de um artigo que escrevi para o Jornal da Moita e que pode ser lido em http://blocodenotas-be-moita.blogspot.com/ vem um cidadão cujo mail é jfigueira tecer algumas criticas dando a entender que a triste situação de violência com perda de vidas humanas que se passou no passado domingo no mercado da Moita tinha a ver com isso.
Resolvi pois colocar este post
O cidadão jfigueira, numa atitude incompreensível, tenta argumentar contra um artigo meu, dando a entender que se perderam vidas numa desordem no mercado municipal da Moita, por não haver posto da GNR.
Ora vamos lá a pensar em conjunto:
1) Há alguns meses atrás na Baixa da Banheira, terra que até tem posto da GNR perdeu-se uma vida de modo semelhante.
2) Se recuarmos mais uns meses, também na Baixa da Banheira repito terra que tem posto da GNR e a menos de 100 metro do dito posto, também pessoas de etnia cigana numa briga acabaram por matar um cidadão de origem
caboverdiana.
3) E se voltarmos uns dois ou três anos mais atrás também num mercado semanal, duas pessoas da mesma etnia cigana num desacato, utilizaram armas de fogo tendo um deles sido morto.
É de salientar que no caso dos mercados (semanais) e mensais sempre estão presentes patrulhas da GNR e no caso em concreto também lá estavam, é claro que não estavam no local, porque não há "bruxos".
Ao cidadão em concreto, reafirmo a minha convicção que não é por temporariamente a Moita não ter posto da GNR que tal acontecimento se deu. Reafirmo que as forças da GNR estavam no mercado exactamente com o mesmo
número de soldados que tinham aquando da existência do posto da Moita, reafirmo que para além disso, a Moita tem um posto da PSP, coisa que mais vila nenhuma do concelho tem.
Quero também esclarecer que jamais escreveria um artigo como sugere o cidadão jfigueira "pelo facto da Câmara da Moita ter deixado partir a GNR perderam-se 2 vidas", pois tal artigo seria uma mentira, as minhas criticas
à Câmara Municipal da Moita, são de ordem politica e estratégica, no que diz respeito ás opções que faz em relação ao concelho onde vivo há 45 anos e onde gosto de viver, razão pela qual tenho opiniões que penso o podem melhorar, nomeadamente para com a expansão urbanística, o melhorar e ampliar as zonas verdes nomeadamente a arborização do concelho, a requalificação urbana há muito prometida e sistematicamente adiada, e as questões ligadas com a zona ribeirinha e o aterro de sapais, o lançamento de esgotos para o Tejo, a
circulação dos mesmos a céu aberto como acontece na vila de Alhos Vedros, etc.
Utilizar um problema do tipo do ocorrido para atacar a Câmara e os seus responsáveis era no mínimo ignóbil e nenhuma das forças ali representadas o merece.
Publicado por António Chora às 03:35 PM
julho 23, 2006
Não entendo
Ontem falava com uma amigo que me dizia cheio de orgulho que não tinha tempo para ler livros que não fossem técnicos. Anteontem à noite ouvi uma pessoa na televisão dizer com orgulho que não votava há mais de 20 anos. A semana passada ouvi uma pessoa gabar-se de como conseguia fugir aos impostos e ainda receber dinheiro do Estado.
Porque será que é cada vez mais normal ter orgulho exactamente naquilo que nos deveria causar maior vergonha????
Publicado por Daniel Arruda às 11:49 AM | Comentários (2)
julho 20, 2006
Tinha de ser
Tenho estado a pensar se o deveria fazer. A morte nunca deve ser motivo de jubilo. Não o é neste caso. Mas também não posso dizer que tenha pena. Normalmente nas homenagens costumo colocar uma foto. Calcula-se por isso porque é que esta não tem foto. Porque não é uma homenagem. É uma constatação de um facto. De que alguém morreu sem ter cumprido pena e sem ter sido julgado pelo seu maior crime. O assasinato de Humberto Delgado.
Rosa Casaco está a esta hora debaixo de terra. Já lhe devia uns anos. Nunca se arrependeu do que fez, nem uma lágrima de crocodilo sequer verteu. Não me preocupa se esta posta é politicamente incorrecta. Nunca me preocuparam essas coisas. Nunca o conheci nem sofri ás suas mão mas historicamente é uma figura que me repugna, como repugnam todos os que mataram e torturaram com prazer e convicção.
O desabafo está feito, em contra corrente com a quase desculpabilização que os "media" lhe fizeram ontem e hoje. Tinha de o fazer. Os elogios a quem é de elogios e as .... (não sei que palavra usar para semelhante ser) a quem os merece.
Publicado por Daniel Arruda às 09:06 PM | Comentários (5)
julho 19, 2006
Em Portugal
Ficámos ontem a saber, que um país civilizado da Europa esta dependente de uma ponte. Se a ligação da ponte de Vila Real de Sto António for interrompida não existem alternativas para os transportes de mercadorias num raio de largos Km, ou seja, os algarvios estão lixados com F grande se um dia aquela ponte for abaixo.
Publicado por Daniel Arruda às 03:47 PM | Comentários (3)
Paz, Peace, Paix, Pace, Frieden, Shalom, السلام... PAZ!
Depois de ver a posta da Isabel sobre os miúdos a jogar á bola estive a ver uns desenhos animados com o meu. Estava a dar a Sakura, um desenho animado japonês como tantos outros, em que o personagem busca felicidade para ele e para os outros Tal como em tantos outros desenhos animados, o mal é sempre vencido e o amor o vencedor, como na esmagadora maioria deles. Ao ver este desenho animado estava a pensar como o mundo poderia ser bonito se isto fosse verdade.
Esta noite ao jantar fui incapaz de explicar de uma forma racional ao meu filho o que se estava a passar no Médio Oriente. Não consegui explicar as bombas, os corpos mutilados, as crianças nos hospitais, as casas destruidas nem o ar satisfeito dos comandantes da guerra. Como se explica racionalmente as coisas irracionais? Como explicar que o seu mundo, o da Sakura, mas também o dos Digimons ou do Oliver Benji, não passa de uma pura ficção em todos os aspectos. Que os Homens na realidade fazem é guerra, que destroem, que não se respeitam. Que no seu mundo não há petróleo, interesses económicos, invejas e religiões e que no mundo real não há amor nem fraternidade pois nesta sociedade que vivemos isso é considerado incompatível. Como lhe vou conseguir explicar que aquilo que lhe ensino não é o que é praticado pelo mundo sem caír no "ridículo" de lhe dizer que luto por um outro mundo e pior, que acredito que esse mundo só será possível se ele e muitos "eles" o fizerem nascer.
A ele e a todas as crianças que podem ter uma visão do mundo sem guerra cabe a hércula tarefa de fazer um mundo melhor. É às próximas gerações (sem nos desligarmos das nossas obrigações agora) que temos de passar a mensagem...
...GIVE PEACE A CHANCE...
...enquanto ainda há tempo ( e Mundo).
Publicado por Daniel Arruda às 12:23 AM | Comentários (2)
julho 11, 2006
GM Azambuja

Já se sabia. Parecia inevitável, mas custa sempre saber que há mais 1000 famílias que vão ser afectadas por mais uma deslocalização. A GM Azambuja não fecha porque tnha de ser assim. Não fecha porque os trabalhadores eram maus. Fecha porque a administração assim o quer. Fecha porque a ansia de mais lucros o exige. Hoje é para a Eslóvaquia, Eslovénia ou outro país qualquer. Amanhã será dali para outro país onde os trabalhadores sejam ainda mais explorados.
Hoje activaram o relógio. A bomba, essa explodirá na vida das pessoas mais para o fim do ano. Somos todos solidários com os trabalhadores da GM Azambuja. Pois somos. Mas será que isso tas comida para o prato? Não. Temos é de ter atitude e essa é todos os dias, na luta contra o sistema. É na luta, na indignação e na revolta que se poderá demonstrar a melhor forma de solidariedade por estes e por todos os trabalhadores
Publicado por Daniel Arruda às 07:09 PM | Comentários (11)
1 500 000 000 000
Este número lê-se mil milhões e quiinhentos mil e é esse o valor dos lucros da banca no último ano. Um valor exorbitante por todos os motivos. porque é um sector que continua não pagar os impostos que deveria e porque no mercado de trabalho não tem um peso que o justifique. Por outras palavras poderemos dizer que a banca em Portugal não tráz nenhum valor acrescentado á sociedade. Só para termos uma ideia se este valor fosse equitativamente distribuido pelos trabalhadors da banca qualquer um destes receberia perto de 240 000 euros por mês. Obviamente que não é isso que se pretende mas poderia ser que se fossem aumentadas ofertas nos balcões e admitidas pessoas para que os funcionários dos bancos efectivamente cumprissem as 8 horas de trabalho que o número de funcionários fosse aumentado em cerca de 30 000 e a margem dos lucros quase que não era afectada.
O que eu quero dizer com isto é que é importante que o país não veja a banca como algo que cria riqueza. Muito antes pelo contrário. A banca acaba com a riqueza concentrando-a em dois ou tres individuos parasitas do resto da sociedade.
È urgente que a banca comece a pagar impostos sobre os lucros reais e que deixe de ser o ex libiris da falta de condições de trabalho e da precariedade.
Publicado por Daniel Arruda às 08:23 AM | Comentários (7)
julho 10, 2006
Diferenças
Não me choca nada que 10.000 portugueses tenham saído à rua para esperar a Selecção, ontem, à chegada da Alemanha. O que me choca é que os Portugueses só saiam à rua para esperar a Selecção.
Cada vez que a França ganhava uma eliminatória, milhares de franceses saíam à rua para comemorar. Como cá.
A única diferença é que há uns meses, centenas de milhares de franceses sairam à rua para lutar contra a precariedade e pelo direito ao emprego com direitos. E cá não.
Publicado por Isabel Faria às 03:50 PM | Comentários (3)
O País continua...

Depois de mais de um mês de intervalo, o País de todos os Verões aí está de novo. Ontem, mal chegou o primeiro calor, voltaram os incêndios. Seis bombeiros morreram em Famalicão. O Verão parece que vai ser de novo quente e de novo se vão repetir os mesmos gestos, as mesmas palavras sem sentido, as mesmas imagens em que a beleza se alia duma forma avassaladora à tragédia…Portugal vai voltar a arder. Não de emoção, nem de verde e vermelho. Vai voltar a arder de desleixo, de incapacidade, de impotência, de adiamento constante. A arder do preto das cinzas. Nos meses que aí vêm o hino vai ser substituído pelo som das sirenes dos bombeiros. E as pessoas que saírem à rua, continuarão à espera dum S. Scolari ou dum S. Figo, que as faça esquecer, que já o ano passado assim foi. E que assim continuará para o próximo. Com um pequeno intervalo em 2008. Para o Europeu.
Publicado por Isabel Faria às 03:30 PM | Comentários (2)
O nosso sempre querido Abominável Homem das Neves
É por estas e outras que o Abominável Homem das Neves merece todos os anos o prémio de criatura lusitana com menos neurónios por centimetro cúbico de cabeça.
Publicado por Daniel Arruda às 09:07 AM | Comentários (2)
julho 08, 2006
Mas o que é que é isto?!?!?!?!?!
O que é que se passa com o Expresso? O jornal que até hoje era diferente. Não embarcava no mediatismo do Futebol para fazer 1as páginas hoje aparece com uma página inteira dedicada ao futebol e a Scolari. O Expresso não é um diário. É um semanário de referência e deveria ter assuntos mais importantes que tratar que futebol. Será que não se passou nada neste país nesta semana?????
A última réstia de esperança do jornalismo em Portugal desvaneceu-se hoje.
Publicado por Daniel Arruda às 01:37 PM | Comentários (1)
julho 07, 2006
Grávidas do Alentejo

Recebi por Email (obrigado, António). Como hoje o Troll está cheio de letras...nada como uma viagenzita ao Alentejo profundo...
Publicado por Isabel Faria às 01:01 PM | Comentários (2)
Somos racionais???
De vez em quando apercebemo-nos de que não somos imunes às mensagens com que nos bombardeiam diariamente. Somos conscientes. Até somos cidadãos informados. Até estamos convencidos que sabemos distinguir a verdade das mentiras que nos transmitem...então porque é que, depois, temos reacções completamente irracionais? Porque é que nos saem expressões de medos sem razão e, sobretudo, sem lógica? Porque o medo é irracional? Ok, mas não temos a pretensão de ser conscientes? De o saber e poder controlar?
O meu filho tem ido, desde que as férias começaram, várias vezes para as praias da linha de Cascais. Normalmente para o Estoril ou para S.Pedro.
Ontem à noite, perguntou se hoje podia ir. Disse-lhe que sim...esta manhã, perguntei se era para S.Pedro ou para o Estoril...”para Carcavelos, hoje vamos para Carcavelos...”.
“Nem penses!!! ...” “Hein...porquê???
Deve ter ficado com uma cara completamente passada porque nunca vi os olhos do meu filho tão grandes a olharem para mim...e eles são enormes...
”Descuilpa...estava a pensar no jogo...” “No jogo???? Qual jogo ??? Não estás bem hoje, pois não???”.
Felizmente estava atrasada para sair de casa.
Publicado por Isabel Faria às 11:04 AM | Comentários (4)
Notícia importante
Isto é o que se pode chamar uma notícia como deve de ser. Apesar de já ser de 2003 nunca foi muito divulgada aqui nas terras lusas. Não percebo porquê. Será que não é importante? Afinal o cancro da mama também mata em Portugal e tudo o que se pudesse fazer para evitar mortes é bem vindo. Aliás até se poderia fazer uma lei que tornasse o alfinete de peito (ficava mal usar o português tradicional) obrigatório em todos os lares.
Mulheres de Portugal. Ponham a boca, desculpem, os olhos neste estudo. Cuidem de vocês, façam bem à vossa saúde.
Publicado por Daniel Arruda às 10:48 AM | Comentários (4)
Palavras para quê?!?!?!?!?
Parece que há polacos que têm saudades de Salazar e Franco. Vindo de um país que teve durante mais de 40 anos uma ditadura não deixa de ser caricato.
Como está no texto. É um preço que nós democratas temos de pagar. -
Publicado por Daniel Arruda às 09:26 AM | Comentários (4)
julho 06, 2006
Outro dia
São pouco mais de nove da manhã. Já começou o dia. Portugal não passou à final do Mundial da Alemanha. Fez um óptimo Mundial e acabará, pelo menos, num honroso 4º lugar .
Está na hora de me despachar. Vou entregar na AR a petição que tem vindo a circular contra a precariedade. Uma tentativa de quase 6000 pessoas para verem revista uma Lei que tira presentes e futuros a milhares de outras.
Na hora em que me preparo para sair de casa tenho três pensamentos:
1º - Se Portugal conseguisse qualquer honroso lugar (já nem falo no 4º, que a Selecção conseguiu...) em qualquer um dos indicadores de qualidade de vida, de direitos, de desenvolvimento, de intervenção cívica e cidadã, tinhamos un bons Kms a menos de passos para dar. A Selecção Portuguesa de Futebol está, portanto, muitos passos à frente de todos nós. Talvez devessemos, agora, com os ânimos mais calmos, pensar nos passos que nos faltam dar para a igualar. E começar a dá-los.
2º - Não vou entregar a Petição a pensar nos milhares de homens e mulheres que diariamente a vivem. Hoje, reservo-me o direito de o fazer, apenas, em nome dos que conheço, conheci, ao longo destes anos. Dos que para mim tiveram/ têm rostos, e histórias, e dramas, e sonhos sempre adiados, e amanhãs nunca concretizados. Dos meus colegas que na Sexta Feira passada se despediam de nós, com a dor de quem mais uma vez nada tem. De quem mais uma vez tem que começar, vezes sem conta começar, tudo de novo em novos lugares, com novos rostos e em que estas histórias não contam. Em que não têm passado. Têm braços e pernas. E precisam de sobreviver.
3º Quando a petição estiver entregue, volto, tenho a certeza, a conseguir ver todos os outros. Por agora levo a R.
"E se quando reabrir não nos voltarem a chamar, Isabel??? Gosto tanto de vocês...até do chão da copa gosto... São tantos anos...ainda nem eras loura...as minhas fardas foram mudando...acho que a primeira era a verde. Dizias que parecia uma alface..."
Por agora, vou entregá-la por ti.
Publicado por Isabel Faria às 09:13 AM | Comentários (4)
julho 04, 2006
A persistente vitória da hipocrisia
A hipocrisia continua.
Há uns dias, fazia-se uma homenagem a uma mulher morta no rescaldo de um aborto clandestino. Hoje, o Tribunal de Aveiro anula o anterior acordão e condena três mulheres a penas de prisão. Até quando?
Publicado por Isabel Faria às 09:09 PM | Comentários (2)
junho 27, 2006
Apenas um simbolo
Apenas vale como um símbolo. Apenas serve de alerta. Ainda hoje há mulheres que morrem vítimas de aborto clandestino. As que não têm possibilidades de os fazer em clinicas bem pagas, aqui ou em Espanha.
Há oito anos, os portugueses preferiram ir para a praia, e, mais uma vez, disfarçarem-se de avestruz. Depois disso não se sabe quantas Lisetes, pagaram com a vida, a impossibilidade de dar vida.
A vida é feita de opções. De dores. Tem uma boa dose de inevitabilidade e de irreversibilidade. E se um símbolo servir para nos avivar a memória e nos despertar a consciência, creio que é bem vindo.
A esta hora, talvez num qualquer quarto de uma qualquer cidade de Portugal, haja quem não possa seguir uma gravidez.
Entretanto, no que diz respeito a Educação Sexual, que os partidários da penalização usam e abusam em épocas de decisões, tudo continua por fazer.
O PS prometeu um novo referendo. Talvez a melhor forma de lembrar a Lisete seja pensar em não ir à praia nesse dia. .E teimar em lembrar o PS do seu compromisso.
Publicado por Isabel Faria às 10:04 AM | Comentários (5)
junho 25, 2006
Os "portuguesinhos"
A lógica do Juíz que recusou a nacionalidade portuguesa a uma cidadã indiana, que vive há nove anos em Portugal, está casada com uim português e tem filhos portugueses, deve ter chegado aos jornais luxemburgueses.
Talvez faça bem a alguns portugueses que culpam os imigrantes dos males que por aí vão, que somos um País de emigrantes...e que, de quando em vez, há quem faça questão de, lá por fora, nos lembrar isso.
Publicado por Isabel Faria às 05:47 PM | Comentários (1)
junho 24, 2006
Repescados
Os Blogs têm estas contingências. Os Posts vão desaparecendo com os dias. Cada novo Post é mais um passo para que o anterior passe definiivamente para a galeria do esquecimento. Só que há posts e posts. Neste caso concreto, há comentários a posts e comentários a posts.
Decido "repescar" um Post que fiz há algum tempo sobre as eleições para o SPGL e um outro que o Daniel escreveu sobre a Unidade e a Unicidade. Pela importância dos comentários (dos sérios, dos outros, claro que nem aqui nem em qualquer outro lado, rezará a história) não gostaria que ficassem esquecidos naquele planeta para onde vão os posts dos dias que passaram.
A todos o nosso obrigado. Pela participação. Pelas informações. Pela discussão. È para isto que serve o Troll.
Aqui ficam so links.
SPGL
Unidade e unicidade
Publicado por Isabel Faria às 10:07 PM | Comentários (6)
junho 23, 2006
Não podiam ter escolhido pessoa mais acertada....
Homossexuais pedem ajuda a Cavaco
Publicado por Daniel Arruda às 05:20 PM
Os princípios
A escola para o meu pequenino já acabou. É altura de férias grandes. Claro que passou. Ninguém chumba no 1º ano. Mas fico satisfeito por ele ter efectivamente aprendido. É que podia-se dar o caso de ele progredir mas ficar com lacunas.
Mas a razão de ser da posta nem é tanto isso. Tem a ver com uma tecla que eu já bato há algum tempo. A escola (instituição) é mentirosa. Toda a gente apregoa, e provavelmente até haverá quem verdadeiramente acredite nisso, o trabalho de grupo, a importância da socialização dos comportamentos. Ou seja, e em resumo, que não se deve fomentar o indevidualismo. Tudo isso é bom, mas depois há escolas que continuam a constituir os seus quadros de mérito onde destinguem uns de outros, a fomentar que no ano a seguir haja uns que querem ultrapassar os outros, fomentando uma competição que não me parece que seja saudável para um miúdo de 7 anos.
Agora estarão alguns a pensar que estou chateado é por o meu filho não fazer parte do quadro de honra ou mérito como lhe quiserem chamar. Nada disso. Até porque ele está lá. Foi elogiado pelo comportamento, interesse e aprendizagem. Mas é um dipoloma que não lhe vou mostrar muitas vezes na infancia. Quero até que ele o esqueça. Quero que ele aprenda que no mundo se for preciso ficarmos um pouco para trás para que possamos caminhar juntos. Para todos chegarmos ao nosso destino. Quero que ele aprenda que o caminho é mais bonito se não fôr feito sozinho.
Gosto obviamente de saber que o meu filho vai no bom caminho. Não sou despreendido ao ponto de não ser sensível aos louvores que ele possa levar mas há princípio que não abdico. Que é o de ensinar que nenhum louvor individual é importante se ele não fizer bem ao próximo.Que o "Nós" é tão ou mais importante que o "Eu". Espero poder passar-lhe isso, tal como, por exemplo, a Isabel consegui passar tantos valores fundamentais ao JP.
Publicado por Daniel Arruda às 07:59 AM | Comentários (1)
junho 20, 2006
Não compreendo os juízes
Mas obviamente que não. O que é mais normal é o pessoal ir comer a sandes da manhã sentado na sanita ou então leva o cafézinho para um momento social encostado ao urinol.
Agora a sério. Um trabalhador que se deloque 10 vezes á casa de banho durante um periodo de trabalho, deve ser encaminhado para um médico porque deve ter problemas urinários, mas daí a poder-se controlar electrónicamente as idas ao WC é abusivo pois a meu ver que não sou jurista poe claramente em causa a privacidade de cada um.
Espero que o recurso de resultado pois esta decisão do Tribunal da Relação do Porto é uma aberração.
Acho que já faltou mais para o cenario dos filmes de ficção em que uma pessoa está a trabalhar agarrado á cadeira, alimentado por um tubo e defecando por outro está cada vez mais perto de se tornar realidade.
Publicado por Daniel Arruda às 08:23 AM
junho 19, 2006
Porque ela existe
Já muitos sabem o valor que dou á publicidade e especialmente ás campanhas de prevenção da SIDA. Fizeram-me chegar este de França. Do melhor que eu já tenho visto.
Uma nota: Ele é pesado pelo que não se assustem se ele demorar um pouco a carregar. Vale a pena a espera.
Publicado por Daniel Arruda às 04:01 PM | Comentários (3)
junho 16, 2006
Um novo blog
A blogosfera é o exemplo de um "ecosistema" que se auto renova, tem vida própria e não morre, muito antes pelo contrário. Aparece sempre mais viçoso a cada blog que é criado. De um amigo e de seus amigos nasceu "O Sono do Monstro".
Ainda está um pouco vazio porque está a dar os 1os passos agora mas pela amostra e pelo que conheço de um dos autores é um blog que rapidamente vai merecer uma visita mais assidua.
Não podia aqui deixar de dar as boas vindas blogosféricas a mais estes blogueiros.
Toda a sorte.
Publicado por Daniel Arruda às 07:38 PM
junho 15, 2006
Curta...sei lá nº k!!!!
Comprem a Visão desta semana. De vez em quando, eu e a Visão, divorciamo-nos, mas depois voltamos à cohabitação.
A não perder o Dossier Especial sobre os skins em Portugal . Eles existem. Mesmo. Uma reportagem sobre a Catalunha e a indispensável crónica do Ricardo Araújo Pereira (esta, confesso que leio todas as semanas, mesmo quando andamos de candeias às avessas...durante uns minutos confisco sempre a revista da minha colega). Ainda só vou aqui...
Numa pequena nota de rodapé se me conseguirem traduzir esta afirmação, que também já li, do Jerónimo de Sousa sobre o BE, eu agradeço:
"Acho que o BE subiu acima do chinelo. É uma força sem projecto e sem ideologia definidos".
A última parte eu percebo. Já tem décadas. Já existia antes do Bloco...digamos que é mais ou menos gasta e usada...ao longo dos anos só foi mudando o sujeito. Daí, eu mesmo conseguir entender....
A primeira parte é que me ultapassa: o que é subir acima do chinelo? Ao tornozelo? Às canelas? Ao joelho? Quando o meu Bono se deita em cima do meu chinelo é o Bloco de Esquerda que tenho em casa? Qual a análise política que está por detrás desta afirmação e que eu não consigo alcançar? Subir acima do chinelo é subir muito, pouco ou assim-assim...depende do salto do chinelo? De onde o guardamos? Please, help me!!!!!
Ah, e não se esqueçam, voltei a namorar com a Visão, por mais umas semanas. Vamos a ver qual será o nosso próximo arrufo....
Publicado por Isabel Faria às 07:13 PM | Comentários (6)
Curta III
No meio das dúvidas, no meio dos Emails que chegam, dos desmentidos do Governo, das contas da multinacional, das incertezas do futuro de mais de 1500 trabalhadores, um trabalhador falava ontem ao JN "Daquela sensação estranha de que não há nada a fazer".
Quantos de nós, nos locais de trabalho, perante a força da globalização, a precariedade das relações de trabalho, o espectro do desemprego, as notícias das deslocalizações, não sentimos já, algum dia, essa estranha sensação? Apesar de tudo, sabemos que ela passa...e a um canto qualquer da solidariedade, da memória, da unidade, de nós próprios, acabamos por encontrar a vacina.
Publicado por Isabel Faria às 11:02 AM | Comentários (2)
junho 12, 2006
A importância de cantar o hino...
Estou há meia hora a tentar encontrar umas palavras minhas para juntar a esta notícia do Público. Ainda não encontrei. Há notícias que valem por si...tirem as vossas conclusões, e, já agora, ajudem-me a encontrar as palavras...
Publicado por Isabel Faria às 09:22 AM | Comentários (9)
junho 09, 2006
Eu também quero
Sampaio deve estar feliz. Deixou escola em Belém.
Á imagem do seu antecessor Cavaco tembém começa a condecorar a torto e a direito, pelo que ainda não perdi a esperança e receber a minha medalhazinha da ordem de frei de espada á cinta ou a cruz das oliveiras. Sampaio condecorou tudo o que mexia por aí, deixande de fora apenas cão e gato. Cavaco termina o serviço. Chegou a hora do cão e do gato. Só assim se explica a medalha a Eduardo Catroga, ex-ministro e um dos angariadores de fundos da candidatura de Cavaco nesta corrida presidencial.
Só lhe perdoo se até ao fim do mandato se lembrar de mim para uma medalhinha.
Publicado por Daniel Arruda às 09:01 AM | Comentários (6)
Casa do Gaiato
Tenho dois filhos e nunca dei um estalo em qualquer deles, hoje têm 21 e 27 anos, mas a verdade é que nunca lhes dei um estalo porque não foi preciso.
Vem isto a propósito de uma notícia que hoje fez manchete nas TV, e que diziam ter o Ministério Publico processado o director da casa do Gaiato de Setúbal por 4 crimes de maus-tratos a menores na dita casa.
Conheço a casa, já lá estive com um ex-aluno, gostei do que vi, e francamente aquelas crianças se não tivessem aquela casa não tinham nenhuma, muitas são ali abandonadas pelos pais que não os podem alimentar, vestir, educar, outros são os pais que os entregam por não terem mão neles e por nem a estalo os conseguirem educar.
Na maioria dos casos, muitas são crianças que nunca tiveram um afecto, um carinho, uns sapatos, umas calças, quatro refeições por dia, o que é impensável para muitos de nós, mas existe neste País e muito mais do que pensamos.
Numa casa com tantas crianças, em que o Director (padre) é para muitos o único pai que conhecem e assim o tratam, em que a senhora de 66 anos que é referida na noticia é a única mãe que muitos também conhecem, só uma disciplina (forte) não dura, mas forte, pode fazer com que os miúdos façam coisas tão simples como lavar as mãos antes e depois de comer, levantar o seu prato e lavarem a louça (os mais velhos), fazerem as camas logo que têm idade para isso, ir à escola, inclusivé.
Tudo isto é conseguido por um único homem que lá passa 24 horas por dia e pelos “irmãos mais velhos”, que se substituem às famílias, que se desresponsabilizaram da educação das crianças, de lá abalam muitos para casar e criar família, muitos com boas profissões e cursos feitos.
É claro que de teóricos está o mundo cheio, e sabemos que muitos desses teóricos, se fizerem um balanço da actividade da Casa do Gaiato de Setúbal, e compararem os casos de sucesso, com os das instituições onde trabalham, têm muito, mas muito a desejar.
A situação não é nova, desde 1974 que há tentativas de desacreditar a casa, sempre por um caso ou outro, esquecendo as centenas de rapazes que por lá passaram nestes 32 anos, que ali se fizeram homens e que ali voltam, muitos, semanalmente. Eram estes que também deviam ser ouvidos, serão muitos destes que irão testemunhar as suas experiências e estou convencido que, mais uma vez, a montanha vai parir um rato.
E estranho é que vejamos algumas educadoras serem ilibadas de crimes de maus-tratos a menores, quando esses menores são deficientes, aqui sim, é de questionar as decisões dos tribunais.
Lamentável também é que a PGR desresponsabilize a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ), o Ministério Público, a GNR e o Hospital de São Teotónio – considerando que nenhuma destas entidades tiveram qualquer implicação no rumo dos acontecimentos que levaram ao coma da bebé Fátima Letícia, com apenas 50 dias, devido a maus tratos continuados:
Lamentável é que estas mesmas entidades, noutras partes do País, do Norte ao Sul, depois de receberem denúncias, deixem entregues aos pais, crianças que são violadas, torturadas, queimadas e até assassinadas.
Publicado por António Chora às 12:05 AM | Comentários (15)
junho 07, 2006
2,26
É caso para dizer façam o que digo e não façam o que faço
2,26 de taxa de Alcool!!!!!!! Porra, vai lá vai. A única coisa que me posso registar de positivo nesta coisa é que pelo menos só se aleijou a ele. Ninguém mais ficou afectado por tal falta de responsabilidade.
Publicado por Daniel Arruda às 10:15 AM | Comentários (1)
junho 05, 2006
Vá lá decidam-se
Casamentos atingem nível mais baixo desde 1940

Parece que a população que pode casar não quer. A que quer não pode. Vá lá decidam-se. Mas não se queixem.
Não podem queixar-se que o povo não casa e depois proibirem o mesmo povo de se casar. Ou será que as pessoas se têm de casar com quem o governo quer.
Publicado por Daniel Arruda às 12:51 PM | Comentários (1)
junho 04, 2006
Raúl Indipwo

Conheci a música do duo Ouro Negro pelo meu pai e tornei-me apreciador do género embora na fase da minha adolescencia já pouco ou nada produziam, pois Milo morreu e Raúl parou.
Conheci a pintura de Raúl numa exposição e não sendo eu um conhecedor de arte apaixonei-me pelos seus traços simples.
Tive o prazer de ir á sua casa junto de Oeiras e admirar a vegetação que ele ali cuidava, os seus animais e o seu bom gosto. Era de facto uma pessoa diferente. Exentrico diriam alguns. Politicamente nos meus antipodas pelo que pude constatar numa ou noutra conversa, mas era impossível passar ao lado da figura que Raúl Indipwo representava.
Ontem morreu, no Barreiro vítima de doença prlongada. A sociedade portuguesa ficou mais pobre. Não esta sociedade de Lilis, Cinhas e Babás que hoje conhecemos como sendo a sociedade, mas aquela que fez e fará Portugal ser reconhecido lá fora como sendo capaz de produzir arte ao melhor nível.
Publicado por Daniel Arruda às 06:48 PM | Comentários (2)
junho 03, 2006
Os tempos difíceis do Troll
O Troll anda uma desgraça. É uma desgraça para comentar. Os comentários demoram horas a entrar. Depois aparece uma frase a dizer que o comentário não entrou, tentamos outra vez e, muitas vezes, tinha entrado à primeira e sai repetido.
Passa-se o mesmo nos bastidores com os posts. Demoram horas. Não entram. Entram a duplicar…depois o que entrou a duplicar primeiro que saia é mais um século…
Não me parece que se passe o mesmo com outros Blogs da Weblog (acabei agora mesmo de comentar no Pópulo da minha amiga Émiéle e funcionou normalmente em tempo normal). Já contactei algumas vezes o Departamento Técnico do AEIOU, que se tem mostrado sempre disponível mas a verdade é que não tem melhorado. Há um ou dois dias em que anda melhor e depois volta tudo ao mesmo. Não sei como os nossos comentadores vão tendo paciência para insistir…sei que a responsabilidade não é nossa e que não entendemos o que se passa.
Este post é um pedido de desculpas a todos e um pedido público de ajuda a quem de direito. Nunca tivemos tantos problemas no Troll. Dá para ver que não são problemas gerais da Weblog e não entendemos, repito, o que se passa. Queremos continuar na Weblog. Digamos que se criam laços afectivos, até com coisas inesperadas, como um endereço electrónico, mas achamos que temos o direito de solicitar um serviço adequado àquele que a Weblog nos proporcionava no tempo do Paulo Querido e que eu conheço desde os tempos do Afixe. Peço desculpa à equipa técnica do AEIOU por este desabafo, mas estamos todos a ficar um bocado cansados. De tentar, mas sobretudo, de não compreender. Queremos o Troll de volta...e por mais que gostemos de por aqui passar, ninguém tem tempo para passar uma hora a tentar publicar um post ou um comentário.
Publicado por Isabel Faria às 09:53 PM | Comentários (4)
junho 01, 2006
De cócoras

Publicado por Daniel Arruda às 07:49 PM | Comentários (2)
Mas são mesmo todos maus?
Há uns dias a ministra da Educação traçou um quadro negro dos professores e das escolas públicas.
Não tenho muita vontade de discutir as palavras da Ministra. Creio, apenas, que, como em tudo em que se façam generalizações, serão certa e inevitavelmente injustas.
Há maus e bons professores, como maus e bons médicos, como maus e bons juízes, como bons e maus electricistas, como bons e maus pais.
Se há favorecimentos nas escolas como afirma a Ministra, então porque nada se faz? Se não se aposta nos caso difíceis, então porque nada se faz? Se se distribui os melhores alunos aos melhores professores, então porque nada se faz? Isto é, não se deveriam criar regras, regras iguais, democráticas, legais, para evitar que, se isto se passa, se passasse? E se se deveriam criar regras, estas não deveriam ser da responsabilidade de quem agora não responsabiiliza, mas, escolhe o caminho mais fácil e, apenas, culpa?
O meu filho tem 16 anos. Sempre andou em escolas públicas. É a quarta escola pública que anda, este ano, a frequentar. Está no 10º. No primeiro ano teve uma boa professora, em Oeiras. Nos três seguintes teve um óptima professora em Lisboa. Esteve sempre no horário da manhã (aliás, nos 3 últimos anos só havia horário da manhã). Dizia-me, então,quando o ano terminou, que nunca mais ia encontrar uma professora como a MJ...e chorou por a deixar.
No 5º ano teve uma má professora, entre todos os que teve. Má como professora, má como profissional, má como pessoa. Ficou a detestar a disciplina. Os pais reclamaram mas a situação não foi alterada. Sei que a professora se manteve na mesma escola durante os anos a seguir. Estava no horário da tarde.
No 6º e no 7º, teve uma nova professora à disciplina que detestara e recuperou completamente. O gosto e as notas. Passou de 3 para 5. Manteve a nota até ao ao final do 7º ano, apesar de ter mudado de professor, entretanto. Continuou no horário da tarde. Neses anos em que se manteve neste horário, sempre foi um aluno de 4 e de 5.
No 8º e no 9º manteve-se na mesma escola e mudou para o horário da manhã. Não passámos a ter nenhum familiar na escola e continuou a ser sempre um aluno de 4 e de 5.
No 8º ano teve uma má professora numa disciplina importante. Acabou o ano com 3. Foi a excepção. Para além de não ser boa profissional, não tinha nenhuma aptidão para motivar os alunos e todos a detestavam. Durante as férias fizemos os dois um esforço enorme para recuperar o tempo perdido. Foram alguns dias de trabalho que não poderia ter feito se fosse numa disciplina em que eu não o pudesse ajudar. Mas se eu pudesse e não o tivesse feito, possivelmente, o 9º ano não teria sido nem tão bom nem tão produtivo. E foi. Teve um óptimo 9º ano. Cheio de certezas quanto ao que queria seguir. E acabou o ano com média de 4,5.
Está no 10º. Numa escola pública. No 1º período teve uma má experiência com uma professora que, entretanto, entrou de baixa. Nesta altura, há disciplinas a que é muito bom e outras a que é um aluno bom. Uma em que é um aluno médio. Em que não gosta da disciplina mas em que diz que a professora “coitada não pode fazer nada...ela bem se esforça...mas eu detesto aquilo”. Na mesma turma, que é uma turma da manhã, há alunos médios e alunos que possivelmente vão chumbar a algumas disciplinas. Não me parece que estes sejam familiares de funcionários. E há outros alunos, bons e muito bons.
Não sei se a nossa experiência pessoal é mais do que isso. Experiência e pessoal. Talvez sirva para desmontar as generalizações. Em não sei quantas disciplinas e em 10 anos, o meu filho teve dois professores francamente maus durante dois anos inteiros e um durante um período. Ou será que apenas serve para dizer que há excepções? Ou que nós tivemos sorte? Não sei. Que cada um tire as suas conclusões.
Publicado por Isabel Faria às 11:06 AM | Comentários (13)
maio 30, 2006
Uma decisão inédita
Uma questão que não é fácil. Um tribunal da Califórnia considerou que os bloguers, tal como os jornalistas profissionais, têm direito a manter a confidencialidade das suas fontes de informação. Acho apesar de tudo um princípio perigoso, pelo menos em Portugal (não conheço bem a blogosfera de outros países, mas sei que a americana é bastante diferente da nossa nos conteúdos e motivações) tendo em conta aquilo que muita gente tem tentado fazer por aí. Quem não se lembra dos Riapas, apenas para dar um exemplo.
Acho que em Portugal a importância da blogosfera ainda não chegou a este ponto mas era importante se calhar importante resolver-se este problema por antecipação com um debate sério. É que o caso da Apple foi um negócio de milhões, muito diferente dos nossos tostões blogosfericos, mas quem sabe se um dia não se chegará a um ponto similar.
Publicado por Daniel Arruda às 08:35 PM
maio 27, 2006
Hipocrisia
E cá em Portugal alguém ficou admirado com esta notícia? Será que ninguém sabia que isto acontecia? Estamos todos tão chocados não estamos? A população que passa a vida toda a virar a cabeça para o lado para não ver vem agora dizer ao que horror. Crianças a trabalhar. Sim crianças a trabalhar, ali e em muito lado e ninguém faz nada. Quantas vezes as mais diversas organizações chamaram á atenção para isto? Perdi a conta. Mas não é só ali. Há mais, muitas mais crianças a trabalhar, porque as famílias precisam de dinheiro a maior parte das vezes e outras, menos, porque sempre foi assim na família. Num país cada vez com mais miséria em que nos queremos comparar á Europa desenvolvida na média de computadores por família, na venda de carros, nos indices tecnológicos temos vergonha de olhar para o país que temos. para a nossa realidade. Uma realidade de miséria encapotada. Do faz de conta. De milhares de pessoas a passarem fome pelos mais diversos motivos. Porque temos uma sociedade que exclui ao invês de incluir.
Deixemo-nos de hipocrisias, de choques tecnológicos, de aparencias e de demagogias. Olhemos uma vez na vida para o país real e resolvamos os problemas.
Publicado por Daniel Arruda às 01:50 PM | Comentários (2)
Campo Pequeno
Uma posta para aqueles que só conhecem o campo pequeno hoje. Ele já foi assim:

Para depois estar assim:

e mais recentemente assim:

Não ponho aqui nenhuma foto do "novo" Campo Pequeno porque não é esse o objectivo. Usei o Campo Pequeno porque me parece o exemplo do que um a má política de urbanismo pode fazer a um centro da cidade. Vejam os enquadramentos das épocas. 1º em 192..., depois em 1947 e ainda em 1987. Aquela que poderia ser uma zona nobre da cidade transformou-se numa amalgama de prédios e casa descaractrizando a área. Já pouca gente sabe que foi ali, nos terrenos ao lado da Praça que nasceu o Futebol em Portugal. Os 1ºs derbys entre os ingleses do Carcavelos e do Sport foram ali. Com balizas trazidas ás costas pelos jogadores. Já poucos se lembram que foi ali ponto de partida de centenas de marchas populares. Á semelhança do que escrevi há pouco tempo sobre o Café Império também aqui se assiste a um reescrever da história. A própria re-inauguração foi um espeho disso. Nada se falou de história a não ser a evocação de cavaleiros e matadores de toiros. Onde está a história do Campo Pequeno. A história do fim de Lisboa e início dos subúrbios tal como era em 1900.
Começo a achar que sou eu que ligo demasiada importancia á nossa história. Parece que mais ninguém o faz.
Publicado por Daniel Arruda às 09:05 AM | Comentários (1)
maio 24, 2006
Violência doméstica

Há uns tempo deixei aqui um post sobre a violência doméstica. Na altura, causou polémica ter usado uma foto da Guernica para o ilustrar.
A Amnistia Internacional publicou hoje um relatório sobre a violência doméstica em Portugal. No ano passado morerram 33 pessoas vitimas de violência doméstica. Quase 3 mulheres por mês, morreram vítimas de maus tratos de familiares próximos.
Há milhares de pessoas que morrem vitimas de guerras. Milhares vitimas de repressão. O mesmo relatório da AI fala do conflito na provincia de Dafur no Sudão, que já matou milhares de pessoas e obriga milhões a abandonar as suas casas e as suas terras.
E reconheço a minha incapacidade de não me apetecer voltar a colocar a mesma foto a ilustrar um post sobre 33 mulheres que morreram em Portugal, vitimas da violência dos homens que amaram, que amam. Com quem fizeram as suas vidas. Muitas vezes, pais dos seus filhos. Mortes que, normalmente, culminam anos de violência diária, de ofensas, de agressões, de marcas que ficarão para sempre .
Nunca serei capaz de contabilizar a violência pelo número de mortes. Para mim, cada vida, uma vida, vale uma vida. A vida. E a ideia de se morrer, de se sofrer às mãos de quem se ama e em quem se confia, seja mulher ou seja criança lembrar-me-á sempre a imagem da Guernica. Multiplicada por 33 em 2005, as que não se puderam queixar ou por 18.133, as que ainda foram a tempo e tiveram coragem para o fazer. Só o não voltar a ilustrar um post com a mesma foto me leva a escolher, hoje, uma outra. De duas mãos que se acreditaram dadas para percorrer caminhos e que , às vezes, acabam assim. Ou acabam.
Publicado por Isabel Faria às 11:24 AM | Comentários (5)
maio 23, 2006
Não sabe??
Que já tenha sido decidido há tempo e nunca cumprido, não é de estranhar. Vai sempre uma longa distância entre tomar as decisões e pôr em prática as decisões. Sobretudo quando são decisões politicas destas, que se misturam com preconceitos morais e com “desculpas” morais para não serem cumpridas. E quando não há fiscalização em “campo”, para verificar se as decisões estão a ser mesmo cumpridas.
De qualquer forma, segundo o director do Instituto Português de Sangue já em finais de 2005 que a decisão de retirar do site do Instituto na Net o “aviso” de que seriam excluídos dadores homens que tenham tido sexo com homens, tinha sido tomada. Só que estamos em meados de 2006 e o “aviso” continua lá...e os profissionais continuam a fazer a pergunta e a excluir os dadores...
Mas estranhas, estranhas são as declarações de Almeida Gonçalves que o DN cita, quando questionado sobre o enquadramento dos dadores homens que “tenham sexo com homens”
“Não lhe sei responder. Não sei dizer se um homem ter sexo com homens, mesmo se for sexo protegido, é um comportamento de risco ou não. Não posso responder ainda a essa questão sobre o que é exactamente comportamento de risco."
Mas o Director do IPS não sabe o que são comportamentos de risco? E não sabe que sexo protegido entre homens não é menos seguro que sexo protegido heterossexual? E não sabe que, neste momento, o grande grupo de risco são os casais heterossexuais, porque é o que mais continua a fazer sexo desprotegido? E não sabe responder o que é um comportamento de risco? Mas a pessoa que está á frente do IPS, não devria ter algumas certezas? Não deveria saber distinguir comportamentos de risco de tipo de relações? E saber que uns não dependem do outro?
Publicado por Isabel Faria às 04:53 PM | Comentários (5)
Não é uma fatalidade
´Hoje ainda não tinha tido hipotese de vir aqui mas nã podia deixar de escrever algo sobre esta notícia.. Porque é preocupante e acima de tudo porque não é uma fatalidade, no sentido de não ter solução.
Todos sabemos que a legislação Portuguesa não permite que se venda alcool a pessoas com idade inferior a 16 anos. Então como arranjam estes adolescentes a bebida. Obra e graça do Espírito Santo? Não me parece. Eles bebem porque ninguém respeita a lei, a começar pela própria polícia que pode estar a ver e nada diz, como acontece em muitos supermercados deste país. Em qualquer país civilizado a desculpa do "foi a minha mãe que me pediu para vir ás compras" não pega. Num bar não se fecha os olhos porque afinal é mais uns trocos que entram e de certeza que não se acreditam que os miúdos bebem apenas em casa assaltando o bar dos pais.
Faça-se cumprir a lei. Sensibilize-se as pessoas para esta temática e diga-se que não basta colar uma folha A4 a dizer que é proibido e depois nada se fazer. Se não se fizer isto vamos andar os próximos anos a lamuriarmo-nos sbre o mesmo.
Publicado por Daniel Arruda às 04:21 PM | Comentários (5)
maio 20, 2006
Jornalistas pois claro
O título desta posta poderia ser, "Querem ver que no fim a puta sou eu", tal o absurdo da questão.
Souto Moura diz que a investigação ao caso conhecido como Envelope 9 demorou um més e que só está pendente da resolução dos resursos apresentados pelos jornalistas que não deixam, e bem, que se abram os seus computadores. De qualquer forma Souto Moura vai adiantando que não existe nenhuma espécie de culpa do Ministério Público e que "O inquérito revelou já que a Portugal Telecom faltou às suas obrigações legais de «de cuidado e diligência devidos na revelação de dados pessoais».". Mas falta ainda apurar a culpa ds jornalistas a quem está bom de saber vai caber a fatia de leão das culpas.
Podiam-se escreve-se tratados sobre esta vergonha mas acho que não vale a pena para já. É o coorporativismo dos juízes e do Ministério Público a trabalhar na perfeição, com a complacência de Procurador claramente e comprovadamente incompetente para o cargo que ocupa, qual marioneta neste jogo de poder. Vergonhoso, palhaçada, imoral, qual será o adjectivo que melhor pega para esta fantochada. Será que vai contar com a complacência do Sr. Silva? Temo que sim.
Por isso vou-me guardar porque tenho a impressão que vou ter mais vezes para escrever sobre isto.
Publicado por Daniel Arruda às 02:35 PM
maio 16, 2006
Haverá???????????
Por: Daniel Arruda
Parece que a ICAR não gostou de saber que o Cardeal Patriarca vai perder o lugar de destaque que ocupava nas cerimónias oficiais do Estado.
Haverá alguma razão para que tal previlégio se mantivesse????? Alguém me poderia dar uma??????
Publicado por Troll Urbano às 03:29 PM | Comentários (4)
maio 15, 2006
A memória é uma coisa terrível
Por: Daniel Arruda
Parece que há quem ainda não aprendeu o velho ditado que diz,
Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti
Continuamos a queixar-nos continuamente das maldades que fazem aos bravos portugueses lá fora, gente honesta e trabalhadora, respeitados por todos e eaquecemo-nos de respeitar e tratar bem todos aqueles que nos escolherem para terem direito a uma vida melhor. Confesso que por vezes tenho vontade que todos os portugueses sejam repatriados para que algumas pessoas abram os olhos. Felizmente que esses ataques passam-me rápido porque os nossos emigrantes não têm culpa da estupidez dos nossos governantes.
Nota: Eu próprio sou filho de um emigrante português na Alemanha e agora de uma alemã imigrada em Portugal.
Publicado por Troll Urbano às 02:25 PM | Comentários (1)
maio 12, 2006
Desabafo
Por: Daniel Arruda
Adoro as histórias que as cidades têm para nos contar. Especialmente as histórias dos lugares, que tanto nos dizem sobre a nossa história. Foi por isso que hoje fiquei triste com o anuncio da venda do Café Império á IURD. não especificamente por ser á IURD mas porque vai fechar como café e restaurante.
O Café Império não era um café qualquer, era um lenda de Lisboa. Era, (foi) o melhor Bife da cidade, casa de variedades onde tocaram e cantaram os grandes nomes da nossa praça nos anos 50, 60 e 70. Tony de Matos ou António Calvário. Casa de chá de excelencia onde se juntava tudo, a senhora da sociedade, o "manfio" da curraleira em busca alguma coisa para "ganfar" e o gigolo nas suas matines de engate. Local de inúmeras tertúlias de políticos e intelectuais.O Café Império, juntamente com o Cinema Império é parte da História de Lisboa. Onde se podia imaginar a vivência dos anos 50 daquela Lisboa que muitos não conhecemos. Tenho afectos particulares a toda aquela zona, da Alameda ao Alto de S. João. Razões familiares. meu pai nasceu na esquina do Pato Bravo, a minha Avó no patio 112, o meu padrinho tinha um talho na Barão de Saborosa, o meu tio nasceu na Picheleira, passei anos a fio as férias em casa da minha Avó dividido entre o Jardim da Nespera e as futeboladas na Alameda, com esporádicas idas á Paiva Couceiro. Aprendi a gostar daquela zona, de entender as suas raízes. Vou ainda hoje ver saír a minha Marcha á porta do Ginásio do Alto do Pina, comer a minha sardinha junto ao Chafariz. Assisti á morte do Clube Musical e do Aguias dos quais era sócio. Vi a Curraleira transformar-se em Olaias, vi os velhos desaparecerem do Jardim P. Couceiro, desaparecendo com isso as tardes de Sueca e de Dominó. Vi a minha cidade a mudar. Já não me devia espantar nada mais. Mas confesso que lido mal com um poder que não preserva a sua identidade. O café Império deveria ser considerado partrimónio da cidade. Não quero saber se neste momento não era rentável na forma como estava a ser explorado, o estado que tomasse conta do imóvel e o rentabilizasse como café, restaurante, pastelaria, casa de variedades, ou lá o que quisessem, mantendo a identidade e contando a todos os que nos visitam parte da história da cidade. Histórias que nos ensinam de onde viemos e o que fomos.
É uma frase feita mas quando não sabemos preservar a nossa identidade contribuindo para a diversidade das culturas corremos o risco de mais dia menos dia sermos mais uns, iguais a tantos outros.
Publicado por Troll Urbano às 06:30 PM | Comentários (2)
maio 10, 2006
Sem título
Por: Daniel Arruda
Que mais nos faltará quando a Morte é negócio e provoca disputas como esta. Cada vez mais concordo com os nórdicos. Velórios é em casa, com bolinhos e café a seguir ao enterro.
Publicado por Troll Urbano às 12:09 PM | Comentários (3)
maio 09, 2006
As bandeiras e as vidas
Por:Isabel Faria
É constrangedor o desconhecimento que algumas pessoas têm da realidade do País em que vivem. Aqui há uns dias, uma nossa comentadora habitual, falava nas nossas caixas de comentários da irrelevância (ela gosta destes termos fortes) do Bloco por não ter 38 jovens “efectivamente precários” para transportar as letras no 1º de Maio. Como se o Bloco desconhecesse de tal maneira a realidade deste Pais que ousasse propor a jovens “efectivamente precários”, que no outro dia perdessem os seus empregos se, por um qualquer acaso, fossem reconhecidos pelos seus patrões ou tivessem o azar de aparecer nalgum órgão de Comunicação Social. Como se a luta contra a precariedade que tem que ser em grande parte feita pelos trabalhadores precários de hoje e de amanhã se compadecesse com faltas de tino como esta, que seria colocar nas mãos de três dezenas de jovens, ainda por cima, sob a bandeira duma organização política, o risco de perderem o emprego que têm hoje ou que precisam para amanhã. Como se a obrigação de pessoas e organizações politicas de Esquerda responsáveis, não fosse mobilizar todos para processos colectivos e alertar todos para os perigos que podem advir de tomadas de posição individuais.
Ontem tive um telefonema duma trabalhadora precária da minha empresa. Pediu para falar comigo, conjuntamente com mais duas colegas. Fora da empresa, frisou. Claro que disse que sim e propus o café em frente. Depois de um silêncio, veio a resposta: desculpa Isabel, mas tem que ser longe. Temos medo que nos vejam contigo…Foi longe. Esta tarde. O problema que elas me transmitiram nem tinha a ver com a empresa onde trabalho e na qual elas também vão, regularmente. Mas teve que ser longe. De vez em quando, uma delas perguntava se eu achava que não ia ali ninguém da empresa tomar café…e olhavam em volta, com desconfiança e com medo. Pensei, depois de as deixar com a promessa que farei o que o meu dever de militante de esquerda, de cidadã com direitos que elas não têm e de pessoa solidária, me obriga, como teria sido demagógico, perigoso, autista, oportunista e, sobretudo, desumano, que em qualquer altura daquela conversa lhes tivesse proposto que pegassem numa letra e se incorporassem numa manifestação pública que lhes poderia pôr em causa o pequeno almoço dos seus filhos no dia a seguir…
Há uns tempos, tive uma colega precária que decidiu pôr a empresa em tribunal, a conselho de alguns e com muitas reticências e avisos da minha parte…o processo foi-se prolongando, como todos os processos judiciais se prolongam no nosso Pais e um dia ela ligou-me a dizer que ia aceitar a indemnização da empresa, pois se não recebesse dinheiro naquele mês e continuasse sem trabalhar, perderia a casa onde vivia. Voltei a avisá-la dos perigos que corria, mas ela disse-me que não podia fazer outra coisa…meses depois, encontrei-a no café onde bebo a bica e pediu-me dinheiro para comer uma sandes. Há quase dois dias que não comia, disse-me. Nunca mais tinha tido emprego em nenhuma empresa de trabalho temporário nem do sector. A cidade, o País é pequeno demais e eles conhecem-se. Era disso que a tentei alertar na altura em que seguiu em frente sem que a tivessem alertado dos perigos que corria. E quem a aconselhou tinha a obrigação de saber os perigos que ela corria.
A luta contra a precariedade tem que ser uma luta colectiva. Mas creio que, para ser vitoriosa, tem que ser, sobretudo, uma luta solidária dos que hoje, ainda têm estabilidade e trabalho com direitos e que consiga mobilizar os precários de amanhã. Os jovens das escolas secundárias e das universidades. Como aconteceu em França. Aqueles que precisam de trabalhar à hora, ao dia ou à semana, não têm condições de isoladamente vencer o trabalho precário. Sob pena de até esse perderem.
Quem não entende isso pode precisar de bandeiras e usá-los como bandeiras, mas não pode ser mais que isso. O pão não se compra com bandeiras nem agendas politicas. Compra-se com lutas sérias mas responsáveis e com solidariedade. Pobres dos que se dizem de Esquerda e não entendem isso. Pobre do Movimento Sindical, que na maioria das vezes, por desconhecimento ou oportunismo politico, não entende isso. Pobres dos trabalhadores que acreditam nuns e noutros e que com eles contam. Quando chegam à conclusão que têm que receber uma miséria como indemnização para poder sobreviver, porque não podem continuar à espera da decisão judicial, nem o telefone já lhe atendem. Dizem que eu trai, dizia-me a minha colega. Como podia fazer outra coisa se isso significava ficar a viver na rua com o meu filho? Não lhe soube responder. Já passou algum tempo. Não sei se quem não lhe atendia o telefone porque ela tinha traído, fosse lá o que issso fosse, já lhe respondeu.Nem sei se continua dois dias sem comer. Mas do olhar lembro-me muitas vezes. Quando lhe dei o meu telemóvel para me ligar, havia um olhar vazio e estranho nos seus olhos...possivelmente nunca te ligarei, Isabel. Porquê? Não sei explicar....
Nunca ligou.
Publicado por Troll Urbano às 10:32 PM | Comentários (13)
Para onde vais Portugal?!?!?!?!?
Por:Daniel Arruda

Publicado por Troll Urbano às 09:58 PM | Comentários (1)
maio 08, 2006
Acredito que foi um mal entendido
Por: Daniel Arruda
Hoje estou de acordo com o Ministério da Administração Interna. No conteúdo, muito provavelmente não no aproveitamento que vai ser feito desta situação.
As declarações do presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia são de facto xenófobas e racistas. Acredito e até porque reconheço ao dito senhor competência pela forma como tem conduzido assuntos complicados, que essa não fosse a intenção dele mas o certo é que é uma pessoa com responsabilidades, afinal, representa uma classe, não deve, aliás, não pode, proferir este tipo de declarações.
Um engano toda a gente tem e espero que este tenha sido um lamentável equivoco. Nunca tive o hábito de julgar as pessoas por uma e só uma declaração pelo que vamos dar o benifício da dúvida. Se mais não fosse porque num estado de direito se não pudermos ter confiança nas forças da autoridade, em quem haveremos de ter?
Publicado por Troll Urbano às 07:18 PM | Comentários (56)
maio 07, 2006
Proximidades
Por:Isabel Faria

Decorreram hoje e vão terminar amanhã as jornadas autárquicas do Bloco.
Este post serve, apenas, para falar, de proximidades. Que, muitas vezes, porque conhecemos mal as realidades dos outros (e o País?), julgamos não existir. Um eleito dum órgão autárquico do distrito de Viseu, eleito numa lista de cidadãos independentes, falava da realidade da sua aldeia e do seu concelho. E a realidade da sua aldeia, perdida no interior, poderá ser a duma freguesia de Lisboa ou da cintura de Lisboa.
Durante o dia, dizia ele, a sua rua ficava vazia de gente. Todos se tinham que deslocar para a cidade para trabalhar. Durante o dia, nas freguesias à volta de Lisboa, todas as ruas ficam vazias. Todos se têm que deslocar para a cidade para trabalhar. Em muitas freguesias de Lisboa, durante o dia, as ruas ou ficam vazias, ou enchem-se de “deslocados” de outros lugares. Os seus moradores saem para trabalhar e para “viver” o dia, noutras paragens.
De manhã muito cedo, tem que se deixar os filhos nas escolas e nos infantários…tem que se ir de carro, quase sempre. Na aldeia e nas aldeias à volta faltam os transportes públicos. Os poucos que há, começam tarde e acabam cedo. Em quantas freguesias de Lisboa ou da cintura de Lisboa, a falta de transportes públicos não é um dos maiores problemas das populações?
Na aldeia faltam os lares para os mais idosos. Aquela velha ideia da solidariedade que tínhamos, de que nesses lugares os mais idosos terminavam os seus dias em casa, desapareceu ao ritmo da necessidade dos filhos e dos netos se deslocarem para fora, para trabalhar. Tal como na Pena, ou algures na Amadora. Por isso, têm que os colocar longe de casa, normalmente na cidade, longe da família e a solidão acaba por marcar os seus dias. Em Alfama, às janelas dos prédios mais antigos vêm-se rostos gastos pela idade. São os que não tiveram dinheiro ou lugar nos lares, mas que, também eles, vivem afastados da família. E nas janelas, vê-se-lhes a solidão dos olhares e dos gestos.

Falta gente para fazer listas para as autarquias, dizia. As pessoas chegam a casa cansadas e convenceram-se que nada ou muito pouco depende da sua disponibilidade ou da sua vontade. À noite ou aos fins-de-semana,, às vezes, ainda se juntam para falar. Mas participar em actividades politicas ou cívicas é muito complicado…numa freguesia do Cacém ou nos Olivais, à noite, as pessoas metem-se em suas casas, cansados do trabalho, das horas gastas no transito, descrentes da politica, com a vontade de participar inversamente proporcional à convicção de que “não vale a pena fazer nada, isto não muda”. Naquele concelho do distrito de Viseu, o Poder foi sendo ocupado ora pela PSD ora pelo PS. Nunca se deram por grandes diferenças. A não ser as disputas pessoais e os lugares que se arranjam após cada mudança de cor…
A semelhança entre a aldeia de Viseu, ou da Guarda, ou a freguesia de Loures ou do Porto, deverá, portanto, ter aí a sua “raiz”. Durante anos, o Poder foi lá, como na quase totalidade do resto do País, ocupado pelos mesmos. Foi a nível central, nos lugares onde as pessoas acham que as decisões se tomam, ocupado pelos mesmos. Os partidos que ocuparam o Poder, as politicas em que, fundamentalmente, só os rostos de quem as executava ia mudando, foi afastando as pessoas das suas casas para poderem encontrar formas de sobreviver, foi acabando com os transportes públicos porque não davam lucro, foi fechando escolas e obrigando as crianças a deslocarem-se para fora das suas terras, nunca criou uma rede pré-escolar com pés e cabeça e ao serviço das populações, deixando-a entregue a privados que criam infantários e pré-primários ou ATLs, nos lugares que lhes permita serem rentáveis, foi abandonando a agricultura e atirando os mais novos para as cidades, deixando os mais velhos entregues a si próprios, em Lares ou sozinhos em suas casas e a sensação de que “eles mudam mas tudo fica igual”, de que “não vale a pena fazer nada porque eles ganham sempre” de que “são todos iguais” (e efectivamente, como mais ou menos pequenas diferenças, têm sido todos iguais), leva no interior ou nos centro das grandes metrópoles, ao alheamento e à não participação
O que nos torna, afinal, tão iguais, ultrapassa a aldeia de Évora, a freguesia da Graça ou Lafões. Mas reflecte-se nelas. Uniformiza-as. As diferenças tentem a esbater-se, não porque se cria mais igualdade, mas porque se acentuam dependências.

Publicado por Troll Urbano às 12:22 AM | Comentários (50)
maio 05, 2006
Desde que não seja nada comigo...
Por:Isabel Faria
Podia-se ver os resultados desta sondagem e lembrarmo-nos que as sondagens valem o que valem.E que muitas vezes valem muito pouco.
Mas talvez seja um erro levarmos os resultados duma forma tão leviana.
Talvez esteja a resultar, mesmo, a tentativa de colocar trabalhadores de empresas privadas contra funcionários públicos, remediados contra pobres, desempregados contra pessoas com emprego, trabalhadores no activo contra reformados...haver 33% de portugueses que aceitam que o despedimento de outros trabalhadores possa ser a solução para os problemas do País, 21,5% que aceitem que outros trabalhadores possam não receber o 13º mês para resolver os problemas do País, é assustador. Como indicativo duma falta de solidariedade e sobretudo como uma chamada de atenção urgente para todos nós. O dividir par reinar sempre foi a solução que o Poder encontrou para perpetuar as desigualdades e a descriminação. Os meios de comunicação encarregam-se de fazer passar a mensagem, mas não podemos nem devemos abdicar da nossa quota parte de responsabilidade. Cada um de nós. O egoísmo de responder que não aceitamos que nos vão ao bolso, mas que achamos bem que vão ao do vizinho do lado, mostra, e repito apesar das sondagens valerem o que valem, infelizmente a “sondagem” das conversas de café, de autocarro e de local de trabalho, não difere assim tanto desta da Eurosondagem, que nos estamos a tornar cada dia que passa em seres mais egoístas, mas egocêentricos, menos solidários e, sobretudo, menos cidadãos.
Publicado por Troll Urbano às 12:41 PM | Comentários (93)
Marcha Global da Marijuana
Por:Daniel Arruda

Esta marcha tem como objectivo a legalização da Marijuana e dos seus derivados. Não podia estar mais de acordo. Pelas mais diversas razões mas acima de tudo porque se trata de uma questão de justiça. Marijuana não é igual a Cocaína ou Heroína. O mais comparavel é ao álcool e mesmo assim ainda acho que o álcool é mais nocivo. Porque a ilegalidade favorece o mercado negro, o narcotráfico, escancara as portas de entrada nas ditas drogas duras através dos dealers, favorece o aparecimento de "sociedades obscuras". A lista de razões que aqui poderia apontar seria enorme mas há uma que gostava de deixar aqui bem claro, e porque tenho 32 anos, porque estou informado, deixem-se de hipocrisias. A grande maioria dos portugueses com menos de 45 anos já consumiram ou consomen drogas leves regular ou irregularmente. Será que somos todos criminosos?!?!?!?!?!?
Publicado por Troll Urbano às 01:22 AM | Comentários (39)
maio 04, 2006
A alternativa da mobilização
Por:Isabel Faria
Em Junho, na Lear, fábrica de cablagens em Vialonga, 285 dos 873 trabalhadores vão peder o emprego. Ontem as dúvidas dos trabalhadores, resumiam-se a três: quem seria despedido, em que dia seriam despedidos e quanto tempo se manteria a fábrica a trabalhar com os restantes, isto é, quando seriam despedidos, os que não forem despedidos em Junho...
Os trabalhadores reconhecem a irreversibilididade e os dirigentes sindicais que resta tornar o despedimento anunciado ( e o inevitável encerramento de fábrica?), o menos gravoso para os trabalhadores...
Quem vive o seu dia a dia numa empresa, acaba por entender o estado de espirito, mas não se pode conformar com ele...a bola está do outro lado do campo....o neoliberalismo, as deslocalizações, apenas tornam necessário...que se torne menos mau é a mensagem que nos querem passar, que nos vão passando.
Mas temos o dever de dar a volta à inevitabilidade...não é inevitável. E esse dever passa , em grande parte, pela mobilização dos trabalhadores. Passa pela nossa capacidade de resposta. Passa por conseguir passar a mensagem que o desemprego não é uma doença incurável. Passa por conseguir passar a mensagem que há alternativas ao ...”inevitável”.
E aí, a Esquerda tem que encontrar formas não só de apresentar alternativas à politica de despedimentos, de encerramento de fábricas, de trabalho sem direitos...mas sobretudo à desmobilização dos trabalhadores que aceitam como normal que não haja alternativas a essas politicas.
Publicado por Troll Urbano às 10:55 AM | Comentários (8)
maio 03, 2006
O ratito...
Por:Isabel Faria

A maior operação policial de sempre. Mais de 600 polícias. Sete horas e meia de rusgas. Moradores impedidos de entrar e de sair do Bairro. Barracas viradas do avesso. Dezanove armas apreendidas, dez pessoas detidas...cum caraças pá, isto é daquelas situações em que se costuma dizer que a montanha pariu um ratito, não???
Os moradores dizem que parecia o Iraque...e fica-se sempre com a sensação que se bate sempre ao lado...calmamente, fora dos bairros de barracas, os grandes traficantes de armas e de droga, devem aproveitar os primeiros quentes dias de Sol de Maio, para ganhar umas corzinhas...Os moradores do Bairro da Torre, entretanto, têm umas tantas fechaduras para pagar e umas tantas barracas para arrumar....
Publicado por Troll Urbano às 11:29 AM | Comentários (5)
maio 02, 2006
Políticamente incorrecto
Por: Daniel Arruda
Acho que aqui no Troll deveriamos abrir uma secção para as postas políticamente incorrectas. Mas há questões que são transversais e não escolhem Partido, Côr ou Credo.
Hoje ao ler esta notícia, fiquei com pena que esta iniciativa não tivesse sido mais divulgada. É que para mim, que adoro as largadas, o gosto de correr á frente de um animal em pontas, esta seria sido uma boa forma de ter passado a noite de domingo para 2ª. Acompanhado de uma bifanas, uns coiratos e umas imperiaizitas seria uma grande noite.
Mas parece que a malta de Samora esteve á altura e não deixaram que houvesse periodos mortos numa largada de 25 horas. Morreu uma pessoa. Acontece. Não que eu desvalorize a vida humana, mas neste caso específico quem vai para lá sabe ao que se arrisca. Costuma dizer-se que quem anda á chuva molha-se e este tipo de actividades têm este risco inerente. Mas é exactamente isso que dá a adrenalina à coisa.
Uma boa Iniciativa em Samora Correia. Terra de Toiros por excelencia. Atenção que só me estou a referir aos animais de 4 patas.
Publicado por Troll Urbano às 04:40 PM | Comentários (20)
abril 30, 2006
Foi há 120 anos
Por:Daniel Arruda

O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu no 1º de Maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época.
Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.
Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de Maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.
Para não fazer uma transcrição integral do texto clica aqui para leres o relato desse 1 de Maio de 1886 em Chicago
Publicado por Troll Urbano às 09:59 PM | Comentários (17)
abril 29, 2006
Outra explicação necessária...
Por:Isabel Faria
Preparada para publicar este post, o Daniel falou-me que tinha acabado de publicar um sobre o mesmo tema. Que eu ainda não tinha lido. Hesitei. Mas aqui fica na mesma. Afinal, há momentos em que nos sabe bem saber que estamos da mesma forma que os nossos amigos, na vida, na luta ou num Blog. Vim para o Troll, convidada pelo Daniel. A simultaneidade destes dois posts, seria a prova, que não foi por acaso….
O anonimato não é crime. Durante anos quem queria continuar a resistir à PIDE, ao fascismo, às perseguições, à prisão e à morte, teve que nele se refugiar para conseguir sobreviver.
Acontece assim em todo o lado, em que haja perseguições por não haver liberdade de opinião, de associação. Acontece assim em todas as ditaduras. De todas as cores.
A difamação, a injúria, a acusação sem provas, a calúnia, as perseguições, as mentiras, a deturpação, essas sim são crimes. Mesmo que não puníveis por lei, serão sempre, em nome da ética e em nome da moral, crimes.
A quem dá a cara e dá o nome, pede-se, exige-se contas. Exige-se desculpas publicas pelas calúnias, pelas difamações, pelos ataques ao bom nome e à dignidade. Se não legalmente, pelo menos, ética e moralmente.
A quem não tem cara, nem tem nome, nada se pode exigir. No anonimato para resistir a quem nos persegue pode estar a salvaguarda da nossa vida e da nossa luta. No anonimato para a infâmia e para a mentira, só pode estar a infâmia e a falta de princípios. Está a falta de vergonha. Pode não ser condenável por lei. Não deixa de, à luz da ética e da moral, ser crime.
Pactuar com crimes, torna-nos cúmplices. Daí, o ponto final.
Durante o tempo que estive no Afixe, usei o nome Isabel. Poderia, à luz do anonimato que um nome próprio, nos permite, ter usado aquele espaço para tudo. Nunca o fiz. Usei-o para expressar ideias, para exprimir princípios, para falar de sentimentos. Quando aqui cheguei, e decidi juntar o apelido, à semelhança do que já fazia o Daniel Arruda, foi a continuação lógica de quem nada tem a esconder nem nada tem de que se envergonhar. Ao longo destes meses, o anonimato foi aqui usado para os mais infames dos propósitos. Um luta irracional, ilógica contra o Bloco de Esquerda. E um ataque soez, cobarde contra pessoas com nomes, com caras, com vidas, com famílias e com amigos.
As atitudes ficam com quem as pratica. Pelo que nos é dado saber, não são novas as atitudes. Pelo que nos é dado saber, fazem parte do comportamento habitual de décadas. Mas pela parte que me toca, nada disso é importante. Estou aqui por prazer. A luta politica faço-a lá fora. Os afectos, apesar dos muitos que por aqui vou criando, vivo-os lá fora. Pela parte que me toca e o Daniel ali atrás manifestou intenção idêntica, passarei a ignorar quem aqui vier para caluniar, usando a cobardia como escudo. Peço aos nossos comentadores, aos amigos que por aqui vão passando, àqueles para quem o Troll é feito, aqueles para quem nos dá gozo fazê-lo que tentem, também, cortar o mal pela raiz. É apenas um pedido. Como é claro, o Troll é um lugar aberto, livre, onde cada um tem liberdade para agir da forma que entender. Da minha parte, apenas, fecho aqui, as portas à cobardia. Gosto de uma boa discussão. Gosto de confrontar ideias. Mas não perfilho o espírito cristão de dar a outra face. Para mal dos meus pecados…nasci ateia.
A semana que passou lembrou-me algumas coisas. Por exemplo, que a vida é sempre, seja qual for, o tempo que por aqui passemos, demasiado curta.
O Troll como eu o vejo, como eu o idealizo, onde se discuta, se ria, se brinque, se crie, se viva a liberdade e se ajude a construir a Justiça, segue já a seguir. Este Troll, que aparece á frente da lista de Blogs mais comentados, graças a comentários cobardes, difamadores e insanes, não me diz nada.
Este é um post individual, assinado Isabel Faria no inicio. É a minha posição. Só me obriga a mim. Há anos que aprendi que só nós somos responsáveis pelas nossas atitudes e que andar de cara levantada é a mais gratificante forma de por aqui passar.…
Publicado por Troll Urbano às 05:18 PM | Comentários (34)
abril 26, 2006
Esperar pela paz
Por:Isabel Faria
Este é um caso que todos conhecem, mas poderá ser qualquer um. Em qualquer lugar. Em Portugal e em 2006
Quando se perde um ente querido, deverá ser premente a necessidade de começar o luto. Há passos que se têm que dar. Os conhecidos que chegam, as palavras de conforto, sempre repetidas por quem nos quer bem mas que a cada vez que se repetem recomeçam e avivam o sofrimento, a necessidade de se procurar réstias de razão para fazer os preparativos, para marcar as datas para a partida, a preparação para o último momento, o da despedida definitiva. E, po fim, a partida.
Creio, pelo que me têm contado familiares e amigos muito próximos, que só então, quando o corpo daquele que amamos, finalmente descansa, podemos verdadeiramente começar a fazer o luto.
Para alguém que perde um amigo é dolorosa esta espera. Até porque, por menos crentes no que quer que seja que sejamos, não conseguimos nunca perder a sensação de que, para quem vai, ainda não acabou o sofrimento…mesmo quando a razão nos diz que já não sofre…para alguém que perde um familiar chegado, para um filho, uma esposa, um irmão, uma mãe, a espera de que haja espaço e técnicos para liberar o corpo deverá ser sempre e ainda a continuação da angústia. Como se duma forma sádica nos obrigassem a esperar por um qualquer momento de alguma paz. Será esta tarde. Afinal, atrasou-se…talvez amanhã…tem que ter paciência
Em 2006, em Lisboa, num dos melhores hospitais do País, estar três dias à espera de, finalmente, poder concluir a viagem, parece impossível. Mas não é. Entretanto a dor de quem sabe que perdeu alguém, mas sente que ainda não se pode tentar adaptar à perda, porque há ainda os últimos passos do percurso para percorrer, é duma extrema violência.
È normal, dizem todos. Acontece sempre assim. Acrscentam Há, portanto, milhares de pessoas que diariamente, têm que esperar por uma vaga para uma autópsia, para tentar recomeçar a viver. Aqueles que sofreram uma perda e que precisam da despedida definitiva para ousar reiniciar os primeiros passos.
Triste Pais, que nem depois de mortos nos trata com a dignidade que tantas vezes nos nega em vida.
Publicado por Troll Urbano às 09:43 PM | Comentários (4)
Afinal o que são erros humanos?
Por: Daniel Arruda
Diz o Público de hoje que "Nove em cada dez acidentes de viação em 2005 foram provocados por erro humano" e ficamos espantados. Que outras causas relevantes poderiam ser originários de acidentes. Uma roda a saltar. Um pneu que rebenta ou até um ataque cardiaco ao volante. Pode ser, mas os casos não são assim tantos em que isto acontece.
Depois de lermos a notícia vemos que "Entre os acidentes com vítimas mortais, a principal causa apontada pela GNR foi o "excesso de velocidade", responsável por 274 choques, ou 30,3 por cento do total. A "infracção rodoviária" foi identificada como responsável em 213 acidentes (23,6 por cento) e a "distracção do condutor" em 102 casos (11,3 por cento). O "comportamento do peão" esteve na origem de 50 acidentes mortais (5,5 por cento do total), a "inexperiência" provocou 48 (5,3 por cento) e as "falhas de percepção" 45 (4,9 por cento). Já a "imprudência" causou 28 acidentes mortais (3,1 por cento) e a "doença súbita" 27 casos (2,9 por cento)."
Afinal apenas 2,9% dos casos são provocados por causas que não erros humanos.
Publicado por Troll Urbano às 04:35 PM | Comentários (1)
abril 25, 2006
A língua ou o discurso
Por: Daniel Arruda
O problema não está na lingua. Está no discurso. Radicalismo atrás de radcalismo não levaram nem levarão a lado nenhum. As pessoas não estão para isso. Só a igreja ainda não percebeu isso. Bem, a Igreja e não só. Mas especialmente a Igreja.
A questão fundamental é quando os crentes em Deus deixam de se rever no discurso da instituição. Não pode esta impor um modo de vida. Deve sim encaminhar e saber adaptar-se aos tempos sem desvirtuar o seu pensamento base. e esse é e aí concordo dom as Igrejas, o bem do próximo e a forma como todos podemos contribuir para isso.
Publicado por Troll Urbano às 11:27 AM
abril 21, 2006
A violência
Por:Isabel Faria
Não é um bom dia para escrever um post a sério. Mas também não seria capaz de escrever um dos outros. Este é um assunto que já aqui por mais que uma vez aflorei. Que me lembre quando dos cartoons de Maomé, quando do assassinato do Porto e quando do recente acórdão do Supremo Tribunal sobre a funcionária acusada de
maltratar uma criança deficiente.A propósito dos acontecimentos de ontem na minha Freguesia, vou voltar a ele.
Não me importo minimamente se é uma posição de Esquerda ou não. Sou, por principio e em principio, contra a “descriminação positiva”. Aliás, só entendo este conceito se se pretender aplicá-lo a pessoas com qualquer tipo de deficiência, que têm, portanto, direito a cuidados e condições especiais.
Sempre achei muito próximo, demasiado próximo, o conceito de descriminação positiva e o de paternalismo. E o paternalismo nunca foi um bom paliativo para nenhum mal da humanidade. Com paternalismo não se cresce, não se aprende, não se dignifica, não se luta. Se passarmos a vida a agarrar os nossos filhos com medo que caiam nunca aprenderão a andar sozinhos. A nossa função de pais é criar-lhes condições para caírem “em segurança”. O resto tem que ficar por conta deles.
A única forma de combater o racismo é recusar a descriminação, seja ela qual for, exigir que todos os homens sejam tratados como homens, não admitir a intolerância, não admitir o preconceito. Nem pactuar com eles. E tão preconceituoso é aquele que tenta associar um crime como o de ontem à cor da pele, como o que pretende “desculpar” um crime como o de ontem pela cor da pele.
È, para mim, tão inaceitável entender um crime como o de ontem, pela situação de “racismo” que supostamente alguém é vitima, como inaceitável entender quem vocifera contra os imigrantes porque um crime como o de ontem foi cometido.
Há diariamente dezenas de crimes cometidos por brancos, pretos, amarelos, homens e mulheres. Todos eles, possivelmente, terão uma “razão”. O marido que chega a casa e agride a mulher porque foi humilhado pelo patrão, a mãe que maltrata a filha, porque não tem dinheiro para comer nem onde o procurar, os jovens sem futuro e sem presente que matam alguém “diferente” e mais desgraçado do que eles, o imigrante que diariamente, sente na pele o ser olhado de forma diferente., como intruso, com intolerância e com desdém, às vezes com rancor, e que comete um crime em nome dessa agressões que sente sofrer.
A luta pela dignificação do ser humano não passa pela desculpabilização doa actos “não humanos” que se cometem.
A luta pela Justiça passa por exigir que a Justiça trate todos como cidadãos com os mesmos direitos e os mesmos deveres. A luta pela igualdade passa pela luta para que todos tenham acesso às mesmas oportunidades, a luta contra a intolerância passa por ser intransigente com a intolerância.
Está um cidadão à beira da morte e mais dois gravemente feridos. Foi morto um transsexual nas ruas do Porto. Num caso sabe-se que o culpado é um homem com uma vida dura de luta pela sobrevivência da sua família, longe da sua terra. No outro sabe-se que os culpados foram jovens adolescentes sem família nem afectos, criados numa Instituição Social. Em qualquer dos casos as vitimas não são os causadores nem os responsáveis pelas situações de vida dos culpados. Em nome dessas situações, não podemos desculpabilizar os culpados, nem culpabilizar as vítimas.
Nestes casos não há dois lados. Ou, melhor há. Só que um dos lados somos nós próprios. Os que, cruzamos os braços e, de vez em quando, fazemos uma qualquer contrição de fé. Em que teimamos encontrar Deuses e Diabos. Como se ao homem, para não agir como ser humano, não bastasse, ser homem.
A violência que grassa nos nossos dias é o resultado da instabilidade, da falta de futuro, da ausência de sonhos, do desemprego, da fome. Os responsáveis pela instabilidade, pela ausência de sonhos, pelo desemprego e pela fome, não são as vítimas inocentes dessa violência. Se não tivermos sempre esta verdade presente nos nossos espíritos, arriscar-nos-emos sempre a desculpabilizar crimes e a não culpar criminosos. Os que cometem a violência gratuita e os responsáveis que provocam a violência organizada e institucional.
A luta contra o racismo passa por entender, por lutar para que a cor da pele não retire direitos. Nem justifique crimes. E são assustadoramente reaccionárias as posições que teimam em "aceitar" e "compreender" uns ou outros
Publicado por Troll Urbano às 10:25 PM | Comentários (17)
Eu aplaudo
Por: Daniel Arruda
Ora aí está mais uma boa notícia na secção internacional. A Bélgica legalizou a adopção de crianças por homosexuais. Para mim e falo só por mim, porque esta questão não é consensual em lado nenhum acho que é mais uma vitória da igualdade. Ainda não peço em Portugal algo igual porque nem ainda o casamento esta decidido, mas penso que é uma discussão que mais cedo ou mais tarde vai ter de estar em cima da mesa até porque com a quantidade de países que já o discutem e os muitos que o legalizaram não devemos nem podemos perder este comboio de modernidade.
Publicado por Troll Urbano às 04:57 PM | Comentários (16)
abril 18, 2006
Estudos que me dão razão
Por:Isabel Faria

Oh pá, esta notícia já é mais ou menos velhota. Mas eu também não ando sempre a ver o Portugal Diário, se bem que ache que o devesse fazer para alegrar os meus dias e me fazer pensar um pouco nas notícias importantes que por aí vão, como, por exemplo, um senhor alemão que processou o Coelhinho da Páscoa, acusando-o de ser o responsável pela obesidade e pelos ataques cardíacos. Acho bem que se processe que à custa do gajo sou bem capaz de ter engordado umas gramas, este fim de semana...Se bem que eu, apesar da gripe das aves, ser mais tipo ovo e amêndoas, das francesas, que eu cá mato-me, mas com alguma qualidade.
Então, dizia eu, andava a fazer a minha ronda periódica pelo Portugal Diário e descobri um estudo que prova que as mulheres engordam de uma forma mais saudável quando não vivem com parceiros. Contrariamente aos homens que, quando moram com parceiras (sempre adorei este termo...dá sempre um ar cientifico à coisa...), adquirem hábitos mais saudáveis...
Como diz a notícia, os homens a “viver com”, passaram a comer mais fruta e legumes e as mulheres mais carne...eu creio que esta parte, para além do estudo em si, dele, estudo, não em si, de você (tou tão educadinha hoje) leitor, também se encarrega de desmontar aquela treta do apetite insaciável do homem, mas isso é outra história que não é para aqui chamada...
O estudo mostra, portanto, que as mulheres engordam com o casamento e afins. Eu sempre disse que isso só trazia aborrecimentos...para além da tampa da sanita, das meias espalhadas pelo quarto, da “Bola” em cima do sofá os gajos em nossa casa só servem para nos engordarem. Os mesmos investigadores confirmam que a solução para tamanhos males pode estar em sair de casa e na separação. Eu, como nestas coisas, jogo normalmente pelo seguro há muito que me convenci que o melhor é não os deixar entrar mesmo...ok, reformulando a coisa, deixá-los entrar para petiscar e depois quando chegar a hora da refeição mesmo, voltar aos bróculos, aos espinafres, às maçãs e às papaias.
Os morangos podem e devem ser usados na parte dos petiscos, acho eu...assim como o chantilly que uma vez sem exemplo não engorda por aí além. Quanto ao resto, adoro estes estudos americanos que só servem para me dar razão. O que seria de vocês sem a gente para zelar pela vossa saúde??? E o que será de nós se nos armarmos em ingénuas e arriscarmos a, para além de ter a tampa da sanita aberta, começarmos a comer desalmadamente carne em quantidades industriais?
Publicado por Troll Urbano às 10:52 AM | Comentários (20)
Somos e pior, gostamos
Por: Daniel Arruda
Somos um país de telenovelas. Adoramos as telenovelas da vida real e quando não as temos inventamo-las. Ontem por estar numa casa que não a minha assisti ao telejornal da TVI. 30 minutos dedicados à morte de um jovem actor, que podendo, e não ponho em causa as suas qualidades teatrais, um dia vir a ser actor. Frases como o teatro português está de luto e outras barbaridades que tais foram repetidas a ponto de eu pensar que a Eunice Muños ou a Maria do Céu Guerra também seguiam no carro. Lembrei-me com tristeza do dia em que Curado Ribeiro morreu e em que tal facto passou quase despercebido.
Já quando ia para casa tinha ouvido numa rádio local que havia congestionamentos no cruzamento em que se deu o acidente tal a quantidade de pessoas que tinham resolvido ir colocar um ramo de flores ou uma vela, a ponto de obrigar a GNR a deslocar para lá efectivos para se poder regular o transito.
Somos um país de telenovelas e gostamos. Somos o país do triste fado, da desgraçadinha, da miséria assumida. Somos o que queremos ser. Morreu um jovem, Fransisco Adam, igual a tantos outros jovens que por esse país fora mostram talentos nas diversas áreas. Não morreu uma estrela e muito menos um ícone. Daqui a 1 mês, estou a ser bondoso,.ninguém mais se lembrará da sua existência. A TVI que agora e a bem das audiências, explora a morte de um jovem estará preocupada em fazer nascer outra estrela "fast food". Mas nós gostamos, tal como gostámos de ver em directo a transmissão de um futebolista júnior do Benfica, que despontava para a modalidade. Porque gostamos das telenovelas da vida real, pior, estamos viciados nelas. Precisamos delas para nos esquecermos que a nossa vida é pior que aquilo que vimos ali. Precisamos delas para dizermos que estamos vivos. Agarrados ao nosso triste fado, à nossa miséria.
Publicado por Troll Urbano às 09:38 AM | Comentários (8)
abril 17, 2006
Bem feito
Por: Daniel Arruda
Porque será que eu não consigo ficar chateado quando um banco é "burlado" de forma legal?????
Afinal não é o que estes fazem diariamente aos seus clientes?
Publicado por Troll Urbano às 01:28 PM | Comentários (4)
Cheguei tarde
Por:Isabel Faria
Durante anos, lutámos por ele. Conseguimos que fosse fazer curas de desintoxicação. Nunca conseguimos que o Médico de Trabalho, o chamasse e o seguisse regularmente enquanto estava a trabalhar. Depois, foram surgindo outras coisas urgentes. Como se houvesse alguma coisa mais urgente que uma vida...
Há um mês foi de baixa. Mais uma vez voltara a beber. Mais uma vez a maoiria de nós passou ao lado.
Acabou no Sábado. Sozinho em casa. Foi a primeira baixa em que nunca lhe liguei. Coisas mais urgentes roubaram-me tempo, atenção: o caderno reivindicativo, os comunicados, as reuniões...como se houvesse alguma coisa mais urgente que uma vida...
Perdi uma batalha e tenho a certeza que não fiz tudo o que devia. Não desta vez. Soube esta manhã enquanto descia a rampa. Que não devia ter cruzado os braços. Nem adiado a chamada que outras coisas me tiraram tempo para fazer...como se houvesse alguma coisa mais urgente que uma vida.
Respira-se um ar frio, esta manhã, aqui. Frio e pesado. Como foi a vida dele durante todos estes anos. Nem a desculpa que não havia nada a fazer me serve de consolo. É apenas isso. Uma desculpa. Não me traz paz.
Publicado por Troll Urbano às 09:52 AM | Comentários (6)
2ª Feira
Por: Daniel Arruda
Acordei com a notícia de que o Desemprego tinha baixado em Portugal. Segundo dados do Governo em cerca de 1,9%. Quando Saí da casa de banho o valor da diminuição já ia nos 0,9%. Pelo menos ainda me vesti feliz e com esperança de que o dia ainda ia correr com boas notícias.
Quando cheguei ao café, abri o jornal e vejo que Portugal foi o país onde a carga fiscal masi aumentou em relação ao PIB durante o último ano. Mais de 1%. Logo de seguida leio que são os consumidores que vão pagar a factura dos investimentos nas áreas petrolíferas. Acabei de beber o meu café e dirigi-me para o trabalho e no caminho oiço que os Portugueses continuam a sua saga de Kamicazes do alcatrão. Resolvo desligar o rádio e passar para um CD. Já não me bastava ser 2ª Feira para ainda por cima ser bombardeado com notícias que me estragam o dia ás 8 da manhã.
Pronto, já fiquei com a telha.
Publicado por Troll Urbano às 08:53 AM | Comentários (4)
abril 15, 2006
Notícias da Páscoa....
Por:Isabel Faria
Estar aqui mais ou menos condicionada pelo tempo, não me permite procurar as notícias por aí.Isto aui paga-se ao minuto...e pagar custa... Como hoje tem estado a chover todo o dia nem despii o pijama. Não há jornais de hoje, cá em casa.
Vi o Telejornal, ainda meio ensonada e confirmei que os nossos Sóis têm muito pouco a ver com os do S.Pedro, aliás se o S.Pedro falar português e ler o Troll não vai entender nada daquela história de o dito ter nascido...porque deduzo que o S.Pedro sabe que estou aqui e...a esta hora deve estar a coçar as longas barbas e a tentar entender...sei lá se não está a usar aqueles tradutores on line que metem o Daniel a falar japonês e árabe...
Nas poucas notícias que vi, deu para assistir às comemorações Pascais, para confirmar que os atentados à família, para a Igreja Católica, continuam a incluir o aborto e a homossexualidade, mas teimam e não incluir o desemprego e a falta de futuro, Deu para ver um ar de Filipinas, creio que no Fundão, com uma quantidade de gente a assistir ao espectáculo e a bater palmas e deu para ver a solidão de milhares de idosso, sobretudo nas grandes cidades.
Esta notícia recordou-me, um dia, há alguns anos, a minha mãe internada, uma velhinha magra, de olhar triste a quem foi dada alta e que passou o dia inteiro sentada no sofá, à espera que alguém da família a viesse buscar. Como tinha alta não tinha mais direito à refeição...tivemos que ser nós a dar-lhe de comer. Dar-lhe de comer, literalmente, já que não conseguia comer sozinha, À noite, o filho foi buscá-la. e agora levo-a para onde perguntou...não a posso levar para casa se não pode comer sozinha, estamos fora todo o dia a trabalhar...não tenho dinheiro para a pôr num Lar...Pelas notícias desta tarde, na Televisão, deu para perceber que não se incluem na desagregação da família estes problemas comezinhos...É muito mais gave a orientação sexual de quem quer que seja, do que não ter condições (nem vontade???) de tratar dos seus idosos.
Talvez pelo Natal...normalmente, aí, fala-se nisso...pelo ano inteiro.
Publicado por Troll Urbano às 03:27 PM | Comentários (2)
abril 13, 2006
Os novos pecados
Por: Daniel Arruda
Segundo as novas regras do Vaticano, o uso excessivo da televisão, da net e já agora os jornais devem ser considerados pecados e como tal devem ser confessados em local próprio. Eu estou a imaginar uma conversa de confessionário, sim porque eu só me posso recorrer á imaginação porque eu entrei num confessionário umas 7 ou 8 vezes e calculo que isto seja diferente de pessoa para pessoa.
Padre (P) - Então filho, quais os teus pecados.
Eu (E) - Sabe Sr. Padre, eu pequei.
P - Sim? Então o que fizeste?
E - Sabe, ontem depois de chegar a casa, fazer o jantar, dar banho ao menino e deitá-lo fui para a Net para vazar o meu mail. Estava cheio de Power Points com mulheres nuas e clip's de filmes com cenas de sexo explícito. Demorei uma hora para apagar aquilo tudo, sim, porque tinha de ver tudo para saber se não estava a apagar nada de importante.
P - Podias sim senhor.
E - Não Sr. Padre porque já fiz isso e assim deixei passar uma corrente de ajuda a uma criança com cancro que está para morrer dentro de 6 meses há oito anos. Mas posso dizer que não gostei nada do que vi, era só libertinagem e coisas contra natura. Sexo oral, anal e com animais. E mesmo as vaginais não eram em posição de missionário, eram de pé, de lado, enfim, um horror.
P - ..... e mais filho?
E - Depois fui trabalhar um pouco. Tinha uma série de documentos para ler e umas opiniões para dar. Ainda fui responder a uns comentários no meu Blog e escrevi uma posta.
P - Calculo que depois disso tivesses largado o computador?
E - Não, depois fui tratar de uma coisas nas finanças e no banco, tudo pela net e perdi aí mais uma hora, até que recebi uma mensagem da minha prima da Alemanha para ir ao Messager porque há muito tempo que não falávamos. Quando demos por nós já eram duas da manhã e outro primo se tinha juntado a nós. Escusado será dizer que já não me fui deitar porque estava a começar o GP de Formula 1 que eu queria ver, era a 1ª corrida da época. Finalmente ás 9 da manhã deitei-me.
P - Isso é mau, muito mau.
E - Mas pior é que no dia seguinte quando acordei fui ler o jornal. Sabe, é uma coisa que não consigo conter. Gosto de estar informado. Eu sei que é pecado, que uma pessoa informada é menos maleável mas não me consigo conter.
P - Estas consciente que tens pecado muito. A continuares assim as portas do reino dos Céus não se abrirão para ti. Vai para casa e lê a Bíblia e depois vem cá à igreja para falarmos sobre o que leste.
E - Mas padre ainda gostava de me confessar, porque não dei boleia a uma velhinha que estava à chuva ali na estrada Nac. 10 e que me parecia mesmo em dificuldades.
P - Não te preocupes com isso. não faz mal, tem cuidado é com essas novas tecnologias de informação.
Publicado por Troll Urbano às 05:36 PM | Comentários (5)
abril 12, 2006
Uma decisão judicial...
Por: Isabel Faria

Há notícias que não sei comentar. Que por serem tão inverosímeis me apetece transcrever na integra. Um link soar-me-ia a pouco, para descrever a minha inquietação e a minha incapacidade de entender. Como post, apenas me apetece perguntar, se estamos mesmo em 2006???
"São «lícitas» e «aceitáveis» as palmadas e estaladas dadas por uma responsável de um lar de Setúbal a crianças com deficiências mentais. Segundo o Supremo Tribunal de Justiça, se estas não forem dadas, pode até falar-se em «negligência educacional».
O Supremo Tribunal de Justiça entende que são «lícitas» e «aceitáveis» as palmadas e estaladas dadas por uma responsável de um lar de Setúbal a crianças com deficiências mentais.
Esta instância considerou ainda um castigo normal de um «bom pai de família» fechar crianças em quartos e que as estaladas e palmadas, se não forem dadas até podem configurar «negligência educacional».
De acordo com o «Público», que diz ter tido acesso ao acórdão do Supremo, a responsável tinha sido indiciada por maus tratos, nomeadamente por causa das estaladas e palmadas, mas também por fechar as crianças em quartos escuros quando estas se recusavam a comer.
A responsável do lar tinha sido condenada anteriormente pelo Tribunal de Setúbal com pena suspensa por apenas um caso, o de ter amarrado por duas vezes os pés e as mãos de um menino de sete anos para evitar que este saísse da cama e a acordasse.
O caso começou quando o Tribunal de Setúbal deu como provado que a arguida, responsável pelo lar residencial do Centro de Reabilitação Profissional, entre 1990 e 2000, fechava frequentemente um menor de sete anos, que sofria de psicose infantil muito grave, na dispensa, com a luz apagada, para que ficasse menos activo.
Este tribunal condenou a responsável do lar a 18 meses de prisão, com pena suspensa por um ano, justificando esta pena pelo facto de a arguida não ter cadastro, facto que levou o Ministério Público a recorrer desta decisão."
TSF Online
Publicado por Troll Urbano às 11:22 AM | Comentários (18)
Um exemplo
Por: Daniel Arruda
É nestas alturas que a comunidade internacional anti guerra se deveria juntar para fazer uma mega homenagem e entregar uma medalha de mérito, mesmo que simbólica a este resistente. Devia-se deixar claro que uma pessoa destas não merece ser julgada em tribunal mas sim louvada pelo serviço á humanidade. Deveria ser usado como exemplo a todos os que acham que uma recusa individual não leva a nada e para isso é preciso dar-lhe dimensão e exposição.
Afinal não é todos os dias que alguém leva até ao fim uma desobediencia, muito menos nos exercitos.
Publicado por Troll Urbano às 03:50 AM | Comentários (11)
abril 11, 2006
As religiões são todas iguais, mudam é as moscas.
Por: Daniel Arruda
O que se temia provou-e mais cedo do que eu esperava. Numa altura em que o machado de guerra sobre os Cartoons supostamente ofensivos ao profeta Maomé ainda não está enterrado, eis que é outra religião que demonstra todo o seu sectarismo e intolerancia pela opinião dos outros.
Ontem soube-se que a Igreja Católica Alemã pretende impedir a emissão de um programa da MTV Europe que é uma sátira que inclui um papa louco e excentrico e um cardeal corrupto. De entre as cenas já conhecidas a que está a provocar mais polémica é uma em que jesus aparece sentado num sofá a ver televisão e a cruz vazia ao fundo. Afinal um homem precisa de descansar de tanto trabalho. Dizem que é um atentado à dignidade dos católicos e apelam á mobilização contra o programa. Pretendem ainda interpor uma acção no tribunal a fim de evitar a transmissão.
Ironia das ironias quando ainda há pouco tempo sectores católicos defendiam a liberdade de expressão e denunciavam a intolerancia dos muçulmanos. Afinal a diferença entre as religiões não é grande. Só mudam mesmo é as moscas.
A minha opinião neste caso mantém se inalterada. Qual o mal de uma sátira quando é apresentada como tal. Haja liberdade de expressão. Afinal o mundo não é todo religioso e mesmo o religioso está dividido entre milhentas facções.
Publicado por Troll Urbano às 06:30 PM | Comentários (15)
abril 08, 2006
A partir de hoje ...
Por: Daniel Arruda
... considere-se aberta a campanha anti lei do Tabaco no Troll Urbano
Publicado por Troll Urbano às 07:15 PM | Comentários (1)
abril 07, 2006
Mas o que é que isto interessa
Por: Daniel Arruda
Afinal Jesus não caminhou sobre as águas no mar da Galileia. Afinal o que ele fez foi caminhar sobre gelo.
Não se assustem, quem o diz não sou eu mas um cientista norte americano que já há 16 anos atrás tinha destruido a teoria "segundo o qual a travessia a pé do Mar Vermelho pelos hebreus - após Moisés ter separado as águas - poderia explicar-se por outro fenómeno meteorológico". Desta vez o que o tal cientista diz que as condiçoes climatéricas naquela zona poderiam ter favorecido a criação de uma camada de gelo sufecientemente forte que suportasse o peso de um homem.
Quem me lê há mais tempo sabe que sou ateu mas confesso que não consigo compreender em que é que este tipo de estudos é relevante. Para um crente, o facto de ele ter caminhado sobre a água ou sobre gelo, ou se a travessia do Mar Vermelho foi assim ou assado não é relevante. Até eu, um não crente aprendi que a bíblia mais que uma narração de factos históricos correctos e ordenados historicamente é uma história de fábula, de intenções de indicações. Os milagres, os factos, as conversas são fábulas, teses filosóficas em que se acredita ou não pelo seu sentido e não pelo facto em si.
Espanta-me como há pessoas que perdem tempo a confirmar ou a desmentir fábulas. Pior que isto só a tese de doutoramento de um inglês que não sei o nome que defendia que o Robin dos Bosques e o João Pequeno afinal eram homosexuais.
Publicado por Troll Urbano às 05:15 PM | Comentários (2)
abril 06, 2006
É que é já a seguir que eu deixo de fumar
Por: Daniel Arruda
As imagens estão um pouco deformadas, é propositado. São imagens de bebés entubados, de pessoas á beira da morte, fetos em frascos. São a nova campanha do ministério da Saúde para alertar as pessoas que fumar mata e serão presença obrigatória em todos os maços de tabaco. Medida aliás já aplicada no Brasil há 2 anos sem efeitos visiveis. O número de fumadores não diminuiu.
Tanta hipocrisia. Se o tabaco é tão mau proibam-no. O que eu não percebo é porque é que se sabem que é tão mau não proibem a sua comercialização. E abdicam dos impostos que daí adveem. Já agora e a propósito de impostos, os que os fumadores pagam dariam bem para construir de raíz um hospital só para tratar os fumadores e das suas doenças. Os que adoecem, é que o meu bisavó fumava dois maços de tabaco por dia e morreu aos 93.
A seguir vão por nas chavenas de café que o café provoca hipertensão, à porta dos bares de Alterne que o sexo é mau e nas garrafas de bebidas alcoolicas imagens de figados desfeitos e de indestinos dilatados.
Irra que já não há paciencia para tamanha estupidez. Só por causa disso vou fumar um cigarro.
Publicado por Troll Urbano às 10:14 PM
abril 05, 2006
Há petróleo em Marvila
Por:Isabel Faria

De um amigo, que habita em Marvila, recebi a notícia. O mapa a confirmar e uma carta em que ele informava o Sr. Presidente Carmona Rodrigues e a Sra.Veradora do Urbanismo da boa nova.
Entretanto, feliz, com a notícia o Sr. Presidente decidiu ofrecer mais um espaço para um novo buraquito, à Antral, a empresa dos táxis.
Na carta que enviou, o António, explica ao Sr. Presidente e à Sra. Vereadora a localização dos actuais poços de prtróleo:
" São 4 à volta do aeroporto : 2 Aeroporto ; Rotunda do Relógio; Quinta Morgado
1 Areeiro
1 Olaias
2 nos Olivais : Cemitério e Expo porta sul
1 Beato (junto ao Lidle)
1 Poço do Bispo"
Conclui na sua carta que Marvila nunca se poderá queixar de falta de Bombas de gasolina...nem de petróleo, acrescento eu.
Entretanto, segundo escreveu, parece que o Vereador Sá Fernandes não entendeu a abertura do 11º poço à volta do Bairro, o tal da Antral, que será aberto num local que o PDM e o PUC destinavam a outros fins e protestou.
O António diz que percebe o Vereador. Eu confesso que não percebo nem um nem outro.
O que é que vocês têm contra os poços de petróleo??? E quantos habitantes de Marvila têm carro??? Dá um bomba por habitante??? Não dá, pois não? Então queixam-se de quê??? Ingratos é o que vocês são...eu, no meu bairro tenho uma (e nem é no meu, é ao lado...) em frente ao Elefante Branco, e apesar da vizinhança fecha às oito ou às nove da noite...
Nunca estão contentes com nada...queriam o quê à volta do bairro??? Espaços verdes??? Acordem, meninos, acordem!!! Estamos em Lisboa, carago !!
Como lembra o António já o Solnado dizia que havia petróleo no Beato...e Marvila fica ali mesmo ao lado...dá Deus nozes a quem não tem dentes, é o que é!!!
Publicado por Troll Urbano às 11:13 AM | Comentários (2)
abril 03, 2006
Vá para fora cá dentro
Por: Daniel Arruda
Parece que apanharam uns quantos portugueses que se tinham deslocados ao Brasil, mais propriamente a Natal, para umas férias sexuais. Pelo menos é o que diz o JN
Ao mesmo tempo sai a notícia que cerca de metade dos portugueses acham que a situação económica vai piorar e que não vai haver espaço para poupanças.
Há aqui um contrasenso entre estas coisas. Não pelo facto de os portugueses, ou alguns se darem ao luxo de fazerem férias sexuais. Mas sim porque a bem da verdade poderiam fazer as mesmas férias mais baratas sem saír de Portugal com as mesmas (ok, não as mesmas mas similares) brasileiras. Umas voltas por Lisboa e arredores dariam um itenerário turistico/sexual de luxo, mas Portugal oferece ainda outras possibilidades. Se o cliente preferir uma coisa mais rural temos ainda Trás os Montes ou a zona raiana. Pode até o cliente e viajante preferir a praia e aí o Algarve será sempre boa solução, pois também aí existe uma actividade algo intensa a este nível.
Portugal oferece ainda outras vantagens que têm pouco a ver com questões financeiras. A diversidade. Cá para além de brasileiras temos ucranianas, romenas, bielorussas, chinesas, caboverdianas, angolanas entre muitas outras nacionalidades.
Como diz o anuncio. Vá para fora cá dentro.
Publicado por Troll Urbano às 08:59 AM | Comentários (1)
março 31, 2006
Sinais dos tempos
Por: Daniel Arruda
Ontem, aqui e no Pópulo, houve uma "discussão" sobre violencia infantil. Não concordo que se ache que as crianças são mais violentas hoje que antes mas sim que foi a sociedade que criou este fenómeno e em vez de o resolver, tenta embrenhar-se cada vez mais em teorias que não visam mais que justificar o próprio erro. É uma posição discutível, a minha. Claro que é. Mas isso talvez venha do facto de eu ser um defensor da liberdade total, também para as crianças. Isso implica incutir responsabilidade.
Hoje mandaram-me um mail com uma imagem que eu acho que vem a calhar. Não resisto a publicá-la.
Publicado por Troll Urbano às 11:53 AM | Comentários (7)
março 30, 2006
É o costume
Por: Daniel Arruda
Portugal tem H1, H3, H6, H7 e H9... mas não H5N1
DN hoje
É o costume, temos tudo o que é menor, mas o que é realmente importante falta-nos.
Publicado por Troll Urbano às 02:41 PM | Comentários (3)
"Pela memória"
Por:Isabel Faria
Quando ontem escrevi este post, a Helena Romão, na caixa de comentários, fez esta sugestão: "Isabel, e não podíamos organizar uma iniciativa do tipo encher-lhes a caixa de mail a dizer que falta o resto da história do edifício, e que é publicidade enganosa?
Arranja-se uma espécie de texto modelo. Cada um pode aproveitar ou não, escrever o seu próprio texto ou apoiar-se no modelo. E entupir-lhes a caixa do correio". Sugestão que, imediatamente, acetámos.
Essa é, então, a nossa proposta. Que se crie uma corrente, chamar-lhe-iamos "Pela memória" e enviariamos, para o Email da empresa, uma mensagem a "lembrar-lhes" que a PIDE existiu e que exigimos que a História e a memória sejam respeitadas. Pedimos a todos que concordem com a iniciativa que a publiquem nos vossos Blogs e... mãos à obra.
Proposta de texto:
Ao consultar a página na Internet deparei-me com algumas incorrecções que urge corrigir.
Na página dedicada à história do edifício, os senhores mencionam apenas os contecimentos até 1640. Como sabem, estamos em 2006 e, entretanto, houve História naquele edifício. Como também sabem, o edifício foi sede da PIDE-DGS, polícia política do regime fascista. Até 1974 era para aquele edifício que eram levados os presos, para serem interrogados sob tortura. Como é público, os maus-tratos levavam, não raramente, à morte.
Omitir as mortes e as torturas é publicidade enganosa. Naquele lugar não houve, apenas, banquetes e festas de casamento. O fascismo existiu. A PIDE-DGS torturou e matou.
Exigimos o respeito da História do País e da memória de quem ali sofreu e morreu.
O Email da empresa é pacododuque@temple.pt.
Publicado por Troll Urbano às 10:03 AM | Comentários (16)
Eu peço desculpa
Por: Daniel Arruda
Eu peço desculpa por ter crescido de forma saudável. Peço também desculpa a todos os que sovei na escola e fora dela assim como perdoo a todos os que me encheram de porrada quando assim calhava. Peço desculpa por ter o meu grupo, o meu bando, onde me sentia bem, entre amigos. E por nos juntarmos à noite nos bancos do Parque Municipal para fazer coisas tão horríveis como fumar um cigarro ou beber uma cerveja. Peço desculpa por roubar chocolates aos 13/14 anos do mini mercado só pelo prazer de estar a fazer algo errado e para ver até onde ia a astúicia do grupo.
Não sei como foi possível crescer assim, de forma tão pouco correcta ao nível sociológico. Eu que tinha uma família estável, um pai e uma mãe como manda a Santa Igreja, um lar unido, toda a gente empregada afinal descubro agora que toda a minha infancia pertenci a um grupo de risco. Nunca dei conta que fosse mau haver umas pessoas mais populares na escola e outras menos. Umas que tinham amigos e andavam em grupo e outros que eram relegados para um canto. Havia ainda aqueles que achavam que a escola é apenas um sítio onde se aprende matéria dada nas aulas e esses eram naturalmente solitários e os que viam ainda que inconscientemente a escola como um espaço social onde também se aprende a crescer. Sempre achei que o tempo nos ensinava a viver com isso e dar a volta por cima. Como estava enganado. Afinal as nossas excursões ás ruas e terras vizinhas só para marcar o nosso espaço era uma forma de terrorismo encapotado.
Peço por isso antecipadamente desculpa à sociedade por devido a isso hoje ser um potencial delinquente. Até hoje não sabia. Por isso e se é que serve para minha defesa, quero deixar aqui claro que se um dia eu fizer um assalto à mão armada ou assasinar alguém, a culpa não é minha mas sim da sociedade que na altura não me pode dar o acompanhamento que me era devido. Não soube proteger-me das ruas que me puxavam para a delinquencia.
Espero que me possam desculpar.
Publicado por Troll Urbano às 08:47 AM | Comentários (18)
março 29, 2006
Lugar de festas de família, em pleno Chiado
Por:Isabel Faria

Através do Renas e Veados, descobri este site. Convido-vos a todos a visitar este site. É o site de promoção e venda do condomínio fechado e de luxo que se está a construir na sede da PIDE, na António Maria Cardoso.
Párem um bocadinho, tomem um bocadinho do vosso tempo e leiam a história do edifício. A história da sede da Pide-DGS. Onde foram presos e torturados milhares de homens e mulheres. E digam-me se eu estou a ficar louca ou se neste país se perdeu definitivamente a vergonha. Estamos em 2006. Faz hoje trinta e dois anos, a esta hora, a PIDE ainda prendia e torturava "em pleno Chiado". Digam-me que me estou a escandalizar por uma ninharia...ou confirmem-me a loucura. Ou a falta de vergonha de quem permite que se negue e se reescreva a história. E que se reduza a memória da António Maria Cardoso, ao casamento de D.Teodósio com a prima Isabel.
Publicado por Troll Urbano às 07:55 PM | Comentários (9)
março 28, 2006
CPE / Precariedade
Por:Isabel Faria
Em França, cada dia que passa são maiores as manifestções contra a politica do Governo. Hoje, mais de 3 milhões de pessoas fizeram a maior greve geral de sempre e tomaram as ruas das principais cidades francesas, para dizer não ao CPE. Em LIsboa, esta tarde, jovens sairam à rua, para dizer não à precariedade. Não é, ainda, a mobilização de França. Mas é necessário que nos convençamos que a Lei que Villepin, quer agora impor em França, já é Lei em Portugal, há anos. Carvalho da Silva falava hoje na televisão de um jovem que tinha dezenas de contratos, feitos na mesma empresa para tarefas differentes. Diariamente, quem trabalha numa empresa privada, conhece casos assim. Tenho colegas que já vi mudarem de empresa, mudarem de função, mudarem de salário, dezenas e dezenas de vezes, só nunca pude vê-los mudar de vida. Porque a lei lhes permite continuar assim, sem futuro, eternamente.
A mobilização em Portugal ainda não é a de França. Mas os problemas são os mesmos. O neoliberalismo, lá como cá, quer-nos fazer acreditar que se combate o desemprego, despedindo. Que se cria uma sociedade estável, com vidas instáveis, que se constrói o futuro com jovens sem presente.
Hoje, dia 28 de Março, dia Mundial da Juventude, os jovens sairam á rua em Lisboa, a exigir futuro. É o que fazem os milhões que diariamente saem à rua em França.
Publicado por Troll Urbano às 11:49 PM | Comentários (4)
março 27, 2006
Imigrantes
Por: Daniel Arruda
O Canadá tem uma lei de imigração muio parecida à nossa no que a requesitos diz respeito. Talvez até um pouco mais permissiva que a nossa. Nos últimos tempos têm estado a dar ordem de expulsão a uns quantos imigrantes, entre os quais portugueses. Estão tão só e apenas a cumprir a lei.
Em Portugal levanta-se um coro de protestos por esse facto. Até parece que não conhecem o ditado popular que diz: Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti. , porque nós tratamos os imigrantes que nos escolhem para (re)fazer a vida, muito pior e há até quem os queira ainda tratar pior. Esquisito é que esses são os 1os a insurgirem-se contra as medidas do governo canadiano.
É muita falta de vergonha.
Publicado por Troll Urbano às 01:36 PM | Comentários (5)
março 25, 2006
Rápidos
Por:Isabel Faria
Como hoje o tempo não é muito, andei apressadamente a ver as notícias online. A tentar descobrir uma coisa rápida, que desse para fazer um post rápido. Afinal só descubro coisas que dariam pano para mangas.
O Presidente da ASPP responsabiliza as constantes mudanças na direcção da PSP pelos alegados casos de tráfico de armas, como se na Polícia, como em todos os outros sectores, não houvesse (pudesse haver) gente corrupta e outra não.
E em Espanha, dezenas de portugueses foram encontrados pela Guarda Cívil, em trabalho escravo, a ganharem 10€ por semana, como se a Espanha, não fosse na Europa e não estivessemos em 2006.
Como dá para ver, não são temas para um post rápido...apenas para dizer que às vezes nos questionamos se sabemos mesmo em que mundo vivemos.
Publicado por Troll Urbano às 12:00 PM | Comentários (1)
março 21, 2006
Anedota? Ficção???
Por:Isabel Faria
Recebi isto por Email. Supostamente isto é uma anedota. Portanto, devia-me rir imenso. Porque será que conhecendo o Código de Trabalho, a Administação da minha empresa, os exemplos de outras empresas...não consigo rir-me...nem me parece tanto anedota assim...aliás...nem sequer sei se me parece ficção...olhem deixo à vossa apreciação. É o meu sentido de humor que anda de rastos...ou são as anedotas que já não são o que eram???
1. INDUMENTÁRIA:
-Informamos que o funcionário deverá trabalhar vestido de acordo com o seu Salário.
- Se o virmos calçado com uns ténis Adidas de 100EUR ou com uma bolsa Gucci de 150EUR,presumiremos que está muito bem de finanças e portanto, não precisa de aumento.
- Se ele se vestir de forma pobre, será um sinal de que precisa aprender a controlar melhor o seu dinheiro para que possa comprar roupas melhores e portanto, não precisa de aumento.
- E se ele se vestir no meio-termo, estará perfeito e portanto, não precisa de aumento.
2. AUSÊNCIA DEVIDO A DOENÇA:
Não vamos mais aceitar uma declaração do médico como prova de doença. Se o funcionário tem condições para ir até ao consultório médico também tem para vir trabalhar.
CIRURGIA:
As cirurgias são proibidas.
Enquanto o funcionário trabalhar nesta empresa, precisará de todos os seus órgãos, portanto, não deve pensar em tirar nada. Nós contratámo-lo inteiro. Remover algo constitui quebra de contrato.
3. AUSÊNCIAS DEVIDO A MOTIVOS PESSOAIS:
Cada funcionário receberá 104 dias para assuntos pessoais, em cada ano. Chamam-se Sábados e Domingos.
4. FÉRIAS:
Todos os funcionários têm direito a gozar ainda mais 12 dias de férias nos seguintes dias de cada ano: o 1 de Janeiro, o Dia de Páscoa, o 25 de Abril, o 1 de Maio, o 10 de Junho, o 15 de Agosto, o 5 de Outubro, o 1 de Novembro, o 1, 8 e 25 de Dezembro.
5. AUSÊNCIA DEVIDO AO FALECIMENTO DE ENTE QUERIDO:
Esta não é uma justificação para perder um dia de trabalho. Não há nada que se possa fazer pelos amigos, parentes ou colegas de trabalho falecidos. Todo o esforço deverá ser empenhado para que os não-funcionários cuidem dos detalhes.
Nos casos raros, onde o envolvimento do funcionário é necessário, o enterro deverá ser marcado para o final da
tarde. Teremos prazer em permitir que o funcionário trabalhe durante o horário do almoço e, daí sair uma hora mais cedo, desde que o seu trabalho esteja em dia.
6. AUSÊNCIA DEVIDO À SUA PRÓPRIA MORTE:
Isto será aceite como desculpa.
Entretanto, exigimos pelo menos 15 dias de aviso prévio, visto que cabe ao funcionário treinar o seu substituto.
7. O USO DO WC:
Os funcionários estão a passar tempo demais na casa de banho.
No futuro, seguiremos o sistema de ordem alfabética. Por exemplo, todos os funcionários cujos nomes começam com a letra 'A' irão entre as 9:00 e 9:20, aqueles com a letra 'B' entre 9:20 e 9:40, etc. Se não puder ir na hora designada, será preciso esperar a sua vez, no dia seguinte.
Em caso de emergência, os funcionários poderão trocar o seu horário com um colega. Ambos os chefes dos funcionários deverão aprovar essa troca, por escrito.
Adicionalmente, agora há um limite estritamente máximo de 3 minutos na sanita. Acabando esses 3 minutos, um alarme tocará, o rolo de papel higiénico será recolhido, a porta da sanita abrir-se-á e uma foto será tirada. Se for repetente, a foto será afixada no quadro de avisos e Intranet do Serviço com o título infractor Crónico.
8. A HORA DO ALMOÇO:
Os magros têm 30 minutos para o almoço, porque precisam comer mais para parecerem saudáveis.
As pessoas de tamanho normal têm 15 minutos para comer uma refeição balanceada que sustente o seu corpo mediano. Os gordos têm 5 minutos, porque é tudo que precisam para tomar uma salada e um moderador de apetite.
Muito obrigado pela sua fidelidade à nossa empresa. Estamos aqui para proporcionar uma experiência laboral positiva. Portanto, todas as dúvidas, comentários, preocupações, reclamações, frustrações, irritações, desagravos, insinuações, alegações, acusações, observações, consternações e quaisquer outras... ões' deverão ser dirigidas para outro lugar.
Tenham uma boa semana.
A Administração
Publicado por Troll Urbano às 04:14 PM | Comentários (1)
março 17, 2006
Um exemplo francês
Por: Daniel Arruda
Os números divergem. O Ministério do Interior francês fala em 150 000. Os estudantes falam em 350 000. Nada disso retira o valor da grande manifestação de estudantes que ontem ocorreu um pouco por toda a França. Todas as principais cidades foram palco para manifestações daqueles a quem Sarkosy chamou de arruaceiros. Também as universidades estiveram fechadas por causa da greve dos estudantes.
Amanhã haverá a manifestação dos sindicatos aos quais os estudantes já disseram que se vão associar.
Acho que devemos ver os bons exemplos e de França normalmente vêm os bons. Desde a greve dos camionistas que parou a Europa toda até à indignação pelos devaneios raciais de um ministro de extrema direita. Vamos ver o que isto vai dar mas gostava que fosse o início de uma grande onda de contestação por toda a Europa. Desengane-se quem pensa que se consegue vencer o modelo neo liberal apenas pelas palavras. É nas acções de massas, verdadeiramente de massas que está a luta e é por ela que nos devemos bater.
Publicado por Troll Urbano às 09:56 AM | Comentários (5)
março 16, 2006
Sem título
Por: Daniel Arruda
Que bonito é ouvir a Clara Ferreira Alvers a conjugar este verbo
Publicado por Troll Urbano às 03:48 PM
Quantos há???
Por:Isabel Faria

O da venda de Porsches que disparou?

Ou o da pobreza e exclusão que se agravam?
Quando apanho o autocarro e ouço, que remédio tenho senão ouvir, as conversas dos outros passageiros e depois chego a casa e vejo o Telejornal.
Quando estou no dia a dia na minha empresa e depois leio os jornais. Fica-me sempre a dúvida. Qual dos países é o real? O do aumento diário do desemprego, do trabalho precário, das rescisões mais ou menos de comum acordo, encapotadas por despedimentos, em que não se cumpre a Lei e se paga anos de serviço com meia dúzia de tostões, que depois darão lugar a pré-reformas com a conivência e o silêncio de todos (incluindo o meu, que hesito sempre entre se denunciar situações é prejudicar os meus colegas e os outros trabalhadores na mesma situação por esse País fora ou denunciar o não cumprimento da Lei e as razões efectivas da tal “insustentabilidade” da Segurança Social com que nos amedrontam as noites e o futuro) ou o País das OPAs do Belmiro sobre a PT, do BCP sobre o BCI, das acções da Bolsa que crescem 8% num dia e que depois descem não sei quantos no próximo, da corrida nunca vista aos Porsches e aos outros carros de luxo.
Se o meu país é o País do endividamento das famílias, da estagnação da Construção Civil que se acentua desde 2002, devido à inexistência de mercado de arrendamento e à cada vez maior dificuldade do acesso ao crédito para pessoas de menor rendimento ou o País em que um apartamento de três assoalhadas em pleno centro de Lisboa, a ser vendido por 80 000 contos (não sei fazer estas contas enormes em Euros, desculpem lá), perde os dísticos das janelas em dois dias.
Se o meu País é o País onde os idosos são abandonados nos hospitais muitas vezes por insensibilidade e egoísmo, mas outras tantas por absoluta falta de condições para os ter em casa ou o das reformas imorais dos gestores públicos e afins.
Se é o País do rigor económico dos sem abrigo do Martim Moniz ou o País do rigor económico da festa de tomada de posse do novo Presidente da República.
Nunca sei, portanto, se o meu País é o da rua ou o da Bolsa. Um deles não é, seguramente, real. Desde a escola que sempre me falaram só num D. Afonso Henriques.
Publicado por Troll Urbano às 10:47 AM
março 15, 2006
Ainda é um bébe
Por: Daniel Arruda
Há cada vez mais empresas amigas do ambiente
Detesto o pessímismo mas tenho que dizer que por muito que nos queiram vender a ideia não posso deixar de achar que este processo, o das empresas ecologicamente sustentáveis, apesar de ter mais de 20 anos no terreno, ainda não passou da fase embrionária. pelo menos em Portugal.
Uma nota: Seria bom que artigos como o linkados em cima tivessem dados que nos permitissem aferir da veracidade pois assim parece quase um reclame encomendado por uma qualquer empresa a um jornalista ou editor.
Publicado por Troll Urbano às 08:32 AM
março 14, 2006
Quem sabe se o Sol...
Por:Isabel Faria

Sabe-se que não estão a cumprir a Lei, mas sente-se que não se tem forma de como os obrigar. Afinal, segundo eles, a vontade das pessoas sobrepõe-se à Lei. E eles até a sabem contornar de uma forma "legal"
Tenta-se alertar os colegas de anos, para o facto de estarem a aceitar “esmolas” depois de décadas de trabalho. Mas vimos tanto cansaço e tanto desencanto nos olhares, que nos tolhem as palavras.
Quando nos despedimos, quando eles partem, em cada um, vai também um bocadinho de nós. Com todos, foram mais do que vinte anos. Vinte anos é uma vida.
No meio das palavras que quase não saem, ainda se ouve um ou outro, com esta idade faziam-nos sentir que já estavamos a mais.Todos os dias nos faziam sentir. E custava. E sentimos, por momentos sentimos, quanto custava.
Mas o que mais dói é a pressa. Enquanto nos despedimos, se eles passam vimos a pressa. Já tem os papéis assinados. Já tem o cheque. Já está despachado...e não escondem a pressa.
Não há laços. Os anos de casa, a dedicação, o empenho, os risos, as amarguras, as refeições juntos...já estão despachados. Ainda cá estão a fazer o quê? E sente-se que eles sentem. Vês, Isabel, que é melhor assim. E não consegues rebater. De facto, eles não criam laços. Usam, enquanto são rentáveis. Criar laços é incompativel com rentabilidade. Com lucro. Laços e números não rima.
E, além disso, há a pressa. Eles não têm tempo para gastar em laços. Os números não podem esperar.
Vês, Isabel, é melhor assim. E acenas com a cabeça. Dizes que lá fora faz Sol. Soa a tão pouco, mas lá fora faz Sol.
Publicado por Troll Urbano às 02:20 PM | Comentários (2)
Egoismo
Por: Daniel Arruda
Noite atribulada esta. Não me bastava ter chegado tarde a casa para ter de me levantar cedo como no momento em que estava a pegar no sono ter sido acordado por barulho estranho vindo da rua. Passado o 1º susto não me preocupei, porque afinal barulho estranho na rua já não é nada que não se esteja habituado. Pior foi quando depois ouvi uma montra a partir e mais barulho. Cuiriosidade mata mas uma pessoa não pensa nisso e por isso desloquei-me á janela.
Mesmo a tempo de ver dois sujeitos saírem lá de dentro, um com a caixa registadora e o outro com outro embrulho que não identifiquei. Meteram-se no carro e "ala que cá vai disto".
Escusado dizer que telefonei para a polícia a dar conta da ocorrência e 10 min depois eles estavam lá. O posto da GNR ainda fica longe, mais ou menos 3 KM.
Mas a razão de ser da posta não é o assalto em si. É que se eu der, e desculpem a expressão, um peido fora do penico, no dia a seguir todo o bairro sabe, mas ontem em que uma montra é partida, uma máquina arrastada, ninguém viu nada, ninguém deu a cara. Não foi com os haveres deles por isso podem manter-se sossegados em casa. esquecem-se que qualquer dia pode ser o carro deles e aí também gostavam que alguém denunciasse ou identificasse quem fez os estragos.
É este egoísmo que me desespera, mas não se pense que isto é exclusivo dos bairros ou da "nova sociedade". Já nos meus tempos de miudo esta questão se punha e era um meio mais pequeno.
Publicado por Troll Urbano às 10:45 AM | Comentários (4)
março 13, 2006
Sem Título
Por: Daniel Arruda
Este cartaz estava no Aspirina B. Acho que mais uma divulgaçãozita nunca fez mal a ninguém. Ainda por cima é por um bom motivo.
Publicado por Troll Urbano às 08:41 PM | Comentários (7)
março 12, 2006
Histórias quotidianas (???)
Por: Isabel Faria

Estava uma menina, um menino que era namorado da menina e outro menino, que era irmão do namorado da menina.
E o cão da menina.
Às tantas, a menina que é danada para a brincadeira, decidiu dizer ao bichinho, em alemão (parece que o cãozinho fala alemão...). Ataca. O cãozinho atacou o irmão do namorado da menina que é dona do cão. Os béus béus alemães são obedientes.
Só que atacou onde não devia. E o cunhado da menina quase ficou sem pénis. Não se sabe, o Portugal Diário não explica, se foi mesmo por acaso, ou se a menina ensinou o cãozinho a atacar sempre naquele lugar preciso.
Entretanto, enquanto o cãozito atacava no lugar que lhe pareceu mais apropriado, a menina rebolava no chão a rir-se. Agora, o futuro (ou ex-futuro?) cunhado da menina que é dona do cão que gosta de atacar orgãos sexuias dos irmãos dos namorados da dona, pede uma indemnização.
Não se sabe o que aconteceu ao cão. Se o namoro acabou. Se a menina ainda está a rebolar. Nem em que estado ficou o menino. Mas, ao que tudo indica, deve ter doído....
Publicado por Troll Urbano às 01:28 PM | Comentários (6)
março 11, 2006
11 de Março de 1975 (e o meu botãozinho)
Por:Isabel Faria
Há determinadas coisas que não faz sentido teimar em escrever diferente, quando pensamos e sentimos o mesmo. Apesar de tanta coisa que mudou desde há um ano, eu não mudei. Fiquei com mais umas rugas, umas da idade, outras de risos, poucas (felizmente) de lágrimas, mas foram essencialmente rugas na cara. Cá dentro, continua, mais coisa menos coisa, a Isabel do Afixe.
Por isso, não justificava tentar escrever coisas novas para este dia, Não seria capaz de escrever coisas diferentes. Nada melhor, portanto do que, partindo delas ou transcrevendo-as, tout court, fazer um post. Sobre o outro 11 de Março, o meu, o de 1975. Em contraponto ao 11 de Março de Madrid, do terror e da morte, espalhados em nome de fundamentalismos. A este post juntei, então, umas quantas linhas sobre a minha forma de estar na vida e de viver a história, com ou sem maíuscula. Aqui ficam.

(imagens de aqui)
O outro 11 de Março
Tenho o privilégio de, garota, ter conhecido outro 11 de Março. Portugal.1975.
Independentemente da opinião de cada um e do julgamento da História, do que se viveu a seguir, recordo a imagem de quando a paz se fez no abraço de dois homens, por acaso, soldados, com a intervenção de um outro homem, por acaso, jornalista.
Como eu gostaria que a memória do 11 de Março do meu filho, em vez de terror e morte, tivesse a poesia e a esperança da memória do meu 11 de Março
O outro 11 de Março e o botãozinho (adaptado)
Eu tenho um botãozinho mágico.
Que me faz recordar o primeiro olhar do meu filho e não as dores de parto.
Que me faz recordar o meu pai a levar-me à escola e não a prisão do meu pai, pela Pide.
Que me faz recordar os encontros e não as perdas.
Que me faz recordar os risos e não os choros.
Que me faz recordar o abraço dos dois soldados que evitou a guerra civil em 11 de Março de 1975 e não o comunicado do Ralis feito na hora e a quente.
Quando o botãozinho se avaria, eu, às vezes, recordo o medo, a censura, a Guerra, as prisões, a clandestinidade, as cargas da polícia e por isso consigo compreender o comunicado que fala em fuzilamento de quem pretendeu acabar com a Liberdade e voltar ao passado. Este comunicado foi feito menos de um ano depois daquilo que o parvo do botão me recorda, quando se avaria. O passado, o do botão avariado estava ali, na esquina. Demasiado perto para se ser completamente racional e sensato quando se pensava nele. Porque o botãozinho quando se avaria,repito, teima em mostrar a repressão, a guerra, a censura, os passos na noite, o medo e a morte. E ainda não tinha passado um ano...sobre o fim do terror.
O que o botãozinho não me permite é reescrever a minha história. E a minha história é feita com o 11 de Março de 1974, o 25 de Abril de 1974, o 11 de Março de 1975, o Verão de 1975, o 25 de Novembro de 1975 e tudo o resto que se seguiu.
De todos estas datas, como disse no início, o meu botãozinho simpático permite, quase sempre, ver as coisas bonitas. Manias de botãozinho
Publicado por Troll Urbano às 01:30 PM | Comentários (2)
março 10, 2006
Desculpem lá voltar à vaca fria!!
Por:Isabel Faria
Desde esta tarde, quando vi este post do Daniel, que fiquei à espera. Dum desmentido da Senhora, dum desmentido do Governo, da indignação ou, pelo menos, da interrogação de alguém com responsabilidades. Do Presidente da República, dum dirigente dum Partido, dum deputado. Até agora, nada.
Estas declarações e esta intenção, já que as declarações não foram desmentidas, parecem-me duma gravidade tal, que me faz confusão, não ouvir uma voz. Um zum-zum, sequer.
Afinal, parece que há uma lista que ninguém sabe quem fez, com pessoas escolhidas ninguém sabe porquê nem por quem, que são os indispensáveis neste País. 100.000. Restam, portanto, os outros, os dispensáveis. Da lista parece e, o parece, torna tudo ainda mais assustador, mas o tom leve (leviano?) com que a Sra. Sub-Directora Geral da Saúde, fez tais declarações, só nos permite "pareces" , que fazem parte´pessoas ligadas à saúde, à manutenção da energia eléctrica, às forças poiliciais. Mas porquê estas e não outras? Quem decide se é o policia X e não o Y, que entra na Arca dos Tempos que Correm, como tão bem a define o João Cúcio, no De Vagares? Qual o critério para definir que a médico Z é mais necessário que a enfermeira P?
E depois, quem decide, se o Ser Omnipotente que decide, entra ou não entra na Arca? E quem o destinou para decidir? Também entra? E esse poder de decisão, fazia parte do Programa do Governo? Faz parte das competências do PR? Das do ministro da Saúde?
A sério, que não me parece uma questão superficial. É uma questão de civilização. E de razão. Quem, mesmo que tentanto usar critérios racionais, tem o direito de se armar em Deus, do ponto de vista de um crente ou na natureza, no acaso, para quem for mais agnóstico? Como se pode dizer que as forças policiais são mais necessárias que as educadoras que tomam conta dos nossos filhos, por exemplo? Ou os nossos filhos, o futuro do País, os que terão que o continuar no caso da catástrofe que nos anunciam?
A sério, que não me parece uma questão superficial, que ninguém questione o assunto. Andamos tão entretidos a discutir quem aperta a mão a quem, que não nos apercebemos, que nas nossas barbas nos estão a colocar o rótulo de dispensáveis, nos estão a jogar fora , nos estão a classificar como dizia o Daniel, em portugueses de 1º e portugueses de 2º. E o pior é que nem sabemos quem tem a lista. Quem tem a lista também tem que ser indispensável, não? Para ir conferindo...
Publicado por Troll Urbano às 11:26 PM | Comentários (5)
março 09, 2006
Eleições na Autoeuropa
Por: Daniel Arruda
Pelos vistos tudo o que se passa na Autoeuropa é notícia nacional. Como tal não podia deixar de informar os leitores do Troll que hoje decorreu na empresa a eleição para a Comissão de Trabalhadores. Mais um acto eleitoral que correu de forma tranquila e civilizada e onde António Chora foi reeleito para assumir o cargo de coordenador da CT, pois lista por ele encabeçada, e já agora aquela que eu apoiei, teve mais de 60% dos votos elegendo 7 dos 11 elementos que compõem a CT.
Foi uma vitória daqueles que durante os últimos anos têm sabido gerir com competência os problemas que têm surgido. Foi o reconhecimento de que os acordos conseguidos foram, se não bons (porque não há acordos bons), o melhor que se poderia conseguir nesta conjuntura, pois salvaguardaram sempre os postos de trabalho nunca descurando outros aspectos tão importantes como a sã coabitação com as centrais sindicais bem como com a Comissão de Saúde, Higiene e Segurança no Trabalho da qual eu me orgulho de ser coordenador. Foi o reconhecimento que esta equipa é única no que a democracia interna diz respeito, relembro que é das poucas se não a única onde os trabalhadores decidem por voto secreto se a CT deve ou não assinar os acordos que consegue à mesa das negociações, mas também na democracia interna, do funcionamento. Já nas últimas eleições tinha tido maioria absoluta mas fez questão de ter no seu executivo representantes de outras forças vivas da fábrica, nomeadamente um dirigente da CGTP, não se fechou como poderia (mas nunca deveria) acontecer depois de uma vitória esmagadora.
Sei que há por esse país fora muita gente que tem tentado denegrir a imagem de quem tem liderado os processos na AE. A essas pessoas tenho um pedido. Sejam construtivos, dêem ideias, participem, mas não passem atestados de menoridade aos trabalhadores que democraticamente escolheram os seus representantes das 4, sim espantem-se, 4 listas que se apresentaram ao sufrágio. A classe escolheu, a meu ver bem, e tem escolhido assim há 12 anos com um pequeno interregno de 8 meses onde a CT teve outros ocupantes mas que foram corridos pelos trabalhadores em plenário, sim porque os mesmos que elegem os representantes têm o poder de em qualquer altura os destituir.
Vem por aí mais trabalho. Os anos complicados ainda não passaram. Vamos a isto.
Publicado por Troll Urbano às 11:34 PM | Comentários (27)
março 08, 2006
A minha homenagem ao 8 de Março
Por: Daniel Arruda
Não queria deixar passar o dia da Mulher em branco, mas como sem entrar em lugares comuns. Por isso lembrei-me de um filme que vi já lá vão 16 anos e que entre outras coisas teve o condão de me apaixonar por uma actriz. Jodi Foster (para mim a melhor actriz do mundo). Um filme que fala sobre sociedade, mulheres e a concepção que os homens (alguns) têm das mulheres. Como dizia o cartaz do filme:
Acusados
os homens que a violaram
Acusados
os homens que assistiram á violação
Acusada
a mulher por provocá-los
É exactamente esta última questão o tema central do filme. A condenação da mulher que só por estar bem, se sentir bem e mostrar esse sentimento foi violada e condenada pela sociedade e até pela advogada. Vejamos a violação como figura de estilo para o que se passa á nossa volta, na nossa vida e teremos o retrato da sociedade que temos.
Publicado por Troll Urbano às 12:02 PM | Comentários (8)
março 07, 2006
Voltem os pelourinhos
Por: Daniel Arruda
Começo com uns exerto de uma notícia do DN de hoje
Reparo 1 - Ficámos a saber que a expressão "Talvez se esteja a sentir mal" é falta de urbanidade.
Espantoso
Reparo 2 - Numa sala de tribunal os advogados não têm mais nada com que se preocupar?
Já estou a tremer
Reparo 3 - O que é que a cabeça baixa tem a ver com o processo?
Isto vai de mal a pior
Reparo 4 - "ir lá fora resolver o problema"?????? então não é no tribunal que se resolvem os problemas.
Quando nem os advogados acreditam na justiça.......
Reparo 5 - "porco, porco", não é coisa que se chame. Urbanidade seria chamar, "Suíno, Suíno" ou então para ser gentil em relação á idade "bácoro,bácoro".
Urbanidade, esta não me sai da cabeça!!!!!!!!!!!!
Conclusão: Se eu fosse juri de um processo destes condenava os advogados em 1º lugar e tina em conta, que no caso de haver pena a aplicar aos arguidos, o facto de eles já estarem a sofrer com esta defesa.
Publicado por Troll Urbano às 11:37 AM
março 06, 2006
Foi acidente. Mas há culpados.
Por: Daniel Arruda
Nunca tive dúvidas sobre tal facto. Acho no entanto que o essencial continua por descuitir e definir. É o facto de alguma, a esmagadora maioria, da imprensa cor de rosa, fomentar este tipo de situações. Afinal qual seria o paprazzi que se arriscava a uma perseguição automóvel pelas ruas de Paris, dormir em cima de árvores para tirar uma fotografia, ....... se tal não fosse rentável. Se não houvesse um mercado que está sedento por saber como vivem as vedetas. Quais os seus "podres".
O que está por discutir nestes casos é a moralidade das acções. Costuma-se dizer que tão ladrão é o que rouba como o que compra o produto do roubo. Neste caso podemos dizer que tão responsável pela morte, mesmo que acidental, tanto são os paparazzi que "obrigaram" o casal a fugir, como aqueles que fomentam o mercado, consumindo este tipo de histórias.
Poderão dizer que é um problema de sociedade. Mas se isso é verdade não podemos deixar de continuar a tentar que isso mude.
Publicado por Troll Urbano às 09:30 AM | Comentários (1)
março 03, 2006
É tudo uma questão de animais
Por: Daniel Arruda
A Isabel já escreveu aqui sobre este caso. Mas não podia deixar de vir a ele. pelos vistos o caso é ainda um pouco mais macabro que o inicialmente suposto ou assumido. Segundo os dados da autópsia, Gisberta, estava viva quando foi atirada ao poço.
Não compreendo por isso que o padre escolhido para dar a missa ou lá como isso se diz, seja o pároco das igrejas de S.José que publicamente já saiu em defesa dos "miudos". Não compreendo mas não me espanta. Obviamente que mais uma vez se vai querer diluir este caso. Vão querer desculpabilizar a instituição e os autores dos crimes. Porque a "moralidade" da nossa sociedade na realidade não condena os crimes que visam pessoas "contra-natura", como era o caso da transsexual.
O padre disse "as crianças são como os pássaros, que andam em bando", eu reponderia que "as Oficinas de S. José são como leões, incitam e deixam que as leoas vão caçar"
Publicado por Troll Urbano às 10:12 AM | Comentários (2)
março 02, 2006
Porque é que eu leio notícias????
Por:Isabel Faria
Quando eu leio estas notícias sei:
Que os tipos da electricidade querem que eu pague a parva da electricidade. Que sem electicidade, não posso ver o Bono à noite, fazer o jantar à noite, arranjar maneira de o meu filho fazer os TPCs à noite, deitar-me à noite , ir ao Troll à noite, fazer a torradita ao Sábado, guardar os bifes e a pescada.
Que os tipos da TV Cabo me devolvem os 4 canais portugueses e que eu tenho que ver a Irmã Lúcia, as telenovelas da TVI, a Irmã Lúcia, as telenovelas da Sic, a Irmã Lúcia.
Que os tipos da EPAL, fecham a torneira e eu não posso beber água, tomar banho, dar água ao Bono, deixar o meu filho tomar banho, lavar a roupa e a louça...e fazer a sopa.
Que os tipos da PT, me cortam o pio.
Que os tipos do Pingo Doce e do Continente (tenho comissão...), não me deixam trazer as latinhas para o Bono, os guardanapos, a carne, o bacalhau e me mandam dar uma volta se quiser comprar o leitito...
Que os gajos da Feira de Carcavelos dizem que não aceitam cheques pré-datados...
Qua os parvalhões do refeitório da Escola do meu filho, dizem que ele só come se comprar a senha antes...
Quando leio estas noticias sei que tou feita!!!!!!!
Ah...e eles dizem que é capaz de não me afectar muito...o problema é que dizem sempre isso...e os imbecis dos carapaus do Carrefour (faltava esta comissão...) não se convencem...
Publicado por Troll Urbano às 06:11 PM | Comentários (23)
março 01, 2006
Sectário, do latim sectariu
Por:Isabel Faria
O dicionário diz que ser sectário é ser membro de uma seita. Membro obstinado de uma seita.
Algumas vezes, o uso que se lhe dá no dia–a-dia, retira o verdadeiro sentido, o verdadeiro peso às definições.
Com o uso, começámos a chamar sectário a quem julga que tem sempre razão, às pessoas que não aceitam discutir ideias mas que sempre as pretendem impor, a quem é capaz de desmentir evidências, de refazer a história, de difamar e de caluniar, de descobrir intenções, de encontrar erros em tudo o que ponha em causa as suas verdades.
Mas, na realidade, o sentido etimológico do termo, vem do latim sectariu, e significa membro de uma seita. Há palavras que nós nunca devíamos deixar esquecer o verdadeiro significado. Porque as adultera. As suaviza ou as agrava.
Sectário é um desses termos. Só os membros de seitas têm necessidade de ser sectários, aqui, no uso que hoje em dia, damos à palavra. Os que fazem partes de grupos, de movimentos, de Partidos, os que são homens e mulheres livres, acabam por aprender com a vida, que muitas convicções de hoje, serão alteradas pela realidade de amanhã. Que ser firme é aceitar com firmeza que nunca sabemos tudo, que aprendemos sempre. Com tudo e com todos. Sobretudo com os que não pensam como nós. Esses, os homens e mulheres livres, têm princípios – bases, preceitos morais, regras que se baseiam em juízos de valor e que constituem modelos para a acção (modelos, diz o dicionário, não verdades). E não dogmas - ponto fundamental e indiscutível de uma crença religiosa; proposição apresentada e aceite como incontestável e indiscutível.
A liberdade, a luta pela Justiça, a procura de um Mundo melhor, a Democracia, baseiam-se em princípios.
A fé cega, o arbítrio, a prepotência, o despotismo baseiam-se em dogmas.
A diferença entre quem usa uns e outros é que os primeiros são cidadãos, os segundos membros de seitas.
O significado da palavra sectário devia ser aprendido nos bancos da escola. Como garantia que estamos a construir um Mundo de Homens Livres, capazes e disponíveis para criar um Mundo Melhor. As seitas são a negação do futuro. Porque são a negação da capacidade do homem de criar o seu destino. Os sectários, membros de seitas, portanto, deveriam ter que passar por um período de aprendizagem. Aprender a ser livre custa, mas não é tarefa impossível. Gostaria que este post pudesse servir para transmitir aos sectários, no sentido etimológico e corrente do termo, alguma esperança. Algumas vezes ainda vão a tempo. Pela minha parte, fico a fazer uma forcinha…gosto de viver entre homens e mulheres livres.
Publicado por Troll Urbano às 08:12 PM | Comentários (5)
Drogas
Por: Daniel Arruda
15% dos jovens estudantes europeus fumam haxixe mais de 40 vezes por ano
É a verdade nua e crua. Se alargarmos a % a pessoas até aos 40 anos teremos números ainda maiores. Mas grande parte dos estados pretendem tapar o Sol com a peneira e implementar políticas dissuasoras o uso e nalguns casos mesmo penalizantes judicialmente.
Deixo para cada um dizer o que acha disto, mas não posso deixar aqui uma nota até porque é referido no texto, "...É, no entanto, à Holanda que o OICE recomenda o desenvolvimento de um plano de acção para desencorajar o abuso de cannabis..." , por ter sido o 1º a fazer destinção entre drogas leves e drogas duras. É que seria bom saber-se qual o número de pessoas na Holanda "agarradas" à Heroina ou à Cocaina. É que com esta separação a Holanda é o país com menor incidência de drogas duras, essas sim um verdadeiro flagelo social.
Mas os estudos servem para quem os encomenda e esta OICE, é tão, mas tão conservadora que por vezes se confunde com um cartel de narcotraficantes. Por vezes acho mesmo que são um lobby Colombiano infiltrado.
Publicado por Troll Urbano às 12:42 PM | Comentários (1)
fevereiro 27, 2006
"Fazer aquilo"
Por:Isabel Faria
A Diocese do Porto, investiga responsabilidade da direcção da Oficina de S. José , é o título da notícia do Público
Lá em baixo, transcrevem-se estas declarações do porta-voz do Paço Episcopal, padre Américo Aguiar:
"Uma coisa é o que os jovens fizeram. Outra coisa é saber se a instituição que a Diocese tutela fez tudo o que é normal para o impedir ou se falhou alguma coisa”
"O ideal era que se concluísse que a instituição cumpriu bem o seu papel e que, apesar disso, deu-lhes [aos jovens] para fazer aquilo. Como também podemos chegar ao fim do inquérito e concluir que houve alguma deficiência ou menor respeito por alguma regra",
Ao ler estas declarações, estes termos : “uma coisa é o que os jovens fizeram”...”deu-lhes para fazer aquilo”... não fica a dúvida se o Sr. Padre sabe que está a falar no assasínio de uma pessoa? Será que para o Sr. Padre, matar alguém é “fazer aquilo”???
Publicado por Troll Urbano às 01:35 PM | Comentários (5)
fevereiro 26, 2006
Pesadelo versus sonho
Por:Isabel Faria

Ninguém sabe o que acontecerá a seguir. A medo fala-se em pandemia. A medo recorda-se outras, a gripe espanhola, por exemplo. Mas a medo. Temos sempre medo de enfrentar o desconhecido. Muito mais medo quando ao desconhecido juntamos a morte.
A Gripe das Aves poderá nunca, todos esperamos que nunca, sofra uma mutação que a torne contagiosa entre seres humanos. E este será o cenário mais positivo. Aquele que, de todos, menos nos assusta.
A gripe das aves poderá ficar, apenas (?) transmissível de aves para humanos, e aí, pensamos que bastará ter cuidado. E respiraremos.
Mas seja qual for o grau de medo. Seja qual for a mutação por que passe a seguir. Fique por uma gripe, perigosa e mortal sem nunca se transformar na tragédia que não queremos sequer pensar, a Gripe da Aves, já tem um efeito perverso, frio. E escuro. E não falo só nas mortes que já causou, apesar do só quando se fala em vidas humanas ser completamente descabido, falo do nosso imaginário. Falo de beleza. O voo duma ave, os bandos de aves que passeiam nos céus, a liberdade que sempre associamos a voar e às aves que vimos voar, adquire, de repente, sem aviso, contornos de pesadelo. Aquela liberdade, aquela beleza, que sempre nos fez sonhar, com novos mundos e novas sensações, faz-nos agora pensar em Morte. A Natureza, o que fizemos e fazemos dela, prega-nos partidas. Olhar o céu azul, salpicado de pontos que se deslocam para o sonho…e ver um céu negro, salpicado de pontos que nos podem trazer o pesadelo. Somos tão pequeninos. Ficam tão pequeninos os nossos sonhos, perante o medo.
Publicado por Troll Urbano às 11:54 AM
fevereiro 25, 2006
De costas voltadas
Por:Isabel Faria

Ando desde ontem a tentar pegar nisto e continuo sem saber por onde.
Catorze miúdos, com idades entre os 13 e os 16 anos, assassinaram uma pessoa no Porto. Assassinaram-na com requintes de sadismo , usando a tortura continuada que levaria à morte.
A pessoa assassinada era um travesti, sem abrigo e toxicodependente. Os miúdos eram miúdos das Oficinas de S.José.
Segundo as notícias, já tinham vários antecedentes de agressões e segundo o resultado nunca ninguém fez nada .
Esta é e única parte, porque é a palpável, que escrevo sem medo e sem dúvidas.
Essas entram agora:
A vítima foi escolhida por, para eles, representar alguém ainda mais “miserável” do que aquilo que eles se sentem? O ódio demonstrado teve apenas a ver com a sua vulnerabilidade?
Que valores são transmitidos àqueles jovens, na Instituição onde foram parar?
Qual o papel que esses valores tiveram na “escolha” da vitima (parece que é “das vítimas” porque que já não é o primeiro caso de perseguições a homossexuais por parte destes jovens)?
Quem se responsabiliza pelos actos destes jovens?
Treze anos…o que leva um jovem, uma criança de treze anos a matar? Qual a importância do grupo? Individualmente algum daquelas jovens seria capaz dum acto proporcional de violência?
E lembramo-nos daquelas tentativas do PP de baixar a idade de responsabilização criminal. Aos 13, 14, 15, 16 anos, não somos nós, pais, educadores, Escola, Instituições os responsáveis pela segurança e pelo comportamento dos nossos jovens e das nossas crianças? Uma criança de 13 anos, acorda uma manhã e decide ser delinquente e mata? Assim, do nada? Sem antecedentes nem avisos? E nós pais, sociedade, não temos nada a fazer? Não temos contas a prestar?
Recordo um filme do Fassbinder que vi há muitos anos. “O Direito do mais forte à Liberdade”, creio. Na entrada do Metro, um homem jazia no chão. Era hora de ponta. As pessoas passavam, entravam e saíam, apressadamente, na estação. Nenhuma parava. Algumas vezes para poderem manter o passo apressado, desviavam-se do cadáver.
Creio que passamos a vida assim. Desviamo-nos de crianças que acabam a matar porque não temos tempo, nem vontade de as ver. A tempo. Desviamo-nos de pessoas sem presente, porque não temos tempo nem vontade de as ver. A tempo. E depois, quando uma coisa destas acontece, olhamo-nos espantados. E, talvez, chocados. Mas tenho a sensação que o choque seria maior se a vitima fosse uma pessoa “normal”. Aí, talvez se procurassem causas. Responsabilidades. Nem que fosse por uns tempos. Assim, encontram-se desculpas. E desce-se rapidamente para que o próximo metropolitano não parta antes de nós. Temos todos o jantar para fazer.
Publicado por Troll Urbano às 05:24 PM | Comentários (10)
fevereiro 24, 2006
Meninos de Oiro
Por: The
Porque todas as crianças são Meninos de Oiro.
Esta é uma verdade universal, ninguem a poderá negar.
A Associação Meninos de Oiro foi constituida com o propósito de defender os direitos superiores da Criança conforme esta consagrado na convenção dos direitos da criança ratificada em Portugal em 21 de Setembro de 1990.
São iniciativas como esta que fazem realmente a diferença e se por um acaso lhe falarem nos Meninos de Oiro compre o patinho pois esta a ajudar crianças que nunca tiveram a felicidade que merecem mas que nós todos juntos poderemos ajudar a conquistar.
Publicado por Troll Urbano às 06:14 PM | Comentários (2)
fevereiro 19, 2006
Escadas de vida
Por:Isabel Faria

Foi das primeiras pessoas que conheci quando vim viver para esta casa. O João Pedro entrava no 2º ano e era a primeira vez que ficava sozinho em casa. Para poder pagar a casa, não havia hipótese de arranjar ninguém para cá ficar com ele. Eu entrava, então, às sete da manhã e as aulas começavam às nove. No primeiro ano, o refeitório da escola não funcionou. O meu filho almoçava em casa do Sr.J. com a neta dele. A mulher ainda trabalhava e a filha e o genro também. Logo no segundo ou no terceiro dia que para aqui viemos, se ofereceu para olhar pelo “neto” emprestado, durante o almoço. E fê-lo, durante um ano lectivo inteiro.
Depois, os anos passaram. Deixou de ser preciso dar almoço ao João Pedro, o meu filho separou-se da neta dele, na escola, e deixámo-nos de ver tanto. A doença, as doenças, também ajudaram ao afastamento. Primeiro o coração, depois os rins, depois um atropelamento e o Sr. J. passou a dividir a sua vida entre o Hospital e a sua casa. Quando estava em casa, passava muito tempo na janela. Por detrás dos vidros, a olhar para as árvores do Instituto. Creio que há muito que deixou de me reconhecer.
Nos últimos tempos, as doenças, entretanto, diagnosticadas (eu não fazia ideia que era possível ter Parkinson e Alzheimer, ao mesmo tempo, mas parece que é) afastaram o Sr. J. definitivamente da janela. Não que não ande. A mulher diz que faz quilómetros diariamente duma ponta a outra de todas as assoalhadas. Percorre-as, incessantemente e sem motivo aparente. Quando ela lhe pede para parar, diz que está parado e continua. Horas a fio. Mas deixou de parar na janela. Agora, diz a mulher, gosta de as ter sempre fechadas.
Hoje, a filha, o genro e os netos estavam fora para um casamento. Ficou sozinho em casa com a mulher. No meio da chuva intensa, ouvi tocar a campainha. “Só fui a casa da minha filha, fechar as janelas”, disse. E ele desapareceu.
Saí com o João Pedro e o meu pai à procura dele. A mulher quase não pode andar. Corremos ruas e ruelas. Chovia imenso e não havia ninguém na rua. Encontrámo-lo, finalmente, a descer as escadas que o levariam ao Coliseu. Estava encharcado. Andava apressado. Perguntei-lhe o que fazia ali. Respondeu que andava à procura da cozinha. Pegamos-lhe no braço e ele seguiu-nos. Não me parece que alguma vez nos tenha olhado enquanto subiamos as escadas e a Calçada. Vinha num passo apressado. Diria, no entanto, que nos acompanhava, meigamente. Como se ainda sentisse o calor dos nossos braços que o traziam de volta. E lhe soubesse bem o calor. Ao chegar a casa, olhou, finalmente o meu pai, que raramente viu, e falou-lhe dos tempos de escola. Eram colegas de carteira, disse-lhe. E antes de começar a subir as escadas ainda me disse, baixinho, que me tinha mentido. Mas não queria que a mulher soubesse e ficasse triste. Mentiu em quê, sr. J.? Não sei. Só não quero que ela fique triste. Não lhe diz pois não? Que eu menti…Prometi. Possivelmente não era a cozinha que procurava, pensei.
Fala, anda, vê, ouve. Tem memórias. Baralhadas, mas memórias. Apenas não vive. E não quer que a mulher fique triste. Mesmo que para isso tenha que mentir.
Publicado por Troll Urbano às 12:47 AM | Comentários (6)
fevereiro 18, 2006
Uma transladação
Por: Daniel Arruda
Muitas vezes brinquei aqui com a ICAR, muitas vezes com razão e poucas (imodéstia a minha) sem razão nenhuma. No entanto, ao ver imagens de Fátima hoje na televisão e depois de ler os jornais sou obrigado a ficar com uma dúvida. O que move mais de 250 mil pessoas a irem assistir a uma transladação de um corpo. Se é verdade que tudo se pode resumir a uma questão de fé, não consigo acreditar que seja só por isso. Se Cunhal teve largos milhares de pessoas no seu funeral, mas nada que se comparasse a 250 mil, deveriamos deduzir por aí que Lúcia teve um papel maior e mais importante que Cunhal para o País? Não me parece, mas se não é esse o caso, então o que leva as pessoas a dar mais importância ao transcendental que ao palpável e ao terreno.
Logicamente que isto são reflexões de um ateu convicto, mas sinceramente não entendo qual o valor acrescentado de Lúcia para o país. Apenas lhe encontro um e esse não é abonatório, é que serviu na perfeição os interesses de um Estado Novo e de uma ICAR que pretendia manter ou aumentar a sua influência.
Publicado por Troll Urbano às 04:48 PM | Comentários (21)
fevereiro 17, 2006
Parabéns ILGA
Por: Daniel Arruda
Faltava-me esta posta. Tenho de dar os parabéns à ILGA Portugal pelo grande trabalho que realizou ao recolher perto de 7000 assinaturas para pedir ao parlamento que discuta a alteração á lei que permita o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O papel já foi entregue a Jaime Gama.
Falta agora saber se o parlamento eleito pelo povo vai ou não fazer aquilo qe o povo legal e legitimamente lhe pede. Discutir a alteração da lei e já que estão com a mão na massa, que alterem a lei.
Publicado por Troll Urbano às 04:45 PM | Comentários (2)
Uma opinião
Por:Isabel Faria
Um artigo de António Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores da Autoeuropa, publicado ontem no Setubal na Rede.
Um artigo para reflectirmos (como me faz bem lê-lo numa altura de tantas dúvidas na minha empresa, e de tantas incertezas sobre quais os caminhos a seguir...) sobre as relações de trabalho na empresa, sobre o papel do Governo de Sócrates e, sobretudo, sobre a necessidade de trilhar novos caminhos, a nível internacional, nas lutas e nos direitos dos trabalhadores. Este último ponto, agora ainda mais premente, pois entrou ontem em vigor a Directiva Bolkestein, da qual, penso, ainda nenhum de nós se deu verdadeiramente conta das implicações que a sua aplicação , a curto prazo, tem nas nosas condições de trabalho, mas sobretudo nos nossos direitos e garantias.
Publicado por Troll Urbano às 03:27 PM | Comentários (37)
fevereiro 16, 2006
Violência doméstica
Por:Isabel Faria

Primeiro deve vir o silêncio. Ama-se. E até se pensa que se vai, em nome do amor, mudar o outro.
Depois com o silêncio, ao mesmo tempo que o silêncio e o amor, deve vir o medo. E a vergonha. Por nós e pelo outro. Como se pode aceitar que se ama alguém que nos maltrata? Talvez se dissessemos que caímos na escada, que batemos na porta do armário...
...depois começamos a não conseguir justificar tanta queda e tanta porta aberta no caminho. E o amor começa a passar. E um dia desiste-se do silêncio. Por momentos, vence-se o medo.
As dores físicas vão passando com analgésicos, as nódoas negras com gelo, os arranhões com água oxigenada, as da alma nunca devem passar. Como se pode maltratar em nome do amor? Ou como se pode calar os maltratos em nome do amor...talvez por custar tanto perder um amor??? Ou porque ainda deve custar mais aceitar que se amou aquele ou aquela que à nossa frente se transforma, sob os nosos olhos espantados e os nossos gestos inertes, num monstro?
Para além dos números que se divulgam, quantos haverá que não vencem o silêncio, o medo ou a vergonha?
Publicado por Troll Urbano às 01:36 PM | Comentários (52)
Dúvidas do Sec. XXI
Por: Daniel Arruda
O meu pai, e calculo que os pais e avós de todos, fartaram-se de dizer que os miudos de hoje, (quando nós eramos miúdos) parece que já nascem ensinados. Achava a frase ridicula. Hoje dou por mim a usá-la acerca do meu filho, especialmente quando o vejo navegar pela net, entra no Disney, vai para a secção infantil da BBC, vem ao Canal Panda ou quando me chama para mostrar as manobras radicais que ele faz com a prancha de Snowbord na Playstation. Mas é errada a frase que eu uso e calculo que muita gente use. Em compensação nós nunca subimos ás árvores para apanhar folhas de Amoreira ou cerjas, com a destreza com que os nossos pais subiam e os nossos filhos então nem sabem como se sobe para a árvore. Os nossos filhos não sabem lançar o pião e muito menos sabem o que é chegar a casa todo esmurrado porque o "bono da bola" não nos deixou fazer parte da equipa ao que se tem que impor o respeito e o físico para ganhar um lugar na equipa. O que quero dizer com isto tudo é que os nossos filhos não são mais espertos. Tem outras ferramentas e outras fontes de informação. Eu aos 6 anos queria lá saber se a poluição provocava chuvas ácidas e não foi por causa disso que em adulto deixei de ter preocupações ambientais. Que são diferentes, e eu tenho dúvidas se para melhor.
Temo que estamos a formatar a próxima geração. A criar uns autómatos que vivem fechados sobre um mundo virtual. Há uns anos, quando saiu o filme "a net" com a Sandra Bulock julgavamos que aquilo era uma ficção impossível de passar á prática. Hoje não estou tão certo. Os miúdos aprendem na escola a não pensar. Aprendem que a informação está toda disponível, mas não lhes desenvolvem o espírito crítico para fazer a separação do que é palha e o que é o joio. Criamos miudos consumistas para quem o mundo se resume a um "clique" para encomendar um disco de 80 GB pois o seu espaço de armazenamento e consequentemente o seu mundo, está esgotado.
Não se pense que eu ache que nos novos tempos tudo é mau. Nada disso. Mas os miúdios são os menos culpados da vida que nós levamos, da corrida para o autocarro, das 10 horas no trabalho, do Stress constante. os miúdos não têm culpa que em grande maioria nos demitamos da condição de pais e que nós encontremos no teclado, na televisão e na playstation a forma de os manter ocupados. Acho que faz falta que nós os ensinemos a subir ás árvores e que os deixemos caír . É importante que lhes devolvamos a rua para dar as 1as cabeçadas, para beber a 1ª imperial ás escondidas ou iniciarem-se nesse mundo do Amor. É importante que lhes deixemos a hipotese de apalpar o mundo para que ganhem consciencia crítica e saibam fazer a ponte para o maravilhos mundo virtual.
Publicado por Troll Urbano às 08:09 AM | Comentários (8)
fevereiro 15, 2006
HIPOCRISIA
Por: Daniel Arruda
Já falei do tema por aqui. Mas vou voltar agora porque acho que a hipocrisia atinge valores demasiado altos.
É certo que para TODOS os governos uma das maiores fontes de receita é o imposto sobre o tabaco. Mas reconhecidamente o tabaco faz mal à saúde. Mas para quê impedir as pessoas de fumar? Para se perder a fonte de receitas? Nenhum governo faria isso. Então o que fazer para se dar um ar que se preza a saúde dos cidadãos. Proibe-se de fumar em locais públicos. Mas o tabaco, esse que faz mal não pode ser proibido definitivamente porque as finanças do Estado o exigem.
Se é para ser hipócrita que se legalizem e taxem as outras drogas como a Marijuana e o Haxixe. E já agora e a bem da saúde pública proibam os perfumes das lojas dos 300 pois não há nariz nem pulmão que aguente esses perfumes no Metro ou no autiocarro logo pela manhã.
Publicado por Troll Urbano às 01:28 PM | Comentários (2)
Santos....
Por:Isabel Faria
Ontem, depois de terminada a reunião, passámos por uma cervejaria a comer alguma coisa. As ruas da cidade estavam cheias de casais. De rosas e lacinhos na mão. Nas mesas da cervejaria também havia casais. De lacinhos e rosas, nas mesas. Mas, estranhamente, via-se silêncios. Não se sussurrava, nem se falava com o olhar. Silêncio, mesmo.
Ontem, à noite, depois da reunião, fiquei com muitas dúvidas àcerca da capacidade milagreira do S.Valentim. Parece que tem mesmo muito mais jeito para fazer laços vermelhos e postais com corações. Na volta, já não há Santos como antigamente. E se se voltasse ao S.António?
Publicado por Troll Urbano às 08:20 AM
1225 por dia
Por:Isabel Faria
No último trimestre de 2005, cada dia que passou 1225 pessoas ficaram sem emprego. Sobretudo mulheres e muitos trabalhadores especializados.
Entretanto, o Ministro diz que a retoma já se vê e que até ao fim da legislatura se vão criar 150.000 novos postos de trabalhos. Por agora, há 500.000 desempregados. E mais os tais 1225, que diariamente ficarão sem emprego, até ao final da legislatura, a manter-se a cadência.
Ah, o Ministro diz também que a retoma já se nota em muitos sectores menos no emprego. Gostava de ser inteligente nestas ocasiões. Nem que fosse só para entender. Do que fala o Ministro?
Publicado por Troll Urbano às 08:14 AM | Comentários (3)
fevereiro 13, 2006
Eu quero é que a religião se dane
Por: Daniel Arruda
Se condenar a violência parva, estúpida e sem sentido é ser islamofobo, então sou.
Se ser ateu é ser islamofobo, então sou.
Se defender a liberdade expressão mesmo para jornais que defendem exactamente o contrário de mim é ser islamofobo, então sou.
Se ser contra radicalismos e extremismos religiosos de um grupo de pessoas que não representam o todo de uma comunidade muçulmana é ser islamofobo, então sou.
Se dizer e apoiar a inociativa "Somos todos Dinamarqueses" é ser islamofobo, então sou.
Se condenar o terrorismo ocidental, oriental, nortenho, sulista ou de onde ele vier é ser islamofobo, então sou.
Não me venham é dar lições de moral que sinceramente, no que diz respeito aos cartoons já estou na fase do estar farto de ouvir falar dos coitadinhos. Coitadinho de mim e de todos aqueles que prezam a liberdade de expressão. Sem dois pesos e sem duas medidas.
Publicado por Troll Urbano às 07:57 AM | Comentários (20)
fevereiro 11, 2006
A mão
Por:Isabel Faria

Uma fotografia do canadiano, Finbarr O'Reilly, venceu a edição do World Press Photo 2005.
A fotografia retrata uma mãe e a mão do seu filho, enquanto aguardam por alimentos num campo de refugiados no norte do Niger.
O Juri considerou que a fotografia tem tudo : "Beleza, horror e desespero".
Desde que ontem a procurei na Net e apesar de ficar esmagada pela intensidade, o desespero e a tristeza do olhar da mãe, vejo (e é sempre tão subjectivo o que se vê ou se lê numa obra de outrém) na mão enrugada que lhe toca o queixo, a dimensão real da tragédia. Recordo a mãozita rechonchuda com que o meu filho me acariciava o queixo, enquanto mamava e aquela mão, de criança, que à custa da fome, da doença e da guerra, se fez, tão prematuramente, velha, prende-me.
(As fotos originais e a cores não são passíveis de serem copiadas. Podem ser encontradas aqui.
Publicado por Troll Urbano às 01:02 PM | Comentários (7)
fevereiro 10, 2006
Escuridão
Por:Isabel Faria

Este tempo depois, já se sabe que o jornal dinamarquês que publicou as caricaturas de Maomé, é um jornal de Extrema Direita. Já se sabe que, possivelmente, as caricaturas, não são apenas um acto de uso legitimo da liberdade de informação, mas estão ligadas a uma atitude chauvinista e racista da direita dinamarquesa. Já se sabe que o jornal pediu desculpa. Já se sabe que as desculpas não podem servir para legitimar actos (presumindo que esses actos são reprováveis), mas que terão que ter, numa sociedade civilizada, algum valor etico, masmo que, a seguir, encolhamos os ombros, pressupondo que quem o pede não está a ser convictamente sincero. Já se sabe que ninguém apresentou queixa aos tribunais noruegueses por se sentir ofendido.
Não será, então, altura de se parar um pouco de centrar a discussão na liberdade de informação e centrá-la na tentativa de entender, na tentativa de combater o fundamentalismo e a violência a ele associado?
Não deveriamos passar algum do nosso tempo a pensar no que leva aos ataques às embaixadas e à viloência? E já agora não deviamos juntar a essa reflexão, com todas as diferenças, as declarações de hoje dum padre português que afirma que o aborto é pior que a pedófilia e que a homossexualidade é uma doença? Sem deixar de nos preocuparmos com a defesa intransigente da liberdade de expressão, não nos deveriamos começar a preocupar com a irracionalidade dos fanatismos? E com as suas consequências? Sem nos abstermos de pensar nas suas causas? Pensar a quem interessa o obscurantismo, a falta de liberdade, a escuridão? E pensar que escuridão é sempre escuridão. Quer se encontre ali à porta, quer nas ruas do Irão? E que tem que ser combatida quer se encontre ali à porta ou nas ruas do Irão?
Publicado por Troll Urbano às 09:16 PM | Comentários (1)
Estudos II
Por:Isabel Faria
Ali ao lado no De Vagares e partindo de um outro estudo sobre sexualidade feminina recentemente publicado, está-se a discutir a quota parte da fisiologia no desejo feminino. Isto porque os números de mulheres que reconhecem problemas de libido - 1/3 das entrevistadas e de dificuldade em alcançar o orgasmo – 32%, são significativos. E aqui, já acredito que as mulheres que respondem...possam ser as mulheres com quem, habitualmente, falo (falamos).
Sem entrar em questões técnicas que obviamente não domino, acho, no entanto, que convém “matar” alguns fantasmas.
O desejo sexual pode ser desencadeado por diversos factores, é claro que sofre oscilações, não me parece que essas oscilações sejam um bicho-de-sete-cabeças e não acho muita piada tratá-las com alguma dose de paternalismo. Se há mulheres que , devido a problemas físicos, têm disfunções sexuais, se há homens que são egoístas e maus amantes, se há alturas em que a casa, os filhos, o trabalho, o Cavaco, a falta de solidariedade para dividir as coisas chatas dentro do casal e, ainda, as parvas das hormonas, podem influenciar o desejo, não me parece que nenhum destes factores de per si, possa ter uma influência tal que o iniba. Claro que estou a falar em condições normais. Em que não haja questões psicológicas ou físicas graves ou familiares ou profissionais , mas aí, é claro, que não é apenas a líbido que é afectada, é toda a nossa vida .Se há tudo isto e de tudo isto é feito as relações, há também uma grande dose de responsabilidade da mulher. Numa altura em que as mulheres tomaram nas suas mãos grande parte das suas vidas, em que educam filhos, em que ocupam os mesmos lugares que os homens, em que estão em maioria nas Universidades, em que têm vida e opções próprias, aceitar que o homem tem como obrigação descobrir o que nos dá prazer, pensar se atingimos mais facilmente o climax com a penetração ou com a masturbação, obrigá-los a conhecer o nosso corpo quando nos recusamos nós próprias descobri-lo, esperar que nos perguntem e não ousar indicar-lhes, é no mínimo, contraditório, com a emancipação que começámos e que nos queremos convencer que alcançámos.
Se não nos podemos sentir responsabilizadas pelo desejo e o prazer do outro, já que temos consciência dos factores que neles interferem, porque lhes devemos dar essa responsabilidade a eles, em relação a nós? Ou, pelo menos, essencialmente a eles?
O que custa dizer, ainda não estou excitada, prefiro que me faças isto, gosto que me toques aqui, ou não dizendo, o que nos impede de mostrar?
Claro que não desejo todos os dias da mesma forma. Também não acredito naquela história que isso acontece com os homens. Por isso, se até nisso acredito que somos semelhantes, porque esperar ter um paizinho na cama em vez dum amante? - desculpem lá, mas na cama, para mim, são amantes...os maridos é para pagar a casa a meias e levar a jantar, os namorados para levar a jantar mesmo que não paguem a casa a meias...os amantes são para a cama. Claro que há quem tenha três em um, dois em um, um em um...aqui, faz-se o que se pode. Mas sou um bocadinho desconfiada em levar maridos ou namorados para a cama. Comigo, pelo menos, não costuma resultar.
Só para que fique claro. Amante: pessoa que se ama; apaixonado. E aqui não me venham com aquelas tretas de que sexo e amor...e mais umas tantas. Na cama, enquanto lá se está, ama-se. Eu amo. E é disto que se trata. Talvez por isso a questão do orgasmo tenha tão pouca importância. Por ser tão óbvia. Quando não se tem problemas físicos, nem morais, quando se está com quem se quer estar , quando se deseja e se ama, quer dure um dia, um mês, ou uma vida, não há dificuldade que não se vença. E o sexo é uma festa.E não uma catrefa de números numa catrefa maior de estudos.
Publicado por Troll Urbano às 05:00 PM | Comentários (8)
o Independente
Por: Daniel Arruda
Aqui está um jornal de referência a fazer o que se pede a um jornal. Aquilo que eu defendo há longo tempo. Toma uma posição clara, independentemente da posição que eu possa defender só posso louvar esta atitude. Espero que este seja o principio de algo. Para não dizer que acho o cartoon fantástico, pois resume num desenho uma semana inteira. E não foi uma semana fácil.
Mas "O Independente" hoje vem bom. Segundo o portal IOL, e porque ainda não comprei o jornal, vem uma entrevista com o padre Nuno Serras Pereira o tal que chamou a atenção com a publicação de um anúncio explicando que se recusava a dar a comunhão a quem utilizasse métodos contraceptivos.. É um chorrilho de barbaridade que o tal padre diz que meus amigos só visto, ou como dizia alguém nos comentários do artigo "Com padres assim é melhor tratar os nossos assuntos espirituais directamente com Deus.". Não vou transcrever o que vem no artigo. Podem ler voces via link, mas prometo que se a entrevista for como a amostra haverá nova posta mais daqui a pouco.
Publicado por Troll Urbano às 02:31 PM | Comentários (6)
fevereiro 09, 2006
Já agora perguntem à diocese também.
Por: Daniel Arruda
Vi ontem num jornal, que a distribuição ou venda de preservativos nas escolas só será possível se todos os actores do mundo escolar estiverem de acordo, o que inclui naturalmente os pais.
Apenas me pergunto, quando fôr para dar a pinocada também se tem de pedir autorização aos pais? Já agora quando o fizerem perguntem se o pai ou a mãe querem a pinocada com ou sem preservativo.
Publicado por Troll Urbano às 08:23 AM | Comentários (1)
fevereiro 08, 2006
Não é Alegre, é triste
Por: Daniel Arruda
Intervenção e cidadania não defenderá a despenalização (do Aborto)
Público, hoje
É realmente espantoso que um movimento de cidadãos que se reenvindica de esquerda, não tenha posição clara sobre esta matéria. Aliás temo que para não afastar a amálgama de pessoas que compõem este movimento, que nunca se tome posição sobre nada. O vazio de ideias que por ali impera, as incongruências que se põem todos os dias devem ser de um masoquismo atroz para quem realmente acreditou que de alguém com 30 anos ao serviço do sistema dominante viesse uma lufada de ar fresco para a política portuguesa. Parece-me ser esse o caso de Inês Pedrosa que demonstra toneladas de amargura e um afastamento claro deste movimentozinho.
Publicado por Troll Urbano às 01:22 PM | Comentários (1)
Oferta de emprego
Por:Isabel Faria
O Troll Urbano procura colaborador externo.
Função: Escrever post sobre a OPA do Belmiro.
Não se fazem descontos. Durante o tempo que durar a colaboração é possível utilizar o Refeitório do Troll.
Paga-se bem.
Possibilidade de colaborações futuras.
Favor contactar o nosso Departamento de Recursos Humanos. URGENTE.
Publicado por Troll Urbano às 09:21 AM | Comentários (14)
fevereiro 07, 2006
Quero Informação.
Por: Daniel Arruda
Portugal está bem, a retoma está aí, o défice está controlado, o desemprego baixa. Do governo nada se sabe, nem o que decide ou o que faz. Do parlamento não nos chegam notícias. As caixas dos jornais são viradas para aquilo que é verdadeiramente notícia. O DN por exemplo hoje fala-nos do abandono de Medeiros Ferreira da direcção do PS, Os outros jornais nada de interessante nos dizem. Falam do que é acessório como se o mundo da informação em Portugal fosse uma Revista Caras em tamanho gigante. Eu acho que compro os jornais já por masoquismo, para me obrigar a ler as caixas pequenas, onde normalmente vem o que tem interesse real, para ficar com uma ideia e para depois ir pesquisar o resto da notícia somando informação de 2 ou 3 sítios diversos.
Vivemos cada vez mais no país das maravilhas, da realidade a cores, do sorriso forçado. Somos milhões de Alices, de coelhos, de cartas de bules e de relógios, mas incapazes de ser a raínha por um dia que seja. Mas nós não nos importamos. Até gostamos. Que chatisse abrir um jornal e ouvir falar dos problemas do país. Mais vale viver num país onde isso não exista, mesmo que não seja o nosso, seja de ninguém, ou pelos vistos de todos.
Porra, sou cidadão. Exijo ser informado do que passa em Portugal sem ter de comprar o Diário da República e estou-me a borrifar para aqueles que dizem que o jonal A, B ou C está melhor. Não passam de um quantos colunistas a comentarem outros tantos na esperança de um dia virem a ocupar o lugar destes.
Publicado por Troll Urbano às 01:31 PM | Comentários (4)
fevereiro 06, 2006
A filha do Capitão
Por: Daniel Arruda
Acabei este fim de semana de ler "A filha do Capitão" de José Rodrigues dos Santos. Já há muito tempo que não me dedicava ao romance, puro e duro e devo dizer que não me arrependo de ter lido este livro. Haverá adjectivos acima do Genial, Fantástico, Fabuloso, .........? Não sei, mas se os houver serão aplicáveis a esta obra.
Um romance á moda antiga, ao género de Eça de Quiroz, rebuscado, profundo e históricamente impecável. Uma narrativa que nos envolve e que nos faz sentir parte da história. Numa altura somos o Manápulas nas trincheiras para a seguir cheirarmos literalmente o perfume comprado para Agnes em Paris. Um livro que não é o somatório simples de episódios mas sim uma história que nos envolve e dá um nó no final, criando uma história compacta. Um livro que nos faz reflectir sobre a filosofia, sobre Deus e sobre o Homem.
Não conhecia, e (estou a corar de vergonha) até desdenhei sem conhecer a obra, os dotes literários de José Rodrigues dos Santos. Hoje rendo-me e anseio pela compra do Codex, o 2º romance dele. Se puderem leiam. A sério que vale a pena.
Publicado por Troll Urbano às 09:25 AM | Comentários (3)
fevereiro 05, 2006
Conversa de café
Por:Isabel Faria
Falar com as vizinhas, quando se vai ao cabeleireiro ou ao café da Calçada com mais tempo é sempre uma lição de País. Já por várias vezes tinha tido esta experiência enriquecedora. Voltei a tê-la ontem, quando fui beber a bica, enquanto o meu filho andava a namorar e eu tinha, portanto, tempo livre.
Uma mesa de quatro pessoas, ocupada por três, que já conheço das tais madeixas ou da bica de Sábado. Não se quer sentar Isabel? Sentei-me.
A conversa flui rápida. Passa de pessoas que não conheço, mas que presumo não devo dizer que não conheço e acaba (porque sabem que fui a cara do Bloco na Freguesia) na política. Assim tipo, para me dar as boas vindas. E sem precisar de recorrer a comentadores e analistas, tenho ali na mesa do café da Calçada o resultado das eleições.
Nada como uma bica de Sábado no café da Calçada ou uma ida ao cabeleireiro, para entender que a Esquerda ou a Direita, deixou, à custa da banalização de conceitos, à custa de o PS fazer sistematicamente politicas de Direita e a Direita continuar a chamar-lhe Esquerda, de fazer, para as pessoas comuns, sentido. Olham para mim, a senhora da tabacaria tem um sorriso complacente e diz: D. Isabel, desculpe, eu sei que a senhora é do Louçã (sic)…olhe eu gosto muito de o ouvir falar. Mas entre o Cavaco e um velho…o que é que eu podia fazer, né? Pela mesma razão que votei no Sócrates…entre o Sócrates e um maluco…o que é que se podia fazer, né? E depois eu acho que tem que haver alguém que ponha esta gente a trabalhar...ah, mas não pense que não sou de Esquerda, sempre votei CDU na Junta...
Encolho os ombros. Ainda penso em rebater. As escolhas não podem ser entre pessoas…têm que ser…sou interrompida a meio. Passou os minutos de antena da política. Talvez na próxima madeixa…agora chega o marido de uma delas acompanhado de outro senhor que não conheço. Passa-se definitivamnte para o Benfica- Sporting da passada semana.
Relembro uma frase dum artigo de opinião de Luís de Carvalho, no Portugal Digital : "A “esquerda” e a “direita”. Esta dicotomia deixou de existir. O “centrão” dos indefinidos, daqueles que não são nem carne nem peixe, que numas coisas são esquerda e noutras são direita, decidem eleições."
Ainda olho à volta. Será que aquele senhor da mesa do canto é o Luis de Carvalho? E vai ali buscar inspiração?
Publicado por Troll Urbano às 12:26 PM | Comentários (3)
fevereiro 03, 2006
Solidariedade
Por: Daniel Arruda
Vi esta posta no Lilás com Gengibre e não podia deixar de me solidarizar com esta luta, até para que esta luta cresça e se multiplique. Por isso cá vai:
Um grupo de cidadãos, sensibilizados com a coragem da Teresa e da Lena, e preocupados com os efeitos possíveis da discriminação na sua actual e futura situação financeira (sabemos, por ex., que estão desempregadas), decidiram abrir uma CONTA DE SOLIDARIEDADE E CORAGEM, em nome de ambas, no balcão do Marquês de Pombal da CGD, com o seguinte NIB:
003501370000437830075
Já agora se forem ao Gengibre aproveitem para jogar umas postas mais abaixo. O jogo está espectacular. Mas ficava-me mal roubar logo duas coisas no mesmo dia.
Publicado por Troll Urbano às 10:16 AM | Comentários (2)
Infértil não casa
Por: Daniel Arruda
Carlos não pode casar com Susana, o motivo. É Susana tem 76 anos e já não pode procriar. O requerimento foi diferido porque a constituição diz expressamente que é finalidade do casamento a procriação. Esta medida vem aliás no seguimento de uma outra em que o contrato de casamento foi tornado nulo porque ao fim de 30 anos de casamento este ainda não tinha dado frutos, vindo-se depois a provar que a incapacidade estava do lado do requerente da anulação José Lopes da Costa Vicente. Este facto está a provocar grande agitação nos meios políticos nacionais pois a legislação não previa este tipo de situações. O único deputado do CDS-PP, Nuno Melo, fez ontem uma intervenção inflamada no Parlamento, em nome da maioria popular que ele representa e que quer respeitar as instituições, a dizer que o casamento que não dê frutos não pode ser considerado um casamento pelo que se deverá criar legislação que obrigue os requerentes do contrato de casamento a apresentarem uma declaração médica em como não são inférteis e capazes de procriar bem como uma declaração onde se comprometam a não usar meios contraceptivos nem a interromper o coito antes da ejaculação. A ejaculação para outras partes do corpo não férteis também está fora de questão e deve estar prevista na lei.
Esta solução é no entanto contestada por alguns constitucionalistas que ontem levantaram a questão de duas mulheres poderem levar as declarações de fertilidade e até poderem levar provas dessa fidelidade e assim estarem aptas para casar pois a constituição não faz distinção entre sexos ou orientações sexuais. Esta questão foi também refutada por Nuno Melo que considerou que aberrações e comportamento desviantes não estão previstos na constituição pelo que esta situação nem se punha.
Prevêem-se tempos conturbados no Parlamento mas é óbvio que a solução só pode passar por liberalizar o contrato de casamento a todos que o queiram celebrar.
Publicado por Troll Urbano às 08:46 AM | Comentários (5)
fevereiro 02, 2006
Nos comentários
Por: Daniel Arruda
Está aí link para o texto, mas não era a isso que eu queria fazer referência. A notícia em si é infelizmente banal. Agressões de alunos a professores, mais ou menos graves sempre houve e sempre haverá. Uns de estratos sociais (que feia esta expressão, mas não encontrei nenhuma melhor) mais baixos, outros mais altos. Uns com problemas familiares, outros nem por isso.
O que eu queria dar a conhecer nesse link, são os comentários. Umas autênticas perolas. O que vale é que há pelo maio ainda uns comentários racionais, porque senão seria horrível. As vezes tenho dificuldade em acreditar que foram pessoas, compatriotas meus que escrevem tamanhas barbaridades. Só encontro explicação para estes recalcamentos é que devem realmente ter levado muita porrada quando eram mais pequenos.
O que esse muido merecia era uma valente carga de porrada.
Volta Salazar e peço-te desculpa por tudo o que falei contra ti
Por mim se fosse professor garanto que eu ia para a cadeira mas rachava os ...alunos que tomassem semelhante atitude para comigo.
É o apogeu da DEMOCRACIA
Um murro bem enfiado naquelas cabeças ocas é o que precisam, eu levei imensa reguadas na escola (Obrigada dona Vitória, só me fizeram bem)cheguei até a levar umas belas cinturadas (Obrigada, mãe e pai, foram merecidas)se não fossem as reguadas e cinturadas era capaz de agora estar preso ou a fazer tijolo há algum tempo...
Será que Freud explica isto?
Publicado por Troll Urbano às 11:40 AM | Comentários (4)
Já não era sem tempo
Por: Daniel Arruda
Julgamento do caso de Entre-os-Rios marcado para 19 de Abril
Publicado por Troll Urbano às 09:31 AM | Comentários (2)
fevereiro 01, 2006
Teresa e Helena
Por:Isabel faria

Elas são adultas, são livres e amam-se. Vivem num País cuja Constituição não aceita a descriminação por motivos sexuais. Que a todos/as atribui os mesmos direitos. A elas, os mesmos que a mim.
Nunca achei que a celebração dum contrato fosse necessário para efectivar um amor. Mas elas acham. Ou ela e ele, aqui, do andar em baixo.
A lei das uniões de facto não salvaguarda direitos que podem ser fundamentais numa vida a dois. Como o direito à adopção ou a questão das heranças em caso de morte, por exemplo.
Elas são adultas, são livres e amam-se. Vivem num País cuja Constituição lhes dá direitos iguais sejam quais forem as suas opções sexuais. Os mesmos que dá a mim.
Elas acham importante que o seu amor seja consumado no casamento. Eu não acho. O casal do andar de baixo que casou o ano passado, pensa o mesmo que elas.
Nunca consigo levar mais longe este tipo de discussões. É uma das minhas incapacidades. Elas são adultas, livres amam-se e, por acaso, são do mesmo sexo. Querem, porque acham importante, casar-se. Os meus vizinhos também acharam. Estão casados. Nunca conseguirei ir mais longe que isto na argumentação. Incapacidade minha.
Publicado por Troll Urbano às 07:42 PM | Comentários (8)
Isto ouve-se com cada coisa
Por: Daniel Arruda
Estava a ouvir o Forum TSF que hoje é, como invariavelmente é naquele fórum, subordinado ao tema do dia, que hoje é o facto de duas mulheres se apresentarem na conservatória para ao abrigo da constituição poderem celebrar o seu contrato de casamento. Sim porque é disso que se trata quando nos casamos. Celebramos um contrato com outra pessoa.
Mas voltando ao fórum da TSF ouvi coisas que quase me levavam ao vómito. Ouvi expressões e derivações dessas expressões para defenir o amor entre duas pessoas que não se deviam usar para nada nem ninguém neste mundo.
- Aberração
- Doença
- Disfunção
- Mentalmente inaptos
- Coisa Porca
- Imoral
- Bandalheira
- Desvios comportamentais
- Tarados
- Comportamentos pervesos
- Pedófilos
- ..........
Mas a melhor por ser tão triste veio de uma senhora que disse a seguinte pérola.
"que essa gente porca que imigre para outro lado, que Portugal é um país católico de bons costumes, de boas práticas e de gente boa" ou ainda da mesma senhora "Vejam os exemplos dos outros países e reparem naquela pouca vergonha"
Somos decididamente um país retrógado, onde muita gente ainda pensa que a homosexualidade é doença. Só espero é que aquelas opiniões ali expressas não sejam sinónimo do sentimento generalizado neste país. Porque já me senti envergonhado de haver pessoas a dizerem o que disseram mas mais triste ficaria se soubesse que a maioria do meu país é estúpidamente e injustificavelmente homofobica a ponto de impedir duas pessoas de celebrarem um contrato para poderem ter os mesmos direitos que qualquer outro cidadão.
Publicado por Troll Urbano às 11:29 AM | Comentários (6)
janeiro 31, 2006
Poligamia
Por: Daniel Arruda
A Russia, ou melhor a provincia da Tchetchenia, já legalizou a poligamia. Um passo em frente mesmo que tenha sido dado por motivos sociais e económicos que apenas espelham a confusão que vai naquele país. A razão principal é a de existirem mais 18% de mulheres que de homens e que o número de filhos nascidos fora dos matrimónios e não reconhecidos foi no ano passado de perto de meio milhão.
Numa provincia fustigada pela guerra esta medida visa estabilizar o tecido social da região ou do país pois já se pondera a hipotese de medida semelhante ser aprovada na Rússia.
Mesmo tendo sida aplicada pelos motivos expostos acho que nos deveriamos manter atentos para ver que resultados e efeitos tem. Quem sabe se não se acaba com esse dogma que que o ser humano é monogamico por natureza. Eu pelo menos não me acredito nisso e não há nenhuma evidencia científica que sustente essa tese.
Publicado por Troll Urbano às 01:27 PM | Comentários (5)
"RIFÃO QUOTIDIANO"
Por:Isabel Faria

Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece
Mário Henrique Leiria
Publicado por Troll Urbano às 11:16 AM | Comentários (12)
Rubrica matinal
Por:Isabel Faria
Dada a tal fase do encolhimento que actualmente atravesso, decidi começar a manhã com a rúbrica, Títulos, que já vai, hoje, na sua segunda edição. (Não deram por isso? Então desçam um cadito que não me apetece fazer o link...).
No JN On line desta manhã:
"Homem mais rico do Mundo vem apoiar Plano Tecnológico " , estão a falar do Bill como já devem ter percebido (se precisarem de algum recado, amanhã devo estar com ele...não estou a brincar...juro!!!).
Logo no quadradinho a seguir (a sério que é quadradinhos...agora lembrei-me da Padeira de Aljubarrota (???)), vem este: "Portugal espera mais ajuda da meteorologia este ano".
A padeira, o tio Bill, o Cavaco, o S.Pedro...o que seria de nós sem estas ajudas divinas???
Publicado por Troll Urbano às 09:38 AM | Comentários (5)
Eu também quero uma cruz
Por: Daniel Arruda
Bill Gates vai receber a Grã Cruz da Ordem de Infante D. Henrique que é entregue normalmente a quem presta serviços relevantes em nome da culltura e da nação Portuguesa. Acho que sim. É um prémio que assenta bem a Bill Gates conhecido pela sua ligação a Portugal. Não se esqueçam que eu se estou a esrever neste blogue devo-o á net e à Microsoft.
Sampaio que tanto banalizou as destinções e a entrega de cruzes e de ordens acaba o mandato como o conduziu. Na vulgaridade e no desleixo.
Publicado por Troll Urbano às 09:33 AM | Comentários (4)
janeiro 30, 2006
Publicidade
Por: Daniel Arruda
Já postei várias vezes sobre publicidade. Sempre em imagens mas hoje enviaram-me uma pérola em vídeo que infelizmente nunca chegou á nossa televisão que apesar de eu ver pouca lembraria-me de certeza se o tivesse visto alguma vez.
Publicado por Troll Urbano às 11:28 AM | Comentários (5)
A luz de Lisboa
Por: Isabel Faria

Talvez seja do Sol. Ou do Rio. Não há luz como a de Lisboa.
Se se pudesse, por momentos, esquecer as estações de metro abertas durante a noite. Talvez cheias. Esta manhã, talvez pela neve de ontem. Ou pelo frio. Ou pelo Sol. Ou pelo Rio. Não haveria luz como a de Lisboa.
Publicado por Troll Urbano às 10:05 AM | Comentários (8)
janeiro 27, 2006
Não (lhe) resisto
Por:Isabel faria
O Google para além de me dar o Durão Barroso quando procuro imagens do Mao e uma meninas mais ou menos sem roupa quando procuro imagens de frio, também tem o condão de me encantar...
Hoje, para comemorar os 250 anos do nascimento de Mozart, aparece com esta cara...

Que ternura!!!
Publicado por Troll Urbano às 12:07 PM | Comentários (3)
janeiro 25, 2006
A praga
Por:Isabel Faria

Em Lisboa, 1/5 dos trabalhadores por conta de outrém são precários.No País são mais de um milhão e meio. São os contratados a termo certo, a termo incerto, os extras, nome chocante este, que verdadeiramente simboliza o espirito da precaridade. Trabalhadores que se chamam quando são necessários, que não têm direitos, nem vinculos, que não podem construir vidas, que não podem planear a próxima semana. Extras, trabalhadores a mais, dispensáveis, de usar e deitar fora. São sobretudo jovens até aos vinte e cinco anos e são sobretudo mulheres.
Recordo que, quando foi aprovado o Código de Trabalho, o Governo de então e os empresários, esgrimiam a ideia de que a liberalização dos despedimentos e a flexibilização das relações contratuais permitiria deminuir o trabalho precário. Está à vista como o objectivo foi alcançado...
Baseado na ilegalidade (por mais liberal que seja, o Código ainda prevê restrições que ninguém cumpre), com contratos sistemáticos e sucessivos que ultrapassam o legalmente regulado, com mudanças de nomes de empresas de aluguer de mão de obra, que lhes permite manter indefenidamente os contratos efectuados, com salários muito mais baixos do que os trabalhadores efectivos que exercem as mesmas funções, sem direito a formação profissional, sem folgas, sem horário, com uma Inspecção Geral de Trabalho que não vê, não ouve e muito menos actua, a precaridade invadiu o presente das empresas portuguesas e hipoteca o futuro do País. Que País se pode dar ao luxo de negar futuro aos seus jovens? De lhes negar formação? Que País se pode dar ao luxo de dispensar as obrigações contributivas de trabalhadores e de empresas, resultantes do uso de trabalho ilegal e não declarado?
Publicado por Troll Urbano às 09:25 PM | Comentários (2)
janeiro 21, 2006
Existe um País
Por: The
No chamado dia de reflexão que antecede a ida ás urnas para elegermos o nosso futuro presidente da Republica, aquele que em muito pode decidir o futuro do nosso Portugal deixo aqui um texto que me chegou por e-mail para que pensemos bem no rumo que queremos para o nosso país.
Existe um país onde um cidadão de 81 anos depois de ter cumprido 10 anos de mandato como Presidente da República e de ter estado 10 anos de molho decide candidatar-se novamente para salvar o país de um fantasma,
passando por cima de um amigo de longa data.
Existe um país onde um cidadão que depois de ter deixado Portugal na penumbra se decide candidatar ao mais alto cargo politico do nosso país.
Existe um país onde três candidatos autárquicos com fortes probabilidades de vencer estão indiciados por processos fraudulentos e uma outra candidata com mandato de prisão emitido e foragida no Brasil, tem toda a cidade a aguarda-la tal qual D.Sebastião.
Existe um país onde o único escritor galardoado com o prémio nobel da Literatura vive no país vizinho.
Existe um país de onde é oriundo aquele que é considerado o melhor treinador de futebol da actualidade, cujo seleccionador nacional é estrangeiro.
Existe um país onde o maior sucesso nacional do ano é um disco de originais de um músico que morreu há quinze anos.
Existe um país onde o nome da mascote do principal evento desportivo alguma vez organizado começa por uma letra (k) que não faz parte do seu alfabeto.
Existe um país onde há 10 estádios novos em folha mas não temos sequer 5 hospitais dignos do nome.
Existe um país onde os polícias são os únicos que andam sem cinto (eles não têm acidentes?)
Existe um país onde os pedófilos ricos não são criminosos mas os pedófilos pobres são o "lixo da sociedade"
Existe um país onde há pessoas que não têm dinheiro para gastar no dentista mas andam de Audi e Mercedes.
Esse país estranho é o meu país.
Publicado por Troll Urbano às 07:09 PM | Comentários (11)
janeiro 20, 2006
Se ainda fosse um jogo de cartas
Por: Daniel Arruda
Desculpem-me lá mas vou ter de falar de Souto Moura outra vez. Não para comentar as banalidades que disse, ou não disse, nem para falar do facto de logo no início ele dizer que estava ali mas não tinha nada para dizer porque estava tudo sob segredo de justiça. Vou falar de Souto Moura por causa de uma barbaridade que ele disse. Estava o dito Exmo Sr. Procurador da República (digam lá que não sei ser educado) a falar das disquetes do envelope 9 que continham as listas num "programa de Excel", das forma como estavam os dados lá contidos. Dizia o dito Exmo Sr. Procurador da República que os dados estavam escondidos por uma aplicação, o "selector" e que apenas os dados de Paulo Pedroso estavam visíveis mas que acreditava que alguém com conhecimentos do "Programa excel" poderia tornar esses dados visíveis, mas que ele não podia adiantar mais porque nunca tinha trabalhado com esse programa, o excel entenda-se. DIsse ainda que aquees dados só vieram a público porque o jornal 24 Horas fez um extenso e complicado processo laboratorial, referindo-se á obtenção dos dados e posterior abertura( desactivar o "selector") dos ficheiros.
Não sei se precisam que eu faça comentários, aos programas e ás aplicações porque calculo que todos os que nos visitam via net já tenham utilizado a aplicação do office que é o Excel e que todos saibam a facilidade que é esconder ou selecionar dados. Aliás não sei que comentários fazer a esta barbaridade. Pelo menos ficamos a saber que o Exmo Sr. Procurador da República que tem um computador no gabinete nunca trabalhou com o Excel. Talvez se lhe perguntassem pelo solitaire, copas ou outro qualquer jogo de cartas teriam outra resposta.
Só uma nota de rodapé. Será que eu ouvi bem que as pessoas daquela lista estavam numa chamada lista de Estado que engloba pessoas isentas do pagamento de chamadas? Digam-me que não é verdade. Prometo que logo à noite vou tirar isso a limpo com os deputados do BE e darei notícias.
Publicado por Troll Urbano às 04:18 PM
janeiro 18, 2006
"Viver e Morrer em nome das FP-25"
Por: Daniel Arruda
Acabei de ler um livro que recomendo a todos da minha geração. Um livro datado. "Viver e Morrer em nome das FP-25" é um livro sem pretensões literária. É um texto jornalistico que tomou proporções de livro dada a quantidade de infomação que este caso tinha para dar. É um livro datado porque para a minha geração o caso das FP's 25 de Abril é demasiado recente para ser estudado na escola e demasiado velho para estar nas nossas recordações. São coisas das quais sabemos por ouvir dizer e provavelmente destorcidas pela percepção de quem as conta. Dei por mim vezes sem conta a concordar ou a discordar dos actos e factos, encontrei nomes de gente conhecida minha.... Estou convencido que é uma obra imparcial e fundamental para quem quer conhecer a história do pós 25 de Abril.
Falta dizer que o texto é de António José Vilela e a edição da Casa das Letras.
Se o lerem espero que gostem.
Publicado por Troll Urbano às 10:54 PM
Um post emprestado
Por:Isabel Faria
O texto que a seguir vou postar não é meu. É um trabalho para entregar amanhã na escola. Foi-me concedida autorização para o publicar se pagasse direitos de autor. Prometi que pagaria. Depois duma semana com muitas, tantas dúvidas, precisava de chegar a casa e prometer que pagaria direitos de autor.
Há alturas na vida em que não temos dúvidas.São normalmente momentos fugazes. Mas não creio que nos fosse possível viver sem eles. Eu não poderia viver sem as pequenas certezas desta noite, manuscritas numa folha A4.
Cego, surdo, coxo...mas igual
"(A prisão perpétua) não é castigo adequado para alguém que manda assassinar testemunhas quando está a cumprir pena de prisão para o resto da vida", Arnold Schwarzenegger.
Estranho e cruel mundo este em que a quarta execução não comutada desde 2003, no Estado da Califórnia, governado por um ex-actor de Hollywood, é a de um homem de 76 anos, cego, surdo e confinado a uma cadeira de rodas...
Foi exactamente isso que aconteceu quando um minuto passava das 0H00 em São Francisco. Clemence Ray Allen, que já esperava pela anunciada sentença de morte há 23 anos, foi executado por injecção letal.
Será admíssivel que um homem com tais problemas de saúde seja punido com o castigo máximo? Será admíssivel que qualquer homem, sejam quais forem os seus crimes, o seja? Eu acho que não. Ninguém tem o direito de dispôr da vida de ninguém. O dente por dente não é, não pode ser a solução.
Não consigo perceber nem concordar com a indiferença, aceitação e inércia generalizadas que fazem com que estas execuções sejam factos quotidianos.
Estranho e cruel mundo este...
J.P. Faria.
Obrigado, meu amor.
Publicado por Troll Urbano às 01:26 AM | Comentários (11)
janeiro 17, 2006
Amanhã há tempo...
Por:Isabel Faria
Todos queriam falar ao mesmo tempo. A sala estava cheia. É pequena e estava cheia.
Falaram de falta de respeito. E de tristeza. E de mágoa. Muitos estão na empresa há trinta anos. Ha trinta anos que têm o pior trabalho e os salários mais baixos. Agora que a empresa entra em obras, são os primeiros a quem são pedidos sacríficios. Estão cansados. No olhar não há brilho. Está baço. De cansaço e de tristeza. E de mágoa.
Entre os gritos - todos querem falar ao mesmo tempo - escrevo um papel com a sua resposta para entregar à Direcção. Têm que sair, uns, que voltar ao trabalho, outros. Tem que ser rápido. Quando acabo de ler o que acabei de escrever, o brilho voltou. Começam a bater palmas, peço-lhes que parem. Eu sou a Isabel. Agarram-se a mim e choram. Não sei se a luta se faz com lágrimas. Chorámos todos. Amanhã, quando o papel que escrevi no meio dos gritos - todos precisam de falar - for entregue, a luta já não poderá ser com lágrimas. Hoje foi. O brilho voltou. Com alguns Kleenex à mistura.
Publicado por Troll Urbano às 05:45 PM | Comentários (6)
janeiro 15, 2006
Irão
Por: The
Ao ler o post do Daniel um pouco mais abaixo com este mesmo titulo "Irão", lembrei-me logo da letra de uma canção dos já velhinhos e para muitos desconhecidos, Exodus.
O album "Fabulous Disaster" data de 1989, e na musica que dá nome ao album eles dizem qualquer coisa como isto:
They spend all their time
Building missiles so people die
What kind of life do you espect for us to live
We´re angered by fear
Because the time is near
When some lunatic will finally pull the plug
And forever after
You can hear the laughter
Wolrd´s being plastered
By an evil bastard
Exterminating faster
Devastating plaster
Fabulous disaster
Now you can see
What this all means to me
When the bomb
Comes falling
DOWN!
Publicado por Troll Urbano às 12:41 PM
Seco
Por:Isabel Faria

Louçã afirmou ontem em Gaia que Portugal é um país desanimado, mas também "desolado, amargurado, abandonado, e sobretudo muito triste".
Recordo os rostos que encontrei na campanha das autarquias em Lisboa, vejo, antes de abrir a porta de entrada, a minha vizinha que espreita pela janela do segundo andar, recordo o ligeiro levantar, apenas ligeiro, e não por antipatia, apenas por, parece, falta de vigor, de cabeça dos meus vizinhos quando entrei no café para tomar a bica, a menina do supermercado que dizia à colega, voz fanhosa, olhos vermelhos "como é que queres que vá para casa??? não sabes que o R.está desempregado???" e sei que Louçã tem razão.
Somos um País eternamente adiado, que não cresce quando os outros crescem, que não ousa quando os outros, apesar de tudo, ainda ousam, que não reclama, que não vive, que espera por salvadores mas que nem nos salvadores que espera vai, afinal, buscar brilho.
Olho para o dia cinzento. Tenho as árvores despidas em frente à janela. O gato que costuma passear no muro está escondido da chuva e vejo Portugal assim. Cinzento, despido de esperança, escondido de si próprio.
Não é desaânimo é imperativo moral. Politico. De vida. Não podemos, não temos o direito de os deixar (e o OS têm nome, e têm rosto e têm politicas e têm interesses mesquinhos ) fazer isto de Portugal. Recordo o País triste que vivi há muitos anos, miúda, nestes meses que faltavam para Abril. E volto a sentir a mesma tristeza. Só que então, não havia desânimo, era uma tristeza com esperança à mistura. Esperança, que, apesar da guerra, da emigração, da prisão e do silêncio, se sentia nos olhares e se descobria nos gestos.
Como é que deixámos que nos roubassem a esperança? E que nos devolvessem ao abandono e à tristeza?
Estamos precisamente a uma semana de 22 de Janeiro. Vamos permitir-lhes que nos continuem a roubar o futuro?
Publicado por Troll Urbano às 12:26 PM | Comentários (1)
janeiro 14, 2006
Um esclarecimento
Por: Daniel Arruda
Apesar de na posta anterior ter referido a Associação Animal quero aqui deixar bem claro que admiro o trabalho desta associação e que por acaso até nunca lhe tinha dado um destaque merecido. Aproveito assim a oportunidade de me redimir. O facto de a referir na posta foi apenas porque me ocorreu, o que até e bem vistas as coisas é bom sinal. É sinal que não está esquecida.
Vão lá dar uma espreitadela ao site. Vale a pena.
Publicado por Troll Urbano às 11:16 PM | Comentários (1)
janeiro 12, 2006
Ainda e sempre. A prostituição
Por: Daniel Arruda
Antes de iniciar a prosa gostaria de dizer que nada tenho contra o MDM ou outra qualquer agremiação que faz ouvir a sua voz na defesa do que acha justo, mas não posso deixar passar esta opinião expressa que para além de errada no sentido que não diz a verdade toda, representa um enorme retrocesso social e civilizacional.
Logo a constatação de que este passo representa um passo atrás, até à idade média é um jogo de palavras, pois é a realidade que na Idade Média as mulheres, especialmente e ainda mais as prostitutas, eram vistas como um objecto. Algo completamente desprovido de direitos. Mas imaginemos que esta frase em vez de Idade Média dizia que era até à Grécia Antiga. Nesse caso, deixaria de ser um retrocesso para passar a ser um avanço enorme porque nessa altura as mulheres, especialmente e ainda mais as prostitutas, eram vistas como pessoas das mais respeitáveis da sociedade, a ponto de serem eleitas para cargos de responsabilidade na democracia grega. Não faltam exemplos destes na história da Grécia antiga. O que eu quero dizer com isso é que podemos moldar um discurso histórico até ao ponto que nos der mais jeito. Neste caso concreto deveremos falar do periodo antes e depois de influência católica apostólica romana na sociedade europeia.
Outro erro do texto é restringir a questão da prostituição exclusivamente às mulheres. É sabido que o "mercado" de prostituição masculina está em franca ascenção sendo que o número de prostitutos quintuplicou na última década. Mas mesmo no caso das mulheres a opinião baseia-se numa coisa nunca provada de que a prostituição é na sua esmagadora maioria uma não escolha ou uma fatalidade para onde mulheres são empurradas.
Mas vamos lá então desmontar alguns dos argumentos implicitos e esclarecer as omissões a meu ver deliberadamente esquecidas na opinião do MDM e para isso temos de saber o verdadeiro significado da palavra prostituição pois esta não se prende apenas com a venda do sexo para fins comerciais.
Prostituição - s. f., acto ou efeito de prostituir; libertinagem; fig., vida desregrada.
Prostituir - v. tr., desmoralizar; levar à prostituição; aviltar; corromper; v. refl., entregar-se à prostituição; degradar-se.
Prostituta (o) - s. f., meretriz; mulher (homem) que pratica a prostituição; rameira.
Como se pode ver nas definições nada liga a prostituição ao sexo, ou pelo menos não o restringe a tal. Neste sentido temos de ver a questão da prostituição como parte de uma grande industria do sexo que existe e não valendo a pena esconder tal facto até porque a própria industria cada vez menos se esconde. Valerá a pena então manter um vazio na lei e noutros casos onde existe legislação manté-la constantemente sujeita a atropelos resultantes da evolução da própria sociedade? Não me parece.
Mas vamos voltar às questões do sexo. Uma prostituta que venda sexo é em quê diferente de uma actriz porno que vende o seu sexo? Em primeiro lugar salta à vista que não existe contacto entre o consumidor e o(a) prestador(a) de serviço, embora na sua essência e segundo as definições de prostituição estejam a fazer exactamente a mesma coisa. O que as(os) destingue então? Na essência nada, há, no entanto, uma diferença no tratamento. Desde logo porque as actrizes (actores) porno estão ao abrigo de legislação própria para actrizes (actores) sendo por isso protegidas/os dos predadores do mundo do sexo. Os (as) proxenetas. Por outro lado como são protegidas e pertencentes a uma actividade socialmente aceite não são vítimas de descriminações. Poderá no entanto alguém explicar porque é que o consumo de sexo via DVD é legal e aquele praticado por duas pessoas de livre vontade não o é?
Segundo as definições aquilo que é vulgarmente designado como uma alternadeira ou menina de programa é uma prostituta. E em boa medida é o que é. A situação que se vive hoje em dia é o de uma estigmatização e "ghetização" dessas mulheres, que fazendo parte de uma actividade ilegal estão muito mais vulneráveis a formas de pressão externa. Isoladas de direitos, ignoradas pela sociedade que faz como a avestruz, fazendo crer que essa actividade não existe. Ora é esta ilegalidade que fomenta as redes de tráfico de mulheres e a sua decadência, pois se nos restringirmos às mulheres portuguesas leva a que estas se sintam marginalizadas. Se o extrapolarmos para as mulheres imigrantes leva a um caso pior que é o de se encontrarem numa dupla ilegalidade e apesar de trabalharem não se podem leglizar ficando entregues nas mãos das redes de tráfico. Ilegais em duplo ou triplo sentido. O exemplo inglês, holandês e alemão mostram-nos que a legalização desta actividade vem por cobro às situações ilegais, sendo que ganham as mulheres (homens) que se prostitem porque ganham direitos sociais básicos como direito a médico, segurança social entre outros, ganha o Estado que não vê fugir numa economia paralela milhões de Euros que deveriam ser traduzidos em impostos, ganha a população pois a sociedade fica muito menos exposta ao flagelo das doenças sexualmente transmissíveis derivado à protecção social e ganha ainda a sociedade pois acaba com esse flagelo que é a prostituição de rua. Outro factor em que se ganha é o da possibilidade de associação que, ao fim ao cabo, permite ao Estado ter um interluctor previligiado de modo a poder resolver problemas e agir de uma forma próactiva na sociedade e nesta indústria que por muito que algumas pessoas não queiram deve ser tratada assim, como indústria.
Existiu um certame em Lisboa promovido pela indústria do sexo onde foi proibido o sexo explícito mas fomentado o implícito e simulado. Qual a diferença entre ambos? É que um é moralmente aceite pela "camada social" dominante. O sexo esteve sempre presente mas não se podia ver.
A questão de que as pessoas são obrigadas a prostituirem-se é verdade nos exemplos que referi lá em cima e que são resultantes da ausência de enquadramento legal, mas daí a dizer que todas as pessoas que se prostituem o fazem sem ser de vontade é um enorme passo. Estudos recentes (de 2003) indicam que uma maioria de pessoas que se prostituem em Portugal o fazem porque querem, que provêm de uma estracto social de nível médio e que o utilizam como uma forma de complemento a outros rendimentos. Outro dado interessante é o número de jovens estudantes que o fazem sendo que no caso masculino esta número ganha cada vez maior relevância. Outro factor que está ligado à prostituição e agora só no sentido sexual do termo é a toxicódependência mas essa assunto mereceria uma análise só por si porque traz a debate mais um sem número de variáveis sócio-económicas.
Realmente o tema prostituição tem pano para mangas e eu aqui, como em outras ocasiões apenas o aflorei muito pela rama, mas penso que o debate terá de ser feito para desmistificar algumas questões falso moralistas e de pseudo defesa da integridade humana. Penso que algo já foi feito nesta matéria e mais cedo ou mais tarde esta questão estará em cima da mesa, como tem sido proposto com alguma frequência pela JS, pela UMAR e mesmo pela JSD. Não há nesta questão uma unanimidade, mas tratar de um assunto desta natureza com posições pateto-ideológicas será a mesma coisa que retroceder anos, dezenas de anos numa questão que não pode ser adiada muito mais tempo. A bem da dignidade humana e do respeito pelas pessoas.
Só uma última nota em relação ao MDM. Para quem trata a questão do Aborto como uma escolha que a mulher deve ter sobre o seu próprio corpo é no mínimo estranho que nas questões do sexo ache que as pessoas não devem ser livres de fazer o que querem com o seu corpo.
Publicado por Troll Urbano às 07:38 PM | Comentários (10)
janeiro 10, 2006
De Vagares
Por:Isabel Faria

Depois do funeral do Afixe, nasceu o De Vagares
Na coluna da direita para quem está sentada, da esquerda para quem está dentro do PC, aparecem os nomes de alguns dos meus meninos, a M, o Gibel, o Bernardo, o Pedro, o Jon, o Mário (não me estou a esquecer de nenhum, pois não?) , mais o nome do João Cóias que já conhecia dos carneirinhos (ele faz bonecos de carneirinhos muita nices) e mais uns tantos que não conheço, mas presumo que deva ter pena.
Aquilo tá bonito, há que confessar. O relógio tem um ar sexy, assim pró despido (obrigado, Farpas por me teres safo dessa) e o Bernardo escrevia num post, que, contrariamente ao Afixe, o "De Vagares funciona a um ritmo alterado. Um ritmo baixo." O que me parece claro dadas as 15 entradas em três diazecos.
Naquela tal coluna da esquerda ou da direita conforme onde a gente estiver, dei pela falta do Monty. Presumo que os restantes "funcionários" da coisa com ar alentejano, ganharam, finalmente, um bocadinho de tino. Continuem assim, que vão bem. Mas tenham calma, pá. Ainda não começaram a escrever todos e já vão em 15 posts...em 3 dias, com fim-de-semana p'lo meio..que raio de coerência é essa???
Publicado por Troll Urbano às 12:01 AM | Comentários (8)
janeiro 09, 2006
As barbaridades que se dizem em nome de Deus
Por: Daniel Arruda
Acham que esta notícia deve ter algum comentário da minha parte? É que me sinto completamente incapaz de comentar algo assim. Digamos que assim primitivo, básico, estúpido, (psst, alguém se lembra de mais adjectivos para esta coisa?), ridículo, dahhhh, ........
Ainda me perguntam porque é que eu não acredito no Deus Misericórdioso?!?!?! Irra que com uma Misericórdia destas o Satanás é um menino de coro.
Tou mesmo a ver este Deus sentado lá no cadeirão dele a dizer assim. Aquele ali, o de Israel, vai ter um enfarte e dois derrames cerebrais. Olha, aquele padre que violou criancinhas como estava apenas a evangelizar vai ter um ataque de chatos. Depois tem uma rede de anjos tipo SIS que lhe vai dando informações sobre os humanos menores, aqueles menos conhecidos. Assim se explica que a senhora que morava na rua da minha mãe e que segundo consta enganava o marido morreu de cancro na bexiga ao fim de quase 4 anos. O processo dela deve ter ficado perdido na burocracia celestial e demorou mais tempo a levar a sentença. Ou então Deus tem dias certos para despachar serviço, tipo 3as e 5as.
Imaginem a cena de uma secretária cheia de carimbos, com os diversos tipos de morte possíveis. Afogamento, queimado, acidente de automóvel, doença porlongada e agonizante, só agonizante, doença fulminante, ...... e o sujeito lá atrás a despachar processos.
-Sai mais um enfarte para a Austrália e dois atroplamentos para a Europa.
-Seguinte
Consta também que o processo de George W. Bush já deu entrada 3 vezes mas foi sempre indeferido por se achar que este estava a fazer um bom trabalho.
Publicado por Troll Urbano às 09:37 AM | Comentários (3)
janeiro 07, 2006
Investigações
Por:Isabel Faria

Uma equipa de investigadores americanos chegou à conclusão que os Telemóveis são maus. Ok, vou explicar melhor. A equipa concluiu que o uso de telemóveis acaba por afectar a vida familiar, levando para dentro dela assuntos relacionados com a profissão e a vida profissional, levando para dentro dela microondas a explodirem. Claro que do estudo, um paragrafozito fala da chatice que é estar em casa e receber uma chamada da empresa a dizer que o dossier azul não está na estante, que o Manel meteu o carrão e se tem que ir trabalhar mais cedo ou que o programa do computador está com um ataque de asma e não se encontra a bomba.
O resto dos parágrafos é gasto com a parte que verdadeiramente preocupa os investigadores. E aí as mulheres são as principais “prevaricadoras”. Estão no trabalho e recebem uma chamada a dizer que a torradeira saiu p’la janela, que a roupa está estendida e vem lá um escuro enorme ou que o filho mais novo está com uma borbulha nova na orelha. E, pronto. Ficam desestabilizadas e já não produzem. Por isso, o estudo sugere que as entidades patronais criem formas de controlar a coisa, quem sabe obrigar a desligar os telemóveis à entrada. Parece-me bem. Claro que também se podia optar por dar asas à torradeira ou por obrigar o puto a levar Clerasil para o infantário...mas parece-me mais correcto que se criem normas dentro da empresa, tipo o TLM fica aqui neste cestinho...metes uma moedia e guardas nesta portita...que barulho é aquele??? Um telemóvel??? faxavor de ir aos Recurso Humanos...
O tal estudo sugere, também, que se criem dias próprios para que o pai e a mãe recebam as tais chamadas do gato e da esfregona que perdeu a barba. Assim, dizem os investigadores americanos (adoro os americanos quando investigam) diminue a pressão sobre as mulheres. Também os adoro quando se preocupam tanto connosco. São tão bonzinhos e simpáticos.
E o tal estudo diz, ainda, que esta história do microondas e da esfregona entrar pelo escritório adentro provoca uma maior insatisfação a nível familiar. Esta parte não percebi bem. O que é que o João Pedro e o Bono têm a ver com já não se fazerem esfregonas como antigamente? Mas, ok, só tenho que ter calma, eles numa próxima investigação vão explicar, bem explicadinho. Ou não fossem investigadores americanos
Publicado por Troll Urbano às 05:52 PM | Comentários (2)
janeiro 04, 2006
Casa de Almeida Garrett
Por:Isabel Faria

Esta noite vai realizar-se uma vígilia em frente à casa onde viveu e faleceu Almeida Garrett, em Campo de Ourique, que o IPAR considerou de interesse concelhio e que a Câmara Municipal de Lisboa deu luz verde para ser demolida.
O edificio encontra-se em avançado estado de degradação e, mais uma vez, a maioria eleita para a Câmara de Lisboa, mostra o seu desprezo pela nossa memória colectiva e pela nossa cultura. Como já fez na António Maria Cardoso e em tantos outros lugares da cidade.
Não há cidade que resista se lhe tirarmos a história. Não há povo que resista se perder a memória. A Câmara de Lisboa, continua, ostensivamente, a ignorar uma e outra. Cabe-nos a nós, que amamos esta cidade, mostrar que não as aceitamos perder. Esta noite, por volta das 23h00, na Rua Saraiva de Carvalho, junto ao nº 66-68.

“Andai, ganha pães; andai; reduzi tudo a cifras, todas as considerações deste mundo a equações de interesse corporal, comprai, vendei, agiotai”
A.Garrett, Viagens na minha terra.
Publicado por Troll Urbano às 11:24 AM | Comentários (17)
janeiro 03, 2006
Cáceres Monteiro
Por:Isabel Faria

Recordo o Sete. Recordo O Jornal. Cresci com o Jornal e deliciei-me com o Sete. Naqueles anos longincuos dos finais de Setenta e inicios de oitenta, devo ter muitas vezes discordado do que lá lia, mas precisava deles. E as coisas de que precisamos não se discutem. Raramente vale a pena perder tempo com isso. Cada Quarta e cada Quinta Feira, dirigia-me à banca dos jornais. Nada a fazer.
Depois apareceu a Visão e continuei a ser cliente mais ou menos fiel. Ultimamente muitas vezes me zanguei com a revista. Cheguei a anunciar um divórcio litigioso, mas mantivemos sempre uma relação complicada. Daqueles divórcios em que até se pode mudar de casa mas se guarda sempre a escova dos dentes na casa anterior, não se vá dar o caso de ser necessária, sem se esperar.
No Sete, no Jornal ou na Visão, sempre me habituei a ver o Cáceres Monteiro.Se me perguntarem por qualquer deles e me pedirem um nome, virá sempre o de Cáceres Monteiro. Antes de qualquer outro. Sem ter tempo de pensar em qualquer outro.
Porque as coisas que nos fazem não morrem antes de nós, não suportariamos se assim fosse, o Sete não morreu, o Jornal continua todas as Quintas Feiras, numa qualquer banca de jornais e Cáceres Monteiro não desapareceu esta madrugada. E estas coisas não se discutem.
Até Quinta Feira, na banca do cimo da rampa. A gente vê-se.
Publicado por Troll Urbano às 11:10 AM | Comentários (5)
janeiro 02, 2006
Ilegalidades
Por: Daniel Arruda
Parece que em Portugal ninguém se preocupa com ilegalidades. Pelo menos para mim são. Se estivermos no espírito que ninguém está acima da lei e que tudo o que a viole é ilegal e atenção que não sou jurista por isso corrijam-me se eu estiver enganado.
Nos últimos dois dias reparei em duas que me parecem flagrantes. A começar na publicidade da televisão onde a PT usa a música do Hino de Portugal para uma publicidade. Que se saiba o simbolo da nação não pode ser usado para esses fins sob o risco de se estar a entrar num abuso dos símbolos de Estado. Será que a PT por ter capital público é diferente das outras? O que vale é que este não é caso virgem. Também o CDS há uns tempos atrás, no refereno da regionalização retalhou em pedaços uma bandeira de Portugal num outdoor. Quem deixa uma vez tem de deixar todas?
A segunda tem a ver com a campanha presidencial. É expressamente proibido apelar ao voto em pré campanha e até dia 7 estamos em pré campanha. É dado adquirido. Alguém me explica então o que fazem os outdoors de Jerónimo de Sousa na rua com a expressão "VOTA" em local de destaque?
Parece que neste país toda a gente faz o que quer, como quer e onde quer mas eu como cidadão cumpridor pedia apenas uma coisa. Respeitem ao menos a lei. Será que é pedir muito?
Publicado por Troll Urbano às 06:36 PM | Comentários (2)
janeiro 01, 2006
Preocupações da passagem de ano
Por:Isabel Faria
Venho assustada da passagem de ano. E nem mesmo correndo o risco de me considerarem snob ou pseudo qualquer coisa, me coíbo de fazer este post.
Como acontece desde há três anos para cá, quando a minha mãe esteve hospitalizada na passagem de ano, numa fase da doença em que tudo, e tudo era tudo, era possível, tenho procurado cumprir a promessa, então feita, de jantar em família no último dia do ano, esperar que a meia noite chegue e só então partir para locais mais animados, normalmente a casa de amigos. Ontem cumpri a tradição.
Numa mesa cheia de família, pais, mães, filhos, primas, maridos, tias, netos tive o primeiro sinal de alarme. A televisão não saia da TVI. Ainda sem saber no que me estava a meter, tentei dizer se não dava para colocar outra coisa qualquer, mas fui silenciada por um uníssono “U Kê?????” e por catorze olhares fulminantes. Valeu-me, na altura, um toque de joelhos e um “tás maluca, mãe, achas que eles vão mudar isto???”, dito, baixinho, enquanto fingia que me arranjava a gola da camisa
Até à meia noite as conversas mais animadas eram interrompidas para saber o que se passava num quartel qualquer, quem ganhava, quem era filha e marido e marida de quem. Entre o Cavaco e o Jerónimo (nada a fazer, ali…) e o preço da electricidade e as doenças das vizinhas e os gritos e as correrias dos mais pequenos, sempre que a Júlia Pinheiro me entrava pela casa adentro de fita verde atada à cabeça, fazia-se silêncio. Pxiuuuuu. É Agora!!! Não era. Podia-se falar mais um cadinho dos banhos na lama e dos instrutores que até são muita bons (reconheço que esta parte, naquele bocadinho, deu para comprovar, há ali algum pano para mangas…). Depois, caluda que a fita verde ambulante entrava de novo em cena.
Com algum alívio eu e o João Pedro deixámo-los em casa e saímos para casa dos meus amigos.
Só que ao lá chegar e mesmo antes daquela parte da tradição que se faz nos últimos anos, beber uma taça de champanhe fora de horas, fazer uns desejos atrasados, beijinhos e abraços e tás mais gordo e tás de cabelo tão louro, já eu me tinha apercebido que o quartel da casa dos meus primos se tinha transferido de armas e bagagens para casa dos meus amigos. Não sei quantos olhos regalados e mais não sei quantos ouvidos atentos continuavam a seguir as aventuras e as desventuras da fita verde. Continuavam a haver uns pxiuuuus e uns voltares de cabeça nada suspeitos porque completamente às claras…
E é preciso, para entender a minha preocupação, meter os pontos nos iis: naquela casa havia mais de trinta pessoas (mais putos, mais cães e mais gatos), tudo gajario de esquerda que andou a correr atrás dos Pides no 25 de Abril, a gritar pela reforma agrária, assim mais ou menos p'ra frentex, culto qb, que vota sempre à esquerda do PS (confesso que naquele grupo a CDU mantém os mais ou menos 97% das primeiras eleições no concelho…) e aquela gente estava siderada a ver a não sei quantas companhia??!! E não era a ver a não sei quantas companhia, era a contar episódios inteiros da não sei quantas companhia??!! E ouviam de olhos arregalados e com a casa repleta de pxiuuuus uma tipa qualquer que dizia que tinha ficado com muito respeito aos militares que andavam lá fora “ a dar a vida pelo país e a defender Portugal nas operações de Paz…” e ninguém se ria, ninguém se ria às gargalhadas??? E quando eu tentei fazer, nem que fosse uma anedotazinha sobre isso…quase levei com um chouriço em cima , porque aquela que gostava de ver defender o País e mais os repeitadinhos dela, tinha ganho…ganho…óvistes, Zabel, foi ela que ganhou e tu não deixas ouvir?? Queres que te conte???...olha, é assim ela é filha….não sabes…daquele…
Socorro. “Mãe, mas queres mesmo que eu diga que tenho sono?”.
E depois admirem-se de no dia 23 andarem a chorar lágrimas de carneiro mal morto. Desculpem lá amigos mesmo que o pão e o chouriço sejam muita bons e o tinto nos faça esquecer o Cavaco...tenho que vos dizer isto: vocês passaram-se.
PS: Segue Email colectivo para os trinta, os putos, os dois cães e o gato para passarem p'lo Troll. A porra do chouriço tinha ar de ser duro e ainda deve ter sobrado. Mas uma pessoa é amiga e tem o direito de ficar preocupada, pá.
Publicado por Troll Urbano às 06:33 PM | Comentários (5)
dezembro 28, 2005
883 milhões de Euros
Por:Isabel Faria
Este post é um pedido de ajuda. Não entendo nada de economia nem de finanças. Nem de contabilidade. Seja o que for que tenha números, não é comigo.
Por isso, ao ver esta notícia no Publico online, não compreendo nada de racios, de activos líquidos nem de responsabilidades representadas por títulos.
Na minha total ignorância, desta notícia fica-me o valor dos lucros e o último parágrafo.
“Até Junho de 2005 e comparando com um ano antes, o sector bancário em Portugal empregava menos 800 pessoas, totalizando 41.273 funcionários, mas existiam mais 96 balcões, ou seja uma rede de 4061 balcões”.
Para me mostrar menos ignorante, estive a tentar comparar estes números com as despesas para a Saúde e para a Educação, inscritas no Orçamento de Estado de 2006. Desisti. Não devo estar mesmo a ver bem. Rendo-me à minha modesta condição. Escrever umas linhazitas, ainda vá lá...agora números, nem vê-los.
Não vem nesta notícia e, apesar de meter números, eu entendo aquela parte da árvore de natal e da neve no Marquês de Pombal. E a das contribuições eleitorais. Essas escusam de me explicar. Obrigado.
Publicado por Troll Urbano às 11:34 PM | Comentários (6)
dezembro 27, 2005
Dasssssss
Por: Daniel Arruda
Não consigo arranjar comentários apropriados a esta notícia. Uma fatwa proibe que uma pessoa use o seu serviço móvel de telecomunicações para votar num dado programa de televisão.
A religião, ou melhor, o fanatismo religioso leva a isto. E depois esperam que eu fale bem dos líderes religiosos. Não posso. Evidentemente que não posso.
Publicado por Troll Urbano às 02:03 PM | Comentários (2)
2005
Por:Isabel Faria
O final de 2004 e o inicio de 2005 entrou-nos assim pela casa adentro. Pequeninos, impotentes, incrédulos viamos
a força da Natureza

a miséria e a morte

passar em frente aos nossos olhos.
Um ano depois há zonas que foram reconstruídas. Banda Aceh continua à espera. No entanto, mesmo no meio da dor, 2005 tinha sorrisos.
Em Banda Aceh, onde a falta de turismo e a guerrilha e a repressão da guerrilha, adiam a reconstrução ainda se sorria em 2005.

Publicado por Troll Urbano às 12:56 PM
dezembro 25, 2005
Certezas
Por:Isabel Faria

Os telejornais passam os almoços e as ceias de Natal que se vão por aí fazendo, para nos limpar consciências. Antes de as ouvirmos falar e de as vermos olhar-nos, sabemos, não pressentimos, sabemos mesmo, que aquelas pessoas nos vão falar de desemprego, de solidão, de ruas e de frio.
Depois discute-se, ouvindo o Ministro e as Associações de Moradores e, ainda, os vizinhos, se houve negligência na morte das duas crianças de Gaia. Mesmo que tenhamos dificuldade em ouvir, entre os nossos filhos que riem e os nossos familiares que falam, pormenores sobre o acidente mortal, sabemos, não se trata de pressentir, é saber mesmo, que aquelas crianças viviam sem água e sem electricidade, que eram vítimas de negligência e de abandono familiar e que ninguém fez nada…sabemos.
Quando nos dão conta dum incêndio na Alemanha, antes mesmo de ouvirmos o desenrolar da notícia, já sabemos, não, não se trata de pressentir, é saber, mesmo. Sabemos quem serão as vítimas. E quando ouvimos falar em cinco angolanos e num idoso alemão, estas palavras soam-nos familiares. Já as sabíamos.
O problema do Natal é que sabemos tudo, mesmo antes de nos dizerem. Assim, não há Pai Natal que nos possa ajudar.
Publicado por Troll Urbano às 03:51 PM | Comentários (1)
dezembro 24, 2005
Desejos natalicios
Por: The
Altura de festa esta, altura em que a familia se junta ao redor de uma mesa repleta de coisas boas e apetitosas.
Altura do bacalhau, das filhoses, do bolo rei; altura para encher a barriga
Altura de fraternidade, de esquecer aqueles pequenos problemas que nos afligem no dia-a-dia, colocá-los para tràs das costas e dar lugar à diversão na sua mais pura magia junto daqueles de quem gostamos e nos sentimos realmente bem.
Altura em que os nossos filhos desejam a chegada da meia noite para que finalmente possam abrir os tão desejados presentes.
Fico especialmente feliz por o meu filho poder ter tudo aquilo que deseja, por nada lhe faltar.
Fico feliz por ver um sorriso enorme estampado no seu rosto quando abre um presente e verifica que era mesmo aquilo que desejava.
Adoro ver na cara dos familiares aquele sorriso de satisfação por compartlhar esta ocasião comigo.
Sim, fico muito feliz...
Mas entristece-me ao mesmo tempo saber que existem crianças que não têm sequer um pedaço de pão para comer nesta consoada, não vão ter o seu presente, afinal era apenas aquele brinquedo, só aquele...Mas não...não o irão ter.
Sabendo que enquanto escrevi este mail morreram crianças a cada 3 segundos, muitos seres humanos que nunca irão saber o que de belo a vida lhes poderia proporcionar, irei comer o meu bacalhau, irei beber o meu vinho e comer os meus doces, irei dar presentes ao meu filho e aos familiares, mas vou fazê-lo sem o tal sorriso que tanto desejava ter.
Numa altura em que parecemos ter os sentimentos mais a flor da pele, peço que pensem no outro lado da moeda.
Para quando o seu fim?
Publicado por Troll Urbano às 08:10 PM
Umas boas festividades
Por: Daniel Arruda
Hoje já cá não venho mais, ou se calhar sim. Mais lá para a meia noite para ver quem é que é tão viciado que posta a meio da consoada, ou então descobrir quem partilha comigo esse sentimento Anti Natal. Coisas para fazer por causa dessa data que eu nem sequer gosto me obrigam a tal. Diria até que me irrita essa data. Mas o respeito é isto mesmo. Fazer parte desta "festa", que a família gosta e na qual o meu filho delira. Serve para compensar, se é que se compensam estas coisas, outras festividades que dizem menos a outras pessoas mas das quais eu gosto e onde também tenho a companhia de quem gosto. Deixo-vos por isso aqui os meus votos de umas festividades iguais aos vossos desejos, que se divirtam e que amanhã cá estarei para vos melgar mais um pouquito.
Publicado por Troll Urbano às 02:00 PM | Comentários (8)
Na estrada
Por: Daniel Arruda
Ouvi hoje nas notícias que o condutor do autocarro que ontem vitimou 5 italianos na Madeira poderia estar a conduzir sob o efeito do alcool. Adiantava-se o valor de 2,8 miligramas.
Nada disto foi ainda confirmado pelas autoridades, mas, e friso o mas, a ser verdade é um caso sob o qual devemos reflectir.
Quem nunca conduziu com uma gotinha de alcool a mais que atire a 1ª pedra. Eu próprio já fiquei inibido de conduzir 2 meses e paguei 500 Euros por ter acusado 0,96. Depois disso aprendi, mas foi precisa um multa. Hoje penso várias vezes se não tivesse aprendido com a multa será que poderia ter aprendido com um acidente? E se esse acidente tivesse tido consequências para mim ou pior se tivesse de viver anos com um sentimento de culpa de ter feito mal a outro alguém?
Hoje gasto mais dinheiro em taxi, desloco-me de transportes públicos sempre que vou para uma ocasião em que não me inibo de beber um copito a mais. Aliás, não é a mais. È se bebo um copito, pois sou defensor da lei italiana que defende uma taxa de alcolémia de 0,00 ao volante.
O alcool não faz mal se for moderadamente ingerido, como não o fazem outras coisas ilegais em Portugal, mas quando se anda na estrada, com a vida de outros nas mãos, não deveria se permitida a ingestão de nada que nps altere o comportamento. A celebre frase de que a nossa liberdade termina quando a do próximo começa tem todo o sentido aqui.
Todos nós temos culpa deste desleixo nacional do combate ao alcolismo na estrada mas quando vejo avenidas como a 24 de Julho em Lisboa ou outras tantas onde há divertimentos nocturnos, com pessoas que se dirigem a cambalear para os carros e onde não há uma operação de sensibilização por parte da polícia, a não ser que se queira fazer um espectáculo para o circo mediático, penso que o nosso poder tem muito ainda para fazer pois se, como comprovadamente as pessoas não são sensíveis a este problema, alguém tem de tomar as rédeas a este problema.
Publicado por Troll Urbano às 01:45 PM
dezembro 22, 2005
Acidentes de trabalho
Por:Isabel Faria
Acontecem todos os dias. Não me apetece procurar estatísticas. Porque se sabe que acontecem todos os dias. Motivados por incúria, por desleixe ou pela procura do lucro fácil todos os dias são violadas as mais elementares regras de segurança e todos os dias há novos acidentes de trabalho. As empresas recorrem a trabalhadores sem formação, poupam nos meios de segurança e têm a certeza que a Inspeção Geral de Trabalho (creio que mudou de nome…) apenas lá irá aparecer se acontecer um acidente.
Os trabalhadores, por seu lado, continuam a não exigir esses meios e a pensar que só acontece aos outros.
Mas não acontece só aos outros. Hoje, por exemplo, aconteceu a um trabalhador de 46 anos, em Messines. Algumas vezes não se morre. Vezes há em que se fica deficiente para o resto da vida. E há outras, ainda, em que se vai para o seguro e se acaba por recuperar e voltar às empresas. À espera que já não nos volte a calhar a nós.
Destas vezes, em que não ficam marcas muito vísiveis, os trabalhadores lembrar-se-ão no ano seguinte. O Código de Trabalho, que o PS prometeu alterar, não lhes permitirá a majoração dos dias de férias por terem tido um acidente e terem estado ausentes da empresa. Até pode acontecer que a responsabilidade não seja do trabalhador, melhor, a maioria das vezes a responsabilidade não é do trabalhador, mas o que é que isso interessa? Os empresários, esses, não vêem afectados nenhuns dos seus direitos. Mesmo se a responsabilidade for exclusivamente sua. O Código de Trabalho foi feito para eles.
Como era de esperar, hoje, a Inspeção Geral de Trabalho visitou a empresa. A tomar conta da ocorrência.
Publicado por Troll Urbano às 09:06 PM
Para quando Portugal? Para quando?
Por: Daniel Arruda
Elton John não foi o único a casar ontem. Foi um de 1400 pessoas (700 casais) que quiseram marcar o 1º dia de liberdade e de igualdade no Reino Unido. Foi talvez o mais mediático e é bom que assim seja para dar visibilidade às coisas. Para que se veja que falamos de pessoas iguais a todas as outras. Foram homens e mulheres que disseram finalmente somos iguais em direitos e deveres. Há muito quem diga que esta não é uma questão essencial. Não o é certamente no plano dos afectos, do Amor entre as pessoas, mas é uma questão essencial no plano político. É minha convicção que no plano social não há problemas, os problemas são criados pelo poder político e por esse poder refundido que raramente dá a cara que é a Igreja e nesse sentido é no plano político que tal é nesse plano que este combate pela Liberdade se deve tratar.
Jorge Lacão hoje no DN vem dizer que "mais cedo que tarde" mas com "amplo debate" Portugal tem de resolver esta questão, para depois dizer que a recusa da celebração de um acordo marital entre pessoas do mesmo sexo é inconsticional. Para quê o debate então. Cumpra-se a constituição que no seu artigo 13º é clara. As pessoas não podem ser descriminadas pela sua orientação sexual.
Há coisas em que teremos de deixar passar anos para deixar a cauda da Europa, mas noutras podemos estar no pelotão da frente. Na tolerancia e no respeito pelo ser humano. É só isso que é pedido.
Publicado por Troll Urbano às 11:44 AM | Comentários (2)
Um Papa pro Natal
Por: Daniel Arruda
Foto gentilmente roubada ao Renas e Veados
Não resisti a roubar esta foto, até porque há muito tema que não falava do meu tema de elição.
Se a tradição do Natal já há muito tempo que se foi na maioria dos lares, pelo menos no seu sentido religioso, ficámos agora a saber que o Vaticano também já se rendeu á moda do Pai Natal. Supostamente ele fez isto para alertar para os perigos do consumismo, mas, ...... acho que o tiro lhe saiu para a culatra.
Não posso dizer que fique infeliz pois com este papa vai não volta temos pelo menos uma notícia ridícula do estado do Vaticano.
Publicado por Troll Urbano às 12:49 AM | Comentários (11)
dezembro 21, 2005
A nossa família
Por:Isabel Faria
Eles pedem-nos que sejamos razoáveis. Que aceitemos reduções. Que pensemos na empresa. A empresa é a nossa casa. Dizem eles. Pedem-nos que alteremos horários, abdiquemos de princípios, esqueçamos a família, esqueçamos os amigos, a empresa é a nossa família e eles são os nossos amigos.
Eles pedem-nos que trabalhemos horas extraordinárias, que aceitemos ganhar metade do que o nosso companheiro do lado, porque não temos companheiro do lado. Temos a empresa que olha, que zela por nós. Que se preocupa connosco. Eles pedem que assinemos contratos em que não temos direitos. E se nós hesitamos, eles passam ao seguinte e pedem-lhe que assine contratos sem direitos. E ele assina. E, na próxima vez, nós assinamos. E eles esperam, eles pensam que sabem que nós, a seguir, iremos assinar.
Eles fazem-nos festas de Natal, onde nos tratam como amigos e dizem-nos que não é preciso estar com os nossos filhos. Eles são a nossa família. A que interessa. Os nossos filhos podem esperar. Devem esperar. Eles são a nossa família. Olhem as bolinhas vermelhas...não são giras?? E o trabalho que nos deu a decoração da sala...e o dinheiro que se gastou...o que nós gostamos de estar convosco...de vos tratar bem. No Natal.
Eles não nos tratam por trabalhadores. Claro que não. Trabalhadores é um termo do passado. Somos associados. Algumas vezes ainda ousam o colaboradores, mas até isso acabará por cair em desuso. Associados. Este é o termo daquilo que somos na família.
Eles dizem que se não nos portarmos com juízo, se acharmos que o dinheiro que recebemos não chega, se pensarmos que devemos ganhar o mesmo que o nosso companheiro do lado ( e nunca, por nunca ser nos podemos esquecer que para eles nós não podemos ter companheiros...temos sócios, membros da nossa família) que exerce as mesmas funções que nós, ou que o nosso sócio (não, nunca nos podemos esquecer...) que exerce a mesma função que nós deve ganhar o que nós ganhamos, se não mudarmos de horário e não mandarmos a família (qual família? um associado não tem outra família) às urtigas, se nos recusarmos a assinar contratos ilegais, eles, a nossa família, ficam zangados e vão-se embora. Mudam de país. E nós ficamos sem família e sem emprego. Eles acham que nós não podemos viver sem família e que, portanto, acabaremos por aceitar tudo o que eles querem. Depois vêm pessoas de fora da família mas que se preocupam imenso com ela e dizem-nos que somos desobedientes, egoístas, só pensamos em nós, irresponsáveis, quem é que nos manda não pensar no País, no Mundo, no ministro, no Governo, no carro deles e teimarmos em só pensar em nós?
Depois dos ministros e das outras pessoas de fora dizerem isto, eles vão jantar ao restaurante mais caro da cidade, entregam as facturas da comida do cão, mandam as facturas do automóvel novo para o Caixa Geral e os recibos da gasolina que já andam atrasados para qualquer caixa, porque ter trabalhadores polivalentes também tem esta vantagem .Qualquer caixa sabe pagar os recibos da gasolina da última ida ao restaurante mais caro da cidade. Onde eles costumam ir. Às vezes levam a família. A outra. A dos sócios, nesta altura, não entra. Quando muito são capazes de convidar um ou outro ministro. Mas raramente. Eles sabem que não precisam deles. Eles é que precisam de nós, pensam. E não temos paciência para estranhos.
Se, por um mero acaso, algum desses nossos parentes, desses nossos associados lesse este post iria chamá-lo de demagógico. Eles quando fazem Festas de Natal é para ter a nossa companhia...agora isto. Que horror!! Demagogia. Pura e simples.
Eles também procurariam se algum, por um mero acaso, lesse este post, uma palavra. Eles gostariam de dizer que não estamos a ser...eles só querem o nosso bem e nós somos...a palavra não lhes sai. Têm destas coisas as palavras. À custa de não serem ditas, morrem. Eles nunca se lembrariam da palavra Justiça...se, por um mero acaso, alguma vez lessem este post. Morreu. De morte natural. Por falta de uso.
Publicado por Troll Urbano às 01:29 AM | Comentários (7)
dezembro 20, 2005
d'zert
Por: Daniel Arruda
A esta hora estão vocês a pensar:
Este gajo tá parvo ou que?!?!?!?!?
Uma foto dos d'zert?!?!?!?
Pois é meus amigos. Pois é. Acho que estou a libertar fantasmas da noite de ontem pois aquilo que vivi foi surreal. Ainda hoje folheei os jornais para ver se aquilo tinha acontecido mesmo. Bem, mas o melhor mesmo é explicar.
Estava eu descansado da vida quando o meu telemóvel toca. Nada de anormal. Um dos meus melhores amigos que é também o padrinho do meu filho.
Oiço do outro lado:
-Queres vir ao concerto hoje?
-Qual concerto?
-Dos d'zert, hoje no Atlantico. Tenho aqui dois bilhetes para ti e para o André.
Bem, nesta altura devo dizer que o meu filho também sofre desta mania que assolou os miúdos. Gostarem desta boys band e eu tenho andado a adiar ver esta coisa ao vivo. Mas desta vez resolvi aceitar e lá me fiz ao caminho mais o meu filho para ir ao Pavilhão Atlantico ver uma coisa que dá pelo nome de "sobremesa". Fui com algum receio pois o meu nino tem 6 anos e eu pensava que como o espectáculo era ás 21 horas que ele fosse demasiado novo para aquelas coisas. Logo aí foi a minha 1ª surpresa. Ele nem sequer era dos mais novos, havia lá mais pequenos que ele. Aliás se não contarmos com os pais que acompanhavam as crianças a média de idades deveria rondar os 11 ou 12 anos.
Quanto ao "concerto", se é que aquilo se pode chamar assim, foi, bem, enfim, como hei-de dizer, bem, vocês sabem, assim como, mais ou menos isso , estão a perceber? 2 Horas de espectáculo divididas em 25 min de filmes da banda no "Video Wall" 50 min de "yeah", "tá-se bem", "uau" e outras banalidades vindas do palco e 45 min de "música" ou lá como se chama aquela coisa feita por um gajo que canta e três que enfim, não têm grandes dotes vocais para ser honesto.
Mas os miúdos adoraram, estavam estéricos especialmente as miúdas que se já tivessem idade para usar porta mamas de certeza que os teriam atirado para o palco. Mas devo dizer que os tipos, os da banda, são honestos. Têm perfeita noção de qual o seu público e fazem um espectáculo para essa faixa etária. Só para se ter uma ideia cantaram para terminar um grande clássico intitulado " a todos um bom natal" e o pavilhão entrou em "histeria". Não os condeno. Pelos vistos há público para isto, a julgar pelas cerca de 12.000 pessoas que estavam no pavilhão, só não compreendo uma coisa. Porque queremos fazer os miúdos precoces. Sem querer parecer velho ou moralista, no meu tempo de chavalo este espectáculo era para uma matiné e não para se iniciar ás 21 Horas e terminar depois das 23.
Mas no fim de contas valeu a pena. O André estava hiper feliz, excitadissimo com tudo isto, e viu a sua banda favorita, como ele diz. Só por isso já valeu a pena a ida e a dor de costas de aguentar com o miúdo às cavalitas durante aquele tempo todo.
Publicado por Troll Urbano às 10:13 AM | Comentários (22)
dezembro 19, 2005
Acabei de banir uma palavra do meu léxico
Por: Daniel Arruda
Ontem vi pouca televisão, porque não estive em casa. Estive a tratar da engorda. Natal a quanto obrigas, mas mesmo assim ainda deu para ver um pouquito à noitinha. Depois de um habitula "zapping" fiquei num dos canais do costume, o "Discovery" onde estava a dar uma reportagem sobre o tempo, sobre a nossa velocidade no tempo e o que isso afectou o espaço envolvente (quero ver se volto a este tema um dia destes). Diga-se que era uma belissima reportagem. Como entretanto já eram duas da manhã resolvi ficar à espera mais um pouco para ouvir o discurso do Bush anunciado para aquela hora. E espantem-se. O discurso do Bush á nação, americana entenda-se, deixou-me esclarecido, e estarrecido também. Eu fiquei com uma certeza. Eu nunca mais vou chamar demagogo a ninguém em Portugal. É que mesmo aqueles a quem eu chamava demagogos ficam a léguas de distância do que eu ouvi ontem.
Só um exemplo: Acredito que estamos no bom caminho quando um pai que recebe a morte do seu filho, o segundo nestas circunstancias, e me diz que tem orgulho no seu filho e na causa pela qual morreu"
No bom caminho para quê?!?!?!?!?!
Por isso tomei uma decisão. Nunca mais vou usar esta palavra, demagógico, demagogo ou qualquer outra variação com nenhum dos "opinion mackers" de Portugal e com nenhum político. Se um dia tiver de o fazer será certamente num contexto em que eu queira mesmo ofender o meu oponente.
Eu não tinha o hábito de ouvir os discursos de Bush mas de há uns tempos para cá tem me despertado o interesse quanto mais não seja até onde vai esta forma cultural de um país. Não sei como os Norte Americanos suportam este tipo de discurso, vazio de qualquer conteudo, cheio de demagogia, a versão "fast food" dos discursos políticos. A antitese dos discursos de Jorge Sampaio. Será que este tipo de discurso é adaptado á capacidade intelectual da maioria da população? Aquela que não sabe onde fica a Europa e acha que o Irão é uma ilha no Indico?
Eu penso que deveria ser um caso de estudo por quem entende destas coisas. Penso que os resultados seriam interessantes.
Publicado por Troll Urbano às 09:30 AM
dezembro 15, 2005
Irra que são estúpidos
Por: Daniel Arruda
Estava renitente em colocar esta posta mas um comentário do nosso amigo Sizandro deu-me o motivo que eu procurava. Quando virem as imagem reparem na localização dos países no mapa e se puderem de tanto rir oiçam as respostas dos inquiridos.
Isto é o que se chama a estupidez em estado bruto.
Publicado por Troll Urbano às 08:57 PM | Comentários (1)
Filosofia e Português
Por:Isabel Faria
Andava há algum tempo para fazer um post sobre este assunto.
Recebi esta manhã a intervençãoo de João Teiexeira Lopes na Assembleia da República. Melhor do que eu o diria, seguramente...aqui fica:
...
Sabemos, agora, que o Governo decidiu dar uma machadada impiedosa na formação dos alunos que se candidatam ao Ensino Superior suprimindo os exames de Português e de Filosofia.
É toda uma mentalidade que se vai revelando. O pensamento único, a dominação dita pragmática, a tecnocracia sem alma e sem coração. A mesma que vê nos rankings a revelação do sistema educativo, reduzindo-o a um mercado, promovendo a competição cega em torno dos resultados escolares, favorecendo as práticas cada vez mais frequentes – embora informais ou clandestinas – de selecção social dos alunos pelas escolas, recusando os que provêm, por exemplo, dos bairros ditos «problemáticos» ou dos que possuem necessidades educativas especiais. Ou, ainda, fabricando turmas de excelência expurgadas da «escumalha», dos «resíduos», do «lixo escolar».
Os exames nunca foram Alfa e Ómega da educação. Não acreditamos no fétichismo dos exames – a transformação, por magia, de um bárbaro num sabedor, após o acto «sagrado» de passar no exame. Sempre defendemos modalidades diversificadas de avaliação dos alunos: avaliação contínua, em laboratório ou oficina.
Mas a desvalorização do português e da filosofia é toda uma ideologia. É a consagração de um saber e de um saber-fazer que despreza duas das fundamentais matrizes da formação humanista e científica. Direi mesmo: da formação ética, da maneira como vemos e organizamos a realidade. O padrão, agora, é uma mesquinha racionalidade técnico-científica. Racionalidade pequenina, apoucada, mutilada. A língua materna é a pátria – sem fronteiras, sem exclusivismos, aberta à mestiçagem e à contínua (re)invenção. A Filosofia é o pensamento crítico e divergente, a reflexão, a ontologia, o ser e o estar no mundo. Que pessoas formamos, então? Cidadãos e cidadãs unidimensionais? Cómodos, resignados, conformados? Vergados à razão instrumental? Domesticados?
Não merecemos esta «educação». Acima de tudo, não merecemos este Governo. Um Governo que aceita um modelo de desenvolvimento e de qualificação rente ao chão de um país que desiste do ensino superior, que desiste da língua portuguesa, que desiste do saber pensar.
Publicado por Troll Urbano às 11:59 AM | Comentários (2)
dezembro 14, 2005
Um belissímo Blog
Por: Daniel Arruda
Foto gentilmente roubada ao a-sul
Esta fotografia serve de pretexto para matar dois coelhos de uma cajadada só. Já há algum tempo que andava para fazer referência a este blog, o A-SUL, um blog ambientalista da margem sul do Tejo. Não sei quem o escreve mas é certo que o faz bem, aliás, muito bem. Tem por vezes uma posições políticas com as quais não concordo a 100% mas,.... a democracia é bonita por ser mesmo assim, e prestam um grande serviço à nossa terra. Espero que continuem por mais tempo.
O 2º coelho é a posta que lhes roubei. Calculo que seja uma imagem do Google Earth e refere-se a Vale Fetal no concelho de Almada. Está fantástica.
Dêm lá um salto, mesmo que não sejam da Outra Banda, não me acredito que nas vossas terras seja assim tão diferente. Para mim que sou activista no Seixal esta visita é obrigatória, se não diária, pelo menos muitas vezes.
Publicado por Troll Urbano às 11:28 PM | Comentários (2)
Albarda-se o Burro à vontade do dono
Por: Daniel Arruda
A questão dos simbolos religiosos nas igrejas ainda vai dando que falar. Ontem foi dia do Bispo do Algarve ir fazer uma visita a uma escola do Algarve para contar a história da sua vida e perguntar a alguns alunos se nunca tinham pensado em ser padres. Pelos vistos, ou pelo que se lê aqui, a audiência não ficou muito entusiasmada, mas segundo as palavras do Bispo, fica lá sempre algo, afinal "isto quase foi uma homilia", diz o bispo, possivelmente com um ar sorridente. Afinal quem não teria um ar assim depois de ir fazer um comício a uma escola pública? Acho que vou dizer aos meus camaradas de partido para pedirem autorização àquela escola para fazer lá dentro, nas salas de aula, em plena hora de aula, uma sessão de esclarecimento da candidatura de Francisco Louçã.
Eu vejo entre este tipo de "recrutamento" e aquele usado pelas forças armadas pouca diferença. Sempre pensei que as questões religiosas tinham a ver com crenças e não com uma motivação pasível de "recrutamento". Pensamento parecido com este tem o porta voz da Associação de Pais, que condena (OH!!!, tamanha heresia!!!!!) este acto do bispo.
Mas este porta voz tem uma frase que parece quase que é resposta a uma provocação do Bispo quando este diz que a remoção de um crucifixo de uma escola, "não deve ser feita sem ouvir os pais.". DIz então o porta voz da Ass. de Pais, "os símbolos religiosos não fazem sentido das escolas, estão lá a mais." Se queria a opinião dos pais, então aí a tem. Mas se não bastasse esta comunicação conjunta, ainda poderia ver aqui o exemplo de uma pai que há 3 anos e após sucessivos pedidos continua à espera que retirem o crucifixo da sala de aula.
Mas o porta voz da conferência episcopal já não tem esta ideia. Diz este senhor que não são os pais que decidem. É a comunidade escolar. Pode ser que assim a ideia da cruz na sala tenha mais adeptos.
Em suma, tudo vale para que o fundamentalismo vença a razão e a lei. Ou como diz o porta voz da conferência episcopal até se admitiam que possam "coexistir símbolos de diferentes crenças na mesma escola, num sinal de tolerância". Assim do género, até porque fica bem. Estou mesmo a ver as paredes das salas forradas com simbolos de tudo o que é religião e seita em Portugal. As salas de aula iam ficar parecidas com as salas de troféus dos clubes, cheinhas de galhardetes.
Viva a liberdade religiosa. Viva o estado católico. Viva o santo papa, viva a madalena e todas as madalenas do mundo.
Publicado por Troll Urbano às 05:01 PM | Comentários (3)
A minha janela
Por:Isabel Faria
Abro os taipais de madeira. Está uma manhã linda. Fria e linda. Daquelas manhãs de Inverno em que nos apetecia gritar que gostamos de viver. Antes que alguém ainda não tenha dado por isso... Em frente à minha casa há árvores com folhas que nunca caem. Ano, após ano resistem ao frio, à chuva, ao Outono e ao Inverno. Na Primavera ficam, apenas, mais verdes. Ou eu imagino-as mais verdes? Não sei.
Digo adeus ao João Pedro da janela, o Bono ronrona nas minhas pernas, está calor aqui em casa e lá fora parece que a cidade acorda. Conheço estes carros, conheço as pessoas que passam, conheço o "meu" arrumador.
Não sei quando aprendi a não conseguir passar sem sentir-me em casa. Mas sei que esta rua, as pessoas que passam e que já conheço sem nunca falar, a vizinha de baixo que estende a roupa no arame que fica no passeio e que nos obriga a desviar das camisas de dormir e dos lençóis, o sino do portão da vivenda da esquina, a da empregada de avental e coisinha na cabeça, são a minha casa. Quando descer as escadas vou espreitar o rio. Agora, só posso mesmo espreitar o rio. Uma árvore de Natal enorme quase me tapa a outra margem e apenas me deixa vislumbrar uns rastos de azul. A maior da Europa, ou do mundo, sei lá, diz a publicifdade.
Lentamente vira a esquina. Vem embrulhado no cobertor que no fim-de-semana me pediu. Não tem quase força para andar. Diz à vizinha dos lençóis que tem que andar para aguentar o frio. Demora tempos infinitos a percorrer o espaço que o deveria levar a ver o Tejo. Não sei se repara no Tejo. Não sei se a árvore de Natal, a maior da Europa ou do mundo, sei lá, o deixa ver o Tejo. Não pode parar por causa do frio. O cobertor tolhe-lhe os passos. O cobertor?
Quando, finalmente, desaparece na esquina da rua, volto para dentro. Falta sempre alguma coisa para nos sentirmos, efectivamente, em casa. O tempo ensinou-me. A ponta do cobertor que demora a desaparecer na esquina, apenas serve para confirmar o tempo.
Não me posso esquecer de tentar ver o rio. Se a maior árvore de Natal da Europa, ou do mundo sei lá, o permitir.
Talvez quando aqui voltar a passar, ele que não pode parar por causa do frio, consiga espreitar o Tejo.
Publicado por Troll Urbano às 08:35 AM | Comentários (19)
dezembro 13, 2005
Prostituição
Por: Daniel Arruda
Jerónimo de Sousa trouxe ao debate presidencial um novo tema. A prostituição. Em boa hora pois penso que já vai sendo altura de se resolver esta questão. Não tenho nesta, como não tenho noutras, uma posição coincidente com Jerónomo de Sousa. Sou claramente favorável à legalização da prostituição como profissão por motivos que já aqui diversas vezes referi. Aliás, soube à pouco tempo que também diversas associações de mulheres defendem a "profissionalização" desta actividade. Acho que esta não é uma questão partidária, até porque acredito que dividirá todos os partidos com exepção do CDS, mas penso que a discussão e a tomada de posição dos diversos candidatos é necessária numa questão de sociedade, de saúde, de dignidade de milhares de mulheres, mas também homens que se dedicam a esta actividade.
Já sei o que pensam dois dos candidatos sobre este tema mas gostava de saber o que pensam os outros. Se calhar é altura de termos uma presidência aberta sobre este tema, que abra os olhos às pessoas, para que estas vejam que seres humanos não podem continuar a ser tratados como mercadoria, vendidas em mercados paralelos, desprovidas das mais elementares liberdades e dos mais elementares direitos.
Publicado por Troll Urbano às 11:29 AM
dezembro 12, 2005
E ainda perguntam porquê?
Por: Daniel Arruda
Publicado por Troll Urbano às 12:17 PM | Comentários (4)
dezembro 11, 2005
Cadê o Renas???
Por:Isabel Faria
O que é que aconteceu ao Renas e Veados?
Desde esta manhã que está assim.
Nós somos engraçados. O que nos custa passar sem os nossos hábitos! Alguém sabe onde anda o Renas?
Publicado por Troll Urbano às 07:39 PM | Comentários (10)
dezembro 08, 2005
Todos diferentes, todos iguais
Por: Daniel Arruda
Não podia deixar de fazer aqui neste mui nobre espaço uma referência a um encontro que vai decorrer esta 6ª Feira e Sábado e Organizado pelo GUE/NGL (Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica – Grupo do Parlamento Europeu) e promovido pelo Bloco de Esquerda, na torre do Tombo em Lisboa.
Acho que esta iniciativa não podia ser mais actual.
Para veres o programa completo clica aqui.
Publicado por Troll Urbano às 07:37 PM | Comentários (1)
Uma hora
Por:Isabel Faria
Desde que publiquei aqui o post sobre o John Lennon (às 11.54horas), hoje, como todos os outros dias, em Portugal, catorze pessoas ficaram sem emprego.Todas têm nome. E rosto.

Publicado por Troll Urbano às 01:06 PM | Comentários (8)
dezembro 07, 2005
É Natal?
Por:Isabel Faria
Chegam à procura de vidas. De vida. De pão. De sonhos. Vem uma jovem adolescente com quinze anos, grávida de gémeos. Com um bébé. Que tragédias farão uma jovem adolescente, grávida e com uma bébé deixar a sua casa, o seu País, o seu mundo?
Num pré-fabricado, sem assistência médica, sem luz, com uma casa de banho para dez, mulheres, homens, uma menina de ano e meio, vão perdendo todos os sonhos. Um a um. Durante dias a fio. Ontem, por trás de grades falaram às Televisões. Hoje foram notícia nos jornais.Quando voltarem, quando os enviarem (triste palavra, esta, para falar de pessoas) para os lugares donde partiram à procura de vida, já , possivelmente, não terão televisões.
Passa-se aqui ao lado. A quinze dias do Natal. Em 2005. Como dizia o A.Pacheco ali em baixo e nós? Fazemos, dizemos o quê? Tens razão, A.Pacheco. Não temos o direito de perder tempo com quem e com o que não merece. Sob pena de perdermos o direito de nos olharmos ao espelho.
Publicado por Troll Urbano às 11:41 AM | Comentários (1)
dezembro 06, 2005
Sempre a abrir
Por: Daniel Arruda
Podia ser uma resposta, podia mas não é, porque nunca o poderia ser a uma pessoa só e se fosse resposta teria um destinatário específico. Não tem nem pretende ter.
Quem me conhece sabe que sou de picos. Sou de euforias, muitas, e de depressões, felizmente poucas. Não conheço a palavra meio termo. Não a quero conhecer. A vida é demasiado curta para ser vivida em lume brando.
Apenas concebo uma forma de amizade, a que tem paixão, se não a tem não faz sentido falar em amizade, fala-se de conhecimentos. Como todas as paixões não se demonstram, sentem-se e cada um sente-as à sua maneira, da sua forma particular e única. Afinal o que é a beleza da paixão e do Homem. A sua unicidade. Eu não sou igual a ninguém tal como tu, tu, ou até tu não és igual a nenhum outro ser e não sentes e não demonstras da mesma forma.
Há quem diga que tudo para mim é política e ideologia. Sem dúvida. Uma ideologia de vida, que me leva a todas as outras ideologias e por consseguinte à política, no sentido grego do termo, da sociedade, da vida. Sou de Esquerda, pois claro, que outra forma poderia ser. Com paixão, com respeito pelo próximo, vivendo com e no espaço do outro, pois só assim seremos um construido de muitos uns, uma sociedade única feita de seres únicos. Eu e tu fazemos um. Eu e tu, outro tu, também fazemos um, da mesma forma que inevitavelmente nós, a soma dos diversos uns fazemos também um só.
Confuso???? Talvez, para mim é claro. A vida é uma linha recta, sempre a abrir. Se curvas aparecerem apenas vamos ter de as endireitar.
Publicado por Troll Urbano às 11:39 AM | Comentários (7)
dezembro 05, 2005
Mais um
Por: Daniel Arruda
Não podia passar esta data em claro. Entra hoje em vigor no Reino Unido a lei que permite o casamento, ou o contrato civil, como preferirem, entre pessoas do mesmo sexo. Foram precisos 3 anos desde que a Rainha de Inglaterra anunciou esta medida no seu discurso de Ano Novo, mas mais vale tarde que nunca.
É mais um passo para a cidadania plena de todos os cidadãos. Um motivo de regozijo para todos aqueles que vêm a sociadade como um conjunto de seres iguais, plenos de direitos e deveres.
Vale sempre a pena lutar.
Publicado por Troll Urbano às 04:26 PM | Comentários (7)
Jogos de palavras
Por: Daniel Arruda
"Nunca se deve esquecer que, dada a impossibilidade lógica de demonstrar a inexistência de Deus, o ateísmo é apenas a crença de que Deus não existe."
João César da Neves, in DN
Adoro jogos de palavras e este é particularmente feliz porque com o pequeno prefixo "in" César da Neves coloca todo o ónus da prova do outro lado da barreira. Porque será apenas impossibilidade lógica a demonstração da inexistência de Deus e não o será a existência de Deus. Para um ateu a questão é exactamente essa. A mim nunca ninguém me provou a existência de Deus e por isso é que não acredito.
Será que devo ser eu que nunca me tendo sido provado a existência de tal sujeito que me devo preocupar em refutar uma coisa que nunca me foi apresentada? Não me parece. Apenas consigo refutar algo que já tenha sido apresentado.
Por exemplo, alguém contesta a existência do Monstro de Loch Ness? Não. Pela simples razão que não há evidências que ele exista. O que há é pessoas a tentarem provar a sua existência. Os jogos de palavras fazem parte da vida em sociedade e como tal devem ser abordados. Este achei-o feliz, porque está bem feito, sublime como um jogo destes deve ser. E porque do outro lado se espera sempre que estes jogos sejam entendidos, porque senão não tinham piada, espero que João César das Neves esteja contente. Porque não pregou aos peixes.
Publicado por Troll Urbano às 12:57 PM | Comentários (2)
dezembro 01, 2005
Petição da ILGA
Por:Isabel Faria
A ILGA faz circular uma petição pelo Direito ao casamento civil de pessoas do mesmo sexo.
Há algumas coisas sobre as quais não sei escrever de tão óbvias que me (a)parecem. Esta é uma delas. Não sei discutir o direito ao casamento civil dos homossexuais. Ou dos heterossexuais.Talvez conseguisse discutir o Direito à Adopção de crianças por casais homossexuais. Ou heterossexuais. Porque implica terceiros. O casamento, não sei. Não tenho nada a ver com isso. Nem a Justiça. Nem a Lei. Que se quer universal e igual para todos. Que a Constituição da República Portuguesa impôe que seja igual para todos.
Lamento que sejam necessárias petições para se legsilar sobre o Direito ao Respeito. Pelas pessoas e pela Constituição. Mas, assim é. Aqui fica.Pela Justiça. E pela Igualdade. Apenas.
Publicado por Troll Urbano às 11:45 PM | Comentários (4)
Dia 1 de Dezembro
Por:Isabel Faria
Não se pode dizer que fossemos amigos. Crescemos de cada lado da rua. Ele era mais velho e, fora dos sítio onde habitávamos, raramente os nossos caminhos se cruzavam. Era enorme. Forte e alto. Sempre foi o rapaz e, depois, o homem maior da rua.
Quando saí de casa dos meus pais, recordo que ele me perguntou porquê tanta pressa de viver. Creio que não lhe soube explicar.
Com o decorrer do tempo, continuámo-nos a ver regularmente. Apesar de se ter casado, continuou a viver do outro lado da rua. Nos primeiros anos do João Pedro, enquanto ele estava em casa dos meus pais, eu ia lá muitas vezes. Folgava durante a semana e encontrávamo-nos sempre para o café na Pastelaria em frente ao Infantário. Mais do que enquanto vivemos em frente um do outro viamo-nos e falávamos, agora.
Um dia, disse-me que andava adoentado. Tinha que ir fazer umas análises. O médico tinha insistido para serem urgentes. Ele que não fazia análises há “décadas”.
Nunca soube o resultado das análises. O JP veio para Lisboa e deixamo-nos de ver tanto.
“Filha sabes que o M, está muito doente?”.
Não sabia.
Nas vésperas de Natal fui lá a casa pela última vez. “Lembras-te quando diazias que eu parecia um tomate, Isabelita? Olha agora…”.Tentámos falar. Nunca tentou explicar. Creio que nem entender. Antes de sair disse-me que continuava sem compreender. A minha pressa. Prometi-lhe que um dia ainda lhe havia de conseguir explicar.
À janela do meu quarto, vejo-o sair no carro da mulher para ir para o hospital. Lembro, apenas, dessa manhã fria, o espaço, o inacreditável espaço que ele, deitado, ocupava no banco de trás. O maior homem da rua.
Morreu na véspera de Natal. Não tive tempo de lhe explicar a pressa. Mas, no fundo, creio que ele estava a brincar quando disse que nunca a entendera.
Tinha 46 anos. Fazia seguramente parte das estatísticas. Destas que não têm, para nós, nomes.
Hoje é dia 1 de Dezembro. Dia Mundial da Sida. Não são importantes os dias. Eu sei. São as pessoas. O M. Tinha nome.
Publicado por Troll Urbano às 10:39 AM | Comentários (9)
novembro 29, 2005
Paris - III
Por:Isabel Faria
Umas notas e perguntas finais:
Em Evry, junto ao Supermercado onde costumávamos fazer compras, há, agora, um café. Estava completamente cheio, no Domingo de manhã. Só com homens. Que faziam, pereceu-me, apostas de cavalos, jogavam no totoloto local e bebiam. Aí, sentada na cadeira do canto a tomar o meu “Café au lait”, olhando e ouvindo, tive quase a certeza que a grande maioria, senão a totalidade, daqueles homens não eram “franceses”. Mas todos falavam francês, mesmo entre si. Na mesa ao lado, 11 e tal da manhã, os três homens sentados, pediam uma nova rodada de conhaque. Para mim, pode ser, agora, também um café, dizia um. E continuaram a falar de cavalos. De futebol e de apostas. Nem ali, menos de uma semana depois de Paris 2005, durante a quase meia hora que durou o café com leite, a torrada e o pastel de nata ouvi o que quer que fosse sobre o que se acabara de passar. E todos falavam francês e eu entendo bem francês.
Parece que o que passou ficou mais uma vez arredado não só do centro da cidade como da luz do dia. Afogados no álcool que os afasta do frio, aqueles homens, uma grande parte jovens, devem semanalmente encontrar-se naquele local. Para se sentirem menos sós, num País que não é o deles, talvez, mas já não para falarem em qualquer outro, que já não será nunca o deles, também. À frente do cálice redondo, falavam de apostas. Sem sotaque. Estava-se em plena luz dum dia frio, a poucos quilómetros de Paris.
À saída, perguntei a um deles que deixava também o café, onde ficava a estação. Explicou-me e perguntou-me de que parte da França era. Disse-lhe que era portuguesa. Disse-me que havia muitos no café. Perguntei-lhe se ele era português e a resposta foi “Não, não. Eu não”. Era moreno, de cabelo curto, algo encaracolado. Não sei se a resposta foi só evasiva. Não me disse de onde era. Porque não sabia?
Perguntas:
A quase ausência de magrebinos no centro da cidade, significa, de facto, que a deixaram de habitar? Num estudo recente falava-se que bastava um apelido com conotações do Norte de África, para que pessoas com as mesmas habilitações fossem preteridas nas entrevistas para novos empregos. Ou significa que os descendentes de pais magrebinos que andam agora em Paris, à custa duma aculturação que se tornou imposição de e para sobrevivência, adoptaram os mesmos gestos, a mesma roupa, o mesmo look que os seus conterrâneos, “genuínos”?
A ausência de ouvir falar português em Paris, significa que também os portugueses, com excepção dos períodos de “vacanças” se tornaram “franceses” ou que também eles foram afastados do centro de Paris? Não me passou despercebido o desaparecimento dos bidonvilles de há trinta e tal anos, no caminho para Évry. É nos prédios altos e sem cor que vejo em seu lugar que habitam agora os portugueses ou deixaram estes para os seus vizinhos do Sul e mudaram-se, como transmitem as nossas televisões, para “maisons” feitas a seu lado, mas suficientemente longe para não se confundirem (misturarem)?
O café , cheio às 11 horas de Domingo, é um sinal da aculturação ou um refúgio da não integração?
O cheiro intenso a álcool, do café escuro de Évry, na manhã fria de Domingo passado, é a uma visão algo comtemporânea dos clochards de Paris, tão épica e romanticamente descrita nas maiores obras literárias ou a forma de descobrir calor na ausência de raízes?
Precisaria de muito mais tempo em França. Ou, pelo menos, que os meus fantasmas me tivessem dado um pouco mais de descanso…
Publicado por Troll Urbano às 08:20 AM | Comentários (4)
novembro 27, 2005
Símbolos
Por:Isabel Faria
O Ministério de Educação deu indicações para serem retirados os crucifixos das escolas públicas.
Mas porque razão, senão esquecimento e algum desleixo, ainda havia crucifixos nas escolas públicas?
O Ministério limitou-se a cumprir o seu dever.
Não me parece que se deva perder muito tempo a pensar se a sua presença é anti-constitucional e ilegal. Parece-me claro e óbvio.Para além de que é desnecessária e ilógica. Somos um estado laico e não há presença de outras religiões nas escolas públicas portuguesas. Não há ninguém que se torne católico ou que deixe de o ser por haver um crucifixo em cima do quadro.
O CDS parece querer que se pergunte à "envolvente" (termo sugestivo este), a sua opinião. Assim tipo: concorda que Portugal seja um Estado laico? Concorda que seja permitido o uso de burka nas escolas públicas? Acha que se deve usar o crucifixo do lado direito, do lado esquerdo ou ao centro dos outros simbolos religiosos das outras religiões existentes em Portugal? Em caso de "envolventes" não "confessionais" pode-se colocar a fotografia do Che, por exemplo? Sei lá, aquela da bóina?
As minhas desculpas. Não estou a brincar com a fé de ninguém. Nem com as tradições do povo portugués. Ou a sua cultura. Pobre de quem precisar de um símbolo religioso à frente dos olhos para ter fé. Ou de quem não a tenha por não ter um crucifixo ou nunca ter visto uma burka. Triste povo que precise que o lembrem das suas tradições e da sua cultura.
Não me sinto nada incomodada com um crucifixo. Nem com uma burka. Nem com a estrela do Che. Nem sequer com o facto de, para mim, terem o mesmo significado simbólico, se bem que a estrela do Che, muito maior significado afectivo. Acho, apenas, que o Ministério, cumpre a lei e a Constituição ao não os colocar nas salas de aula ou noutros serviços públicos. E acho que os Ministérios e os Governos têm que cumprir os seus deveres e cumprir as leis. Constituição, incluída.
Publicado por Troll Urbano às 06:13 PM | Comentários (7)
Jet set, Jet lag ou Jet da ignorancia e estupidez?!!!
Por: The
Deixo aqui um texto da autoria de Nuno Markl, um pouco extenso é certo, mas que merece sem duvida uma reflexão profunda em todos os aspectos.
15/11/2005: DE GUTENBERG A PIMPINHA
Por Nuno Markl
Johannes Gensfleisch Zur Laden Zum Gutenberg. Nascido em 1398.
Presume-se que tenha falecido a 3 de Fevereiro de 1468. Um operário metalúrgico e inventor alemão, a quem se deve, na década de 1440, a invenção da imprensa.
O poder da criação de Gutenberg seria demonstrado em 1455, ano em que o inventor editaria a famosa Bíblia em
dois volumes.
Sim, a Bíblia de Gutenberg tornou-se num marco notável na História das palavras impressas.
Até ao passado fim-de-semana.
No passado fim-de-semana, o semanário português O INDEPENDENTE publicou, discretamente, no seu suplemento VIDA, uma coluna de opinião da autoria de Catarina Jardim. Quem é Catarina Jardim? Nada mais, nada menos do que a popular Pimpinha Jardim. Que fica desde já a ganhar a Gutenberg neste ponto, Gutenberg não tinha nenhum nome de mimo.
Ele era capaz de gostar de ter um nome de mimo, não deve ser fácil ser Johannes Gensfleisch ZurLaden Zum Gutenberg, mas creio que ainda não era muito comum, na Alemanha do século XV, atribuirem-se nomes de mimo. Muita sorte se alguma das namoradas lhe chamou alguma vez JOGU, o único diminutivo aceitável de Johannes Gutenberg.
E mesmo assim não é muito aceitável, porque soa demasiado próximo a iogurte, e isso é uma indústria completamente diferente daquela na qual Gutenberg se movia.
Voltemos então a Catarina Jardim e à sua coluna no jornal.
O título do artigo é TODOS A BORDO, e trata-se, como o nome indica, de um relato detalhado sobre um cruzeiro a África que a jovem fez.
Ela diz, no início "O cruzeiro a África foi uma loucura, pode mesmo dizer-se que foi o cruzeiro das festas, como alguns dos convidados chamavam ao navio em que Luís Evaristo nos presenteou com MAIS UM BeOne on Board". Gosto da maneira como ela fala, sem explicações nem perdas de tempo, de pessoas e iniciativas sobre as quais boa parte dos leitores não faz a mínima ideia quem sejam ou no que consistem.
Nada contra, isto faz com que qualquer leitor se sinta cúmplice e rapidamente imerso no universo Pimpinha. Adiante.
Ficamos a saber que ela esteve em Tânger, e que a experiência foi, possivelmente a mais marcante da vida desta jovem.
Passo a ler o que ela escreve:
"Tânger é bastante feia, muito suja e as pessoas têm um aspecto assustador."
Nunca fui a Tânger, mas já fui a sítios parecidos e subscrevo inteiramente as palavras de Pimpinha. Malditas pessoas pobres, que só estragam o nosso planeta com a sua sujidade e o seu ar assustador!
É preciso ser-se mesmo ruim para se escolher ser pobre, quando se pode ser tão limpo e bonito. Quando se pode ser, em suma, rico.
Eu penso que a Pimpinha acertou em cheio na raiz de todos os problemas mundiais da pobreza. Andam entidades a partir a cabeça em todo o mundo a pensar nisto, andou a Princesa Diana a gastar tantas solas de sapatos caros a visitar hospitais, capaz de apanhar uma doença, quando nós temos a Pimpinha com a solução. Se calhar basta lavar estas pessoas, e talvez, acompanhem-me neste raciocínio; Pimpinha vai ficar orgulhosa de mim, se calhar basta lavar estas pessoas, e em vez de gastar rios de dinheiro a mandar comida para África, porque não os Médicos Sem Fronteiras passarem a andar munidos de botox. Botox!
Reparem: não é fazer cirurgias plásticas a toda esta gente feia que vive nestes países, porque isso seria demais.
Mas, que diabo - botox? Vão-me dizer que não é possível ir de vez emquando a estes sítios e dar botox a estas pobres almas?
Como o mundo ficaria mais bonito.
Adiante.
Pimpinha desabafa, dizendo, sobre as pessoas de Marrocos, "apesar de já ter viajado muito, nunca tinha visto uma cultura assim, e sendo eu loura, não me senti nada segura ou confortável na cidade".
Talvez. Mas vamos supor que trocavam Pimpinha por, vamos supor, 10 mil camelos. Era um bom negócio para o Independente.
Dos 10 mil, escolhia, vamos lá, 2 para passar a escrever a coluna, o que poderia trazer melhorias significativas de qualidade, e ainda ficava com 9 mil 998.
O que, tendo em conta que Portugal está a ficar um deserto, pode vir a revelar-se um investimento de futuro.
Pimpinha prossegue:
"Já em segurança, animou-me a festa marroquina, com toda a gente trajada a rigor".
Suponho que, para a Pimpinha Jardim, "uma festa marroquina com toda a gente trajada a rigor", tenha sido assim tipo uma festa de Halloween, tendo em conta que os marroquinos são, como a colunista diz umas linhas acima, "gente feia como nunca se viu".
Adiante. Ela diz:
"A seguir ao jantar, mais um festão que voltou a acabar de madrugada".
Calma, esclareçam-me só neste aspecto, para eu não me perder. Portanto, houve uma festa, não é? E a seguir, outra festa. OK.
Uma pessoa corre o risco de se perder nestes cruzeiros, com toda esta variedade de coisas que acontecem.
Diz Pimpinha:
"Desta vez não deu mesmo para dormir já que fomos expulsos dos camarotes às 9 da manhã, para só conseguirmos sair do navio lá para as 14 horas.
Tudo porque um marroquino se infiltrara no barco e passara uma noite em grande, uma quebra inadmissível na
segurança".
Ora bom. Ora bom, ora bom, ora bom, ora bom.
Portanto, aqui a questão é: viagens a Marrocos e festas com pessoas vestidas de marroquinos, tudo bem. Agora, se pudessem NÃO ESTAR LÁ os marroquinos, isso é que era jeitoso.
Malditos marroquinos, sempre com a mania de estarem em Marrocos.
E como é que acontece esta quebra de segurança? Eu compreendo o drama de Pimpinha. É que o facto da segurança deixar entrar um estafermo marroquino vestido de marroquino, numa festa com gente bonita vestida de marroquina, isso só vem provar que, se calhar, os amigos da Pimpinha não são assim tão mais bonitos do que essa gente feia de Marrocos. E isso é coisa para deixar uma pessoa deprimida.
Temos nós a nossa visão do mundo tão certinha e de repente aparece um marroquino e uma brecha na segurança... Enfim, nada que uma ida às compras não resolva, ao chegar a Lisboa, certo, Pimpinha?
Adiante. Diz Pimpinha:
"Já cá fora esperava-nos um grupo de policias com cães, para se certificarem de que ninguém vinha carregado de
mercadorias ilegais, e não sei como é que, depois de tantos avisos da organização, ainda houve quem fosse apanhado com droga na mala!"
DROGA? NUMA FESTA DO JET SET PORTUGUÊS? NÃO! COMO? NÃO. Recuso-me a acreditar. Deve ter sido confusão, Pimpinha. Era oregãos. Era especiarias.
Pimpinha Jardim declara: "Mas o saldo foi bastante positivo. Aliás, devia haver mais gente a arriscar fazer eventos como estes".
Gosto desta Pimpinha interventiva. Sim senhor, diga tudo o que tem a dizer. Faça estremecer o mundo. E com assuntos que valham a pena.
Aliás, era capaz de ser uma boa ideia escrever um e-mail ao Bob Geldof a tentar fazê-lo ver que essa história de organizar concertos para combater a pobreza em África... Para quê? Geldof devia começar era a organizar concertos para chamar a atenção do mundo para a falta de cruzeiros com festas. Isso é que era. Mania das prioridades trocadas.
Que maçada.
Mesmo no final, a colunista remata dizendo: "Devia haver mais gente a arriscar fazer eventos como estes, já estamos todos fartos dos lançamentos, "cocktails" e festas em terra".
Aprecio aqui duas coisas: a utilização do "já estamos todos", como se Pimpinha voltasse a acolher o leitor no seu regaço como que dizendo:
"Sim, tu és dos meus e também estás farto de lançamentos, 'cocktails' e festas em terra. Excepto se fores
marroquino, leitor.
Se for esse o caso, por favor, exclui-te deste 'todos' ou então vai tomar banho antes, e logo se vê".
Depois, é refrescante saber que Pimpinha está farta de lançamentos, 'cocktails' e festas. Eu julgava que nos últimos dias a tinha visto em cerca de 250 revistas em lançamentos, 'cocktails' e festas, mas devia ser outra pessoa. Só pode ser. Confusões minhas.
Em suma: finalmente, há outra vez uma razão para ler O INDEPENDENTE todas as semanas. Tardou, mas não falhou. Pimpinha Jardim é a melhor aquisição que um jornal já fez em toda a História da Imprensa mundial.
Nuno Markl
Nuno, estiveste simplesmente magistral.
Publicado por Troll Urbano às 12:42 PM | Comentários (6)
Paris - I
Por:Isabel Faria
Comecei a fazer umas notas sobre o que vi em França. Mas não sei escrever pouco. Sou exagerada em tudo. Nada a fazer. Serão, portanto, arbitrariamente divididas, até porque aqui, no Troll, ainda não aprendi, a fazer um post com entrada alargada (Zoingo!!! Tás aí????). Ficarão assim divididos por três posts, em três dias. Para não apanharem uma overdose de França.
Anos 70
Recordo uma mescla enorme de gentes e de cores. Saída duma pequena vila ribatejana para a cidade Luz, sem nunca ter posto um pé em Lisboa, as pessoas que se amontoavam nas entradas dos monumentos e dos museus, ou nas entradas e nas plataformas do metropolitano, eram um mundo. Desconhecido. Gigante. Mas nunca, o recordo, assustador.
Novembro de 2005
A mescla de gente tornou-se a de todas as cidades. Muitos japoneses. Alguns espanhóis, italianos. Ouve-se falar inglês, mas não me parecem tão grandes a aglomerações nas entradas dos monumentos ou nas plataformas do metro. Ouço, sobretudo, falar francês. Se parar e olhar melhor, apesar da mesma língua, continua a haver cores de pele diferentes e variadas. Mas parece que os sotaques se perderam. Na manhã de Domingo, as estações do Metro por onde passei, estavam tão vazias que, sem querer e, sobretudo, depois da experiência matinal na validação dos bilhetes, dava comigo a, desconfiadamente, olhar em volta e a procurar "companhia"
Por todo o lado via norte africanos, com ar ocidentalizado, mas cujos sotaque e tez não enganavam. Sempre juntos e sempre barulhentos eram uma imagem dos comboios suburbanos que me levavam, nos finais de cada Domingo, a Évry, mas também das estações e das carruagens do metropolitano em pleno centro da cidade.
Não vejo quase ninguém no centro da cidade com tez da África do Norte. As mulheres que encontro (muito poucas) usam agora burka e há, desta vez, muitos mais africanos da África Negra, do que os que me recordo ver então. Com os anos e explicando o que se acaba de passar em Paris, parece claro que os imigrantes magrebinos e os seus descendentes foram definitivamente expulsos do centro da cidade.
Nos bancos do Jardin des Plantes ou nas carruagens do Metro, na entrada de Nôtre Dame, nas ruas de Corbeil ou saindo do comboio perto dos bidonvilles de Villeneuve St George, voltava, cada minuto a sentir-me em casa. Chocada, ouvia uma linguagem a que os meus pais nunca me habituaram. Mas reconfortada, voltava ao meu mundo.
Nunca ouvi falar português em Paris, durante a minha estadia, a não ser no Hotel de luxo onde, por razões profissionais, me encontrava. Olhar cada um que por nós passa e tentar encontrar a fisionomia dos nossos conterrâneos, tornou-se tarefa complicada. Ou porque já lá estão há muito tempo ou porque os filhos e netos de portugueses à custa da língua sem sotaque e da roupa sempre igual tornaram difícil descortinar a sensação de voltar a casa que, então, me enchia os dias.
Publicado por Troll Urbano às 12:39 PM | Comentários (5)
novembro 26, 2005
Alzheimer
Por: The
Porque o Troll Urbano tambem presta serviço publico.
"Não sei se estas dicas funcionam mesmo contra o bandido alemão, ALZHEIMER , mas não custa fazer os exercícios propostos, o hemisfério direito do cérebro vai agradecer."
Ginástica para o cérebro:
Trocar de mão para escovar os dentes é bom para o cérebro.
O simples gesto de trocar de mão para escovar os dentes, contrariando a rotina e obrigando à estimulação do cérebro, é uma nova técnica para melhorar a concentração, treinando a criatividade e a inteligência e, assim, realizando um exercício de NEURÓBICA.
Uma descoberta dentro da Neurociência, vem revelar que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão das suas conexões.
Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que a NEURÓBICA, a "aeróbica dos neurónios", é uma nova forma de exercício cerebral projectada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de actividades dos neurónios do seu cérebro.
Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso: limitam o cérebro.
Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercício "cerebrais" que fazem as pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na tarefa.
O desafio da NEURÓBICA é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional.
Tente fazer um teste:
- Use o relógio de pulso no braço contrário.
- Escove os dentes com a mão contrária da de costume.
- Ande pela casa de trás para frente. Ouve quem visse o pessoal na China a fazer isso num parque.
- Vista-se de olhos fechados.
- Estimule o paladar, coma coisas diferentes.
- Veja fotos de cabeça para baixo.
- Veja as horas num espelho.
- Mude de caminho para ir para o trabalho.
A proposta é mudar o comportamento rotineiro.
Tente, invente, faça alguma coisa diferente e estimule o seu cérebro.
Publicado por Troll Urbano às 09:58 PM | Comentários (2)
novembro 25, 2005
Uma boa prenda de Natal
Por: Daniel Arruda

Não podia passar sem vos falar desta iniciativa. Para quem não sabe o que oferecer no Natal pode sempre oferecer este livro que faz o dois em um no que ao espirito natalício, seja lá isso o que for, e ao espirito consumista esse sim bem conhecido.
Venho falar-vos de um livro de receitas para crianças muito engraçado, que acabou de ser editado através da editora Sopa de Letras, pela Acreditar - Associação de Pais e Amigos das Crianças com Cancro. Vai estar à venda
directamente na Acreditar (R. Prof.Lima Basto nº 73 em frente do IPO) ou nas livrarias. Não deixem de o comprar para oferecer aos vossos filhos, sobrinhos, afilhados, primos, e amigos....e ao mesmo tempo ajudarem uma boa causa.
Publicado por Troll Urbano às 01:03 PM | Comentários (1)
Ainda Miki Fehér
Por: The
Nem um tostão por Miki Fehér. Este é o titulo de artigo no jornal Record algo que eu já julgava resolvido, pelos vistos o nome do Miki continua a dar que falar.
Era suposto o SLB pagar uma indeminização ao FCP pela suposta formação, o tribunal decidiu o contrário.
Mas a verdadeira causa para este post prende-se com um comentário feito por Alexandre Carreira nesse mesmo artigo que diz o seguinte:
"É por causa deste tipo de processos... perdidos à nascença mas que se colocam nos tribunais em nome do ódio que as pessoas têm pelos outros, que a justiça portuguesa está entupida!!!"
Tenho de concordar com ele.
Publicado por Troll Urbano às 12:57 PM | Comentários (2)
novembro 17, 2005
O meu Portugal
Por: The
Nobre país este que continua com seres humanos a fazerem de um lar uma simples e gélida viéla ou uma qualquer escada de um qualquer prédio, nobre país este que despreza as suas crianças e que as abandona e deixa a sua sorte, indefesas e aterrorizadas obrigadas a viver num constante sobresalto que as leva ao mundo do crime e da prostituição.
Nobre país este que a classe politica ano após ano continua a sofregar o mais nobre direito de um cidadão ao simples serviço de saude, que força os seus idosos, com 20, 30 ou mesmo 40 anos de trabalho a receber tão infima compensação por tantos anos de esforço e dedicação a um qualquer emprego.
Nobre país este que ignora completamente todos os direitos por mais elementares que seja aos seus cidadãos, e que ainda assim têm orgulho em ser Português.
Publicado por Troll Urbano às 06:41 PM
Será que se podem amar lugares?
Por: Daniel Arruda
Acho que há alturas em que devemos dizer as coisas. Quando leio a Isabel a falar sobre si e sobre Paris, ao que isso lhe diz, às recordações que isso lhe traz, aos sonhos que mantem, às recordações que ficaram e aos anseios que a povoam, lembro-me sempre de uma frase de um amigo que dizia que se ama lugares como se ama pessoas, que se tem saudades, incertezas, vontades e desejos para com os lugares como se tem para as pessoas. Porque o Amor não é físico, o que é fisico é a atracção. O amor é mental e por isso mesmo inexplicável.
Esse meu amigo e eu temos muitas coisas em comum e elegemos uma canção que explicava para nós o amor a uma cidade. Como tinha de ser era uma canção de Amor, para ele de Amor a Paris, para mim um amor dividido, ainda hoje entre Paris, Lisboa e Praga. Sim, eu sei, sou trígamo, mas não me importo. Não sei se interessa quem a canta, mas para quem se interessa por isso fica o reparo que é da Monica Naranjo e chama-se "Empiezo a Recordarte". Espero que não se importem por não ter feito a tradução de castelhano para Português.
Un adiós se llevó
los años más felices de mi vida
dejándome el alma triste y fría
volviendo a la soledad
y a pensar como estarás.
No te puedo olvidar
tu ausencia es algo que me tiene herida
la noche es larga y mi cuerpo extraña
el amarte otra vez
como ya lo hice ayer.
Hoy sin tí
empiezo a recordarte
empiezo a lamentarme
como ya lo hice ayer
como ya lo hice ayer.
Ya no puedo reir
no sabes cuantos días te he llorado
al no tenerte más entre mis brazos
ni besar tu boca más
y ni sentir tu fuego ya.
Y es que no se vivir así
tú lo eras todo para mí
anhelo verte
para hablarte de todo
quiero llamarte
y susurrar
te quiero!
como yo te quise ayer
como ya lo hice ayer.
Hoy sin tí
empiezo a recordarte
empiezo a lamentarme
como ya lo hice ayer
como ya lo hice ayer
......volveré....
Publicado por Troll Urbano às 05:12 PM | Comentários (9)
Mulher
Por:Isabel Faria
Normalmente ainda fazemos o jantar. E ainda passamos a ferro. Ainda vamos às compras e nos consultórios dos pediatras continuamos em maioria. Ainda somos as mais mal pagas nas empresas. Ainda nos perguntam se pensamos engravidar. E olham para nós com olhar desconfiado se dizemos que não. Ainda lhes temos que contar as nossas vidas. Algumas vezes ainda temos que levar com comentários sem graça de gente que acha que o dinheiro lhes dá graça. Ainda nos arriscamos a ir parar ao Tribunal se acharmos que não temos condições para ter um filho nem dinheiro para ir a Espanha resolver o problema. Para muitas de nós as oito horas de trabalho diário é uma história que se houve contar que parece que se passou na América ou terá sido em Inglaterra? Não temos tempo de pensar nisso, porque temos o bebé a chorar ou o mais velho a pedir ajuda para os trabalhos. Claro que também somos mais de metade dos desempregados em Portugal. Entre os 70 novos desempregados que se inscrevem, por dia, nos Centros de desemprego, quarenta são mulheres.
Normalmente, ainda sentimos que nos falta percorrer um caminho enorme. O problema é ter força para isso, quando chegamos estafadas ao fim da noite. Por isso e porque temos o curso para acabar e temos que ser as melhores, pois só assim poderemos competir com os nossos colegas homens no ingresso ao mercado de trabalho, temos os filhos para tratar e não temos onde os deixar, temos horas extras para fazer porque, para que não nos perguntem se vamos engravidar, assinamos contratos sem horários e sem direitos, somos os que menos participamos nas actividades cívicas e políticas.
Ontem à noite, enquanto jantava, vi uma reportagem feita a seguir ao 25 de Abril sobre a igualdade de direitos das mulheres. Porque estava no restaurante não pude ver com muita atenção. Mas fiquei com a sensação que, já na altura, nestas reportagens, falta sempre falar de vidas. E com o sabor amargo que têm as coisas inacabadas..
Publicado por Troll Urbano às 04:07 PM | Comentários (9)
novembro 14, 2005
Grande notícia
Por:Isabel Faria
Mesmo sem muito tempo não posso deixar passar em branco. O salário mínimo nacional vai aumentar O.37€ por dia. Isso mesmo, este número quer dizer 37 cêntimos. Isto dá, mais ou menos, para beber mais dois terços de bica por dia (creio eu, que não sou nada boa a matemática), ou seja 11.20€ por mês, o que é capaz de dar duas caixitazitas de bife iguais às que eu comprei ontem no Pingo Doce. Portanto, quem recebe o salário mínimo ou come bife mais duas vezes por mês e abdica do terço da biquita ou bebe o terço da biquita e não come mais os dois bifes por mês.
Hoje só tenho grandes notícias para vos dar. Não precisam de agradecer. Agradeçam ao Sócrates.
Publicado por Troll Urbano às 04:55 PM | Comentários (2)
novembro 12, 2005
Que a Kate nos ajude...
Por:Isabel Faria

(Não é o meu disco dela preferido, mas curto a capa...)
Calculo que hoje ninguém vá ter muito tempo para escrever posts, aqui no Troll (pois não, Daniel?), por isso, antes de sair de casa decidi dar uma volta pelos jornais on-line e procurar uma notícia ou outra digna de realce.
Encontrei que vão ser apresentados os estudos económicos sobre o aeroporto da Ota, o que me parece lógico, tendo em conta que já foi decidido fazer o aeroporto da Ota e o pobrezinho fica muito mais descansado com estudos a acompanhar; encontrei uma sondagem para as Presidenciais, que dá Soares à frente de Alegre, que não me agrada nada mas me parece normal depois do Manifesto e da entrevista à TVI (e foi feita antes do dia de ontem…) e que dá Cavaco vencedor à primeira volta, o que me alerta para os meses de malucos que aí vêm até Janeiro e o trabalho que há a fazer; descobri que um estudo feito não sei aonde concluiu que as alterações da dieta tornam as aves menos inteligentes, o que tendo em conta os McDonald’s é bem capaz de explicar o Bush; descobri, finalmente, assim como para me dar força para o dia que me espera, que, após 12 anos de silêncio, Kate Bush regressa com um novo disco – Aerial. É por estas coisas que vale a pena a gente resistir às sondagens e aos estudos económicos depois das decisões tomadas. Tenham um bom Sábado, que eu vou zarpar.
Publicado por Troll Urbano às 10:12 AM | Comentários (14)
novembro 11, 2005
Os nossos dias
Por: Daniel Arruda
Há dias em que acordamos assim .......
.......... pensamos que o dia vai ser assim ......
........... e depois descobrimos que afinal foi assim ........
...... mas temos a certeza que o dia seguinte será .........
Não vale a pena stressar com o dia de amanhã se não conseguimos viver o dia de hoje.
Publicado por Troll Urbano às 02:24 PM | Comentários (7)
novembro 09, 2005
Mais uma publicidade fantástica
Por: Daniel Arruda
Já há muito tempo que não falava aqui em publicidade. Hoje chegou via mail mais uma daquelas que merece ser aplaudida. Acho que ninguém fica indiferente a ela ainda mais porque se trata efectivamente de um problema e sobre o qual as pessoas ainda têm alguns preconceitos
A meu ver é exelente e por isso cá vai a publicação.
Publicado por Troll Urbano às 02:01 PM | Comentários (1)
Homofobia em Gaia
Por: Daniel Arruda
Fui alertado para este tema pelo nosso amigo lobo hoje ao almoço e estava convicto que ele não iria deixar passar esta oportunidade para escrever sobre a homofobia pelo que estava descansado, mas dado que este tema passou ao lado do Troll vou eu chamá-lo aqui.
Parece que há uma escola onde os beijos são proibidos, especialmente se forem entre pessoas do mesmo sexo. Eu só pergunto. Voltámos ao tempo da outra senhora ou o que continua a haver é gente parva num meio que devia servir para educar as nossas crianças?
Publicado por Troll Urbano às 12:57 AM | Comentários (53)
A explosão dos subúrbios
Por: Daniel Aruda
O texto que a seguir podem ler não é meu. É do meu amigo e camarada Alberto Matos e foi publicado na Rádio Pax de Beja. Não resisti a roubar-lhe as ideias, mas pelo menos pedi autorização.
É nestas alturas que eu gostava de ter jeito para escrever, para não ter inveja de quem explana bem as ideias.
Há duas semanas que os subúrbios de Paris ? les banlieues ? pegaram fogo, após a morte de dois jovens, electrocutados num transformador da EDF no bairro de Clichy-sous-Bois, quando tentavam escapar a um controlo policial. Parece incompreensível tanto desespero: para quê enfrentar uma morte quase certa, só para fugir a uma rusga, entre tantas outras que integram o quotidiano destes bairros? Um terceiro jovem, sobrevivente ao choque de 20 mil volts, afirmou ainda no hospital que se tinham escondido naquele local porque estavam a ser "perseguidos pela polícia". Por sua vez, o Procurador François Mollins declarou que "não houve nenhuma perseguição policial" e também que "nenhum dos adolescentes tinha cadastro nem era delinquente". Então, de que fugiam eles?
Este breve retrato mostra o desespero e a violência latente nos banlieues de Paris e não só, já que o incêndio alastrou a outras grandes cidades, como Lyon, Bordéus e Marselha; ontem surgiram ecos de confrontos em Bruxelas e na Alemanha, sendo possível a sua extensão a outros países europeus. Um mal-estar profundo ressalta de toda esta situação, que ninguém sabe onde irá desembocar. Segundo alguns jovens, insuportável não é só a violência mas, sobretudo, as humilhações e insultos sofridos nas barreiras policiais que se comportam como forças de ocupação em território inimigo ? uma variante do conceito de ?superesquadras? que, há uns dez anos atrás, o ministro Dias Loureiro quis implantar como modelo policial do cavaquismo.
Para os mentores neoliberalismo, refugiados nas suas cidadelas, o modelo social e urbanístico é exactamente este: condomínios privados para ricos, protegidos por exércitos mais ou menos privados, cercados de vastos ?territórios bárbaros? ? os banlieues ? onde mora ?o inimigo?. Estes devem ser submetidos pelas forças de ocupação: a polícia e, se esta não chegar, o exército!
Não foi por lapso linguístico que o execrável ministro Sarkozy classificou de ?escumalha? os jovens que protagonizaram o início da revolta, jogando gasolina na fogueira. Não se tratou sequer de uma provocação gratuita (que deveria ter originado a sua imediata demissão), mas de uma manobra articulada para impor o estado de sítio aos bairros onde mora ? a escumalha? ? não apenas os jovens mas todos os outros: imigrantes de pele mais ou menos escura, operários e trabalhadores de diversas profissões, relegados para esse submundo sobre o qual os poderosos erigem as suas fortunas.
Não é por acaso que o ministro do Interior, Sarkozy, ressuscitou uma lei de 1955 que possibilita às autarquias decretar o recolher obrigatório, provocando os municípios da oposição (PS e PC) que dominam a grande Paris a assumirem essa medida; e, caso estes não o façam, ganhando argumentos para que seja o governo a decretar o estado de sítio, já exigido pelo fascista Le Pen. Sarkozy, que se apresenta na extrema-direita do bloco governamental como candidato à sucessão de Chirac, procura ocupar também o espaço de Le Pen (na linha de Bush e dos neoconservadores norte-americanos) e não hesita em atear um incêndio destas proporções para atingir os seus objectivos mesquinhos.
É sintomático que esta revolta alastre bem no coração do império europeu, quando este tenta desesperadamente controlar as suas fronteiras em Ceuta e Melilla, nas Canárias ou em Lampedusa. Afinal ?o perigo? não vem de fora, ele está cá dentro e exprime-se através de cidadãos franceses e europeus da segunda e terceira gerações de imigrantes (e não só), relegados para um gueto social. Estamos a falar de cidades como Clichy-sous-Bois, com uma taxa de desemprego de 20% que, em certos bairros, atinge os 50% e com uma média etária inferior a 25 anos, onde convivem 36 etnias diferentes, encravadas numa área sem metro, nem estação ferroviária, nem sequer uma estrada nacional? e com um orçamento municipal de miséria. ?Aqui não há o sonho americano, nem sequer o francês!?, diz o supervisor de um ginásio que conhece bem os jovens rebeldes.
Mais uma vez, Sarkozy insultou os pobres ao afirmar, com ar paternalista: ?os imigrantes devem fazer um esforço para aprender o francês?. Como denunciou o activista Christian Ruffail, há muito que as organizações sociais trabalham nos bairros, sem esperar pelo governo para promover a alfabetização e um leque de actividades de inclusão social. O governo é que corta drasticamente as verbas para o trabalho social e agora quer enfrentar os problemas ainda com mais pólvora!
Por isso mesmo, em vez de seguirmos os tambores da guerra social de Sarkozy e Le Pen, o caminho para enfrentar a crise francesa e europeia é: ?Todos juntos contra o Governo e o neoliberalismo?!
Publicado por Troll Urbano às 12:48 AM | Comentários (8)
novembro 07, 2005
As escravas do sexo
Por: Daniel Arruda
Estou quase a acabar de ler este livro, que é um estudo sobre a prostituição na Ásia, da Louise Brown, uma professora de estudos asiáticos na universidade de Birmingham. Não é um livro bom nem mau, é cruel. É frio. Porque desmistifica a ideia que nós, no ocidente, temos da Tailandia e de que esta é uma indústria montada para os turistas ocidentais. Nada de mais errado. É, em 1º lugar, uma gigantesca indústria montada para o comércio interno.
Um livro a ler quando se está muito bem disposto e sem preocupações em perder a boa disposição.
Publicado por Troll Urbano às 09:25 PM
Um esclarecimento
Por: Daniel Arruda
Depois da minha última posta fiquei com a dúvida se as pessoas entendiam mesmo o que eu quero dizer ou se por outro lado há uma confusão de conceitos. Eu, Daniel Arruda sou ateu e defendo um estado laico, por uma questão de respeito para com os outros que não partilham da minha opinião religiosa.
De modo a que não apareçam dúvidas deixo aqui a definição de Ateu e Laico, retiradas de um dicionário. Como podem ver por esta definição, eu não defendo o ateismo para a sociedade. Um estado Laico deve é garantir isenção perante todas as ordens, tratar todas por igual e manter as mesmas afastadas de todo o processo legislativo e executivo
Ateu: aquele que nega a existência de Deus; incrédulo;
Laico: leigo; secular; não religioso.
Espero ter dissipado todas as duvidas.
Publicado por Troll Urbano às 10:14 AM | Comentários (4)
Uma reflexão incompleta
Por: Daniel Arruda
Hoje estive mais interessado noutras coisas que na leitura dos jornais. Já devem ter reparado pelo meu afastamento do blog durante todo o dia de hoje, mas agora à noitinha com a família já toda deitada não resisti a vir ver ao menos os artigos de opinião.
Encontarm-se sempre algumas pérolas, especialmente nas edições de domingo. Aquela a que vou fazer referência é de um tal de Diogo Aurélio (desconheço quem seja, mas também não posso conhecer toda a gente) e que escreve sobre a laicicidade do estado em contraponto com os estados religiosos islâmicos. O texto do dito colunista tem toda a razão de ser e é correcto na análise que faz, mas comete novamente o mesmo erro que tantos outros ocidentais cometem. Focaliza-se única e exclusivamente na religião islamica, o que é um erro, a meu ver. Refere por exemplo o caso de uma caricatura de Maomé que foi proibida na Dinamarca mas esquece-se que de outra religião, foram banidos os anúncios da empresa Renova, que retratavam a última ceia. Isto passou-se em França
Ora, o pensamento seria correcto se nós na Europa tivéssemos realmente estados laicos o que sendo correcto na teoria não o é no papel. Veja-se o exemplo Português e só para citar um exemplo flagrante. Guterres nunca conseguiu ser na prática o que era em teoria. Um 1º Minístro laico. Outro exemplo concreto de como a Europa não consegue ser laica é a discussão do preâmbulo da defunta constituição europeia que apesar de afirmar a sua laicicidade tinha referências à religião dominante na Europa.
Se por um lado se condena os lobbys ao ponto de se fazerem leis para os combater não percebo como se acha normal que o lobby religioso na Europa, ou mesmo nos EUA, seja tão forte e tão capaz de gerar favorecimentos tais que se fecha sobre si mesmo. Esta é aquela discussão que a meu ver nunca se teve, pois sempre se empurrou para o outro lado o ônus da culpa, mas que se deveria ter para que não se transforme o mundo, como se quer, no lado dos bons e dos maus.
Publicado por Troll Urbano às 12:31 AM | Comentários (14)
novembro 04, 2005
Lisboa/Paris - 2005
Por:Isabel Faria

Durante os dias que durou a campanha para as Autarquias, muitas vezes, depois de visitar alguns bairros de Lisboa, chegava a casa com esta certeza: um dia bastará um rastilho, seja ele qual for.
Quando olhava e via olhares sem brilho, quando falava e sentia raiva, desencanto ou uma indiferença que doía, quando sorria e me retribuiam com um esgar de desconfiança, entendia que se vive, ali, num barril de pólvora.
Fechados em ghetos, isolados do resto do mundo, com prédios cinzentos, sujos e a cheirar a humidade, sem elevadores nem campainhas a funcionar, sem espaços de laser, com crianças que corriam nas ruas porque não tinham “vontade” de aturar a professora, possivelmente sem fome de comida mas em que se sentia em todos os gestos e em todas as palavras uma sede enorme de esperança, as pessoas que, ao longo daqueles dias, fui encontrando, são, à nossa medida, a imagem dos arrebaldes de Paris, onde há oito noites se verificam confrontos com a Polícia.
Relembro o programa de Sá Fernandes para Lisboa. Não se podem substituir as barracas por ghetos. Não se podem construir lugares onde as pessoas apenas tenham lugares para morar. Tem que se criar espaços onde as pessoas vivam. A raiva incontida, a violência, o desespero destes últimos dias em Paris, dever-nos-iam ensinar alguma coisa. Mas os nossos Governos, os Partidos que se vão alternando e perpetuando no Poder, o neo-liberalismo, aqui e no resto da Europa, não têm tempo nem vontade política para se preocuparem com barris de pólvora. Quando eles se incendeiam enviam as Polícias de choque. E seguem os seus caminhos. Os Pactos de Estabilidade não podem esperar.
Publicado por Troll Urbano às 02:01 PM | Comentários (1)
novembro 02, 2005
"Proximizade"
Proximidade e mão amiga. "Proximizade", feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê.
Aqui, já está a acontecer.
Publicado por Troll Urbano às 07:50 PM | Comentários (19)
Crianças
Por:Isabel Faria

Eles trabalham. Eles morrem na Guerra. Eles são armados e são usados para perpetrar ataques suícidas. Eles não têm tempo de brincar. Nem de viver. Nem de rir. E nós sentimo-nos impotentes. E tristes de tanta impotênncia.
Publicado por Troll Urbano às 09:20 AM | Comentários (4)
novembro 01, 2005
Duzentos e cinquenta anos
Por:Isabel Faria

Dia 1 de Novembro, 250 anos depois do terramoto de 1755, o Público notícia que Lisboa ainda não possui uma carta de risco sísmico. Leio a notícia e vejo nela descrita a minha Lisboa. Sei que a natureza tem um poder que se nos sobrepõe. Recordo apenas o último ano na Indonésia ou nos EUA. Mas em 2005, quando as viagens a Marte nos mostram outros mundos, não assusta apenas, sobretudo, revolta-nos que uma carta de riscos sísmicos da cidade nunca tenha sido feito. Afinal, só temos esta. É a nossa cidade. O Tejo está mesmo ali, as placas tectónicas estão mesmo aqui...não poderiamos, parar um pouco e arranjar tempo para pensar que não acontece só aos outros? E pensar o que fazer se nos acontecer a nós? Porque nos sobra tempo e dinheiro para tanta coisa e nos falta tempo e vontade para subir a Av. da Liberdade, espreitar o Terreiro do Paço, passar pelo Parque das Nações, descer a Calçada de Santana, chegar à Praça do Chile e pensar que não é a cidade perfeita mas que é a nossa cidade?
Publicado por Troll Urbano às 11:39 AM | Comentários (3)
outubro 29, 2005
Anúncio censurado
Por:Isabel Faria
No site de Bloco de Esquerda encontrei este anúncio da MTV, censurado nos Estados Unidos. Aqui fica. Para pensarmos no seu conteúdo e nos determos um pouco no que significa a sua proíbição.
Publicado por Troll Urbano às 08:00 PM | Comentários (2)
outubro 27, 2005
Afinal os Espanhois são sensatos
Por: Daniel Arruda
Esta sondagem deixou-me estupefacto e satisfeito ao mesmo tempo.
75% dos espanhois acham que os carros deveriam estar equipados com limitadores de velocidade.
Parece que afinal a difereça entre Espanha e Portugal é maior do que a que se pensava. Especialmente ao nível das mentalidades.
Publicado por Troll Urbano às 01:55 PM | Comentários (2)
outubro 26, 2005
BD na Amadora
Por:Isabel Faria

Está a decorrer até ao dia 6 de Novembro, a 16ª edição do Festival de Banda Desenhada da Amadora.
Este ano, o tema central do Festival é o sonho. Oportunidade para comemmorar o centenário do nascimento de Little Nemo, de Windsor McCay, cuja primeira tira foi publicada a 15 de Outubro de 1905.
O menino que foi convidado a viajar até ao País dos Sonhos está agora à nossa espera, aqui ao lado, na Falagueira.
Com ou sem Memo, há 15 anos que o Festival de Banda Desenhada da Amadora, nos convida a nós a viajar na Fantasia. Não me perece que seja boa ideia não aceitar convite.
Publicado por Troll Urbano às 11:02 AM | Comentários (4)
outubro 24, 2005
O racismo e a gripe das aves
Por: Daniel Arruda
Desculpem brincar com isto mas a notícia dada assim até parece brincadeira. Se por um lado um papagaio de Londres está com gripe, mesmo que a sua nacionalidade seja do Suriname, foi também descoberto que o pato sueco apenas tinha gripe moderada, isto para não falar do cisne croata que está em fase de autópsia.
Se virmos um cisne Sueco ou um pato Inglês a passear por Portugal não vale a pena preocuparmo-nos. Nem que seja um papagaio Croata. A distinção agora não é pala família das aves, não. É mesmo pela raça e nacionalidade do bicho.
Amanhã, calculo eu, que a notícia seja a migração ilegal das aves para dentro do espaço europeu e as dificuldades que os 25 estão a ter para combater este fenómeno. Possívelmente vão prendé-los e largá-los algures no deserto de maneira a que as aves morram à fome e à sede.
Publicado por Troll Urbano às 08:54 AM | Comentários (3)
outubro 20, 2005
A mentira venceu
Por: Daniel Arruda
Era o desfecho que não se queria, mas que apenas pode ser imputado a uma entidade. Àqueles que não quiseram que a transparência vencesse. Àqueles que preferem continuar a viver na sombra e no nevoeiro esperando que tal sirva para tolher a visão daqueles que tenham uma posição crítica.
Esta situação não se queria porque assim a dúvida pairará para sempre. Nenhum parecer foi emitido a dar ou a tirar razão a quem pretendia ver a verdade reposta. Ou foram erros processuais ou então interpretações da lei, no que a prazos diz respeito. Afinal, retardar a publicação das actas sempre dá resultado e é mais uma nuvem que ficará para sempre.
Ao contrário do que uns pensam, não há aqui nenhum motivo de regozijo por esta situação. Há apenas a tristeza de saber que, mais uma vez, como tantas outras, a verdade vai ficar esquecida, algures no tempo.
Há uma particularidade que distingue uns seres humanos dos outros. Há quem não consiga adormecer quando tem a consciência pesada fazendo por isso tudo para estarem de bem com a sua consciência, outros há, no entanto, que indiferentes a tudo continuam a distribuir sorrisos e abraços como se nada fosse. Há quem lhe chame escrúpulos. Eu não me atreveria a tanto. Há quem, indiferente a tudo, continue a julgar que tem o rei na barriga, que quer o poder, porque o poder lhe dá o que nunca poderia ter tido de outra forma. Status social, fortuna, propriedades,..... A reforma dourada é o sonho, mas dentro do dourado porque se há-de ter o mais esbatido se podemos ter um dourado brilhante puro de 16 Quilates?
Amanhã, 6ª Feira desfolharemos o nosso jornal Quinzenal de propaganda. O "Pravda da Margem Sul", que religiosamente nos chega às caixas de correio e saberemos que está tudo bem porque está tudo na mesma. Vamos ver as repetidas fotografias do mesmo que sempre vimos e saberemos que a mão que nos governa está presente e, portanto, nada temos a temer.
Houve, em tempos, um filme que se bem me lembro tinha como título "A mão que embala o berço é a mão que embala a morte". Nada de mais apropriado, embalou o seu berço e de tanto embalar, embalará também a sua morte, lenta e imperceptível. Sem agonia e sem dor, porque a cegueira não o permite.
O tempo que por vezes parece passar ao lado destas coisas, está sempre presente e ele está a mudar. Agora conta ao contrário. Em vez do ainda temos tanto tempo, vai-se dizer: Já só temos este tempo, só nos resta este tempo. O "ensaio sobre a cegueira" de Saramago explica isto muito melhor que eu, nem eu me pretendo substituir ao mestre, mas, no mundo dos cegos, valerá sempre a arte e o engenho de ser menos cego que os outros, ou melhor de se fingir de cego, não o sendo. No submundo valerá sempre a lei do mais forte, que nem sempre é a lei do mais correcto. Saramago como idealista que é, no final fez vencer o bem sobre o mal, a verdade sobre a mentira, o correcto sobre o incorrecto e fez desaparecer o submundo. Mesmo que, muitas vezes, seja preciso mostrar o mundo real de uma forma que não o queremos ver, porque a verdade doi e, por vezes, a ilusão de que tudo está bem, acaba por nos convencer que vivemos num mundo melhor do que ele é na realidade.
Eu como idealista que sou, acredito que, na vida real, a verdade também vencerá sobre a mentira e nesse dia todas as máscaras e cegueiras desaparecerão e a verdadeira face de quem habita o submundo aparecerá e com esse aparecimento, talvez, possamos erradicar de vez esse esgoto das nossas vidas.
Publicado por Troll Urbano às 09:20 PM | Comentários (19)
outubro 18, 2005
Mundos
Por:Isabel Faria
Primeiro, crescemos a acreditar. Fomos feitos assim, muito de nós. Acreditávamos que se estava a fazer um Mundo Novo. Muitas vezes, íamos ouvindo histórias. Mas continuávamos a acreditar. Afinal, como poderíamos passar sem ele, o Mundo Novo que se construía?
Ouvimos falar de Praga e lemos sobre a Sibéria. Mas outros Novos Mundos iam aparecendo e esquecíamos Praga e a Sibéria. Teimávamos em acreditar. Como poderíamos deixar de o fazer? Tínhamos sido feitos assim, tantos de nós.
Aos poucos, vieram, no entanto, outras Pragas. E não pudemos deixar de ver. Faltava tanta coisa para ser novo. Havia tanta coisa mal para ser mundo. E faltava quase tudo para ser o Paraíso com que, um dia, sonháramos.
Depois tudo se desmoronou. O “Novo Mundo” deu lugar a um mundo velho. Ao mundo velho que conhecíamos. Eram livres, finalmente, dizia-se. E muitos de nós, a quem ensinaram que Liberdade só não chega, ficámos, definitivamente, sem Mundo.
Não parámos. Continuamos à procura do tal Mundo. Aquele de que falava o Sérgio:
“Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir.”
Agora, que sabíamos que o Novo Mundo nunca tinha sido novo, nem mundo (como pode ser Mundo um mundo sem liberdade? em que o povo não decide nem pode mudar?) e que o Velho Mundo, teimava em continuar a ser velho e a não ser Mundo (como pode ser Mundo, um mundo sem paz, sem pão, sem saúde, sem educação e sem habitação?), não podíamos parar.
Não parámos. Não paramos. Nem pararemos.
Morreu hoje, vítima de doença prolongada, Alexander Yakovlev, ideólogo da Perestroika.
Publicado por Troll Urbano às 07:41 PM | Comentários (2)
Santa ignorância
Por: Daniel Arruda
Confesso que a ignorância que parte do nosso povo atinge me deixa estupefacto, mas normalmente, indiferente pois apenas os atinge a eles. Não podemos impedir ninguém de ser estúpido. Mas quando essa ignorância afecta terceiros e descrimina de uma forma desumana já o caso muda de figura, deve ser denunciado.
Parece que nos Olivais, no lote O da Praça Mota Veiga foi instalada a Associação SOS Hepatite, uma Associação que como o nome indica dá apoio a pessoas que estão infectadas com este virus. Por este facto os moradores do prédio resolveram fazer um abaixo assinado porque a "Associação está instalada na subcave e infectados usam o corrimão" e que há uma moradora que tem uma "neta com dois anos que leva a vida a meter tudo na boca e há muita gente de idade que usa o corrimão" .
As pessoas não sabem o que é hepatite, não sabem que trabalham com pessoas que têm essa doença, que comem ao lado de quem tem, que manipulam coisas que estiveram nas mão de quem tem hepatite. É este tipo de ignorância que me enoja, é este tipo de discriminação que me leva quase ao vómito. O que é que os moradores do lote O da Praça Mota Veiga nos Olivais queriam? Que se fizesse um centro como havia em outros tempos para os leprosos e os afastassemos da sociedade?
Se não fosse tão triste seria cómico, mas há muito tempo que perdi a vontade de rir com estas estupidezes.
Publicado por Troll Urbano às 10:37 AM | Comentários (1)
outubro 16, 2005
FOME
Por:Isabel Faria

Diariamente morrem à fome dois milhões de pessoas, diziam esta tarde os Telejornais.
A fome mata mais que a Sida, a malária e a tuberculose, diziam também os telejornais.
Hoje, comemora-se o Dia Mundial da Alimentação e as Nações Unidas publicaram estes números. Assustadores.
Amanhã, comemorar-se-á o Dia Mundial pela Erradicação da Pobreza e as Nações Unidas irão publicar, certamente, outros números. Igualmente assustadores.
Entretanto, podemos respirar. Ainda bem que há dias Mundiais de coisas. Para nos fazerem pensar. Já está. Que alívio. Para o ano há mais. Ainda bem que só existem uma vez por ano. Há coisas em que não de deve pensar demasiado.
Publicado por Troll Urbano às 06:28 PM | Comentários (4)
A quê??
Por:Isabel Faria

Na Roménia? Mas isso é já aqui ao lado...o Porto perdeu...pois é, mas são aves, não se trata de pessoas...dois - zero...é só na Indonésia e fica muito longe...Jorge Sampaio tirou...e tem os mercados com aves...a palavra a José Sócrates...vivas, aqui nós também temos, e...o Tribunal Constitucional decidiu...com as migrações...Hugo Chavez na Cimeira...será que a vacina...Ibero Americana...as análises conf...e se mudasses de canal...mais de sessenta....para um em que não....mort....esteja a dar notícias???!!!
.
A morte não existe. Mude-se de canal. Para que a vida suporte o medo daquilo que não existe.
Publicado por Troll Urbano às 05:49 PM | Comentários (8)
outubro 14, 2005
O Segredo da ùltima Ceia
Por: Daniel Arruda
Voltei a ler. HURRÁÁÁ!!!!!! Deve ter sido das coisas que mais falta me fez durante este tempo de campanha. Não ter tempo para ler. Nem jornais, nem revistas, nem livros.
E como voltei a ler voltam as minhas recomendações, que não são comparavéis às do Prof. Marcelo, mas são as minhas e valem o que valem. Devo referir que voltei às "lides" em grande com uma obra exelente. "O Segredo da ùltima Ceia" de Javier Sierra um estudioso catalão há muito apaixonado pela História. Este thriller histórico sobre a obra de Leonardo da Vinci tenta explicar e pôr à discussão os enigmas que se encontram no quadro mundialmente famoso de Da Vinci mas em versão romance, onde cátaros e fransiscanos se estudam mutuamente, onde as intrigas papais têm um lugar de destaque, onde a crítica a Roma e ao Vaticano são sublimes mas fortes. Um livro que não nos diz nada de novo, é certo, mas que nos leva a pensar mais além sendo importante pelo que insinua e não tanto pelo que diz.
Eu gostei e recomendo. A edição portuguesa é da Editorial Presença.
Publicado por Troll Urbano às 10:43 PM | Comentários (5)
Sexo, alcool e GNR
Por: Daniel Arruda
Parece que o consume de alcool de algumas pessoas aumenta quando entram para a GNR. Eu acho isso muito estranho.
Eu nunca vi elementos fardados nos cafés a beberem uma imperialzita, ou duas, ou três, ou ......., nem nos bares à noite e muito menos nas roulotes de madrugada. E se por acaso vi vou dizer que não vi. Afinal estamos a falar de agentes da autoridade. São as pessoas que garantem a nossa segurança, que fiscalizam o nosso país.
Acho que há pessoas que não vivem neste país, ou então vivem no seu gabinete, são transportados por motoristas e não sabem o que é o Portugal real. Toda a gente sabe que as coisas são assim mas mesmo assim houve quem negasse este facto evidente. É quase tão cómico com negarem o facto de haver agentes da autoridade a aceitarem subornos.
Publicado por Troll Urbano às 07:24 PM
Asterix
Por: Daniel Arruda
Não sou um purista. Normalmente até me considero mais um experimentalista que outra coisa, mas a ideia de pôr a Gália a ser invadida por ET's é para mim, no mínimo, bizarra.
Aliás sou daqueles que pensam que os projectos têm principio, meio e fim e que o fim do projecto Asterix deveria ter acontecido em 1977 com a morte prematura de René Goscinny. É certo que os criadores de Asterix eram dois e que as ideias eram de ambos mas desde aí parece quase que Asterix não é mais o mesmo. Dado que nasci em 73 li as bandas desenhadas todas à posteriori da morte de René Goscinny, mas não é preciso ser-se um génio para perceber as diferenças entre as duas fases.
Obviamente que vou ler mais esta BD, "O Céu Cai-lhe em Cima da Cabeça" e só depois emitir opinião sobre a obra propriamente dita, mas que vou ler de uma forma crítica, disso, não há dúvidas.
Publicado por Troll Urbano às 12:36 PM | Comentários (3)
outubro 09, 2005
Buga lá
Por: Daniel Arruda
Não se esqueçam de ir votar. Please. A democracia precisa de todos e ficar em casa não resolve nada. São 5 minutos para votar e pelo menos se não escolher um dos partidos, mostrarás a tua discordância e rejeição a todos os projectos e quem for eleito deverá tirar daí as suas conclusões. A abstenção não é nada. É a ausência de opinião.
Publicado por Troll Urbano às 02:57 AM | Comentários (10)
outubro 08, 2005
Eles não sabem...
Por:Isabel Faria
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso,
em serenos sobressaltos
como estes pinheiros altos
que em verde e ouro se agitam
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma. é fermento,
bichinho alacre e sedento.
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel.
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa dos ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança.,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
para-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra som televisão
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre a mãos de uma criança.
António Gedeão - A pedra filosofal
Publicado por Troll Urbano às 01:21 PM | Comentários (6)
outubro 05, 2005
Porque a morte saiu à rua...
Por:Isabel Faria

Ocupada como ando tinha-me passado despercebido. A ML chamou-me a atenção num comentário e publicou um post no Pópulo: (Obrigada, amiga).
Parece que a intenção de transformar o edifício onde funcionou a sede de Pide, na António Maria Cardoso, num condomínio de luxo, continua de pé.
Naquele local, julgou-se sumariamente, torturou-se e, no próprio dia 25 de Abril de 1974, matou-se. Temos o dever de exigir que se preserve a memória. O Regime de Salazar e Caetano existiu. A Pide existiu. A tortura existiu. E a morte existiu. Branquear os crimes que se cometeram naquele local, é, no mínimo, imoral.
Construir um condomínio ou um Hotel de luxo, torna-se, para além dum atentado à memória, um atentado aos ideais de justiça e de igualdade que nortearam os que, em 1974, saíram à rua, para construir o futuro. Aquele local pode e deve ser utilizado como um local onde a memória se cultive, onde a injustiça seja denunciada, onde a Liberdade seja aclamada.
Amanhã, às 14,30h. Para que a memória viva.
A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue dum peito aberto sai
O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu
Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou
Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas duma nação
José Afonso - A morte saiu à rua
Publicado por Troll Urbano às 01:00 AM | Comentários (11)
outubro 03, 2005
Um indicador social importante
Por: Daniel Arruda
Baixa natalidade não garante a renovação das gerações
Porque será? É preciso pensar muito? Nao me parece. Acho que todos, ou quase todos, os casais gostavam de ter mais filhos. Mas como? Com que dinheiro? Em que condições?
Se este dado fosse usado como indicador social em Portugal, seria o mais claro de todos de como a vida em Portugal vai mal. Já agora gostava que fossem publicados como normal estudos comparativos com países verdadeiramente desenvolvidos. Para que se preceba que não é um problema de sociedade mas sim de país. Que não é um problema de egoísmo de uma geração, como se quer deixar parecer muitas vezes.
Publicado por Troll Urbano às 06:54 PM | Comentários (3)
outubro 01, 2005
Dia de...
Por:Isabel Faria
Não acho nenhuma piada a "dias de". Todos os dias são "dias de". A necessidade de criar "dias de" para, mais ou menos hipócritas tentativas, de alertar e acordar consciências, parece-me triste, inútil e constrangedor.
Mas reconheço que se podem sempre usar estas referências, que alguém decreta, para transmitir imagens.
Como estas:
Um sorriso calmo e belo num rosto sereno:

Ou um gesto e um olhar de proteção e de carinho:

Publicado por Troll Urbano às 11:55 PM | Comentários (2)
Campo
Por:Isabel Faria
Saudades, nostalgia ou, apenas, uma teimosa necessidade de parar um pouco?

O Comício de ontem no Largo do Carmo foi uma festa. A minha noite foi, por todas as razões e não só políticas uma festa. Mas quero um campo de papoilas. No Alentejo. Não sei se para descansar os olhos ou dar alento à alma. Mas preciso dum campo de papoilas.
Agora, depois deste curto intevalo, a campanha vai continuar.Sem papoilas. Sem papoilas? Tenho que descobrir papoilas.

Publicado por Troll Urbano às 03:32 PM | Comentários (4)
setembro 29, 2005
Para uma menina
Por: Isabel Faria
Deve ter nascido um pouco antes do meu filho. Não deve ter tido tanto tempo para brincar. Possivelmente, quando eu comprava uma bola de futebol nova, ela não tinha uma Barbie. Possivelmente não pôde brincar para ficar a tomar conta dos irmãos mais novos. Como a sua irmã já deveria ter ficado a tomar conta dela, quando a mãe tinha que sair para trabalhar. Possivelmente não foi à praia, apesar de ter o mar ali ao lado, talvez não fosse ao cinema nem olhasse a Lua. Talvez tivesse sonhos. Se calhar sonhava com a casa que teria antes do fim do ano. Ou talvez não. Talvez não se sonhe no Fim do Mundo. Esta manhã, terminou a sua passagem. Juntamente com mãe e os irmãos.
Por uma qualquer ironia do destino a professora de Português do meu filho que deverá ter nascido pouco depois daquela menina, pediu-lhe para escolher um filme de que tivesse gostado e para fazer um resumo. Acabou agora mesmo. Escolheu “A vida é bela”. Terminou com a frase: “Vale sempre a pena manter a esperança num mundo melhor”.
Deve ter nascido pouco depois daquela menina. Olhei-o com uma vontade enorme de o abraçar. Mas ficou uma moínhazinha suspeita aqui no peito. Aquela menina tinha o direito de ter acreditado no mundo melhor do meu filho. Falhámos todos, não falhámos?
Publicado por Troll Urbano às 10:05 PM | Comentários (6)
setembro 26, 2005
O Amor no Basebol.
Por: Daniel Arruda
Depois da imagem de amor que deixei sobre o futebol, hoje vamos para outro desporto, também jogado com bola. Só com a diferença que, neste, em vez de se mover a bola com partes do corpo, usa-se um bastão.
É tão bom quando o Amor é livre de preconceitos. Seja entre quem for. Seja onde for. Até me apetecia usar um lugar comum da década de 60. "Make Love, not war"
Publicado por Troll Urbano às 08:02 PM | Comentários (1)
setembro 25, 2005
This is gonna be a bright, shiny and colourful place!
Por: zOinGo
O burgo tem andado agitado, ultimamente...!
Alguns aguaceiros de azia e ventos moderados de algum stress pré-eleitoral, têm influênciado o estado do tempo no "Troll Continental".
Espera-se uma melhoria significativa das condições metereológicas para breve, com céu azul, sol e cores vivas, devido à chegada do anti-ciclone "Isabel".
................................
They give us those nice bright colors, they give us the greens of summers that makes you think all the world's a sunny day, Oh yeah!
in "Kodakchrome (tm)" - Paul Simon (1973)
PESSOAL... DEIXEM-SE DE MERDAS!
in "Ecos do Manicómio Global" - zOinGo (2005)
=)
Publicado por Troll Urbano às 05:32 PM | Comentários (22)
Dia de aniversário
Por:Isabel Faria
Bairro Padre Cruz. Mercado. Dum lado, a parte mais recente, prédios de vários andares. Bem conservados. Do outro, ruelas estreitas por entre casa pequenas e antigas. Muitas delas desabitadas. Como em Carnide, onde tínhamos passado algum tempo antes, quase não há gente na rua. Apenas no Mercado se vêem pessoas. E num ou outro café.
Não há má recepção. Também não há boa. O que, sobretudo, se vê e se sente é indiferença. Indiferença que consegue ser quebrada quando Sá Fernandes se aproxima e cumprimenta ou fala. Mas que, ao virarmos as costas, ninguém parece ter dúvidas que será o sentimento que prevalecerá.
Uma indiferença que não nos é dirigida. Uma indiferença sem destinatários. Com rostos. Mas sem destinatários. Como se com um gesto ou com ausência de gestos, nos quisessem transmitir, apenas, uma ideia: Não acreditamos que valha a pena.
No mercado do Bairro Padre Cruz, tivemos, apenas, um ou dois momentos. È feita de momentos uma campanha como esta. Só pode ser. Temos, nós que não podemos vacilar nem desistir, de, teimosamente, nos agarrarmos a eles.
À saída do Mercado, vejo uma senhora sozinha sentada num Banco. Aproximo-me e pergunto se lhe posso entregar um panfleto da campanha…olha-me com um olhar firme e diz-me: “Pode. Mas eu queria mesmo era uma bandeira. Faço hoje 44 anos e queria uma prenda...Mas tem que ser das verdes, que eu sou do Sporting...”
Bandeiras??? Ok, uma bandeira. Meninos, é preciso uma bandeira para dar a esta Sra que faz hoje anos...apareceu uma bandeira e a Sra. abriu um sorriso lindo. É possível ter um sorriso lindo numa cara coberta de rugas e de pele baça. “Posso dar-lhe um beijo de parabéns?” “Pode...mas diga lá àquele Sr. da fotografia, para me dar um também...sabe que eu gosto muito de homens jeitosos???” Depois do beijo do Sr jeitoso da fotografia, ainda levei com uma descompostura dita num tom zangado “Você que é mulher, veja lá se penteia o Sr. que anda com o cabelo todo no ar!!!”.
Ficou, ali, solenemente, prometido, que a partir de Terça-Feira começo a andar de pente na mala. A Sra., que todos conhecem no Bairro, por histórias de vida tristes e complicadas, ficou com o sorriso...”Tenho a impressão que não recebia uma prenda de anos há...deixa cá ver...se eu faço 44...o meu morreu há 8...olhe minha senhora, não sei há quantos. Muitos”.
Publicado por Troll Urbano às 04:38 PM | Comentários (4)
setembro 23, 2005
Associação de Idosos do Seixal
Por: Daniel Arruda
Como escrevi por aqui ontem à noite hoje era dia de visita ilustre no concelho do Seixal. E também de uma prova para se saber se a comunicação social iria aparecer para este momento de campanha.
A visita aconteceu e a comunicação social ficou em casa, com uma honrosa excepção para a Antena 1 que esteve presente.
Mas, não foi por causa disso, que se deixou de fazer campanha, no sítio onde devemos estar. Na rua.
Uma manhã normal com um passeio e contacto com as pessoas que estavam na rua e um almoço na Associação de Idosos do Seixal.
Esta Associação, que tem estado à margem da subsídio dependência dá diariamente de comer a 100 pessoas no seu centro e faculta ajuda domiciliária a cerca de 120 idosos. Essa ajuda vai desde a alimentação, ao fazer a cama, ao garantir a medicação, limpar o quarto, com 3 a 4 visitas diárias, das 9H ás 21H. Funciona também como centro de dia, com serviços como esteticista, barbeiro, banheiros para quem não pode tomar banho em casa, sala de jogos. Para além disso organiza viagens e encontros sendo que o mais importante é um encontro internacional de poetas populares que já deu origem a 3 livros editados. Neste momento, esta Associação está a alargar o serviço a toxicodependentes ajudando, inclusive, sempre que possível na recuperação destes.
É, sem dúvida, um exemplo. Mas infelizmente como as coisas funcionam bem parece que são esquecidos pelos poderes autárquicos e central. Há 4 anos, curiosamente por alturas de uma eleição autárquica, foi cedido um terreno para a construção de um centro maior e que tivesse também a valência de Lar. Uma óptima oferta. Só que sem as verbas para a construção é como se não tivessem terreno. Este ano, curiosamente de eleições, foi dito à Associação que a verba iria entrar em PIDDAC de 2006.
Mas a Associação não pode viver de promessas adiadas. Foi necessário comprar carros para fazer domicílios, um máquina de lavar industrial para lavar a roupa dos idosos, é necessário investir em equipamento variado e para isso não há ajudas. Nenhuma. A única fonte de receita é os cerca de 3000 mil associados e a ajuda do Banco Alimentar.
Foi uma grande experiência e lição o que hoje vi. A perseverança pode mover montanhas e pode até substituir-se ao Estado. Mais que uma iniciativa de campanha hoje foi um dia humano e de ajuda, porque não tenhamos dúvidas que um gesto tão simples como ir lá e falar com as pessoas dá um ânimo suplementar. Um gesto mais simples ainda que é o de nos batermos para que no PIDDAC do próximo ano seja incluída a verba para que o novo centro seja constituído. Para que não haja mais promessas adiadas, porque esta Associação não vive do futuro porque dá o que tem e o que pode no presente.
Publicado por Troll Urbano às 05:53 PM | Comentários (5)
"Ainda sou do tempo"
Por:Isabel Faria
Retirado da nossa Caixa de Comentários, com o obrigado do Troll ao nosso comentador, Causas Perdidas.
"Ainda sou do tempo" em que ser convidado para ir para a mesa era uma honra, as pessoas gostavam de ser vistas nesse "dia em que mandam alguma coisa" num lugar privilegiado: por detrás do caderno eleitoral, da urna e do vaso com cravos vermelhos.
Olhando a bicha de fato domingueiro a caminho da escola primária, invejei-lhes o cartão de eleitor que os meus dezasseis anos não permitiam - "de qualquer forma, isto só vai lá com uma revolução", pensei.
A malta votou pelo "Socialismo", palavra em moda na altura, logo a seguir a "Revolução", "Democracia" e "Popular" - nessa altura também se falava em "Classe Operária" e em "Futuro".
Anos depois, socialismo na gaveta e luz ao fundo do túnel, vieram os atestados, o emprego, a avó que ainda não se convenceu que morreu, tudo o que fosse possível para fugir à "seca" de estar ali detrás da mesa.
Agora que a democracia se "institucionalizou", negoceiam-se os lugares nas mesas entre partidos, resolveu-se o problema dos atestados. Para não atrapalhar a vida de ninguém, paga-se o transtorno das horas que a democracia pode causar.
Entretanto obtive o cartão de eleitor, que juntei ao do sindicato e da "caixa" que ganhei antes de ter idade para votar.
Nos dias de "ir lá", além dos costumeiros caderno e urna, umas flores de plástico a substituir os cravos viçosos da minha juventude. A democracia perdeu a tesão.
Após o exercício da cruzinha sazonal, saio da escola como quem sai de um restaurante onde lhe serviram um fraco almoço. E dou comigo a pensar que "de qualquer forma, isto só vai lá com uma revolução" - como o puto de há trinta anos.
Causas Perdidas
Publicado por Troll Urbano às 09:34 AM | Comentários (6)
setembro 21, 2005
21 de Setembro
Por: Isabel Faria


Publicado por Troll Urbano às 09:41 AM | Comentários (4)
setembro 20, 2005
Que resposta damos?
Por:Isabel Faria
Há cerca de quatro ou cinco anos, quando não lhe renovaram o contrato, veio procurar-me. Disse-lhe, na altura, que tinha todas as hipóteses de ganhar o processo, mas senti que a devia alertar para os riscos que corria. Consultou outras pessoas e outos locais que a incentivaram. Avançou.
O processo demorou o tempo normal a decorrer. Uma eternidade para quem precisa de dinheiro para sobreviver. Até que, um dia, a chamaram para entrar em acordo. Disse-me que não tinha alternativa. Tinha que aceitar. Não tinha dinheiro para pagar a renda do quarto nem para comer.
Aceitou o dinheiro que a empresa lhe deu e foi para o desemprego.
Um dia, encontrei-a e disse-me que tinha fome. Jantámos as duas e dei-lhe o meu telefone. Liga-me, ok?, disse-lhe. Nunca o fez.
Encontrei-a, há pouco, no café em frente, onde costumo ir beber a bica. Está magra, cansada e sem brilho. Era uma mulatinha linda, de olhos verdes. Alegre, bem disposta, com quem tantas vezes fui dançar ao B Leza...
Hoje mantem os olhos verdes e a cor da pele.
Disse-me que nunca mais tinha encontrado emprego. Ninguém a aceitava como “Extra”. Inscrevia-se nas empresas de trabalho temporário mas, depois, ninguém a chamava. Diziam-lhe que as empresas do ramo não a queriam lá. Desde o processo, sabe?. Era sempre a resposta.
Perguntei-lhe o que fazia agora. Baixou os olhos verdes e disse-me que não me podia dizer. Que desculpasse. Que tinha vergonha. Perguntei-lhe se podia fazer alguma coisa. Não, respondeu. Eu é que devia ter-te ouvido.
Este é um problema com que nos deparamos regularmente. Qual a resposta à arbitrariedade e à ilegalidade quando não se tem vinculos nem direitos? Qual a alternativa a baixar os braços?
Qual a resposta que uma estrutura de trabalhadores pode e deve dar a estes trabalhadores que nos procuram a pedir a nossa opinião sobre se lutam ou se vergam?
Recordo o riso da C. Nas noites quentes, ao som da música africana, costumava dizer que para além de Cabo Verde, adorava dançar, amar e fazer trancinhas.
Há quanto tempo não amará nem dançará? Tem o cabelo curto a minha companheira de coladeras e de merengues.
Publicado por Troll Urbano às 11:51 AM | Comentários (10)
Quem é que disse que o Amor estava arredado do Futebol
Por: Daniel Arruda

Publicado por Troll Urbano às 10:52 AM | Comentários (5)
setembro 19, 2005
Mais uma contratação pró manicómio global
Por: zOinGo
* BEM VINDA ISABEL! *
=)
Publicado por Troll Urbano às 11:08 PM | Comentários (19)
Qual chulo, qual proxeneta. É empresário que se diz agora.
Por: Daniel Arruda
Hoje a desfolhar o Correio da Manhã, quando fui beber o café, chamou-me à atenção uma reportagem sobre a prostituição de estrada.
O artigo era cheio de banalidades, nem outra coisa se esperava do CM, mas houve uma coisa que me chamou a atenção.
Sempre aprendi que os homens que exploravam aquelas mulheres eram "chulos" ou "proxenetas", mas, devido ao CM de hoje, descobri a nova designação desta actividade. São empresários.
Senão acreditam leiam este excerto do artigo.
"... as estradas estão cheias de mulheres africanas e de leste controladas pela máfia, disse ao CM um empresário do ramo."
Publicado por Troll Urbano às 03:22 PM | Comentários (8)
setembro 18, 2005
Viagens em Lisboa
Por:Isabel Faria
Logo no primeiro dia tive que reconhecer que não conheço Lisboa. Não, esta Lisboa. Conheço a Lisboa do abandono, da solidão, envelhecida, triste. A da Baixa. A do centro.
De passagem, também conheço a outra, a da ostentação, da especulação imobiliária. Dos condomínios fechados. Do Restelo ou do Parque das Nações. Mas a outra Lisboa, a Lisboa dos guetos, das casas cinzentas e de janelas minúsculas, ou de casas que, tal a tristeza que delas transparece, nem nos conseguimos lembrar da cor nem das janelas, essa não conheço.
A cidade de rostos amargos e desconfiados. De crianças de uma violência inesperada e assustadora, de olhares inquietos, de palavras duras “São todos iguais. Só todos mortos.”. “Prenderam-nos aqui e nem temos um médico…”. ”Inauguraram uma piscina e não temos uma escola”. “À escola, eu? Chumbei por faltas...nunca mais lá meti os pés!”
Esta Lisboa, eu não conhecia. A Lisboa dos prédios degradados, dez andares sem elevador, campainhas desligadas, prédios abandonados e emparedados há anos. Lisboa que fica nos Olivais ou na Ameixoeira.
Conhecia a Lisboa abandonada. Não conhecia, de dentro, a Lisboa amarga, injusta e cruel dos guetos e das vidas sem luz nem futuro.
Ao tomar o comboio na Gare do Oriente ou ao passear no Parque das Nações não dá para a vislumbrar. No entanto, esta Lisboa está, ali, a dez minutos a pé. E dói. E faz-nos pensar em respostas. Obriga-nos a ser claros. Tem que se encontrar uma alternativa à forma como o PER foi aplicado. Substituir as barracas por guetos não é a solução. Têm que se estudar outros caminhos. Depois, talvez, a gente tenha tempo e capacidade para os percorrer.
Apanhei uns bons murros no estômago, ontem à tarde. E ainda só foi o primeiro dia. Quantos bairros tristes me faltam? E quanto olhos sem brilho? E quantos gestos de incontida raiva? E quanto lamentos de abandono?
Continua para a semana. É uma viagem que tem que ser feita. É a única forma de procurar caminhos…abrindo portas. De mundos tão desconhecidos que nos assustam. A mim assustaram-me. Assusta-me sempre a minha incapacidade. Senti-me tão impotente, enquanto olhava. Senti-me tão privilegiada perante o que ontem à tarde vi, que sinto um aperto na garganta que me faz custar a engolir. De certeza que toda aquela gente está muito melhor, hoje, do que quando vivia em barracas, pensei. Pensei também, vezes sem conta, na distância que vai entre estar melhor e viver.
Publicado por Troll Urbano às 10:50 AM | Comentários (3)
Intolerãncia estúpida e grosseira
Por:Isabel Faria

Não podemos tolerar a intolerãncia. Nem pactuar com ela. Há dois meses foram os imigrantes. Ontem os homossexuais. Prometem uma nova manifestação de dois em dois meses. Quem se seguirá?
As imagens que a televisão nos transmite são patéticas. Mas a intolerãncia, mesmo estúpida e boçal, é sempre perigosa.
Publicado por Troll Urbano às 12:23 AM | Comentários (4)
setembro 16, 2005
Há coisas que me irritam.
Por: Daniel Arruda

Foto AFP
Se há algo que me chateia, essa coisa é a mentira, o subterfúgio, o aproveitamento, o expediente resumido é tudo aquilo que eu desprezo e dispenso num político.
Hoje tive essa sensação em relação a alguns. Os miúdos dos infantários e ATL's públicos e privados do Concelho do Seixal foram convidados a participarem numa actividade ao ar livre no Complexo Desportivo Carla Sacramento. Uma vez chegados lá os miúdos foram convidados a participarem numa coreografia, ao som da música dos D'Zert (brrrrr), como se de um exercício se tratasse.
No dia seguinte foi perguntado aos pais se as crianças poderiam participar no Sábado na abertura das Seixaliadas 2005 com a coreografia que tinham estado a ensaiar, até porque iriam novamente naquele dia para lá para continuarem os ensaios. Como pai não me opus, se o meu filho quisesse participar, embora não concorde com os métodos utilizados, mas pelos vistos ele também não gosta de ser enganado e já não participou nos ensaios ficando sentado na relva a ver os outros.
Acho esta atitude da C.M.Seixal no mínimo hipócrita. Usarem, sem avisar previamente de qual o fim e o objecto da coisa, os filhos dos outros. Eu e todos sabemos a razão. As Seixaliadas andam tão por baixo e o associativismo tão descrente que para que a Câmara fique bem na fotografia e apresente uma abertura das Seixaliadas cheia de pessoas requisita as crianças dos outros sem dizer para o quê? Esconde com medo que os pais não deixem usar os seus filhos como objecto de campanha eleitoral, num estilo Estalinista de apresentação.
Se o infantário do meu filho participasse na seixaliada 2005, se fosse pedido de uma forma correcta que as crianças mesmo que não praticantes de nenhum desporto eu até acho que seria uma boa forma de cooperação, mas assim. Parece quase que estamos em período de requisição civil onde não se pode negar nada.
Publicado por Troll Urbano às 08:28 PM | Comentários (4)
Portugal é um estado LAICO
Por: Daniel Arruda
Hoje tive reunião de pais na escola do meu "Nino", a 1ª. E não começou bem, mesmo nada bem.
Ao entrar na sala olhei, curioso, à minha volta, como penso que qualquer pai faz quando entra no espaço onde o seu filho vai passar 5 horas diárias durante um ano. Estava lá tudo. Até lá estavam coisas a mais. Quando olhei para o quadro, qual não é o meu espanto quando, por cima deste, vejo um crucifixo, com cristo e tudo.
Terminada a reunião dirigi-me à professora a perguntar o porquê daquele artefacto numa sala de aulas de uma escola pública, de um estado laico. A professora muito atrapalhada, justificou-se dizendo que ela era apenas a professora e que esse tipo de questões era coma directora. Como a directora estava ocupada não cheguei a falar com ela, pelo que vou ter de lhe enviar uma carta.
Soube, entretanto, que é normal que alguém da paróquia vá de vez em quando à escola, para falar com os miúdos sobre religião e que os pais são informados "a posteriori" dessa situação.
Espero bem que essa situação não aconteça este ano, mas pelo sim pelo não vou-me precaver e alertar para esse assunto na reunião da Ass. de Pais.
Confesso que ainda estou a digerir este abuso por parte daqueles que acham que Portugal é um estado católico na sua lei. Não o é. É laico e deveria respeitar todas as correntes religiosas e também aqueles que como é o meu caso, não têm qualquer corrente.
Quem trata da educação do meu filho, sou eu e a mãe, para o bem e para o mal e por isso foi decidido por nós que há 3 coisas em que não o iremos influenciar nunca. Na escolha do clube, do partido e da religião.
Se lá mantiverem o símbolo religioso só me resta uma solução. É arranjar um símbolo de cada uma das seitas e religiões que existem em Portugal e pedir para os afixarem todos. Assim já não haveria problemas, se calhar até era melhor, pois assim os miúdos ficavam a saber que há muito por onde escolher.
Publicado por Troll Urbano às 05:18 PM | Comentários (1)
setembro 15, 2005
Se não gostam façam como eu....
Por: Daniel Arruda
.....Mudem de canal ou desliguem a televisão e vão ler.
Parece que há por aí uns "grunhos" do PNR que estão a organizar uma manifestação contra o programa da SIC, "Esquadrão G".
Por razões obvias não vou pôr aqui a data, nem a hora, nem o local. È uma questão de higiene desta minha (nossa) assoalhada.
O que eu gostava que alguém me explicasse é qual a finalidade de tal acto.
Já aqui exprimi a minha opinião sobre o dito programa pelo que não a vou repetir, mas há uma dúvida que fica no ar. Por que raio tal manifestação foi autorizada. Não diz a constituição explicitmente que não pode haver descriminação devido à orientação sexual de cada um? Se o meu entendimento for correcto isto é uma forma de discriminação. Há um grupo de pessoas que não aceita outros comportamentos e formas de vida que não os deles. Diz claramente que aquilo é um comportamento desviante, embora não saiba muito bem o que isso quer dizer.
E depois vêm as incoerências. Há pouco tempo atrás o mesmo grupo fez uma homenagem a Rudolph Hess, não se lembrando que esse personagem da história era bisexual e que manteve uma vida paralela durante muitos anos. Ou um homosexual nazi se torna num homosexual melhor e diferente de todos os outros.
Fui daqueles que achei que por uma questão de respeito, a manifestação contra a violência devia ser aceite, mas não abusem da paciência. Qualquer dia temos manif's de 3 em 3 dias. Se for esse o caso, proponho já aqui uns quantos temas tão interessantes como o que deu origem a este.
Manif contra...
.... Padres que têm filhos e não os assumem.
.... o ZéZé Camarinha e contra o monopólio do divertimento com "camones".
.... o casamento entre pessoas de sexo diferente sempre que estas não tenham sangue compatível para procriar.
.... a extinção dos bio glutões do Presto Maquina.
.... a alta natalidade no Bairro da Cova da Moura.
.... a violência doéstica mas só quando elas batem neles.
.... as escolhas tácticas do Koeman
.... a música de intervenção e pela prisão de todos os artistas do género.
.... os taxistas que aceitam transportar, Cabo-verdianos, Angolanos, Guinienses, S. Tomenses, ciganos de qualquer proveniência, Ucranianos, Romenos, Kosovares, Croatas, indigentes e toda e outra qualquer naturalidade não Portuguesa não referida no manifesto.
.... a exploração a que os cães guia são sujeitos a mais de 12 horas de trabalho diárias.
....
....
Já chega de aturar parvoeiras. A menos que autorizem contra manifestções para dar cor à praça.
Publicado por Troll Urbano às 01:18 AM | Comentários (5)
setembro 12, 2005
Fim de sonhos
Por: Isabel Faria

Tornou-se moda. A cobardia tornou-se moda. Como notícia hoje o Jornal de Notícias, mais uma vez, no final de Agosto, a história se repete. A história, este ano, volta a ter nomes: Malhas Pastor, Guardizela, Ramada. Só no distrito de Braga. Quase dois mil trabalhadores. Mais doze empresas na “corda bamba”, como afirma ao jornal, um dirigente sindical.
Enquanto tentam sobreviver, em férias que não podem ser férias porque os baixos salários não permitem, nas suas costas, escondidos nas fábricas vazias, no silêncio das máquinas paradas, os donos das fábricas pegam nas máquinas, pegam nos papéis, pegam nos sonhos e pegam nas vidas que não são as suas, mas que de si dependem, e vão. Cobardemente. Sem uma palavra. Fecham uma nova porta. Mandam famílias para o desemprego. Cobardemente, como, parece ser cada vez mais moda neste País. Impunemente, como é, cada vez, mais normal, neste País.
E cada um, dos que ainda não lhes bateu à porta, dos que, a porta, ainda não se fechou, olha o outro com um misto de alívio e de medo. Ainda não fui eu. Quando serei eu? E assim, se consegue o outro objectivo. Igualmente reles. Dividir. Pôr trabalhadores contra trabalhadores. Ter medo. Não falar, antes que alguém oiça. Esperar pelas férias. Para poder ter mais um salário. Recear as férias, para poder continuar a ter emprego.
Triste. A cobardia é sempre muito triste.
Publicado por Troll Urbano às 11:39 AM | Comentários (7)
O choro reprimido também se ouve e vê
Por: Daniel Arruda
Costuma dar-se uma grande importância a indicadores económicos, a relatórios de tendência, a indíces de crescimento para identificar o crescimento e o desenvolvimento de um país.
Para mim, existem indicadores mais importantes que esses pois dizem-nos se crescemos como povo ou se por outro lado nos mantemos atrasados e tacanhos presos nesta meia dúzia de Km2 que é Portugal. São por isso para mim importantes as conclusões da UNICEF que coloca o nosso País no topo da lista negra, com uma média de quatro mortes por violência física e negligência em cada 100 mil crianças. Podemos dizer que a nossa economia cresce, que estamos tecnológicamente avançados, mas nunca nos poderemos sentir evoluídos enquanto as vítimas de violência doméstica aumentarem, especialmente crianças mas também mulheres. Enquanto continuarmos a violar e a matar crianças.
Eu não quero uma sociedade rica sem que muitos pressupostos de humanidade sejam cumpridos. Este é um deles, se calhar dos mais importantes. Estou-me a "borrifar para a economia enquanto houver choros reprimidos nas nossas casas. Mas não se pense que choro reprimido não se ouve ou não se vê. Ouve-se e muito alto e tão criminoso é o que bate e abusa como aquele que ouve o choro e nada faz, nem sequer uma coisa tão simples como ligar para a esquadra mais próxima e alertar as autoridades.
Somos por vezes um país triste e patético, somos latinos na essência mas há uma coisa que eu não quero que o meu país seja.
Criminoso
Publicado por Troll Urbano às 09:19 AM | Comentários (3)
setembro 11, 2005
Os cinemas Warner Lusomundo
Por: Daniel Arruda
Hoje fui ao cinema com a família. Ver mais um da Disney. "Vaillant, os bravos do pombal" Um filme muito engraçado, o primeiro que eu me lembre que tenta explicar história aos miudos, neste caso a 2ª guerra mundial e a importância que os animais, especialmente os pombos correios, tiveram na transferência de mensagem da frente inimiga para a rectaguarda para não ser interceptada pelos inimigos.
Mas o que me aborreceu foi o que se passou antes do filme. Ao chegar ao Forum Almada dirigi-me para as bilheteiras que para meu espanto estavam encerradas com um aviso a dizer que os bilhetes agora eram vendidos mais à frente no bar, onde também se compra essa praga chamada pipocas. (desculpem-me os amantes deste pitéu)
Tudo bem, vamos lá comprar os bilhetes ali. Chegado ao bar, deparo-me com uma fila enorme de pessoas a comprarem pipocas, refrigerantes, batatas fritas, gomas, ..... nas 3 caixas abertas das 10 disponíveis. Tive de esperar mais de 15 minutos para poder comprar o meu bilhete e quando o consegui fazer ainda me perguntam se não quero levar mais nada. Não, não queria, queria ver o filme de preferência sem o Crash, Crash, Crash, Crash das pipocas e do Schluuuuurffff, Schluuuuurffff, do fundo do copo de Coca-Cola.
Mas como estava danado ainda resolvi chamar o gerente para lhe perguntar o porquê da alteração e a resposta dele deixou-me perplexo. "Fizemos um estudo de mercado e como as pessoas estavam a consumir menos destes produtos mudámos as bilheteiras para aqui. Reconheço que é mais incómodo para os nossos clientes mas muito mais lucativo para a Warner Lusomundo".
Por outras palavras a comodidade e o serviço que se lixe, o lucro primeiro. A minha vontade foi não ir para o cinema mas o bilhete já estava comprado. Da próxima vez, vou pensar duas vezes antes de ir dar dinheiro a quem não me respeita minimamente como cliente e apenas me vê como consumidor.
Publicado por Troll Urbano às 09:02 PM | Comentários (5)
Contra a intolerãncia
Por: Isabel Faria

Contra a intolerãncia de que fala o post do Daniel e contra a outra intolerãncia, não menor, porque baseada no que de pior tem a nossa mentalidade, o voyeurismo bacoco, a anedota, que me parece se propõe ser o programa da Sic, e porque o Troll, tem andado com alguma falta de imagens que falem de afectos, duas fotografias.
Acredito que é a única forma de os vencermos. Mostrando-lhes que o afecto, a paixão e o amor não são propriedade deles. São direitos de quem os sente. Seja qual fôr a forma que os sinta.
Publicado por Troll Urbano às 07:37 PM | Comentários (7)
Esquadrão G
Por: Daniel Arruda
Parece que o pessoal do PNR anda por aí a promover uma recolha de assinaturas para que a SIC não transmita o programa "Esquadrão G".
Devo dizer que não vou ver o programa, é a horas que não vejo televisão e não faz o meu género. Também acho que este programa em vez de abrir mentes em relação às questões LGBT vai estigmatizar ainda mais as coisas, não trazendo por isso nenhum valor acrescentado. Até na escolha das profissões isso se vê. Até parece que não há militares, mecânicos, camionistas gays.
O que não consigo concordar é que se condene o programa porque "é a propagação e exaltação da homossexualidade e de comportamentos que vão contra os costumes e a moral da sociedade portuguesa". Moral e bons costumes????. Essa deve ser para rir.
Moral e bons costumes como aquele que a nossa sociedade tem tido até aqui. O homem é que sabe, o homem é que manda e o que é de macho é que é bom.
Ao pessoal do PNR deixo aqui um conselho. Vão ao médico e informem-se. A homosexualidade não se pega. Vocês até podem experimentar sem que virem "bicha". Até correm o risco de gostar e depois lá se vai a teoria da masculinidade.
Publicado por Troll Urbano às 02:11 PM | Comentários (9)
setembro 10, 2005
Acho que o presidente da CIP devia ir aprender a fazer contas
Por: Daniel Arruda
A campanha de intoxicação anti trabalhadores continua em força. Ontem, foi o Presidente da CIP Francisco van Zeller que veio dizer mais umas mentiras para a televisão e os jornais.
Veio então o dito senhor dizer que devido aos 11 dias que os candidatos têm direito para fazerem campanha, as empresas seriam lesadas em perto de 272 Milhões de Euros. Dito assim até parece que faz sentido. Mas não faz. É uma mentira descarada e premeditada.
O que van Zeller fez foi pegar no número total de candidatos autárquicos e multiplicar pela percentagem que representam os 11 dias sobre o salário médio nacional.
Para este valor estar correcto era preciso uma série de condicionantes ser verdadeira.
1º Que todos os candidatos gozariam, de facto, os 11 dias, coisa que não é verdade, pois apenas 15% dos candidatos usam efectivamente esse direito, pelas mais diversas razões. Medo de represálias, não renovação de contratos...
2º Que o ordenado médio em Portugal fosse realmente representativo da realidade do país, coisa que não acontece pois este está demasiadamente inflacionado pelos altos ordenados usufruidos por uma camada minoritária da sociedade.
3º que todos os candidatos tivessem direito aos 11 dias de campanha, o que também não é verdade pois os trabalhadores a recibos verdes, epresários e profissinais liberais não estão abrangidos por esta lei.
Em suma, refazendo as contas, o impacto nas empresas não tem nem 1/10 do valor apresentado por van Zeller do alto da sua moral de explorador de mão de obra.
É fácil dizer disparates quando se tem tempo de antena para isso, sabendo de antemão que o contraditório está vedado aos lesados. O que nos vale é que ainda há espaços livres e plurais como os blogues que nos permitem, na medida do possível,desmascarar estas coisas.
Publicado por Troll Urbano às 01:40 PM
setembro 08, 2005
Escravatura do seculo XXI
Por: Daniel Arruda
Aviso:
Pessoas mais sensíveis, doentes cardiacos ou hipertensos não deverão ler o que está escrito a seguir. Se, por ventura, não sofre de nenhum dos males acima mencionados clique na imagem para ampliar e ler melhor.
Este excerto é retirado de um contrato de trabalho que está a ser proposto a trabalhadores portugueses, empregados (no sentido de não desempregados), muitos com mais de 10 anos de casa. Implica um corte de 15% a 30% do ordenado base e percas de regalias sociais, para continuarem a fazer o mesmo trabalho só que com uma entidade patronal diferente. Este contrato é de tempo indeterminado.
Eu pergunto: Será este contrato de trabalho legal? A meu ver não. Como delegado sindical que sou, na empresa onde trabalho, apenas posso aconselhar os trabalhadores a não o assinarem, o desemprego é preferível a isto. Escravatura do seculo XXI.
Mas não se pense que não se sabia que isto vinha aí. Aliás, daqui a pouco tempo todos os contratos serão assim. As directivas comunitárias como a directiva Bolkenstein, vão regulamentar e legalizar este tipo de situações. O que eu não esperava era que houvesse empresas que estivessem com tanta pressa que já o propusessem aos trabalhadores.
Mas fiquei triste, não só pela situação mas também pelo facto de no meio de muitas pessoas a quem já foi proposto este contrato, sete despediram-se e apenas dois souberam dizer não e estão a lutar pelos seus direitos, chantageados, enviados para o médico, chantageados de novo, enfim um rol de coisas que são do mais despresível que há.
Como já disse, sou delegado sindical e temo que depois de uma reacção destas, num microclima como é o de uma empresa, a luta na rua para combater mais esta precariedade vai estar condenada ao fracasso, a menos que as pessoas se sintam tão atingidas que, de uma vez, ousem lutar para que não se retroceda 150 anos na história e se volte a meados do sec XIX.
Publicado por Troll Urbano às 10:21 PM | Comentários (6)
Reunião de pais ás 11 da manhã
Por: Daniel Arruda
O meu filho vai entrar este ano para o 1º ano. Só ontem tive a confirmação pois ele entrava como condicional dado só fazer os 6 anos em Novembro. Vai começar uma nova fase para ele e também para mim.
O que eu não contava é que ainda o ano lectivo não começou e eu já tenho a 1ª queixa a fazer ao Ministério da Educação.
Acho inconcebível que se marque uma reunião de pais para apresentação da professora e da escola para uma 6ª Feira às 11 Horas. É mesmo a pedir que os pais não apareçam até porque este tipo de faltas não é retribuida e da maneira que as coisas estão, perder o ordenado de meio dia que seja, não dá muito jeito. Logicamente perguntei o porquê de ser àquela hora, pois do que me lembro as reuniões sempre foram por volta das 18 ou 19 horas, ao que recebi esta brilhante justificação.
-Há ordens do minstério que as reuniões sejam feitas durante o horário normal de trabalho de modo a que não tenham de ser suportadas despesas com horas extras.
Se é esta a política para a educação, então estamos conversados. Assim cada vez mais as escolas serão depositários de crianças e não espaços de interacção entre pais, professores e alunos como seria desejável.
Publicado por Troll Urbano às 05:11 PM | Comentários (25)
Começa hoje o fim de Troia
Por: Daniel Arruda
Amanhã começa o fim da Troia que conhecemos. Não quero com isto que se pense que sou contra a implusão das duas torres inacabadas. Muito pelo contrário. O que eu sou contra, é os planos da Sonae para aquela zona e as suas implicações
Basicamente o que Belmiro de Azevedo pretende é acabar com a praia dos setubalenses tornando aquilo num imenso condomínio fechado interdito a todos os que não possam pagar o preço que ele quer. Pior, quer acabar com a ligação fluvial que desde há décadas serve o litoral alentejano e os setubalenses, no seu caminho para o trabalho e para casa. Pior ainda, vai acabar com a colónia de golfinhos roazes, única em Portugal.
Senão vejamos:
- No local actualmente ocupado pelo cais dos ferrys vai ser construída a nova marina, aumentando assim o tráfego de barcos de recreio naquela zona, não protegendo a colónia de golfinhos dos ruídos (todos sabemos a delicadeza do aparelho auditivo destes animais)
- O cais dos ferrys vai passar para depois da lagoa aumentando a viagem para o dobro o que vai ter as seguintes implicações:
1- A viagem do ferry vai ter de passar exactamente em cima do habitat usual dos golfinhos.
2- Como a viagem tem o dobro da distância vai ter o dobro do tempo e o dobro do preço (já anunciado)
3- Os setublenses que se queiram dirigir à praia vão ficar a quilómetros da mesma, tornando, assim, esta praia proibitiva para a maior parte dos setubalenses, ficando pior ainda se o acesso ao resort ficar interdito a carros como está no plano inicial.
- O número de viagens vai ser drasticamente reduzido para um número mínimo de viagens.
- o tipo de construção a ser feita naquela zona ainda é ilegal estando tudo dependente da aprovação do novo plano director municipal.
Muito mais se poderia aqui dizer mas acho que seria fastidioso. Será a primeira praia particular de Portugal e de quem mais poderia ser se não da Sonae? A areia, a água ou as marés deveriam ser um bem de todos, uma parte de nós todos. Pelos vistos há quem não pense assim. Descobriu-se neste negócio como dar a volta à lei. Não se proibe o acesso à praia. Basta torná-la inacessível. O Golfinho, ex-libris da cidade de Setúbal pode ser exterminado, a bem do negócio e as pessoas podem ser obrigadas a demorarem mais 1 hora a chegar ao trabalho (o tempo que demora a viagem de carro via A2), porque Belmiro não quer pés descalços em Troia.
Batam palmas a este empresário de sucesso, que foi capaz de fazer levantar deputados ás 7 da manhã, pois ele far-vos-á levantar mais cedo ainda para poderem disfrutar um pouco da sua praia e do seu sucesso, que simultaneamente é a cruz de muitos e de muitas.
Hoje, às 4 da tarde, morre Troia e com ela parte da identidade de uma cidade. A da Serra, do rio e do Mar. Setúbal.
Publicado por Troll Urbano às 01:38 AM | Comentários (4)
setembro 07, 2005
O que é ser de Esquerda?
Por: Isabel Faria
Esta manhã, o Daniel falava da dicotomia Esquerda / Direita. Sou um bocado maluca por estas coisas. Não lhes resisto. Gosto da discussão pela discussão. E este tema fascina-me. Sobretudo quando os meus amigos de Direita (tenho, poucos, mas bons) teimam em convencer-me que essa diferença já não faz sentido...mas que eles são de Direita, ou melhor, que não são de Esquerda...
Claro que cada um de nós, tem uma opinião e, penso, nada melhor que um Blog como o Troll, para as confrontarmos.
Este post não pretende ser um Post. Depois, no fim, vou desafiar o Daniel para fazermos um apanhado e, aí, um post conjunto (sim, amigo, que isto dá trabalho, espero...) sobre as conclusões. Para já, é um desafio. Fazer aqui um pequeno (ok, era muito giro que fosse grande...) espaço de discussão sobre o tema.
A pergunta é:
O que é ser de Esquerda, hoje? Ou, se preferirem, o que é a Esquerda, hoje?
O desafio está lançado. Não se acanhem. Façam de conta que estão em vossa casa.
Ah, é verdade, se isto for um espaçozinho muito pequenininho, não desesperem. Mesmo se não soubermos muito bem porquê, a gente continua a ser de Esquerda.
Publicado por Troll Urbano às 03:10 PM | Comentários (19)
setembro 06, 2005
Desculpa lá...
Por: Isabel Faria
...Daniel, mas, depois do teu post, não resisti.

Publicado por Troll Urbano às 05:06 PM | Comentários (8)
Quantas crianças vão ter de morrer?
Por: Daniel Arruda
Que dizer de um país em que morrem crianças vítimas de maus tratos e onde o serviço de protecção de menores diz nada saber e tudo desconhecer.
Que dizer de um país onde o espancar os filhos é socialmente aceite e aplaudido. Quem nunca ouviu dizer que um tabefe naquelas fuças só lhe fazia era bem.
Que dizer de um país que não tem capacidade de acolhimento para crianças vítimas de maus tratos, físicos e psicológicos, em casa, na mesma proporção em que estes abusos acontecem.
Que dizer. Nada é a solução dos últimos 30 anos. Quantas crianças terão de morrer para que a sociedade abra a boca em protesto.
Publicado por Troll Urbano às 04:02 PM | Comentários (11)
setembro 05, 2005
O George W. Bush é mesmo parvo
Por: Daniel Arruda
A estupidez de alguns seres humanos não tem limites. George W. Bush é um exemplo do que digo.
Fidel Castro com todos os seus defeitos (e algumas virtudes ainda que poucas) foi o primeiro a oferecer a ajuda de médicos cubanos para acudir aos feridos e desalojados vítimas do Katrina. Hoje, qase 72 horas depois continua sem dar uma resposta.
O Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo ofereceu um milhão de dolares como ajuda humanitária e os EUA aceitaram.
A cegueira política nestas alturas tem efeitos tão negativos. Os EUA não precisam do 1 milhãode dolares que aceitaram de um país que retirou da sua boca para dar aos outros e aceita porque é politicamente interessante, mas rejeita a ajuda de um país que felizmente pode emprestar médicos por culpa de uma teimosia que tem como consequência a morte de homens e mulheres que apenas se querem salvar sem saber qual a nacionalidade do médico que os salvou.
Não me lixem. A sociedade moderna nunca mudará enquanto houver quem ponha os interesses injustificado de uns poucos, à frente dos interesses justificados da maioria.
Publicado por Troll Urbano às 07:28 PM | Comentários (16)
O único problema é que não me alimento de bolas de golfe
Por: Daniel Arruda
Publicado por Troll Urbano às 01:54 PM | Comentários (1)
setembro 04, 2005
Francesinhas
Por: Daniel Arruda
Quem me conhece sabe que sou um perdido por francesinhas. É para mim do melhor que a gastronomia típica portuguesa tem para oferecer. Eu só de estar aqui a escrever sobre elas já estou a salivar para cima do teclado.
Este fim de semana estive no Porto e não pude resistir ao chamamento que a francesinha teve em mim, a tal modo que nas 4 refeições que tive naquela cidade 3 foram dedicadas a este pitéu.
Como acho que nunca tinha feito a minha homenagem àquela que é para mim a 8ª maravilha do mundo (não estive para ir ver os arquivos, mas se é repetição nunca é demais), vou prestar aqui a homenagem ao sujeito que criou tal prato. Acho até que é injusto que ele nunca tenha recebido uma condecoração póstuma por alturas do 10 de Junho, já que não há cão nem gato que ainda não tenha sido condecorado com uma Ordem de Mérito qualquer.
Foi inspirada numa sandes francesa, de nome "Croque Madame", e o nome «Francesinha» foi uma homenagem que o poveiro prestou à mulher francesa. Segundo ele, a Francesa era uma mulher quente, húmida e picante, características principais da sua sandes, por isso lhe atribuiu o nome de «Francesinha».
O diferencial deste prato está num molho especial afrodisíaco com todas as características latinas do paladar, cujo molho é um segredo guardado a "sete chaves" já que é a alma do negócio.
Já há para aí muitas versões do molho mas confesso que ainda não encontrei aquela em que a cópia se assemelha ao original, neste caso aquela que se come em várias casas no Porto (mesmo aí já vai havendo umas imitações mais rascas.) Então aquelas que se vendem aqui por Lisboa, é melhor nem fazer comentários.
Publicado por Troll Urbano às 11:08 PM | Comentários (17)
Dois pesos e duas medidas
Por: Daniel Arruda
Ainda gostava de saber o que leva alguns jornalistas a fazer o que fazem. Tem a ver com a edição do Público de hoje.
A 1ª cena passa-se no Porto. A jornalista que fazia a cobertura da Conferência Autárquica do Bloco diz, no artigo principal, que Francisco Louçã falou para uma sala lotada de gente (e estava mesmo) e no artigo de caixa, onde fala da intervenção do candidato apoiado pelo BE à Câmara Municipal de Lisboa, José Sá Fernandes, diz que ele falava para algumas centenas de pessoas, na mesma sala onde a mesma jornalista dizia antes que Louçã falava para uma sala lotada.
Se é certo que ambas estão correctas, uma sala lotada são centenas de pessoas, 3000 mil pessoas são 30 centenas como 500 serão apenas 5 centenas, mas serão sempre algumas centenas, o ar de menosprezo que é dado às coisas não deveria passar despercebido.
2ª cena. No mesmo jornal na reportagem sobre a iniciativa de Carrilho ontem em Lisboa a referência fica-se por uma afluência aquém do esperado.
Mais uma vez nenhuma incorrecção. Um espaço às moscas é, de facto, uma afluência aquém do esperado.
Mais uma vez e se dúvidas houvesse ficámos a saber de que lado está a linha editorial do Público. Seria melhor se assumissem de vez essa orientação. Para que no jornalismo sério que se pretende em Portugal deixe de ser preciso jogar com as palavras para não se assumir o que até é justo, o direito a um jornal privado ter orientação política. Era o que mais faltava era um jornal não poder dizer abertamente, como acontece noutros países, o nosso candidato é este ou nós não gostamos desse candidato.
O que é mau é a ambiguidade com que se trata as coisas. A falta de sinceridade e de honestidade para com os leitores. Por isso é que o jornalismo está como está em Portugal.
Publicado por Troll Urbano às 06:04 PM
agosto 30, 2005
O fim das religiões
Por: Daniel Arruda
Parece que o Papa Ratzinger reuniu com ums fundamentalistas que foram excumungados em 1988 com vista a reintegração da Fraternidade de São Pio X na família do vaticano.
Dado que estamos a falar deste papa e da orientação que ele sempre defendeu, fico com a dúvida de quem se vai aproximar a quem.
Cá para mim acho que é o papa que se vai aproximar da posições da Fraternidade de São Pio X. Para mim é "tinto". Uma missa em latim ou em português é igual, não faço intenções de a ouvir. Se vai haver abertura inter-religiosa ou não, não me interessa. Eles não se vão entender nunca. Cambada de fundamentalistas.
Tudo o que sirva para acabar com essa coisa responsável por intolerância, guerras e mortes é bem visto. É tudo uma questão de acelarar o fim das religiões.
Publicado por Troll Urbano às 09:00 AM | Comentários (2)
agosto 28, 2005
Afinal a calculadora é um objecto perigoso
Por: Daniel Arruda
Parece que os estudantes "traficam" droga em calculadora obrigatória nas aulas, mas apenas no sentido figurado. Ou seja, jogam um jogo que se assemelha a um centro de tráfico onde se compra e vende segundo as leis do mercado.
A sério, eu compreendo a preocupação de pais e professores e demais pessoal escolar. Mas devo dizer que no meu tempo de escola a droga era vendida na realidade, não se tratava de um jogo. Se actualmente a única preocupação que se tem com os miúdos que andam nas secundárias é o facto de eles brincarem aos "dealers", estamos muito melhor.
A questão fundamental neste jogo, ou melhor, nas implicações dele é o facto de os educadores, pais e professores, não estarem á vontade para falar com os jovens sobre drogas. Se tal acontecese o jogo não passava disso mesmo, tal como em qualquer jogo de guerra para PC ou Playstation que as nossas crianças com 6 ou 7 anos hoje já muitas vezes consomem.
A sério, assusta-me muito mais que se venda droga nas escolas do que se jogue aos "dealers". Mas isso sou eu, que pelos vistos sou demasiado ingénuo.
Publicado por Troll Urbano às 03:09 AM
agosto 27, 2005
4 anos para deliberar
Por: Daniel Arruda
4 anos para se deliberar sobre uma coisa!!!! A AACS é uma figura de estilo. Não existe, não é reconhecida por ninguém e não é credível e com este tipo de situações a tendência para o ridiculo só aumenta.
Publicado por Troll Urbano às 02:06 PM
agosto 26, 2005
Uma boa notícia
Por: Daniel Arruda
É tão bom acordar e ouvir a notícia que não há floresta a arder em Portugal.
Já há muito tempo que não ouvia isto, e até me pareceu que a voz da jornalista que dava as notícias hoje de manha tinha outro tom. Mais solto, feliz.
Que nos mantenhamos assim.
Publicado por Troll Urbano às 08:31 AM
agosto 25, 2005
Uma divulgação. Acho que vale a pena.
Por: Daniel Arruda
O Instituto Português de Oncologia (IPO) está a angariar filmes VHS para os doentes da unidade de transplantes que estão em isolamento.
«São crianças e adultos que precisam de um transplante de medula e de estar ocupados durante o tempo de internamento», explica ao PortugalDiário a enfermeira responsável pela unidade, Elsa Oliveira.
A «falta de "stocks"» torna necessária a ajuda da população: «Precisamos de filmes para as pessoas mais desfavorecidas que não têm possibilidade de os trazer. Algumas crianças trazem os seus próprios filmes e brinquedos mas depois quando têm alta levam-os», acrescenta a enfermeira.
O IPO aceita todos os géneros de filmes, mas a preferência vai para a «comédia». Numa altura menos feliz das suas vidas, «um sorriso vai fazer bem a quem passa dias inteiros numa cama de hospital». Rir é sempre um bom remédio.
As cassetes de vídeo ou DVD's antigos podem ser enviadas para:
Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil
Rua Professor Lima Basto 1093 Lisboa Codex
Telefone: 21 726 67 85
Nota: Recebida por E-Mail
Publicado por Troll Urbano às 04:13 PM
agosto 24, 2005
Diz o roto ao nú
Por: Daniel Arruda
É esta a tolerância cristã? Querer ver alguém morto só porque não se concorda com ela?
O que me espanta é que foram estes tipos que a seguir ao 11 de Setembro, os primeiros a chamar terroristas, fundamentalistas e radicis aos activistas islamicos.
É caso para dizer. Diz o roto ao nú.
Publicado por Troll Urbano às 03:09 PM
agosto 22, 2005
Um dos meus temas preferidos. Religião
Por: Daniel Arruda
Nestas coisas da religião sou um tipo terrivelmente básico. Não me passa pela cabeça acreditar em algo que eu não consiga ver ou apalpar. Essa coisa do sobrenatural nunca me fascinou.
Acho os religiosos na sua maioria vendedores de banha-da-cobra. Tentam vender o peixe deles da melhor forma que sabem e/ou podem. Uns dizem que o que é bom é Igreja Apostólica Romana (ICAR), o outro diz que é a Protestante, outros ainda defendem que é a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) tal como os Islamicos defendem o produto deles, e os budistas, os Jeovás, os judeus ortodoxos, os Adventistas, os dos Santos do 7º dia, ....... mas no fundo se os reunissemos todos dentro de um salão de exposições a imagem que passaria cá para fora era a mesma do que a que passa na Expo Motor ou da NautiCampo, onde cada um se mostra e diz que o produto dele é o melhor. Na organização também é parecido. Temos os grandes grupos que tentam denegrir a imagem dos pequenos, apesar de tudo ser igual no produto, mas evitando que os pequenos se tornem grandes e concorrentes e os pequenos a tentarem-se afirmar pela diferença começando a entrar por nichos de mercado, os descontentes, os desiludidos, ...
Enquanto lia as declarações de Ratzinger lá na conferencia de jovens, parecia que estava a ouvir o tipo do stand da Ford que me vendeu o carro.
- Oh amigo, não vá ali ao lado que esses franceses não sabem fazer carros, aquilo é bricolage.
"Religião faça você mesmo" foi como ele chamou as novas seitas. Nem sequer vou discutir se está correcto. Para mim religião é religião. Respeito mas não compreendo e numa altura em que o mercado neste sector está tão competitivo acho que a estratégia de ICAR não é correcta. A ICAR deveria marcar a diferença. Assim um misto de tradição com inovação. Por exemplo Um pouco de humanismo, que tem faltado á Igreja misturado com uns canticos ousados ou missas via Internet.
As novas religiões nesse particular têm estado melhor. Inovaram nos locais de culto como a IURD. Linguagem moderna e a apelar ao consumo, neste caso de milagres e curas. Já se viu que o pessoal está numa de se agarrar á fé. É preciso é que apareça o produto certo com o marketing correcto.
Eu sei que há sempre aquela coisa da fé e outras coisas do género, mas com os anos que

