setembro 04, 2006
O mercado a funcionar
Publicado por Daniel Arruda às 10:05 AM
setembro 03, 2006
Posso ir à Marcha ou quê?????
Já ontem no Público a notícia sobre a Marcha pelo Emprego trazia esta frase:
Os 200 participantes, quase todos de sapatos de ténis ou sandálias, bonés e bandeiras, eram na sua maioria oriundos da classe média urbana sendo poucos os operários ou mesmo cidadãos desempregados que nela participaram. Já ontem tinha ficado com a mesma dúvida quando li a notícia do PÚblico. O jornalista perguntou a ocupação aos participantes? Qual a sua origem? Ou nota-se pela cara? Um operário tem caracteristicas fisicas diferentes de um "oriuno da classe média"? E o "oriundo da classe média urbana" distingue-se como do "oriundo da classe média" não urbana? Pela cor do cabelo? Pelo boné? Pelas sandálias? Quando eu lá estiver na próxima semana, sou oriunda de quê? Os meus pais nasceram numa pequena vila de provincia. O meu pai sempre foi carpinteiro e a minha mãe empregada numa padaria. Vivem da reforma deles. Segundo o conceito marxista não serei, de facto, proletária, mas vivo do meu trabalho desde os 18 anos e apesar de também ter nascido nessa pequena vila do Ribatejo rural, vivo em Lisboa, serei digna representante dessa classe média urbana? Alguém me diz, faxavor se posso participar na Marcha?
Ontem, nos habituais comentários às notícias do Pùblico, alguém dizia que era preciso ter lata para fazer uma Marcha pelo Emprego quando somos todos uma cambada de intelectuais, da classe média, filhos de pais ricos, que nunca trabalhámos na vida. O que encaixa, portanto, perfeitamente em mim...
O que eu sei é que fiz bem em ir fazer madeixas louras a semana passada...ainda baralhava os pobres jornalistas e comentadores das notícias do Público, com aquele ar mal encarado e desleixado...na volta é isso...um operário não usa madeixas. Afinal se a gente pensar bem chega lá. Desta safei-me. Posso andar uns Kms que os jornalistas não ficam baralhados, tadinhos. Assim o calcanhar esquerdo não me pregue uma partida...a propósito, esta deve ser outra diferença...os calcanhares dos operários e dos desempregados devem ser diferentes dos nossos...o meu calcanhar esquerdo é um legitimo representante da "classe média urbana". Arma-se em menino da mamã quando ando uns Kms a pé...ou não? os oriundos da "classe média ubana" não deviam andar todos em ginásios? Já tou a ficar baralhada outra vez...alguém me diz, do JN ou do Público, se posso ou não ir à Marcha...please !!!!
Publicado por Isabel Faria às 12:26 PM | Comentários (10)
setembro 01, 2006
Um tema a que eu já não vinha há muito
Uma publicidade que não me lembro de ver passar em Portugal. Voces já sabem. Eu não resisto a uma publicidade de qualidade. E esta tem e muita
Espero que gostem ...
Publicado por Daniel Arruda às 01:49 PM | Comentários (1)
É o último
Há uns tempos escrevi esta posta. Não pretendia ser nem era políticamente correcta. Tal como a que escrevo hoje porque há coisas mais importantes que a verdade ideológica ou os desvios que se possam ter. Porque para sermos o que somos tivemos de crescer, de nos fazer como pessoas e tivemos de ter as nossas referências. Referências essas que não se questionam se eram as mais correctas ou não. São apenas isso. Coisas que fazem parte da nossa vida e que nos acompanham.
Durante um tempo sofri de um dos 7 pecados mortais. A inveja. A de pertencer a uma geração sem referências. Olhava para a geração que fez o 25 de Abril e via isso. Com o tempo percebi que o problema não estava em mim nem na geração. Estava apenas no facto de não ter vida suficiente para as ter. Nada me tinha acompanhado tempo suficiente para me ser marcante. Aos poucos vou-me apercebendo disso. Fiquei chateado com o fecho do jornal "A Capital," mas de uma outra forma. Assisto á morte de icons do Portugal moderno como Álvaro Cunhal e aprecebo-me que o que conheço é pelos livros de história.
Hoje acaba um jornal que me diz muito. É a última edição. O número 568 ( acho que é esse o número) do Independente vai ser o último. Será o Independente de esquerda? Não será certamente. Mas o Independente marcou uma geração. Foi o início de um novo jornalismo em Portugal. Com MEC, Rui Zink, Inês Serra Lopes e porque não dizé-lo com Paulo Portas. Quando alguém faz um bom trabalho é justo dizé-lo. Fui (por curiosidade a minha muher também) colecionador do suplemento Vidas3 que acompanhava o jornal. Deliciava-me com os seus artigos irreverentes num Portugal atrasadissimo do final de 80, princípio de 90. O Independente contribuiu para modernizar Portugal, quer se queira quer não. Há textos que li naquele jornal que ainda hoje me lembro quase de cor e que hoje continuam actuais. Por exemplo este que aqui deixo em versão resumida pois ele ocupava duas páginas em 1990:
Portugal:
1 de Janeiro de 2006............. 2 de Janeiro de 2006.............3 de Janeiro de 2006.............4 de Janeiro de 2006............. 5 de Janeiro de 2006............. 6 de Janeiro de 2006............. 7 de Janeiro de 2006............. 8 de Janeiro de 2006............. 9 de Janeiro de 2006............. 10 de Janeiro de 2006............. 11 de Janeiro de 2006............. 12 de Janeiro de 2006............. .13 de Janeiro de 2006............. 14 de Janeiro de 2006......-.......15 de Janeiro de 2006............. 16 de Janeiro de 2006............. ............ ............................ ................................................... .................................... 8 de Março de 2006 .........9 de Março de 2006 ............... 10de Março de 2006 ................11 de Março de 2006 ......... 12 de Março de 2006............ 13 de Março de 2006 .........14 de Março de 2006 .........15 de Março de 2006 ..................16 de Março de 2006 .........17 de Março de 2006 .........18 de Março de 2006 ......... ...................................... ............................ ................. .......................... ............................ ................. ........................5 de Junho de 2006 ..................6 de Junho de 2006 .................. 7 de Junho de 2006 .................. 8 de Junho de 2006 .................. 9 de Junho de 2006 .................. 10 de Junho de 2006 .................. 11 de Junho de 2006 ............................................... 12 de Junho de 2006 .................. 13 de Junho de 2006 .................. 14 de Junho de 2006 .................. 15 de Junho de 2006 .................. 16 de Junho de 2006 .................. 17 de Junho de 2006 ................................................18 de Junho de 2006 ........................ 19 de Junho de 2006 .................. 20 de Junho de 2006 ................ 21 de Junho de 2006 .................. 22 de Junho de 2006 .................. 23 de Junho de 2006 ............... .............................. ....................... ................................ ...................... ................ ..................... .............. ................. 21 de Setembro de 2006 ......... 22 de Setembro de 2006 ......... 23 de Setembro de 2006 ......... 24 de Setembro de 2006 ......... 25 de Setembro de 2006 ......... 26 de Setembro de 2006 ......... 27 de Setembro de 2006 ......... 28 de Setembro de 2006 .... .......................... ............................. .......................... ........................ ........................ ........................... ..................... ....................... ..................... 17 de Dezembro de 2006 .......... 18 de Dezembro de 2006 .......... 19 de Dezembro de 2006 .......... 20 de Dezembro de 2006 .......... 21 de Dezembro de 2006 .......... 22 de Dezembro de 2006 .............. 23 de Dezembro de 2006 .............. 24 de Dezembro de 2006 ............. 25 de Dezembro de 2006 .......... 26 de Dezembro de 2006 .......... 27 de Dezembro de 2006 ................... 28 de Dezembro de 2006 .............. 29 de Dezembro de 2006 .................. 30 de Dezembro de 2006 .......... 31 de Dezembro de 2006 .......... Fim do calendário da depressão
Para mim o Independente foi durante anos uma referência. De há 3 anos para cá tinha voltado a comprá-lo . Primeiro intermitente e agora regularmente. Tinha voltado a ter a qualidade a que nos tinha habituado. Agora fecha.
Quando os jornais em Portugal se resumirem ao Expresso, ao Público e ao DN estaremos bem. Já agora acabem também com as televisões.
Publicado por Daniel Arruda às 08:20 AM | Comentários (6)
agosto 28, 2006
Tá parvo
O grande e abominável César das Neves tenta hoje convencer-nos que a situação assim como está é boa, pois é nas dificuldades que se vai encontrar os pontos de viragem ou nas palavras do próprio:
Confesso que li o artigo para aí umas 3 vezes para ver se descobria alguma ironia nas palavras do distinto senhor. Sim, porque só com muita ironia se pode dizer a uma pessoa que tem 2 trabalhos e que mesmo assim tem dificuldade em pôr a sopa na mesa que passar fome é bom e que as pessoas devem ver isso como um processo de transformação da economia perfeitamente normal.
É tão bom falar de barriga cheia é o único comentário que consigo fazer a esta diarreia mental.
Publicado por Daniel Arruda às 07:24 AM | Comentários (2)
agosto 25, 2006
Um sabor qualquer

Agosto de 2006, abro os jornais on line, procuro palavras que ainda não se tenham esgotado, e apenas me recordo do refrão do Sérgio, de há trinta e dois anos.
Só há liberdade a sério quando houver
a paz o pão
habitação
saúde educação
só há liberdade a sério quando houver
liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
E não sei o que chamo ao sabor amargo que me fica cá dentro. Desencanto? Impotência?
Procuro uma foto, qualquer uma que possa tornar um pouco mais tolerável o sabor e só descubro a de um sorriso triste de criança.
Imagino os sorrisos tristes de crianças que permitimos nestes 32 anos, em Portugal, e o sabor amargo adquire uma outra dimensão. Culpa.
Publicado por Isabel Faria às 11:25 AM | Comentários (1)
agosto 23, 2006
Entretanto , ali mesmo ao lado, na Amadora...

Entretanto, como a vida dura de quem quase não tem vida, não pára com o Benfica, nem com o Verão, ontem na Amadora, dez pessoas ficaram sem ter casa para dormir. Quando se vê as condições em que estavam, não consigo usar a expressão, casas para viver.
Duas activistas da Solidariedade Imigrante foram detidas pela Policia e o Daniel, conforme declarações ao DN, tem 43 anos, vive sozinho, não tem ninguém, não tem trabalho e pode ser que algum vizinho o ajude a não ter que ir para a rua. Ah, e estamos em Portugal, no Verão de.2006. Esta última parte digo eu. Dúvido que o Daniel tenha tempo e vontade de se lembrar disso.
Publicado por Isabel Faria às 11:05 AM | Comentários (1)
agosto 22, 2006
Um artigo duas postas (II)
Diz a notícia que "a vaga de imigrantes deverá entrar em território português pela Madeira e pelo Algarve".
Por favor, muitos destes imigrantes são pessoas que já sofreram muito. Avisem-nos, a ONU por exemplo, que a a Madeira não é um bom sítio para eles. Que tem um gajo no poder que não gosta de emigrantes e que tem uns quantos tiques ditatoriais. Eles que escolham outro sítio qualquer mas não a Madeira. Para o bem deles
Publicado por Daniel Arruda às 10:30 AM
Um artigo duas postas (I)
Sempre se soube que há várias formas de dar uma notícia. Especialmente se alguém quiser fazer um aproveitamento da questão. É o caso. Os escribas de direita e alguns poíticos de pseudo esquerda também, não perdem uma oportunidade de dar uma facadinha ao mesmo tempo que dão a no0tícia ou fazem uma declaração.
Vejamos um exemplo:
Se no mesmo artigo se ler que ...
A concretizar-se esta «ameaça», a vaga de imigrantes...
...medida que vão sendo «blindados outros pontos da fronteira externa...
Não podemos ter a ilusão de que Portugal está imune
... é óbvio que se vai interiorizar estes chavões, ainda por cima um pode aparecer em sub título. Desta forma a essencia da notícia vai ser diluída e o que os leitor vai reter é que a ameaça que os emigrantes representam vai ser combatida por uma blindagem das fronteiras, porque Portugal não está imune a esta doença. O resto é palha, propositadamente para que só se retire o sumo que o jornalista quer que se retire. Parece-me profundamento desonesto que se continue a usar estas artimanhas para que se fazer opinião.
Publicado por Daniel Arruda às 10:15 AM
A guerra no Ocidente
A Guerra está a fazer o seu caminho. Sim que a Guerra não se faz só no Médio Oriente. Faz-se e muito nas nossas mentalidades e na formatação que querem fazer ás nossas cabeças. O racismo, terror, medo ou fobia ou como lhe quiserem chamar faz o seu caminho a ponto de haver pessoas ocidentais, "superiores", com medo de embarcar num voo só porque havia pessoas com tom de cor ou fisionomia diferente.
Há cerca de 5 semanas brinquei com o facto de no avião onde eu ia estarem muçulmanos e já me arrependi de o ter feito. É que brincadeira é uma coisa mas nunca pensei que a mente de alguns fosse tão tacanha que uma situação destas fosse real.
A Guerra vai andando. A Europa fortaleza também. Cada vez mais isolados do mundo mas próximos dos EUA. Cabe a cada um de nós pensar se isso é correcto. Se este medo leva a algum lado. A mim não me parece mas quem sou eu?
Publicado por Daniel Arruda às 07:52 AM | Comentários (2)
agosto 21, 2006
Não se mata nem se morre por amor
Há títulos que me fazem alguma confusão.
Portugueses continuam a matar e morrer por amor.
Não se mata nem se morre por amor. Por mais romãntico que isso nos apareça. Ou por mais cruel. Mata-se e morre-se por egoísmo, por rancor, porque não se suporta o fim do amor, por ciume doentio, por medo, porque não se suporta o espelho, o da alma ou o outro, mas por amor, não.
A única coisa que admito que se faça por amor, é amar. Claro que admito que entrem aqui uma porrada de verbos, chatos e foleiros: às vezes, sofre-se, outras magoamo-nos, outras aimda choramos.
Mas morrer ou matar por amor, não me venham com histórias. Quando se quer morrer ou matar, já há muito que se matou o amor. Em Portugal, na China ou em Marte.
Publicado por Isabel Faria às 11:58 AM | Comentários (10)
agosto 20, 2006
Como se dirão estes ditados na India
E se um incomoda muita gente dois podem incomodar muito mais é uma frase que se aplica na perfeição a um indiano que tem um orgão sexual a mais. Mas também se poderia aplicar a frase Quem tudo quer, tudo perde pois arrisca-se a perder o que tem. Lembro-me ainda assim da frase que diz, Deus dá nozes a quem não tem dentes pela vontade que imagino de muitos estarem no lugar dele. Este indiano é também aquele que vai perder a hipotese de dizer, Mais vale um pássaro na mão que dois voar embora ele literalmente possa ter um na mão e outro a "voar".Há também aqueles que achariam que Quem não tem cão caça com gato esquecendo-se que há pelo menos um que em caçadas de grande porte levam o cão e o gato.
Enfim, há ditados para todos os gostos. Como será que se diz na India?
Publicado por Daniel Arruda às 01:25 PM | Comentários (2)
agosto 18, 2006
Ora aí está aquilo que não se deve dizer
Nas nossas caxas de comentários deixaram-nos o aviso que ele tinha voltado á blogosfera. É daquelas pessoas que não podendo estar mais nos antipodas (políticos, entenda-se) de mim, é uma pessoa que admiro na escrita e na velocidade de pensamento. Durante anos as páginas do Independente eram devoradas só para ver os textos dele. As suas crónicas. Comprei os seus livros, todos eles, sem excepção, todos fantásticos. Dele recordo-me de um debate sobre o acordo ortográfico em que havia dois convidados e estes podiam levar dois amigos cada um para os ajudar naquele debate. Era uma versão anterior de uma espécie de prós e contras. Messe debate apresentaram-se de um lado 3 professores catedráticos e do outro apela ele. Nem vou discutir se a opinião dele era a correcta, maso que ficou foi que ele conseguiu dinamitar por completo todos os argumentos dos catedráticos de Coimbra e Lisboa.
Posso muitas vezes não concordar com ele mas a admiração pelo intelectual acho que vai perdurar para sempre. Bem vindo de volta MEC.
PS - Só tenho pena que não reedite a dupla com Rui Zink como nos bons velhos tempos. Seria a coroa na Blogosfera nacional.
Publicado por Daniel Arruda às 02:51 PM | Comentários (3)
agosto 16, 2006
Vamos fazer um exercício.
Vamos fazer um exercício.
Imaginem que estão numa qualquer zona de praias. Uma zona cheia de turistas que vão em busca de divertimento. Os Bares promovem como normalmente festas ""temáticas" normalmente com o patrocinio de uma qualquer bebida, afinal são bares e se eles fossem patrocinados por marcas de detergentes é que eu me admirava. Em todo lado há a festa da Caipirinha, da Sagres, Da Budweiser, .... tal como aliás há os Festivais populares que têm exclusivos de uma bebida e até das festas populares que muitas vezes são patrocinadas.
Continuemos com o exercício. Imaginemos que vamos a uma festa da Caipirinha por exemplo e o normal nessas festas é até se beber, imaginem, caipirinha. Imaginemos que o patrocinador da festa pretende oferecer uns brindes. Fitas, porta chaves, chapéus e bebidas. Sim, que pode ser normal especialmente se houver aquelas raspadinhas muito em moda. Uma bebida, uma raspadinha e logo vês qual o prémio.
Continuemos a imaginar que estamos numa festa assim, bem divertidos a ouvir um bom "sonoro". Até aqui é tudo normal, mas para dar um pouco de vida à coisa vamos imaginar que a polícia entra por ali adentro. Imaginamos uma rusga, não, melhor, imaginamos que eles vão apenas acabar com a festa porque as festas apesar de patrocinadas não podem ter incentivo ao consumo de alcool. Assim torna-se um pouco mais difícil o exercício de imaginação. Imaginemos que no meio desta confusão a festa é abruptamente terminada e os responsáveis que estão na festa são multados em 25000 Euros. Vejamos hipóteses para esta multa para tornar a história imaginária ainda mais intensa. Um Cartaz que dizia "Beba duas, Pague uma", um cartão de consumo que à 5ª bebida oferece uma grátis, a raspadinha que dá prémios, ... vou ver se me lembro de mais alguma, .... sim, .... Um Videowall que passe anuncios sugestivos da bebida ou uns (umas) manequins simpátic@s e bonit@s que destribuam as bebidas. Pior ainda seria se houvesse um patrocinador que ofereça bebidas para promover uma nova marca.
Bom a história já está mesmo no domínio da imaginação agora mas vamos pôr mais imaginação nisto que as histórias são boas é quando são completamente surreais. Imaginemos que esta "rusga" faz parte de uma grande investigação, com dezenas de efectivos das Brigadas de Investigação criminal envolvidos e que visa desmantelar toda uma rede de festas patrocinadas que há em Portugal, calculo que ao Fim de Semana haja em Portugal mais de 1000. Só no meu bairro são normalmente uma ou duas. Podiamos imaginar que esta investigação começa no Algarve, porque é onde há mais festas , mas para tornar o enredo mais "louco" vamos imaginar que o desmantelamento desta perigosa rede começa geograficamente pelo Norte seguindo para sul e por isso a 1ª zona a ser atacada é a praia do Furadouro em Ovar, conhecida pela sua vida nocturna intensa e em expansão.
O enredo já está a ficar bom. Bastante imaginativo não acham? Pois é. O problema é que eu não inventei isto. É real e passa-se em portugal em 2006. Vejam aqui e fiquem atónitos.
Só mesmo aqui. Será que quem manda na nossa polícia não tem mais nada que fazer? Não há nada mais importante neste país para fazer? Não há criminosos para apanhar? Será que vamos multar todas as discotecas, bares e até cafés deste país?
Eu não entendo isto. A sério que não entendo.
Publicado por Daniel Arruda às 10:05 AM | Comentários (1)
Portugal no seu melhor
Depois do caso das escutas ficámos a saber que as forças de segurança e protecção civil são escutadas assim como a segurança do PR e do 1º Ministro. Ficámos também a saber que o problema vai estr resolvido dentro de pouco tempo pois as comunicações em Lisboa vão passar a ser seguras. Não é em Portugal, é em Lisboa. Apenas e só. Ficámos também a saber que há quem perde tempo a escutar estas coisas, facto que eu julgava impensável dado o interesse da coisa.
Depois admiram-se que em Portugal nada se resolva. É se está meio mundo a escutar o outro meio pouco ou nada sobra para resolver. Mas não se pense que isto tráz só desvantagens. Eu acho que a Al-Qaeda esteve a ouvir as nossas comunicações e só por isso poupou o nosso país a uns atentados. É que depois de ouvirem o que se passa, de verificarem o desleixo acharam que até ficava mal no "curriculum vitae" de um bombista efectuar um ataque em Portugal.
- Então onde é que já fizeste uns atentados.
- Em Portugal.
- Epa, vai lá para a rua e volta quando tiveres uma coisa que se mostre e não essa brincadeira de crianças de fazer ataques em Portugal.
Publicado por Daniel Arruda às 08:09 AM | Comentários (1)
agosto 15, 2006
Eu sou saloio
Hoje é um dia especial. Comemora-se hoje um pouco por toda a região saloia o dia do Saloio e que tem especial destaque na praia de Santa Cruz. Para quem não sabe a zona saloia é toda aquela que vai do Olival Basto (ao fundo da Calçada de Carriche, às portas de Lisboa) até Torres Vedras.
Há por aí quem use este termo de uma forma que se pretende de ofensiva, assim do género, "És mesmo saloio", mas o que essas pessoas não sabem é que nós saloios temos orgulho no que somos. Eu digo sempre e repito sempre que posso, que tenho gosto de ser saloio.
Apesar de ter nascido longe, na "estranja", fui criado em Loures e fico feliz por hoje poder comemorar aquele que também é o meu dia.
Um grande bem haja á região saloia e aos seus habitantes.
Publicado por Daniel Arruda às 04:37 PM | Comentários (7)
Os Planetas não se medem aos palmos!!!!

Ora aqui está uma notícia que me põe mal disposta logo de manhã...ok, não é manhã, mas fica bem no texto.
Acho de um mau gosto incrível pensarem sequer em tirar-me o Plutão. Ou em passá-lo para a 2ª divisão dos Planetas. Eu tenho 1,60m de altura, há gente muito mais pequenina que eu...não somos gente por causa do tamanho, é? Porque carga de água é que aquela de que os homens não se medem aos palmos não se pode aplicar aos planetas? Eu aprendi aquela ladaínha toda...Mercúrio, Vénus....Urano, Neptuno e Plutão. O e estava ali. Ninguém me vai obrigar a mudar o gajo de sítio.
E depois eu tenho outro problema grave. Há uns anos fizeram-me uma Carta do Céu. Disseram-me que tinha ascendente em Leão e puseram lá os Planetas todos...até o Plutão. E, pasme-se, disseram-me que tinha o Plutão em conjunção com o Ascendente. Não sabia o que isso significava...explicaram-me que não era muito bom...levei anos a habituar-me a esse facto incontornável, mas agora não abdico dele, assim do pé para a mão. Quero a minha conjunção. Na altura, disseram-me que teria sempre assim uns fins violentos...por causa do canochito estar naquele local. Perguntei, assustada, mortes e assim??' não, isso só morres uma vez...nas relações, por exemplo. Confesso que depois do choque inicial veio a esperança: ainda hei-de ver um homem a fazer um duelo por mim...ou a ameaçar mandar-se ou mandar-me da Ponte...ou a passar-me rasteiras...ou a ameaçar que mete a mão na tomada enquanto toma banho...até me cheguei a lembrar do Império da Paixão, acho que até do dos Sentdos...tudo coisas que o Plutão permitiria e que se mo tiram, perco, definitivamente, a hipótese de, algum dia, presenciar.
Para além de denunciar esta situação este post tem outro fim. Peço-vos que se juntem a mim e que façamos um movimento de defesa do Plutão. Tipo, abaixo assinado, manifestações de rua, envio de Emails (para os cientistas...parece que os planetas não aprenderam a ler...), etc, etc, etc..
Já agora juntamos a isso a nossa reivindicação que Xena também passe a contar como Planeta. Parece-me um atentado à paridade e aos direitos das mulheres que em 9 planetas, 7 sejam masculinos. Só admitirei mudar o e de lugar se fôr para meter lá a Xena.
Contra a despromoção de Plutão!!!!
Pelo reconhecimento de Xena!!!
Pelo fim da descriminação sexual dos Planetas!!!!
Os Planetas não se medem aos palmos!!!!
Publicado por Isabel Faria às 12:56 PM | Comentários (4)
agosto 10, 2006
Nem tudo o que luz é ouro....
Parece que vou ter de discordar ligeiramente da Isabel numa posta mais abaixo, porque, e desculpem-me se sou céptico demais, depois de uma suposta entrevista de um membro do Hezbolah um desmantelamento de um ataque terrorista vem mesmo a calhar para as pretensões do Império.
É que não faz de todo sentido que o Ataque se realize na Inglaterra, muito menos em aviões que vão para os EUA. A menos que nós achemos que organizações terroristas como a Al-qaeda ou o Hezbolah sejam de tal maneira estúpidas que façam os ataques em território dos países mais alertas, com os melhores serviços secretos, numa altura em que os níveis de alerta estão no máximo em deterimento de outros ataques que poderiam fazer, de forma mais eficaz e com efeitos mais devastadores.
Não quero ser revisionista mas tirando os ataques de Madrid, não acham que todos os outros caíram que nem sopa no mel nos objectivos a santa aliança EUA-Inglaterra-Israel? Vou esperar pelos próximos episódios.
Disse que discordava ligeirmente da posta da Isabel porque realmente concordo que a invasão do Iraque não tenha trazido mais segurança ao mundo. Só que eu ainda não percebi quem é que nesta história é o terrorista.
Publicado por Daniel Arruda às 02:00 PM | Comentários (5)
agosto 05, 2006
Masturbação

Isto sim é uma actividade para o fim de semana. Abençoados organizadores de semelhante iniciativa. Só em Portugal, o país que mais records tem no Guinnes Book of Records ainda não se lembrou de bater (textualmente neste caso) este feito. Ainda por cima tem um objectivo de caridade.
Venha de lá esta ovação.
Uma nota: Num país como o nosso em que a sexualidade infelizmente ainda é tabú a masturbação ainda é visto como algo mau. É daqueles casos em que toda a gente, ou quase toda, pode dizer que já fez mas ninguém comenta. Ninguém defende. É bom que saíam notícias destas para ver se de uma vez por todas crescemos.
Publicado por Daniel Arruda às 01:17 PM | Comentários (1)
agosto 04, 2006
Será que era mesmo médico????
Eu ouvi as declarações do médico anteontem no notíciário das 20 Horas na televisão. Ouvi-o dizer claramente que se tratava de mais um caso de abuso, que a criança tinha queimaduras de cigarro e uma que parecia ser de um ferro de engomar. Foi um médico que disse isto.
Afinal o que podemos esperar de um médico que não destingue um problema dermatológico de uma queimadura deliberadamente provocada? Em que posição ficou a mãe de uma criança que viu o seu nome arrastado na lama? Quem se responsabiliza por isto? Quem investiga este médico para termos a certeza que ele não se engana e faz uma autópsia em vez de uma operação á apendicite?
Com toda esta fobia onde é que vamos parar. Vergonhoso.
Publicado por Daniel Arruda às 10:04 AM | Comentários (6)
agosto 03, 2006
Brincadeira ................. de crianças

Foi assim que foi classificada a morte de Gisberta. Uma brincadeira, de crianças certamente, pois as idades a isso obrigam.
Acho que deveriamos ajudar a que as nossas crianças brinquem. Vamos levá-las a sitios públicos onde parem muitas pessoas para que haja variedade. Vamos incitá-las a brincar a este novo jogo que os tribunais portugueses inventaram. Chama-se o espanca o próximo e como prémio para aquele que conseguir ser mais original na forma como bater e especialmente na forma como oculta o cadáver tem o direito a 13 meses de férias com saídas ao fim de semana. Estou até tentado a introduzir uma nova regra no jogo. Quem conseguir profanar o cadaver de forma original e criativa terá ainda um bónus de poder saír da instituição para receber uma vez por semana tratamento psiquiátrico.
Por acaso foi um transsexual que por azar ainda por cima era imigrante e pessoas com estas duas caracteristicas em Portugal valem zero. Mas vejamos as coisa pelo lado positivo. Em Portugal uma vida humana tem preço e está sujeita às flutuações de mercado e da concorrência. É que ficámos a saber que em Portugal as vidas não têm todas o mesmo valor. Há umas que para o estado não valem nada a ponto de poderem ser sacrificadas por uma brincadeira, de crianças .... certamente
Publicado por Daniel Arruda às 11:10 AM | Comentários (5)
Nada como tê-los esfomeados...
Há sempre a hipótese de nos safarmos com os esfomeados...
Segundo este reconfortante estudo, quando estão de estômago vazio eles não reparam nas nossas curvas (ou falta delas...). O que, apesar de tudo, é uma diferença significativa. Eu quando estou com fome nem reparo neles....
Publicado por Isabel Faria às 09:50 AM | Comentários (4)
julho 29, 2006
Lamego
Lamego é de facto uma cidade espantosa. Não me canso de cá vir, de a visitar, de entrar em suas igrejas, de ir ao castelo ou apenas de passear nas suas ruas. Gosto de comer as bolas, de bacalhau, presunto ou de outra coisa qualquer. Mas mesmo fora da cidade eu sinto-me bem. A percorrer as estradas que serpenteiam entre as vinhas, a subir aos miradouros e ficar por ali, apenas a desfrutar daquilo que a natureza nos deu e que o homem soube preservar.
Adoro descer para o Douro e ficar ali á beira rio, numa qualquer esplanada da Régua ou numa das praias fluviais, a ouvir as histórias que o rio tem para contar e se elas são muitas. Histórias de vidas mas também de sofrimentos que hoje são apenas sussurrados sempre que um rabelo desce o rio já sem cumprir a sua função inicial.
Mas a história da região é mais que coisas materiais. Eu não sou religioso mas as crenças aqui fascinam-me. Pela forma como são exercidas e vividas. As procissões têm alma e sentimento. As pessoas vivem a espiritualidade, para o bem e para o mal. As que cá vivem e as que visitam Lamego nas suas perigrinações dos caminhos de Santiago. É esse sentimento que dá ccoesão. Desengane-se por isso que a coesão social e territorial é uma coisa política. Para mim essa ideia é do mais errado que existe. Ao passearmos por Braga, Lamego Chaves, Vila Real, Caminha encontramos o mesmo sentimento que encontramos a passear por Santiago de Compostela ou Pontevedra. Encontramos pessoas iguais, estilos de vida iguais, e essas coisas fazem-nos pensar sobre as questões de território.
Tenho um amigo galego que me diz repetidas vezes que a Galiza deveria ser independente mas se não o fosse que teria de pertencer a Portugal. Não concordo com ele. Poderia ser independente mas deveria-se ponderar o facto de Minho e Trás os Montes poderem fazer parte desta grande comunidade pois as afinidades são enormes e elas sentem-se. Não se trata aqui de uma separação ou desmembramento do nosso país mas se quisermos pensar na Iberia como uma zona de regiões não podemos esquartejar uma coisa que históricamente e culturalmente é una.
Atenção, não estou aqui a propor nenhum tipo de novo estado, estou apenas a constatar um facto que se calhar num qualquer futuro terá de ser equacionado. Estou a constatar realidades culturais, arquitetónicas e de vivencia das pessoas. Como disse mais acima "Desengane-se por isso que a coesão social e territorial é uma coisa política" estou a falar de sociedades de ligações culturais e de hábitos.
Lamego é disso um exemplo. Quem já passeou por Santiago sente-se em casa em Lamego. Eu sinto-me em casa.
Publicado por Daniel Arruda às 10:45 AM | Comentários (5)
julho 27, 2006
Um link
Mesmo aqui em férias recebo desafios. Um amigo enviou-me este link e um desafio. Que o visse, o publicasse e lhe colocasse comentários, que não fossem de "dona-de-casa-trabalhadora-empregada-măe-aflita com os problemas da vida" (desculpa lá, mas isto de publicar posts a pedido tem as suas contrapartidas...).
O link aqui fica. O único comentário posível é que não acredito que uma sociedade que não respeite os seres vivos possa ser uma sociedade justa. Nem que pessoas que não respeitam os outros seres vivos e a natureza possam ser criadores de sociedades justas.
Quanto ao resto...não prometo nada. É que, para mal dos meus pecados, sou isso tudo...talvez a excepção seja dona-de-casa...mas trabalhadora, empregada, mãe e aflita com os problemas da vida (olha acabei de perder umas chaves e não faço ideia como me vou safar desta...), disso não tenho mesmo como me safar...
E manda mais...aqui é tão complicado fazer posts que sempre ajuda...e uma boa causa, amigo, é sempre uma boa causa...nem preciso de me atrever...basta não me esquecer de ser coerente!!!!
Publicado por Isabel Faria às 12:10 PM | Comentários (3)
19.000 Euros
Será que li bem?!??!?! Os CTT pagaram 19.000 Euros por uma palestra de Scolari, sobre espírito de grupo?!?!?!?!?!?!
OS CTT não são públicos? Então nós portugueses pagámos 19.000 Euros para que o selecionador nacional de Futebol, já de si princepescamente pago pelo erário público, (ou mais ou menos pelo erário público dadas as relações entre federações e estado) receba mais 19.000 para ir dar uma palestra a funcionários dos CTT.
Espero sinceramente que isto não seja verdade pois a ser é mais que insultuoso para quem trabalha diariamente.
Publicado por Daniel Arruda às 11:19 AM
julho 26, 2006
Um amigo que está lá, onde tudo se passa.
Não são questões muito técnicas nem sequer opiniões no sentido mais político da palavra mas vejam aqui relatos de que está na zona circundante do conflito e que trás uma outra perspectiva das coisas.
Daniel, acho que não podias ter escolhido "melhor" sítio para passar "férias"
Publicado por Daniel Arruda às 02:03 PM
julho 25, 2006
Segurança ou Demagogia
A propósito de um artigo que escrevi para o Jornal da Moita e que pode ser lido em http://blocodenotas-be-moita.blogspot.com/ vem um cidadão cujo mail é jfigueira tecer algumas criticas dando a entender que a triste situação de violência com perda de vidas humanas que se passou no passado domingo no mercado da Moita tinha a ver com isso.
Resolvi pois colocar este post
O cidadão jfigueira, numa atitude incompreensível, tenta argumentar contra um artigo meu, dando a entender que se perderam vidas numa desordem no mercado municipal da Moita, por não haver posto da GNR.
Ora vamos lá a pensar em conjunto:
1) Há alguns meses atrás na Baixa da Banheira, terra que até tem posto da GNR perdeu-se uma vida de modo semelhante.
2) Se recuarmos mais uns meses, também na Baixa da Banheira repito terra que tem posto da GNR e a menos de 100 metro do dito posto, também pessoas de etnia cigana numa briga acabaram por matar um cidadão de origem
caboverdiana.
3) E se voltarmos uns dois ou três anos mais atrás também num mercado semanal, duas pessoas da mesma etnia cigana num desacato, utilizaram armas de fogo tendo um deles sido morto.
É de salientar que no caso dos mercados (semanais) e mensais sempre estão presentes patrulhas da GNR e no caso em concreto também lá estavam, é claro que não estavam no local, porque não há "bruxos".
Ao cidadão em concreto, reafirmo a minha convicção que não é por temporariamente a Moita não ter posto da GNR que tal acontecimento se deu. Reafirmo que as forças da GNR estavam no mercado exactamente com o mesmo
número de soldados que tinham aquando da existência do posto da Moita, reafirmo que para além disso, a Moita tem um posto da PSP, coisa que mais vila nenhuma do concelho tem.
Quero também esclarecer que jamais escreveria um artigo como sugere o cidadão jfigueira "pelo facto da Câmara da Moita ter deixado partir a GNR perderam-se 2 vidas", pois tal artigo seria uma mentira, as minhas criticas
à Câmara Municipal da Moita, são de ordem politica e estratégica, no que diz respeito ás opções que faz em relação ao concelho onde vivo há 45 anos e onde gosto de viver, razão pela qual tenho opiniões que penso o podem melhorar, nomeadamente para com a expansão urbanística, o melhorar e ampliar as zonas verdes nomeadamente a arborização do concelho, a requalificação urbana há muito prometida e sistematicamente adiada, e as questões ligadas com a zona ribeirinha e o aterro de sapais, o lançamento de esgotos para o Tejo, a
circulação dos mesmos a céu aberto como acontece na vila de Alhos Vedros, etc.
Utilizar um problema do tipo do ocorrido para atacar a Câmara e os seus responsáveis era no mínimo ignóbil e nenhuma das forças ali representadas o merece.
Publicado por António Chora às 03:35 PM
julho 23, 2006
Não entendo
Ontem falava com uma amigo que me dizia cheio de orgulho que não tinha tempo para ler livros que não fossem técnicos. Anteontem à noite ouvi uma pessoa na televisão dizer com orgulho que não votava há mais de 20 anos. A semana passada ouvi uma pessoa gabar-se de como conseguia fugir aos impostos e ainda receber dinheiro do Estado.
Porque será que é cada vez mais normal ter orgulho exactamente naquilo que nos deveria causar maior vergonha????
Publicado por Daniel Arruda às 11:49 AM | Comentários (2)
julho 20, 2006
Tinha de ser
Tenho estado a pensar se o deveria fazer. A morte nunca deve ser motivo de jubilo. Não o é neste caso. Mas também não posso dizer que tenha pena. Normalmente nas homenagens costumo colocar uma foto. Calcula-se por isso porque é que esta não tem foto. Porque não é uma homenagem. É uma constatação de um facto. De que alguém morreu sem ter cumprido pena e sem ter sido julgado pelo seu maior crime. O assasinato de Humberto Delgado.
Rosa Casaco está a esta hora debaixo de terra. Já lhe devia uns anos. Nunca se arrependeu do que fez, nem uma lágrima de crocodilo sequer verteu. Não me preocupa se esta posta é politicamente incorrecta. Nunca me preocuparam essas coisas. Nunca o conheci nem sofri ás suas mão mas historicamente é uma figura que me repugna, como repugnam todos os que mataram e torturaram com prazer e convicção.
O desabafo está feito, em contra corrente com a quase desculpabilização que os "media" lhe fizeram ontem e hoje. Tinha de o fazer. Os elogios a quem é de elogios e as .... (não sei que palavra usar para semelhante ser) a quem os merece.
Publicado por Daniel Arruda às 09:06 PM | Comentários (5)
julho 19, 2006
Em Portugal
Ficámos ontem a saber, que um país civilizado da Europa esta dependente de uma ponte. Se a ligação da ponte de Vila Real de Sto António for interrompida não existem alternativas para os transportes de mercadorias num raio de largos Km, ou seja, os algarvios estão lixados com F grande se um dia aquela ponte for abaixo.
Publicado por Daniel Arruda às 03:47 PM | Comentários (3)
Paz, Peace, Paix, Pace, Frieden, Shalom, السلام... PAZ!
Depois de ver a posta da Isabel sobre os miúdos a jogar á bola estive a ver uns desenhos animados com o meu. Estava a dar a Sakura, um desenho animado japonês como tantos outros, em que o personagem busca felicidade para ele e para os outros Tal como em tantos outros desenhos animados, o mal é sempre vencido e o amor o vencedor, como na esmagadora maioria deles. Ao ver este desenho animado estava a pensar como o mundo poderia ser bonito se isto fosse verdade.
Esta noite ao jantar fui incapaz de explicar de uma forma racional ao meu filho o que se estava a passar no Médio Oriente. Não consegui explicar as bombas, os corpos mutilados, as crianças nos hospitais, as casas destruidas nem o ar satisfeito dos comandantes da guerra. Como se explica racionalmente as coisas irracionais? Como explicar que o seu mundo, o da Sakura, mas também o dos Digimons ou do Oliver Benji, não passa de uma pura ficção em todos os aspectos. Que os Homens na realidade fazem é guerra, que destroem, que não se respeitam. Que no seu mundo não há petróleo, interesses económicos, invejas e religiões e que no mundo real não há amor nem fraternidade pois nesta sociedade que vivemos isso é considerado incompatível. Como lhe vou conseguir explicar que aquilo que lhe ensino não é o que é praticado pelo mundo sem caír no "ridículo" de lhe dizer que luto por um outro mundo e pior, que acredito que esse mundo só será possível se ele e muitos "eles" o fizerem nascer.
A ele e a todas as crianças que podem ter uma visão do mundo sem guerra cabe a hércula tarefa de fazer um mundo melhor. É às próximas gerações (sem nos desligarmos das nossas obrigações agora) que temos de passar a mensagem...
...GIVE PEACE A CHANCE...
...enquanto ainda há tempo ( e Mundo).
Publicado por Daniel Arruda às 12:23 AM | Comentários (2)
julho 11, 2006
GM Azambuja

Já se sabia. Parecia inevitável, mas custa sempre saber que há mais 1000 famílias que vão ser afectadas por mais uma deslocalização. A GM Azambuja não fecha porque tnha de ser assim. Não fecha porque os trabalhadores eram maus. Fecha porque a administração assim o quer. Fecha porque a ansia de mais lucros o exige. Hoje é para a Eslóvaquia, Eslovénia ou outro país qualquer. Amanhã será dali para outro país onde os trabalhadores sejam ainda mais explorados.
Hoje activaram o relógio. A bomba, essa explodirá na vida das pessoas mais para o fim do ano. Somos todos solidários com os trabalhadores da GM Azambuja. Pois somos. Mas será que isso tas comida para o prato? Não. Temos é de ter atitude e essa é todos os dias, na luta contra o sistema. É na luta, na indignação e na revolta que se poderá demonstrar a melhor forma de solidariedade por estes e por todos os trabalhadores
Publicado por Daniel Arruda às 07:09 PM | Comentários (11)
1 500 000 000 000
Este número lê-se mil milhões e quiinhentos mil e é esse o valor dos lucros da banca no último ano. Um valor exorbitante por todos os motivos. porque é um sector que continua não pagar os impostos que deveria e porque no mercado de trabalho não tem um peso que o justifique. Por outras palavras poderemos dizer que a banca em Portugal não tráz nenhum valor acrescentado á sociedade. Só para termos uma ideia se este valor fosse equitativamente distribuido pelos trabalhadors da banca qualquer um destes receberia perto de 240 000 euros por mês. Obviamente que não é isso que se pretende mas poderia ser que se fossem aumentadas ofertas nos balcões e admitidas pessoas para que os funcionários dos bancos efectivamente cumprissem as 8 horas de trabalho que o número de funcionários fosse aumentado em cerca de 30 000 e a margem dos lucros quase que não era afectada.
O que eu quero dizer com isto é que é importante que o país não veja a banca como algo que cria riqueza. Muito antes pelo contrário. A banca acaba com a riqueza concentrando-a em dois ou tres individuos parasitas do resto da sociedade.
È urgente que a banca comece a pagar impostos sobre os lucros reais e que deixe de ser o ex libiris da falta de condições de trabalho e da precariedade.
Publicado por Daniel Arruda às 08:23 AM | Comentários (7)
julho 10, 2006
Diferenças
Não me choca nada que 10.000 portugueses tenham saído à rua para esperar a Selecção, ontem, à chegada da Alemanha. O que me choca é que os Portugueses só saiam à rua para esperar a Selecção.
Cada vez que a França ganhava uma eliminatória, milhares de franceses saíam à rua para comemorar. Como cá.
A única diferença é que há uns meses, centenas de milhares de franceses sairam à rua para lutar contra a precariedade e pelo direito ao emprego com direitos. E cá não.
Publicado por Isabel Faria às 03:50 PM | Comentários (3)
O País continua...

Depois de mais de um mês de intervalo, o País de todos os Verões aí está de novo. Ontem, mal chegou o primeiro calor, voltaram os incêndios. Seis bombeiros morreram em Famalicão. O Verão parece que vai ser de novo quente e de novo se vão repetir os mesmos gestos, as mesmas palavras sem sentido, as mesmas imagens em que a beleza se alia duma forma avassaladora à tragédia…Portugal vai voltar a arder. Não de emoção, nem de verde e vermelho. Vai voltar a arder de desleixo, de incapacidade, de impotência, de adiamento constante. A arder do preto das cinzas. Nos meses que aí vêm o hino vai ser substituído pelo som das sirenes dos bombeiros. E as pessoas que saírem à rua, continuarão à espera dum S. Scolari ou dum S. Figo, que as faça esquecer, que já o ano passado assim foi. E que assim continuará para o próximo. Com um pequeno intervalo em 2008. Para o Europeu.
Publicado por Isabel Faria às 03:30 PM | Comentários (2)
O nosso sempre querido Abominável Homem das Neves
É por estas e outras que o Abominável Homem das Neves merece todos os anos o prémio de criatura lusitana com menos neurónios por centimetro cúbico de cabeça.
Publicado por Daniel Arruda às 09:07 AM | Comentários (2)
julho 08, 2006
Mas o que é que é isto?!?!?!?!?!
O que é que se passa com o Expresso? O jornal que até hoje era diferente. Não embarcava no mediatismo do Futebol para fazer 1as páginas hoje aparece com uma página inteira dedicada ao futebol e a Scolari. O Expresso não é um diário. É um semanário de referência e deveria ter assuntos mais importantes que tratar que futebol. Será que não se passou nada neste país nesta semana?????
A última réstia de esperança do jornalismo em Portugal desvaneceu-se hoje.
Publicado por Daniel Arruda às 01:37 PM | Comentários (1)
julho 07, 2006
Grávidas do Alentejo

Recebi por Email (obrigado, António). Como hoje o Troll está cheio de letras...nada como uma viagenzita ao Alentejo profundo...
Publicado por Isabel Faria às 01:01 PM | Comentários (2)
Somos racionais???
De vez em quando apercebemo-nos de que não somos imunes às mensagens com que nos bombardeiam diariamente. Somos conscientes. Até somos cidadãos informados. Até estamos convencidos que sabemos distinguir a verdade das mentiras que nos transmitem...então porque é que, depois, temos reacções completamente irracionais? Porque é que nos saem expressões de medos sem razão e, sobretudo, sem lógica? Porque o medo é irracional? Ok, mas não temos a pretensão de ser conscientes? De o saber e poder controlar?
O meu filho tem ido, desde que as férias começaram, várias vezes para as praias da linha de Cascais. Normalmente para o Estoril ou para S.Pedro.
Ontem à noite, perguntou se hoje podia ir. Disse-lhe que sim...esta manhã, perguntei se era para S.Pedro ou para o Estoril...”para Carcavelos, hoje vamos para Carcavelos...”.
“Nem penses!!! ...” “Hein...porquê???
Deve ter ficado com uma cara completamente passada porque nunca vi os olhos do meu filho tão grandes a olharem para mim...e eles são enormes...
”Descuilpa...estava a pensar no jogo...” “No jogo???? Qual jogo ??? Não estás bem hoje, pois não???”.
Felizmente estava atrasada para sair de casa.
Publicado por Isabel Faria às 11:04 AM | Comentários (4)
Notícia importante
Isto é o que se pode chamar uma notícia como deve de ser. Apesar de já ser de 2003 nunca foi muito divulgada aqui nas terras lusas. Não percebo porquê. Será que não é importante? Afinal o cancro da mama também mata em Portugal e tudo o que se pudesse fazer para evitar mortes é bem vindo. Aliás até se poderia fazer uma lei que tornasse o alfinete de peito (ficava mal usar o português tradicional) obrigatório em todos os lares.
Mulheres de Portugal. Ponham a boca, desculpem, os olhos neste estudo. Cuidem de vocês, façam bem à vossa saúde.
Publicado por Daniel Arruda às 10:48 AM | Comentários (4)
Palavras para quê?!?!?!?!?
Parece que há polacos que têm saudades de Salazar e Franco. Vindo de um país que teve durante mais de 40 anos uma ditadura não deixa de ser caricato.
Como está no texto. É um preço que nós democratas temos de pagar. -
Publicado por Daniel Arruda às 09:26 AM | Comentários (4)
julho 06, 2006
Outro dia
São pouco mais de nove da manhã. Já começou o dia. Portugal não passou à final do Mundial da Alemanha. Fez um óptimo Mundial e acabará, pelo menos, num honroso 4º lugar .
Está na hora de me despachar. Vou entregar na AR a petição que tem vindo a circular contra a precariedade. Uma tentativa de quase 6000 pessoas para verem revista uma Lei que tira presentes e futuros a milhares de outras.
Na hora em que me preparo para sair de casa tenho três pensamentos:
1º - Se Portugal conseguisse qualquer honroso lugar (já nem falo no 4º, que a Selecção conseguiu...) em qualquer um dos indicadores de qualidade de vida, de direitos, de desenvolvimento, de intervenção cívica e cidadã, tinhamos un bons Kms a menos de passos para dar. A Selecção Portuguesa de Futebol está, portanto, muitos passos à frente de todos nós. Talvez devessemos, agora, com os ânimos mais calmos, pensar nos passos que nos faltam dar para a igualar. E começar a dá-los.
2º - Não vou entregar a Petição a pensar nos milhares de homens e mulheres que diariamente a vivem. Hoje, reservo-me o direito de o fazer, apenas, em nome dos que conheço, conheci, ao longo destes anos. Dos que para mim tiveram/ têm rostos, e histórias, e dramas, e sonhos sempre adiados, e amanhãs nunca concretizados. Dos meus colegas que na Sexta Feira passada se despediam de nós, com a dor de quem mais uma vez nada tem. De quem mais uma vez tem que começar, vezes sem conta começar, tudo de novo em novos lugares, com novos rostos e em que estas histórias não contam. Em que não têm passado. Têm braços e pernas. E precisam de sobreviver.
3º Quando a petição estiver entregue, volto, tenho a certeza, a conseguir ver todos os outros. Por agora levo a R.
"E se quando reabrir não nos voltarem a chamar, Isabel??? Gosto tanto de vocês...até do chão da copa gosto... São tantos anos...ainda nem eras loura...as minhas fardas foram mudando...acho que a primeira era a verde. Dizias que parecia uma alface..."
Por agora, vou entregá-la por ti.
Publicado por Isabel Faria às 09:13 AM | Comentários (4)
julho 04, 2006
A persistente vitória da hipocrisia
A hipocrisia continua.
Há uns dias, fazia-se uma homenagem a uma mulher morta no rescaldo de um aborto clandestino. Hoje, o Tribunal de Aveiro anula o anterior acordão e condena três mulheres a penas de prisão. Até quando?
Publicado por Isabel Faria às 09:09 PM | Comentários (2)
junho 27, 2006
Apenas um simbolo
Apenas vale como um símbolo. Apenas serve de alerta. Ainda hoje há mulheres que morrem vítimas de aborto clandestino. As que não têm possibilidades de os fazer em clinicas bem pagas, aqui ou em Espanha.
Há oito anos, os portugueses preferiram ir para a praia, e, mais uma vez, disfarçarem-se de avestruz. Depois disso não se sabe quantas Lisetes, pagaram com a vida, a impossibilidade de dar vida.
A vida é feita de opções. De dores. Tem uma boa dose de inevitabilidade e de irreversibilidade. E se um símbolo servir para nos avivar a memória e nos despertar a consciência, creio que é bem vindo.
A esta hora, talvez num qualquer quarto de uma qualquer cidade de Portugal, haja quem não possa seguir uma gravidez.
Entretanto, no que diz respeito a Educação Sexual, que os partidários da penalização usam e abusam em épocas de decisões, tudo continua por fazer.
O PS prometeu um novo referendo. Talvez a melhor forma de lembrar a Lisete seja pensar em não ir à praia nesse dia. .E teimar em lembrar o PS do seu compromisso.
Publicado por Isabel Faria às 10:04 AM | Comentários (5)
junho 25, 2006
Os "portuguesinhos"
A lógica do Juíz que recusou a nacionalidade portuguesa a uma cidadã indiana, que vive há nove anos em Portugal, está casada com uim português e tem filhos portugueses, deve ter chegado aos jornais luxemburgueses.
Talvez faça bem a alguns portugueses que culpam os imigrantes dos males que por aí vão, que somos um País de emigrantes...e que, de quando em vez, há quem faça questão de, lá por fora, nos lembrar isso.
Publicado por Isabel Faria às 05:47 PM | Comentários (1)
junho 24, 2006
Repescados
Os Blogs têm estas contingências. Os Posts vão desaparecendo com os dias. Cada novo Post é mais um passo para que o anterior passe definiivamente para a galeria do esquecimento. Só que há posts e posts. Neste caso concreto, há comentários a posts e comentários a posts.
Decido "repescar" um Post que fiz há algum tempo sobre as eleições para o SPGL e um outro que o Daniel escreveu sobre a Unidade e a Unicidade. Pela importância dos comentários (dos sérios, dos outros, claro que nem aqui nem em qualquer outro lado, rezará a história) não gostaria que ficassem esquecidos naquele planeta para onde vão os posts dos dias que passaram.
A todos o nosso obrigado. Pela participação. Pelas informações. Pela discussão. È para isto que serve o Troll.
Aqui ficam so links.
SPGL
Unidade e unicidade
Publicado por Isabel Faria às 10:07 PM | Comentários (6)
junho 23, 2006
Não podiam ter escolhido pessoa mais acertada....
Homossexuais pedem ajuda a Cavaco
Publicado por Daniel Arruda às 05:20 PM
Os princípios
A escola para o meu pequenino já acabou. É altura de férias grandes. Claro que passou. Ninguém chumba no 1º ano. Mas fico satisfeito por ele ter efectivamente aprendido. É que podia-se dar o caso de ele progredir mas ficar com lacunas.
Mas a razão de ser da posta nem é tanto isso. Tem a ver com uma tecla que eu já bato há algum tempo. A escola (instituição) é mentirosa. Toda a gente apregoa, e provavelmente até haverá quem verdadeiramente acredite nisso, o trabalho de grupo, a importância da socialização dos comportamentos. Ou seja, e em resumo, que não se deve fomentar o indevidualismo. Tudo isso é bom, mas depois há escolas que continuam a constituir os seus quadros de mérito onde destinguem uns de outros, a fomentar que no ano a seguir haja uns que querem ultrapassar os outros, fomentando uma competição que não me parece que seja saudável para um miúdo de 7 anos.
Agora estarão alguns a pensar que estou chateado é por o meu filho não fazer parte do quadro de honra ou mérito como lhe quiserem chamar. Nada disso. Até porque ele está lá. Foi elogiado pelo comportamento, interesse e aprendizagem. Mas é um dipoloma que não lhe vou mostrar muitas vezes na infancia. Quero até que ele o esqueça. Quero que ele aprenda que no mundo se for preciso ficarmos um pouco para trás para que possamos caminhar juntos. Para todos chegarmos ao nosso destino. Quero que ele aprenda que o caminho é mais bonito se não fôr feito sozinho.
Gosto obviamente de saber que o meu filho vai no bom caminho. Não sou despreendido ao ponto de não ser sensível aos louvores que ele possa levar mas há princípio que não abdico. Que é o de ensinar que nenhum louvor individual é importante se ele não fizer bem ao próximo.Que o "Nós" é tão ou mais importante que o "Eu". Espero poder passar-lhe isso, tal como, por exemplo, a Isabel consegui passar tantos valores fundamentais ao JP.
Publicado por Daniel Arruda às 07:59 AM | Comentários (1)
junho 20, 2006
Não compreendo os juízes
Mas obviamente que não. O que é mais normal é o pessoal ir comer a sandes da manhã sentado na sanita ou então leva o cafézinho para um momento social encostado ao urinol.
Agora a sério. Um trabalhador que se deloque 10 vezes á casa de banho durante um periodo de trabalho, deve ser encaminhado para um médico porque deve ter problemas urinários, mas daí a poder-se controlar electrónicamente as idas ao WC é abusivo pois a meu ver que não sou jurista poe claramente em causa a privacidade de cada um.
Espero que o recurso de resultado pois esta decisão do Tribunal da Relação do Porto é uma aberração.
Acho que já faltou mais para o cenario dos filmes de ficção em que uma pessoa está a trabalhar agarrado á cadeira, alimentado por um tubo e defecando por outro está cada vez mais perto de se tornar realidade.
Publicado por Daniel Arruda às 08:23 AM
junho 19, 2006
Porque ela existe
Já muitos sabem o valor que dou á publicidade e especialmente ás campanhas de prevenção da SIDA. Fizeram-me chegar este de França. Do melhor que eu já tenho visto.
Uma nota: Ele é pesado pelo que não se assustem se ele demorar um pouco a carregar. Vale a pena a espera.
Publicado por Daniel Arruda às 04:01 PM | Comentários (3)
junho 16, 2006
Um novo blog
A blogosfera é o exemplo de um "ecosistema" que se auto renova, tem vida própria e não morre, muito antes pelo contrário. Aparece sempre mais viçoso a cada blog que é criado. De um amigo e de seus amigos nasceu "O Sono do Monstro".
Ainda está um pouco vazio porque está a dar os 1os passos agora mas pela amostra e pelo que conheço de um dos autores é um blog que rapidamente vai merecer uma visita mais assidua.
Não podia aqui deixar de dar as boas vindas blogosféricas a mais estes blogueiros.
Toda a sorte.
Publicado por Daniel Arruda às 07:38 PM
junho 15, 2006
Curta...sei lá nº k!!!!
Comprem a Visão desta semana. De vez em quando, eu e a Visão, divorciamo-nos, mas depois voltamos à cohabitação.
A não perder o Dossier Especial sobre os skins em Portugal . Eles existem. Mesmo. Uma reportagem sobre a Catalunha e a indispensável crónica do Ricardo Araújo Pereira (esta, confesso que leio todas as semanas, mesmo quando andamos de candeias às avessas...durante uns minutos confisco sempre a revista da minha colega). Ainda só vou aqui...
Numa pequena nota de rodapé se me conseguirem traduzir esta afirmação, que também já li, do Jerónimo de Sousa sobre o BE, eu agradeço:
"Acho que o BE subiu acima do chinelo. É uma força sem projecto e sem ideologia definidos".
A última parte eu percebo. Já tem décadas. Já existia antes do Bloco...digamos que é mais ou menos gasta e usada...ao longo dos anos só foi mudando o sujeito. Daí, eu mesmo conseguir entender....
A primeira parte é que me ultapassa: o que é subir acima do chinelo? Ao tornozelo? Às canelas? Ao joelho? Quando o meu Bono se deita em cima do meu chinelo é o Bloco de Esquerda que tenho em casa? Qual a análise política que está por detrás desta afirmação e que eu não consigo alcançar? Subir acima do chinelo é subir muito, pouco ou assim-assim...depende do salto do chinelo? De onde o guardamos? Please, help me!!!!!
Ah, e não se esqueçam, voltei a namorar com a Visão, por mais umas semanas. Vamos a ver qual será o nosso próximo arrufo....
Publicado por Isabel Faria às 07:13 PM | Comentários (6)
Curta III
No meio das dúvidas, no meio dos Emails que chegam, dos desmentidos do Governo, das contas da multinacional, das incertezas do futuro de mais de 1500 trabalhadores, um trabalhador falava ontem ao JN "Daquela sensação estranha de que não há nada a fazer".
Quantos de nós, nos locais de trabalho, perante a força da globalização, a precariedade das relações de trabalho, o espectro do desemprego, as notícias das deslocalizações, não sentimos já, algum dia, essa estranha sensação? Apesar de tudo, sabemos que ela passa...e a um canto qualquer da solidariedade, da memória, da unidade, de nós próprios, acabamos por encontrar a vacina.
Publicado por Isabel Faria às 11:02 AM | Comentários (2)
junho 12, 2006
A importância de cantar o hino...
Estou há meia hora a tentar encontrar umas palavras minhas para juntar a esta notícia do Público. Ainda não encontrei. Há notícias que valem por si...tirem as vossas conclusões, e, já agora, ajudem-me a encontrar as palavras...
Publicado por Isabel Faria às 09:22 AM | Comentários (9)
junho 09, 2006
Eu também quero
Sampaio deve estar feliz. Deixou escola em Belém.
Á imagem do seu antecessor Cavaco tembém começa a condecorar a torto e a direito, pelo que ainda não perdi a esperança e receber a minha medalhazinha da ordem de frei de espada á cinta ou a cruz das oliveiras. Sampaio condecorou tudo o que mexia por aí, deixande de fora apenas cão e gato. Cavaco termina o serviço. Chegou a hora do cão e do gato. Só assim se explica a medalha a Eduardo Catroga, ex-ministro e um dos angariadores de fundos da candidatura de Cavaco nesta corrida presidencial.
Só lhe perdoo se até ao fim do mandato se lembrar de mim para uma medalhinha.
Publicado por Daniel Arruda às 09:01 AM | Comentários (6)
Casa do Gaiato
Tenho dois filhos e nunca dei um estalo em qualquer deles, hoje têm 21 e 27 anos, mas a verdade é que nunca lhes dei um estalo porque não foi preciso.
Vem isto a propósito de uma notícia que hoje fez manchete nas TV, e que diziam ter o Ministério Publico processado o director da casa do Gaiato de Setúbal por 4 crimes de maus-tratos a menores na dita casa.
Conheço a casa, já lá estive com um ex-aluno, gostei do que vi, e francamente aquelas crianças se não tivessem aquela casa não tinham nenhuma, muitas são ali abandonadas pelos pais que não os podem alimentar, vestir, educar, outros são os pais que os entregam por não terem mão neles e por nem a estalo os conseguirem educar.
Na maioria dos casos, muitas são crianças que nunca tiveram um afecto, um carinho, uns sapatos, umas calças, quatro refeições por dia, o que é impensável para muitos de nós, mas existe neste País e muito mais do que pensamos.
Numa casa com tantas crianças, em que o Director (padre) é para muitos o único pai que conhecem e assim o tratam, em que a senhora de 66 anos que é referida na noticia é a única mãe que muitos também conhecem, só uma disciplina (forte) não dura, mas forte, pode fazer com que os miúdos façam coisas tão simples como lavar as mãos antes e depois de comer, levantar o seu prato e lavarem a louça (os mais velhos), fazerem as camas logo que têm idade para isso, ir à escola, inclusivé.
Tudo isto é conseguido por um único homem que lá passa 24 horas por dia e pelos “irmãos mais velhos”, que se substituem às famílias, que se desresponsabilizaram da educação das crianças, de lá abalam muitos para casar e criar família, muitos com boas profissões e cursos feitos.
É claro que de teóricos está o mundo cheio, e sabemos que muitos desses teóricos, se fizerem um balanço da actividade da Casa do Gaiato de Setúbal, e compararem os casos de sucesso, com os das instituições onde trabalham, têm muito, mas muito a desejar.
A situação não é nova, desde 1974 que há tentativas de desacreditar a casa, sempre por um caso ou outro, esquecendo as centenas de rapazes que por lá passaram nestes 32 anos, que ali se fizeram homens e que ali voltam, muitos, semanalmente. Eram estes que também deviam ser ouvidos, serão muitos destes que irão testemunhar as suas experiências e estou convencido que, mais uma vez, a montanha vai parir um rato.
E estranho é que vejamos algumas educadoras serem ilibadas de crimes de maus-tratos a menores, quando esses menores são deficientes, aqui sim, é de questionar as decisões dos tribunais.
Lamentável também é que a PGR desresponsabilize a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ), o Ministério Público, a GNR e o Hospital de São Teotónio – considerando que nenhuma destas entidades tiveram qualquer implicação no rumo dos acontecimentos que levaram ao coma da bebé Fátima Letícia, com apenas 50 dias, devido a maus tratos continuados:
Lamentável é que estas mesmas entidades, noutras partes do País, do Norte ao Sul, depois de receberem denúncias, deixem entregues aos pais, crianças que são violadas, torturadas, queimadas e até assassinadas.
Publicado por António Chora às 12:05 AM | Comentários (15)
junho 07, 2006
2,26
É caso para dizer façam o que digo e não façam o que faço
2,26 de taxa de Alcool!!!!!!! Porra, vai lá vai. A única coisa que me posso registar de positivo nesta coisa é que pelo menos só se aleijou a ele. Ninguém mais ficou afectado por tal falta de responsabilidade.
Publicado por Daniel Arruda às 10:15 AM | Comentários (1)
junho 05, 2006
Vá lá decidam-se
Casamentos atingem nível mais baixo desde 1940

Parece que a população que pode casar não quer. A que quer não pode. Vá lá decidam-se. Mas não se queixem.
Não podem queixar-se que o povo não casa e depois proibirem o mesmo povo de se casar. Ou será que as pessoas se têm de casar com quem o governo quer.
Publicado por Daniel Arruda às 12:51 PM | Comentários (1)
junho 04, 2006
Raúl Indipwo

Conheci a música do duo Ouro Negro pelo meu pai e tornei-me apreciador do género embora na fase da minha adolescencia já pouco ou nada produziam, pois Milo morreu e Raúl parou.
Conheci a pintura de Raúl numa exposição e não sendo eu um conhecedor de arte apaixonei-me pelos seus traços simples.
Tive o prazer de ir á sua casa junto de Oeiras e admirar a vegetação que ele ali cuidava, os seus animais e o seu bom gosto. Era de facto uma pessoa diferente. Exentrico diriam alguns. Politicamente nos meus antipodas pelo que pude constatar numa ou noutra conversa, mas era impossível passar ao lado da figura que Raúl Indipwo representava.
Ontem morreu, no Barreiro vítima de doença prlongada. A sociedade portuguesa ficou mais pobre. Não esta sociedade de Lilis, Cinhas e Babás que hoje conhecemos como sendo a sociedade, mas aquela que fez e fará Portugal ser reconhecido lá fora como sendo capaz de produzir arte ao melhor nível.
Publicado por Daniel Arruda às 06:48 PM | Comentários (2)
junho 03, 2006
Os tempos difíceis do Troll
O Troll anda uma desgraça. É uma desgraça para comentar. Os comentários demoram horas a entrar. Depois aparece uma frase a dizer que o comentário não entrou, tentamos outra vez e, muitas vezes, tinha entrado à primeira e sai repetido.
Passa-se o mesmo nos bastidores com os posts. Demoram horas. Não entram. Entram a duplicar…depois o que entrou a duplicar primeiro que saia é mais um século…
Não me parece que se passe o mesmo com outros Blogs da Weblog (acabei agora mesmo de comentar no Pópulo da minha amiga Émiéle e funcionou normalmente em tempo normal). Já contactei algumas vezes o Departamento Técnico do AEIOU, que se tem mostrado sempre disponível mas a verdade é que não tem melhorado. Há um ou dois dias em que anda melhor e depois volta tudo ao mesmo. Não sei como os nossos comentadores vão tendo paciência para insistir…sei que a responsabilidade não é nossa e que não entendemos o que se passa.
Este post é um pedido de desculpas a todos e um pedido público de ajuda a quem de direito. Nunca tivemos tantos problemas no Troll. Dá para ver que não são problemas gerais da Weblog e não entendemos, repito, o que se passa. Queremos continuar na Weblog. Digamos que se criam laços afectivos, até com coisas inesperadas, como um endereço electrónico, mas achamos que temos o direito de solicitar um serviço adequado àquele que a Weblog nos proporcionava no tempo do Paulo Querido e que eu conheço desde os tempos do Afixe. Peço desculpa à equipa técnica do AEIOU por este desabafo, mas estamos todos a ficar um bocado cansados. De tentar, mas sobretudo, de não compreender. Queremos o Troll de volta...e por mais que gostemos de por aqui passar, ninguém tem tempo para passar uma hora a tentar publicar um post ou um comentário.
Publicado por Isabel Faria às 09:53 PM | Comentários (4)
junho 01, 2006
De cócoras

Publicado por Daniel Arruda às 07:49 PM | Comentários (2)
Mas são mesmo todos maus?
Há uns dias a ministra da Educação traçou um quadro negro dos professores e das escolas públicas.
Não tenho muita vontade de discutir as palavras da Ministra. Creio, apenas, que, como em tudo em que se façam generalizações, serão certa e inevitavelmente injustas.
Há maus e bons professores, como maus e bons médicos, como maus e bons juízes, como bons e maus electricistas, como bons e maus pais.
Se há favorecimentos nas escolas como afirma a Ministra, então porque nada se faz? Se não se aposta nos caso difíceis, então porque nada se faz? Se se distribui os melhores alunos aos melhores professores, então porque nada se faz? Isto é, não se deveriam criar regras, regras iguais, democráticas, legais, para evitar que, se isto se passa, se passasse? E se se deveriam criar regras, estas não deveriam ser da responsabilidade de quem agora não responsabiiliza, mas, escolhe o caminho mais fácil e, apenas, culpa?
O meu filho tem 16 anos. Sempre andou em escolas públicas. É a quarta escola pública que anda, este ano, a frequentar. Está no 10º. No primeiro ano teve uma boa professora, em Oeiras. Nos três seguintes teve um óptima professora em Lisboa. Esteve sempre no horário da manhã (aliás, nos 3 últimos anos só havia horário da manhã). Dizia-me, então,quando o ano terminou, que nunca mais ia encontrar uma professora como a MJ...e chorou por a deixar.
No 5º ano teve uma má professora, entre todos os que teve. Má como professora, má como profissional, má como pessoa. Ficou a detestar a disciplina. Os pais reclamaram mas a situação não foi alterada. Sei que a professora se manteve na mesma escola durante os anos a seguir. Estava no horário da tarde.
No 6º e no 7º, teve uma nova professora à disciplina que detestara e recuperou completamente. O gosto e as notas. Passou de 3 para 5. Manteve a nota até ao ao final do 7º ano, apesar de ter mudado de professor, entretanto. Continuou no horário da tarde. Neses anos em que se manteve neste horário, sempre foi um aluno de 4 e de 5.
No 8º e no 9º manteve-se na mesma escola e mudou para o horário da manhã. Não passámos a ter nenhum familiar na escola e continuou a ser sempre um aluno de 4 e de 5.
No 8º ano teve uma má professora numa disciplina importante. Acabou o ano com 3. Foi a excepção. Para além de não ser boa profissional, não tinha nenhuma aptidão para motivar os alunos e todos a detestavam. Durante as férias fizemos os dois um esforço enorme para recuperar o tempo perdido. Foram alguns dias de trabalho que não poderia ter feito se fosse numa disciplina em que eu não o pudesse ajudar. Mas se eu pudesse e não o tivesse feito, possivelmente, o 9º ano não teria sido nem tão bom nem tão produtivo. E foi. Teve um óptimo 9º ano. Cheio de certezas quanto ao que queria seguir. E acabou o ano com média de 4,5.
Está no 10º. Numa escola pública. No 1º período teve uma má experiência com uma professora que, entretanto, entrou de baixa. Nesta altura, há disciplinas a que é muito bom e outras a que é um aluno bom. Uma em que é um aluno médio. Em que não gosta da disciplina mas em que diz que a professora “coitada não pode fazer nada...ela bem se esforça...mas eu detesto aquilo”. Na mesma turma, que é uma turma da manhã, há alunos médios e alunos que possivelmente vão chumbar a algumas disciplinas. Não me parece que estes sejam familiares de funcionários. E há outros alunos, bons e muito bons.
Não sei se a nossa experiência pessoal é mais do que isso. Experiência e pessoal. Talvez sirva para desmontar as generalizações. Em não sei quantas disciplinas e em 10 anos, o meu filho teve dois professores francamente maus durante dois anos inteiros e um durante um período. Ou será que apenas serve para dizer que há excepções? Ou que nós tivemos sorte? Não sei. Que cada um tire as suas conclusões.
Publicado por Isabel Faria às 11:06 AM | Comentários (13)
maio 30, 2006
Uma decisão inédita
Uma questão que não é fácil. Um tribunal da Califórnia considerou que os bloguers, tal como os jornalistas profissionais, têm direito a manter a confidencialidade das suas fontes de informação. Acho apesar de tudo um princípio perigoso, pelo menos em Portugal (não conheço bem a blogosfera de outros países, mas sei que a americana é bastante diferente da nossa nos conteúdos e motivações) tendo em conta aquilo que muita gente tem tentado fazer por aí. Quem não se lembra dos Riapas, apenas para dar um exemplo.
Acho que em Portugal a importância da blogosfera ainda não chegou a este ponto mas era importante se calhar importante resolver-se este problema por antecipação com um debate sério. É que o caso da Apple foi um negócio de milhões, muito diferente dos nossos tostões blogosfericos, mas quem sabe se um dia não se chegará a um ponto similar.
Publicado por Daniel Arruda às 08:35 PM
maio 27, 2006
Hipocrisia
E cá em Portugal alguém ficou admirado com esta notícia? Será que ninguém sabia que isto acontecia? Estamos todos tão chocados não estamos? A população que passa a vida toda a virar a cabeça para o lado para não ver vem agora dizer ao que horror. Crianças a trabalhar. Sim crianças a trabalhar, ali e em muito lado e ninguém faz nada. Quantas vezes as mais diversas organizações chamaram á atenção para isto? Perdi a conta. Mas não é só ali. Há mais, muitas mais crianças a trabalhar, porque as famílias precisam de dinheiro a maior parte das vezes e outras, menos, porque sempre foi assim na família. Num país cada vez com mais miséria em que nos queremos comparar á Europa desenvolvida na média de computadores por família, na venda de carros, nos indices tecnológicos temos vergonha de olhar para o país que temos. para a nossa realidade. Uma realidade de miséria encapotada. Do faz de conta. De milhares de pessoas a passarem fome pelos mais diversos motivos. Porque temos uma sociedade que exclui ao invês de incluir.
Deixemo-nos de hipocrisias, de choques tecnológicos, de aparencias e de demagogias. Olhemos uma vez na vida para o país real e resolvamos os problemas.
Publicado por Daniel Arruda às 01:50 PM | Comentários (2)
Campo Pequeno
Uma posta para aqueles que só conhecem o campo pequeno hoje. Ele já foi assim:

Para depois estar assim:

e mais recentemente assim:

Não ponho aqui nenhuma foto do "novo" Campo Pequeno porque não é esse o objectivo. Usei o Campo Pequeno porque me parece o exemplo do que um a má política de urbanismo pode fazer a um centro da cidade. Vejam os enquadramentos das épocas. 1º em 192..., depois em 1947 e ainda em 1987. Aquela que poderia ser uma zona nobre da cidade transformou-se numa amalgama de prédios e casa descaractrizando a área. Já pouca gente sabe que foi ali, nos terrenos ao lado da Praça que nasceu o Futebol em Portugal. Os 1ºs derbys entre os ingleses do Carcavelos e do Sport foram ali. Com balizas trazidas ás costas pelos jogadores. Já poucos se lembram que foi ali ponto de partida de centenas de marchas populares. Á semelhança do que escrevi há pouco tempo sobre o Café Império também aqui se assiste a um reescrever da história. A própria re-inauguração foi um espeho disso. Nada se falou de história a não ser a evocação de cavaleiros e matadores de toiros. Onde está a história do Campo Pequeno. A história do fim de Lisboa e início dos subúrbios tal como era em 1900.
Começo a achar que sou eu que ligo demasiada importancia á nossa história. Parece que mais ninguém o faz.
Publicado por Daniel Arruda às 09:05 AM | Comentários (1)
maio 24, 2006
Violência doméstica

Há uns tempo deixei aqui um post sobre a violência doméstica. Na altura, causou polémica ter usado uma foto da Guernica para o ilustrar.
A Amnistia Internacional publicou hoje um relatório sobre a violência doméstica em Portugal. No ano passado morerram 33 pessoas vitimas de violência doméstica. Quase 3 mulheres por mês, morreram vítimas de maus tratos de familiares próximos.
Há milhares de pessoas que morrem vitimas de guerras. Milhares vitimas de repressão. O mesmo relatório da AI fala do conflito na provincia de Dafur no Sudão, que já matou milhares de pessoas e obriga milhões a abandonar as suas casas e as suas terras.
E reconheço a minha incapacidade de não me apetecer voltar a colocar a mesma foto a ilustrar um post sobre 33 mulheres que morreram em Portugal, vitimas da violência dos homens que amaram, que amam. Com quem fizeram as suas vidas. Muitas vezes, pais dos seus filhos. Mortes que, normalmente, culminam anos de violência diária, de ofensas, de agressões, de marcas que ficarão para sempre .
Nunca serei capaz de contabilizar a violência pelo número de mortes. Para mim, cada vida, uma vida, vale uma vida. A vida. E a ideia de se morrer, de se sofrer às mãos de quem se ama e em quem se confia, seja mulher ou seja criança lembrar-me-á sempre a imagem da Guernica. Multiplicada por 33 em 2005, as que não se puderam queixar ou por 18.133, as que ainda foram a tempo e tiveram coragem para o fazer. Só o não voltar a ilustrar um post com a mesma foto me leva a escolher, hoje, uma outra. De duas mãos que se acreditaram dadas para percorrer caminhos e que , às vezes, acabam assim. Ou acabam.
Publicado por Isabel Faria às 11:24 AM | Comentários (5)
maio 23, 2006
Não sabe??
Que já tenha sido decidido há tempo e nunca cumprido, não é de estranhar. Vai sempre uma longa distância entre tomar as decisões e pôr em prática as decisões. Sobretudo quando são decisões politicas destas, que se misturam com preconceitos morais e com “desculpas” morais para não serem cumpridas. E quando não há fiscalização em “campo”, para verificar se as decisões estão a ser mesmo cumpridas.
De qualquer forma, segundo o director do Instituto Português de Sangue já em finais de 2005 que a decisão de retirar do site do Instituto na Net o “aviso” de que seriam excluídos dadores homens que tenham tido sexo com homens, tinha sido tomada. Só que estamos em meados de 2006 e o “aviso” continua lá...e os profissionais continuam a fazer a pergunta e a excluir os dadores...
Mas estranhas, estranhas são as declarações de Almeida Gonçalves que o DN cita, quando questionado sobre o enquadramento dos dadores homens que “tenham sexo com homens”
“Não lhe sei responder. Não sei dizer se um homem ter sexo com homens, mesmo se for sexo protegido, é um comportamento de risco ou não. Não posso responder ainda a essa questão sobre o que é exactamente comportamento de risco."
Mas o Director do IPS não sabe o que são comportamentos de risco? E não sabe que sexo protegido entre homens não é menos seguro que sexo protegido heterossexual? E não sabe que, neste momento, o grande grupo de risco são os casais heterossexuais, porque é o que mais continua a fazer sexo desprotegido? E não sabe responder o que é um comportamento de risco? Mas a pessoa que está á frente do IPS, não devria ter algumas certezas? Não deveria saber distinguir comportamentos de risco de tipo de relações? E saber que uns não dependem do outro?
Publicado por Isabel Faria às 04:53 PM | Comentários (5)
Não é uma fatalidade
´Hoje ainda não tinha tido hipotese de vir aqui mas nã podia deixar de escrever algo sobre esta notícia.. Porque é preocupante e acima de tudo porque não é uma fatalidade, no sentido de não ter solução.
Todos sabemos que a legislação Portuguesa não permite que se venda alcool a pessoas com idade inferior a 16 anos. Então como arranjam estes adolescentes a bebida. Obra e graça do Espírito Santo? Não me parece. Eles bebem porque ninguém respeita a lei, a começar pela própria polícia que pode estar a ver e nada diz, como acontece em muitos supermercados deste país. Em qualquer país civilizado a desculpa do "foi a minha mãe que me pediu para vir ás compras" não pega. Num bar não se fecha os olhos porque afinal é mais uns trocos que entram e de certeza que não se acreditam que os miúdos bebem apenas em casa assaltando o bar dos pais.
Faça-se cumprir a lei. Sensibilize-se as pessoas para esta temática e diga-se que não basta colar uma folha A4 a dizer que é proibido e depois nada se fazer. Se não se fizer isto vamos andar os próximos anos a lamuriarmo-nos sbre o mesmo.
Publicado por Daniel Arruda às 04:21 PM | Comentários (5)
maio 20, 2006
Jornalistas pois claro
O título desta posta poderia ser, "Querem ver que no fim a puta sou eu", tal o absurdo da questão.
Souto Moura diz que a investigação ao caso conhecido como Envelope 9 demorou um més e que só está pendente da resolução dos resursos apresentados pelos jornalistas que não deixam, e bem, que se abram os seus computadores. De qualquer forma Souto Moura vai adiantando que não existe nenhuma espécie de culpa do Ministério Público e que "O inquérito revelou já que a Portugal Telecom faltou às suas obrigações legais de «de cuidado e diligência devidos na revelação de dados pessoais».". Mas falta ainda apurar a culpa ds jornalistas a quem está bom de saber vai caber a fatia de leão das culpas.
Podiam-se escreve-se tratados sobre esta vergonha mas acho que não vale a pena para já. É o coorporativismo dos juízes e do Ministério Público a trabalhar na perfeição, com a complacência de Procurador claramente e comprovadamente incompetente para o cargo que ocupa, qual marioneta neste jogo de poder. Vergonhoso, palhaçada, imoral, qual será o adjectivo que melhor pega para esta fantochada. Será que vai contar com a complacência do Sr. Silva? Temo que sim.
Por isso vou-me guardar porque tenho a impressão que vou ter mais vezes para escrever sobre isto.
Publicado por Daniel Arruda às 02:35 PM
maio 16, 2006
Haverá???????????
Por: Daniel Arruda
Parece que a ICAR não gostou de saber que o Cardeal Patriarca vai perder o lugar de destaque que ocupava nas cerimónias oficiais do Estado.
Haverá alguma razão para que tal previlégio se mantivesse????? Alguém me poderia dar uma??????
Publicado por Troll Urbano às 03:29 PM | Comentários (4)
maio 15, 2006
A memória é uma coisa terrível
Por: Daniel Arruda
Parece que há quem ainda não aprendeu o velho ditado que diz,
Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti
Continuamos a queixar-nos continuamente das maldades que fazem aos bravos portugueses lá fora, gente honesta e trabalhadora, respeitados por todos e eaquecemo-nos de respeitar e tratar bem todos aqueles que nos escolherem para terem direito a uma vida melhor. Confesso que por vezes tenho vontade que todos os portugueses sejam repatriados para que algumas pessoas abram os olhos. Felizmente que esses ataques passam-me rápido porque os nossos emigrantes não têm culpa da estupidez dos nossos governantes.
Nota: Eu próprio sou filho de um emigrante português na Alemanha e agora de uma alemã imigrada em Portugal.
Publicado por Troll Urbano às 02:25 PM | Comentários (1)
maio 12, 2006
Desabafo
Por: Daniel Arruda
Adoro as histórias que as cidades têm para nos contar. Especialmente as histórias dos lugares, que tanto nos dizem sobre a nossa história. Foi por isso que hoje fiquei triste com o anuncio da venda do Café Império á IURD. não especificamente por ser á IURD mas porque vai fechar como café e restaurante.
O Café Império não era um café qualquer, era um lenda de Lisboa. Era, (foi) o melhor Bife da cidade, casa de variedades onde tocaram e cantaram os grandes nomes da nossa praça nos anos 50, 60 e 70. Tony de Matos ou António Calvário. Casa de chá de excelencia onde se juntava tudo, a senhora da sociedade, o "manfio" da curraleira em busca alguma coisa para "ganfar" e o gigolo nas suas matines de engate. Local de inúmeras tertúlias de políticos e intelectuais.O Café Império, juntamente com o Cinema Império é parte da História de Lisboa. Onde se podia imaginar a vivência dos anos 50 daquela Lisboa que muitos não conhecemos. Tenho afectos particulares a toda aquela zona, da Alameda ao Alto de S. João. Razões familiares. meu pai nasceu na esquina do Pato Bravo, a minha Avó no patio 112, o meu padrinho tinha um talho na Barão de Saborosa, o meu tio nasceu na Picheleira, passei anos a fio as férias em casa da minha Avó dividido entre o Jardim da Nespera e as futeboladas na Alameda, com esporádicas idas á Paiva Couceiro. Aprendi a gostar daquela zona, de entender as suas raízes. Vou ainda hoje ver saír a minha Marcha á porta do Ginásio do Alto do Pina, comer a minha sardinha junto ao Chafariz. Assisti á morte do Clube Musical e do Aguias dos quais era sócio. Vi a Curraleira transformar-se em Olaias, vi os velhos desaparecerem do Jardim P. Couceiro, desaparecendo com isso as tardes de Sueca e de Dominó. Vi a minha cidade a mudar. Já não me devia espantar nada mais. Mas confesso que lido mal com um poder que não preserva a sua identidade. O café Império deveria ser considerado partrimónio da cidade. Não quero saber se neste momento não era rentável na forma como estava a ser explorado, o estado que tomasse conta do imóvel e o rentabilizasse como café, restaurante, pastelaria, casa de variedades, ou lá o que quisessem, mantendo a identidade e contando a todos os que nos visitam parte da história da cidade. Histórias que nos ensinam de onde viemos e o que fomos.
É uma frase feita mas quando não sabemos preservar a nossa identidade contribuindo para a diversidade das culturas corremos o risco de mais dia menos dia sermos mais uns, iguais a tantos outros.
Publicado por Troll Urbano às 06:30 PM | Comentários (2)
maio 10, 2006
Sem título
Por: Daniel Arruda
Que mais nos faltará quando a Morte é negócio e provoca disputas como esta. Cada vez mais concordo com os nórdicos. Velórios é em casa, com bolinhos e café a seguir ao enterro.
Publicado por Troll Urbano às 12:09 PM | Comentários (3)
maio 09, 2006
As bandeiras e as vidas
Por:Isabel Faria
É constrangedor o desconhecimento que algumas pessoas têm da realidade do País em que vivem. Aqui há uns dias, uma nossa comentadora habitual, falava nas nossas caixas de comentários da irrelevância (ela gosta destes termos fortes) do Bloco por não ter 38 jovens “efectivamente precários” para transportar as letras no 1º de Maio. Como se o Bloco desconhecesse de tal maneira a realidade deste Pais que ousasse propor a jovens “efectivamente precários”, que no outro dia perdessem os seus empregos se, por um qualquer acaso, fossem reconhecidos pelos seus patrões ou tivessem o azar de aparecer nalgum órgão de Comunicação Social. Como se a luta contra a precariedade que tem que ser em grande parte feita pelos trabalhadores precários de hoje e de amanhã se compadecesse com faltas de tino como esta, que seria colocar nas mãos de três dezenas de jovens, ainda por cima, sob a bandeira duma organização política, o risco de perderem o emprego que têm hoje ou que precisam para amanhã. Como se a obrigação de pessoas e organizações politicas de Esquerda responsáveis, não fosse mobilizar todos para processos colectivos e alertar todos para os perigos que podem advir de tomadas de posição individuais.
Ontem tive um telefonema duma trabalhadora precária da minha empresa. Pediu para falar comigo, conjuntamente com mais duas colegas. Fora da empresa, frisou. Claro que disse que sim e propus o café em frente. Depois de um silêncio, veio a resposta: desculpa Isabel, mas tem que ser longe. Temos medo que nos vejam contigo…Foi longe. Esta tarde. O problema que elas me transmitiram nem tinha a ver com a empresa onde trabalho e na qual elas também vão, regularmente. Mas teve que ser longe. De vez em quando, uma delas perguntava se eu achava que não ia ali ninguém da empresa tomar café…e olhavam em volta, com desconfiança e com medo. Pensei, depois de as deixar com a promessa que farei o que o meu dever de militante de esquerda, de cidadã com direitos que elas não têm e de pessoa solidária, me obriga, como teria sido demagógico, perigoso, autista, oportunista e, sobretudo, desumano, que em qualquer altura daquela conversa lhes tivesse proposto que pegassem numa letra e se incorporassem numa manifestação pública que lhes poderia pôr em causa o pequeno almoço dos seus filhos no dia a seguir…
Há uns tempos, tive uma colega precária que decidiu pôr a empresa em tribunal, a conselho de alguns e com muitas reticências e avisos da minha parte…o processo foi-se prolongando, como todos os processos judiciais se prolongam no nosso Pais e um dia ela ligou-me a dizer que ia aceitar a indemnização da empresa, pois se não recebesse dinheiro naquele mês e continuasse sem trabalhar, perderia a casa onde vivia. Voltei a avisá-la dos perigos que corria, mas ela disse-me que não podia fazer outra coisa…meses depois, encontrei-a no café onde bebo a bica e pediu-me dinheiro para comer uma sandes. Há quase dois dias que não comia, disse-me. Nunca mais tinha tido emprego em nenhuma empresa de trabalho temporário nem do sector. A cidade, o País é pequeno demais e eles conhecem-se. Era disso que a tentei alertar na altura em que seguiu em frente sem que a tivessem alertado dos perigos que corria. E quem a aconselhou tinha a obrigação de saber os perigos que ela corria.
A luta contra a precariedade tem que ser uma luta colectiva. Mas creio que, para ser vitoriosa, tem que ser, sobretudo, uma luta solidária dos que hoje, ainda têm estabilidade e trabalho com direitos e que consiga mobilizar os precários de amanhã. Os jovens das escolas secundárias e das universidades. Como aconteceu em França. Aqueles que precisam de trabalhar à hora, ao dia ou à semana, não têm condições de isoladamente vencer o trabalho precário. Sob pena de até esse perderem.
Quem não entende isso pode precisar de bandeiras e usá-los como bandeiras, mas não pode ser mais que isso. O pão não se compra com bandeiras nem agendas politicas. Compra-se com lutas sérias mas responsáveis e com solidariedade. Pobres dos que se dizem de Esquerda e não entendem isso. Pobre do Movimento Sindical, que na maioria das vezes, por desconhecimento ou oportunismo politico, não entende isso. Pobres dos trabalhadores que acreditam nuns e noutros e que com eles contam. Quando chegam à conclusão que têm que receber uma miséria como indemnização para poder sobreviver, porque não podem continuar à espera da decisão judicial, nem o telefone já lhe atendem. Dizem que eu trai, dizia-me a minha colega. Como podia fazer outra coisa se isso significava ficar a viver na rua com o meu filho? Não lhe soube responder. Já passou algum tempo. Não sei se quem não lhe atendia o telefone porque ela tinha traído, fosse lá o que issso fosse, já lhe respondeu.Nem sei se continua dois dias sem comer. Mas do olhar lembro-me muitas vezes. Quando lhe dei o meu telemóvel para me ligar, havia um olhar vazio e estranho nos seus olhos...possivelmente nunca te ligarei, Isabel. Porquê? Não sei explicar....
Nunca ligou.
Publicado por Troll Urbano às 10:32 PM | Comentários (13)
Para onde vais Portugal?!?!?!?!?
Por:Daniel Arruda

Publicado por Troll Urbano às 09:58 PM | Comentários (1)
maio 08, 2006
Acredito que foi um mal entendido
Por: Daniel Arruda
Hoje estou de acordo com o Ministério da Administração Interna. No conteúdo, muito provavelmente não no aproveitamento que vai ser feito desta situação.
As declarações do presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia são de facto xenófobas e racistas. Acredito e até porque reconheço ao dito senhor competência pela forma como tem conduzido assuntos complicados, que essa não fosse a intenção dele mas o certo é que é uma pessoa com responsabilidades, afinal, representa uma classe, não deve, aliás, não pode, proferir este tipo de declarações.
Um engano toda a gente tem e espero que este tenha sido um lamentável equivoco. Nunca tive o hábito de julgar as pessoas por uma e só uma declaração pelo que vamos dar o benifício da dúvida. Se mais não fosse porque num estado de direito se não pudermos ter confiança nas forças da autoridade, em quem haveremos de ter?
Publicado por Troll Urbano às 07:18 PM | Comentários (56)
maio 07, 2006
Proximidades
Por:Isabel Faria

Decorreram hoje e vão terminar amanhã as jornadas autárquicas do Bloco.
Este post serve, apenas, para falar, de proximidades. Que, muitas vezes, porque conhecemos mal as realidades dos outros (e o País?), julgamos não existir. Um eleito dum órgão autárquico do distrito de Viseu, eleito numa lista de cidadãos independentes, falava da realidade da sua aldeia e do seu concelho. E a realidade da sua aldeia, perdida no interior, poderá ser a duma freguesia de Lisboa ou da cintura de Lisboa.
Durante o dia, dizia ele, a sua rua ficava vazia de gente. Todos se tinham que deslocar para a cidade para trabalhar. Durante o dia, nas freguesias à volta de Lisboa, todas as ruas ficam vazias. Todos se têm que deslocar para a cidade para trabalhar. Em muitas freguesias de Lisboa, durante o dia, as ruas ou ficam vazias, ou enchem-se de “deslocados” de outros lugares. Os seus moradores saem para trabalhar e para “viver” o dia, noutras paragens.
De manhã muito cedo, tem que se deixar os filhos nas escolas e nos infantários…tem que se ir de carro, quase sempre. Na aldeia e nas aldeias à volta faltam os transportes públicos. Os poucos que há, começam tarde e acabam cedo. Em quantas freguesias de Lisboa ou da cintura de Lisboa, a falta de transportes públicos não é um dos maiores problemas das populações?
Na aldeia faltam os lares para os mais idosos. Aquela velha ideia da solidariedade que tínhamos, de que nesses lugares os mais idosos terminavam os seus dias em casa, desapareceu ao ritmo da necessidade dos filhos e dos netos se deslocarem para fora, para trabalhar. Tal como na Pena, ou algures na Amadora. Por isso, têm que os colocar longe de casa, normalmente na cidade, longe da família e a solidão acaba por marcar os seus dias. Em Alfama, às janelas dos prédios mais antigos vêm-se rostos gastos pela idade. São os que não tiveram dinheiro ou lugar nos lares, mas que, também eles, vivem afastados da família. E nas janelas, vê-se-lhes a solidão dos olhares e dos gestos.

Falta gente para fazer listas para as autarquias, dizia. As pessoas chegam a casa cansadas e convenceram-se que nada ou muito pouco depende da sua disponibilidade ou da sua vontade. À noite ou aos fins-de-semana,, às vezes, ainda se juntam para falar. Mas participar em actividades politicas ou cívicas é muito complicado…numa freguesia do Cacém ou nos Olivais, à noite, as pessoas metem-se em suas casas, cansados do trabalho, das horas gastas no transito, descrentes da politica, com a vontade de participar inversamente proporcional à convicção de que “não vale a pena fazer nada, isto não muda”. Naquele concelho do distrito de Viseu, o Poder foi sendo ocupado ora pela PSD ora pelo PS. Nunca se deram por grandes diferenças. A não ser as disputas pessoais e os lugares que se arranjam após cada mudança de cor…
A semelhança entre a aldeia de Viseu, ou da Guarda, ou a freguesia de Loures ou do Porto, deverá, portanto, ter aí a sua “raiz”. Durante anos, o Poder foi lá, como na quase totalidade do resto do País, ocupado pelos mesmos. Foi a nível central, nos lugares onde as pessoas acham que as decisões se tomam, ocupado pelos mesmos. Os partidos que ocuparam o Poder, as politicas em que, fundamentalmente, só os rostos de quem as executava ia mudando, foi afastando as pessoas das suas casas para poderem encontrar formas de sobreviver, foi acabando com os transportes públicos porque não davam lucro, foi fechando escolas e obrigando as crianças a deslocarem-se para fora das suas terras, nunca criou uma rede pré-escolar com pés e cabeça e ao serviço das populações, deixando-a entregue a privados que criam infantários e pré-primários ou ATLs, nos lugares que lhes permita serem rentáveis, foi abandonando a agricultura e atirando os mais novos para as cidades, deixando os mais velhos entregues a si próprios, em Lares ou sozinhos em suas casas e a sensação de que “eles mudam mas tudo fica igual”, de que “não vale a pena fazer nada porque eles ganham sempre” de que “são todos iguais” (e efectivamente, como mais ou menos pequenas diferenças, têm sido todos iguais), leva no interior ou nos centro das grandes metrópoles, ao alheamento e à não participação
O que nos torna, afinal, tão iguais, ultrapassa a aldeia de Évora, a freguesia da Graça ou Lafões. Mas reflecte-se nelas. Uniformiza-as. As diferenças tentem a esbater-se, não porque se cria mais igualdade, mas porque se acentuam dependências.

Publicado por Troll Urbano às 12:22 AM | Comentários (50)
maio 05, 2006
Desde que não seja nada comigo...
Por:Isabel Faria
Podia-se ver os resultados desta sondagem e lembrarmo-nos que as sondagens valem o que valem.E que muitas vezes valem muito pouco.
Mas talvez seja um erro levarmos os resultados duma forma tão leviana.
Talvez esteja a resultar, mesmo, a tentativa de colocar trabalhadores de empresas privadas contra funcionários públicos, remediados contra pobres, desempregados contra pessoas com emprego, trabalhadores no activo contra reformados...haver 33% de portugueses que aceitam que o despedimento de outros trabalhadores possa ser a solução para os problemas do País, 21,5% que aceitem que outros trabalhadores possam não receber o 13º mês para resolver os problemas do País, é assustador. Como indicativo duma falta de solidariedade e sobretudo como uma chamada de atenção urgente para todos nós. O dividir par reinar sempre foi a solução que o Poder encontrou para perpetuar as desigualdades e a descriminação. Os meios de comunicação encarregam-se de fazer passar a mensagem, mas não podemos nem devemos abdicar da nossa quota parte de responsabilidade. Cada um de nós. O egoísmo de responder que não aceitamos que nos vão ao bolso, mas que achamos bem que vão ao do vizinho do lado, mostra, e repito apesar das sondagens valerem o que valem, infelizmente a “sondagem” das conversas de café, de autocarro e de local de trabalho, não difere assim tanto desta da Eurosondagem, que nos estamos a tornar cada dia que passa em seres mais egoístas, mas egocêentricos, menos solidários e, sobretudo, menos cidadãos.
Publicado por Troll Urbano às 12:41 PM | Comentários (93)
Marcha Global da Marijuana
Por:Daniel Arruda

Esta marcha tem como objectivo a legalização da Marijuana e dos seus derivados. Não podia estar mais de acordo. Pelas mais diversas razões mas acima de tudo porque se trata de uma questão de justiça. Marijuana não é igual a Cocaína ou Heroína. O mais comparavel é ao álcool e mesmo assim ainda acho que o álcool é mais nocivo. Porque a ilegalidade favorece o mercado negro, o narcotráfico, escancara as portas de entrada nas ditas drogas duras através dos dealers, favorece o aparecimento de "sociedades obscuras". A lista de razões que aqui poderia apontar seria enorme mas há uma que gostava de deixar aqui bem claro, e porque tenho 32 anos, porque estou informado, deixem-se de hipocrisias. A grande maioria dos portugueses com menos de 45 anos já consumiram ou consomen drogas leves regular ou irregularmente. Será que somos todos criminosos?!?!?!?!?!?
Publicado por Troll Urbano às 01:22 AM | Comentários (39)
maio 04, 2006
A alternativa da mobilização
Por:Isabel Faria
Em Junho, na Lear, fábrica de cablagens em Vialonga, 285 dos 873 trabalhadores vão peder o emprego. Ontem as dúvidas dos trabalhadores, resumiam-se a três: quem seria despedido, em que dia seriam despedidos e quanto tempo se manteria a fábrica a trabalhar com os restantes, isto é, quando seriam despedidos, os que não forem despedidos em Junho...
Os trabalhadores reconhecem a irreversibilididade e os dirigentes sindicais que resta tornar o despedimento anunciado ( e o inevitável encerramento de fábrica?), o menos gravoso para os trabalhadores...
Quem vive o seu dia a dia numa empresa, acaba por entender o estado de espirito, mas não se pode conformar com ele...a bola está do outro lado do campo....o neoliberalismo, as deslocalizações, apenas tornam necessário...que se torne menos mau é a mensagem que nos querem passar, que nos vão passando.
Mas temos o dever de dar a volta à inevitabilidade...não é inevitável. E esse dever passa , em grande parte, pela mobilização dos trabalhadores. Passa pela nossa capacidade de resposta. Passa por conseguir passar a mensagem que o desemprego não é uma doença incurável. Passa por conseguir passar a mensagem que há alternativas ao ...”inevitável”.
E aí, a Esquerda tem que encontrar formas não só de apresentar alternativas à politica de despedimentos, de encerramento de fábricas, de trabalho sem direitos...mas sobretudo à desmobilização dos trabalhadores que aceitam como normal que não haja alternativas a essas politicas.
Publicado por Troll Urbano às 10:55 AM | Comentários (8)
maio 03, 2006
O ratito...
Por:Isabel Faria

A maior operação policial de sempre. Mais de 600 polícias. Sete horas e meia de rusgas. Moradores impedidos de entrar e de sair do Bairro. Barracas viradas do avesso. Dezanove armas apreendidas, dez pessoas detidas...cum caraças pá, isto é daquelas situações em que se costuma dizer que a montanha pariu um ratito, não???
Os moradores dizem que parecia o Iraque...e fica-se sempre com a sensação que se bate sempre ao lado...calmamente, fora dos bairros de barracas, os grandes traficantes de armas e de droga, devem aproveitar os primeiros quentes dias de Sol de Maio, para ganhar umas corzinhas...Os moradores do Bairro da Torre, entretanto, têm umas tantas fechaduras para pagar e umas tantas barracas para arrumar....
Publicado por Troll Urbano às 11:29 AM |